Arquivo de 6 de Julho de 2008
Projeto no Senado quer acabar com Lei de Rotulagem de transgênicos
09 de Junho de 2008
As primeiras embalagens de óleos de soja rotuladas como transgênicos chegaram às prateleiras dos mercados brasileiros esta semana. A iniciativa acontece mais de dois anos depois da denúncia do Greenpeace de que empresas estavam desrespeitando a lei de rotulagem de 2004.
Brasília (DF), Brasil — Defenda o seu direito à informação, enviando carta de protesto a todos os senadores. Proposta pode ser votada nesta quarta-feira.
Atenção, consumidores: seus direitos estão ameaçados! A Comissão de Agricultura do Senado deve votar na próxima quarta-feira (dia 11/6) a proposta de decreto legislativo 90/2007 da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), velha conhecida de todos que tentam barrar o avanço dos transgênicos no país. O projeto pretende acabar com a obrigação das empresas de informarem nos rótulos de seus produtos o uso ou não de matéria-prima transgênica em sua fabricação. De acordo com a lei de rotulagem 4.680/03, em vigor no Brasil desde abril de 2004, todos os produtos que contenham mais de 1% de matéria-prima transgênica devem trazer essa informação no rótulo, com a presença do símbolo T em meio a um triângulo amarelo.
Os senadores já estão recebendo cartas do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), do Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor, para que respeitem o direito dos consumidores à informação e ao direito de escolha.
Clique aqui e envie você também a sua carta para os senadores!
ATUALIZAÇÃO: A votação foi adiada, mas o perigo persiste. Continue enviando cartas aos senadores para que o projeto seja rejeitado!
O projeto da senadora Kátia Abreu também acaba com a rotulagem de produtos que tenham sido fabricados com animais alimentados com ração transgênica.
A iniciativa contraria o Código de Defesa do Consumidor e recentes decisões judiciais reconhecendo e exigindo a informação nos rótulos, mesmo que abaixo de 1% de ingrediente transgênico.
"O consumidor tem o direito de saber o que está comprando e comendo, e as empresas têm que respeitar esse direito, fornecendo essa informação. Apesar de estar em vigor desde 2004, a lei de rotulagem vem sendo desrespeitada pela maioria das empresas. As únicas que se adequaram a ela - Bunge e Cargill - o fizeram apenas parcialmente e mesmo assim só depois de decisão judicial", lembra Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace.
As empresas Bunge e Cargill só rotularam seus óleos de soja Soya, Liza e Veleiro como transgênicos em janeiro de 2008, depois de muita pressão do Greenpeace, que fez a denúncia em 2005, e do Ministério Público de São Paulo, que aceitou a denúncia e entrou com uma ação civil pública exigindo a rotulagem.
Kátia Abreu tem marcado sua atuação no Senado como ferrenha defensora dos organismos geneticamente modificados. Empresária rural, ex-presidente da Conferência Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) (atual vice-presidente) e ativa participante da bancada ruralista do Congresso, Kátia Abreu já apresentou vários projetos no Parlamento em defesa dos transgênicos. Além do decreto legislativo que acaba com o direito do consumidor à informação sobre a fabricação de produtos com matéria-prima transgênica, a senadora também é autora do projeto de lei que autoriza a comercialização de sementes estéreis, as famigeradas Terminator, no Brasil.
Defendeu ainda a aprovação do algodão transgênico no país, a redução do quórum da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para a aprovação de transgênicos e lutou contra o estabelecimento de uma Lei de Biossegurança forte e efetiva no Brasil.
Leia também:
Produtos da Bunge e Cargill são rotulados em supermercado no Rio de Janeiro
Greepeace Brasil
Investir em Angra 3 é jogar dinheiro público na privada
24 de Março de 2008
Ativista protesta em frente à sede da Eletrobrás, no Rio de Janeiro, contra o investimento da estatal em energia nuclear. O Greenpeace aproveitou a ação para lançar seu relatório Elefante Branco: os verdadeiros custos da energia nuclear, que revela quanto realmente vai custar a construção de Angra 3.
Rio de Janeiro (RJ), Brasil — Novo relatório do Greenpeace revela desperdício de recursos públicos na construção da usina nuclear. Prejuízo pode chegar a R$ 4 bilhões.
Bilhões de reais dos cofres públicos brasileiros estão condenados à descer privada abaixo caso o governo federal insista em construir Angra 3. Para evidenciar isso, ativistas do Greenpeace promoveram na manhã desta segunda-feira, no Rio de Janeiro, um protesto em que manifestantes representando funcionários da Eletrobrás depositaram moedas gigantes nas 21 privadas de amarelo e preto na entrada da empresa estatal, responsável pelas obras da terceira usina nuclear brasileira.
Uma faixa com os dizeres “Eletrobrás: economize já!, Nuclear, não” pedia que a instituição pare de desperdiçar recursos da União com Angra 3. Os manifestantes protocolaram na Eletrobrás uma carta explicando o motivo do protesto e exigindo que a empresa disponibilize ao público os dados oficiais do projeto de Angra 3.
A manifestação marcou também o lançamento do relatório “Elefante Branco: os verdadeiros custos da energia nuclear”, que traz uma análise técnica da ginástica financeira utilizada pelo governo federal para apresentar Angra 3 como um projeto economicamente viável.
O estudo técnico-econômico que serviu como base para o relatório foi feito por uma equipe de pesquisadores liderada pelo professor Miguel Edgar Morales Udaeta, vinculado ao Instituto de Energia Elétrica (IEE) e ao Grupo de Energia do Departamento de Energia e Automação Elétricas da Escola Politécnica da USP.
Leia declaração do professor Miguel Edgar Morales Udaeta sobre a produção do relatório.
O grupo de pesquisadores atualizou os valores dispostos em estudo da Eletrobrás de 2001– “Geração Termonuclear” -, analisou os números adotados para compor a tarifa de comercialização da energia gerada por Angra 3, checando a veracidade dos cálculos, e apresentou diferentes cenários de custos e performances financeiras do empreendimento a partir das informações oficiais do governo.
O relatório do Greenpeace revela que Angra 3 custará, além dos R$ 7,2 bilhões oficialmente divulgados pelo governo, pelo menos mais R$ 2,372 bilhões por conta dos juros sobre o capital imobilizado para a obra.
O detalhamento dos números mostrou que o governo, para obter a tarifa de R$ 138, 20/MWh para a energia gerada por Angra 3, aplicou taxas de retorno para o investimento entre 8% e 10%, muito abaixo da prática de mercado (12% a 18%), transferindo o prejuízo para o Tesouro Nacional. Ressalte-se que a taxa aplicada pelo governo é irreal até se considerarmos um financiamento pelo BNDES, cuja taxa para projetos de energia jamais atinge um patamar inferior a 10%.
Veja as fotos:
As baixas taxas de retorno assumidas para o projeto podem acarretar perdas financeiras médias de até R$ 4 bilhões, valor dos subsídios não declarados de Angra 3. Caso o governo aplicasse uma taxa de retorno de 12% - ou a mínima praticada pelo mercado - a tarifa de Angra 3 chegaria aos R$ 152/MWh, valor acima dos índices considerados competitivos pelo próprio Ministério de Minas e Energia. Já se fossem praticadas as mesmas taxas aplicadas a projetos de energias renováveis (18% a.a), a tarifa da energia nuclear ultrapassaria os R$ 161/MWh. Vale notar que o modelo de financiamento do empreendimento assumido pelo governo remunera apenas o capital de terceiros e não os recursos investidos pela União.
“Estamos aqui hoje para alertar que Angra 3 só será viabilizada se for permitido um verdadeiro saque aos cofres da União. O cidadão e o consumidor irão pagar pelos altos custos da aventura nuclear brasileira”, afirma Beatriz Carvalho, coordenadora da campanha antinuclear do Greenpeace. “A energia nuclear é a alternativa mais cara, suja e perigosa, além de ineficiente para resolver os problemas de segurança energética do país. Ao investir nesta tecnologia, o governo brasileiro está transformando dinheiro público em lixo radioativo”.
Para justificar a competitividade de Angra 3, a Eletrobrás compara a tarifa de energia nuclear de R$ 138,20 /MWh com a das térmicas fósseis – que operam em situações de emergência e que têm um valor próximo, cerca de R$ 130/MWh. “Essa comparação é equivocada e serve apenas para confundir a opinião pública”, afirma Beatriz Carvalho. “A energia nuclear opera na base do sistema, ou seja, de forma contínua; já as térmicas fósseis operam por despacho, ou em situações emergenciais. Assim, se o governo deseja comparar tarifas, deveria fazê-lo entre Angra 3 e usinas hidrelétricas, que também operam na base do sistema. A título de comparação, a tarifa dos últimos leilões de energia nova foi negociada a aproximadamente R$ 130/MWh”.
De acordo com o relatório do Greenpeace, o governo deixou de contabilizar os possíveis atrasos na construção da usina. Como a obra está parada há mais de 20 anos, o prazo oficial de seis anos apresentado para sua finalização é duvidoso, pois não se sabe o real estado de conservação dos equipamentos já adquiridos, que podem ter sido danificados.
O estudo ressalta que quanto mais longo o período de construção, mais elevado é o custo do empreendimento e da energia. Angra 2, por exemplo, levou 17 anos para entrar em operação e custou o equivalente a US$ 12 bilhões, cerca de cinco vezes mais que o orçamento previsto. A média internacional de atrasos em construção de usinas nucleares é de quatro anos. Se Angra 3 seguir a tradição e levar 10 anos para ser concluída, o custo da usina ficará 66% maior, elevando os gastos a mais de R$ 15 bilhões, ou o dobro do valor promovido pela Eletrobrás.
