Arquivo de 7 de Julho de 2008

Einstein estava certo – de novo

A partir da observação de pulsar binário a 1,7 mil anos-luz, grupo de cientistas confirma comportamentos previstos pelo físico na Teoria da Relatividade Geral, publicada em 1916


04/07/2008
Agência FAPESP – Um grupo internacional de pesquisadores acaba de confirmar, por meio de observações de um pulsar binário, o que Albert Einstein previu em 1916 em sua Teoria da Relatividade Geral.

Segundo os cientistas, as duas estrelas de nêutrons altamente magnetizadas, uma em órbita da outra, oferecem evidência de que a teoria vale também para campos gravitacionais extremamente fortes, como no caso dos dois objetos massivos. O trabalho foi publicado na edição de 3 de julho da revista Science.

O sistema binário está estruturado de modo que um pulsar eclipsa o outro quando visto da Terra, bloqueando parte da radiação emitida pelo companheiro. E é justamente esse eclipse que forneceu informações sobre a orientação e rotação do pulsar escondido, as quais foram combinadas com dados observacionais dos dois corpos celestes para confirmar a teoria einsteiniana no sistema supermassivo e de altíssima gravidade.

René Breton, do Departamento de Física da Universidade McGill, no Canadá, e colegas monitoraram o pulsar duplo de dezembro de 2003 a novembro de 2007, por meio do Telescópio Green Bank, na Virgínia, Estados Unidos.

Pulsares são objetos pequenos e ultradensos formados quando estrelas massivas morrem e explodem em supernovas. Tais corpos têm massa maior que a do Sol, mas ocupam geralmente uma área menor do que a da cidade de São Paulo. Tudo o mais neles se manifesta exageradamente, seja a velocidade com que se movem, seus campos gravitacionais ou a radiação emitida por seus pólos magnéticos.

Mais de 1,7 mil pulsares foram descobertos na Via Láctea, mas o sistema estudado, de nome PSR J0737-3039A/B, é o único pulsar duplo conhecido. As duas estrelas de nêutrons estão tão próximas uma da outra que o sistema binário inteiro cabe dentro do Sol. O sistema está a 1,7 mil anos-luz da Terra.

“Um pulsar binário fornece as condições ideais para testar os conceitos da Teoria da Relatividade Geral porque, quanto maiores e mais próximos as massas estiverem uma da outra, mais importantes serão os efeitos da relatividade”, disse Breton.

“Nós iremos, portanto, assumir a completa equivalência física entre um campo gravitacional e a correspondente aceleração de um sistema de referência. Esta hipótese estende o princípio da relatividade especial para sistemas de referência uniformemente acelerados”, escreveu Einstein na teoria.

“Ele previu que, em um campo gravitacional forte como esse, o eixo de rotação deveria mudar lentamente de direção, à medida que o pulsar orbita seu companheiro. Imagine um pião no momento em que gira em uma posição levemente não vertical e o eixo de rotação muda de direção aos poucos. Trata-se de um movimento elegante conhecido como precessão”, explicou Victoria Kaspi, líder do Grupo de Pulsares da Universidade McGill e outra autora do estudo.

Os cientistas descobriram que um dos pulsares está realmente em movimento de precessão, como previsto por Einstein em 1915. Se o genial físico alemão estivesse errado o pulsar não se moveria dessa forma.

“Até o momento a teoria de Einstein passou por todos os testes que foram conduzidos, inclusive esse nosso. Podemos dizer que se alguém, um dia, quiser propor uma teoria alternativa, deverá concordar com diversas comprovações, como as que verificamos”, disse Breton.

O artigo Relativistic spin precession in the double pulsar, de Rene Breton e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.

Agência Fapesp

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Vozes abafadas


07/07/2008
Por Thiago Romero

Estudo com 747 professoras destaca que 25,6% tiveram perda temporária da voz e 12,9% relataram calos nas cordas vocais. Problema estaria afetando o desempenho docente e o processo de aprendizagem

Agência FAPESP – Um estudo com 747 professoras constatou que 59,2% estavam com rouquidão. Pior: 25,6% tiveram perda temporária da voz, que, além do impacto sobre a saúde das profissionais, pode afetar o desempenho docente e prejudicar o processo de aprendizagem.

A pesquisa, realizada por pesquisadores da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), teve resultados publicados na edição de junho dos Cadernos de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no artigo Fatores associados a alterações vocais em professoras.

