Arquivo de 19 de Julho de 2008

Capitalismo de desastre: estado de extorsão

Invadir países para apoderar-se de seus recursos naturais é ilegal, segundo a Convenção de Genebra. Isto significa que a gigantesca tarefa de reconstruir a infra-estrutura do Iraque é responsabilidade financeira dos invasores. Em vez disso, o Iraque está obrigado a vender 75% de seu patrimônio nacional para pagar as contas de sua própria invasão e ocupação ilegais. Os capitalistas do desastre têm estado ocupados. A análise é da Naomi Klein.

Naomi Klein

Desde que o barril de petróleo ultrapassou os 140 dólares, até os interlocutores de direita mais furibundos são forçados a demonstrar seu credo populista dedicando uma parte de seus programas a massacrar as companhias petrolíferas. Alguns foram tão longe a ponto de convidar-me para uma conversa amigável sobre um insidioso novo fenômeno: “o capitalismo do desastre”. A coisa marcha bem… até que começa a se torcer.

Por exemplo, o interlocutor “conservador independente” Jerry Doyle e eu mantínhamos uma conversa perfeitamente amigável sobre as turvas companhias seguradoras e a inépcia dos políticos, quando ocorreu o seguinte: “Acho que há um sistema para baratear rapidamente os preços”, anunciou Doyle. “Investimos 650 bilhões de dólares para libertar uma nação de 25 milhões de pessoas. Será que já não é hora de reclamarmos um pouco de petróleo em troca? Deveria haver uma fila de caminhões-tanque, um atrás do outro, formando um congestionamento em direção ao Túnel Lincoln, o malcheiroso Túnel Lincoln, bem na hora do rush, cada um deles com um bilhete de agradecimento do governo iraquiano… Por que não vamos e simplesmente pegamos o petróleo? Nós o ganhamos libertando um país. Posso resolver o problema do preço do petróleo em dez dias em vez de em dez anos.”

O plano de Doyle tinha alguns problemas, é claro. O primeiro é que estava descrevendo o maior latrocínio da história mundial. O segundo é que chegava tarde demais: “nós” já estamos roubando o petróleo do Iraque, ou pelo menos estamos na iminência de fazê-lo.

Já se passaram dez meses da publicação do meu livro, Doutrina do Choque: a ascensão do capitalismo de desastre, no qual argumento que o método preferido para reformar o mundo de acordo com os interesses das corporações multinacionais é, atualmente, o de explorar sistematicamente o estado de medo e desorientação que acompanha a população em momentos de choque e crise. Agora que o mundo está sendo sacudido por múltiplos choques, parece um bom momento para ver como está sendo aplicada essa estratégia.

Os capitalistas do desastre têm estado ocupados: dos bombeiros privados que atuaram nos incêndios do norte da Califórnia, passando pelos grileiros após o ciclone Burma, à nova lei sobre moradia abrindo caminho no Congresso. A lei diz pouco no que se refere às moradias acessíveis, desloca o peso do pagamento das hipotecas para os contribuintes e garante que os bancos que fizeram maus empréstimos recebam alguma coisa por eles. Não é de admirar que nos corredores do Congresso seja conhecida como “plano Credit Suisse”, em homenagem a um dos bancos que, generosamente, propôs essa lei.

O desastre do Iraque: “se quebrar, paga”
Mas estes casos de capitalismo do desastre são bastante amadores se comparados ao que está sendo feito no Ministério do Petróleo iraquiano. Começou com a adjudicação de contratos fora de leilão à ExxonMobil, Chevron, Shell, BP e Total (ainda não foram assinados, mas já estão valendo). Pagar às multinacionais pela sua bagagem técnica não é algo raro. O que é estranho é que tais contratos quase invariavelmente sejam destinados às empresas petrolíferas de serviço e não às grandes empresas petrolíferas cujo trabalho é a exploração e destes recursos combustíveis e liberadores de dióxido de carbono.

Como aponta o especialista em petróleo londrino Greg Muttitt, os contratos só têm sentido no contexto das informações de que as grandes companhias petrolíferas insistiram no direito de poder recusar contratos subseqüentes outorgados para gerenciar e produzir nos campos de petróleo iraquianos. Em outras palavras, embora outras companhias poderão fazer lances pelos contratos futuros, aquelas sempre vão vencer.

Uma semana depois que os acordos de serviços fora de leilão foram anunciados, o mundo pôde ver o preço real do petróleo. Depois de anos pressionando o Iraque pelas costas da opinião pública, o país repentinamente abriu aos investidores seis de seus maiores campos petrolíferos, que reúnem em conjunto quase metade de suas reservas. De acordo com o ministro do Petróleo iraquiano, contratos a longo prazo começarão a ser assinados durante este ano. Apesar de que ostensivamente estarão sob controle da Companhia Nacional de Petróleo Iraquiana (CNPI), as empresas estrangeiras manterão 75% do valor dos contratos, deixando os 25% restantes para seus sócios iraquianos.