Os riscos externos ao investimento tais como emissões indiretas de gases de efeito estufa, ameaça permanente de acidentes e gerenciamento de resíduos radioativos também ficaram de fora da conta da Eletrobrás. Já o valor alocado para o descomissionamento da usina foi estipulado em aproximadamente R$ 528 milhões. “Esse valor é absolutamente questionável, já que em lugar algum do mundo existe experiência acumulada sobre os custos reais para “desmontar” uma usina nuclear”, ressalta Beatriz.
O Greenpeace acredita que para tirar o Brasil da sombra do apagão o governo federal deveria investir o dinheiro alocado para Angra 3 em programas de economia de energia e na consolidação de um mercado brasileiro de fontes renováveis. A organização cita dados recentes do PROCEL (Programa de Conservação de Eletricidade), do próprio governo federal, que indicam que cada R$ 1 bilhão investido em eficiência energética gera uma economia de 7400 MW ou o equivalente a 5,5 vezes a potência de Angra 3. Assim, pode-se concluir que cada R$ 1 bilhão investido em economia de energia pode evitar investimentos da ordem de R$ 40 bilhões para gerar a mesma energia a partir de usinas nucleares.
AUDIÊNCIAS PÚBLICAS
A partir desta terça-feira (dia 25/03), o Greenpeace participará das audiências públicas sobre o licenciamento ambiental da usina nuclear Angra 3. A reunião desta terça-feira acontece no Iate Clube de Angra dos Reis, às 18 horas. No dia 26 é a vez de Paraty (RJ), seguida por Rio Claro (RJ) e, na sexta-feira (Dia 28/03), está agendada a audiência de Ubatuba, única no Estado de São Paulo.
Em 2007, a Eletronuclear realizou três audiências públicas sobre o licenciamento da usina entre os dias 19 e 21 de junho. Porém, as audiências foram suspensas por determinação da Justiça Federal de Angra dos Reis, que aceitou denúncias de ilegalidades apontadas pelo Ministério Público Federal. Entre as principais irregularidades, foi constatada a falta de convocação para a audiência com antecedência mínima de 45 dias após a publicação do edital no Diário Oficial da União e a indisponibilidade dos estudos de impacto ambiental do projeto em locais obrigatórios para consulta da população.
Leia também:
Transporte de plutônio evidencia falta de segurança nuclear na Europa
Relatório Cortina de Fumaça desmascara a noção de que usinas nucleares são livres de emissões de CO2.
Mudanças do clima, mudanças no campo
08 de Janeiro de 2008
Capa do relatório Mudanças do Clima, Mudanças no Campo, que traz detalhes do papel na agricultura nas mudanças climáticas.
Amsterdã, Holanda — Novo relatório do Greenpeace mostra o papel da agricultura nas mudanças climáticas e o que se pode fazer para reduzir suas emissões de CO2.
A agricultura é atualmente uma das mais importantes fontes de emissão de gases do efeito estufa e mudanças urgentes precisam ser feitas no modo como a atividade é exercida para torná-la ambientalmente sustentável. Isso é o que conclui o novo relatório do Greenpeace, Mudanças do Clima, Mudanças no Campo.
Leia aqui o briefing do relatório (em português).
O relatório foi escrito para o Greenpeace pelo professor Pete Smith, da Universidade de Aberdeen – um dos autores do mais recente relatório do Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) – e é o primeiro a detalhar os efeitos diretos e indiretos da agricultura nas mudanças climáticas.
“Os impactos da agricultura industrial no clima não podem ser ignorados”, afirma Gabriela Vuolo, do Greenpeace Brasil. “É preciso trabalhar para que o futuro da agricultura seja produzindo alimentos em comunhão com a natureza e a população, e não contra elas”.
O novo relatório do Greenpeace traz detalhes de como a agricultura baseada no uso intensivo de energia e produtos químicos provocou um aumento nos níveis de emissões de gases do efeito estufa, principalmente devido ao excessivo uso de fertilizantes, desmatamento, degradação do solo e criação intensiva de animais.
A contribuição total da agricultura mundial para as mudanças climáticas, incluindo desmatamento para plantações e outros usos, é estimado em algo entre 8,5 bilhões e 16,5 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, ou entre 17% e 32% de todas as emissões de gases do efeito estufa provocadas pelo ser humano.
O uso excessivo de fertilizantes é responsável pela maior parte das emissões de gases do efeito estufa, estando hoje em torno de 2,1 bilhões de toneladas de CO2 anualmente. O excesso de fertilizantes provoca a emissão de óxido nitroso (N2O), que é algo em torno de 300 vezes mais potente que o CO2 na mudança do clima.
O relatório detalha ainda a variedade de soluções práticas que podem reduzir as mudanças climáticas e que são fáceis de ser implementadas, incluindo aí a redução do desmatamento, do uso de fertilizantes e a proteção do solo.
“Do ponto de vista do clima global, o grande vilão é a queima de combustíveis fósseis seguido da mudança de uso do solo, como as queimadas na Amazônia e as atividades agrícolas em geral. No Brasil, essa é a maior parte do problema”, afirmou Luís Piva, coordenador da campanha de clima do Greenpeace. “Ações urgentes são necessárias para que o setor agrícola deixe de ser parte do problema das mudanças climáticas e passe a colaborar com a retirada de carbono da atmosfera e ao mesmo tempo garantir a segurança alimentar”.
Saiba mais:
Íntegra do relatório Mudanças do Clima, Mudanças no Campo (em inglês).
Sumário Executivo do relatório (em português).
Greenpeace Brasil
Internet tem o 11 de Setembro tecnológico
Maria Inês Dolci, Folha de S. Paulo, 4 de julho
Não foi um ato deliberado de terrorismo, mas teve efeitos catastróficos
Nem os livros de ficção científica poderiam prever o cenário provocado pela pane na Internet em São Paulo. O caos começou anteontem (2/7) à tarde e desconectou serviços de primeiríssima necessidade ao afetar órgãos como Detran, Poupatempo, polícias Civil e Militar, Bombeiros e Companhia de Engenharia de Tráfego.
São Paulo, a maior e mais importante cidade do Brasil, sofreu um “11 de Setembro tecnológico”, porque metade dos sistemas do governo dependia da banda larga para a transmissão de dados de forma rápida.
Não foi um ato deliberado de terrorismo, mas teve efeitos catastróficos, como bloquear a emissão de BOs (boletins de ocorrência) e de CNH (Carteira Nacional de Habilitação). É inconcebível que, diante de tal problema, a Telefônica tenha “desinformado” que faria novo comunicado quando dispusesse de informações.
Tal atitude é tudo, menos estranha, porque a Telefônica jamais demonstrou respeito pelo consumidor brasileiro. Trata esse mercado como se fosse formado por cidadãos de segunda classe.
Esse “apagão de internet” ocorre, no dia-a-dia, com muitos clientes. Mas, só agora, quando atingiu proporções colossais, desnudou-se a verdadeira face da Telefônica no Brasil. Que fique, para os órgãos públicos, a lição: o que é essencial não pode ficar à mercê de um só provedor. No mínimo, de mais um para emergências.
Consumidores particulares e empresas devem:
1. Cobrar da prestadora o desconto das horas em que ficaram sem serviço;
2. Munidos de documentos, recibos, notícias e o que puderem apresentar, avaliar se cabe processo por perdas e danos;
3. Se as perdas não ultrapassarem os 40 salários mínimos, podem recorrer ao Tribunal de Pequenas Causas;
4. Para valores acima desse teto, as ações irão para a Justiça comum;
5. Usuários pessoa física podem e devem levar suas reclamações às entidades de defesa do consumidor;
6. Dependendo da insatisfação e dos danos provocados por essa pane, também é possível solicitar, juridicamente, o cancelamento do contrato pelo descumprimento de seu principal objetivo, o fornecimento de um serviço em contrapartida ao pagamento mensal;
7. Cobrar da Anatel garantia mínima do serviço prestado, instaurando procedimento fiscalizatório.
Espero que os órgãos públicos que sofreram interrupção parcial ou total de alguns dos seus serviços mais importantes não deixem tudo por isso mesmo.
Maria Inês Dolci é coordenadora institucional da Pro Teste e colunista da “Folha de SP”
Homossexualismo no exército dos EUA: dispensas atingem mais as mulheres
Thom Shanker
Em Washington
O Exército e a Aeronáutica dispensaram um número desproporcional de mulheres em 2007, de acordo com a política de “não pergunte, não responda” que proíbe homossexuais declarados de atuarem no serviço militar, de acordo com as estatísticas do Pentágono reunidas por um grupo de defesa.
Apesar de as mulheres representarem apenas 14% do efetivo do Exército, 46% dos dispensados sob essa política no ano passado foram mulheres. E apesar de apenas 20% do efetivo das Forças Aéreas ser de mulheres, elas representaram 49% das dispensas no ano passado.
Em 2006, em comparação, cerca de 35% das dispensas do Exército e 36% das Forças Aéreas foi de mulheres, de acordo com as estatísticas.
Essas informações foram reunidas a partir de uma requisição de acordo com o Ato de Liberdade de Informação pela Servicemembers Legal Defense Network, uma organização de defesa legal.
