Arquivo de 24 de Novembro de 2008

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Mass media e políticas de massas: Perspectivas conservadora, liberal e marxista

por James Petras

Debates e estudos sobre os mass media (MM) têm focado a sua parcialidade política, propriedade e ligações às grandes empresas, relações e laços com o Estado, abertura e diversidade relativas, promoção de guerras e interesses corporativos, entre outros grandes problemas que afectam as relações de poder, riqueza e imperialismo. De particular interesse para os autores que se opõem ou apoiam o papel dos MM é o impacto que estes têm, ao influenciar a visão geral do mundo, opiniões e comportamentos das pessoas. Ensaios, monografias e estudos empíricos têm sido publicados quanto à extensão da influência dos MM, o período de tempo durante o qual mantém controlo, a profundidade das opiniões inculcadas pelos MM e o ‘lugar’ que as mensagens transmitidas pelos MM têm na indução da opinião pública à conformidade com os interesses da classe dominante.
Uma compreensão do papel e poder dos MM na actual sociedade capitalista exige-nos que organizemos um debate compreendendo três grandes escolas – Conservadora, Liberal e Marxista – antes de procedermos a uma análise crítica e finalmente apresentarmos notas destinadas a criar alternativas às redes de informação e comunicações controladas pelas elites.
Paradigmas em competição: conservador, liberal e marxista
Há três paradigmas quanto ao papel, poder e relação dos mass media com a opinião e acção pública: o conservador, o liberal e o marxista.
O paradigma conservador, ou ‘pluralista’, largamente propagado pelos cientistas sociais dos EUA e Europa, enfatiza as múltiplas vozes, as redes em competição, o mercado de informação e a diversidade de opiniões. Os conservadores – ‘pluralistas’, afirmam que mesmo se a posse dos mass media estiver concentrada e a sua mensagem deturpada a favor do status quo, os mass media são simplesmente uma ‘ferramenta’, contrabalançada por outras ‘ferramentas’, tais como os ‘grandes números’ de votantes de baixos salários. Embora concedendo que haja um acesso desigual aos mass media entre trabalhadores e o capital, regimes pró-guerra e oposição anti-guerra, afirmam que a oposição também tem alguns meios de acesso ao mercado, através de numerosos escritores e agentes de difusão: O controlo sobre os mass media é ‘desigual mas disperso’. Discutem ainda que, com o crescimento da Internet, há múltiplas fontes de informação e que o monopólio dos mass media tem sido seriamente diluído, efectivamente ‘democratizando’ o ’sistema de comunicação’. Os ideólogos pluralistas mais astutos citam estudos empíricos, a demonstrarem que a maior parte das visões que os indivíduos têm são formadas pelos suas famílias, amigos e vizinhos – relações face-a-face, muito mais que os ‘impessoais’ media. Em suma, os conservadores defendem que não existe uma toda-poderosa elite dos mass media e que a extensão em que existe é contrabalançada pelos media alternativos, opiniões locais e pelo sua própria tolerância a opiniões diversas e concorrentes.
O paradigma liberal dos mass media
O paradigma liberal descreve os MM como o instrumento chave da dominação pela classe dominante numa democracia liberal. Começando com o registo histórico da concentração da propriedade do mass media nas mãos de um pequeno grupo de corporações interligadas com a área dos negócios e com o Estado, os MM são vistos como um componente essencial do ’sistema de controlo’ que perpetua a classe dominante e a construção de impérios pelo seu controlo e doutrinação da opinião pública. A maioria da população é convertida numa massa maleável, induzida na conformidade com os interesses e políticas da classe dominante, assim prevenindo a mudança e perpetuando o domínio pela elite corporativa. Para os liberais o controlo de cima para baixo pelos mass media explica o ‘paradoxo’ de um império altamente desigual e orientado para a acção militar, no contexto de um sistema político livre e democrático. O principal papel dos académicos é convencer outros académicos a desmascarar os media, a expor as suas fabricações, mentiras e hipocrisias, enfatizando as ‘contradições’ entre os ‘nossos’ valores democráticos e as mentiras dos poderosos. A versão mais radical da visão ‘liberal’ dos mass media atribui o alto grau de consenso entre as elites e as massas nos Estados Unidos à omnipresença e omnisciência dos mass media.
Crítica marxista
A abordagem marxista aos mass media começa necessariamente com a crítica às perspectivas conservadora e liberal. Contra a crítica conservadores, aponta que ‘poder’ não é um recurso imaterial desencarnado, mas uma relação em que os proprietários da riqueza e poder podem multiplicar e acumular bens políticos e económicos. A presunção que ‘toda a gente’ ou todos os grupos podem ter alguma influência esquece-se do facto de que os proprietários dos meios de comunicação estão ligados a outros poderosos grupos económicos, que têm poder sobre bancos, investimentos, trust funds, e estes, por sua vez, influenciam líderes políticos e partidos, controlando legislação, selecção de candidatos, gastos governamentais e agendas dos governos: tudo isto mina as fundações e validade do paradigma pluralista. Em todos os grandes eventos da nossa época, os mass media ecoaram fielmente as linhas políticas do Estado capitalista, justificando a invasão do Iraque, demonizando o Irão e ecoando a linha que o Estado assume em relação ao programa nuclear do Irão, aos bloqueios na Palestina, à invasão do Líbano e ao salvamento da Wall Street. Em todos os grandes eventos, os mass media unificaram-se, desempenhando um papel de liderança na propagação da mensagem da classe dominante entre as massas, com variáveis graus de sucesso.
O paradigma liberal do ‘determinismo dos mass media’ parece ser mais credível, uma vez que o seu diagnóstico da estrutura de poder e posse dos MM corresponde à realidade, assim como corresponde o seu papel de propagandista das mentiras do Estado acerca de guerras e economia. No entanto, quando abordamos a imagem liberal dos MM controlando a opinião pública e as atitudes das massas, as asserções dos todo-poderosos, todo-controladores mass media tendo grande sucesso em manipular o público, as assunções já são questionáveis.