As professoras, da rede municipal de ensino de Vitória da Conquista (BA), com média de idade de 34 anos, responderam a um questionário com perguntas sobre atividades de trabalho, carga horária semanal, demanda psicológica envolvida nas tarefas e situação da saúde vocal, incluindo queixas de disfonia e presença de sintomas de rouquidão.

A avaliação da saúde vocal foi feita considerando as características do uso da voz, ocorrência de alterações, tipos de tratamentos buscados e informações sobre atividades domésticas.

“Ainda que não seja uma doença ocupacional aguda, a rouquidão começa com sintomas de fraqueza de voz, que levam à dificuldade de modulação, e percorre um caminho que pode levar a patologias como nódulos e calos nas cordas vocais”, disse Eduardo Farias dos Reis, professor da Faculdade de Medicina da UFBA, à Agência FAPESP.

“Isso ocorre com freqüência, uma vez que a atividade docente não pode parar e a voz é o principal instrumento de trabalho. Calos nas cordas vocais, que é o momento mais avançado em que a doença já está instalada, foram relatados por 12,9% das docentes”, aponta o também diretor do Fundo Estadual de Saúde, órgão vinculado à Secretaria de Saúde do Estado da Bahia.

O estudo aponta que 91,7% das professoras fazem uso intensivo da voz, sendo as duas alterações mais comuns o cansaço ao falar e a sensação de voz rouca ou fraca após um dia de trabalho. Quanto aos sintomas relacionados à saúde da garganta, os mais freqüentemente citados foram sensação de ressecamento (66,5%), coceira (51,5%), pigarro (49,7%) e dor (43,6%).
Voz disciplinar

Reis reconhece que a prevalência de rouquidão encontrada no estudo foi elevada, alcançando patamares similares aos observados em outros estudos publicados em revistas internacionais, que apontaram um índice de 57% em professores na Espanha e 58% nos Estados Unidos.

“Outras pesquisas mostram ainda que uma parte importante do ato vocal é usada para controlar e disciplinar os alunos, e não para transmitir conhecimento. Esse é um problema vivido pelos professores de todo o país e que acaba tendo diferentes repercussões no ensino, que vão desde dificuldades na sala de aula, devido ao uso inadequado e nocivo da voz, até o afastamento temporário ou permanente do trabalho”, afirmou.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera os professores como a categoria de maior risco de contrair enfermidades da voz. O tipo de voz mais propenso a causar danos aos órgãos vocais, segundo a organização, é a "voz projetada", aquela utilizada para exercer influência sobre outras pessoas, seja para chamar atenção ou para tentar persuadir e ganhar a audiência.

O estudo aponta que a rouquidão esteve associada a fatores como trabalhar como professora há cinco ou mais anos, exercer atividades em duas ou mais escolas, ter mais de 24 horas semanais em sala de aula em todas as escolas em que trabalha e usar a voz gritando ou falando alto. A rouquidão, cansaço ao falar, perda da voz e irritação na garganta foram mais freqüentes entre os professores com mais de 25 horas semanais de trabalho.

Outro dado importante levantado pelo trabalho é o consumo de bebida alcoólica, referido por 19,3% das docentes, e o número de docentes fumantes (7%). “Há também baixa procura por ajuda médica. Por envolver um tratamento caro, demorado e que normalmente não é coberto pelos convênios, apenas 4,9% das professoras disseram ter consultado um fonoaudiólogo”, disse Reis.

De acordo com o artigo, os fatores de risco para o adoecimento vocal listados com mais freqüência na literatura científica são de cunho biológico (predisposição hereditária) ou relativos aos hábitos individuais (falta de educação vocal apropriada).

Um dos principais destaques do estudo foi mostrar a importância dos fatores associados à forma e à intensidade com que o trabalho docente é executado, indicando a necessidade de redimensionamento de alguns aspectos do trabalho docente, como, por exemplo, a diminuição do tempo que se usa a voz profissionalmente.

“Vale lembrar que o uso intensivo da voz foi referido por mais de 90% das professoras. Então, esse tipo de fator associado à ocorrência de alterações vocais deve ser considerado na formulação e na execução de medidas preventivas do adoecimento vocal dessas profissionais em todo o país”, destacou o professor da UFBA.

Para ler o artigo Fatores associados a alterações vocais em professoras, de Eduardo Farias dos Reis e outros, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui

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Inflação da população de baixa renda tem alta de 1,29% em junho, diz FGV

da Folha Online

O IPC-C1 (O Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1), calculado com base nas despesas de consumo das famílias com renda entre 1 e 2,5 salários mínimos mensais, teve ligeira desaceleração e subiu 1,29% em junho (contra 1,38% em maio), segundo dados divulgados nesta segunda-feira pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

No primeiro semestre, o índice acumulou alta de 5,97% e nos 12 meses até junho, a alta foi de 9,11% –maior registrada pela série histórica do índice.

