Arquivo de 16 de Julho de 2008

TCU divulga relatório de auditoria sobre ONGs e OSCIPs

[15/07/2008 18:27]

Documento aponta dificuldades para definir o universo das ONGs no Brasil e encerra lições para esclarecer melhor quem são e o que fazem as organizações de cidadania ativa no Brasil

A auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) examinou a regularidade dos repasses de recursos pelo governo federal, autarquias e fundações para Organizações Não-Governamentais (ONGS) e Organizações de Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs), realizados no período de 2003 a 2006. Foi realizada a partir de requerimento de informações do senador Heráclito Fortes, em uma amostra de 26 organizações, a partir de uma série de critérios previamente estabelecidos, tais como: existência de possível emenda parlamentar destinada à organização e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas), emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, entre outros. A amostragem excluiu do universo analisado organizações classificadas como entidades de educação, de assistência e previdência de servidores, fundações de apoio credenciadas pelo MEC e cooperativas, entre outras.

A dificuldade em definir o universo das ONGs é um dos destaques do relatório. Segundo o TCU estima-se que haja cerca de 300 mil ONGs no Brasil, mas como o termo não existe juridicamente essas instituições adotam o formato de associações ou fundações por não possuírem fins lucrativos. Na amostra auditada pelo TCU estão, por exemplo, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes e a Associação Brasileira das Empresas de Turismo de Aventura, ambas associações corporativas de Minas Gerais.

O TCU reconhece que o conceito de Organização Não- Governamental “vem sendo construído pela sociedade para designar um conjunto de entidades com características próprias, (…) constituídas com determinados objetivos que têm sempre como ponto central o interesse público”. Segundo a Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong) essas instituições se distinguem das demais entidades civis sem fins lucrativos, porque exercem atividades de benefício público, excluindo as organizações civis sem fins lucrativos de benefício mútuo, ou seja, aquelas “que se dirigem apenas para seus associados, de natureza endógena, de interesses coletivos, mas não públicos.”

O universo das filiadas à Abong também pode ser definido como organizações de cidadania ativa, que realizam um trabalho de promoção da cidadania e defesa dos direitos coletivos e contribuem para o fortalecimento dos movimentos sociais visando o pleno exercício de novos direitos sociais.

Oscip é opção, não obrigação

O TCU reconhece que a qualificação de Oscip pode ser considerada um marco legal na definição e regulação das ONGs, mas que o universo qualificado como tal é ainda muito pequeno confrontado com o total de organizações não-governamentais, haja vista que a obtenção do título de OSCIP não é uma obrigação, mas uma opção da instituição.

As recomendações do relatório complementam o Acórdão nº 2066/2006 que determinou uma série de medidas ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, com vistas a dar maior transparência na transferência e aplicação de recursos públicos federais, e recomendou à Secretaria do Tesouro Nacional, o aperfeiçoamento nas normas que regem os convênios.

Entre as novas recomendações estão a alteração da Instrução Normativa da Secretaria do Tesouro Nacional IN STN 01/97, que disciplina a celebração de convênios, para que inclua a obrigatoriedade de estabelecer nos termos de convênio, os indicadores que deverão ser utilizados para a avaliação dos resultados efetivamente alcançados; a divulgação pela internet aos possíveis interessados da disponibilidade de recursos orçamentários a serem executados por meio de descentralização; e a obrigatoriedade de verificação in loco da execução física dos ajustes firmados nos casos de maior valor.

Os resultados da auditoria do TCU contém lições que podem qualificar melhor o debate público sobre a atuação das entidades não filantrópicas, esclarecendo melhor quem são e o que fazem as organizações de cidadania ativa no Brasil.

ISA, Instituto Socioambiental.

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Titulação de terras de quilombo em São Paulo atravessa seu pior momento

Brasil - ISA - Instittuto Socioambiental

[03/07/2008 12:24]

O seminário Cidadania Quilombola realizado em Registro (SP) em 27 de junho avaliou as atividades do projeto Balcão de Direitos e concluiu que o direito à terra vem sendo constantemente ameaçado por tentativas de derrubar o decreto que regulamenta esse processo e por conflitos com fazendeiros e posseiros, além da sobreposição com parques estaduais.

Aberto ao público, mas voltado prioritariamente à representantes de comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, o seminário Cidadania Quilombola realizado no Centro de Pastoral, em Registro, em 27/6, foi promovido em parceria pelo ISA, Equipe de Articulação e Assessoria às Comunidades Negras do Vale do Ribeira (Eaacone) e apoio da Secretaria Especial de Direitos Humanos, da Presidência da República, e Ajuda da Igreja da Noruega (AIN/ OD).

Representantes de comunidades quilombolas debateram seus direitos

Cerca de 60 representantes de comunidades quilombolas participaram do evento, e além daquelas parceiras do ISA, também estiveram representadas as comunidades quilombolas Pedra Preta, Ribeirão Grande, Reginaldo e Cedro do município de Barra do Turvo; Aldeia, do município de Iguape; Taquari, Santa Maria, Ex-Colônia Velha e Itapitangui do município de Cananéia; Jurumirim do município de Iporanga e Bananal Pequeno e Abrobral, do município de Eldorado. No seminário, foram distribuídos exemplares da Cartilha Cidadania Quilombola, publicação que pretende esclarecer as dúvidas mais freqüentes em relação aos direitos individuais e coletivos das comunidades remanescentes de quilombos, e está disponível para download.

A primeira parte do seminário foi dedicada ao relato das atividades realizadas pelo Projeto Balcão de Direitos no período de sua execução - junho de 2007 a junho de 2008. A apresentação reuniu os temas Recursos Hídricos, Desenvolvimento Sustentável, Patrimônio Histórico e Cultural, Gestão Associativa e titulação dos Territórios. Os participantes levantaram expressiva quantidade de dúvidas e posicões sobre a defesa do Patrimônio Histórico e Cultural quilombola, destacando o Rio Ribeira de Iguape como referência à identidade e memória de comunidades remanescentes de quilombos.

Divididos em grupos, os quilombolas fizeram sugestões de políticas públicas

Após os trabalhos em grupo para avaliação e sugestões de políticas públicas, os participantes destacaam a necessidade de o poder público se fazer mais presente na região, assim como apoiar a cultura tradicional e esclarecer melhor a função dos planos de manejo e os critérios para a realização de atividades envolvendo os recursos naturais em unidades de conservação, em especial na Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS).

Comunidades quilombolas e direitos ameaçados

A segunda parte foi dedicada ao debate “Ações para Titulação e Defesa dos Territórios” e teve a participação da advogada Michael Mary Nolan, Carlos Henrique Gomes, do Instituto de Terras de São Paulo (Itesp) e Homero Martins, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Eles falaram sobre os desafios impostos pela legislação aplicável à titulação de terras remanescentes de quilombos, confirmando as previsões de que este direito atravessa seu pior momento, desde aos ataques da mídia, na forma de reportagens contrárias à titulação, passando pelas propostas legislativas de anulação dos efeitos do Decreto nº 4887/2003, que regulamenta o processo de titulação.