Historicamente, o monopólio oligárquico de controlo dos mass media tem sido mal sucedido quanto ao moldar de atitudes e de acções das massas em grande número de importantes contextos políticos. Isto é verdade inclusivamente para os Estados Unidos. Por exemplo, apesar do apoio unânime dos MM à privatização do Programa Federal de Segurança Social, ao gigantesco salvamento público da Wall Street, à continuação da ocupação militar do Iraque, à escalada militar no Afeganistão e ao actual sistema de saúde lucrativo privado, a grande maioria do público dos EUA opõe-se fortemente à linha seguida pelos MM. Apesar dos líderes e maiorias dos dois partidos políticos governantes não reflectirem a opinião pública, uma maioria dos americanos tem consistentemente apoiado um sistema de saúde nacional de âmbito universal, a retirada das tropas americanas e tem-se veementemente oposto ao apoio do Congresso à Wall Street e à indústria da grande finança. Uma análise revela que os MM são influentes a moldar a opinião pública à classe dominante e políticas do Estado no que se refere a política externa, em particular as políticas de guerra, no início do conflito, com a agressão ou postura militarista a ocupar uma posição dominante antes dos custos económicos e humanos serem trazidos para o interior do país, para os cidadãos norte-americanos no seu dia-a-dia. Os MM são relativamente ineficazes no que se trata de medidas de política interna, que afectam adversamente a vida sócio-económica diária da massa do povo americano. Os MM operam com mais sucesso quando dominam o fluir e o acesso à informação, como no que se refere à política externa, onde podem fabricar, distorcer e carregar emocionalmente o que é visto e ouvido pelo público. Em contraste a propaganda de classe dos MM é severamente enfraquecida pelas evidências da experiência empírica, quando os americanos sentem na pele os problemas da sua saúde, pensões, salários e emprego. Os marxistas defenderiam que condições económicas específicas criam consciência de classe, o que contrabalança o poder dos MM.
A fraqueza do ponto de vista liberal acerca do domínio dos mass media encontra-se na falha em levar em conta o impacto dos contextos de classe, as restrições nas crises económicas, os custos de guerra, o impacto da mobilidade social descendente e a importância de uma segurança social básica na sua avaliação das operações dos MM. A maior parte da teoria liberal dos mass media baseia-se numa visão selectiva de contextos, temas e locais que apoiem essa teoria. Por exemplo, os mass media e a conformidade das massas ‘encaixam’ num período de economia em expansão, mobilidade social ascendente, paz relativa ou intervenções militares menos dispendiosas, em particular no que se refere a temas de política externa. O apoio de longo prazo dos MM ao capitalismo ou ao ‘mercado livre’ domina as opiniões das massas até ao colapso do capitalismo: Com as crises e o desmoronamento do sistema financeiro e especialmente com a perda de pensões por milhões de pessoas, até alguns propagandistas nos MM aperceberam-se que a sua posição era indefensável. A visão liberal da omnipotência e dominância dos MM sob a opinião pública é profundamente imperfeita e esquece-se de levar em conta as mudanças politico-económicas que resultam do forte desvio que a opinião pública tem tomado em relação à propaganda dos MM.
A perspectiva marxista dos mass media
A perspectiva marxista relativiza a influência dos MM fazendo com que o seu poder sobre as massas em função do grau em que os trabalhadores e seus aliados de classe dependam exclusivamente dos MM para obterem informação e para definirem os seus interesses políticos e acção social. Os marxistas argumentam que os MM exercem máxima influência onde há pouca ou nenhuma organização de classes ou luta de classe (como nos EUA). Em contraste, onde há ou houve organização de classe, como na Venezuela ou na Bolívia, no Chile dos anos 70 ou na América Central dos anos 80, os mass media têm um impacto bastante mais fraco na opinião pública. Os marxistas argumentam que onde há uma história e cultura da classe trabalhadora, camponesa, índia ou outros movimentos baseados em classe e solidariedade de classe, a propaganda da classe dominante ou do Estado, promovida pelos MM, tem apenas um efeito muito fraco. Nessas situações, as massas têm uma estrutura preexistente, redes de comunicações e líderes de opinião locais, os quais filtram mensagens/propaganda que violem a solidariedade social/de classe/étnica/nacional.
Por exemplo, no Chile, durante a presidência de Salvador Allende (1970-73), a vasta maioria da imprensa opunha-se violentamente ao Presidente Democrata Socialista – no entanto Allende venceu a eleição, a esquerda aumentou a sua votação nas subsequentes eleições municipais e parlamentares, baseando-se no apoio esmagador dos trabalhadores, camponeses pobres, índios e desempregados residentes em bairros de lata.
Mais recentemente na Venezuela, a vasta maioria dos MM tem-se oposto ao Presidente Chávez (1998-2008) em todas as eleições parlamentares e municipais, mas no entanto ele venceu massivamente eleições. Em ambos os casos, programas sócio-económicos (grandes aumentos em programas de saúde e educação, distribuição de terras, mobilidade ascendente, programas de salários progressivos, nacionalização de recursos básicos), forte apoio baseado em classe e mobilizações em massa, criando consciência de classe, minaram a eficiência dos mass media.
Por toda a América Latina durante a primeira década do novo milénio, poderosos movimentos populares cresceram em número de membros e em organização, apesar da intensa demonização pelos MM. No Brasil os Trabalhadores Rurais Sem Terra expandiram-se e apoiaram as ocupações de terras apesar da criminalização da sua actividade pelos MM. O mesmo é verdade para os movimentos de mineiros, trabalhadores, camponeses e índios na Bolívia – que levaram à queda dos presidentes neoliberais apoiados pelos MM. Movimentos de massas similares derrubaram presidentes apoiados pelos MM na Argentina (2001) e Equador (2000 e 2005).
Esses casos ilustram condições contingentes e circunstanciais que influenciam o domínio dos MM sobre a opinião pública. Existem várias condições comuns em todos esses casos:

