Arquivo de 21 de Julho de 2008

A subcondição humana

Em “Abolição”, a historiadora Emilia Viotti da Costa disseca a formação do racismo no Brasil

FRANCISCO ALAMBERT
ESPECIAL PARA A FOLHA

É muito bonito e raro ver uma historiadora no auge de sua carreira retomar o gosto pela fala direta, didática e sintética, voltada aos leitores em geral. Isso é apenas uma das coisas que singularizam o trabalho de Emilia Viotti da Costa.
Uma das maiores “scholars” atuais, professora titular da Universidade Yale, professora emérita da USP, uma parte de seu trabalho atual é organizar coleções didáticas.
Neste caso, ela reedita um livro cuja primeira edição apareceu em 1982, agora acrescido de um belo capítulo inédito, “Depois do Fato”, que trata das conseqüências e dos impasses do processo abolicionista.
Neste livro, a autora sintetiza as idéias que desenvolveu em trabalhos anteriores, como o clássico “Da Senzala à Colônia” [ed. Unesp] ou mesmo posteriores, como “Coroas de Glória, Lágrimas de Sangue” [Cia. das Letras], no qual estudou a rebelião dos escravos em Demerara (uma sofisticadíssima análise, que trabalha de modo surpreendente a relação entre macro e micro-história e que teve entre nós uma recepção muito inferior àquela que merecia).

Luta legalista
Em “A Abolição” [ed. Unesp, 142 págs., R$ 27], ela apresenta as questões mais relevantes que envolvem o processo abolicionista e suas contradições.
Há um belo trecho em que nos é explicada a importância da Guerra do Paraguai para a crise que levaria à abolição.
Acompanhamos a luta “legalista” do advogado e poeta negro Luis Gama, que astutamente usava as armas do opressor, a legislação, a favor dos oprimidos (sua biografia e seus poemas são analisados em um capítulo que discute também os motivos do engajamento de abolicionistas como André Rebouças e Joaquim Nabuco).
Vemos as negociações feitas no Parlamento, pelo menos desde 1871, para tramar a lenta “transição” para a abolição da escravidão, em meio às transformações sociais trazidas pelos processos de modernização urbana e agrícola.
A desfaçatez do racismo brasileiro aparece de várias maneiras neste livro, inclusive de lugares e temas surpreendentes, como o episódio da frustrada tentativa de trazer imigrantes chineses, discutida no Congresso Agrícola de 1878.
De um lado, evocavam-se os bons resultados dos chineses na Califórnia ou em Cuba, além do fato de que aceitavam qualquer trabalho, quase sem pagamento. De outro lado, os críticos diziam que eram indolentes, corruptos, viciados em ópio e que iriam “mongolizar” a “raça” brasileira.
No final, o que impediu a imigração chinesa foi a oposição da Inglaterra e de Portugal, que fecharam os portos de Hong Kong e de Macau.

Mulheres e jangadeiros
Aprendemos o essencial sobre as razões da Abolição, mas não apenas do ponto de vista “político” mais restrito.
Vemos a luta das mulheres urbanas e suas associações, a luta dos jangadeiros do Nordeste, de ferroviários, de poetas. A autora é especialmente sensível aos “heróis anônimos”, tema de um capítulo que trata das sociedades secretas que instigavam rebeliões e fugas das senzalas. Tudo isso se soma, e possibilita, o “golpe final”, nas palavras da historiadora, trazido pelas “rebeliões das senzalas”.
Ela sabe e nos mostra que a abolição não foi uma “dádiva” das classes dominantes, mas o resultado da ação inconformista dos escravos associada a uma ampla crise social.
O último capítulo mostra a terrível condição na qual os ex-escravos foram lançados: a pobreza, a exclusão, a mendicância, a exploração dos fazendeiros (agora patrões).
A abolição da desigualdade social, diz Viotti, ainda não terminou. A historiadora conclui seu livro com as palavras de um antigo líder operário lembrando que a escravidão do negro acabou, “mas a do trabalhador, e do pobre, ainda continua”.

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FRANCISCO ALAMBERT é historiador.