Por sua vez, o Incra também passa por um momento de incerteza, já que, de acordo com o antropólogo Homero Martins, a nova instrução normativa que disciplinará o procedimento de titulação encontra-se em discussão na Advocacia Geral da União (AGU). E não há segurança de que as propostas colocadas pelas comunidades quilombolas em consulta prévia realizada entre a AGU e a Conaq (Coordenação Nacional Quilombola) sejam incorporadas ao novo texto. “O próprio Incra não tem informações quanto ao seu trâmite”, disse.

Neste clima de incertezas, comunidades quilombolas seguem enfrentando conflitos com posseiros e proprietários de terras. Representantes da comunidade Porto Velho lembraram que o laudo antropológico realizado pelo Itesp para a demarcação e titulação da área é de julho de 2003. Na época do estudo o conflito já existia. Passados cinco anos e cinco ações judiciais em andamento na Justiça Federal, pouco avançou o processo de titulação e continua a venda de áreas para plantação de pinus. A comunidade está desacreditada e sem segurança para tocar seus projetos de desenvolvimento.

Nessa linha, o Itesp busca avançar na titulação de áreas onde predominam terras devolutas, demonstrando uma falta de entrosamento com o Incra em detrimento dos processos de titulações das terras onde há conflitos com proprietários e posseiros, estando nesta situação as comunidades Morro Seco, Porto Velho, Cangume, Pedro Cubas de Cima, André Lopes, Nhunguara, entre outras. E além dos conflitos com particulares há comunidades que esperam do próprio Estado de São Paulo a solução para um antigo problema que são as sobreposições em áreas de parques estaduais, estando nesta situação as comunidades de Bombas e Ribeirão que enfrentam o debate sobre a desafetação de suas terras, inseridas no Petar (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira), e as comunidades de Barra do Turvo, que aguardam a conclusão do processo de desapropriação da fazenda Itaóca, para enfim poderem receber o titulo definitivo de suas terras.

ISA, Luciana Bedeschi.

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Centro expandido perde “uma Santos” em 11 anos

Habitação Notícias Cidade de São Paulo

Fonte: Folha de S.Paulo -

Total de moradores que deixaram a região equivale à população da cidade litorânea

Já a periferia da cidade inchou e tem 1,23 milhão de moradores a mais do que tinha em 1996; tendência preocupa urbanistas

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
DA REPORTAGEM LOCAL

RICARDO GALLO
DA REDAÇÃO

A psicóloga Elaine Martins, 43, cansou da vida na rua Cardoso de Almeida, coração do bairro de Perdizes, centro expandido de São Paulo. Depois de 12 anos de barulho da vizinha PUC, mudou-se com o marido e a mãe para uma casa no campo, num condomínio em Aldeia da Serra (Grande SP).

No outro lado da cidade, o porteiro José Orlando Inocêncio, 47, trocou o Jabaquara (zona sul) pelo distrito de Anhangüera (zona norte), na extrema periferia da capital. Ali, vive de aluguel enquanto constrói a primeira casa própria. Com ele vão viver mais seis pessoas, entre mulher e filhos.

A vida de Martins e de Inocêncio não se cruzam, mas são os retratos que indicam caminhos opostos do desenvolvimento da cidade de São Paulo nos últimos anos.

Levantamento da Folha com base em dados da Fundação Seade e do IBGE revelam duas tendências da cidade. Enquanto o centro expandido perde população suficiente para compor uma cidade do porte de Santos, a periferia incha o equivalente a Guarulhos.
Segundo o Seade, entre 1996, o primeiro ano com números disponíveis, e 2007, a base mais recente, o centro expandido, que abrange os bairros de alto poder aquisitivo, como Moema, perdeu 441 mil pessoas.

Nesse mesmo período, os extremos de São Paulo, onde estão as regiões mais pobres, como o Grajaú, ganharam cerca de 1,23 milhão de moradores.
Ao mesmo tempo, a população de cidades como Barueri, Vargem Grande Paulista e Santana de Parnaíba, que concentram condomínios de luxo na Grande São Paulo, quase dobrou no mesmo período.

O fenômeno tem nomes: urbanização dispersa ou espraiamento da ocupação. Ou seja, a cidade se expande para onde não deveria crescer.
O tema gera preocupações em aspectos como a distribuição de água, a coleta de lixo e o transporte público -serviços mais difíceis (e caros) nesse ambiente mais fragmentado do que a cidade tradicional.

Além disso, especialistas apontam implicações mais amplas e preocupantes, como a ocupação de áreas de mananciais e o uso intensivo do carro.
Para o professor da FAU Nestor Goulart Reis Filho, o deslocamento da indústria, e do emprego, que deixou regiões centrais como a Mooca e a Barra Funda nas últimas décadas, levou tanto a população rica quanto a pobre a migrar para perto das fábricas, e cada um mora onde tem condições de pagar. “As empresas saíram e as pessoas foram atrás delas.”

Curiosamente, o movimento coincide com o boom imobiliário dos últimos dois anos nas regiões centrais, que, para o professor da FAU, é explicado pelo momento econômico.

“Durante muito tempo, não houve financiamento. Mas esse mercado é limitado”, afirma.

Antes de trocar a Chácara Flora pela Granja Viana, os industriais Moysés e Graziella Tolisel alugaram uma casa na região para testar a adaptação da família. Todos gostaram.

“Quando não tem trânsito, levo 15 minutos até o shopping Iguatemi”, diz Graziella. “A pergunta hoje é: a que distância fica da rodovia? Antes, era do centro”, diz Reis Filho.

Prefeitura tem de conter a dispersão, dizem urbanistas

Espaços Públicos e Urbanismo Notícias Cidade de São Paulo

Fonte: Folha de S.Paulo

Especialistas defendem que as pessoas voltem a morar nas regiões mais centrais

Coordenadora do Laboratório de Urbanismo da Metrópole da FAU diz que a migração intra-urbana para a periferia se baseia no preço da terra

DA REPORTAGEM LOCAL

A urbanização dispersa, foco de estudo de urbanistas e de preocupação da prefeitura, decorre de um modelo de desenvolvimento insustentável, que deve ser repensado.

Em termos de sustentabilidade, dizem os especialistas, não se pode pensar numa grande mancha urbana, e sim na articulação entre as áreas já ocupadas, com incentivo à habitação nas regiões centrais -que têm mais infra-estrutura e geram melhor qualidade de vida aos moradores.