1. Elos históricos, culturais, comunitários ou familiares podem criar um ‘bloco’ ou um ‘filtro’ à propaganda dos MM, especialmente em temas socio-económicos que afectem o emprego, a vizinhança ou o nível de vida.
2. A luta de classes cria laços de classe horizontais, especialmente em resposta à repressão pelo Estado ou classe dominante, da qual resulta o declínio dos níveis de vida, concentração de riqueza, desalojamentos em massa e migrações forçadas. A luta de classes cria respostas positivas a mensagens que reforçam a luta e rejeitam as mensagens dos media publicamente identificados como tomando o partido da classe dominante.
3. As organizações de classe fornecem uma base alternativa para entender os eventos e para definir os interesses de massas em termos de classe, que possam ressoar com a sua experiência quotidiana e fornecer informação e interpretação que contrariem aquelas dos MM. Quanto mais alto o grau de organização de classe, maior a solidariedade e luta de classe e menor o impacto dos MM na opinião pública. O contrário é também verdade. Nos Estados Unidos, onde os sindicatos são geridos por funcionários que ganham 300 mil dólares ou mais por ano, que enfatizam a colaboração com os patrões (ou que rejeitam publicamente políticas de luta de classe) e que não conseguem organizar 93% da força de trabalho privada, os MM têm menos dificuldades em influenciar a opinião pública.
4. Quanto mais fortes forem as redes alternativas de formação de opinião, mais fraca a influência dos MM. Onde os movimentos sociais desenvolvam organizações locais, líderes de opinião e activistas comunitários, mais dificilmente as massas extrairão as suas informações acerca de eventos dos formais e distantes MM. Em muitos casos, as massas acedem selectivamente aos MM para entretenimento (desporto, novelas, comédias), rejeitando as suas notícias e editoriais. Famílias multi-geracionais que vivam em proximidade, localizadas em vizinhanças homogéneas e ocupacionais, com forte história de construção baseada na classe geram solidariedade de classe e mensagens sociais que entram em conflito com as mensagens da classe dominante que promovem ‘iniciativa privada’ e ‘micro-capitalismo de sucesso’ ou a criminalização de acções colectivas de classe. Tanto a visão liberal como a conservadora dos MM esquecem-se do contexto de classe na receptividade e poder dos media; os pluralistas subvalorizam propositadamente a sua capacidade de dominar em tempos de fraca organização de classe; os liberais sobreavaliam o poder dos MM, ignorando o poder oposto de organizações de classe, lutas de classe, cultura, história, tradições familiares e solidariedade que ligam indivíduos à sua classe e minam a receptividade às mensagens da classe dominante presentes nos MM.

11/Novembro/2008

O original encontra-se em http://petras.lahaine.org/articulo.php?p=1761&more=1&c=1 .
Tradução de João Camargo.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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A TV e a negação do Brasil

Entrevista com Joel Zito Araújo

Formação: Doutor em Comunicação pela ECA/USP. Cineasta e roteirista.

Obra: Realizou a partir de 1984, 24 documentários e 22 médias metragens. Em 2000, dirigiu o documentário A negação do Brasil, sobre a participação de atores negros na televisão, lançado também em livro, pela Editora Senac (São Paulo, 2000). Seu último filme Filhas do Vento… é protagonizado pelas atrizes Ruth de Souza, Léa Garcia, Thaís Araújo e pelo ator Milton Gonçalves.