“As mulheres representam 15% das forças armadas, assim, descobrir que elas representam quase 50% das dispensas do Exército e da Aeronáutica sob a política de ‘não pergunte, não responda’ é chocante”, diz Aubrey Sarvis, diretor-executivo da organização. “Muito mais que os homens, as mulheres foram pegas no emaranhado dessa lei contraproducente.”
A organização compilou as estatísticas de gênero das dispensas, mas não fez nenhuma série de entrevistas formais, e dessa forma não pode oferecer nenhuma razão verificável para o aumento do número das mulheres que foram afastadas do serviço militar sob a política de “não pergunte, não responda”.
O Pentágono divulgou recentemente os números gerais de dispensas de acordo com essa política em 2007, sem uma separação por gênero.
No geral, o número de gays e lésbicas dispensados do serviço militar em 2007 aumentou de 612 para 627 em relação ao ano anterior, de acordo com as estatísticas do Pentágono. Esses números representam uma queda de cerca de 50% em relação ao pico em 2001, antes das guerras do Iraque e Afeganistão.
Apesar do estresse nas forças armadas por causa das duas guerras, o Pentágono não considera uma mudança nessa política, dizendo que compete ao Congresso decidir se a lei deve ser alterada ou revogada.
Novembro foi o 14º aniversário dessa lei que permite que gays e lésbicas atuem no serviço militar, mas somente se manterem sua orientação sexual secreta.
Grupos de defesa dizem que cerca de 65 mil gays e lésbicas atuam nas forças armadas dos EUA e que há mais de 1 milhão de veteranos homossexuais.
No início do ano passado, o general John M. Shalikashvili, que foi presidente do Conselho Militar quando a política foi adotada, pediu para que ela fosse revogada, dizendo que mudou de idéia depois de algumas discussões com militares em serviço.
“Agora acredito que se gays e lésbicas atuarem abertamente no serviço militar dos Estados Unidos, eles não irão enfraquecer a eficácia das forças armadas”, escreveu Shalikashvili em um artigo publicado no The New York Times em 2 de janeiro de 2007. “Nosso serviço militar foi reduzido pelo envio de tropas ao Oriente Médio, e precisamos acolher todos os americanos capazes e dispostos a fazer o trabalho.”
De acordo com as estatísticas, em 2007, o Exército dispensou 302 soldados por causa da lei, mais do que os 208 dispensados no ano anterior. A Aeronáutica dispensou 91 pessoas, menos do que as 102 dispensadas em 2006. A Marinha dispensou 166, o mesmo número que em 2006. Os Fuzileiros Navais dispensaram 68, mais do que os 64 de 2006.
“Os militares afastados podem continuar servindo o país e a segurança nacional usando suas habilidades em empregos civis em outras agências federais, no Departamento de Defesa ou no setor privado, como nas empresas terceirizadas contratadas pelo governo”, diz Eileen M. Lainez, porta-voz do Pentágono para assuntos de pessoal. “Esperamos que todos os membros em serviço sejam tratados com dignidade e respeito todo o tempo.”
As autoridades do Pentágono não foram capazes de explicar porque o o número de mulheres dispensadas cresceu tanto no ano passado.
Tradução: Eloise De Vylder
do site do The New York Times
Quando o futebol, a política e os conflitos se misturam em Israel
David Goldblatt*
O futebol chegou tarde a Jerusalém. Os judeus europeus o jogavam na planície costeira antes de 1917, mas nem as pequenas comunidades judaicas do oeste de Jerusalém e nem seus vizinhos árabes em Al Quds se interessavam pela bola. O esporte chegou com o exército britânico e logo se envolveu nos conflitos amargos da cidade.
Em 1929, um menino judeu chutou uma bola em um jardim árabe. Na briga que se seguiu, o menino foi morto e seu funeral foi o estopim para grandes tumultos. Aparentemente inabalados pela capacidade do esporte de gerar conflito, os judeus de Jerusalém assumiram a organização do futebol no início dos anos 30, e as equipes da cidade se dividiram segundo as mesmas linhas políticas que caracterizavam outros aspectos do movimento sionista: o Hapoel na esquerda, o Maccabi no centro, e o Beitar na direita.
As amargas divisões locais de Jerusalém -entre judeus asquenazes e sefarditas, o Partido Trabalhista e o Harut (o antecessor do Likud), o establishment e os excluídos- se desenrolavam nas divisões inferiores entre o Hapoel e o Beitar. Uma carteirinha do Hapoel era a chave para obter empregos e acesso aos serviços públicos, mas era possível encontrar vários detentores de carteirinhas do Hapoel passando seu fim de semana nas arquibancadas do Beitar. Havia árabes ali também, algo impossível de imaginar atualmente.
O destino do Beitar, como o de toda Jerusalém, mudou com a guerra dos seis dias de 1967. Os israelenses tomaram todo o leste de Jerusalém e expandiram as fronteiras municipais até a Cisjordânia. De uma cidade provincial, Jerusalém assumiu o manto de “capital eterna” de Israel. Na temporada seguinte o Beitar chegou à primeira divisão pela primeira vez. Passada outra década, o Beitar estava estabelecido no topo, enquanto o Likud chegava ao poder sob Menachem Begin, um ex-chefe do Irgun.
As cidadelas do futebol e do establishment político foram rompidas, e o Beitar, apesar de toda sua marginalidade autodeclarada, se tornou um time popular. Membros dos gabinetes do Likud, de Benjamin Netanyahu a Ehud Olmert, podiam ser vistos nas arquibancadas. O comboio amarelo de carros e ônibus percorria a via estreita ao longo do corredor de Jerusalém em dias de partida, enquanto torcedores vinham de todo o país.
Quarenta anos depois da guerra dos seis dias, Jerusalém e seu futebol se transformaram. Sob o prefeito Teddy Kollek, o Partido Trabalhista manteve no poder municipal até o início dos anos 90. Mas os filhos e filhas da esquerda já tinham partido em massa, enquanto os eleitores da direita permaneceram, se mudando para as novas áreas dormitórios que a municipalidade estabeleceu nas periferias da cidade. Os ultra-ortodoxos, atualmente com acesso ao Muro das Lamentações, se multiplicaram enormemente. De fato, o número deles e a disciplina de voto são de tal dimensão que nem o Likud e nem o Partido Trabalhista se darão ao trabalho de apresentar um candidato a prefeito em novembro contra o candidato ultra-ortodoxo.
Com a ascensão do Beitar, o Hapoel Jerusalem entrou em declínio, caindo pelas tabelas. O clima nas arquibancadas se tornou tão ruim, e os proprietários tão implacáveis, que no ano passado os remanescentes da esquerda esportiva de Jerusalém tomaram a importante decisão de romper com o Hapoel e formar seu próprio clube. Mais de 3 mil pessoas ingressaram no projeto e, agora, disputando a quarta divisão, o Hapoel Katamon é o último bastião da esquerda secular judaica em Jerusalém.
No anel superior das arquibancadas é possível encontrar o que chamam de Casa dos Lordes -os escreventes, professores e capitalistas de risco. Abaixo ficam seus filhos e seus amigos, os etíopes que o clube tem atraído, os taxistas e suas famílias. Os jogos do Hapoel no Teddy Stadium são os melhor freqüentados das divisões inferiores, sua causa é justa e suas energias são perseverantes, mas eles parecem sitiados na vasta arena de pedra.
Mas, mesmo recentemente, o Beitar nem sempre teve um caminho fácil. Como o Hapoel, o clube teve uma série de donos irracionais que o levaram à beira da falência, e ele teve que contar com suas conexões políticas para socorrê-lo. Desde a assinatura dos acordos de Oslo no início dos anos 90, os torcedores do Beitar se tornaram cada vez mais militantes antiárabes e pró-assentamentos.
Há cinco anos, esta massa fervente de raiva e descontentamento ganhou forma organizada com a criação da torcida La Familia, os ultras que torciam para o Beitar Jerusalem que importaram as técnicas aperfeiçoadas no futebol italiano. Mas o Beitar ainda não conseguia chegar ao topo do futebol israelense. A velha guarda, como o Maccabi Haifa e o Maccabi Tel Aviv, mantiveram sua vantagem, continuando a estimular o senso de marginalidade da torcida do Beitar.
O que finalmente levou o Beitar ao topo do futebol israelense foi a chegada de Arcadi Gaydamak, um bilionário russo-israelense que é dono do time desde 2005. Um homem de muitos passaportes, ele geralmente viaja com seu diplomático angolano. Alegações de lavagem de dinheiro e venda de armas pairam sobre ele na França e em outros lugares. Desde sua chegada a Israel, ele comprou empresas da mídia, de alimentos e supermercados. O Beitar foi uma de suas primeiras aquisições, e após o dinheiro de Gaydamak ter comprado grande parte da seleção nacional e estrangeiros seletos, o Beitar conquistou o campeonato no ano passado.
Não contente em sacudir o futebol israelense, Gaydamak mergulhou a ponta do pé na política do país. Durante a segunda guerra no Líbano em 2006, ele estabeleceu uma cidade de tendas em uma praia do Mediterrâneo para a qual os moradores das cidades de fronteira sob ataque podiam fugir. Ele fez o mesmo em Sderot no sul, quando a cidade passou a sofrer ataques persistentes de foguetes Qassam de Gaza. Então, em meados de 2007, ele criou um partido político, o Justiça Social, e declarou sua intenção de concorrer a prefeito de Jerusalém neste ano e ao Knesset em 2009.