Este tipo de porcentagem não tem precedentes nos estados árabes e persas ricos em petróleo, nos quais o controle majoritariamente nacional do petróleo foi uma vitória decisiva nas lutas anticolonialistas. Segundo Muttitt, a suposição até agora era que as multinacionais estrangeiras trariam desenvolvimento aos novos campos petrolíferos do Iraque, e não que tomariam para si aqueles cuja produção já está em marcha e, conseqüentemente, requerem um suporte técnico mínimo. “A política era a de destinar esses campos em sua totalidade à Companhia Nacional de Petróleo Iraquiana”, explicou-me. Esta mudança supõe uma inversão daquela política, uma vez que dá à CNPI apenas 25%, em vez dos 100% planejados.

Assim, o que faz com que contratos péssimos como esses sejam possíveis no Iraque, um país que tanto sofreu? Ironicamente, o sofrimento do Iraque —sua crise sem fim— é a base para um acordo que ameaça drenar de seu tesouro nacional sua principal fonte de recursos. A lógica é como segue: a indústria petrolífera do Iraque precisa de especialistas estrangeiros porque os anos de sanções punitivas privaram-na de nova tecnologia e a invasão, assim como a violência que a seguiu, degradaram-na ainda mais. E o Iraque precisa com urgência produzir mais petróleo. Por que? Por causa da guerra, mais uma vez. O país está em ruínas e os milhares de milhões repartidos em contratos fora de leilão entre as companhias ocidentais não conseguiram reconstruir o país. Aí é onde entram os novos contratos fora de leilão: por essa via conseguirão arrecadar mais dinheiro, mas o Iraque tornou-se um lugar tão traiçoeiro que as grande companhias petrolíferas precisam ser induzidas a assumir o risco de investir. Assim, a invasão do Iraque cria, limpamente, o argumento para o seu saque subseqüente.

Muitos dos arquitetos da guerra do Iraque nem sequer se preocupam mais em negar que o petróleo foi o motivo principal da invasão. No programa To the Point, da National Public Radio (Radio Nacional Pública), Fadhil Chalabi, um dos principais conselheiros iraquianos da administração Bush antes da invasão, descreveu recentemente a guerra como um “movimento estratégico dos EUA e do Reino Unido para ter uma presença militar no Golfo com a qual possam garantir, no futuro, as reservas (de petróleo).” Chalabi, que exerceu como vice-ministro do Petróleo e reuniu-se com as companhias petrolíferas antes da invasão, descreveu este movimento como “um objetivo fundamental.”

Invadir países para apoderar-se de seus recursos naturais é ilegal, segundo a Convenção de Genebra. Isto significa que a gigantesca tarefa de reconstruir a infra-estrutura do Iraque —incluindo sua infra-estrutura petrolífera— é responsabilidade financeira dos invasores. São eles que deveriam ser forçados a pagar pelos consertos. (É preciso lembrar que o regime de Saddam Hussein pagou 9 bilhões de dólares ao Kuwait como reparações pela invasão do país em 1990.) Em vez disso, o Iraque está obrigado a vender 75% de seu patrimônio nacional para pagar as contas de sua própria invasão e ocupação ilegais.

O choque do preço do petróleo: ou vocês nos dão o Ártico ou nunca voltarão a dirigir.

O Iraque não é o único país envolvido em um assalto petrolífero. A administração Bush está atarefada no trabalho de usar uma crise relacionada —a do aumento do preço do combustível— para reavivar seu velho sonho de perfurar o Refúgio Natural Ártico (Arit. National Wildlife Refuge, ANWR em suas iniciais em inglês). E de perfurar a costa. E também de explorar as reservas de petróleo de esquisto bituminoso da bacia de Green River. “O Congresso tem que enfrentar a dura realidade”, disse George W. Bush em 18 de junho. “A menos que os membros do Congresso estejam dispostos a aceitar os dolorosos preços atuais do combustível, ou talvez ainda mais altos, nossa nação precisa produzir mais petróleo.”

Fala o Presidente como Extorquidor-em-Chefe, apontando a cabeça de seu refém (nada menos que o país inteiro) com a bomba de gasolina: ou vocês me dão a ANWR ou todo o mundo terá que passar suas férias no pátio traseiro de casa. O último roubo do presidente-cowboy.

Apesar dos adesivos de “Perfure aqui e agora e pague menos”, perfurar na ANWR teria um impacto apenas perceptível nas atuais reservas petrolíferas mundiais, como seus defensores bem sabem. O argumento de que poderia provocar uma redução dos preços do petróleo não está baseado na economia pura e dura, mas na psicanálise de mercado: perfurar “enviaria uma mensagem” aos empresários do petróleo de que ainda resta mais petróleo, e isto faria com que os preços começassem a cair.

