Arquivo de 14 de Julho de 2008

Memória e esperança

As revoluções aspiram ao poder para transformar a realidade; em 1968, o que se queria transformar era a realidade do poder

por Franklin Leopoldo e Silva

O século 20 conheceu formas de poder opressivas e violentas contra as quais as pessoas se rebelaram em nome da liberdade e da dignidade, alcançando por fim vitórias que custaram o sacrifício de muitas vidas. Como a coragem e o heroísmo superam a morte, podemos dizer que nesse caso os mortos venceram. O século 21 provavelmente conhecerá formas dissimuladas de opressão em que os indivíduos entregarão seus corpos e suas almas a poderes cuja violência já estará instalada dentro deles e à qual, portanto, não poderão fazer qualquer oposição. Como a resignação, o conformismo e o egoísmo valem menos que a vida, podemos dizer que, nesse caso, sobreviver será uma derrota, a ser partilhada num mundo de mortos-vivos.  O poder se transforma para manter a sua inflexibilidade. O poder nos transforma graças à flexibilidade de nossas convicções. O poder triunfa quando renunciamos a qualquer convicção, quando perdemos a força de persistir e, assim, de podermos ser derrotados. Se assumimos que já não há grandes causas a defender, estamos cientes de que não seremos derrotados porque já o estamos de antemão. Do risco da derrota à incorporação da passividade o caminho é o silenciamento de tudo que em nós clamaria pela humanidade. Não há estrada mais segura para levar ao desaparecimento da política e à dissolução da ética: um caminho onde nos perdemos dos outros e de nós mesmos. 

Quando já não há mais nada a esperar, nos ajustamos ao vazio e, num mundo deserto, nos dispomos a carregar o fardo da inutilidade, esperando que a existência histórica nos seja leve. A vida contemporânea é principalmente um processo de conformação, em que tudo nos impede de perceber e de pensar a possibilidade de transformação, apesar de vivermos num mundo em que as novidades nos assolam: o progresso nos aprisiona no próprio ritmo em que nos conduz. 

Redesenhar o futuro

O ano de 1968 marca o último episódio em que pudemos crer na possibilidade de desenhar o mapa do futuro. Suas linhas não eram nada precisas, a mão não possuía a firmeza e a segurança da maturidade, o pensamento não era claro, a vista se dividia entre a realidade e o sonho, mas o coração era sensível à esperança e tudo isso fundamentava a certeza simples de que o devir histórico continha a transformação e se definia pela expectativa de que todos poderiam tornar-se outros e que o mundo se tornaria outro porque nada do que existia era suficientemente forte para resistir à história e ao futuro. 

Não havia, na verdade, projeto político definido de reestruturação objetiva da sociedade e do poder. Havia, evidentemente, as afirmações protocolares dos militantes, as teses dos partidos, as análises teóricas das práticas reais e possíveis, até a projeção de utopias. Mas seria preciso ser Deus para ver com clareza a própria recriação do mundo. Não há nada de estranho em assumir um compromisso pelo qual se engaja na incerteza, se a ação é inspirada pela liberdade e pela vontade de enfrentar todas as contingências. Não se trata apenas de imaginar um mundo possível, mas de considerar que a aventura humana pode transgredir as possibilidades e, mesmo que de tudo isso resulte uma realidade menor do que o intento, a tentativa terá valido a pena. 

Exigência radical

O que havia de grandiosamente impossível na base de tudo que se queria fazer não eram reivindicações implausíveis ou irrealistas. Era algo mais radical: a completa transformação do poder. As revoluções costumam aspirar ao poder para transformar a realidade; em 1968 o que se queria transformar era a realidade do poder. Não se pretendia o seu alargamento, a expansão de seu alcance inclusivo, a modificação de seus dispositivos, a sua redistribuição, a renovação de seu modo de ser e de operar. O que se pretendia era o poder de transformar o poder. Essa visão momentânea e ofuscante do que estava além de todas as possibilidades não pode ser explicada nem mesmo por aqueles que estiveram mais diretamente presentes ao acontecimento. Porque essa transformação do poder não poderia consistir em lhe dar nova forma, mas em instalar uma tal reciprocidade entre vida e poder que tornasse impossível conceber o fluxo da experiência humana sem essa impregnação, de tal modo que viver e poder coincidissem num permanente processo de reinvenção da realidade, por parte de todos, isto é, de cada um segundo a sua singularidade. 