Folha de S. Paulo - 20 de julho de 2008

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Sob as asas da revolução

Poeta fundamental do século 20, Maiakóvski é tema de biografia

AURORA F. BERNARDINI
ESPECIAL PARA A FOLHA

Com os progressos da “transparência”, que desde o início acompanhou a perestroika, tem sido possível na Rússia o acesso não apenas aos arquivos estatais mas igualmente a uma série de documentos particulares, de correspondências, de notas, que muito esclarecem aspectos de biografias até hoje incompletas ou mal interpretadas.
É o caso desta alentada “Maiakóvski - O Poeta da Revolução”, que acompanha a vida do famoso poeta georgiano desde sua infância mágica e sua juventude rebelde, sob “os céus de Bagdádi”, até a atual esperada revisitação de sua obra -que, depois de um estrondoso sucesso de crítica e de público até a morte de Lênin, havia “misteriosamente” desaparecido da lista da bibliografia escolar na época de Stálin, juntamente com a obliteração de seus últimos trabalhos, em particular da peça “Os Banhos”.
Com o suicídio de Maiakóvski, uma vez esconjuradas a sátira que ele insistia em fazer da burocracia já invasiva do período e sua descrença na justiça social, estátuas dele foram erigidas na União Soviética inteira, “impingindo-o compulsoriamente, como a batata na época de Catarina” -dirá Pasternak-, e transformando-o em símbolo da revolução -que, na opinião do próprio poeta, há tempo havia deixado de existir.
Tirante os momentos de interpretação literária datada (o autor deixa entrever que a produção poética válida do poeta é a lírica, e não a “verbivocovisual” na qual ele tanto se sobressaiu, compondo, além de peças e roteiros, mais de 600 slogans para cartazes e anúncios que ele mesmo confeccionava) e tirante também alguns deslizes da revisão (que deixou escapar os acentos dos nomes russos, que muitas vezes receberam transliterações diferentes, bem como o encadeamento dos tempos verbais), as informações fornecidas pelo autor, vindas de fontes seguras, contribuem para a melhor compreensão de figuras e momentos da vanguarda russa pré e pós-revolução.
É o caso de cubo-futurismo, a “LEF”, a REF, o Comfut e outras siglas que marcaram atividades e entidades do período socialista nas quais Maiakóvski foi a força motriz.
Entre as personalidades retratadas, salientam-se os companheiros futuristas Khlébnikov, Krutchónikh, Burliuk, Kamiénski, mas também Blok, Essiénin, Akhmátova, Pasternak, Marina Tsvetáieva, Górki, Mandelstam, Sologub, Meyerhold, Stanislávski, Rodchenko, Eisenstein (Maiakóvski foi ator de cinema de sucesso), os críticos Chklóvski, Tyniánov, Eikhenbaum e Jakobson, os pintores Lariónov, Gontcharova e Riépin -antigo mestre de Maiakóvski-pintor-, os musicistas Matiúchin e Chostakovitch etc. e as mulheres amadas pelo poeta.
Mikháilov as focaliza de perto aqui, num tom entre o folhetinesco e o naïf: “Não é fácil compreender os sentimentos de T.A. Iakovleva, se era amor, se era uma atração forte…”.
Enquanto se mostra duro e percuciente em relação ao conhecido triângulo Lília-Maiakóvski e o conivente Óssip Brik, “que deixou passar outros casos de amor de Lília Iurievna, mesmo depois de casada com Primakov (já após a morte de Maiakóvski)”.

Casal turbulento
O casal Brik, diante de certas descobertas, passa a adquirir contornos sombrios. Não apenas Lília se teria beneficiado financeiramente do sucesso e dos direitos autorais de Maiakóvski (apartamentos, carros, porcentagens), mas teria sido diretamente responsável -pois ligada à NKVD por meio de certo I. Agránov, alto funcionário do Departamento de Iágoda e futuro homem de confiança de Stálin, que freqüentava as “terças-feiras” do círculo da “LEF” por ela regidas-, pela não concessão de passaporte e pela proibição de Maiakóvski viajar ao estrangeiro.
Esse fato foi fundamental em sua vida e teria marcado o início do processo de depressão do poeta.
Por interessar a Lília “mantê-lo sob suas asas”, mesmo quando findo seu relacionamento conjugal, ela teria se valido dos meios mais escusos para desfazer qualquer outro laço sentimental de Maiakóvski considerado ameaçador, inclusive com Elli Jones, a mãe de sua filha, que o poeta manteve sempre secreto, provavelmente desconfiando das intrigas de Lília.
Não há dúvida, porém, diante da mensagem que o poeta deixou ao morrer, que Lília Brik ocupou sempre, edipianamente ou menos, um lugar decisivo na vida do poeta.