Nós chegamos para conhecer Guy Israeli, o “chefão” do La Familia, no campo de treinamento do Beitar, no sul de Jerusalém. Guy está atrasado, e fomos recebidos em seu lugar por um colega mais jovem, que se esgueirou ao redor, fumou e disparou fogos de artifício em nós. Quando Guy chegou, nós nos sentamos na arquibancada e ele nos contou que iniciou a La Familia para gerar apoio ao Beitar, e que agora ele controla milhares de torcedores por meio de uma pirâmide de subalternos e celulares. A La Familia, ele disse, lhe custou seu casamento. Sua esposa, também membro, no final lhe pediu para escolher -e ele escolheu a La Familia. “Esta é minha família, minha casa, tudo.”
“Os jogos de futebol contra Nazaré parecem uma guerra?”, eu perguntei.
“O governo espera que o futebol promova a paz. Mas nós não queremos paz. Nós queremos guerra. Há uma semana um árabe matou oito estudantes em um yeshivá. Então nós nos vingaremos. Nós queremos vingança, nós queremos sangue.”
“Como terminará?”
“Não é possível obter paz sem guerra. Se você tem um cachorro, você o ama, mas se ele morder você, você bate nele. É o mesmo aqui com os árabes -se ele mata você, você tem que matá-lo. Então eles dizem para você, ok, não faremos mais nada. E então você faz as pazes.”
“Você acha que esse dia chegará?”
“Não.”
Há outros lados do Beitar. Eu conheci o urbano David Frenkel, um engenheiro de software em uma nova empresa pontocom que era suficientemente obcecado pelo Beitar para segui-lo até as Ilhas Faroë e atravessar a Europa de carro para assistir a 20 minutos de um jogo em Wimbledon. Mas a chegada de Gaydamak e o aumento do racismo acabou com seu fascínio.
E há o gentil Jochi, que vem dos distritos operários de Jerusalém Ocidental e não podia torcer para nenhum outro exceto o Beitar, o motivo para estar tentando contra-atacar: gravando os cantos racistas, os postando na Internet, denunciando os ultras. Mas eu senti que o amor dele está acabando.
Guy Israeli não é o Beitar, e o Beitar não é o futebol israelense, nem um medidor da opinião pública israelense. Mas na ausência de outras vozes na multidão, eu me pergunto se ele está se movendo mais próximo ao centro de gravidade.
*David Goldblatt é o autor de “The Ball is Round: A Global History of Football”.
Tradução: George El Khouri Andolfato
do site do Prospect
O papel dos especuladores na crise global de alimentos
Vastas quantidades de dinheiro estão ingressando no mercado global de commodities, elevando os preços de alimentos básicos como trigo e arroz. Biocombustíveis e secas não são os únicos responsáveis pela recente crise de alimentos -fundos hedge e pequenos investidores também têm responsabilidade
Beat Balzli e Frank Hornig
Há não muito tempo, Dwight Anderson recebia os repórteres com braços abertos. Ele gostava de entretê-los com histórias do mundo dos altos investimentos. Anderson é um administrador de fundo hedge de Nova York e recentemente, em outubro passado, ele gostava de falar com entusiasmo sobre suas visitas às plantações para óleo de palma na Malásia e às fazendas de grãos brasileiras. "É possível ver claramente como a oferta está ficando apertada", ele disse.
Em meados de 2006, Anderson apregoava a "lucratividade extraordinária" de plantações de milho e soja. Ele estava convencido de que a crescente fome mundial seria sinônimo de alta lucratividade e barganhas de investimento certas.
Em busca de novos investimentos, Anderson envia dezenas de seus funcionários para visitar regiões agrícolas ao redor do mundo. De volta a Nova York, na sede de sua empresa no 27º andar de um prédio comercial na Park Avenue, eles apostam em mercados agrícolas do Peru ao Vietnã.
Mas nas torres acima dos desfiladeiros urbanos de Manhattan, é fácil perder contato com o solo. O administrador de fundo hedge, John Paulson, recentemente foi celebrado por obter o lucro anual recorde de US$ 3,7 bilhões. Aqueles que trabalham neste ambiente só têm uma regra: não decepcione os investidores ávidos por lucros.
CRISE MUNDIAL DE ALIMENTOS

"Eu estou constantemente ligado", Anderson costumava dizer, quando falava com os jornalistas. Seu apelido no setor é "Rei dos Commodities" e seu fundo hedge Ospraie é o maior do mundo. Atualmente, entretanto, Anderson evita a mídia. Ele até mesmo manteve seu rosto longe da mídia ao comprar os direitos de todas suas fotos disponíveis no mercado. Seu porta-voz é atualmente pago, em grande parte, para não dizer nada.
Um mercado quebrado?
Há muitas perguntas a serem feitas a Anderson -em particular sobre o papel dos investidores internacionais na atual alta dos preços de alimentos básicos. Não apenas comenta-se que os investidores lucraram com a fome desesperada em Honduras, Filipinas e Bangladesh; os críticos também se perguntam se os especuladores de commodities estão agravando a crise.
Na terça-feira em Washington, DC, um órgão regulador chamado Comissão de Comércio de Commodities e Futuros (CFTC, na sigla em inglês) realizou audiências públicas sobre este assunto. Produtores rurais e de alimentos argumentaram que o mercado estava "quebrado", sugerindo que o aumento acentuado no preço de alimentos básicos estava prejudicando a todos -tanto produtores rurais quanto as pessoas que alimentam. "O mercado está quebrado, não está funcionando direito", disse Billy Dunavant, chefe de uma empresa produtora de algodão nos Estados Unidos, na audiência de terça-feira.
Os reguladores da comissão recomendaram contra a intervenção do governo, assim como, sem dúvida, também recomendariam administradores como Anderson. Mas a crise continua piorando. A Índia e o Vietnã impuseram proibições de exportação ao arroz comum. A Indonésia fará o mesmo. Segundo a ONU, a Coréia do Norte está à beira de uma crise humanitária. Após turbulências terem sacudido países do Egito e Uzbequistão até Bangladesh, milhares de sul-africanos foram às ruas de Johannesburgo na última quinta-feira para protestar contra as altas dos preços dos alimentos. No Haiti, o primeiro-ministro perdeu o cargo após os tumultos causados pelo preço do arroz.
Biocombustíveis e aquecimento global foram culpados pela escassez que está provocando a alta dos preços dos alimentos, e ambas as tendências tiveram um papel. As reservas de grãos do planeta estão quase vazias por vários motivos, incluindo crescimento da população mundial e maior prosperidade em alguns países, como a Índia. O milho está em falta porque os países industrializados o usaram para etanol. As secas -na Austrália, por exemplo- arruinaram as safras de arroz e trigo. As reservas mundiais de trigo só são suficientes no momento para cobrir cerca de 60 dias de demanda.
Isto ajuda a explicar por que os preços dos commodities estão subindo desde o início de 2006, com uma alta de 217% no preço do arroz, 136% no do trigo, 125% no do milho e 107% no da soja.
Mas a teoria clássica de oferta e demanda oferece apenas uma explicação parcial. As altas repentinas nos preços desde janeiro foram alarmantes. A ONU estima que pelo menos US$ 500 milhões em ajuda imediata são necessários até 1º de maio para evitar uma fome grave. Cientistas agrícolas da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) apresentaram um relatório sobre a crise mundial de alimentos. E cresce as críticas de que fundos hedge, fundos de índices, fundos de pensão e bancos de investimento têm parte da culpa.
A história dos futuros
A especulação de commodities se expandiu há muito tempo de produtos-padrão como petróleo e ouro para qualquer coisa comestível e disponível para negociação na Bolsa de Futuros de Chicago. Atualmente há contratos futuros para tudo, de trigo e suco de laranja até carne de porco. O mercado de futuros é uma ferramenta tradicional para agricultores venderem suas colheitas antes do tempo. Em um contrato futuro, quantidades, preços e datas de entrega são fixados, às vezes bem antes dos produtos serem plantados. Os contratos futuros permitem aos agricultores e atacadistas de grãos uma certa proteção contra condições climáticas adversas e flutuações excessivas dos preços. Eles também podem ajudar um agricultor a planejar quanto plantar em um determinado ano.
Mas agora os especuladores estão tirando proveito deste mecanismo. Eles podem comprar contratos futuros para trigo, por exemplo, a um baixo preço, apostando que o preço subirá. Se o preço do grão subir até a data de entrega acertada, eles lucram.
Alguns especialistas agora acreditam que os investidores tomaram conta do mercado, comprando futuros em níveis sem precedentes e provocando alta nos preços a curto prazo. Desde agosto passado, este mecanismo fez com que o arroz chegasse ao dobro do preço -incluindo as 500 mil toneladas que o governo filipino planeja comprar no início de maio para compensar sua própria escassez.
Greg Warner trabalha no setor atacadista de grãos por mais de duas décadas. Seu escritório fica a um quarteirão da Bolsa de Futuros de Chicago. Ele é um analista da firma AgResource, e ele diz que o que está acontecendo agora no mercado de trigo é sem precedente.
"O que normalmente temos é um grupo previsível de vendedores e compradores -principalmente agricultores e operadores de silos", ele diz. Mas a paisagem mudou desde o ingresso dos grandes fundos de índices. Os administradores de fundos buscam maximizar seus lucros usando contratos futuros, diz Warner, "e os preços continuam subindo e subindo".
Ele calculou que os investidores financeiros atualmente detêm os direitos de duas safras anuais inteiras de um grão específico negociado em Chicago chamado "trigo vermelho de inverno".
Wagner está espantado com estes desdobramentos. Ele os vê como evidência de que o capitalismo está literalmente consumindo a si mesmo.