Seria fastidioso enumerar os pontos em que essa idéia - ou esse sentimento, porque também essa dicotomia teria que ser revolucionada - contrariava todos os elementos de todos os cânones culturais e políticos. Mas isso nos permite avaliar, de forma aproximativa e imprecisa, como estamos longe de 1968. A distância cronológica de 40 anos contrasta com a distância política, que provavelmente sequer possamos medir. 

Se isso era realizável, plausível ou possível é o que menos importa saber. A força de um propósito e a liberdade que o anima não se medem pela sua realização, mas pela intensidade do impulso que os originou. Em todo e qualquer esforço para compreender o que se passou em 1968, algo permanecerá sempre velado, até porque assim já estava na época. Essa parcela de obscuridade faz parte da ação histórica e é tanto maior quanto mais significativa ela tenha sido. Os momentos históricos podem ser reconstruídos de várias formas, mas eles somente revelam nessa reconstrução aquilo que somos capazes de ver. Por isso, são inúteis e inválidas, quando não são desonestas, as tentativas de compreender 1968 através de procedimentos retrospectivos que procuram sobrepor ao acontecimento componentes da situação presente. Que lá houvesse intenções manipuladoras, trajetórias políticas com rota própria, interesses alheios ao espírito do movimento, grandes equívocos, tudo isso estava de fato presente, como elementos divergentes que confluíam contraditoriamente, como ocorre nos eventos históricos. Mas nada disso abala a originalidade do acontecimento, antes integra o seu teor dramático.

Resistência da memória

Tampouco é pertinente estabelecer certas relações de continuidade ou de contrariedade entre 1968 e o curso que a história tomou desde então, no que concerne a eventos e personagens. É difícil e perigoso falar, nesse caso, de "desdobramentos". O que 1968 projetou foi tão radical que qualquer caminho histórico posteriormente percorrido e que se queira vincular ao acontecimento como resultado ou herança corre o risco de parecer insignificante. O significado do acontecimento, que se torna cada vez mais difícil avaliar à medida que o tempo passa, certamente superou os fatos particulares e os protagonistas efetivos. Cada vez que "comemoramos" 1968, o esquecimento e a distorção comparecem como convidados indesejáveis, mas obrigatoriamente presentes. 

A memória, como se sabe, é a arma dos resistentes. Nesse sentido, aqueles que propõem o total esquecimento de 1968 estariam, talvez, prestando um serviço à História, à revelia de si mesmos. Pois o empenho com que propõem que o acontecimento seja apagado e desprezado é um testemunho evidente de que algo ali se passou que seria conveniente esquecer por completo. Algo que não deveria ter acontecido. E que foi tão importante que não basta que tenha sido derrotado: teria que desaparecer da memória e da história. Ora, isso é razão suficiente para que, apesar de todas as dificuldades, preservemos a memória de 1968. Porque, se os episódios de barbárie devem ser lembrados para que não sejam repetidos, os episódios em que a história se encheu de liberdade e esperança devem ser lembrados sempre, para que, eventualmente, possamos, não repeti-los, mas tentar fazer com que vença, em outro momento e de outra maneira,  a esperança dos vencidos.

Franklin Leopoldo e Silva é professor titular do Departamento de Filosofia da USP

Revista Cult

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Gilmar Mendes critica Tarso e diz que não tem medo de impeachment

WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para a Folha Online

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, rebateu nesta segunda-feira as declarações do ministro Tarso Genro (Justiça), que criticou a decisão do Supremo de mandar soltar o banqueiro Daniel Dantas na última sexta-feira (11). Segundo Mendes, Tarso não teria “competência” para opinar sobre o assunto.

“Eu não tenho nenhum conhecimento da crítica do ministro [Tarso Genro] a respeito. E ele não tem competência para opinar sobre o assunto”, afirmou Mendes, em São Paulo.

No sábado (12), Tarso disse que a soltura de Dantas cria a possibilidade de ele deixar o país, fugindo assim de uma de nova prisão. “A possibilidade [de fuga] realmente existe”, afirmou.

Investigado na Operação Satiagraha por suposta tentativa de suborno e prática de crimes financeiros, Dantas foi preso duas vezes na semana passada, mas foi solto beneficiado por decisões do presidente do STF.

A decisão de Gilmar Mendes provocou vários protestos de juízes federais, delegados federais e procuradores da República, que questionaram o posicionamento do presidente do Supremo.

Questionado sobre a possibilidade de impeachment –a Procuradoria Regional da República estuda fazer um abaixo-assinado solicitando o impeachment de Mendes–, o ministro afirmou que não tem medo de “retaliação”.