Você não pode discutir cidadania se o país não tiver orgulho da sua composição multiética, multirracial, multicultural – esse é um tema muito forte. Outro tema também importante no meu trabalho, e vai estar em A Negação do Brasil, é que eu acho que qualquer trabalho, ele tem de ter um compromisso com a auto-estima, com a valorização do componente racial negro no Brasil. Então, A Negação do Brasil fala dessa contradição de um país que é marcadamente multirracial, em que a cultura negra e a população negra tiveram e têm um papel importantíssimo no jeito de o país ser, na cultura do país, e no entanto, o país na televisão, não só na telenovela, mas também no cinema, está preso a uma estética que é uma estética do branqueamento.

 

Salto – Joel, a respeito desse livro-filme: A Negação do Brasil. Primeiro, eu queria lhe perguntar: o que surgiu primeiro – o livro ou o filme?

Joel – Primeiro foi o filme, depois o livro.

Salto – Então, primeiro você gravou, depois você escreveu. Como é que surgiu essa idéia? Podemos observar que o livro e o filme têm essa dinâmica de mostrar um período longo do desenvolvimento da cultura brasileira, dos anos 60 aos anos 90, e abordam, principalmente, essa não identidade do brasileiro na tela. Como é que surgiu, para você, a necessidade de mostrar isso? A idéia partiu de que ponto?

Joel – Eu tenho uma carreira de cineasta de cerca de 18 anos e tenho optado pela questão racial desde 1988. Acho que é um tema tabu, um tema que a sociedade brasileira precisa discutir, precisa debater, então esse é o tema de todos os meus artigos e do meu livro e é o tema da maior parte dos meus documentários e do meu filme agora, As Filhas do Vento. A idéia, especificamente, de A Negação do Brasil, que trata a história do negro na telenovela brasileira, veio de uma bolsa que eu ganhei em 1994, de uma fundação norte-americana, chamada McCartney Foundation. Ela me possibilitou pesquisar, nos Estados Unidos, a história do negro no cinema, na televisão, em 1994. E lá eu conheci um trabalho de um documentarista que morreu no final dos anos 80, ele fez um belo documentário sobre a história do negro na televisão norte-americana. No dia em que vi esse documentário, eu falei: “Nunca me passou pela idéia que é uma boa forma de refletir as relações raciais no Brasil, pegando a forma como o negro é representado na televisão”. Então, voltei dos Estados Unidos, no final de 1994, com esse projeto de fazer uma coisa parecida. Só que quando comecei a pesquisar, senti que a melhor forma de discutir seria pegar aquilo que é paixão nacional, ou seja, uma das grandes paixões nacionais do país, além do futebol, que é a telenovela.

Eu achei que fazer um documentário sobre toda a história da televisão era amplo demais, a telenovela me daria o material suficiente para isso. Então, começa daí e continua com essa intenção, quer dizer, para quem conhece meus outros trabalhos, eu tenho uma preferência por discutir a mídia e o papel da mídia nas relações raciais no Brasil. Especialmente A Negação do Brasil tem a ver com isso, o filme trabalha alguns conceitos que são muito importantes para mim, que eu acho fundamentais. Eu acho que o Brasil tem muita vergonha do seu componente racial, não branco, especialmente dos negros e dos índios; ou seja, o Brasil tem dificuldade de se ver como uma sociedade multirracial. Então, uma das ênfases do meu trabalho é a de promover e de discutir a realidade do país, inclusive.

Você não pode discutir cidadania se o país não tiver orgulho da sua composição multiética, multirracial, multicultural – esse é um tema muito forte. Outro tema também importante no meu trabalho, e vai estar em A Negação do Brasil, é que eu acho que qualquer trabalho, ele tem de ter um compromisso com a auto-estima, com a valorização do componente racial negro no Brasil. Então, A Negação do Brasil fala dessa contradição de um país que é marcadamente multirracial, em que a cultura negra e a população negra tiveram e têm um papel importantíssimo no jeito de o país ser, na cultura do país, e no entanto, o país na televisão, não só na telenovela, mas também no cinema, está preso a uma estética que é uma estética do branqueamento. Quer dizer, nós amamos o branco, as apresentadoras dos programas infantis são louras, a maior parte dos apresentadores de telejornal são brancos, enfim, o país acha que ser Primeiro Mundo é ser branco. Eu normalmente brinco que nós estamos no atraso, porque a Paris onde essa estética televisiva se inspira é uma Paris do século XIX, porque a Paris de hoje é multirracial. Nova York também é multirracial, quer dizer, a televisão norte-americana e o cinema norte-americano, que é um cinema de sucesso em nível mundial, é multirracial. No entanto, a estética da nossa telenovela e de nosso cinema continua sendo unirracial, continua sendo a valorização do branco, de tomar o branco como modelo de humanidade, como modelo de referência para todo mundo. E esse título A Negação do Brasil significa que nós estamos negando aquilo que devia ser o nosso objeto de maior orgulho, que é exatamente o fato de a gente ser um país multirracial.

Salto – Agora, dentro dessa ideologia que você fala do branqueamento e até do desejo de euro-norte-americanização das elites, você, quando pesquisou o tema, e se fincou na telenovela, procurou só se reportar ao negro quando ele teve papel subalterno, ou quando ele não teve acesso aqui e ali, e em alguns momentos em que os personagens eram negros e atores brancos eram escalados. Você só se reportou a isso, ou você procurou identificar por que aquilo era direcionado dessa maneira, ou seja de onde surgia essa política de branqueamento cultural? Era da elite que decidia televisão? Tinha resposta de público? Era o público que não conseguia ver o negro numa posição social superior àquela em que sempre foi mostrado? Você tentou fazer uma análise sobre esse aspecto?