‘É um ano eleitoral’
Mesmo a CFTC em Washington reconheceu a natureza potencialmente explosiva da questão. Na audiência de terça-feira, a comissão convocou não apenas produtores rurais, mas também representantes do banco de investimento Goldman Sachs e grandes investidores como Pimco e AIG para testemunhar. Um membro da comissão, Bart Chilton, rejeitou a regulação dos investidores, dizendo: "Estes mercados precisam trabalhar para todos os participantes. Se não houver especuladores nos mercados, não há liquidez e não há mercado". E o editor de um boletim de commodities, Dennis Gartman, negou veementemente que os especuladores eram culpados.
"Este é um ano eleitoral", ele disse. "Achar que não teríamos senadores e deputados atribuindo os altos preços aos especuladores é ingenuidade."
Mas algumas regras básicas do mercado parecem ter deixado de funcionar. "O enorme afluxo de capital fez com que os mercados de futuros não mais refletissem a oferta e demanda", diz Todd Kemp, da Associação Nacional de Grãos e Alimentos dos Estados Unidos. Ironicamente, os investidores fizeram suas maiores apostas em alimentos básicos. A informação sobre os gargalos de oferta e fome no outro lado do mundo não é mencionada nas cotações de mercado.
Um mercador de commodities chamado Christoph Eibl conclui de forma sóbria que os administradores financeiros só querem "se beneficiar com a escassez destas commodities". A firma de investimento de Eibl, a Tiberius, com sede em Stuttgart, administra US$ 1,6 bilhão. Seus especialistas internos estimam que centenas de bilhões de dólares migraram para o setor de futuros como um todo nos últimos cinco anos, grande parte para commodities agrícolas. Eibl admite que a coisa toda exige uma "discussão ética". Alguns investidores de futuros argumentam que não causam alta dos preços no mundo real, porque como regra eles nunca recebem a entrega de um dado produto -outra parte da economia controla o preço real nas ruas. Mas os preços dos futuros afetam o comportamento do mundo real (como a formação de estoques) e Eibl diz que a compra de contratos futuros de arroz, por exemplo, "no final provoca alta nos preços ao consumidor em países em desenvolvimento como o Haiti".
‘Passiva e voltada ao lucro’
Vozes como a de Eibl são raras até agora, talvez porque um boom comparável nas commodities nunca existiu antes. Especialistas já estão discutindo o que chamam de "superciclo", provocado pela crescente demanda na China, e por agricultores incapazes, a longo prazo, de atender o aumento da demanda. O planeta possui uma quantidade finita de terras para agricultura.
O resultado é que mais e mais pequenos investidores estão subindo no vagão das commodities. Muitos investidores, não diferente dos administradores de fundo hedge, buscam a diversificação de seus portfólios, em parte por meio de investimento em commodities agrícolas. Do ponto de vista destes investidores, safras ruins que provocam alta dos preços são boas para seus portfólios. Muitos investidores não se importam ou simplesmente ignoram o fato de que ao investir no cassino global, eles podem estar apostando o suprimento alimentar diário das pessoas mais pobres do mundo.
Andreas Grünewald é um astro entre os pequenos investidores na Alemanha. Ele lançou seu Munich Investment Club (MIC), juntamente com oito colegas estudantes e seu avô, em 1989, com cerca de 15 mil euros de capital inicial. Grünewald, formado em escola de administração e negócios, agora administra mais de 50 milhões de euros para os 2.500 membros do MIC.
As commodities são um item importante para Grünewald. "Eles são a megatendência da década", ele diz. Seu portfólio neste setor já vale cerca de US$ 24 milhões. Segundo Grünewald, isto é apenas o início.
Grünewald diz que deseja "permanecer amplamente concentrado" em água e commodities agrícolas e, em particular, "expandir estes investimentos se possível". Ele já fez suas apostas em laranja, açúcar e milho nas bolsas de futuros. Sua aposta em trigo sozinha rendeu um lucro de 93% até o momento.
Ele já planejou seu próximo passo. "O arroz é outro item interessante que poderia muito bem complementar nosso portfólio", diz Grünewald. Há escassez de escrúpulos no clube de investimento de Grünewald.
"A maioria de nossos membros é passiva e voltada ao lucro", ele reconhece. Nos eventos nacionais do MIC, poucas pessoas levantam as conseqüências sociais de seus investimentos. Tumultos por causa da explosão dos preços do arroz? Organizações de ajuda em estado de alerta? Nada disso importa muito para os fornecedores preferenciais e apóstolos do lucro na comunidade dos pequenos investidores. O setor financeiro regularmente introduz novos "produtos" de investimento para cada setor atraente, independente de quão questionáveis.
O gigante financeiro ABN Amro é particularmente adepto de obter lucro no atual mercado. Como provedor de produtos de investimento em commodities para investidores privados, o ABN Amro se tornou em março passado o primeiro banco a oferecer certificados que permitem aos pequenos investidores apostarem na alta dos preços do arroz na Bolsa de Futuros de Chicago.
O departamento de marketing do banco reagiu com precisão fria às manchetes sobre a fome ao redor do mundo. Há duas semanas, quando especialistas alertaram sobre a crise de fome iminente e a instabilidade política associada a ela, o ABN Amro apresentou uma nova campanha publicitária em seu site. Com a proibição pela Índia da exportação de arroz, dizia o anúncio, a oferta mundial de arroz caiu ao mínimo: agora o ABN Amro está possibilitando, pela primeira vez, investir no alimento básico mais importante da Ásia.
Apresentar um produto de investimento durante um gargalo de oferta que tem provocado tumultos? Os banqueiros do ABN Amro são realmente aqueles contadores de centavos inescrupulosos clichês? "Nós estamos cientes das atuais discussões relacionadas às commodities agrícolas", diz Önder Ciftci, chefe do setor de certificados alemães do ABN Amro. Mas ele não está interessado em uma discussão de ética. "Nós produzimos as semeadeiras, mas outros precisam semear", ele diz.
O ABN Amro realmente semeou uma fonte substancial de lucros. No intervalo de apenas três semanas, os investidores obtiveram retornos de mais de 20%. O número de contratos futuros negociados em Chicago foi às alturas.
Nenhum alimento?
Jim Rogers, o ex-sócio do lendário investidor e filantropo George Soros, talvez seja o investidor mais conhecido em fundos de commodities. Ele começou a transferir seu dinheiro para commodities nos anos 90. Em suas viagens ao redor do mundo, ele percebeu que quase tudo, de níquel ao cacau, está em falta em uma economia globalizada.
Ele tem apostado nas altas dos preços desde então. Isto teve um impacto em todo o setor, porque o Índice Internacional de Commodities Rogers é um referencial para inúmeros fundos. Estas máquinas de fazer dinheiro atraíram bilhões em investimentos nos últimos anos e parte do dinheiro foi colocado em contratos futuros, aquecendo ainda mais os preços.
Mas agora Rogers, entre todas as pessoas, está alertando: "A menos que algo aconteça logo, nós veremos pessoas sem receber comida alguma, a nenhum preço. Este é o tipo de coisa sobre a qual lemos em livros de história, mas agora tenho medo de que poderá acontecer em breve".
Mas do seu ponto de vista, a calamidade não é culpa de investidores como ele, mas das políticas dos países em desenvolvimento -como a imposição de proibições de exportação e o estabelecimento de tetos para os preços. Isto priva os produtores rurais, que enfrentam custos cada vez maiores de itens necessários como combustíveis e fertilizantes, de qualquer incentivo para produzir mais arroz.
"Eu acho que esta postura é moralmente repreensível", diz Rogers. "Estes governos prefeririam deixar as pessoas passarem fome do que permitir um aumento natural dos preços." A remoção dos controles de preços, ele diz, é a única forma de aumentar novamente os níveis de produção de arroz.
Os produtores, afinal, não dariam seu arroz aos pobres, diz Rogers. Mas ele não explicou como os pobres pagariam pelos preços mais altos. Quem sabe este seja um problema para os políticos?
Tradução: George El Khouri Andolfato
Matéria publicada em 24/4/08
Após 40 anos de sua morte, Martin Luther King ainda atrai políticos
Jim Auchmutey e Ernie Suggs
Em Atlanta
Quarenta anos após sua morte, o reverendo Martin Luther King Jr. atrai políticos como um desfile de dia da independência - especialmente políticos que almejam ser rei.
Três pré-candidatos presidenciais e um representante visitarão Atlanta neste fim de semana do Dia de Martin Luther King, o maior número nos 22 anos de história do feriado.
O senador Barack Obama falará na missa das 10h de domingo na Igreja Batista Ebenezer, onde King foi co-pastor. A campanha da senadora Hillary Clinton enviará seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, à cerimônia oficial na igreja na segunda-feira. O ex-governador de Arkansas, Mike Huckabee, o único republicano com visita agendada a Atlanta, comparecerá à cerimônia de segunda-feira a convite de um membro da família King.

Martin Luther King faz discurso a militantes pacifistas em Paris em 1966
O ex-senador John Edwards planejava passar à frente de todos, fazendo uma parada no sábado no salão da Irmandade Internacional dos Trabalhadores do Setor Elétrico, perto do centro de Atlanta.
Do reverendo Jesse Jackson nos anos 80 ao presidente George W. Bush há quatro anos, os candidatos freqüentemente fazem peregrinação à Atlanta para prestar homenagem durante a semana de aniversário de Martin Luther King.