O IPC-C1 continua a superar o IPC-BR nas taxas mensal, anual e acumulada nos últimos 12 meses: este último teve alta de 0,77% em junho; de 3,84% no ano; e de 5,96 nos 12 meses até junho.

No mês passado, a maior contribuição para a alta em 12 meses do IPC-C1 foi a grupo Alimentação –que passou de 17,01% para 18,88%, elevando de 78% para 79%, o impacto do grupo sobre o resultado geral. Os itens que mais pesaram foram arroz branco (26,03% para 45,78%), feijão carioquinha (119,31% para 137,51%), batata-inglesa (2,32% para 19,39%) e carnes bovinas (32,87% para 44,13%).

Também contribuíram para a alta do IPC-C1 nos últimos 12 meses os grupos Habitação (2,05% para 2,32%), Saúde e Cuidados Pessoais (3,54% para 4,04%) e Vestuário (4,84% para 5,43%), com destaque para gás de bujão (3,15% para 5,01%), medicamentos em geral (3,55% para 4,02%) e roupas (3,44% para 4,64%).

A taxa do grupo Transportes repetiu em junho, a taxa acumulada em 12 meses até maio, que foi de 2,52%. Contribuíram para a estabilidade da taxa os itens gasolina (-1,82% para -1,99%) e ônibus interurbano (3,06% para 3,34%).

Já os grupos Educação, Leitura e Recreação (5,04% para 4,79%) e Despesas Diversas (4,94% para 4,60%) registraram decréscimos nas taxas de 12 meses, com os itens material escolar (exclusive livros) (8,07% para 7,39%) e alimento para animais domésticos (8,26% para 7,13%).

Folha Online - 7/7/08

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Em SP, 95% dos boletins de ocorrência não são investigados

 

Publicada em 06/07/2008 às 09h47m

Danielle Borges, Diário de S.Paulo

SÃO PAULO - Apenas cinco em cada 100 boletins de ocorrência registrados na capital paulista são investigados pela polícia. Esse foi o resultado da pesquisa "Taxa de Impunidade Penal" realizada pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP). Foram pesquisados 344.767 boletins de ocorrência registrados em 16 delegacias da Zona Oeste da capital, e só 5,48% foram convertidos em inquérito policial, isto é, foram investigados pela polícia.

Os números da pesquisa, que será divulgada nesta semana, são alarmantes. De 1.630 estupros registrados, apenas 364 foram transformados em inquéritos policiais. A maioria dos roubos é também ignorada: de 109.831 registros de ocorrência, apenas 5.362 se transformaram em inquérito. O roubo seguido de morte (latrocínio) teve 372 registros, dos quais 250 foram investigados.

A pesquisa mostra um cuidado maior no tratamento de casos relacionados ao tráfico de drogas. O uso de entorpecentes, um crime não violento, teve 1.389 boletins de ocorrência e 1.249 deles se transformaram em inquérito. No tráfico de entorpecentes, de 672 registros nas delegacias, 623 foram convertidos em inquérito.

O estudo começou a ser feito em 2001. Para conseguir estabelecer uma análise de todo caminho percorrido por um crime - desde seu registro na delegacia até o julgamento do culpado - foram usados como base os casos registrados entre 1991 e 1997. A Secretaria de Segurança Pública não quis se pronunciar sobre a pesquisa.

Os dados encontram correspondência no cotidiano de quem depende da polícia.

- Meu filho era motorista de ônibus e foi assassinado após uma briga de trânsito em 2005. Havia 30 testemunhas, e até a placa do carro do assassino foi anotada. Mas, até agora, não encontraram o culpado - diz a servidora federal Maria do Carmo Oliveira, de 52 anos, que teve o filho Anderson de Oliveira, de 28 anos, morto com seis tiros dentro de um ônibus na Zona Sul.

A polícia diz não ter pistas do culpado. Para Maria do Carmo, faltou interesse da polícia.

- Só duas testemunhas do crime foram chamadas para depor: uma que já havia morrido e outra que estava nos fundos do ônibus. O cobrador, que viu tudo, não depôs, nem foi chamado para fazer o retrato falado. Veja como são as coisas: eu fiz um levantamento sobre as multas de trânsito do carro em que estava o assassino e descobri que ele sempre recebe multas na mesma região. Já poderiam ter localizado esse carro e, logicamente, o assassino - conta.

