Arquivo de 5 de Novembro de 2008

A China face à crise financeira

 

xangai

A atual crise mundial não afeta directamente a República Popular através da derrocada dos mercados financeiros e da contração do mercado do crédito, como é o caso nos Estados Unidos e na Europa. As suas consequências são indiretas, e sublinham a dependência da economia chinesa face à conjuntura internacional.

Thomas Vendries,  Le Blog du Milieu pour Alternatives Internationales (Alternatives Économiques). Reproduzido da Esquerda.net, 3 de novembro de 2008.

A crise dos subprimes e as suas consequências para os sistemas financeiro e bancário, assim com para a economia real, são actualmente, e muito naturalmente, objecto da maior atenção por parte dos media. Contudo, de momento, estes estão essencialmente focalizados, na situação dos países ocidentais, Estados Unidos em primeiro lugar, e União Europeia nestas últimas semanas. É certo que estes países são os mais atingidos pela crise, visto serem por um lado o primeiro centro desta e, de momento, as principais vítimas. Esta crise está contudo destinada a tornar-se mundial, e as suas repercussões far-se-ão igualmente sentir nos países em vias de desenvolvimento. A República Popular da China já começou, estas duas semanas, a sentir de forma particularmente aguda os primeiros efeitos.

Desde logo, as bolsas chinesas acompanharam, nestes últimos meses, as evoluções dos mais importantes mercados financeiros internacionais. Tal como Wall Street, Londres ou Paris, elas conheceram um crash que se acelerou nas últimas semanas. O principal índice da bolsa de Xangai, o Xangai Composite Index, perdeu 60% do seu valor desde o início do ano, e a bolsa de Hong Kong, o Hang Seng, quase metade. Isto corresponde a quedas bem maiores do que as praças ocidentais conheceram. Contudo, estes números catastróficos estão longe de fazer os grandes títulos dos jornais. Porque será?

Desde logo, comparativamente às bolsas ocidentais, em termos de valor total de capitalização, os mercados bolsistas chineses, permanecem marginais. Em Agosto de 2007, para remontarmos à situação precedente à crise, as duas principais bolsas chinesas, Xangai e Hong Kong, ultrapassavam os 22 mil milhões de Yuan de capitalização, ou seja um pouco menos de 3 mil milhões de dólares à taxa de câmbio corrente, ao passo que a capitalização bolsista total dos Estados Unidos ultrapassou os 16 mil milhões de dólares, num total mundial ligeiramente inferior a 60 mil milhões. Em suma, antes do inicio das desgraças das praças bolsistas internacionais, os mercados financeiros chineses representavam pouco mais de 5 % da capitalização internacional, contra aproximadamente 30 % dos Estados Unidos. É ainda assim inútil insistir no argumento de que as consequências internacionais do crash das bolsas americanas não têm comparação com as da queda dos mercados financeiros chineses.

Efectivamente, as consequências exteriores da crise dos mercados financeiros chineses não são insignificantes. E quanto às consequências internas? Elas permanecem igualmente circunscritas. Com efeito, os mercados financeiros chineses são uma criação recente, ainda longe de constituir um importante vector de financiamento da economia. As empresas chinesas só recorrem aos mercados financeiros em cerca de 25 % do seu financiamento externo, os restantes 75 % são assegurados pela intermediação bancária tradicional. A título de comparação, em países como os Estados Unidos e o Reino Unido, estas proporções são quase invertidas (80 % e 20 %).

Por outro lado, não só as empresas chinesas recorrem pouco aos mercados financeiros para o seu financiamento externo, como pura e simplesmente recorrem pouco ao financiamento externo: a taxa de poupança, e de auto investimento das firmas chinesas é das mais elevadas do mundo, e é por exemplo, quase quatro vezes mais alta que a das empresas indianas. Em conclusão, a queda dos mercados bolsistas chineses não terá senão um impacto limitado sobre as possibilidades de financiamento das empresas.