Para o professor de urbanismo do Mackenzie Carlos Leite, doutor em desenvolvimento urbano sustentável, o crescimento de São Paulo tem se baseado no modelo americano, de subúrbios espraiados em áreas de baixíssima densidade, que já entrou em declínio e é alvo de questionamento nos EUA.

“Sob o prisma do desenvolvimento urbano sustentado é preciso voltar a crescer para dentro da metrópole, e não mais expandi-la. Reciclar o território é mais inteligente do que substituí-lo”, diz Leite.

O professor da FAU Nestor Goulart dos Reis Filho diz que o investimento em infra-estrutura rodoviária levou a um novo tipo de urbanização em São Paulo. Em vez de seguir o tradicional esquema centro-bairro, o crescimento urbano agora é espelhado nas estradas, que promovem uma cidade difusa.

Para Reis Filho, a prefeitura lida com esse processo com leis ultrapassadas. “Isso depende de normas mais reguladoras.”

Preço da terra
Coordenadora do Laboratório de Urbanismo da Metrópole da FAU, a urbanista Regina Meyer diz que a migração intra-urbana em direção à periferia se baseia no preço da terra.
“A população de baixa renda continua sendo expulsa para a periferia menos equipada e, portanto, mais barata”, avalia.

Para Meyer, o movimento de periferização em São Paulo decorre, em grande parte, do modelo adotado nas políticas públicas de oferta de habitação popular pela prefeitura desde a década de 1960.

“Esse modelo foi decididamente voltado para o barateamento da oferta através da realocação da população de baixa renda em áreas de terra barata, isto é, sem saneamento, água, transporte e coleta de lixo”, diz.

“Não é só um crescimento rumo à periferia, mas a ausência de formas que mantêm vínculos com o centro”, completa Meyer. (VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO)

Folha de S. Paulo - 18 de fevereiro de 2008

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Cooperativa, uma alternativa para os brasileiros

Notícias Trabalho e renda Outras

Graziela Sirtoli**

O Brasil é o país com as taxas de juros mais altas do mundo, de acordo com estudo feito pela UpTrend Consultoria Econômica, que levantou as taxas praticadas em 40 países. Os juros reais brasileiros, considerando a atual Selic de 11,25%, estão hoje em 6,73% anuais. Estes juros extorsivos paralisam a economia e estimulam que se organize por toda parte do Brasil formas alternativas das pessoas protegerem as suas poupanças e financiarem as suas atividades.

De acordo com Ladslau Dowbor, professor de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, nas áreas de economia e administração, e consultor em agências das Nações Unidas, uma das saídas encontradas pelos brasileiros para melhorar de vida sem depender de ações governamentais, de orçamento público e das prioridades de partidos políticos foi a formação de cooperativas de crédito.

Um dos exemplos dessas iniciativas acontece na periferia de Fortaleza-CE, onde foi criado, em 1997, o Banco Palmas, que é uma prática de socioeconomia solidária da Associação de Moradores do Conjunto Palmeira, um bairro popular, com 32 mil moradores. O Banco Palmas desenvolveu um sistema econômico em sua comunidade por meio de uma linha de microcrédito para produtores e consumidores, além de um cartão de crédito e moeda própria para os moradores usarem como troca dentro do conjunto.

No site da instituição, é possível conhecer mais sobre suas atividades, como por exemplo as feiras e lojas solidárias, que promovem geração de emprego e renda para as pessoas mais carentes.

Outra iniciativa importante é o programa de Desenvolvimento Regional Sustentável, criado pelo Banco do Brasil, para ajudar no desenvolvimento das áreas onde o banco está presente. Por meio de acesso ao crédito e incentivo ao cooperativismo, ests ação é um dos exemplos do que pode ser feito em comunidades carentes onde recursos governamentais passam longe. Somente no estado de São Paulo, essa ação já contribuiu com 6.886 famílias, por meio de empréstimos que já totalizaram R$ 68,4 milhões.

“No Brasil, o cooperativismo mais forte é o agrícola, mas está crescendo muito o de crédito e também o de trabalho. O importante das cooperativas é que elas são formadas por pessoas físicas e não visam o lucro, e sim uma mudança na qualidade de vida da sociedade em que está presente”, afirma Américo Utumi, que faz parte do Conselho Consultivo da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp).

Na cidade de São Paulo, as iniciativas que buscam ampliar as condições de desenvolvimento dos cidadãos acontecem por meio de ONGs e também de cooperativas ligadas a entidades de classe. A Magiscred, Cooperativa de Crédito dos Magistrados de São Paulo, que foi criada há 27 anos, possui hoje 1.600 cadastrados e até abril deste ano realizou um total de R$ 1,6 milhão em empréstimos para seus associados.

De acordo com Ladslau Dowbor, as cooperativas são essenciais, pois diminuem a interferência dos bancos na economia e fazem com que haja uma maior mobilização da sociedade em prol de suas próprias necessidades. “Essas ações, que criam condições da própria comunidade se desenvolver, acabariam com o triângulo formado por políticos corruptos, grandes empresas, e empreiteiras que somente ganham com a desarticulação popular e agem de acordo com seus interesses rápidos, sem visão a longo prazo para nossa sociedade” conclui Dowbor.

**Graziela Sirtoli é estudante de jornalismo e escreveu essa reportagem para o projeto Repórter do Futuro, realizado pela Oboré.

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SÃO PAULO CULTURALMENTE SUSTENTÁVEL

Cultura é cultivar. A relação consigo, com os outros, com a natureza.

É o modo de vida da sociedade, da cidade. Assim, a cultura está no meio ambiente, nas relações sociais, na mobilidade do cidadão, na economia, na política, nos valores e na imaginação.

Pensar hoje na cultura é relacioná-la com o desenvolvimento humano e sustentável e não apenas com as políticas do fazer/saber cultural especifico, ligado às artes ou a eventos dos departamentos ou secretarias de cultura. Somente uma noção ampliada e transdisciplinar de cultura pode dar conta dos grandes desafios culturais da cidade. Uma noção de cultura que leve em conta as dinâmicas socioculturais e a rica diversidade da cidade de São Paulo, o fazer/saber e a decisão sobre os fazeres culturais (conselhos, conferências, planos e sistemas) e uma cultura de paz que crie um sentimento de sociabilidade solidária e o diálogo em toda a cidade.

As políticas públicas de cultura deverão ser o resultado de ações, propostas e diretrizes oriundas da sociedade, facilitada pelos governos, e do diálogo intercultural na cidade.

As políticas públicas sustentáveis de cultura devem propor ações de integração em todas as áreas e espaços da cidade: no transporte, na economia, no planejamento urbano, no meio ambiente, na saúde, na segurança alimentar, na comunicação, na educação, no lazer e na cultura.