“Não tem nenhum cabimento [o impeachment]. Eu compreendo que os procuradores fiquem contrariados com a eventual frustração de algum resultado de seu trabalho. Mas isso não justifica nenhuma outra medida. Eu não tenho nenhum medo desse tipo de ameaça e retaliação.”

Mendes disse ainda que não é “natural” que o Judiciário questione uma decisão do Supremo, mas disse que, caso isso ocorra, o STF tem mecanismos para se defender. “Não é natural que haja isso, até porque temos uma estrutura hierarquizada de justiça. Mas se houver, nós temos os mecanismos conhecidos da reclamação e da própria ação de habeas corpus.”

Para o presidente do Supremo, não há ganhadores nem perdedores na suposta crise deflagrada entre a Polícia Federal e o STF. “Não há ganhadores nem perdedores. Nós temos uma estrutura definida no texto constitucional que cabe ao Supremo guardar e zelar pela Constituição em última instância. Ele acerta e erra por último”, afirmou.

Folha Online

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Suposto braço direito de Dantas se entrega à PF em São Paulo

DEH OLIVEIRA
colaboração para a Folha Online

Foragido desde que a Polícia Federal iniciou as prisões da Operação Satiagraha, o suposto braço direito do banqueiro Daniel Dantas, Humberto Braz, se entregou neste domingo à PF em São Paulo.

Braz é acusado pela PF de tentar subornar policiais a fim de tirar o nome de Dantas das investigações da operação.

Segundo informações da polícia e do advogado de Braz, Renato de Morais, ele foi transferido hoje, por volta das 13h, para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos.

A PF informou que ele foi transferido porque sua prisão é preventiva, e que o mesmo não ocorreu com Hugo Chicaroni, que continua preso na Superintendência da PF em São Paulo, por decisão da Justiça.

Depoimento

Daniel Dantas, do Opportunity, vai prestar depoimento na Superintendência da Polícia Federal de São Paulo nesta quarta-feira (16). A data foi acertada na última sexta-feira entre a PF e a defesa do banqueiro, investigado na Operação Satiagraha, por suposta tentativa de suborno e prática de crimes financeiros.

Dantas foi preso duas vezes na semana passada, mas foi solto beneficiado por decisões do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes. A primeira prisão foi decretada pelo juiz federal Fausto Martins de Sanctis, 6ª Vara Criminal da Justiça Federal, em São Paulo, na última terça-feira (8), quando foi deflagrada a operação. A defesa do banqueiro recorreu ao STF e, no dia seguinte, Gilmar Mendes concedeu o primeiro habeas corpus.

Cerca de dez horas depois que Dantas deixou a carceragem da Superintendência da PF em São Paulo, o mesmo juiz federal decretou novamente a prisão de Dantas, desta vez preventiva, com base em documentos apresentados pela PF e pela Procuradoria. Um depoimento também reforçou o pedido de prisão por tentativa de suborno.

Segundo a Procuradoria, Hugo Chicaroni, também preso na operação, confessou em depoimento os preparativos da tentativa de suborno de um delegado federal para que o nome de Dantas e de integrantes da sua família fosse retirado de um inquérito da PF sobre supostas operações ilícitas. A defesa de Chicaroni nega.

Dantas voltou à prisão e a defesa do banqueiro recorreu novamente ao STF. Apesar das novas provas, Gilmar Mendes concedeu novo habeas corpus na sexta-feira à tarde. O banqueiro foi solto e teria voltado ao Rio de Janeiro, onde mora.

A decisão de Gilmar Mendes provocou vários protestos de juízes federais, delegados federais e procuradores da República, que questionaram o posicionamento do presidente do Supremo.

No sábado, o ministro Tarso Genro (Justiça) disse que a soltura de Dantas cria a possibilidade de ele deixar o país, fugindo assim de uma de nova prisão. “A possibilidade [de fuga] realmente existe”, disse.

Além de Dantas, foram presos durante a operação o investidor Naji Nahas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e mais 14 pessoas. Com exceção de Hugo Chicaroni, que continua preso, todos já foram soltos.

Investigações

Segundo a PF, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.

Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.

Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda teriam descoberto que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.

Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios, inclusive, do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).

Folha Online

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Crise dos alimentos já era prevista, diz agricultora

por Michelle Amaral da Silva —

Para Maria Cazé, da coordenação nacional do MPA, o modelo comercial de agricultura nunca conseguiu atender a demanda da população por alimento. Camponeses querem mais investimento dos governos na pequena agricultura

10/07/2008

Raquel Casiraghi

Agência Chasques

A crise dos alimentos que atinge hoje todo o mundo já era prevista pelos camponeses. Isso porque a agricultura comercial, o conhecido agronegócio, nunca atendeu a demanda da população por comida. Para a agricultora e integrante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Maria Cazé, prova disso são os dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que mostram que o camponês responde por 70% do abastecimento do mercado interno brasileiro.

