Câmara debate nesta terça-feira cobertura do caso Eloá
Audiência pública proposta pelo deputado Ivan Valente (PSOL/SP) acontece às 14h, no Plenário 14. Emissoras confirmaram presença
As comissões de Defesa do Consumidor (CDC) e Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) realizam nesta terça-feira (11/11), às 14h, no Plenário 14 da Câmara Federal, uma audiência pública para debater a espetacularização promovida pelas redes de televisão na cobertura do sequestro ocorrido recentemente no município de Santo André (SP). A audiência foi proposta pelo deputado federal Ivan Valente, que integra a CDC, e ganhou o apoio da deputada Luiza Erundina, da CCTCI.
Segundo Ivan Valente, o objetivo é ouvir especialistas de diversos setores sobre as conseqüências do tipo de cobertura feito pela imprensa do seqüestro que resultou na morte da jovem Eloá Cristina Pimentel da Silva. Das emissoras, esperam-se esclarecimentos sobre esta linha de jornalismo adotada no caso.
Já confirmaram presença Augusto Rossini, Promotor de Justiça Criminal de Santo André; Venício Artur de Lima, pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da Universidade de Brasília; Maria Luiza Moura Oliveira, presidenta do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) e membro do Conselho Federal de Psicologia; e representantes das TVs Globo e Bandeirantes. Também foram convidados Eduardo José Félix, Comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Estado de São Paulo; e representantes das emissoras Record e Rede TV.
Na avaliação de Ivan Valente, os meios de comunicação têm responsabilidades e a mega cobertura acabou por influenciar no fim do trágico do episódio. “As TV’s abriram sua programação para que tudo fosse transmitido ao vivo, numa disputa monumental e irresponsável pela audiência. Chegaram a entrevistar o seqüestrador, transformando-o em celebridade e levando ainda mais tensão para uma situação de absoluta instabilidade. Temos que discutir com urgência o papel que esses meios de comunicação jogaram neste caso”, afirmou o deputado do PSOL.
“Era uma contradição absurda. Os negociadores da PM tentavam minimizar as dimensões do crime e solucioná-lo, enquanto que os veículos de comunicação trabalhavam numa lógica contrária, supervalorizando o fato e prolongando uma situação de risco e sofrimento”, completou.
Do site do deputado Ivan Valente - www.ivanvalente.com.br