No entanto, esta crise financeira não atinge apenas as bolsas. Desde Setembro, os bancos tornaram-se as principais vítimas, efectivas ou potenciais, dos subprimes e dos activos tóxicos. Que é que se passa com os bancos chineses, que são os principais agentes do financiamento externo das empresas da República Popular? Contrariamente aos mercados financeiros, que acompanharam a queda das bolsas internacionais, os bancos chineses ficaram, relativamente poupados pela crise dos sistemas bancários europeu e americano. Esta resistência dos bancos chineses não deve ser interpretada como um sinal de boa saúde do sistema, mas sobretudo como um resultado - aqui positivo - da sua falta de maturidade e de inserção internacional. Caracterizados por um funcionamento ainda muito imperfeito, fortemente enquadrados e regulados pelo estado, os bancos chineses não tiveram oportunidade, nestes últimos anos, de se enredar nas trocas de activos financeiros « tóxicos ». Assim, mesmo que a sua impermeabilidade a estes títulos « tóxicos » não seja total, a exposição resulta moderada, e em todo o caso insuficiente para realmente pôr em causa o seu estado de saúde.

Apesar da crise financeira internacional atingir os mercados financeiros chineses, o papel destes últimos na economia real continua limitado, ao passo que os bancos permanecem pouco afectados pela crise dos subprimes. Poder-se-á inferir que a República Popular vai ser poupada à crise actual? Não, longe disso. Contrariamente ao que se passa nos Estados Unidos e na Europa, as consequências para a economia chinesa, não advirão directamente da crise financeira e da contracção do crédito. Elas serão, ou são desde já, consequências indirectas determinadas pela recessão mundial e muito particularmente pelo abrandamento da actividade e pela quebra da procura nos Estados Unidos e na Europa.

É inútil insistir no argumento, de que, nestes últimos anos, o formidável crescimento chinês foi, em grande parte, estimulado pela procura ocidental, e nomeadamente pelos consumidores americanos que compravam… a crédito. Os produtores, assim como as autoridades da República Popular, aguardam com a maior apreensão os efeitos da recessão nos Estados Unidos. Já nestas últimas semanas, os encerramentos de fábricas multiplicaram-se nas indústrias de exportação das regiões costeiras. Segundo o presidente da Associação das PME de Hong Kong, Danny Lau Tat-Pong, 20 000 das 65 000 fábricas provenientes de Hong Kong, implantadas no Guangzhou, poderão falir nos próximos três meses [1]. Já no terceiro trimestre de 2008, o crescimento chinês atingiu o seu ritmo mais baixo em cinco anos, 9 %, desde a epidemia de SRAS, e é mais que provável que a situação não melhore nos próximos meses.

A República Popular encontra-se portanto já atingida pela crise actual, graças à sua dependência em relação aos mercados internacionais, originada pela actual crise. O principal problema agora é o de saber qual é a resposta que vai dar.

E nomeadamente, a China irá escolher uma estratégia de cooperação com o resto do mundo, ou sobretudo remeter-se a soluções unilaterais? De momento, os sinais enviados pelo governo chinês são mistos. Na quarta-feira 8 de Outubro, o banco central chinês, em coordenação com os principais bancos centrais do mundo, baixou também a sua taxa de juro, manifestando desta forma vontade política em associar-se à resolução internacional da crise. Mas inversamente, a decisão do Ministério das Finanças, a 21 de Outubro, de restabelecer as exonerações do IVA para os principais produtos de exportação, dá a imagem de uma política económica agressiva e que arrisca agravar os conflitos comerciais com os principais parceiros da República Popular, nomeadamente com os Estados Unidos.

Presentemente, é difícil dizer quais serão as posições adoptadas pela China. Podemos contudo notar que esta crise assegura à República Popular duas oportunidades. Desde já, esta crise mundial pode constituir a oportunidade para a economia chinesa reduzir a sua dependência face à procura internacional e substitui-la pelo consumo interno, actualmente muito enfraquecido, como motor do crescimento. As decisões do Conselho de Estado, de desenvolver o sistema de protecção social, anunciadas no fim-de-semana de 18 e 19 de Outubro, por exemplo, vão nesse sentido. Além disso, os próximos meses serão provavelmente de intensas negociações em torno da necessária reestruturação do sistema financeiro internacional e da redefinição das suas regras. A China, que podemos considerar como mais próxima das concepções de regulação, quererá provavelmente fazer ouvir a sua voz, como o Primeiro-ministro Wen Jiabao sublinhou aquando da sessão de abertura do Cimeira Europa-Ásia a 25 Outubro. E a soma de activos e de divisas que a República Popular acumulou, permitirá dar peso às suas posições.