Pesquisadores surpresos

- O resultado nos surpreendeu. Ainda mais porque estamos falando de crimes graves, como homicídios e latrocínios - diz Wânia Pasinato Izumino, uma das coordenadoras da pesquisa.

O estudo aborda os crimes violentos (homicídio, roubo, latrocínio, estupro e tráfico de drogas), crimes não-violentos (furto, furto qualificado e consumo de drogas) e as chamadas ocorrências não-criminais (encontro de cadáver, morte a esclarecer, resistência seguida de morte e verificação de óbito).

O número de boletins de ocorrência transformados em inquérito policial é maior entre os crimes violentos: 8,14%. Entre os crimes não-violentos, cai para 3,88%.

O levantamento aponta ainda para uma grave tendência: a de que existe baixa disposição da polícia em investigar crimes de autoria desconhecida - que correspondem a 93,3% dos crimes violentos e a 94,9% dos crimes não-violentos.

Impunidade penal

O próximo passo da pesquisa será determinar a quantidade de crimes que tiveram os culpados punidos, acompanhando os registros no decorrer de todo o processo penal.

- Ainda estamos analisando os processos dessa segunda fase da pesquisa, mas a percepção que temos até agora é que há pouquíssimos casos que chegam a julgamentos - diz Wânia.

Estimativas feitas a partir de outros estudos sobre a impunidade penal dão conta de que 40% dos inquéritos serão arquivados. Assim, apenas 13,1 mil crimes dão origem a denúncias do Ministério Público. Nesse ritmo, levando em consideração que muitos casos acabam arquivados por falta de provas, apenas 5% daquelas 13,1 mil denúncias culminarão na punição dos culpados.

Especialista em segurança pública, o coronel José Vicente da Silva vê com reserva os dados levantados pela pesquisa. Segundo ele, a polícia não tem condições de investigar todas as ocorrências, mas todos os homicídios têm, por lei, que ser averiguados.

- Mesmo a polícia americana só investiga 20% dos casos e, por isso, seleciona os mais violentos e de maior repercussão. É preciso ver o outro lado - argumenta Silva.

OAB sugere revisão de boletins

- Esses dados são como uma luz vermelha que se acendeu. A Corregedoria da Polícia deveria rever os boletins de ocorrência, se não todos desse período pesquisado, pelo menos os de três ou quatro anos atrás para verificar o caminho seguido, pois algo está errado - diz Mário de Oliveira Filho, presidente de Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP.

Para ele, o resultado da pesquisa aumenta a sensação de insegurança da população.

- Se a polícia não faz seu trabalho, ficamos na mão dos bandidos, que, diante dessa situação, estão livres para agir. Se a polícia não investiga, é preciso saber o que houve - acrescenta Oliveira Filho.

Para ele, é importante definir se os casos não foram apurados por falta de interesse ou porque a polícia está corrompida.

- O que inibe o criminoso não é o tamanho da pena, mas a certeza da punição - diz Ariel de Castro Alves, secretário geral do Conselho Estadual de Direitos Humanos.

- Sabemos que o trabalho da polícia prioriza casos de repercussão na mídia e acaba deixando de lado casos que considera menores.

Globo Online

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Alckmin e Marta ainda têm dívidas de campanha antiga

 

Diretórios de PSDB e PT assumiram débitos e alegam negociação de pagamentos
Marta tem débitos abertos desde 1998; Alckmin deve R$ 11,9 milhões, maior parte referente a materiais de propaganda e publicidade

RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL
Os dois candidatos à Prefeitura de São Paulo mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto, Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), começam suas campanhas sem terem pago ainda as dívidas de pleitos anteriores. Débitos contraídos pela campanha de Marta estão abertos há dez anos, desde 1998. O Diretório Nacional do PSDB e o Diretório Regional do PT paulista assumiram os débitos e alegam negociar os pagamentos.
Alckmin deve hoje, em valores informados pelo PSDB nacional, cerca de R$ 11,9 milhões. Ao concorrer, e perder, à Presidência da República em 2006, ele deixou dívidas de R$ 19,9 milhões, para uma arrecadação total de R$ 79 milhões -o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também deixou uma dívida de R$ 7 milhões, no final do pleito em que superou Alckmin e se reelegeu.
A dívida do ex-governador foi assumida pelo Diretório Nacional do PSDB, em Brasília. Desde então, o partido disse ter pago cerca de R$ 8 milhões.
O partido se recusou a informar os nomes dos principais credores. A Folha apurou que a maior parte das dívidas se refere a material de propaganda e publicidade, de impressos a produção de comerciais de TV.
"Por uma questão de preservação dos fornecedores, que trabalharam corretamente com o partido e estão em processo de renegociação, nossa opção é preservar seus nomes e empresas", informou o PSDB.
PT
A prestação de contas do diretório estadual do PT de São Paulo de 2007, entregue à Justiça Eleitoral em abril último, registrou R$ 698 mil -ou R$ 1,198 milhão, em valores atualizados pelo IPCA- em dívidas contraídas com fornecedores de material gráfico, publicidade e pesquisas de opinião pública por duas campanhas eleitorais de Marta Suplicy.
O diretório estadual do PT afirma que "equacionou" dívidas iguais a 18% do total.
A reportagem também consultou no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo as prestações dos diretórios regionais do PSDB, do DEM, do PMDB, do PDT e do PC do B. Nenhuma registra dívidas semelhantes com fornecedores de material para campanhas eleitorais passadas.
As dívidas do PT datam de 1998, quando Marta se candidatou ao governo de São Paulo e perdeu, e de 2004, quando ela perdeu a reeleição à Prefeitura de São Paulo. Foram incluídas nos balanços do PT sucessivamente ao longo dos anos, sem pagamento ou renegociação. Os valores também não foram atualizados. A dívida foi anotada no balanço, no campo das obrigações a pagar, com o valor de R$ 698 mil.
Essas dívidas ajudaram a empurrar as contas do PT paulista para o negativo. A sigla encerrou o ano com um déficit de R$ 161 mil -acumulado de R$ 847,4 mil. As receitas em 2007, que incluem repasses do Fundo Partidário, contribuições e doações, somaram R$ 1,77 milhão, enquanto as despesas atingiram R$ 1,93 milhão.
O maior doador individual do PT foi a Construtora Andrade Gutierrez, com R$ 100 mil, de um total de R$ 123 mil em doações de pessoas jurídicas. O segundo maior doador foi a Destilaria Pioneiros, com R$ 18 mil, da trading Crystalsev, que, em abril último, anunciou uma parceria com norte-americanos para fabricação de biodiesel a partir da cana-de-açúcar.
A prestação de contas do PT é assinada pelo presidente do diretório estadual, Paulo Frateschi, e pelo tesoureiro, Antonio dos Santos.
Do conjunto de cinco dívidas assumidas como obrigações a pagar entre 1998 e 2004, o maior débito é de R$ 300 mil, com a produtora de Campo Grande (MS) Flash Comunicação, revelada pela Folha em 2004 e até hoje não paga.
A Flash tem uma outra nota fiscal, de R$ 250 mil, sob investigação no Ministério Público de Mauá (SP). Em depoimento no ano de 2005, o ex-secretário de Habitação de Mauá Altivo Ovando Júnior afirmou que, entre 1997 e 2001, a Flash emitiu notas fiscais para acobertar supostos pagamentos de propina a integrantes do PT.
Outro crédito, de R$ 100 mil, em valor não atualizado, está registrado em nome da PG Comunicação, do publicitário Eduardo Godoy, que foi secretário de Comunicação do ex-governador Zeca do PT (MS). Hoje, Godoy preside a Quê Comunicação, uma das três agências de publicidade que prestam serviços à Petrobras. Entre 2003 e 2008, a Quê recebeu R$ 339 milhões da Petrobras.

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CRESCIMENTO NO PAÍS DE 2000 A 2007 FOI DE 14 MILHÕES

População:

A perda de população em quase um terço das cidades brasileiras foi compensada pelo crescimento dos municípios de médio porte e das grandes regiões metropolitanas. De 2000 a 2007, a população de todo o país saltou de 170 para 184 milhões, uma variação de 8%. Apesar desse crescimento, a contagem revelou que o país tinha 3 milhões a menos de habitantes do que se projetava no Censo Demográfico de 2000. Para economizar recursos, não foi feita a contagem nos 129 maiores municípios, que representam 40% da população do país.

