Arquivo de 9 de Julho de 2008

Relatório secreto afirma que agrocombustíveis causaram a crise alimentar

 

09/07/2008
Do The Gardian
Os agrocombustíveis forçaram em 75% a subida dos preços globais dos mstbaralimentos - valor bem mais alto do que se havia estimado previamente - de acordo com um relatório confidencial do Banco Mundial obtido pelo jornal The Guardian.
A avaliação condenadora, e que não foi publicada, é baseada na análise mais detalhada da crise até agora, realizada por um economista de um respeitado corpo financeiro global: Don Mitchell, economista sênior no Banco Mundial
Os números contradizem enfaticamente as reivindicações do governo dos EUA de que os agrocombustíveis contribuem com menos de 3% da alta dos preços dos alimentos. Este dado aumentará a pressão sobre os governos de Washington e da Europa que voltaram-se para os agrocombustíveis para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e para reduzir sua dependência no petróleo importado.
Fontes superiores do setor de desenvolvimento do BM acreditam que o relatório, concluído em abril, não foram publicadas para evitar um embaraço ao presidente George Bush. "O relatório colocaria o Banco Mundial em um ponto político quente com a Casa Branca " disse ontem uma destas fontes.
A notícia chega em um momento crítico nas negociações mundiais com respeito à política dos agrocombustíveis . Os líderes dos países industrializados G8 encontram-se na próxima semana em Hokkaido, Japão, onde discutirão a crise alimentar sob forte campanha dos militantes contra agrocombustíveis que chamam para uma moratória no uso de combustíveis derivados de planta.
Este dados também irão exercer pressão sobre o governo britânico, que está para liberar seu próprio relatório sobre o impato dos agrocombustíveis, o relatório Gallagher. O The Guardian já relatou antes que o estudo britânico indicará que os agrocombustíveis tiveram um papel "significativo" em aumentar os preços dos alimentos para níveis recorde.
Embora se esperasse sua divulgação na semana passada, o relatório ainda não foi liberado ainda.
"Os líderes políticos parecem intencionados a suprimir e ignorar as fortes provas de que os agrocombustíveis são um fator central na subida recente do preço dos alimentos, " disse Robert Bailey, conselheiro da política da Oxfam. " É imperativo que nós tenhamos o quadro completo
desta situação. Enquanto os políticos se concentram em manter os lobbies da indústria felizes, os povos em países pobres não têm recursos suficientes para comer."
O aumento dos preços dos alimentos empurraram 100 milhões de pessoas no mundo inteiro para abaixo da linha da pobreza, segundo estimativas do Banco Mundial, e acenderam e foram a causa de motins de Bangladesh ao Egito. Os ministros do governos aqui descreveram os altos preços dos
alimentos dos combustíveis como "a primeira crise econômica real da globalização".
O presidente Bush relacionou os altos preços dos alimentos a uma demanda maior da India e da China, mas o estudo que vazou do Banco Mundial desafia esta explicação: " O crescimento rápido da renda em países em desenvolvimento não conduziu aos grandes aumentos no consumo global da
grão e não foi um fator central responsável dos grandes aumentos dos preços."
Mesmo as secas sucessivas na Austrália, calcula o relatório, tiveram um impacto marginal. Em lugar disso, o relatório discute que a movimentação da UE e dos EUA para agrocombustíveis teve, de longe, o maior impacto no abastecimento e nos preços da cadeia alimentar.
Desde abril, toda a gasolina e diesel no Reino Unido tem de incluir 2.5% de agrocombustíveis . A UE tem considerado aumentar esta meta para 10% em 2020, mas esta sendo confrontada com mais e mais evidências de que isso irá agravar ainda mais a alta dos preços dos alimentos.
"Sem o aumento no uso dos agrocombustíveis, os estoques globais do trigo e do milho não teriam declinado consideravelmente e o aumento dos preços devido a outros fatores teriam sido moderado", diz o relatório. A cesta básica dos preços de alimentos examinados no estudo aumentou em 140% entre 2002 e fevereiro de 2008. O relatório estima que preços mais altos da energia e dos fertilizante reponderam por um aumento de somente 15%, enquanto os agrocombustíveis foram responsáveis por 75% de salto nos preços durante esse período.
relatório discute que a produção de agrocombustíveis distorceu mercados de alimentos de três maneiras. Primeiramente, desviou a grão de alimento para combustível, com mais de um terço do milho dos E.U.A sendo usado hoje para produzir etanol e sobre a metade dos óleos vegetais na União Européia sendo utilizados para a produção de biodiesel. Em segundo, os fazendeiros foram incentivados reservar terras para a produção de agrocombustíveis. Em terceiro lugar, os agrocombustíveis deflagraram a especulação financeira nos grãos, levando os preços ainda mais para cima.
Outras revisões da crise alimentar observam o fenômeno desde um período mais ampliado, ou não ligaram estes três fatores, e desta forma, chegaram em estimativas menores sobre o impato dos agrocombustíveis .
Mas o autor do relatório, Don Mitchell, é um economista sênior no Banco Mundial e fez uma análise detalhada, mês a mês, do impulso nos preços dos alimentos, o que permite um exame muito mais próxima da ligação entre agrocombustíveis e a cadeia alimentar.
O relatório indica que os agrocombustíveis derivados da cana-de-açúcar, como o etanol no qual o Brasil se especializa, não tiveram um impacto tão dramático.
Os apoiadores dos agrocombustíveis discutem que estes são uma alternativa ?mais verde? à dependência do petróleo e outros combustíveis fósseis, mas mesmo este argumento vem sendo questionado por alguns peritos, que argumentam que isso não se aplica à produção de etanol dos
E.U.A.
" É claro que alguns agrocombustíveis têm impactos enormes sobre os preços dos alimentos, " disse ontem à noite o Dr. David King, ex-conselheiro científico principal do governo, "Tudo que estamos
fazendo apoiando isto é continuar subsidiando os altos preços dos alimentos enquanto não fazemos nada para lidar com as mudanças climáticas?.