Em conclusão, a actual crise mundial não afecta directamente a República Popular através da derrocada dos mercados financeiros e da contracção do mercado do crédito, como é o caso nos Estados Unidos e na Europa. As suas consequências são indirectas, e sublinham a dependência da economia chinesa face à conjuntura internacional. É certo que o crescimento chinês vai continuar a desacelerar nos próximos meses, com todas as consequências sociais que daí possam advir. Mas esta crise pode também dar oportunidades à China, nomeadamente desenvolver o seu consumo interno, e participar na refundação da regulação financeira internacional.

Thomas Vendries

Tradução de Luísa Moreira

[1] Notemos que esta previsão deve ser vista com cuidado : as PME de Hong Kong, que esperam o apoio das autoridades centrais, têm todo o interesse de denegrir a situação.

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Acordo às escuras adia diesel mais limpo no País

 

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Envolverde, 3 de novembro de 2008

As milhares de pessoas e dezenas de organizações que se engajaram nos últimos anos na luta por um diesel mais limpo têm agora um motivo forte para lamentar. Contrariando os interesses públicos e a saúde da população que respira o ar contaminado nas grandes cidades brasileiras, um acordo fechado na madrugada de quinta (30/10), sem a participação da sociedade civil, adia por mais quatro anos a comercialização do diesel com menos quantidade de enxofre.

A decisão foi tomada na presença do Ministério Público Federal (MPF) e ocorreu entre o governo federal e representantes da Petrobras, da Fecombustível, da Agência Nacional de Petróleo (ANP), do governo do estado de São Paulo, da Anfavea e das montadoras de motores. O chamado acordo judicial foi fechado como parte das compensações pelo descumprimento da Resolução Conama 315/02, que estabelecia para o dia 1º de janeiro de 2009 a obrigatoriedade da venda do diesel com, no máximo, 50 partículas por milhão de enxofre (50 ppmS), em todo o País.

O enxofre, altamente cancerígeno, é responsável pela morte de cerca de 3 mil pessoas somente na cidade de São Paulo. Hoje, a concentração da substância no diesel é de 500 ppmS nas regiões metropolitanas e de 2000 ppmS no interior. Na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, a proporção é de 10 ppm e a tendência é chegar a zero no curto prazo. A necessidade de controlar a emissão de poluentes é consenso em todo o mundo. E os efeitos fatais à saúde da população são comprovados cientificamente e, no Brasil, têm a chancela da Faculdade de Medicina da USP.

O acordo firmado ontem deixa claro que o Ministério Público Federal e o governo cederam às pressões e abriram mão de exigir o cumprimento integral da resolução do Conama. “É uma sentença de morte”, enfatiza Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo. Grajew também lembra o compromisso feito pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, durante o seminário “Conexões Sustentáveis: São Paulo - Amazônia”, realizado entre os dias 14 e 15 de outubro, de não fechar nenhum acordo sem a participação da sociedade civil. “Isso foi desrespeitado. A palavra do ministro não foi cumprida”, completa.

Veja carta de Oded Grajew enviada ao ministro em http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/2018

Decisões tomadas

O acordo fechado às escuras prevê que, a partir 1º de janeiro de 2009, passa a ser obrigatória a utilização do diesel S50 nas frotas cativas de ônibus urbanos dos municípios de São Paulo e Rio de Janeiro. Até 2011, gradativamente, a obrigação passa a valer para as cidades de Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e para as regiões metropolitanas de São Paulo, da Baixada Santista, Campinas, São José dos Campos e Rio de Janeiro.