Seguem dois pontos deste raciocínio. O primeiro é a tentativa de mentalizar os hiperativos empresários sobre o que ocorre realmente no governo da era Bush, inclusive no meio de uma emergência nacional. O segundo, é que nunca vai funcionar. Se há alguma coisa que podemos predizer do recente comportamento do mercado petrolífero é que o preço vai continuar subindo, não importa quantas novas reservas forem anunciadas.

Tomem, por exemplo, o enorme boom que está ocorrendo com as famosas reservas de petróleo de esquisto bituminoso de Alberta. Com essas reservas de petróleo bituminoso, conhecidas também como “areias petrolíferas”, ocorre a mesma coisa que com as outras áreas propostas por Bush para perfuração: são próximas e seguras, pois o Tratado para o Livre Comércio na América do Norte (NAFTA) contém uma cláusula que impede o Canadá de cortar o fornecimento para os Estados Unidos. Sem fazer muito barulho, o petróleo destas fontes em grande medida sem explorar tem estado fluindo para o mercado em tal quantidade que agora o Canadá é o maior provedor de petróleo dos Estados Unidos, acima da Arábia Saudita. Entre 2005 e 2007, o Canadá aumentou suas exportações para os Estados Unidos em quase 100 milhões de barris. Apesar do significativo crescimento destas reservas seguras, os preços do petróleo aumentaram durante todo este tempo.

O que se esconde por trás da campanha de perfuração da ANWR não é, de fato, senão pura estratégia do choque: a crise do petróleo criou as condições que tornam possível vender uma política antes invendável, mas, evidentemente, altamente lucrativa.

O choque do preço dos alimentos: ou modificação genética ou fome
Estreitamente ligada ao preço do petróleo encontramos a crise alimentar global. Não são apenas os altos preços do petróleo que fazem subir os preços dos alimentos, senão que o boom dos biocombustíveis tornou difusa a fronteira entre comida e combustível, expulsou os agricultores de suas terras e alentou uma especulação desatada. Muitos países latino-americanos têm insistindo em que seja reexaminada a importância dos biocombustíveis como alternativa aos combustíveis fósseis e em que os alimentos sejam reconhecidos como um direito humano e não como uma mercadoria.

O subsecretário de Estado dos Estados Unidos, John Negroponte, tem, contudo, outras idéias a esse respeito. No mesmo discurso em que tentava vender o compromisso dos EUA para uma ajuda alimentar de emergência pediu aos países que baixassem suas “restrições à exportação e suas altas tarifas” e que eliminassem “as barreiras para o uso das inovações tecnológicas na produção animal e vegetal, incluindo a biotecnologia.” É preciso reconhecer que esta ameaça era mais sutil que as anteriores, mas a mensagem era clara: os países pobres fariam bem em abrir seus mercados agrícolas aos produtos norte-americanos e às suas sementes geneticamente modificadas. Caso contrário, arriscam-se a perder sua ajuda.

Os cultivos geneticamente modificados apareceram de repente como a panacéia para a crise alimentar, pelo menos segundo o Banco Mundial, o presidente da Comissão Européia —“coragem e vamos ao touro”, disse— e o Primeiro Ministro britânico, Gordon Brown. E, é claro, segundo as empresas do agrobusiness. “Não é possível alimentar o mundo, hoje, sem organismos geneticamente modificados”, declarou recentemente Peter Brabec, presidente da Nestlé, ao Financial Times. O problema com este argumento, pelo menos por enquanto, é que não há provas de que os organismos geneticamente modificados vão aumentar a produção dos cultivos, pelo contrário, parece que a diminuem.

Mas se houvesse uma varinha mágica com a qual resolver a crise alimentar global, iríamos querer que estivesse em mãos das Nestlés e Monsantos? Qual seria o preço a pagar para que a usassem? Nos últimos meses, Monsanto, Syngenta e BASF estiveram comprando freneticamente patentes das chamadas sementes “todo-terreno”, um tipo de plantas que podem crescer inclusive na terra castigada pela seca ou salgada pelas inundações.

Em outras palavras: plantas modificadas para sobreviver a um futuro de caos climático. Já sabemos até que ponto está disposta a chegar a Monsanto na hora de proteger sua propriedade intelectual, espionando e processando os granjeiros que ousem guardar suas sementes de um ano para o outro. Temos visto como os medicamentos patenteados contra o HIV impedem salvar milhões de pessoas na África subsaariana. Por que os cultivos “todo-terreno” patenteados seriam diferentes?

Enquanto isso, entre tanta charlatanice excitante sobre novas tecnologias perfuradoras e genéticas, a administração Bush anunciou uma moratória de até dois anos nos projetos federais de pesquisa em energia solar, devido a, aparentemente, preocupações com o meio ambiente. Estamos chegando perto da fronteira final do capitalismo de desastre. Nossos dirigentes não investem em tecnologias que nos previnam de maneira efetiva de um futuro climaticamente caótico e, em vez disso, decidem trabalhar ombro com ombro justamente com aqueles que maquinam planos cada vez mais endiabrados para aproveitar-se das desgraças alheias.