Entender a cultura como uma fatia da realidade, com pequena influência e orçamento mínimo, é abrir mão da diversidade presente nas culturas da cidade e empobrecer o desenvolvimento humano, a identidade, a qualidade de vida do cidadão. Uma visão fragmentada da cidade pode resultar na construção de uma cidade global sem apropriações e soluções locais e, portanto, sem as cores, os sons, os movimentos, os saberes e os matizes que enriquecem a singularidade da vida humana em São Paulo.

Uma outra idéia de cidade também não pode prescindir do entendimento de que vivemos numa cidade desigual, excludente e com populações vulneráveis, principalmente os mais jovens sujeitos a toda sorte de influências.

Trata-se, portanto, de identificar quem somos, qual a vida que queremos e a nossa contribuição civilizatória.

Tendo em vista estas considerações entendemos que a cultura deve estar no centro das políticas e deve deixar de ser periférica, complementar ou suplementar.

Devemos compreendê-la como um cenário do conhecimento e um cenário do reconhecimento da diversidade, não apenas da informação, do evento e do desconhecimento. A cidade da informação pressupõe construir a cidade do conhecimento que possa favorecer redes de trocas no intuito de implementar a cidadania cultural e humanizar a cidade.

Devemos desenvolver a idéia da cultura como conjunto de iniciativas que atendam demandas de diferentes linguagens e gêneros dos indivíduos criaturas criadoras.

Por tudo isso precisamos compreender uma outra idéia de política cultural firmada na centralidade da cultura, que busque soluções criativas para a vida da cidade a partir de diálogos interculturais.

A cidade e a cultura não podem ser reduzidas a simples espetáculos ou reconfigurar um imaginário arbitrário de cidade.

A cidade é o centro onde cultura acontece e é vivida.

Levando-se em conta o papel que a cidade exerce na definição de políticas públicas num momento de intensas relações globais e desigualdade social é de fundamental importância que a governança atribua à cultura a função crucial.

Não há desenvolvimento econômico sem cultura, nem desenvolvimento humano sem compreender a cultura como direito coletivo e individual.

Desta forma propomos algumas premissas e princípios:
- o cidadão (criatura criadora) é produtor e criador de cultura;
- o diálogo intercultural entre centro e bairro, linguagens, grupos, movimentos, redes e fóruns, idéias e visões plurais da cidade deve orientar a construção da cidade sustentável;
- o respeito à diversidade é essencial para o desenvolvimento humano e cultural;
- a descentralização deve gerar oportunidades culturais e fortalecer a localidade;
- a integração transdisciplinar deve ser a base da ação e das políticas de uma cultura sustentável;
- toda ação cultural deve ter no horizonte a promoção da Cultura de Paz e a convivência entre os diferentes, e destes com a natureza.

Movimento Nossa São Paulo

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SP já atingiu a a marca de 6 milhões de veículos

Notícia de fevereiro, na Folha de S. Paulo

Notícias Transporte e Mobilidade Urbana Cidade de São Paulo

Fonte:Folha de S.Paulo

Cerca de 75% são automóveis; cidade passa a ter cerca de 2,4 habitantes por carro

Para especialistas, capital precisa investir mais em transporte público e discutir adoção de medidas para restringir uso de carros

RICARDO SANGIOVANNI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

MÁRCIO PINHO
DA REPORTAGEM LOCAL

A cidade de São Paulo deve atingir hoje a marca histórica de 6 milhões de veículos, desde que mantida em fevereiro a média de 800 novos registros diários no Detran (departamento estadual de trânsito). Destes, 75% -cerca de 4,5 milhões- são automóveis.
Ou seja, são aproximadamente 2,4 habitantes por carro, número semelhante, por exemplo, ao de Paris (2,3). Mas a diferença é que, na capital francesa, é mais fácil abrir mão do carro e usar o metrô -são 199 km distribuídos por 15 linhas, enquanto São Paulo tem 61 km, em quatro linhas.

O aumento da frota se reflete no crescimento dos congestionamentos. Nos últimos três anos, a média diária de picos de lentidão saltou de 77 km para 90 km, durante a manhã, e de 114 para 128 km à tarde. Ontem, por exemplo, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) registrou 130 km de lentidão às 9h, o terceiro maior do ano.

O que fazer
Com mais carros nas ruas -reflexo também do crescimento econômico- e como é muito caro construir metrô, a discussão é sobre o que deve ser feito para a cidade não parar.

“Em uma cidade como São Paulo, o congestionamento é inevitável”, afirma o belga Jérôme Poubaix, coordenador de projetos da UITP (União Internacional de Transportes Públicos). Mas ele diz que, se o nível de congestionamento for muito alto, isso passa a ser negativo para a própria economia.

Para ele, as soluções passam por descentralizar as atividades -para os que moram em bairros mais distantes não tenha que se deslocar até o centro da cidade-, além de expandir o transporte público. “Se você tem casa, trabalho e lazer próximos, reduz a necessidade de viajar longas distâncias e favorece o transporte público.”

Já o consultor de trânsito e professor da USP Jaime Waisman diz que é preciso investir na fiscalização de veículos em situação irregular e levar adiante a inspeção veicular. Com isso, diz ele, pode-se retirar da rua “um terço da frota que está irregular e não paga impostos”.
Na semana passada, membros da UITP da América Latina e da Europa participaram do evento “Combatendo o congestionamento: pedágio urbano e outras medidas”.

Engenheiros da CET, do Metrô e integrantes da Prefeitura de São Paulo também participaram da discussão. Mas, no fim de semana, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) voltou a dizer que não irá implantar o pedágio urbano na cidade.

“Tem uma série de ações que precedem qualquer avaliação em relação ao pedágio urbano. Está totalmente descartado”, disse Kassab. Entre as “ações”, ele cita o investimento previsto pela prefeitura de R$ 1 bilhão no metrô neste ano.

Pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em alternativas para o trânsito, Alexandre Gomide diz que investimentos em metrô, além de medidas como a criação de corredores de ônibus, bilhete integrado ônibus-metrô e rodízio, são “muito avançadas”.
Mas, para ele, a idéia de primeiro melhorar o transporte público para só então pensar em criar medidas para restringir os carros, como o pedágio, é algo “que muitos políticos usam para não fazer nada”.

“O pedágio urbano seria bom. O rodízio já implica a idéia de racionalizar o uso do carro. Não seria uma mudança radical”, diz Jonas Hagen, que preside no Brasil a ONG americana ITDP (sigla em inglês para Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento). A ONG apresentou à prefeitura, na gestão Marta Suplicy (PT), um modelo de pedágio urbano para São Paulo, que não foi adiante. “A arrecadação seria de cerca de R$ 10 bilhões por ano, que poderiam ser investidos em metrô”, diz Hagen.