Além disso, a Petrobras, a partir de 1º de janeiro do próximo ano, substituirá totalmente a oferta do diesel com 2.000 ppm S por um novo diesel que conterá 1.800 ppm. E, somente a partir de janeiro de 2014, o diesel com 1.800 ppm S será trocado por um com 500 ppmS - padrão exatamente igual ao comercializado atualmente nas regiões metropolitanas.

Para o não cumprimento da Resolução 315/02 do Conama, montadoras de veículos e motores e a indústria do petróleo alegaram falta de tempo e de logística. “Eles tiveram mais de seis anos para se preparar, não dá para aceitar isso como desculpa. Além do mais, o Conama é uma instância de discussão coletiva e, portanto, a resolução foi elaborada com a participação dos mais diversos setores da sociedade e do governo”, contesta Fábio Feldman, do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas.

“Compensações pífias”

Na tentativa de “compensar” a sociedade brasileira pela morte de milhares de pessoas todos os anos e pelos custos ao serviço público de saúde, ficou decidido que a Petrobras e as montadoras terão de bancar projetos ambientais.

As montadoras custearão a construção de um laboratório de testes de motores (R$ 12 milhões), uma pesquisa nacional sobre emissões de poluentes (R$ 500 mil) e a fiscalização da emissão da fumaça preta por ônibus e caminhões na cidade de SP (R$ 200 mil). Já a Petrobras mandará R$ 1 milhão para o sistema de fiscalização da emissão da fumaça de São Paulo.”Quem vai se responsabilizar pelas doenças por causa do não-cumprimento da resolução?”, reforçou Oded Grajew.

Nova resolução Conama

Horas depois do acordo judicial entre montadoras e distribuidoras de combustíveis ter sido firmado, uma reunião extraordinária do Conama, em Brasília, aprovava a resolução que prevê novo prazo para o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), destinado a veículos pesados novos (P-7). Os membros do Conama definiram a antecipação da adoção do diesel S-10 nos ônibus e caminhões em circulação no Brasil para 2012.

Vale lembrar que a fase anterior, a chamada P-6, é justamente a que prevê a obrigatoriedade do diesel com 50 ppm S em todo o País, a partir de janeiro de 2009, e que está sendo descumprida pelas montadoras de automóveis e pela Petrobras.

Leia a íntegra do acordo judicial em http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/files/AcordoPetrobras.pdf

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Poluição mata mais que Aids e trânsito juntos em São Paulo

 

Fabiana Parajara, O Globo, 14 de outubro de 2008

SÃO PAULO - A poluição já mata mais do que a Aids e o trânsito juntos na cidade de São Paulo. Paulo Saldiva, médico do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP, afirma que uma única medida, a redução da liberação de enxofre pelo óleo diesel usado pelos veículos, pode evitar 150 mortes por ano - pouco menos que o número total de vítimas de Aids na cidade de São Paulo, que chegaram a 232 em 2007, por exemplo.

Segundo estudos do laboratório, as doenças provocadas pela poluição, que vão de problemas respiratórios a enfartos, causam cerca de 9 mortes por dia na capital paulista. Por ano, são cerca de 3,5 mil óbitos. Na capital, o trânsito causou em todo o ano de 2007, 1.352 mortes de acordo com dados da secretaria municipal de Saúde. Somados, no ano passado, a Aids e o trânsito mataram 1.624 pessoas na cidade.

Segundo estimativa do laboratório, a região metropolitana de São Paulo gasta por ano US$ 1,5 bilhão para tratar as doenças causadas pela poluição do ar. De acordo com o professor, os gastos levam em conta custos de internação e tratamento por doenças causadas ou agravadas pela poluição e também a redução de cerca de um ano e meio da expectativa de vida da população economicamente ativa.

- Os gastos com saúde por causa da poluição são enormes e temos de nos mobilizar para resolver a questão - afirmou Saldiva, em relação aos estudos feitos no Laboratório.

A poluição que mais preocupa na capital paulista é a produzida pela frota de mais de 6 milhões de veículos. O Parque do Ibirapuera, por exemplo, um dos poucos lugares destinados ao lazer, é campeão na concentração de ozônio, que faz mal à saúde e ocorre em dias de sol e pouco vento. O ozônio é responsável por problemas respiratórios e ainda por degradar tecidos e danificar plantas. Como outros poluentes, ele se forma a partir de gases liberados pelo escapamento dos carros.