Joel – A ideologia do branqueamento, ela foi política de Estado no Brasil, no final do século XIX. O governo brasileiro, ele proibiu a entrada de imigrantes vindos da África, vindos da Ásia e fez campanhas na Europa. Nesse sentido, iludiu, inclusive, trabalhadores italianos, prometendo coisas que aqui não foram dadas a eles, para que eles viessem para o Brasil, com intenção deliberada de “branquear”. Um representante do governo brasileiro, no início do século passado, no início do século XX, chamado Oliveira Viana, foi num congresso na Europa falar que no Brasil, graças a Deus, em 100 anos, devido a essa política oficial do governo brasileiro, não haveria mais negros. Então, foi uma política de Estado que veio até Getúlio Vargas. Getúlio Vargas manteve esse tipo de proibição em 1940. Ela deixou de ser obviamente uma política de Estado, mas essa coisa se tornou um elemento cultural, um elemento inconsciente no Brasil, então negros e brancos no Brasil, inconscientemente, partilham essa visão de que o belo, o culto, o desejável, o ser moderno, o ser Primeiro Mundo, é ser branco. Enfim, essa coisa está presente na cultura brasileira. Obviamente, parcelas e mais parcelas de afro-brasileiros têm descoberto o quanto isso é prejudicial a si mesmas e ao país, e mesmo intelectuais e artistas brancos também percebem isso. São ondas e ondas que vão crescendo, criticando esse tipo de coisa, mas eu acho que na América Latina, isso não é uma posição isolada do Brasil; a colonização, tanto portuguesa quanto espanhola, impôs esse tipo de divisão, essa visão de promoção do branqueamento.

Na minha pesquisa, que deu origem ao filme e ao livro, eu comecei a pensar e comecei a discutir porque nenhum dos autores de televisão, porque que nenhum dos diretores defendiam, abertamente, a incorporação do negro de forma subalterna. Eles falavam: — “Não, isso acontece por acaso”. Isso era o que diziam até mesmo aqueles autores que mais deram papéis para atores negros, autores e diretores. Por exemplo, Herval Rossano é uma pessoa que, ao mesmo tempo, em A escrava Isaura, escolheu uma branca para fazer o papel da escrava negra Isaura. Ele faz uma leitura, junto com Gilberto Braga, da escrava Isaura tal qual era o romance, no século XIX, ele traduziu o romance de uma forma literal. Porque, no século XIX, o autor, Bernardo Guimarães, quando pensou na escrava Isaura, ele queria fugir do estereótipo da mulata sedutora, da mulata que destrói os lares. Então, ele tentou trazer traços de branqueamento, de pureza, enfim, esse tipo de coisa que era muito comum como estereótipo para convencer as pessoas o quanto era errada a escravidão. Mas só que ele fez em um outro contexto, em que o público leitor era branco.

Joel – (…) Enfim, quando eu levantei todos esses dados, pensei no porquê de essa televisão não respeitar essa demanda, cada vez mais presente por parte da população negra, de ver papéis positivos de negros. Pois, se a televisão está preocupada com o consumidor, por que ela não respeita a existência de cerca de 5 milhões de consumidores de classe média negra? O que é que está por trás? Será que é o racismo? Eu acho que não existe nenhuma deliberação entre aqueles que produzem telenovela, entre aqueles que produzem comercial, uma deliberação que diga “olha só pode ter 10% de papéis para atores negros nas telenovelas e desses 10%, 8% devem ser dedicados à empregada doméstica ou ao motorista”. Acho que não existe essa deliberação. Na verdade, o que está por trás de tudo isso é essa política oficial de governo, criada há mais de 100 anos, que virou um elemento de cultura, virou um elemento inconsciente. Esses produtores estão seguros de que a população brasileira acha que o belo é ser branco, portanto, colocar pessoas negras, bonitas, sabe, é uma coisa irreal. Bem, então daí veio essa discussão, que eu trago no meu filme, contra esse tipo de estética do branqueamento, porque eu acho que é um elemento inconsciente da cultura brasileira.

Salto – Disso que você está falando aí, tem um trecho aqui que eu acho interessante, até uma dúvida. O livro fala da 1ª família de classe média negra na TV, em 1969, na novela Vidas em Conflito, apresentando o Zózimo Bulbul, Natália Thimberg, Leila Diniz. Mas aos poucos o enredo foi alterado, e principalmente o enredo que envolvia os personagens negros. Por que houve essa alteração?