Maria Cazé defende que para produzir alimentos variados é preciso ter gente no campo, o que não é possível com o modelo de monocultura para exportação e de uma agricultura altamente mecanizada. Com a expansão do agronegócio, muitos pequenos produtores têm deixado a agricultura.

Além dos alimentos, a camponesa responsabiliza o agronegócio por outras três crises: a da energia, do meio ambiente e a social. “Toda a agricultura comercial é petrodependente, ou seja, baseada no petróleo. E com o aumento dos preços, aumentam todos os custos desta agricultura. A outra crise é ambiental, já que o agronegócio suga os recursos naturais, e deixa a terra simplesmente estéril. É impossível produzir comida, gerar renda e trabalho, se não tem mais disponível os recursos naturais. E a outra crise é a de valores, porque temos relatos de exploração no campo, o trabalho escravo”, diz.

Maria Cazé participa do Seminário Nacional da Agricultura Camponesa, que ocorre até esta sexta-feira (10) no salão de atos da Universidade Regional Integrada, no campus de Frederico Westphalen, no Noroeste gaúcho. Cerca de 300 agricultores de 17 estados debatem a proposta de valorizar a pequena agricultura como política para combater a crise dos alimentos e da energia.

Em Junho, o MPA, juntamente com a Via Campesina, entregou um documento ao governo federal em que constam propostas estruturantes para desenvolver a pequena agricultura. Entre as sugestões, está mais investimento em uma mecanização apropriada para o camponês e na estruturação de agroindústrias. “Em Junho, nós entregamos no Palácio do Planalto a nossa proposta de programas estruturantes para a produção de comida, que vai desde as agroindústrias, insumos, tecnologia apropriada e moradia. São várias questões que estão dentro de uma proposta viável, possível e barata. Certamente não utilizará nem os R$ 60 bi que o governo federal destinou para a agricultura empresarial”, diz Maria Cazé.

Brasil de Fato

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Funcionários dos Correios mantém greve

Nova tentativa de acordo entre a direção dos Correios e funcionários em greve falha. Impasse na negociação resulta na continuidade da paralisação

11/07/2008

Michelle Amaral,
da Redação

Convocados pela direção da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), membros da direção colegiada da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) participaram, nesta última quinta-feira (10), de uma reunião de negociação para resolver o impasse da greve.

Em nota divulgada, a Fentect afirma que não houve acordo com a empresa, e alega que a ECT manteve as propostas já apresentadas pelo presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Rider de Brito.

O ministro se reuniu, na última quarta-feira (09), em horários diferentes, com o presidente da ECT, Carlos Henrique Custódio, e com o secretário-geral da Fentect, Manoel Cantoara. O presidente do TST entregou um documento aos dirigentes propondo à direção da empresa a suspensão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) “exclusivamente em relação aos carteiros que prestam serviços externos, prevalecendo todas as condições anteriores”. Sendo assim, os carteiros não mais receberiam o valor linear de 260 reais, estabelecido pelo novo plano, e voltariam a receber, em julho e agosto deste ano, os 30% de abono, como antes. Para tanto, o ministro pediu o fim da greve aos trabalhadores. O documento também trata dos compromissos que a ECT e a Fentect deveriam assumir para voltar a discutir o PCCS.

Na reunião com a empresa, a Fentect conta que houve a ameaça de suspensão do ticket alimentação e da assistência médica dos trabalhadores em greve. Contudo, a Federação se comprometeu a encaminhar a proposta de acordo oferecida pelo ministro do TST, às assembléias dos sindicatos em todo o país nesta sexta-feira (11). Segundo a nota, a Fentect respeitará a decisão das assembléias e ainda destaca que acha muito positiva a tentativa do ministro Rider de procurar o caminho para o entendimento e o fim da greve.

Mais pressão

A Federação afirma que intensificará a pressão à direção da ECT, para dar mais visibilidade à mobilização dos trabalhadores, através de atos públicos, reuniões, protestos e assembléias com dirigentes de todos os sindicatos filiados.

“Tudo isso é para reforçar a luta dos trabalhadores e mostrar que a greve não interessa a ninguém a não ser a diretoria da empresa que continua tendo o mesmo lucro de todos os dias com a postagem de cartas que vão ficar esperando o fim da greve”, ressalta.