A privatização do petróleo iraquiano, a garantia de um domínio global para plantações modificadas geneticamente, a redução das últimas barreiras comerciais e a abertura das últimas reservas naturais… não faz muito tempo que estes objetivos eram conseguidos um atrás do outro por meio de cordiais acordos comerciais apresentados com o pseudônimo de “globalização”. Agora, essa agenda completamente desacreditada está obrigada a cavalgar sobre as costas de crises cíclicas, vendendo a si mesma como a medicina que curará, de uma vez por todas, a dor do mundo.

* Naomi Klein é autora de numerosos livros, sendo o mais recente The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism.

Tradução: Naila Freitas / Verso Tradutores

Carta Maior

Comentários

Abolição tardia e inconclusa

Maria Clara Lucchetti Bingemer

A 13 de maio de 1888 foi declarada extinta a escravidão no Brasil, revogadas as disposições em contrário. A chamada Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, marcava o tardio fim – em termos oficiais – da escravatura no único país das Américas onde a mesma ainda vigorava. São 120 anos de um ato de justiça que, no entanto, até hoje espera para ser plenamente concretizado.

Após uma longa campanha abolicionista e a assinatura de duas leis prévias à Lei Áurea – a Lei do Ventre Livre e a dos Sexagenários – era declarada extinta a escravidão no Brasil. Mas não se extinguia, assim, a questão, o problema nem o debate que continua tendo pertinência no país aparentemente alforriado. Pois, embora não exista mais escravidão no Brasil, o fato de tê-la tido por tanto tempo e até tão tarde marca sem dúvida o perfil brasileiro em relação à questão racial, fazendo com que o tema não deixe – tristemente – de ser mais do que atual.

O Brasil não é um país racista, mas, sem sombra de dúvida, ainda existe aqui o racismo. Não conhecemos o “apartheid” nos moldes sul-africanos, com guetos explícitos. E, no entanto, como deixar de reconhecer o “apartheid” social que segrega os pobres – dos quais muitos, tantos são afrodescendentes – nas periferias e favelas das grandes cidades, bem distantes da minoria branca, que vive amuralhada nos edifícios e condomínios de classe média?

Não temos nos transportes coletivos e públicos lugares reservados aos brancos nos quais os negros estão impedidos de sentar-se. Em nosso país, Rosa Parks – a corajosa militante negra norte-americana - poderia ter continuado seu trajeto no ônibus até o fim da linha sem ser instada a levantar-se para dar lugar aos brancos que subiam no veículo. E, no entanto, diversas moças como Rosa já passaram muitas vezes pela situação de, ao entrar em um prédio de apartamentos para fazer uma visita, serem conduzidas pelo porteiro à porta de serviço devido ao fato de serem afrodescendentes.

Em quantas batidas policiais – cada vez mais freqüentes em nossas cidades – muitos de nós não presenciaram, chocados, os afrodescendentes sendo brutalmente revistados e os brancos poderem seguir seu caminho tranqüilos? Ou quantas vezes uma mulher negra, ao preencher um cadastro, não é sequer indagada sobre qual é sua profissão, automaticamente registrada como “doméstica”?

Imensa dívida tem o Brasil para com os africanos que aqui aportaram depois de arrancados de suas terras e vendidos como escravos. Em três séculos de trabalho escravo, foram eles que ajudaram a construir as bases do desenvolvimento do país sem receber nada em troca a não ser o alimento para suportar o trabalho, a fadiga, os impiedosos castigos. À sombra da casa grande, a senzala era pasto dos mais diversos abusos, entre os quais talvez um dos mais graves tenha sido o sexual, com as jovens africanas devendo, ademais dos trabalhos domésticos, satisfazer os desejos sexuais do senhor e carregar-lhe a prole no ventre.

Cento e vinte anos depois, é tempo de reconhecer a dívida e lutar por políticas públicas que colaborem com a plena inserção dos afrodescendentes na vida cidadã e na plenitude de seus direitos civis. A abolição aconteceu legalmente em 1988. Hoje, no entanto, a lei assinada em 13 de maio requer um compromisso de todos para que seja efetiva e plena.

Último país das Américas a acabar com a escravidão, recordista mundial do tráfico de escravos africanos (cerca de 3,6 milhões de pessoas compradas e vendidas entre os séculos XVI e XIX), o fato é que nossa dívida para com os africanos e seus filhos e netos ainda não foi paga nem ao menos parcialmente.

A imensa maioria afrodescendente da população de um país onde o sangue africano corre na maioria das veias clama pela efetivação da igualdade anunciada na Lei Áurea. Os atabaques batem pedindo justiça. E a riqueza da cultura afro, presente no samba, na feijoada, na arte, na música, em tudo aquilo, enfim, que é o rosto do Brasil reconhecido no mundo inteiro só reforça essa urgência, que faz parte do verdadeiro “investment grade” ao qual o país deve aspirar.

Maria Clara Bingemer é autora de “Simone Weil - A força e a fraqueza do amor” (Ed. Rocco).