"Bill Clinton, Ted Kennedy, os Bushes - vi todos passarem pela Auburn Avenue", disse o deputado estadual Tyrone Brooks, um democrata de Atlanta que trabalhou no movimento dos direitos civis. "Talvez nem todos tenham apreciado o que o dr. King fez enquanto estava vivo: as marchas, os boicotes e tudo mais. Mas eles vêem o valor de se associarem a ele agora. É boa política."
E é uma política particularmente boa neste ano, com disputas abertas em ambos os partidos e o feriado caindo apenas duas semanas antes da Super Terça, quando mais de 20 Estados realizarão suas eleições primárias.
E há o fator Obama.
"Muita gente considerou o voto afro-americano certo ao longo dos anos", disse o senador estadual Emanuel Jones, um democrata de Ellenwood que apóia Obama. "Agora que temos um candidato como o senador Obama, há uma disputa acirrada por tal voto. Eu acho que é o motivo para vermos a presença de tantos candidatos."
A disputa pelos eleitores negros aqueceu recentemente, quando Hillary Clinton disse à "Fox News" que o sonho de King só começou a se concretizar quando um presidente, Lyndon B. Johnson, aprovou a lei de direitos civis. Obama criticou os comentários como um menosprezo a King, provocando um debate rancoroso.
O convite para Obama falar em Ebenezer foi feito pelo menos um ano antes da campanha presidencial. O pastor da igreja, o reverendo Raphael Warnock, começou a falar com Obama sobre vir a Atlanta no final de 2005.
"Ele representa a promessa do movimento dos direitos civis e da lei de direito ao voto. Ele é a resposta às orações de Ebenezer", disse Warnock, que rapidamente acrescentou que Hillary Clinton também foi convidada para a cerimônia na igreja.
A campanha de Obama disse que ele aproveitará a oportunidade para discutir unidade, reconciliação e o legado de King.
O campo de Hillary Clinton terá sua vez no dia seguinte, quando o ex-presidente voltar a Ebenezer para a cerimônia do feriado.
"A presença dos Clintons não é incomum", disse Verna Cleveland, a diretora do comitê eleitoral na Geórgia. "Isso demonstra o apreço deles pelos direitos civis, pelo que King fez para promover o avanço de nosso país e o compromisso deles com a continuidade de seu legado."
O Centro King, que organiza os eventos de segunda-feira, tenta tratar os candidatos com igualdade.
"Nós reconheceremos a presença deles, mas eles não falarão", disse o presidente do Centro King, Isaac Farris, sobrinho do líder dos direitos civis. "Se permitir que todos falem, se transformará em um evento político."
Mas Bill Clinton não é candidato e poderá falar na condição de ex-presidente.
Huckabee, um pastor batista, será apresentado na segunda-feira. Ele planejava visitar Atlanta na terça-feira para participar de um comício antiaborto no aniversário da decisão "Roe contra Wade". Ele mudou sua agenda a convite da reverenda Alveda King, uma sobrinha de King que não apóia Huckabee, mas é oponente do aborto e do casamento gay. Ela planeja acompanhá-lo ao café da manhã de oração da Conferência da Liderança Cristã do Sul, na segunda-feira, e depois à cerimônia em Ebenezer.
Participar do Dia de Martin Luther King só ajudará o governador, disse Farris. "Associar-se ao legado o ajudará a transmitir a mensagem de que não está demais à direita."
Associar-se a King não era considerado prudente quando esta saga dos direitos civis e da política presidencial teve início nos anos 60.
Durante a campanha naquele ano, King foi preso na Geórgia por uma antiga infração de trânsito. O candidato democrata John F. Kennedy relutou em se envolver por achar que aquilo lhe custaria votos dos eleitores brancos, mas finalmente telefonou para Coretta Scott King para expressar sua solidariedade e oferecer apoio. Quando a notícia se espalhou, milhares de republicanos negros deixaram o partido de Lincoln para apoiar Kennedy.
Um deles foi o reverendo Martin Luther King Sr. - papai King - que disse durante uma missa em Ebenezer que planejava votar em Richard Nixon e contra o católico Kennedy, "por causa de sua religião", mas que tinha mudado de idéia.
King Jr. não apoiou candidatos, mas duas vezes chegou perto.
Em 1964, ele fez campanha contra o candidato republicano Barry Goldwater, que era contrário à legislação de direitos civis, mas nunca apoiou formalmente o eleito Lyndon B. Johnson.
Em 1967, King viajou duas vezes para Cleveland para registrar eleitores que supostamente votariam em Carl Stokes em sua campanha para se tornar o primeiro prefeito negro de uma grande cidade americana.
Naquele ano, ativistas anti-Guerra do Vietnã pediram para King concorrer à presidência em uma chapa de protesto com o pediatra Benjamin Spock.
"Ele nunca considerou tal pedido", lembrou Andrew Young, assistente de King. "Ele não considerava aquele o seu papel."
Após sua morte, King se transformou em um ícone - um símbolo de irmandade e igualdade - reivindicado por políticos de todas as classes, pelo menos em parte.
"Os candidatos gostam de se identificar com ele porque ele lhes dá uma estatura moral", disse Young. "Nenhum líder moral americano nos últimos 50 anos foi mais citado do que Martin Luther King Jr."
A pergunta é se vir a Atlanta para o Dia de Martin Luther King de fato ajuda nas eleições.
"Eu não sei se influencia o voto de alguém. Pode ser", disse Merle Black, cientista político da Universidade Emory. "Mas se você não comparecer, pode prejudicar porque terá que explicar o que estava fazendo que era mais importante."
Tradução: George El Khouri Andolfato
Do site do Cox Newspapers
Quando El Salvador foi realmente “a salvação” dos judeus europeus
Hadas Gold
Em Washington
Durante a Segunda Guerra Mundial, mais de 25 mil judeus europeus tornaram-se cidadãos de El Salvador, um país que a maior parte deles jamais havia visitado e que poucos chegariam a conhecer.
O país, quase do tamanho de Israel, chegou a justificar seu nome espanhol de “o salvador” graças a falsos certificados que tornaram milhares de judeus cidadãos salvadorenhos e impediram que eles fossem deportados para campos de concentração e a morte quase certa.
A assinatura da maior parte dos certificados era a de George Mandel-Mantello, um judeu romeno refugiado que no início da década de 1940 buscou a ajuda de um conhecido salvadorenho na Suíça. O cônsul geral de El Salvador em Genebra, Jose Castellanos, indicou Mantello para o cargo falso de primeiro secretário, garantindo a ele um passaporte diplomático. O nome Mantello foi acrescentado para tornar seu nome mais latino.
Mantello e Castellanos conseguiram certificados de nacionalidade em branco com a assinatura de Mantello levada aos consulados de vários países em Genebra, onde eles receberam estampilhas adicionais.
O texto declarava que os portadores eram cidadãos da República de El Salvador, e estendia sua proteção aos portadores e às suas famílias. Outros diplomatas então contrabandearam os certificados para vários locais na Europa - basicamente na Hungria - onde eles eram preenchidos com as informações dos cidadãos hebreus.
A maior parte dos papéis de Mantello e Castellanos foi contrabandeada para Budapeste e emitida por Carl Lutz, o vice-cônsul suíço lá, que estava ajudando os judeus a conseguir documentos nessa “Casa de Vidro”, uma fábrica de vidros abandonada que ele alugou graças ao governo suíço e depois se tornou um refúgio seguro para milhares de refugiados.
Depois de mais de seis décadas, vem à tona a história de como Mantello e Castellanos salvaram milhares de judeus da Europa.
Um novo documentário chamado “A Casa de Vidro” (The Glass House) conta a história deles. O diretor e a produtora do filme, Brad e Leonor Marlowe, disseram esperar que a promoção do filme em vários museus e universidades em todo o país sirva para divulgar o envolvimento até agora desconhecido de El Salvador na salvação de milhares de vítimas da perseguição nazista.
Embora El Salvador tenha declarado guerra contra a Alemanha e tenha ficado ao lado dos aliados, nem Castellanos nem Mantello tinham a autoridade para emitir os certificados.
Mais tarde, o governo salvadorenho teve o seu papel no esquema, quando, em julho de 1944, seu ministro das Relações Exteriores entrou em contato com o governo suíço para oficialmente requisitar proteção total e representação para seus cidadãos na Hungria.
Embora os próprios certificados garantissem alguma forma de proteção, Castellanos e Mantello precisaram convencer os governos da Suíça e da Hungria a estender a proteção aos novos “salvadorenhos” no segundo país. Suspeitando do arranjo, o governo suíço realizou uma demorada investigação durante a qual Castellanos repetidamente alegou que Mantello era um legítimo alto funcionário.
Ele não era, segundo declarações divulgadas recentemente pelo governo de El Salvador.
No início, Mantello, com o total apoio de Castellanos, emitiu certificados de cidadania apenas para pessoas que ele conhecia e nomes fornecidos por organizações judaicas.
Em meio à sua operação, Mantello soube que todos os seus familiares, que ele acreditava estarem vivendo em relativa segurança na Hungria, exceto o filho que vivia com ele na Suíça, haviam sido deportados e enviados para campos de concentração. Nenhum deles sobreviveu.
“Essa é a história de um homem de grande coragem que enfrentou o sistema,” disse Ricardo Miram Ferraroti, um alto funcionário salvadorenho que tem pressionado o Yad Vashem Holocaust Museum em Jerusalém a conferir o título de “Gentio Honrado” a Castellanos. Mantello não poderia receber a comenda porque era judeu.
O “Gentio Honrado” é um não-judeu que arriscou sua vida, liberdade e segurança para resgatar um ou vários judeus da ameaça de morte ou deportação sem exigir compensação monetária ou outras recompensas, segundo informação do site do museu na internet.