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AURORA F. BERNARDINI leciona teoria literária e literatura comparada na USP.

MAIAKÓVSKI
- O POETA DA REVOLUÇÃO
Autor: Aleksandr Mikháilov
Tradução: Zoia Prestes
Editora: Record
(tel. 0/xx/21/ 2585-2000)
Quanto: R$ 68 (560 págs.)

Folha de S. Paulo - 20 de julho de 2008

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“Não há indústria do mal”

Para chefe do departamento de psiquiatria da USP, drogas interferem só no temperamento, e não no caráter

DA REDAÇÃO

O conflito de interesses quanto ao conceito de sanidade mental não se restringe à relação de alguns médicos com a indústria farmacêutica.
Para Valentim Gentil Filho, chefe do departamento de psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, esse é apenas o viés mais comentado do problema.
“O assunto é complexo, eticamente importante e sujeito a um monte de vieses. Há muitos conflitos de interesse; além da indústria farmacêutica, há os interesses políticos, ideológicos, financeiros, de ONGs, de linhas de psicoterapia. Isso em geral não é dito”, afirma o professor.
Para Gentil Filho, quando um psicoterapeuta critica o uso de medicamentos, é preciso notar que “também há uma briga de mercado corporativa entre profissionais de saúde”. (EGN)

FOLHA - Como avalia as críticas ao DSM (”Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais”), segundo as quais ele tem má influência sobre os médicos do mundo inteiro, incluindo novos distúrbios para comportamentos comuns?
VALENTIM GENTIL FILHO - O DSM é só uma classificação estatística, serve apenas para dimensionar os problemas que aparecem. É para fins quantitativos, e deve ser usado para catalogar; não é um livro-texto.
Infelizmente, em muitos países, inclusive no Brasil, às vezes há confusão, as pessoas o utilizam como manual de ensino.
O DSM evolui com os conhecimentos, com novas definições. O DSM 4 é um avanço em relação ao DSM 3. O mau uso do DSM 3 pode ter gerado distorções -talvez isso seja corrigido na nova versão que está sendo desenvolvida.
O comentário de que o DSM 3 e o DSM 4 levaram à ampliação do diagnóstico psiquiátrico e que isso levou a um exagero de prescrição de medicamentos é uma afirmação freqüente, mas difícil de debater ou comprovar.
Pois, nos últimos 28 anos (o DSM 3 é de 1980), houve disseminação de informações por meios eletrônicos, além da ampliação do conhecimento sobre disponibilidade de recursos terapêuticos, o que contribuiu para um aumento da demanda -as pessoas que sofrem querem ajuda.
E os profissionais de saúde tendem a tentar atender essa demanda.

FOLHA - Em “Timidez”, Christopher Lane afirma que a elaboração do DSM foi influenciada pela indústria farmacêutica, legitimando uma “cultura da droga”. Há essa cultura no meio da saúde mental hoje em dia?
GENTIL FILHO - Há uma cultura da droga na sociedade em geral. As pessoas abusam de substâncias desde o tempo do Noé. A indústria farmacêutica não é uma entidade filantrópica nem universitária -vai atrás de seus potenciais usuários.
O difícil é pensar que a medicina é enganada pela indústria farmacêutica, que somos influenciados só por um vendedor ou um congresso. A sociedade procura ajuda; isso sempre existiu, buscou-se a cura nas religiões, em outros procedimentos. Mas quantas pessoas estão sendo medicadas indevidamente por causa da propaganda, quanta psicoterapia é prescrita indevidamente… Isso é muito difícil de saber.

FOLHA - Que exageros já encontrou?
GENTIL FILHO - Lembro do caso do transtorno de pânico. Alguns diziam que estávamos simplesmente rediagnosticando uma coisa já descrita em 1895 por Freud, sempre abordada como um problema comum de ansiedade e angústia, que a abordagem deveria ser mais relativa à filosofia ou à psicoterapia.
Hoje o transtorno de pânico tem um diagnóstico robusto, uma base bem demonstrada.