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“Mapa da Violência” subestima homicídios

Fonte: Folha de S.Paulo

IMLs, peritos e policiais lançam mortes a esclarecer como “intenção
indeterminada” e, muitas vezes, dado não é atualizado após a investigação

Distorção mostra que total de assassinatos no Brasil é bem maior do que o
divulgado pelo governo federal no “Mapa da Violência”

EVANDRO SPINELLI
ROGÉRIO PAGNAN
DA REPORTAGEM LOCAL

O “Mapa da Violência”, divulgado na semana passada pelo governo federal,
não reflete a realidade dos assassinatos no país. Segundo o estudo, houve
46.653 homicídios em 2006, mas o número é bem maior. O problema ocorre em
decorrência de uma falha no sistema de informação dos Institutos Médicos
Legais.

Muitas mortes são lançadas no sistema como “intenção indeterminada”, uma
espécie de limbo estatístico que não define o que é homicídio, acidente
ou suicídio. Na dúvida, o IML simplesmente lança como caso não
esclarecido.

É evidente que em muitos casos, quando o óbito é registrado, não é
possível identificar a causa. A questão é que nem sempre, após a
investigação policial, o dado é atualizado.

Além disso, há situações em que, apesar das evidências, peritos e
policiais deliberadamente não classificam a morte como homicídio com a
intenção de maquiar estatísticas. Pesquisadores afirmam considerar
aceitável um índice de “intenção indeterminada” de até 5% do total de
mortes por causa externa. No Brasil, desde 1996, ele nunca foi inferior a
8%.

Em São Paulo, por exemplo, esse percentual foi de 17,25% em 2005. Como é
o Estado que tem a maior população e, por conseqüência, o maior número de
mortes, o dado paulista é o principal responsável pela distorção dos
índices nacionais.

No Rio Grande do Norte, outro caso emblemático, foram 19,45%. Alagoas,
Distrito Federal e Acre têm os melhores índices, com menos de 1%.

Evolução
Como é um problema histórico da estatística nacional, essa distorção não
afeta a conclusão de que o número de homicídios no país está em queda.
Mas a proporção da redução pode ser menor do que a apontada pelo “Mapa da
Violência”. Além disso, pode ocasionar mudanças no ranking por 100 mil
habitantes de municípios e Estados violentos.

“Isso está maquiando toda a evolução. Talvez venha caindo mesmo o número
de homicídios, mas a proporção de registros com intenção indeterminada é
muito grande para afirmar que a queda é tão grande assim”, afirmou Ana
Maria Nogales Vasconcelos, demógrafa, estatística e coordenadora do
Núcleo de Estudos Urbanos e Regionais da UnB (Universidade de Brasília).
De acordo com ela, estudos feitos com base nos registros do Estado do Rio
de Janeiro na década de 1980 e no Distrito Federal na década de 1990
apontam que pelo menos metade dos casos registrados como “intenção
indeterminada” são homicídios, mas que esse percentual pode ser de até
90%.

Em 2005, último dado disponível pelo sistema Datasus, o Brasil teve
127.633 mortes por causa externa -homicídios, suicídios, afogamentos,
acidentes de trânsito e complicações cirúrgicas. Desse total, 11.269
-8,83% do total- foram classificadas como “eventos cuja intenção é
indeterminada”, ou seja, o IML não informou se foi suicídio, homicídio ou
acidente. No mesmo ano, foram registrados 47.578 homicídios.

Flagrantes
Há casos flagrantes dessa distorção dos dados. Em 2005, a cidade de
Pereira Barreto (625 km de São Paulo) teve 17 casos de morte por causa
externa registrados no sistema Datasus. Foram três acidentes (de tipo não
especificado), dois homicídios e 12 registros de evento cuja intenção é
indeterminada. Em Bertioga (92 km de SP) foram nove homicídios e, em 27
casos, o registro é de “intenção indeterminada”.

Esse dado mal registrado impede que o país e os próprios órgãos de
segurança municipais e estaduais tenham a exata dimensão da violência em
suas cidades.

Os IMLs, responsáveis pelo preenchimento do formulário denominado
Declaração de Óbito, são órgãos ligados aos governos estaduais, que têm a
função constitucional de cuidar da segurança pública.

Otaliba Libânio de Morais Neto, diretor do Departamento de Análise de
Situação de Saúde da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da
Saúde, disse que o alto índice registrado em São Paulo é “provavelmente
uma característica do IML” do Estado.

Para Ana Maria Vasconcelos, da UnB, o ideal é que o percentual seja
inferior a 1%, mas ela acredita que se esse tipo de registro totalizar
menos de 5% das mortes por causa externa os dados passam a ser mais
confiáveis. “São Paulo sempre foi reputado como tendo uma boa qualidade
de informação.Esse dado está manchando a reputação de São Paulo.”

Colaborou JOAHNNA NUBLAT, da Sucursal de Brasília

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Pesquisa revela percepção de paulistanos sobre mobilidade urbana

Com o objetivo de analisar a percepção dos paulistanos sobre a mobilidade publica em
São Paulo, o Ibope ouviu 805 moradores das cinco regiões da capital, a pedido
do Movimento Nossa São Paulo: Outra Cidade, entre os dias 26 de setembro e 1º
de outubro. Os resultados revelam deficiência do transporte público coletivo,
desrespeitos a motoristas, pedestres, ciclistas e motociclistas, posicionamento
com relação ao pedágio e rodízio, além de apontar o nível de adesão ao Dia
Mundial Sem Carro, ocorrido no dia 22 de setembro.

Quesitos
avaliados:
• Participação e avaliação dos paulistanos sobre o Dia Sem Carro, realizado em
22/09
• Condições do transporte público na cidade
• Percepção sobre a relação entre a poluição na metrópole e o uso de automóveis
• Percepção sobre a interferência da poluição da qualidade de vida dos
paulistanos
• Possibilidade de substituição do transporte individual pelo coletivo
• Percentuais de utilização dos meios de transporte coletivo (ônibus, metrô,
trem) e avaliação da população sobre as alternativas de substituição na cidade
• Disponibilidade da população para uso da bicicleta e avaliação sobre as
condições de uso desse meio de transporte na cidade
• Avaliação sobre a fiscalização das autoridades e aplicação das penalidades em
relação às infrações de trânsito
• Opinião dos paulistanos sobre o rodízio de dois dias na semana e sobre o
pedágio urbano em algumas das principais vias da cidade

Perfil:
• Moradores da cidade de São Paulo com 16 anos de idade ou mais, sendo que 25%
têm de 16 a 24 anos e 23% de 30 a 39 anos
• 53% dos 805 entrevistados eram mulheres
• 44% dos entrevistados têm ensino médio; ouvidos com nível superior são apenas
10%
• 58% não têm automóvel
• 52% são de classe C
• A maioria dos entrevistados era das zonas leste (36%) e sul (32%)