“Correio da Cidadania”

Comentários

Busca

Cida Sepulveda

A mão da menina desliza
Sobre a folha branca

Talvez
Uma floresta
Um pássaro
Um gigante
Uma bomba
Um perdão

A mão da menina busca
A qualidade da palavra
Aprendida
Apreendida

A mão desliza
A menina experimenta
O prazer da expressão

E-Mail: apasepulveda@globo.com

Releituras

Comentários

EUA reativam IV Frota e preocupam dirigentes da AL

Desmontada em 1950, frota que ganhou fama na Segunda Guerra volta a freqüentar as águas da América Latina e do Caribe com 22 embarcações dotadas de mísseis. Em telefonema ao ministro Celso Amorim, Condoleeza Rice diz que “objetivo é cooperar”.

Maurício Thuswohl

RIO DE JANEIRO – Ela ganhou notoriedade durante a Segunda Guerra Mundial, ao caçar submarinos nazistas nas águas do Atlântico Sul. Foi desmontada em 1950, mas agora está de volta, para espanto dos chefes de Estado da região. A temida IV Frota Naval dos Estados Unidos foi reativada oficialmente esta semana e, segundo a Marinha norte-americana, vai começar a realizar em breve exercícios no limite das águas territoriais da América Latina e do Caribe.

Essa decisão, tomada de forma unilateral pelo governo de George W. Bush, já provocou manifestações de desagrado dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Cristina Kirchner (Argentina), Hugo Chávez (Venezuela) e Evo Morales (Bolívia), apesar de os EUA garantirem que suas embarcações somente serão utilizadas em “operações de paz, de assistência humanitária e de socorro em caso de desastres naturais”.

A reativação da IV Frota foi celebrada no último sábado (12), durante uma cerimônia militar realizada no estado da Flórida. O chefe de Operações Navais da Marinha dos EUA, almirante Gary Roughead, disse não entender a preocupação dos latino-americanos, e afirmou que “o objetivo dos EUA é promover uma parceria para proteger os mares da região”. Algumas outras palavras de Roughead durante a cerimônia, no entanto, foram menos amistosas: “O foco da IV Frota estará nas ações humanitárias, mas que ninguém se engane: ela estará pronta para qualquer tipo de ação, em qualquer lugar e a qualquer momento”, disse.

Segundo o chefe do Comando Sul das Forças Armadas dos EUA, James Starvidis, a IV Frota, ao contrário das outras frotas em atividade, não terá embarcações permanentemente presentes em sua região de atuação. Se for preciso, no entanto, num espaço de poucos dias os militares norte-americanos poderão reunir em águas latino-americanas e caribenhas uma força composta por 22 barcos (treze fragatas com mísseis, quatro cruzadores com mísseis, quatro destróieres com mísseis e um navio-hospital).

Uma demonstração militar dessa magnitude já seria suficiente para justificar a preocupação dos governos latino-americanos, mas os EUA ainda forneceram outro elemento ao nomear para o comando da IV Frota um “cão de guerra”, o contra-almirante Joseph Kernan. Oriundo do grupo Seal, uma força de elite dos Fuzileiros Navais especializada em missões sigilosas, Kernan tem em seu currículo a participação no planejamento das invasões do Afeganistão e do Iraque. Durante a cerimônia, o contra-almirante manifestou seu sonho de voltar à Amazônia, onde já esteve como turista, para “treinar táticas de guerra na selva”.

Apesar de a Marinha dos EUA afirmar que comunicou com antecedência a reativação da IV Frota a todas as Marinhas da região, a maioria dos governos da América Latina e do Caribe demonstrou surpresa com a notícia. O primeiro contato oficial do governo norte-americano com o governo brasileiro aconteceu somente na terça-feira (15), três dias após a cerimônia na Flórida, através de um telefonema da secretária de Estado dos EUA, Condoleeza Rice, ao ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim.

Lula pede explicações

Segundo fontes do Itamaraty, Condoleeza disse ao ministro brasileiro que o objetivo dos EUA é cooperar com os países da região numa postura de respeito ao direito internacional. A secretária de Estado norte-americana também teria prometido a Amorim que maiores detalhes das operações da IV Frota serão transmitidos ao embaixador do Brasil em Washington, Antônio Patriota, pelo subsecretário de Estado John Negroponte.

Na véspera do telefonema de Condoleeza Rice a Celso Amorim, o presidente Lula havia instruído o Itamaraty a cobrar explicações do governo dos EUA sobre a IV Frota. Segundo o comandante da Marinha do Brasil, almirante Júlio de Moura Neto, Lula exigiu do governo Bush um contato formal com o governo brasileiro, além de maiores informações acerca da retomada dos exercícios militares nas águas latino-americanas.

A decisão dos EUA não agradou a Lula, que já teria manifestado aos ministros da área militar o desejo de acelerar o processo de reaparelhamento das Forças Armadas brasileiras: “Isso é uma necessidade. A Marinha não está preparada para assumir suas atribuições previstas na Constituição”, resumiu Moura Neto.