Comentários

Artistas se solidarizam com MST

09/07/2008

“As ONG´s que militam na defesa dos direitos humanos e a sociedade civil organizada receberam com perplexidade e preocupação a informação de que o Governo do Estado do Rio Grande do Sul através de seu procurador deu entrada na Justiça com pedido de ilegalidade e encerramento das atividades do MST.

A democracia recente existente no Brasil após mais de duas décadas de obscuridade não comporta que os movimentos sociais que buscam melhores condições de dignidade aos cidadãos brasileiros sejam criminalizados por contrariar interesses econômicos transnacionais ou áulicos defensores de modelos neoliberais

A luta do MST pela terra é motivo de orgulho para todos os brasileiros que defendem igualdade de oportunidade a todos e que pensam em um projeto para o Brasil que seja capaz de acolher seu povo com prioridade em relação aos projetos econômicos hegemônicos.

Aos companheiros do MST nossa solidariedade, respeito e a certeza de que essa luta sempre será para valer”.

Dira Paes
Diretora Geral
Movimento Humanos Direitos

Integrantes da organização:

Adair Rocha
Aroeira
Bete Mendes
Bruno Cattoni
Camila Pitanga
Carla Marins
Carlos Vereza
Cássia Reis
César Guerreiro
Chico Diaz
Clarice Niskier
Clarisse Sette
Cristiane Costa
Cristina Pereira
Daniel C. de Souza
Daniel Negri
Dedina Bernadelli
Dira Paes
Eduardo Tornaghi
Emilio Gallo
Generosa de Oliveira
Íris Gomes da Costa
Klaus Deueche Rabello
Leonardo Vieira
Letícia Sabatella
Luciana Lopes
Luiz Fernando Lobo
Maria Zilda
Marcos Frota
Marcos Winter
Mario da Paixão Taurinho
Miriam Rezende
Osmar Prado
Otto
Pepita Rodriguez
Ricardo Rezende
Salete Hallack
Silvia Buarque
Vic Militello
Virginia Berriel
Wagner Moura
Zezé Polessa

MST

Comentários

Pita, Nahas e Daniel cantam: Stayin´ Alive

Comentários

O teatro do doutor Cabral custa caro

Elio Gaspari

——————————————————————————–
O enfrentamento não é com os bandidos, é com o “outro”, o cidadão que perde seus direitos para a marquetagem
——————————————————————————–