Dia Sem
Carro:
• 84% dos entrevistados perceberam diferenças positivas no dia 22/09
• 18% dos paulistanos associaram espontaneamente do dia 22/09 ao Dia Mundial
Sem Carro
• 66% das pessoas entrevistadas das classes A e B tinham conhecimento do Dia
Sem Carro; 49% da classe C e 39% das classes D e E
• A região da capital que demonstrou maior conhecimento sobre o Dia Sem carro
foi a Zona Oeste (68% reconheceram a data)
• 62% dos entrevistados alegaram não ter usado o carro no dia 22/09 (incluindo
os 30% que não têm carro)
• 38% avaliaram o Dia Sem carro com sendo “bom”

Transporte
individual:
• 22% dos entrevistados utilizam automóvel todos os dias ou quase todos os dias
• 27% utilizam de vez enquando
• 27% não utilizam o carro
• A maior concentração de usuário de automóveis diariamente está na zona oeste
da capital (32%)
• A segunda região a apresentar maior quantidade de usuários que recorrem ao
automóvel diariamente é a Zona Leste (26%)
• 75% dos usuários de carro concordariam em deixar seus automóveis na garagem
se contassem com boas alternativas de transporte público

Transporte
público coletivo (ônibus, metrô e trem) / nota 4,6 :
• 21% utilizam ônibus todos os dias, 11% o metrô, 5% bicicletas e 2% trem

Ônibus:
• 37% reivindicam mais linhas de ônibus capazes de cobrir percursos mais amplos
• 33% reclamam do tempo de espera do ônibus
• 28% apontam que deve haver melhorias nas condições físicas dos ônibus e mais
conforto
• 26% pedem diminuição do preço da passagem
• 4% utilizariam o ônibus se não tivessem carro
• 2% alegam não ter condições de saúde para andar de ônibus
• 21% nunca usariam os ônibus da cidade de São Paulo

Metrô:
• 50% exigem mais linhas com maior cobertura
• 23% pedem diminuição do preço da passagem
• 15% apontam que deve haver melhorias nas condições físicas dos ônibus e mais
conforto
• 14% pedem diminuição do tempo de espera do metrô
• 3% optariam pelo metrô se houvesse uma estação mais próxima de sua residência

• 2% usariam se não tivessem carro
• 18% nunca usariam o metrô da cidade de São Paulo

Bicicletas:
• 36% exigem a construção de ciclovias
• 31% mais segurança para os ciclistas
• 15% pedem sinalização específica nas ruas
• 10% exigem estacionamento para as bicicletas
• 7% acham que deve haver uma legalização que regule esse tipo de transporte
• 34% nunca usariam a bicicleta como transporte

Respeito às
leis de transito e pedestres / nota 4,0. Na avaliação dos entrevistados:
• 64% dos motociclistas são muito desrespeitados
• 38% dos motoristas são muito desrespeitados
• 56% dos pedestres são muito desrespeitados
• 58% dos ciclistas são muito desrespeitados

Medidas no
transito:
• 87% a favor de multas para motoristas que param na faixa de pedestres
• 45% a favor de multas para pedestres que não atravessam na faixa
• 56% dos entrevistados são desfavoráveis ao rodízio de dois dias
• 84% dos ouvidos são contra ao pedágio urbano (para entrar e circular de carro
no centro expandido de SP)

Nível de conhecimento – informações sobre
poluição:
• 67% têm conhecimento de que São Paulo é a 6ª cidade mais poluída do Mundo
• 55% têm consciência que o paulistano perde, em média, um ano e meio de vida
por causa da poluição
• 52% sabem que 3.000 pessoas morrem por ano na cidade de São Paulo por causa
da poluição

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Pesquisa de opinião pública “Viver em São Paulo”, realizada pelo Ibope, faz um diagnóstico da percepção do paulistano

Notícias Movimento Nossa São Paulo

O acompanhamento cidadão, um dos eixos do Movimento Nossa São Paulo, também prevê o desenvolvimento de pesquisas de percepção da população sobre a cidade e os diversos aspectos da administração pública.
A pesquisa terá edições anuais, para o monitoramento sistemático da qualidade de vida na cidade de São Paulo. Os resultados e as conclusões são importante ferramenta e complementam os indicadores sistematizados pelo Movimento Nossa São Paulo.
A primeira edição da pesquisa “Viver em São Paulo”, realizada pelo Ibope, ouviu 1.512 moradores em todas as regiões da cidade, entre os dias 5 e 14 de janeiro. São mais de 200 itens avaliados pela população. Veja abaixo alguns dados destacados da pesquisa.

Para ver a pesquisa completa, clique aqui.
Para ver a apresentação resumida da pesquisa, clique aqui.

PESQUISA DE PERCEPÇÃO “VIVER EM SÃO PAULO”
Ibope / Movimento Nossa São Paulo

LOCAL DA PESQUISA – Município de São Paulo.
UNIVERSO – moradores de 16 anos ou mais.
PERÍODO DE CAMPO – de 05 a 14 de janeiro de 2008.
DIMENSIONAMENTO – 1.512 entrevistas domiciliares com questionário estruturado.
MARGEM DE ERRO – O intervalo de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos.

Clima e imagem
- 50% dos entrevistados acham que São Paulo é um lugar “bom” para se morar e 17% o consideram “ótimo”. Já 4% classificaram a cidade como “ruim” e 5% como “péssimo”;
- Para 53% dos entrevistados, a cidade está no “caminho certo”;
- 47% estão “otimistas” com o futuro da cidade e 3% estão “muito otimistas”. Já 20% se disseram “pessimistas” e 3% “muito pessimistas”;
**- 44% sentem “muito orgulho” e 38% sentem “um pouco de orgulho” de morar em São Paulo. Apenas 16% “não sentem orgulho”. Porém, para 37% a qualidade de vida na cidade é ruim, quase péssima;
- As perspectivas para os próximos 6 meses são pessimistas: 56% acham que a inflação vai aumentar, 45% que o desemprego vai aumentar e 41% que a desigualdade social vai aumentar. Além disso, 50% acham que sua própria renda não vai mudar e 52% que a renda das pessoas em geral também ficará igual;
**- 55% das pessoas sairiam de São Paulo para viver em outra cidade. Mesmo as que avaliaram a cidade como “ótima” para se viver: 37% delas mudariam de São Paulo;

Qualidade de vida na cidade
- Nota média para a cidade como um todo: 6,7

Segurança pública
- 58% consideram a cidade “pouco segura” e 29%, “nada segura”. Apenas 1% considerou “muito segura” e 10%, “segura”;
- 20% disseram ter sido assaltado, agredido ou vítima de algum delito em São Paulo. E 49% conhece alguém que passou pela situação;