Conforme levantamento dos Correios, por causa da greve, 84 milhões de cartas e 360 mil encomendas estão com as entregas atrasadas.

Brasil de Fato -

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Em audiência na Câmara, parlamentares e entidades afirmam que “democracia está ameaçada”

Durante audiência pública sobre a criminalização dos movimentos sociais, participantes afirmam que forças conservadoras da sociedade estão em ofensiva contra o povo organizado

11/07/2008

Mayrá Lima,
de Brasília (DF)

Um ato em defesa da democracia. Assim foi considerada a audiência pública ocorrida dia 9 de julho na Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados com o objetivo de discutir a criminalização dos movimentos sociais. “Os movimentos como um todo estão respondendo a processos judiciais e ainda são desqualificados publicamente. Se antes, manifestações públicas, ocupações de terra e de moradia geravam repressão, hoje, setores do Estado respondem com a utilização indevida do judiciário para institucionalizar esta criminalização'’, disse Gilson Cardoso, representante do MNDH.

O evento reuniu representantes de entidades como Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Via Campesina, Quilombolas, Indígenas, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) em uma grande defesa à legitimidade dos movimentos sociais. O debate foi sugerido pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) e aprovado na CLP por unanimidade.

“Onda” de perseguição

O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), disse estar preocupado com uma possível “onda” de perseguição aos movimentos sociais, em especial, com o caso do MST no Rio Grande do Sul que, recentemente, sofreu represálias da Polícia Militar numa manifestação em Porto Alegre. O ministro se refere à ata do Conselho Superior do Ministério Público Federal do RS, de 3 de dezembro de 2007, em que se defende medidas para “dissolver” o MST. Dentre as formas, estão a proibição de qualquer deslocamento de trabalhadores sem-terra, incluindo marchas e caminhadas, intervenções em escolas de assentamentos, a “desativação” de todos os acampamentos do Rio Grande do Sul, a criminalização de lideranças e integrantes e a cassação dos títulos eleitorais de todos os membros do movimento.

Bode expiatório

De acordo com o ministro Vannuchi, “o país inteiro sabe da crise institucional que acomete os governantes estaduais (do RS)”. Para ele, “sempre há a tentação de repetir a velha estratégia de se eleger um bode expiatório externo que tente reunificar as forças clivadas do Governo Estadual, na medida que o vice-governador foi o protagonista de uma onde de denúncias fortíssimas”.Vannuchi sugeriu o encaminhamento da denúncia ao Conselho Nacional de Justiça.

A ata serviu de suporte para mais de oito ações contra os Sem Terra no Rio Grande do Sul, mas não só o MST sofre com as investidas da Brigada Militar.

Violência policial

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Passo Fundo (RS), Leandro Scalabrin, presente do debate, citou uma série de exemplos em que a polícia utilizou bombas de gás, bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar manifestações de mulheres camponesas, estudantes e professores.

O presidente da CLP, deputado federal Adão Pretto (PT-RS) lembrou que em outros Estados também há processos que criminalizam os movimentos sociais. No último dia 12 de junho, o juiz da Justiça Federal de Marabá (PA), Carlos Henrique Haddad, condenou o advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), José Batista Gonçalves a uma pena de dois anos e cinco meses de prisão por assessorar movimentos camponeses durante uma negociação com o Incra daquela região, logo após um protesto de agricultores sem terra organizados pela Contag, MST e Fetragri.

Ameaça à democracia

Já o representante do Conselho Federal da OAB, Antônio Augusto Brandão relatou o caso do defensor de Direitos Humanos, Roberto de Oliveira Monte. Mesmo sendo civil, Monte está sendo processado pela Justiça Militar por ter criticado a ditadura militar brasileira (veja mais em http://www.dhnet.org.br/denunciar/inqueritovil/index.htm) durante uma palestra proferida no Congresso Militar ocorrido em Natal(RN) há três anos atrás. “ Não podemos admitir a tentativa de criminalização dos movimentos sociais. Ao fazer isso, estamos contribuindo para matar o mais importante elemento subjetivo da democracia, que é de onde emerge a soberania popular”, afirmou Brandão.

Demarcações de terra

A perseguição e criminalização também se entende aos quilombolas e indígenas. De acordo com o representante do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Paulo Maldos, o caso da demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol (RR) é cercado do uso de “mentiras”. “Depois de 30 anos de luta, os índios conseguiram que aquelas terras fossem demarcadas como terras da União. Lembrem que as terras não são dos índios. Somente seis arrozeiros permaneceram e fizeram ataques com armas ao índios, que receberam a PF com coquetéis molotove minas enterradas.