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O trágico fracasso da Primavera de Praga

Jan Puhl

No Ocidente, a geração de 1968 é vista normalmente sob uma ótica positiva. Mas os heróis da Primavera de Praga em 1968 vêem a si mesmos como fracassos históricos.
Ninguém se lembra exatamente para qual escritório o novo funcionário de Praga se mudou naquele dia de verão em 1970. Dizem que ele era muito simpático, alto e com um sorriso amigável, e que se instalou no segundo andar de um prédio público cinzento nos arredores de Bratislava. O governo comunista o havia enviado para fiscalizar a manutenção do equipamento florestal na capital eslovaca.
O simpático novo funcionário era um homem chamado Alexander Dubcek. Um ano antes de assumir o novo posto, ele ainda era o primeiro-secretário do Partido Comunista da Tchecoslováquia. Os líderes do Partido o retiraram do poder em abril de 1969, e mais tarde o transferiram para o trabalho na fiscalização florestal. Agora, Dubcek ia de bonde para o trabalho; e às vezes, generosamente oferecia seu assento para o homem do serviço secreto que o seguia de uma forma pouco dissimulada.
Alexander Dubcek foi o herói da famosa "Primavera de Praga", o levante de 1968 esmagado pelos soviéticos há quase exatas quatro décadas. Dubcek era um reformista que queria dar uma "face humana" ao comunismo. Ele se tornou um ícone na Tchecoslováquia assim como uma esperança para os reformistas de outros países comunistas e socialistas. Mas o experimento da Tchecoslováquia se transformou em tragédia na noite de 21 de agosto de 1968, quando o país foi invadido pelos exércitos das nações do Pacto de Varsóvia. Os estudantes de Praga picharam num muro: "Lenin, acorde, eles ficaram loucos". Imagens de pessoas desesperadas, sem nenhuma defesa, paradas em frente a tanques de guerra garantiram a atenção mundial e a simpatia pela rebelião da pequena Tchecoslováquia contra a enorme União Soviética.
Um novo tipo de democracia
A Primavera de Praga foi a última tentativa dos reformadores comunistas do Bloco do Leste de livrar seus países dos vestígios do stalinismo e descentralizar o sistema totalitário. Foi um ponto de ruptura histórico com um resultado deprimente. E então, no verão de 1968, doze anos depois da Revolução Húngara e sete anos depois que a Alemanha foi dividida em duas por um muro, uma poderosa ilusão morreu - a ilusão de que o sistema comunista poderia gradualmente evoluir para um novo tipo de democracia liberal.
O contraste entre Leste e Oeste nunca foi tão grande quanto naquela época. Enquanto os tanques entravam em Praga e os membros do movimento reformista eram presos, estudantes na Europa Ocidental tomavam as ruas para reivindicar mudanças mais amplas no governo e na sociedade. Na Alemanha, por exemplo, os manifestantes logo encontraram a amizade do chanceler Willy Brandt, que queria mais democracia e havia embarcado em um programa para melhorar as relações com o Leste.
Desde então, as referências à "geração de 68" têm dois significados bem diferentes. Para aqueles que cresceram no Leste, incluindo a chanceler alemã Angela Merkel, 1968 significa Praga, Dubcek, os tanques e o fim de uma ilusão. Para aqueles que nasceram no Oeste, o mesmo ano faz lembrar o líder estudantil Rudi Dutschke, protestos e o movimento estudantil, assim como o terror da "Facção do Exército Vermelho" de extrema-esquerda. Para os que viveram no Leste, 68 foi um fracasso histórico, enquanto que para o Oeste, o movimento de 68, como um todo, foi uma história de sucesso.
Inspecionando moto-serras
Na Tchecoslováquia, o fracasso do experimento teve conseqüências dramáticas a longo prazo. Autoridades locais do partido, com o apoio de Moscou, forçaram os instigadores do movimento a deixarem suas posições de liderança, um a um. No final, até mesmo o popular Dubcek foi enviado para Bratislava para inspecionar moto-serras.
Com seu nariz proeminente e olhar amigável, Pavol Dubcek lembra seu pai. Quando os soviéticos invadiram a Tchecoslováquia em 1968, o filho de Dubcek estudava medicina em Bratislava. Sentado no sofá na casa de sua avó, ouviu as janelas vibrando enquanto os tanques entravam na cidade. Na época, ele concluiu que toda a família seria deportada para a Sibéria. "E além disso", diz ele, "nós tínhamos certeza de que eles executariam meu pai." Afinal, foi o que foi feito com o reformista Imre Nagy depois da Revolução Húngara de 1956.
Mas Alexander Dubcek sobreviveu à invasão de seus companheiros socialistas. Ele e outros reformistas foram afastados para a margem da sociedade com a chamada "normalização", um eufemismo para a remoção de indivíduos indesejados do poder. Dezenas de milhares de tchecos e eslovacos receberam tarefas como varrer ruas ou esvaziar latas de lixo.