Saúde pública
- 70% se disseram insatisfeitos com o sistema de saúde pública (deram notas de 1 a 5);
- 57% dos entrevistados receberam remédios gratuitos e 55% deles tiveram atendimento ambulatorial em hospital da rede pública;
- A avaliação dos prazos para atendimento em saúde ficou negativa: 74% se disseram insatisfeitos com tempo médio entre a marcação e a realização de consultas; 76% com o tempo médio entre a marcação e a realização de exames e 78% com o tempo médio entre a marcação e a realização de procedimentos mais complexos (exemplo: cirurgia, exames especializados);

Educação pública
- 60% estão insatisfeitos com a educação na rede pública (deram notas de 1 a 5);
- 37% utilizam (ou alguém de sua família) o Ensino Fundamental público, 29% o Ensino Médio, 26% a Educação Infantil e 13% as creches;

Outros serviços
- 55% estão insatisfeitos com o transporte coletivo;
- 61% estão insatisfeitos com a assistência social;
- 61% estão insatisfeitos com a habitação popular;

Inclusão e cidadania
- 10% votou em Conselhos Municipais;
- 7% Trabalhou ou fez uma doação a um grupo ou partido político;
- 10% participou de alguma manifestação pública;
- 37% participou de um abaixo-assinado.

Eleições 2008
- 25% disseram ter “muito interesse”; 21%, “pouco interesse”; 20%, “interesse médio” e 33%, “nenhum interesse”;
**- 60% acreditam que a qualidade de vida não mudará com as eleições deste ano.

Discriminação e preconceito
- 77% disseram não ter sofrido nenhum tipo de preconceito em São Paulo;
- Dos 23% que afirmaram ter sofrido preconceito, 30% respondeu “por ser pobre” e 24% “por ser negro ou afrodescendente”.

Atividades culturais e de lazer
- Não frequentou nenhuma vez nos últimos 12 meses: parques e praças, 42%; eventos esportivos, 51%; foi ao cinema, 62%; feiras e festas populares, 63%; bibliotecas, 80%; museus/exposições e centros históricos, 78%; teatro, espetáculos de dança e concertos, 81%.
- Frequentou muitas vezes nos últimos 12 meses: parques e praças, 24%; eventos esportivos, 21%; cinema, 11%; feiras e festas populares, 11%; bibliotecas, 7%; museus/ exposições e centros históricos, 5%; teatro, espetáculos de dança e concertos, 4%.

**Administração municipal**
**- 77% acham que os investimentos públicos feitos pela cidade de São Paulo estão “voltados para a população rica”;
- 87% consideram que a aplicação dos recursos do orçamento da cidade de São Paulo atende “interesses de políticos”;
- 95% afirmaram que “existe corrupção na política”.
**- 10% admitiu ter pago “propina” a funcionário público ou outro intermediário nos últimos 12 meses.
- 74% acham que há pouca eficiência nas instituições públicas;
- 79% acham que há pouca transparência na administração pública municipal.
Conhecimento:
- 76% já tinham ouvido falar em “subprefeituras” e 24% nunca tinham ouvido falar;
- 63% já tinham ouvido falar em Conselhos Municipais e 36% nunca tinham ouvido falar;

Confiança nas instituições
As 3 mais bem avaliadas, com maior taxa de “confiança”:
Corpo de bombeiros (95%)
Correios (91%)
Sabesp (81%)

As 3 menos avaliadas, com menor taxa de “confiança”:
Ministério Público (38%)
Tribunal de Contas do Município (30%)
Câmara Municipal de São Paulo (27%)

As 3 instituições que mais contribuem para melhorar a qualidade de vida da população:
Igreja (27%)
Prefeitura de São Paulo (22%) e Universidade (22%)
Meios de comunicação (20%)

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Entre 560 municípios, capital ocupa o 492.º lugar; sensação de insegurança continua por causa de roubos, diz expert

Lisandra Paraguassú e Bruno Paes Manso

Em dois anos, São Paulo melhorou 310 posições na lista das 560 cidades com maior número de assassinatos do País, conforme a segunda edição do Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros, divulgada ontem pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana, em Brasília. No primeiro mapa, que saiu no ano passado, a capital ocupava a 182ª posição, com taxa média de 48,2 homicídios para cada 100 mil habitantes. No novo estudo, caiu para o 492º lugar, com taxa de 31,1 por 100 mil.

Veja os números da violência nas cidades brasileiras

Em 2006, último ano usado como base para o segundo mapa, foram assassinadas em São Paulo 2.546 pessoas. É como se toda a população de um pequeno município, como Torre de Pedra (SP), tivesse sumido em 12 meses. Ainda assim, é quase a metade das 5.575 mortes de 2002. Um dos motivos para isso é o Estatuto do Desarmamento. Da sua adoção, em 2003, até 2006 houve redução de 8,5% nos assassinatos no Brasil - de 51.043 mortes para 46.660.

“A queda da mortalidade em São Paulo começou em 1999. Houve melhorias do aparato policial, mas, principalmente, uma reação da sociedade civil, com a criação dos Institutos Sou da Paz e São Paulo Contra a Violência”, disse o coordenador da equipe que preparou o mapa, Julio Jacobo Waiselfisz. Ele usou nos rankings a média de mortes ocorridas ao longo de três anos: o primeiro mapa utilizou o período de 2002 a 2004 e, o segundo, os dados de 2004 a 2006.

Mas as quedas nos índices de homicídio não parecem passar uma sensação maior de segurança para a população. O coordenador de Análise e Planejamento da Secretaria de Segurança, Túlio Kahn, acha que isso decorre das características dos assassinatos em São Paulo. “Os homicídios estão concentrados nas periferias. Nesses locais, as pessoas percebem a queda.”

Kahn afirmou que a classe média e moradores das regiões centrais são mais sensíveis a crimes contra patrimônio. Num balanço a ser divulgado amanhã, a secretaria vai apontar queda de 50% nos roubos de carro em 2007, mas outros tipos de roubo cresceram em relação a 2006. “Fora a questão dos roubos, quando há grandes ocorrências, como os ataques do PCC ou a morte do comandante da PM na zona norte, tudo vai por água abaixo”, disse, referindo-se ao impacto na opinião pública da onda de atentados do crime organizado em 2006 e da execução do coronel José Hermínio Rodrigues, no dia 16.

Compreender as causas da redução dos homicídios, no entanto, continua sendo um desafio. A secretaria afirmou que o número de prisões triplicou e houve melhoria na gestão das polícias e diminuição das armas em circulação, reflexo do estatuto.