FOLHA - E quanto à timidez?
GENTIL FILHO - Há traços de personalidade que existem há séculos e podem ser influenciáveis por medicação. Se não fosse assim, as pessoas tímidas não beberiam antes de entrar em cena em festivais de MPB, por exemplo.
É possível usar medicamentos para interferir na resposta temperamental. O temperamento depende de regulagem biológica, também. O caráter é muito influenciado pela cultura, mas o temperamento é biologicamente modelado. O fato de haver medicamentos capazes de diminuir a reação não quer dizer que todos devam ser medicados.
Mas, se uma pessoa tem uma timidez patológica, que método deve ser usado? Ou as pessoas devem se autoflagelar antes da ajuda médica?
Se uma pessoa tem timidez patológica, será que deixar de atender a demanda não é omissão de socorro?

FOLHA - Há estatísticas para classificar a timidez?
GENTIL FILHO - Timidez não é diagnóstico psiquiátrico. O fato de haver um medicamento ou método psicoterápico que ajuda a resolver a timidez não a transforma em síndrome.
Se ela o será um dia, isso dependerá de convenções. Há uma cultura numa das ilhas do Pacífico em que as pessoas não tratam uma certa doença de pele, porque acham que fica bonito.

FOLHA - Então, para o sr., a pessoa pode usar drogas para ter uma qualidade de vida melhor…
GENTIL FILHO - O que me incomoda é dizerem que a indústria farmacêutica é uma “indústria do mal”. Existem recursos para lidar com problemas -álcool, tabaco, chocolate etc.
Como médico, é preciso ter alguma base científica. Os médicos tendem a ser éticos e dizer: “Vale a pena fazer tal mudança de vida” ou “vale a pena tomar medicamento”. Esses autores que lutam contra o demônio da indústria farmacêutica não são donos da verdade.

FOLHA - O sr. falou em evitar o “autoflagelo”. Adam Phillips trata como erro a idéia de que é possível ser feliz o tempo todo. O sr. concorda?
GENTIL FILHO - Está errada a colocação. Medicamento não faz ninguém feliz. Diminuir o sofrimento não é trazer felicidade. A felicidade aparece e desaparece de acordo com circunstâncias, é medida em momentos; há felicidade em meio à dor.

Folha de S. Paulo - 20/7/08

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As quatro faces de Emma: Flaubert

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Publicado em 1857, “Madame Bovary” valeu ao seu autor um processo; eram tempos em que as artes causavam escândalo por razões menos artísticas que morais
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JORGE COLI
COLUNISTA DA FOLHA

Com a recente edição em DVD de “Madame Bovary” [1933], de Jean Renoir (Versátil), estão disponíveis as três mais importantes versões para o cinema desse romance. As outras foram dirigidas por Vincente Minelli [1949] e Claude Chabrol [1991].
Uma tentativa de compará-las não é descabida. A tarefa, porém, não pode se enfeixar numa só coluna: é melhor estendê-la um pouco. O romance é um bom começo para hoje.
“Madame Bovary” entrou de modo definitivo na cultura do Ocidente. Diz-se bovarismo como se diz don-juanismo ou quixotesco. O dicionário define: “Bovarismo: tendência que certos indivíduos apresentam de fugir da realidade e imaginar para si uma personalidade e condições de vida que não possuem, passando a agir como se as possuíssem”.
O livro, publicado em 1857, valeu ao seu autor um processo. Eram tempos em que as artes causavam escândalo por razões menos artísticas que morais: Baudelaire, Manet, Courbet, entre outros, sofreram a execração pública que podia ativar a Justiça.
Depois dos movimentos revolucionários de 1848, chamados de “a Primavera dos Povos”, a palavra realismo pairava com muita força no campo das artes. O termo conjugava significações diversas; dentre as mais fortes estava a recusa dos mundos imaginários criados pelos românticos.
A sociedade contemporânea de então escandalizava-se com o rosto de si própria, reconstituído sem embelezamento por meio das artes.

Oco
Émile Zola declarou que “Madame Bovary” foi o primeiro dos romances naturalistas porque haveria nele a “reprodução exata da vida, a ausência de todo elemento romanesco”.
Realista, naturalista, a classificação importa pouco. Interessa, na frase de Zola, aquilo que está além de sua própria intenção. Há, decerto, em “Madame Bovary”, uma ausência de toda peripécia romanesca, no sentido em que não ocorrem episódios excitantes na vida tediosa da cidade provinciana.
Ocorre porém que, nesse romance, o romanesco se encontra exatamente na ausência de romanesco. Flaubert disse que as origens de “Madame Bovary” estavam no “Dom Quixote”. De fato, Emma é uma espécie de Dona Quixote, que sofre, como o herói de Cervantes, com as relações complicadas entre ler, imaginar e viver.
De um ponto de vista moral, os livros românticos, que ela devorou quando foi educada num convento, deformaram-lhe a vida, fazendo-a aspirar ao impossível. Mas foram eles que lhe deram a grandeza de transformar-se na protagonista de um melodrama.
Por imaginário que fosse, esse melodrama incidiu sobre sua existência, levando-a ao suicídio, ato de exceção, ponto em que a heroína que ela imaginava ser encontra-se com a morte verdadeira.
O vazio criado pela ausência do romanesco foi preenchido.
As frustrações de Emma permitiram um romance que se lê apaixonadamente.