Joel – É, o autor confessou que houve alteração por dois motivos: por pressão dos patrocinadores e por pressão do público que assistia à novela, ou seja, eu acho que a gente continua tendo coisas parecidas. Eu acho que o público mudou muito. A Próxima Vítima é um exemplo não só da aceitação como do encanto que o público teve com uma família negra de classe média na telenovela. Aquela família, com aqueles atores, teve enorme retorno de audiência, no entanto, depois daquilo nunca mais apareceu uma família negra de classe média na telenovela, e essa é uma grande curiosidade, para todos nós. Na publicidade também temos uma situação difícil. Agora, por exemplo, no Dia das Mães: não se vê, na publicidade, nenhuma mãe negra recebendo presentes de filhos negros. Enfim, essa coisa parece estranha para todos nós. E o negro é um consumidor no Brasil. Enfim, embora a população negra seja majoritariamente pobre, ela consome sabonete, ela consome perfume, consome sorvetes e consome uma série de presentes. Então, essa questão diz respeito ao lado do patrocinador, ao lado do produtor, e também à audiência. Eu acho que a televisão começa a se chocar com a audiência. No passado, acho que a audiência, se eu for pensar nos anos 70, se eu for pensar nos anos 60, eu acho que a audiência nem sempre questionava essa representação dos brasileiros como todos brancos. Mas hoje eu acho que existe uma contradição muito forte que tem que ser superada.

Salto – Então, você classificaria A Próxima Vítima como um grande salto para a televisão?

Joel – Não foi o salto pela história, uma vez que já tinha aparecido família negra de classe média antes na televisão, poucas mas apareceram. Foi um salto no sentido de observar uma mudança na audiência, além de uma aceitação, um encanto de ver uma família de classe média negra, ele é um indicador de que o imaginário e a mentalidade dos brasileiros mudaram, nesse sentido.

Salto – Gostaria de que você abordasse mais sobre a televisão brasileira. O brasileiro não se vê representado na televisão brasileira, na sua opinião?

Joel – No meu ponto de vista, a televisão brasileira, ela está num retrocesso, ela está com temor de ousar. Por exemplo, eu acho que a Rede Globo nos anos 70, quando ela conseguiu ser líder de audiência ultrapassando a TV Tupi, isso se deveu muito à ousadia da Rede Globo. A Rede Globo foi mudando um tipo de programação mais popularesca, começando a investir em minisséries, em telenovelas mais inovadoras, com autores que tinham coragem de ousar, haja vista O Bem Amado, novelas interessantes da Janete Clair, como por exemplo Pecado Capital que, naquela época, colocou um psiquiatra negro. Enfim, teve várias ousadias do ponto de vista da Rede Globo, naquele período. Agora eu acho que a televisão, como um todo, hoje, ela é muito conservadora, ela está muito mais repetindo fórmulas e só quer apostar naquilo em que ela tem segurança de audiência. E isso acaba sendo uma loucura, porque a audiência está caindo, a audiência de tudo isso, porque é tudo fórmula repetida. Então, acho que existe um descompasso cultural entre a dramaturgia e essas fórmulas com a população. Eles têm apostado naquilo que é extremamente popularesco, de mau gosto. Enfim, a televisão perde o compromisso com o lado da educação, com a promoção de valores culturais interessantes e inovadores.

Ela quer investir muito mais em um modelo de programa apostando numa visão policialesca bárbara do que investir em alguma coisa que leve a uma reflexão sobre isso e que leve ao avanço da mentalidade do brasileiro. Então, acho que essa é a grande contradição da televisão hoje, ela não quer trazer coisas novas, ela não quer ousar, ela não quer arriscar. Bem, e a outra contradição muito grande é que a televisão é profundamente desrespeitosa com um componente racial não branco da população brasileira, em especial da maioria negra e indígena, porque ela não promove nada… Aqui eu estou falando em termos absolutos obviamente, que tem uma coisa aqui, ali e acolá, o próprio interesse do programa de vocês em me convidar para falar sobre isso mostra uma atitude diferente. Mas, como regra, a televisão desrespeita o desejo do componente racial negro, que é muito grande, e também do componente racial indígena, de ver coisas positivas sobre si mesmos. Então, eu acho que essa falta de apostas é que está levando a essa decadência profunda da televisão brasileira, no momento atual.

Salto - Nesse “popularesco” da TV, que são os que recebem uma maior fatia publicitária, vez por outra, ou quase sempre, é o negro que está por trás da violência. Mas nos “Big Brothers Brasil”, o negro começa a aparecer. No popularesco que explora a violência, o negro está como réu, como diabo, e no Big Brother o negro já é apresentado forte, bonito. Talvez esse seja um movimento muito incipiente de jogar o negro no horário nobre nessa postura não serviçal.