A antropóloga Paula Miraglia, diretora-executiva do Instituto Latino Americano das Nações Unidas (Ilanud), disse que já ouviu diversas análises para a queda nos assassinatos. “Desde o aumento da eficiência do Departamento de Homicídios, passando pela redução da circulação de armas, aumento das prisões, conversões religiosas, hip-hop etc. Todas ajudam a compreender um fenômeno extremamente complexo.”

Os dados do Mapa da Violência são tirados de uma base do Ministério da Saúde, coletada desde 1979, que inclui causa da morte, local, sexo e idade das vítimas. O governo do Estado usa outro critério.

FRASE

Paula Miraglia
Diretora-executiva do Ilanud

“Várias análises ajudam a compreender um fenômeno complexo. Do aumento da eficiência do Departamento de Homicídios e do número de prisões à redução da circulação de armas”

Fonte: O Estado de S.Paulo - METRÓPOLE - 30/01/2008

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41% dos paulistanos aprovam 2 dias de rodízio, diz pesquisa do Ibope

Estudo pedido pelo Movimento Nossa São Paulo aponta que 75% deixariam carro em casa se transporte melhorasse

Naiana Oscar

O caos no trânsito de São Paulo chegou a tal ponto que boa parte da população já aceita com naturalidade o rodízio de veículos. Realizada pelo Ibope e divulgada ontem, a pesquisa encomendada pelo Movimento Nossa São Paulo sobre mobilidade na capital mostra que 41% da população concordaria em ampliá-lo para dois dias.

Para o presidente do movimento, Oded Grajew, é uma prova de que os paulistanos estão mais conscientes em relação aos problemas da cidade. “As pessoas estão se dando conta de que essa situação é suicida e precisa mudar”, disse. “Ficamos surpresos com esse número.”

Criador do rodízio em 1995, o consultor Fábio Feldmann também se surpreendeu, mas inversamente. Para ele, a aceitação da medida, 12 anos depois, deveria ser bem maior. “Na época a população nos apoiou em peso. A adesão não foi tanta, mas o apoio foi geral.” De qualquer forma, Feldmann não acredita que deixar o carro em casa mais de uma vez na semana seja a solução para o trânsito na cidade. Ele afirma que o rodízio não pode ser adotado isoladamente. “Sozinho ele perde a eficácia. Por isso já está esgotado.”

O especialista em trânsito Sérgio Costa não vê a ampliação do rodízio com bons olhos. Segundo ele, por questão logística, seria inviável aumentar o número de placas num mesmo dia. “O povo vai ter dificuldade para decorar, não dá certo.”

Mas nas ruas é fácil encontrar quem comprove a pesquisa. A estudante Carolina Guerra, de 20 anos, tem carro e não se importa de deixá-lo na garagem. “Seria ótimo porque cada vez mais o trânsito está uma loucura.” Quando pode, ela faz os trajetos a pé ou de metrô.

Nem todo motorista trocaria o conforto do carro pela incerteza do transporte público. Mas, segundo a pesquisa, 75% dos paulistanos que se deslocam em automóveis usariam ônibus, trem ou metrô, com uma condição: o sistema teria que melhorar. Entre as exigências, 37% dos entrevistados pedem mais linhas de ônibus; 33%, redução no tempo de espera; e 26%, passagens mais baratas. Metade da população quer a ampliação dos sistemas de metrô e trem.

As ciclovias também estão em pauta. Numa cidade em que 370 mil pessoas se deslocam de bicicleta todos os dias, a construção de novas ciclovias é uma exigência de 36% dos paulistanos. Junto, vem o pedido por mais segurança: 31% da população acha que os ciclistas precisam de mais atenção.

Na pesquisa, os entrevistados deram notas de 1 a 10 para vários aspectos ligados ao trânsito de São Paulo. A ocorrência de problemas respiratórios ganhou a pior nota, 3,2. O item mais bem avaliado foi a qualidade de vida: 5,7. Estranho? A estudante Carolina Guerra explica o resultado: “É que a gente reclama, mas no fundo ama esta cidade.”

NÚMEROS

1,7milhão de motoristas de São Paulo usam carro todos os dias ou quase todos os dias

50% das pessoas ouvidas na pesquisa pediram a ampliação dos sistemas de metrô e trem

84% dos entrevistados são contra o pedágio urbano na capital paulista

Fonte: O Estado de S.Paulo - 11/10/2007 - METRÓPOLE

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SOLIDARIEDADE AO MST EM SP

16/07/2008

Representates de entidades, movimentos sociais, partidos e outras organizações de todo o Estado de São Paulo realizam nesta quarta-feira (16/07) mais um Ato Público contra a perseguição política sofrida pelo MST no Rio Grande do Sul, que contará com a presença do jurista Fábio Konder Comparato, Gilmar Mauro, integrante da coordenação nacional do MST, e do advogado Aton Fon Filho, além de intelectuais e artistas.

O ato acontece em resposta ao relatório do Conselho Superior do Ministério Público gaúcho publicado recentemente, que propõe designar uma equipe de promotores de justica para promover ação civil pública com vistas à dissolucao do MST e declaração de sua ilegalidade, dentre outras penalidades.

COMPAREÇA!
HOJE, quarta-feira (16/07), às 19h
No TUCA (Teatro da PUC-SP)
Rua Monte Alegre, 1024, Perdizes

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Blog do IZB transmitirá ao vivo debate promovido pelo IG com os candidatos a prefeito de SP

No próximo dia 17 de julho, às 15h, o IG reunirá os candidatos à Prefeitura de São Paulo em seu estúdio. Será o primeiro debate, aberto e ao vivo, da história da internet do Brasil.

O Blog do IZB aproveitará a liberação do sinal do debate disponibilizado pelo IG para ajudar a ampliar o número de internautas que terão acesso ao evento.

Foram convidados todos os principais candidatos a prefeitura de São Paulo. Já confirmaram a presença, Ivan Valente, Kassab, Soninha e Maluf.

Não deixe de conferir o debate pelo blog do IZB

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Pesquisa Vox Populi avalia os partidos políticos

Saiu faz umas três semanas, é inegável que os dados da pesquisa apontam que o PT se regenerou perante o eleitorado brasileiro. Ancorados na ótima aprovação de Lula o partido recuperou o terreno perdido com os escândalos recentes, em especial o do mensalão em 2005.

A pesquisa também registra o otimismo do povo brasileiro e a confiança de que as coisas vão melhorar.
Resumo da ópera, a direitona clássica vive desnorteada, afinal nada parece ameaçar Lula e o PT, todos os ataques morais viram pó, a economia funciona como a grande blindagem que tudo repele. Resta saber até quando? Por outro lado, a nova direita, que o PT hoje representa, vive seus momentos de glória, junto a ela, uma corja de banqueiros, especuladores, latifundiários, rentistas, enfim, os que sempre ganharam e continuam ganhando neste país.

Clique aqui para ver os dados completos da pesquisa.

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