Pulsões
Flaubert amava Chateaubriand e a eloqüência das frases românticas. Daria vazão a mundos voluptuosos, embebidos num exotismo desvairado, em outra obra: “Salammbô”, ponte admirável entre o romantismo e o decadentismo.
Com “Madame Bovary”, ao contrário, regrou sua escrita e seu imaginário, de maneira exata, direta, precisa.
Mas o romantismo se infiltra ao caracterizar os sentimentos de Emma.

Contraste
A tristeza de Emma é diagnosticada assim: “Era uma doença nervosa; deviam fazer com que mudasse de ares”. Do lado de Emma, porém, muda o estilo: “Como os marujos perdidos, ela passeava uns olhos desesperados sobre a solidão de sua vida, buscando, ao longe, alguma vela branca nas brumas do horizonte”.

Folha de S. Paulo - 20/7/08

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Castigo!

A primeira pesquisa do Ibope em BH revela que a candidada do PCdoB, deputada federal Jô Moraes está na frente, o candidato da máquina, o envolvido no esquema do mensalão quando era assessor de Ciro Gomes, Márcio Lacerda, e protegido do prefeito Pimentel e do governador Aécio Neves, está com 8%. Destaque importante para a candidata da coligação PSTU/PSOL, Vanessa Portugal, que tem 4% das intenções de voto e está em quarto lugar.
BH parece repetir a situação de Fortaleza em 2004, mas com os principais personagens partidários em situações invertidas. Em 2004 a cúpula do PT tentou impor em Fortaleza a candidatura de Inácio Arruda do PCdoB a prefeito, a base petista se rebelou e construiu a candidatura alternativa de Luziane Lins, que acabou virando prefeita, diga-se de passagem, hoje completamente adaptada à lógica majoritária do PT. Agora em BH a cúpula petista impõe o nome do mensaleiro Márcio Lacerda, com o apoio do PSDB, quem acaba cumprindo o espaço alternativo e atraindo votos petistas é a candidatura do PCdoB, de Jô Moraes. Por outro lado, o desempenho da candidata Vanessa Portugal, apoiada pelo PSTU e PSOL, considerando a baixa inserção destes dois partidos na cidade, é muito expressiva e demonstra que há um espaço à esquerda no eleitorado de BH.

Veja abaixo a pesquisa conforme publicada pela Folha Online:

Candidato de Aécio e Pimentel em BH é o 3º em disputa, aponta Ibope

PAULO PEIXOTO
da Agência Folha, em Belo Horizonte

A primeira pesquisa Ibope após a definição dos candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte, divulgada na noite de sábado pela TV Globo, mostra Jô Moraes (PC do B) empatada tecnicamente com Leonardo Quintão (PMDB). Eles aparecem à frente de Marcio Lacerda (PSB).

Lacerda, candidato do governador tucano Aécio Neves e do prefeito petista Fernando Pimentel, está em terceiro lugar, nove pontos percentuais atrás de Jô Moraes. Ela tem 17% das intenções de voto, contra 14% de Quintão e 8% de Lacerda.

A pesquisa foi encomendada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e pela TV Globo. Tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e foi registrada no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Minas Gerais sob o número 46239/2008.

A candidata do PSTU, Vanessa Portugal, aparece com 4% das intenções de voto, e o ex-deputado federal Sérgio Miranda (PDT) tem 3%.

O sexto lugar é do candidato do DEM, o deputado estadual Gustavo Valadares, com 2%. E em sétimo está André (PT do B), com 1%.

A pesquisa estimulada, no entanto, mostra que 30% dos eleitores ainda não sabem em quem votar ou não opinaram. O Ibope fez a consulta entre os dias 14 e 16 de julho. Foram entrevistados 805 eleitores.

Folha Online

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