Entre eles estava o escritor Ivan Klíma, que havia abraçado a Primavera de Praga e que, por esse motivo, foi proibido de publicar. Em 1988, logo depois que a mudança política chegou ao país, Klíma escreveu um livro chamado "Amor e Lixo" sobre seus anos como lixeiro. O escritor Milan Kundera deixou a Tchecoslováquia e ganhou reconhecimento mundial com livros como "A Insustentável Leveza do Ser".
Cestmír Císar é um dos últimos homens vivos que trabalharam com Dubcek. Ele mora no sexto andar de um prédio de concreto da época soviética em Dablice, um empreendimento residencial em Praga, e o apartamento está cheio de livros, do chão até o teto. Císar acabou de publicar sua autobiografia, com 1.300 páginas, na qual ele fala com lirismo sobre o passado. "Nós nos erguemos para trazer de volta à vida as antigas tradições humanitárias tchecoslovacas", disse. "Os jovens já não sabem mais nada sobre isso."
Císar juntou-se ao Partido Comunista em 1945, quando tinha 25 anos. Ao contrário do que acontecia em outros países da Europa Oriental, os comunistas eram populares na Tchecoslováquia altamente industrializada depois da 2ª Guerra Mundial.
"Criando uma atmosfera de abertura"
Na época, depois do trauma da invasão de 1938 pela Alemanha nazista e a subseqüente divisão da Tchecoslováquia, parecia razoável para muitos tchecos e eslovacos formar uma aliança estreita com a União Soviética. Afinal, foram os poderes ocidentais que haviam dado carta branca a Hitler ao assinar o Acordo de Munique, que levou os nazistas a anexarem uma parte da Tchecoslováquia conhecida como Sudetenland.
Durante a Primavera de Praga, Císar foi integrante do Comitê Central do Partido Comunista, responsável pela educação, cultura e ciência. Foi ele que aboliu a censura - um movimento que o tornou um dos políticos mais queridos do país. "Queríamos superar o medo e criar uma atmosfera de abertura", diz hoje. "Apenas colocamos em prática o que as pessoas estavam pensando." Quando os tanques chegaram, Císar também teve de deixar sua posição no governo. Mais, tarde passou a sobreviver como varredor de rua.
Depois que a Primavera de Praga foi derrotada, a Tchecoslováquia caiu no silêncio. "A devastação mental e moral através do ‘processo de normalização’ foi o pior, mais do que a própria invasão", diz Vojtech Mencl, encarregado de analisar os eventos entre 1967 e 1970 pelo novo governo democrático pós-1989. "A covardia moral tornou-se pré-requisito para a vida privada, a política era vista como suja e perigosa."
O resultado, diz ele, foi que as coisas ficaram praticamente calmas em Praga, diferentemente de Budapeste ou Varsóvia, até novembro de 1989. A "Revolução de Veludo" da Tchecoslováquia não começou até que o Muro de Berlim fosse finalmente derrubado.
Depois de 1989, os regimes comunistas gradualmente entraram em colapso. Entre os reformistas da Tchecoslováquia de 1968, apenas Dubcek assumiu um pequeno papel político na nova revolução - mas os ideais da Primavera de Praga foram deixados para trás. Os novos líderes em Praga viram os socialistas de 68, já velhos, como sonhadores que haviam sacrificado suas vidas por um experimento fadado ao fracasso. O acadêmico Eduard Goldstücker, membro eslovaco da geração de 68, notou com decepção que a Primavera de Praga foi "enterrada" duas vezes: uma depois de 21 de agosto de 1968, e novamente depois do outono de 1989.
Terceiras vias
Os tchecos e eslovacos, em resumo, estavam cansados de experimentos. Eles queriam a liberdade - e sobretudo a prosperidade - do Ocidente o mais rápido possível. Foram liberais como Václav Klaus, atual presidente da República Tcheca, que levaram o país para uma nova direção. Klaus não acreditava em uma "terceira via" moderada, numa síntese do comunismo com o capitalismo como Dubcek havia imaginado. "Todas as terceiras vias levaram ao terceiro mundo", disse Klaus certa vez.
Dubcek, ícone da Primavera de Praga, atingiu uma fama breve por fim. Nos excitantes dias de novembro de 1989, ele ficou ao lado do presidente Václav Havel, então recém-eleito, em uma varanda sobre a Praça Wenceslas em Praga, recebendo a aclamação das multidões. Dubcek, de 68 anos, tornou-se então porta-voz da Assembléia Federal, um cargo simbólico sem poder político. O novo herói da época era Havel, escritor e dramaturgo que se tornou uma figura política só depois de 1968. Em 1977, Havel foi co-autor do "Charter 77", um manifesto contra os abusos aos direitos humanos no governo comunista da Tchecoslováquia.
Em 1º de setembro de 1992, Alexander Dubcek viajava de carro de Praga para Bratislava como passageiro. Cerca de 90 quilômetros do meio do caminho, próximo à cidade de Humpolec, o BMW saiu da estrada. Era um trecho estreito da estrada e o tempo estava bom - o que é estranho, diz seu filho Pavol.
O herói tragico da Primavera de Praga ficou gravemente ferido no acidente e morreu dois meses depois. Alexander Dubcek, ainda uma figura popular em seu país, está enterrado no principal cemitério de Bratislava.
Tradução: Eloise De Vylder