Na mesma linha da demarcação, a comunidade quilombola também sofre com ações parlamentares, como o Projeto de Decreto Legislativo 44/2007, proposto pelo deputado Valdir Colatto (PMDB/PR) que pretende regulamentar o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação. “Tentam nos comparar a delinqüentes, sem o mínimo respeito a nossa condição cidadã. Muitas vezes, tentam desqualificar as comunidades quilombolas para não reconhecer e demarcar suas terras”, reclamou o representante da Coordenação Nacional de Quilombos , Damião Braga.

Solidariedade aos movimentos

Além dos deputados presentes, líderes do PT e do Psol também participaram da audiência. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e as senadoras Marina Silva (PT-AC) e Fátima Cleide (PT-RO), representando o Senado, foram prestar solidariedade aos movimentos sociais presentes. “A sociedade tem o direito de se organizar e se manifestar, sobretudo quando atuam no sentido de reparar as injustiças históricas que são cometidas contra segmentos sociais como os indígenas, os quilombolas e os trabalhadores sem terra”, disse Marina Silva, que também é ex-ministra do meio ambiente.

O líder do Partido dos Trabalhadores, deputado Maurício Rands (PT-PE) também condenou o Ministério Público do RS. “Ninguém pode ficar inerte diante dessas manifestações autoritárias. As forças democráticas não podem manter silêncio diante de tentativas reedição de intolerância da época dos governos militares”, disse.

Já para Chico Alencar (PSOL-RJ), é necessário se fazer uma “contra-ata, da liberdade e da democracia. A ata do Ministério Público diz que é preciso dissolver o MST. Pois bem, que se estenda isso aos cartéis, aos monopólios… Também queremos a extinção do MST, porque queremos que não haja mais nenhum sem-terra (no Brasil). Defendo o MST dentro dos preceitos da Constituição”, propôs.

*Com informações da Agência Brasil

Brasil de Fato- 11;7;08

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Cuidar de animal faz bem, mas pode causar dependência

Relação proporciona companhia, afeto e reduz tensão, mas exageros devem ser evitados

Médicos admitem uma relação de amor incondicional, mas alertam donos de animais quanto a isolamento e ansiedade

MÁRCIO PINHO
DA REPORTAGEM LOCAL

“Quanto mais conheço os homens, mais admiro o meu cachorro.” O tradicional slogan de adesivos de carros parece uma piada qualquer, mas é mais real do que se pensa.
Isso porque a relação entre humanos e animais de estimação, teoricamente inofensiva e prazerosa, pode também trazer prejuízos como dependência e ansiedade, dependendo da forma como se estabelece ou do comportamento do dono.
De acordo com médicos ouvidos pela Folha, essas são algumas manifestações negativas em uma relação benéfica. Além de proporcionar também afeto e diversão, os animais podem reduzir a tensão e até o batimento cardíaco das pessoas que o tocam.
Para o psicólogo da Unifesp Murilo Battisti, “pessoas com mais dificuldade no contato com o outro muitas vezes vêem no animal uma forma menos ameaçadora de fazer vínculo. Mas isso pode levar ou reforçar um isolamento”.
Ele afirma considerar normal uma relação de amor incondicional com o animal e que a pessoa o veja como um membro da família, mas que é preciso estar atendo para que a relação seja saudável.
“Essa troca pode ser muito bacana pelo exercício da afetividade”, diz Battisti.

Dentro de casa
O zootecnista e mestre em Psicologia pela USP Alexandre Rossi, diz ser comum que uma ligação muito intensa cause uma “ansiedade de separação”, pela qual a pessoa fica intranqüila ao sair de casa por preocupar-se com o animal.
A vendedora de roupas Nádia Areda Nunes, 48, que vive com seus dois “filhos” da raça samoieda -originária da Rússia-, conta que fica preocupada com um deles, Flopy, quando sai. Isso porque o cachorro também sente a distância e come partes da casa quando está só, como pedaços do painel da máquina de lavar, guarnição da porta e móveis.
Nádia mora e trabalha em seu apartamento em Cerqueira César (zona oeste da capital paulista) e diz que sai de casa quando tem que fazer alguma coisa, não se prendendo pelo animal. Entretanto, admite que gostaria de trabalhar fora e que ainda não se decidiu por isso em razão de Flopy.