Agência Carta Maior

Comentários

Racismo penetra nas escolas da Espanha

Dois terços dos alunos se recusam a estudar junto com marroquinos e ciganos

Antía Castedo e Anaís Berdié
Em Madri
El Pais

Um balde de água fria em plena discussão sobre a integração nos colégios. Os estudantes espanhóis são pouco tolerantes com os estrangeiros, principalmente se tiverem de ficar ao lado deles na escola. A maior discriminação é dirigida aos marroquinos e aos ciganos. Quase dois terços dos estudantes de segundo grau espanhóis não gostariam de compartilhar tarefas com estrangeiros, segundo um estudo do Observatório Estatal de Convivência Escolar, órgão do Ministério da Educação.

A pesquisa foi realizada entre 23.100 estudantes do segundo grau e mais de 6.000 professores em 300 colégios públicos e privados de todas as comunidades autônomas, exceto Catalunha. Procurou-se determinar a qualidade da convivência nas escolas e os obstáculos que se apresentam para alcançá-la.

A disposição dos jovens para dividir tarefas com alunos estrangeiros melhora um pouco em relação aos latino-americanos ou os procedentes da África negra, mas continua negativa. Quase a metade dos adolescentes espanhóis (46%) está nada ou pouco disposta a trabalhar e estudar com um latino-americano. E mais da metade recusaria um judeu como companheiro de carteira. Os mais aceitos são os europeus ocidentais e os americanos.

Os coletivos de estudantes ciganos, judeus e marroquinos estão “sob um risco muito sério de sofrer intolerância”, na opinião de María José Díaz-Aguado, diretora do estudo e catedrática de psicologia da educação na Universidade Complutense de Madri. É um fato grave porque, segundo a especialista, “não houve uma melhora nos últimos anos” em relação a essas minorias.

Esses resultados “só fazem confirmar a reprodução de discursos racistas dos adultos em relação a grupos muito estigmatizados pela sociedade”. É a opinião de Silvia Carrasco e Maribel Ponferrada, do grupo de pesquisa Emigra da Universidade Autônoma de Barcelona. Segundo os dados de um estudo sobre convivência e conflito realizado nos colégios secundários da Catalunha, os alunos estrangeiros “sofrem um maior número de situações de intimidação e de agressões verbais e físicas” que os demais.

A essência dessa rejeição, na opinião de Mariano Fernández Enguita, catedrático de sociologia na Universidade de Salamanca, são os preconceitos e o choque entre diferentes modos de vida. “A escola é um pequeno microcosmo que corresponde à sociedade ao redor”, ele afirma, e conclui que exatamente por isso é o melhor lugar para se aprender a conviver. Os dados expostos nessa sondagem da opinião dos alunos não é o que preocupa esse especialista em educação intercultural, mas sim “se os colégios têm ou não projetos” para ajudar a melhorar esses problemas.

A disposição negativa para trabalhar com determinados estrangeiros nas classes não se traduz, porém, em atitudes violentas dos adolescentes em relação às minorias. Mais de 90% dos estudantes secundários não apóiam os grupos que promovem a xenofobia ou a violência contra marroquinos, ciganos e judeus, e continua havendo 8% que declaram abertamente sua simpatia por eles. O racismo explícito pode levar esses estudantes a ser captados pelos grupos xenófobos e violentos. Algo que é preocupante, porque “o racismo e a rejeição à democracia andam juntos”, salienta Díaz-Aguado.

Na opinião do catedrático Fernández Enguita, estamos vivendo um momento de “ressaca” diante da imigração, “alimentado pelo debate político e a crise econômica”, mas que não considera especialmente alarmante. O que o preocupa é que os colégios costumam ser “disciplinados no formal”, isto é, politicamente corretos na hora de falar de tolerância e respeito, mas o simples discurso “não garante absolutamente que a escola preste essa ajuda”.

A solução, segundo o especialista, começaria com a elaboração de projetos concretos que ensinem os jovens a enfrentar os problemas de convivência. Enquanto quase 90% dos professores que responderam à pesquisa do Ministério da Educação pensam que em seus colégios se trabalha para promover uma boa recepção aos alunos estrangeiros, só 64% dos alunos concordam.

A mesma maioria (70%) de professores acredita que na escola se fala de racismo e dos danos que ele provoca, como de estudantes que não percebem absolutamente isso. E um em cada quatro alunos pensa que a tolerância e o respeito às culturas não são incluídos em sua formação antiviolência.

Assediados por ser gordos
O assédio escolar afeta pela primeira vez de forma visível os alunos com alguns quilos a mais. Quase 30% dos agressores justificam sua atitude diante do companheiro porque “está gordo”, e as vítimas têm a mesma percepção. Isto talvez se deva, segundo a diretora da pesquisa do Observatório Estatal da Convivência, a uma mudança de valores que dá cada vez mais valor à imagem física.