Os veículos a diesel, que representam apenas 10% da frota nacional, são responsáveis por 62% das emissões de material particulado. Boa parte de toda essa sujeira circula pela cidade, já que caminhões pesados de todo o país cruzam São Paulo pelas Marginais Pinheiros e Tietê para chegar ao Porto de Santos ou alcançar rodovias. A cidade ainda não dispõe do Rodoanel completo - anel viário que interligará as estradas e evitará que veículos de carga transitem dentro da cidade. Para se ter uma idéia, os veículos a diesel, por estarem sempre em circulação, consomem 50% do total de combustíveis vendidos no país.

Segundo Saldiva, o material particulado é um dos mais prejudiciais para a saúde, já que acaba depositado nos alvéolos, a parte do pulmão responsável pelas trocas gasosas, provocando inflamações e outros distúrbios.

Briga por diesel mais limpo

A partir de 2009, no entanto, a expectativa é que o diesel vendido no Brasil seja mais limpo, com a adoção do diesel S-50 (com 50 partículas de enxofre por milhão). Ele será obrigatório porque entra em vigor a Resolução 315/2002 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), a partir de 1º de janeiro. Até 2012, a meta no Ministério do Meio Ambiente é passar para o diesel S-10 (com 10 partículas por milhão de enxofre por milhão). Atualmente, o diesel vendido no Brasil pode emitir 500 partes de enxofre por milhão nas regiões metropolitanas e 2.000 partes de enxofre por milhão no interior - exatamente por conta da necessidade de se redução das emissões nos grandes centros urbanos.

Saldiva calcula que a mudança, na estimativa mais conservadora, servirá para reduzir 5% da emissão total de poluentes na região metropolitana, já que o enxofre reage com gases dando origem a outras substâncias tóxicas para o organismo. Daí a redução de 150 mortes por conta dos males causados pela poluição.

- É uma conta grosseira, porque ainda não temos idéia de como será a adoção do sistema. Se apenas os veículos novos serão obrigados a usar o combustível ou se todos eles - afirma Saldiva.

Quanto mais abrangente a medida, maior pode ser a redução da poluição. O consultor Gabriel Branco, especialista em meio ambiente, afirma que a lei poderá incentivar o uso de catalisadores nos veículos pesados, o que não ocorre hoje por conta da qualidade do diesel, que estraga o equipamento.

- Eles não usam o equipamento porque a qualidade do diesel acaba com a vida útil da peça - explica Branco.

Os dois participaram nesta segunda-feira de um seminário sobre poluição atmosférica na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. O resumo de todos os trabalhos apresentados durante o seminário serão enviados ao Ministério Público para que cobre a entrada em vigor da resolução 312/2002 do Conama, que encontra resistência das indústrias automotivas, da Petrobras e das transportadoras.

A Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a Petrobras e os sindicatos das transportadoras tentam adiar a adoção do diesel mais limpo. Em setembro, no entanto, o Ministério do Meio Ambiente mostrou, em reunião do Conama, que não pretende ceder. Tanto que veio com a proposta que antecipa para 2012 a utilização do óleo diesel com 10 partes por milhão (ppm), sem abrir mão da resolução que determina a adoção do diesel S-50 em janeiro em todo o país. Mas o lobby das indústrias pelo adiamento ainda continua.

Porém, independentemente da disputa em nível nacional, na capital paulista, uma resolução municipal determina que a adoção do diesel S-50 ocorra impreterivelmente em 1º de janeiro.

- Para evitar qualquer tipo de manobra, no sentido de dizer que não sabia da medida, enviamos uma carta oficial para Anfavea, para os sindicatos e para a Petrobras informando da determinação da adoção do diesel mais limpo para todos os veículos - disse o secretário, apresentando as cópias das cartas e das respostas das empresas. Os documentos também seriam encaminhados ao Ministério Público.

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