O QUE HÁ NO Rio de Janeiro não é uma crise da política de enfrentamento do governador Sérgio Cabral, é a crise da marquetagem do doutor Cabral. Montou-se um teatro, como se a política de segurança pública da cidade fosse um seriado de televisão. A bem da justiça, reconheça-se que nessa arte Cabral não é o único diretor de cena. É apenas o de maior desempenho.
Em menos de um mês, a cidade teve três crimes chocantes. Todos envolveram agentes da ordem e neles se misturaram elitismo, demofobia e inépcia. O que faltou foi polícia.
Primeiro foi a chacina da Mineira. Um tenente e dez militares do Exército entregaram três cidadãos a uma quadrilha de traficantes e assassinos. À primeira vista, havia no morro da Providência uma ação federal de segurança. Coisa de Nosso Guia. Muita gente boa parecia viver seu momento Tropa-de-Elite: afinal o Exército subira o morro. Teatro. O Exército dava segurança aos trabalhadores das empreiteiras (em cujo plantel o “movimento” tinha uma cota). Há dezenas de obras sem Exército nos morros do Rio. Se isso fosse nada, o desfile era parte do book do senador Marcelo Crivella.
O Comando do Leste confunde cidadãos com “elementos”, mas vá lá. Difícil será entender porque escalava para o morro da Providência um jovem tenente que morava nas fímbrias das favelas Águia de Ouro e Fazendinha, em Inhaúma. Um primo de sua mulher já estivera preso por tráfico de drogas. Não se deve julgar um oficial saído da Academia das Agulhas Negras pelo seu padrão residencial, muito menos pela parentela. No entanto, uma boa política de recursos humanos recomendaria, em benefício do jovem tenente, que ficasse longe do morro.
Dias depois, o guarda-costas do filho de uma procuradora matou um jovem com um tiro no peito numa briga de porta de boate. O assassino é um PM que trabalha há oito anos na segurança de procuradores do Estado. Ele estava havia sete com a família. Nenhum serviço policial sério mantém agentes numa atividade desse tipo durante oito anos. Um guarda-costas com sete anos de casa não é mais um agente policial, é um agregado.
Tanto no morro da Providência como na porta da boate Baronetti os crimes foram antecedidos por falhas de gente que está em cargos de comando ou chefia.
Os PMs que mataram o menino João Roberto Amorim Soares achavam que estavam numa cena de enfrentamento, na qual só um lado atira. Decidiram que havia bandidos no carro da família Soares, assim como o tenente da Providência decidiu que a galera da Mineira deveria dar um “susto” na sua carga. O enfrentamento dessa gente não é com os bandidos. É com o “outro”, um cidadão que repentinamente perde seus direitos em nome de um estado de emergência produzido pela administração do medo a serviço da marquetagem política.
Nenhuma pessoa de bom senso pode achar que está mais segura numa cidade onde um coronel da PM (Marcus Jardim) disse que 2007 deveria ser “o ano dos três Ps: Pan, PAC e Pau”. Esse mesmo representante das forças da ordem presenteou um funcionário da ONU com uma miniatura do “Caveirão”. É perigosa qualquer cidade onde o governador diga que uma favela é “fábrica de marginais”.
Acreditar que os enfrentamentos da polícia de Sérgio Cabral têm algo a ver com uma política de segurança pública é correr atrás do papel de bobo.

Folha de S. Paulo - 9/7/08

Comentários

Inflação dos mais pobres é a mais alta desde 2004

Embora a inflação para as famílias brasileiras com rendimentos entre 1 e 2,5 salários mínimos mensais (de R$ 415 a R$ 1.037) tenha desacelerado em junho, fechando o mês em 1,29%, depois de alta de 1,38% em maio, o resultado do Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1) acumula nos últimos 12 meses elevação de 9,11%, a maior já registrada desde 2004, quando o índice começou a ser calculado.

Somente no primeiro semestre deste ano a taxa teve elevação de 5,97%. Os dados foram divulgados ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O avanço nos preços dos alimentos, que correspondem a 40% no cálculo do IPC-C1, foi a principal pressão para o resultado acumulado desde junho do ano passado. Na passagem de um mês para o outro, o grupo recuou de 2,85% para 2,50%, mas, considerando o acumulado nos últimos 12 meses, os preços passaram de alta de 17,01% em maio para 18,88% em junho.

As maiores pressões foram exercidas pelo arroz branco (26,03% para 45,78%), feijão Carioquinha (119,31% para 137,51%), batata-inglesa (2,32% para 19,39%) e carnes bovinas (32,87% para 44,13%).

Também contribuíram para o acréscimo da taxa do IPC-C1 nos últimos 12 meses os grupos habitação (2,05% para 2,32%), saúde e cuidados pessoais (3,54% para 4,04%) e vestuário (4,84% para 5,43%).

Na primeira classe de despesa, o destaque de junho ficou com o item gás de bujão, que passou de uma elevação de 3,15% para 5,01%, enquanto no grupo saúde e cuidados pessoais, o destaque foi do item medicamentos em geral, que passou de 3,55% em maior para 4,02% em junho.

Por fim, o item roupas (de 3,44% para 4,64%) respondeu majoritariamente pelo acréscimo da taxa do grupo vestuário. A taxa do grupo transportes repetiu em junho a taxa acumulada em 12 meses até maio, que foi de 2,52%. Contribuíram para a estabilidade o recuo do item gasolina (-1,82% para -1,99%) e tarifas de ônibus interurbano (3,06% para 3,34%).

Em contrapartida, os grupos educação, leitura e recreação (5,04% para 4,79%) e despesas diversas (4,94% para 4,60%) registraram decréscimos em suas taxas de variação em 12 meses. Os itens que mais contribuíram para esse movimento foram material escolar, inclusive livros, (8,07% para 7,39%) e alimento para animais domésticos, que recuaram de 8,26% para 7,13%. (Agências noticiosas)

Valor Econômico - 8/7/08

Comentários