A pesquisa do Ministério da Educação também salienta que “80% dos alunos rejeitam as condutas violentas”. No entanto, 3,8% declaram ter sofrido assédio com freqüência ou muitas vezes nos últimos dois meses, e 2,4% reconhecem que foi o agressor.

Outras características que tornam as vítimas mais vulneráveis, segundo os assediadores, são que “estão isoladas” ou que “não se defendem”. Os alunos estrangeiros também não se saíram bem nessa ocasião. Quase 18% dos assediadores admitem que os alunos ciganos ou procedentes de outro país podem ser vítimas mais facilmente. A mesma porcentagem acredita que a cor da pele é uma característica relevante.

Díaz-Aguado considera que os resultados, que estão na mesma linha de estudos anteriores como o realizado pelo Defensor do Povo sobre violência escolar em 2006, indicam que “houve um avanço importante na prevenção e no tratamento do assédio escolar”. Os alunos mostram-se muito mais dispostos que antes a recorrer aos professores.

O trabalho também questiona o tema da violência de gênero. Os especialistas dizem que nas escolas se avançou muito em termos de igualdade, algo que é corroborado pela diretora desse estudo. Diminuiu o número de alunos que justificam a violência contra as mulheres. No entanto, 4% ainda acreditam que é razoável que um homem agrida sua mulher ou sua namorada quando ela decide deixá-lo. Isso implica um claro risco de que se acabe reproduzindo a violência de gênero, segundo Díaz-Aguado. E 7% dos pesquisados consideram que “o homem que parece agressivo é mais atraente”.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Visite o site do El País

Comentários

Caça as bruxas? Não, na Itália se pratica a caça aos ciganos

O governo italiano encontrou nos imigrantes o seu bode expiatório e passou a culpá-los pela crise sócio-econômica que atinge o país. Os ciganos, principalmente, estão sendo brutalmente condenados e criminalizados pelo novo governo de Berlusconi, tanto que estão sendo fichados e tendo as impressões digitais recolhidas.

Janaina Cesar - Especial para Carta Maior

ROMA - O tempo de caça às bruxas está voltando ao velho continente e a Itália é a porta bandeiras nessa inquisição. Silvio Berlusconi voltou ao parlamento por causa da ineficiência da centro-esquerda italiana e pela primeira vez na história a Liga Norte, um partido de extrema direita, vai ao centro do poder.Umberto Bossi, um dos responsáveis pela tão famigerada lei de imigração Bossi-Fini, assume o Ministério de Reformas e dá a Roberto Maroni o Ministério do Interior. Toda a campanha política foi feita em cima da questão segurança e imigração e essa vitória política legitima atos de violência contra os imigrantes.

O governo encontrou nos imigrantes o seu bode expiatório e passou a culpá-los pela crise socia e/econômica que está arruinando o país. Os ciganos, principalmente, estão sendo brutalmente condenados e criminalizados pelo novo governo de Berlusconi, tanto que estão sendo fichados e as tendo as impressões digitais recolhidas. O ministro Maroni declarou que “é por uma questão de segurança que todos os roms (nômades/ciganos) que vivem na Itália serão fichados, incluindo as crianças”.

O fato suscitou muita polêmica e o parlamento europeu - apesar de ter votado a favor da criminalização da imigração ilegal - mostrou a face humana, ou o que ainda resta dela. Após um caloroso debate a comissão que analisa o caso votou dia 10 de julho e vetou o fichamento dos roms com 336 votos a favor, 220 contrários e 77 abstenções. A resolução final afirma que é “inadmissível a violação dos direitos fundamentais das crianças e a criminalização das mesmas” e “pede que seja verificada a compatibilidade das medidas que estão sendo adotadas na Itália com os direitos garantidos pela UE”, diz a nota enviada à imprensa.

Segundo a resolução, o recolhimento das impressões digitais dos roms constitui claramente um ato de descriminação racial e étnica proibido pelo artigo 14 da Convenção Européia dos direitos humanos”. O ministro Maroni declarou que ao fichar e recolher impressões digitais dos menores roms, o governo esta garantido uma possibilidade de acesso a educação/escola e de cidadania. “Nós daremos a cidadania italiana à todas as crianças roms não acompanhadas por familiares”, disse o ministro.

Mas para os deputados do Parlamento Europeu “essa é uma questão inadmissível onde as crianças são criminalizadas e seus direitos violados. A melhor maneira para proteger os direitos das crianças roms é garantir paridade de acesso a instrução, a moradia e hospitalar, elaborar políticas de inclusão e integração e protege-las da exploração”, diz a resolução européia. O deputados também se mostraram preocupados com a afirmação contida no decreto administrativo do governo italiano que diz que a presença de campos nômades em torno aos grandes centros urbanos constitui uma grave emergência social, com repercussão de ordem pública e de segurança o que justificaria a declaração de um “estado de emergência” que deve durar 12 meses.

Apesar do parlamento europeu ter dado o veto, o governo iniciou o fichamento dos roms dia 17 de julho.