Facilitando contatos
Segundo Rossi, não é algo negativo a pessoa procurar o animal ao chegar em casa.
“Ele ajuda a diminuir o estresse e facilita o contato com outras pessoas”, afirma. Na rua, os animais também são “facilitadores sociais”, pois ajudam as pessoas a se conhecerem e ainda podem servir de pretexto para cantadas manjadas.
Para a veterinária Ana Luiza Mazorra, isso é importante em uma cidade como São Paulo, em que as pessoas tendem a estar mais sozinhas, cheias de trabalho e onde muitas vivem apenas com o animal. Ela diz ter a impressão de que a relação não é tão próxima no interior.
“Aqui o animal acaba sendo usado como uma válvula de escape. Percebo uma ligação muito acentuada em alguns clientes e um medo muito grande pelo que pode acontecer com o animal. Por outro lado, tem o ponto positivo de perceberem mais facilmente sintomas simples no animal, como o fato de ele beber mais água”, diz ela.

Folha de S. Paulo - 13/7/08

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Cresce o número de infartos entre jovens

Segundo hospitais cardiológicos de SP, pessoas com menos de 40 anos representam hoje 12% dos casos; há dez anos eram 6%

Média de casos de infarto entre adultos jovens nos EUA é de 4%; médicos apontam predomínio de fumantes entre pacientes

CLÁUDIA COLLUCCI
DA REPORTAGEM LOCAL

Estressados, fumantes, sedentários e comendo mal, jovens na faixa etária entre 20 e 40 anos estão sofrendo mais infartos do miocárdio. Nos principais hospitais cardiológicos de São Paulo, eles representam, em média, 12% dos casos. Há dez anos, não passavam de 6%. Nos EUA, o índice médio de infartos em jovens é de 4%.
Não há no país uma estatística consolidada sobre esses casos, mas eles já fazem parte da rotina dos maiores serviços de emergência da capital paulista.
“Antigamente, a gente fazia festa quando chegava um infartado com menos de 40, era uma curiosidade entre os médicos. Hoje, ninguém mais estranha, virou algo comum”, diz o cardiologista Marcelo Ferraz Sampaio, responsável pela sessão de biologia molecular do Instituto Dante Pazzanese.
A cada dez dias, Sampaio atende a pelo menos um paciente que infartou antes dos 40 anos. “Há dez anos, era um por mês”, lembra. O médico fez a primeira pesquisa científica do país sobre infarto em jovens -foi publicada em revista científica internacional e ganhou prêmio- e constatou que eles representavam 11% dos atendimentos no Dante Pazzanese.
Em dois anos, o cardiologista avaliou 249 infartados com idades entre 17 e 40 anos, 60% deles com menos de 30 anos. A maioria (60%) era homem. “Hoje o jovem está no mercado de trabalho muito cedo, passa por um estresse grande.”
Um fato que chamou a atenção do médico foi a alta incidência de fumantes entre esses jovens: 91%. “Esse foi o principal fator de risco, além dos antecedentes familiares [presentes em 45% dos infartados]. É muito difícil encontrar um jovem que infartou e que não fume. E o pior é que vemos jovens de 12, 13 anos fumando.”
No HCor (Hospital do Coração), os infartados abaixo de 40 anos já respondem por 20% dos casos, e as características dos pacientes são semelhantes às do Dante Pazzanese: jovens fumantes, com histórico familiar de doença coronariana, muitos obesos, sedentários e estressados.

Drogas
Só o cardiologista Ricardo Pavanello, supervisor de cardiologia do HCor, atendeu recentemente a três casos de jovens infartados. Ele explica que a ocorrência nesse público também pode estar relacionado ao uso da cocaína.
O cardiologista Marcelo Knobel, coordenador da unidade coronariana do Hospital Albert Einstein, relata que, recentemente, atendeu a um rapaz de 33 anos, usuário crônico de cocaína, e ficou impressionado com o estado das coronárias. “O padrão é como se fosse de um idoso de 70 anos”.
No InCor (Instituto do Coração), o que chamou a atenção do cardiologista Múcio Tavares, diretor do serviço de emergência, foi o aumento de infartos entre as mulheres -14% contra 6% entre homens. “As mulheres também estão expostas aos mesmos fatores de risco dos homens e, ainda por cima, usam anticoncepcionais, que podem aumentar as chances de eventos cardíacos”, disse.
A boa notícia é que o infarto em jovens tende a matar menos porque, em geral, o coração deles é mais “saudável” e ainda não sofre de co-morbidades que afetam os mais velhos, como a diabetes e a hipertensão.
Tavares diz que no InCor o índice de mortalidade entre os jovens não chega a 1% -contra 10%, em média, no público acima de 50 anos. Mas é preciso levar em conta que em 50% dos casos as pessoas morrem antes de chegar ao hospital.
A má notícia é que o infarto deixa uma cicatriz no coração. “O jovem fica seqüelado. Tem redução da função ventrilar, diminui a contratividade, o coração bate mais fraco. E essa marca é para o resto da vida”, alerta o cardiologista Sampaio.
Não largar o cigarro pode triplicar as chances de o jovem sofrer um novo infarto, revela um estudo grego com infartados abaixo de 35 anos, em que 95% dos infartados jovens fumavam. Desses, 55% continuaram fumando e 32% sofreram novo infarto em um ano.