Joel- É óbvio que comparando a forma como o negro é colocado no Big Brother, ela é muito mais positiva do que num programa popularesco, em que normalmente os apresentadores se portam como advogados de acusação, assim sem nenhum compromisso, condenando na primeira fala. E aí é a população mais pobre de maioria negra que é condenada abruptamente nesse tipo de programa, enquanto que com o Big Brother explora-se mais essa curiosidade juvenil, nessa fase de passagem para a vida adulta, na fase dos romances, da paquera, da sexualidade. Então, eu diria que, se for pegar por esta faceta, o Big Brother é muito mais positivo para a identidade negra, quer dizer, tem uma certa positividade, enquanto o programa popularesco não tem. Agora, o que acho que é necessário e que a gente tem que explorar mais, é que o Brasil precisa de mais dramaturgia, na televisão, precisa de explorar mais a vivência e histórias positivas da comunidade negra, da comunidade indígena, de outras comunidades. Eu estou falando obviamente que o Brasil, ele é muito mais multirracial e multiétnico do que negro, índio e branco. Você tem uma comunidade árabe muito grande, você tem uma comunidade oriental muito grande. Quer dizer, tudo isso tem que vir à tona na devida proporção, mostrando a diversidade racial no país. Bem, mas eu acho que tem muitas histórias bonitas para contar, eu vou dar um exemplo aqui, saindo da negritude, que é o meu tema predileto. Gaijin, o filme da Tisuka Yamasaki, aliás ela está fazendo o Gaijin II agora, foi um filme de enorme impacto, porque nós tomamos conhecimento do que foi a imigração dos japoneses no Brasil, de como eles chegaram nas fazendas para trabalhar e foram tratados como escravos, a epopéia deles. Foi tão bonito, todo mundo adorou aquele filme, tanto que agora ela está fazendo Gaijin II. Então, eu acho que tem uma série de histórias bonitas que podem ser contadas e que o Brasil vai gostar de ver essas histórias. Acontece que quando se contam histórias de epopéia no Brasil, normalmente é, mais uma vez, a epopéia dos italianos. Aí os portugueses ficam chateados, eles resolveram colocar uns portugueses também, na epopéia dos italianos. Enfim, essa coisa que é muito repetitiva, e mais do que repetitiva, é o empobrecimento das possibilidades culturais. Eu acho que isso é devido a uma série de problemas, um deles é que a televisão no Brasil precisa se reorganizar, se descentralizar. O patrocínio cultural precisa se descentralizar.

O outro problema é que a televisão no Brasil tem que estar aberta ao produtor independente, às idéias novas, às visões novas, sair dessa burocracia. Todas as televisões no Brasil funcionam como empresas públicas, ou como feudos familiares. A coisa mais comum é um filho de ator virar ator. Eu não fiz nenhuma estatística, mas a impressão que eu tenho é de que pelo menos 30% a 40% dos novos atores que entram são filhos de atores, quer dizer, é um feudo familiar esse negócio. Porque o nosso modelo não está baseado na produção independente e, dessa forma, deixa de estar baseado na incorporação das novas criatividades que surgem, que saem desse seio acolhedor e pouco fértil para produzir novas idéias sobre o Brasil, novas criações. Então, acho que a crise da televisão e a saída para a renovação cultural do Brasil é a descentralização. Acho que isso cabe ao governo, criar regras de patrocínio que incentivem o aparecimento do novo, que incentivem o aparecimento de novas visões, em que se veja o Brasil de forma multirracial, multiétnica, que se promovam as culturas regionais, que vão além da questão étnica ou racial ou da questão de gênero.

Então, é por aí que eu vejo uma nova cultura, um novo florescimento cultural do Brasil, porque senão a gente vai estar nessa estagnação. O cinema está passando por um florescimento cultural, ainda que, de certa forma, ainda atenda a uma visão mais antiga ou a determinados estereótipos da televisão. Por exemplo, Cidade de Deus. Cidade de Deus é um grande sucesso, mas do meu ponto de vista é um filme que consolida na tela, com suas imagens, a visão que a classe média tem das favelas, no Brasil. Então, ali o que você vê é a reafirmação desse medo, parece que na Cidade de Deus, e em todas essas favelas, o narcotráfico é tudo. Mas o narcotráfico é uma parte, a gente tem que ver a outra parte. Na verdade, se a gente quiser sair desse caos que é a violência nas favelas, nós temos que incentivar, nós temos de fazer parcerias com as pessoas de bem da favela que querem sair disso e não demonizar a favela como um todo, que é a sensação que se tem do filme Cidade de Deus.

Salto - Do lado dos bastidores, na televisão, faltaria essa visão negra produzindo, gravando. Porque no cinema até tem, mas na televisão a gente não vê isso, assim.

Joel – Porque o Paulo Lins se prepara como roteirista. Tem vários autores que estão se preparando, que estão se preparando para serem roteiristas. Joel – A televisão tem que ter olhares étnicos, olhares regionais sobre o Brasil. Por exemplo, uma pessoa que nasce na cultura nordestina, precisa de poder produzir coisas relativas a essa cultura, mostrando a universalidade dessa cultura e a regionalidade. Eu quase são conheço autores de Belém ou de Manaus produzindo televisões, a realidade amazônica é bem distinta da realidade do Sul ou litorânea. Eu acho que a televisão tem que ter espaço para isso. A televisão comercial devia ousar e a televisão pública devia ter verba para boas produções. Eu acho que a televisão hoje passa por uma crise assustadora. O que está acontecendo com a TV Cultura, com a TVE, é uma coisa assustadora: há falta de recursos, de equipamentos, de bons salários e de incorporação de pessoas. O que existe é um certo abandono e um dos papéis da TV Educativa, da TV Cultura era o de ter recursos para incorporar novas visões sobre o Brasil, para incentivar esse tipo de reflexão, agora produzindo com qualidade e não nessa situação precária. Eu, por exemplo, fui uma pessoa que passei uma parte da minha juventude vendo bons programas nas TVs Educativas do Brasil. Hoje eu percebo o empobrecimento, empobrecimento por uma questão de grana mesmo, por um lado. E por outro lado, eu acho que também tem de renovar quadros, tem de incorporar nossos olhares, tem de incorporar jovens e pessoas de meia idade, como eu. Enfim tem que haver uma reflexão racial sobre o Brasil, uma preocupação de valorização do componente racial negro. Eu acho que isso vai ajudar muito na televisão, da mesma forma que eu acho que se deve estar atento para o componente indígena, para outros componentes. Essa é com certeza a possibilidade de um florescimento cultural e de uma renovação da televisão no Brasil.