do Der Spiegel

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32% das cidades encolheram em 8 anos

 

Entre os anos de 2000 e 2007, enquanto a população brasileira cresceu, 1.747 municípios brasileiros perderam gente
É o caso de, principalmente, cidades pequenas, que cederam habitantes para regiões metropolitanas ou localidades de médio porte

Duda Pinto/Folha Imagem

O frigorífico Armour, que, fundado por ingleses em bairro que levou seu nome em Santana do Livramento (RS), fechou em 1999

ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO
Na contramão de um país que ainda cresce, 1.747 municípios brasileiros (32% do total) perderam população de 2000 a 2007. São, principalmente, cidades pequenas -com menos de 10 mil moradores-, que cederam habitantes para regiões metropolitanas ou localidades de médio porte mais industrializadas e com mais ofertas de emprego ou estudo.
Além dessas cidades que encolheram, outras 1.799 (33% do total) registraram no período crescimento meramente vegetativo, inferior a 1% ao ano. Isso indica que elas também têm saldo migratório negativo (cedem mais população do que ganham), mas ainda crescem porque o número de nascimentos supera o de mortes e compensa a perda por emigração.
As comparações são feitas utilizando o Censo Demográfico de 2000 e a Contagem da População de 2007, realizados pelo IBGE. Os Estados onde há maior proporção de municípios que estão encolhendo são os da região Sul, especialmente Rio Grande do Sul e Paraná.
Apesar de o fenômeno ser mais intenso no Sul, um mapa feito pelo IBGE que identifica todos os municípios brasileiros pela taxa de crescimento ou diminuição mostra que há regiões em vários Estados que estão perdendo população.
Isso acontece no sul da Bahia, no Vale do Ribeira (sul de São Paulo e norte do Paraná), no oeste de Goiás e até em algumas regiões do Norte do país -onde o crescimento demográfico é mais intenso.
Filhos
No caso da região Sul, onde a proporção de municípios que encolhem é maior, o coordenador de População e Indicadores Sociais do IBGE, Luiz Antônio Pinto de Oliveira, destaca que o enfraquecimento da agricultura familiar e o crescimento da agroindústria e da industrialização são os fatores que levam essas áreas a perder população.
"Nas pequenas propriedades, as famílias já não seguram os filhos em suas terras. Eles migram para regiões metropolitanas ou pólos regionais industriais em busca de melhores ofertas de emprego e de mais acesso a serviços de saúde e educação", diz Oliveira.
Ricardo Cardoso, estatístico do IBGE, lembra também que o processo de mecanização da colheita tem contribuído para diminuir a oferta de empregos em áreas cuja economia é basicamente agrícola.
Além do impacto econômico negativo por causa da perda da mão-de-obra, esses municípios que encolhem acabam também perdendo recursos de transferências governamentais, já que várias fontes de financiamento, especialmente o Fundo de Participação dos Municípios, levam em conta o número de habitantes para definir quanto cada prefeitura receberá.
Real valorizado
No Rio Grande do Sul, o economista José Antônio Alonso, da Fundação de Economia e Estatística (órgão do governo gaúcho), diz que, além da crise das pequenas e médias propriedades agrícolas, nos últimos anos tem contribuído para o esvaziamento populacional em várias cidades a valorização do real, já que os produtos dos países vizinhos acabam ficando muito mais baratos, o que desestimula a indústria.
"Em algumas cidades na divisa com o Uruguai e a Argentina, o comércio é a única atividade que restou depois que as indústrias desapareceram", afirma.
O economista aponta também que, no caso da região sul do Estado, contribui para o esvaziamento populacional o fato de a agricultura ser dependente de poucos produtos.
"É uma região quase de monocultura. No passado, dependia apenas de gado e de lã. Depois, a lã foi perdendo a força e dando lugar ao arroz. Essa área tem recebido alguns investimentos, mas eles são de longa maturação e, no curto prazo, acredito que ainda serão insuficientes para alavancar a região", diz Alonso.

Folha de S. Paulo - 7/7/08

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