Castellanos raramente falava do assunto e geralmente minimizava suas ações durante a guerra, disse sua filha, Frieda Garcia, em uma entrevista coletiva na embaixada de El Salvador em Washington. Ela disse que ele só soube de toda a história no final da década de 1970.
“A memória de nosso pai está fora das estantes, fora das gavetas e sobre a mesa de novo,” disse Garcia.
Tradução: Claudia Dall’Antonia
do site do Cox Newspapers
Um mergulho ao mundo do crime organizado na Espanha
Fortões de academia, seguranças de discoteca e paramilitares se dedicam a dar surras “à la carte”
Jesús Duva
Em Madri
Extorsões, seqüestros, ameaças, cobranças de dívidas, ajustes de contas, surras e até assassinatos por encomenda -tudo isso e muito mais é o objeto social da Capangas SA, um tenebroso conglomerado integrado por paramilitares colombianos, halterofilistas, ex-boxeadores, campeões de vale-tudo (uma modalidade de arte marcial), vigilantes, seguranças de discoteca, neonazistas e pistoleiros. Gente que se move entre as sombras da noite espanhola.
A realidade ultrapassa a ficção e transforma em aprendizes os roteiristas de Hollywood. Há um exército de homens inescrupulosos dispostos a meter medo em qualquer um; a dar uns tapas em um concorrente incômodo; a quebrar as pernas de um vagaroso que resiste a pagar uma dívida; ou a mandar para o além quem incomodar seu cliente. Tudo por apenas alguns milhares de euros.
“Isso é o que mudou nos últimos anos: há muita gente disposta a fazer esse tipo de trabalho, e, além disso, deixou de ser algo exclusivo de traficantes e mafiosos. Hoje qualquer um pode ser vítima dessa gente”, afirma um comissário de polícia de Madri.
Prova do que ele diz foi o que ocorreu há seis meses em Alicante, onde dois empresários da construção foram espancados por encomenda de uma pessoa à qual supostamente deviam 300 mil euros pela compra e venda de uma casa. Essa pessoa declarou à polícia que havia conhecido casualmente em uma discoteca de Madri um indivíduo que se ofereceu para colocá-lo em contato com três forçudos porteiros da boate dispostos a cobrar a dívida, por bem ou por mal. E foi por mal.
Há alguns dias o semanário “Interviú” revelou uma conversa telefônica mantida em abril de 2007 pela atriz Ana García Obregón com seu guarda-costas, Eloy Sánchez Barba, na qual ela supostamente lhe perguntava se conhecia alguém disposto a dar uma lição em Jaime Cantizano, apresentador do programa de televisão “Dónde Estás Corazón”. A atriz, muito irritada porque o programa anunciava a divulgação de imagens de seu filho Álex, comentou com o segurança que isso deveria ser feito por alguém de Los Miami (um grupo de capangas profissionais).
“Tenho a consciência muito tranqüila. Não lembro se tive essa conversa e se soltei ou não essas barbaridades”, declarou García Obregón. Enquanto isso, seu advogado, Javier Saavedra, afirma que “não foram abertas diligências contra ela nem está imputada por nenhum delito de ameaças”.
Essa conversa foi captada graças a um grampo telefônico da Guarda Civil durante a investigação do assassinato a tiros de Miguel Ángel Salgado Pimentel, 37 anos, ocorrido em março de 2007 em Ciempozuelos (Madri). O falecido era diretor financeiro da empresa de informática DMI Computer.
Sánchez Barba foi detido há alguns dias junto com a ex-mulher de Salgado, a advogada María Dolores Martín Pozo, a qual supostamente pagou a Charles Michael Guarin, um ex-pára-quedista de Alcalá de Henares, para que cometesse o crime.
E quem são Los Miami? “Los Miami já não existem há cinco ou seis anos. Foram uma lenda que deixou de existir depois de uma série de ajustes de contas internos e sobretudo desde que seu suposto chefe, Juan Carlos Peña Enano, de 30 anos, foi atacado a tiros em dezembro de 2004 quando dirigia um Porsche por Madri. Salvou-se por milagre e desde então está desaparecido”, afirma um policial. Antes de ir para a América do Sul em 2005 ele foi visto rodeado de uma legião de guarda-costas búlgaros.
Los Miami era um grupo de porteiros de discoteca, seguranças, cobradores de dívidas e acertadores de contas muito bem relacionados com gente da vida noturna e freqüentadores dos locais da moda. Ganharam prestígio porque eram capazes de cumprir qualquer encargo sem tremores nas mãos. “Mas cada vez se envolveram mais com o tráfico de drogas e isso, junto com as dissensões internas, puseram fim a esse bando. Hoje só há um grupo de sobreviventes que formaram seu próprio clã ou se uniram a outros”, comentam especialistas da Unidade Central de Drogas e Crime Organizado. Los Miami acabaram ajustando as contas entre si e vários deles acabaram no cemitério.
A recente chegada à Espanha de mafiosos búlgaros, ex-membros das paramilitares Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) e ex-policiais dos países do Leste Europeu e outros criminosos fez que haja tantos seguranças no mercado que os preços despencaram, segundo fontes policiais.
“O que eu quero é que você dê uns trancos e meta medo nele para que me pague o que deve.”
“Quanto dá pelo trabalho?”
“Estou disposto a gastar 1.000 ou 1.200 euros…”
“Por esse dinheiro lhe damos um bom tratamento e, além disso, lhe fazemos várias visitas…”
Essa conversa, escutada recentemente pelos policiais que tinham grampeado o telefone de um suspeito, veio confirmar a queda das tarifas para esse tipo de trabalho.
“Não há um grupo criminoso especializado em dar surras. Nós não conhecemos nenhum bando estruturado. O que há é gente disposta a fazer esse tipo de coisa, mas que ao mesmo tempo faz outras, como cobrar dívidas e ajustar contas”, afirma um inspetor especializado no combate ao crime organizado.
A única coisa realmente organizada são as agências de cobrança, uma espécie de delegações das grandes redes do tráfico colombiano que cuidam de saldar as dívidas de seus clientes. Um comprador de cocaína se faz de desentendido? Enviam alguns capangas que lhe lembram da dívida e, além disso, anunciam um aumento por essa visita. Alguém continua sem soltar o dinheiro? Seqüestra-se um parente. E se a situação se complica as represálias podem chegar até a morte.
A Brigada Central contra o Crime Organizado deteve há três meses 14 homens que eram o braço executor na Espanha do cartel colombiano de Cali, que era chefiado por Wilber Varela, o “Sabão” (assassinado a tiros em um hotel na Venezuela em janeiro passado). São acusados de extorsão, seqüestros, homicídio, narcotráfico e porte de armas.
O suposto chefe desse bando era um tal Óscar, colombiano de 20 e poucos anos que havia fugido da prisão de Aranjuez em Madri no verão de 2007, aproveitando uma licença. Assim que recobrou a liberdade se pôs à frente de um escritório de cobranças na Espanha. A rede tinha seu quartel-general em Madri e uma sucursal em Bilbao.
Óscar fora escolhido por elementos das AUC para dirigir na Espanha um escritório de pistoleiros. A Guarda Civil e a polícia relacionam alguns integrantes do bando com um cadáver desfigurado encontrado em 2007 em Ciempozuelos. A vítima, cuja identidade a polícia não conseguiu elucidar, havia sido torturada e colocada em uma banheira cheia de ácido sulfúrico. O carimbo dos assassinos mais impiedosos.
40 mortes por encomenda
Na Espanha ocorrem anualmente cerca de 40 assassinatos pelas mãos de capangas, a maioria relacionada ao tráfico de drogas, segundo fontes policiais. Uma grande parte desses crimes fica sem esclarecimento ou porque é impossível identificar a vítima, ou porque jamais se encontra uma pista para descobrir os autores.
O método mais comum é o tiro de pistola na cabeça ou no peito. Mas nos últimos meses a polícia descobriu inclusive cartuchos de explosivos com pessoas ligadas a seguranças de discotecas e indivíduos relacionados a organizações de caráter neonazista.
Foi o caso de um militar de Madri detido no início deste ano pela Brigada Central de Narcóticos, em cujo poder se encontraram 4 quilos de explosivo plástico, estopim, um fuzil, pistolas elétricas paralisantes…
Os investigadores não conseguiram esclarecer qual era o destino desse autêntico arsenal, mas supõem que poderia se destinar a ajustes de contas entre narcotraficantes e para revenda a assaltantes que costumam arrombar cofres.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
do El País
“O árabe é a língua do sexo”
A escritora síria Salwa al Neimi rompe tabus com um romance erótico proscrito em países muçulmanos
Ignacio Cembrero
Em Paris
“Chegava a sua casa umedecida. Ele introduzia um dedo entre minhas coxas para recolher o mel, como o chamava. O provava e…” Essas frases seriam inócuas em um romance erótico editado no Ocidente, mas escritas em árabe, por uma mulher árabe e publicadas em um país árabe adquirem outro calado. Sua autora se transforma imediatamente na “mais ousada das romancistas árabes”, segundo a rede de televisão Al Jazira. Salwa al Neimi, síria radicada em Paris, já tem anos de audácia em seus livros de poesia árabe, mas teve de publicar uma novela erótica, “A Comprovação Através do Mel”, para que seus compatriotas e aqueles que hoje a lêem em outras línguas tomem consciência de sua ousadia.