Agência Carta Maior

Comentários

Postal

Caio Tozzi

Como de costume, colocou os dois pratos sobre a mesa. Não havia sorriso, não havia fome. Enquanto a comida esfriava, a tempestade fazia barulho ao bater no teto. Vez ou outra se ouvia as rajadas do trovão, ainda que distantes. A mão delicada de Madalena aproximou-se lentamente da janela, como um arrepio que sobe pela espinha. Aquela janela velha de madeira, azulada como quisera, se prendia pela tranca, mesmo estando contra o vento que vinha do oceano. Tivera medo do que estava lá fora, diante dela. Mas o rosto também chegou mais perto. Quem estava longe não veria os imensos olhos negros observarem pela fresta do vitral o lado de fora. Fechou abruptamente, com todos os sonhos que aquela mulher poderia ter.

O aceno, o último olhar, se transformava naquela luz que aparecia no mar. Subindo e descendo, subindo e descendo, subindo assim, descendo de lá. As ondas aumentavam, e a luz ao longo do horizonte, ia se distanciando. Um uivo de vento passava pela casa pequena, silenciosa. Se prestasse atenção, fazia-a tremer. A mão pequena fechava-se como se não pudesse mais agir. A flecha fora atirada. A palavra dita. Chegara sorrindo, queimado de sol.

— Descobri meu grande sonho.

Descobrir os sonhos pode custar caro.

— Quero conhecer o mundo.

Conhecer o mundo era ter ele todo para si.

— Você não pode conhecer o mundo.

— Posso. — Olhou para o mar.

— Então me leva.

— É perigoso.

— Então não vá.

Perde-se a luz de vista, mas logo surge mais pequenino, quase caindo no céu. Pedido fora negado.

— Meu sonho é conhecer o mundo — repetia.

A vida continuava, debaixo de sol ou sob a chuva fria que molhava rostos, com a mesma intensidade que a lágrima lhe escorria. E se perguntou, porque está arrumando suas coisas, por que seu barco está aí na frente. Entendera, mas não quis acreditar. Era o mundo que estava pronto para receber. O céu começou a fechar.

— Quero conhecer o mundo também — pegou-o pelo braço.

Beijou-lhe na despedida, assim como beijou a barriga que traria alguém para conhecer o novo mundo. Acariciou ternamente. Filho do adeus. A luz se apagou lá longe. O mar ainda revolto, revirava vidas dentro e fora dele.

— Eu tenho um sonho.

Olhou-a com curiosidade.

— Meu sonho é conhecer o mundo.

Ele sorriu e subiu no barco. Ela correu, mas percebeu que um sonho era mais forte que ela.

— Então me faça uma promessa.

Ele concordou com a cabeça. Madalena pediu, queria conhecer as coisas mais bonitas do mundo.

— Por onde você passar, me mande um postal.

A tempestade teima em não parar. A comida ainda esfria na mesa. E ela nunca recebera nenhum postal.

E-Mail:caio_tozzi@yahoo.com.br

Releituras

Comentários

Estudantes promovem ato pela democratização da comunicação

Manifestação, que será realizada dia 23 de julho, no Rio de Janeiro, faz parte da programação do Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecom). Também no Rio, Central de Rádios Comunitárias envia carta a parlamentares pedindo socorro contra repressão.

Redação - Carta Maior

RIO DE JANEIRO - Estudantes de comunicação do Brasil promoverão um ato pela democratização da comunicação, dia 23 de julho, no Rio de Janeiro, a partir das 16h30min, com concentração na Praça XV. Para quem vem de Niterói, a concentração será no Campus do Gragoatá, às 15 horas. A atividade faz parte da programação do Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecom) e pretende dialogar com a população sobre a fusão da Brasil Telecom com a Oi Telemar. Todas as entidades comprometidas com a luta pela democratização da comunicação estão convidadas a participar.

O ato está sendo convocado pelas seguintes entidades: Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação (ENECOS), Centros e Diretórios Acadêmicos de Comunicação da UFF, PUC-RJ, UERJ, UFRJ, Diretório Acadêmico de Estudos de Mídia - UFF e Comissão Organizadora do ENECOM Rio 2008.

Rádios comunitárias
A Central de Desenvolvimento de Rádios Comunitárias do Grande Rio encaminhou ofícios a todos os deputados federais e senadores solicitando que intercedam junto ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, “em função da absoluta falta de sensibilidade no que tange à radiodifusão comunitária”. A correspondência afirma:

“Estamos pedindo socorro aos nossos parlamentares, nossas rádios estão sendo fechadas de maneira covarde e arbitrária, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e a Polícia Federal têm interpelado os radialistas de maneira absolutamente irregular, contrariando o capítulo 5° da Constituição brasileira que nos garante a livre expressão”.

A central de rádios comunitárias também encaminhou correspondência ao ministro Hélio Costa, solicitando informações sobre o procedimento para a instalação, operação e legalização das mesmas.

Agência Carta Maior

Comentários