Folha de S. Paulo - 13/7/08

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Motorista com síndrome do “pavio curto” vai para o divã

Hospital das Clínicas de SP vai atender descontrolados com foco em trânsito

Segundo especialista, descontrole faz motoristas tentarem matar, machucar, intimidar pessoas ou até destruir carros alheios

Márcio Soares - 17.jun.08/Folha Imagem

Após incidente no trânsito, motorista da caminhonete desce com um facão para intimidar o outro motorista, que também se arma com porrete

WILLIAN VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Os telefones do Ambulatório de Transtornos do Impulso de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo não param de tocar desde que foram abertas as inscrições para o grupo que vai tratar pessoas com “pavio curto”, ou TEI (Transtorno Explosivo Intermitente).
Um sinal de que talvez elas precisem mesmo de ajuda: “quando finalmente atendidas, elas dizem que estavam a ponto de jogar o telefone na parede”, diz a psicóloga Maria Christina Lahr, que coordena o grupo.
Eles terão tratamento psicológico; se preciso, medicamentos -tudo para controlar a raiva; pois “não conseguem gerenciar emoções negativas, brigam na família, no trabalho e, claro, no trânsito”, diz Lahr, que faz um estudo paralelo só sobre o TEI entre motoristas e espera criar um grupo só para eles.
“Se ele é fechado, acha a atitude hostil, crê que todos estão ali para agredi-lo.” O resultado é que “o motorista tenta matar, machucar ou intimidar o pedestre ou outro motorista ou tenta destruir seu carro.”
De sua poltrona no escritório de interior verde-água cheirando a chá de erva-doce em uma rua tranqüila da Pompéia, Lahr lê um artigo com a descrição de um ato de fúria típico do TEI.
“O sujeito está andando em uma rodovia, quando uma mulher incauta fecha o carro dele; ele fica tão furioso que persegue a mulher, mas não quer só emparelhar o carro e xingar -quer fechá-la, fazê-la parar, tirá-la de dentro do carro e agredi-la fisicamente; não contente, tenta destruir algo que ela tem, pega seu cachorrinho e joga na pista; por fim, pega uma chave e destrói o carro dela.”
Nunca se sabe a que ponto vai chegar a raiva. A ceramista Ana Glaura Baptista, 48, que o diga. Estava na av. Rebouças às 18h, no “pára e anda” só percebeu que seu carro não dava espaço para os motoqueiros quando um deles veio com baú e tudo, viu que não passaria entre os carros, freou, foi atingindo por outro e caiu no chão.
“E aí ficou possuído, completamente “endemoninhado”, catou o capacete e bateu no vidro traseiro da Picasso”, conta. “Os motoqueiros foram rodeando. E ele, não contente, voltou e quebrou o vidro. Fiquei apavorada, achei que ia entrar no carro e me pegar.” Aos prantos, foi embora. Desde então, sempre deixa “espaço para a moto”

Asfalto selvagem
A cada ano, morrem no Brasil cerca de 35 mil pessoas por causa do trânsito, segundo a Organização dos Estados Ibero-Americanos; mais de mil só em São Paulo, onde a CET registra recordes de até 266 km de congestionamentos em que 6 milhões de veículos se arrastam nos horários de pico.
Cenário ideal para casos de barbárie como o ocorrido em maio com o estudante Alexandre Reyes, 18, na zona sul de São Paulo, quando voltava de uma festa, de carona. Um carro parou, o outro freou, houve discussão e Reyes, que era o carona, levou um tiro e morreu.
Um dia depois, um pedestre no Rio foi agredido na cabeça com uma barra de ferro, após uma discussão no trânsito. André Lima, 45, atravessava a rua com os dois filhos quando Itamar Paiva teria avançado o sinal. Esse nega, há controvérsias nas versões, mas Lima sofreu um traumatismo craniano.
Por isso, os especialistas insistem que se evite entrar em discussões no trânsito. “Você não sabe quem é, se está armado, em um contexto de estresse ou se vai descarregar a culpa em cima de você.”

Folha de S. Paulo - 13/7/08

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