“Deve ser porque ninguém mais lê poesia”, comenta desiludida em um café parisiense essa mulher falante, que solta gargalhadas e respira alegria pelos quatro costados, mas que guarda com receio vários fragmentos de sua vida de militante política e também sua idade.
“Não é fácil escrever sobre sexo em árabe, porque o corretor ortográfico sublinha em vermelho montes de palavras adequadas - começando por ‘trepar’ -, mas que foram indevidamente desterradas da língua”, prossegue Neimi. “Está programado para castrar a linguagem, como muitos de meus compatriotas”, brinca. “É um computador eunuco”, ri. “No entanto, o árabe é a língua do sexo, por mais que se esforce para esquecê-lo”, salienta, agora com gesto grave. “Não é em vão que em nossa cultura o prazer sexual é uma amostra do paraíso.”
Apesar da rejeição do corretor, Neimi escreve “trepo, logo existo” e relata em 172 páginas a relação entre a protagonista, que escreve na primeira pessoa, e seu principal parceiro, que chama de O Pensador, um homem ao qual não faltam idéias sobre como acasalar-se. Com ele “minha curiosidade sexual se aprofundou como um abismo”.
Tal narrativa incitou os censores a proibir o romance em grande parte do mundo árabe, exceto no Líbano, onde só os maiores de idade podem comprá-lo, nos Emirados Árabes Unidos e, curiosamente, no Magreb. “Me fecharam as portas da feira do livro de Damasco, minha cidade, mas me abriram as de Casablanca”, constata.
“A Comprovação Através do Mel” foi publicado há um ano pela editora libanesa Ryad El-Rayyess e, com uma velocidade surpreendente para o que costumam demorar as obras árabes a ser conhecidas no Ocidente, acaba de ser posta à venda na França pela editora Robert-Lafont. Também está sendo traduzida para outros 17 idiomas. Os direitos para a Espanha foram adquiridos pela Planeta. Apesar da proibição, a obra gerou muitos comentários na imprensa árabe, começando pela dos países em que é distribuída clandestinamente depois de ser baixada da Internet. Houve, é claro, jornais como o governista “Al Thawra”, de Damasco, que tacharam a autora de prostituta que relembra suas aventuras.
Mas, apesar do puritanismo reinante, essa não foi a tônica geral. “‘A Comprovação Através do Mel’ é uma obra refinada e que se alça à categoria de grandes artes”, afirma, por exemplo, o “Al Ahram”, principal jornal do Egito, onde o livro foi vetado.
Mais ainda que a transbordante imaginação sexual do Pensador e a personalidade da autora, o que chocou as elites muçulmanas foi o fato de Neimi apelar para cientistas e poetas árabes para reivindicar a felicidade sexual. “Não eram marginais, mas eruditos de prestígio os que a defendiam em seus escritos há sete ou oito séculos”, afirma a autora.
“Tenho fome de coito, como tenho fome de alimentos”, proclamava o sufi Abdul Qasim al Junaid, enquanto Sidi Mohamed al Nafzawi escreveu: “A vulva não se acalma nem se apazigua, não está satisfeita enquanto não tiver a visita do membro masculino. O membro do homem encontra sua salvação na vagina”. Essas e muitas outras citações salpicam a obra, como que para legitimar o relato erótico.
“Salwa al Neimi reivindica através de sua novela que se deixe de escrever e falar de sexo mediante alusões e apela aos antigos livros árabes que evocam com franqueza os nomes dos órgãos e as posições sexuais e indicam aquelas que proporcionam mais prazer e bem-estar”, afirma o jornal libanês “Al Akhbar”.
“Aquele que lê os antigos livros eróticos árabes não pode continuar vivendo na atual miséria [sexual] teórica e prática” de que sofre o mundo árabe, acrescenta o poeta libanês Yahia Jabeur en Al Qods. É o caso da protagonista da obra, para quem “a liberdade de expressão dos antigos sábios me ofuscava, com seu cortejo de palavras que não ouso pronunciar e nem sequer escrever. Uma linguagem excitante. Não podia ler nem uma linha sem ficar úmida”.
“O que mais me alegrou não são as críticas jornalísticas, mas os comentários dos jovens em fóruns na Internet ou algum e-mail que me chegou através da editora”, lembra Neimi. “Você nos reconciliou com nossos corpos”, me escreveu um jornalista sírio. Neimi menciona em sua novela até os “hadiths” do profeta, as palavras de Maomé recolhidas por seus companheiros e que serve para interpretar o Corão. “Pode-se pronunciar uma ‘fatwa’ [édito islâmico] contra uma obra que cita os textos sagrados?”, pergunta-se o jornal “Le Temps” de Túnis, antes de dar por certo que a escritora não terá a sorte de Salman Rushdie, autor de “Versículos Satânicos”, que o aiatolá Khomeini condenou à morte.
A autora, mãe de dois filhos, também não acredita que esteja ameaçada, mas toma precauções. Pede que se omita o nome da instituição onde trabalha e o de seu marido, porque com seu sobrenome seria fácil encontrar seu endereço. Neimi não é a primeira intelectual árabe que desempoeira velhos volumes para ressuscitar um patrimônio cultural sepultado por séculos de rigor e décadas de integralismo. “A marcha para trás começa no século 17″, explica.
Malek Chebel, um antropólogo argelino radicado em Paris, escreveu há dois anos “O Kama Sutra Árabe” para “exumar os grandes textos do erotismo em terras do islã”. Agora se desfaz em elogios para o romance de Neimi, que considera “precursora de uma geração de mulheres árabes decididas a se desfazer dos tabus”.
“Não sou uma pioneira”, ela responde com modéstia. “Há outras escritoras, como as libanesas Hoda Barakat, Iman Humaydane Younes ou Alawiya Sobh, que também ousam”, afirma. Suas novelas mais recentes podem incluir algum episódio sexual, mas comparadas com “A Comprovação Através do Mel” são relatos inocentes. “Somos cada vez mais”, insiste Neimi, “e por isso um jornal do golfo Pérsico se referiu à ‘intifada sexual feminina’” depois de séculos de submissão. Por que durou tanto? A autora suspira: “A pergunta exige uma resposta longa demais”.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
do site do El País
Segurança de bombas atômicas dos EUA na Europa preocupa o velho continente
Laurent Zecchini
Foi um relatório interno da força aérea americana que provocou a polêmica: as condições de armazenamento do arsenal nuclear aerotransportado dos EUA estacionado no continente europeu são desastrosas do ponto de vista de segurança. A decisão de realizar essa investigação foi tomada depois que a força aérea, em agosto de 2007, perdeu o rastro durante 36 horas de seis bombas nucleares que haviam atravessado o território dos EUA a bordo de um bombardeiro estratégico.
Em fevereiro de 2008 o Pentágono divulgou uma versão muito atenuada desse relatório, até o momento em que a Federação de Cientistas Americanos, uma organização não-governamental que serve de autoridade sobre questões nucleares, publicou uma versão parcialmente “desclassificada” do documento. Esta salientava que as condições de segurança vigentes na “maioria dos locais” onde estão depositadas bombas nucleares americanas B-61 no Velho Continente (Alemanha, Itália, Países Baixos, Bélgica, Reino Unido e Turquia) são muito inferiores aos padrões exigidos pelo Pentágono.
O isolamento das instalações, os sistemas de iluminação e de segurança são deficientes; alguns edifícios precisam de reparos e os guardas de segurança muitas vezes não têm a formação ou a experiência necessárias. Às vezes soldados incorporados há nove meses são encarregados de proteger as armas nucleares de roubos. Os problemas mais graves foram identificados nas bases aéreas de Büchel (Alemanha) e de Ghedi Torre (Itália).
Segundo certas informações, Washington teria decidido retirar as bombas de pelo menos uma das oito bases em que estão depositadas. Na Alemanha essas revelações provocaram uma viva polêmica, quando a oposição exigiu a retirada imediata das armas nucleares americanas baseadas no país. “Essas armas nucleares são um vestígio da guerra fria e devem ir embora”, estimou o chefe do Partido Liberal (FDP), Guido Westerwelle, apoiado pelo SPD e os Verdes.
Embaraçado por esse assunto, o governo da chanceler Angela Merkel lembrou no entanto que a Alemanha é ligada pelos acordos da Otan sobre dissuasão e estacionamento de armas nucleares na Europa, e Berlim também estima que “uma capacidade de dissuasão militar inclui não somente a capacidade convencional, mas também componentes nucleares”.
Informações conhecidas
Há alguns meses o ministro belga da Defesa, Pieter De Crem, revelou publicamente a localização de bombas nucleares americanas, para grande alarme da Aliança Atlântica, para a qual esses locais são em princípio secretos. Um porta-voz da Otan salientou na última segunda-feira (23) que a segurança das armas nucleares americanas na Europa cabe aos EUA.
Na realidade faz vários anos que as informações sobre os locais e o número de bombas americanas estacionadas na Europa (de 250 a 480, segundo as estimativas) são conhecidas. No fim da guerra fria os EUA reduziram em 90% o número de suas armas nucleares táticas na Europa (mais de 4 mil na época), e as que estavam depositadas na Grécia e no Canadá foram retiradas.
Essas armas, segundo Isabelle Facon e Bruno Tertrais, em um estudo recente da Fundação para Pesquisa Estratégica, são concebidas para ser despejadas pela aviação americana (cerca de 300 bombas), assim como pela dos países aliados (cerca de 180 bombas). Os depósitos nucleares da Otan são guardados pelas forças americanas, mas os países anfitriões devem garantir a segurança externa das bases.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
do Le Monde



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