Marx hoje

Armando José

Homens e máquinas
Em 1844, portanto há exatos 163 anos, Marx escreveu em seu livro “Manuscritos Econômico-Filosóficos”: “A divisão do trabalho acarreta a concorrência não só dos homens, mas também entre máquinas. Posto que o trabalhador baixou à condição de máquina, a máquina pode enfrentá-lo como concorrente”. [MARX, K. Manuscritos Econômico-Filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2004, p. 27] Se isto era verdade em 1844, o que vemos é que ainda mais verdade nos dias de hoje. Olhe ao redor: na maioria das empresas, trabalhadores de setores como os administrativo e produtivo atuam como apêndices de sistemas de gestão de produção, de gestão empresarial, de gestão de relação com clientes, entre muitos outros. A criatividade humana foi reduzida àquela necessária à alimentação de sistemas, posto que tudo hoje só pode ser feito através de sistemas. Você pode achar que sem sistemas as empresas não sobreviveriam, mas o fato inegável é que, como Marx aponta, uma vez que o ser humano baixou à condição de máquina, agora a máquina o enfrenta como concorrente. Quer um exemplo disso? Sistemas como o de escrituração contábil e a nota fiscal eletrônica estão promovendo a demissão maciça de contadores na maioria das grandes organizações. Talvez você acredite que isso é um sinal do “progresso”. Mas essa visão de mundo ignora que máquinas executam rotinas e são incapazes de criar o novo. E sem o novo, as organizações se acomodam perigosamente face a uma realidade sempre mutável. Qual será o resultado isso? Espere para ver. Vamos falar mais sobre o impacto da máquina na criatividade humana.

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