Salto – Para o Salto, numa entrevista, anterior, você disse que era possível educar o olhar. Então, como é possível educar esse olhar de crianças e jovens em relação ao que é mostrado na TV?

Joel – Vou dar um exemplo: quando o jovem que mora na favela só vê louras como apresentadoras de programas infantis, ele passa a ter uma idéia de que o sucesso, de que a realização na vida é estar ao lado de uma loura. Então, é natural que, quando ele se torna um jogador de sucesso, ele vai querer casar com uma loura, como exemplo de sucesso, e passa a ter vergonha do seu grupo racial. E pior do que isso, ele quer um rompimento com a favela e não um compromisso de melhorar o lugar em que ele nasceu, o componente racial. Então, era importante que fossem produzidos programas infantis com outros, tipos de apresentadoras, contando histórias…

Salto – Vamos continuar falando sobre televisão, teledramaturgia e sobre a necessidade do olhar do negro.

Joel – Eu só queria concluir uma coisa. Eu tenho as minhas contribuições, mas sei dos limites, são coisas que eu venho refletindo há um certo tempo, nós precisamos, por exemplo, do ponto de vista educativo, nós precisamos de histórias, de famílias de garotos indígenas que tenham um herói indígena. Assim, como o exemplo do filme Tainá, que é um belo filme. Imagine o impacto do filme Tainá, não sei se vocês chegaram a ver Tainá, Uma Aventura na Selva, a história de uma garotinha de uma tribo que fica amiga de um menino branco e ajuda esse menino em um problema da família dele, que estava sendo perseguida por bandidos e tal. Ela é uma heroína. É uma história de parceria, de amizade, então, imagina o impacto positivo nas crianças indígenas ao ver uma heroína indígena, o quanto aquilo não trouxe de esperanças, não abriu o mundo para jovens garotas, em Belém ou Manaus, inclusive pelo desejo de fazer cinema. Então, essas crianças passam a ver a possibilidade de ter um futuro igual a qualquer um brasileiro comum e não apenas viver na marginalidade. Nós precisamos inovar, precisamos produzir histórias que valorizem essas histórias familiares de outros componentes raciais e regionais que não o branco. Obviamente, o branco também tem que ter o seu direito, a gente só não pode ter essa desproporção absurda que é o Brasil. O Brasil se comporta como se fosse um país que tivesse 98% de brancos e só 2% de negros e índios. Nos Estados Unidos, que de fato tem 11% de população negra, se você vê a televisão norte-americana e o cinema norte-americano, você tem a impressão de que os negros nos Estados Unidos são metade da população, tal a nossa carência de ver coisas parecidas. Então, mais uma vez, eu insisto na importância de valorizar a presença do garoto na sala de aula, desenvolver o gosto de estudar significa possibilitar que os olhos desses garotos e garotas vejam uma imagem positiva de si mesmos e da sua família.

Salto – O que você vê na TV? Você gosta de ver televisão?

Joel – Eu já vi muita televisão, atualmente eu estou “por aqui” de televisão, eu quase não vejo televisão ultimamente. Eu dou uma olhadinha na novela como é um tema de minha especialidade, para saber como é que as histórias estão se passando, mas me decepciono porque é uma repetição, a cada telenovela é uma repetição muito grande. Então, a rigor, na televisão, eu vejo só telejornal atualmente, acho que a qualidade da programação da televisão no Brasil decaiu profundamente e as TVs Educativas, a TVE e a TV Cultura, onde eu já vi tanta coisa boa, hoje passam por uma crise lamentável, que precisa de socorro urgente.


Núcleo Piratininga de Comunicação

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João Pedro Stedile (MST) defende desapropriações na Amazônia

Os assentamentos criados na Amazônia não representam uma reforma agrária, afirma o integrante da direção nacional do MST, João Pedro Stedile. “Os governos, seja estadual ou federal, estão aplicando a fórmula tão simples quanto medíocre de apenas distribuir terras públicas em projetos de colonização. Não há uma política efetiva nem planejamento”, afirma.

Os projetos de reforma agrária implantados na Amazônia, segundo ele, não permitem que os assentados permaneçam muito tempo no local. “Os colonos desses projetos às vezes vendem as toras de árvores por preços ridículos; outras vezes, em troca de tábuas para construírem suas casas ou simplesmente para que o madeireiro abra uma estrada para conseguir ir até sua roça. Os colonos pobres são utilizados como massa de manobra para amansar a terra e, atrás deles vem os madeireiros, os pecuaristas ou latifundiários da soja, que pressionam para comprar suas terras”, afirma.

Sobre a lei que permite a proprietários de terra desmatar 20% de suas áreas na Amazônia, Stedile defende o “desmatamento zero”. Segundo ele, as áreas que já foram desmatadas são suficientes para a produção de alimentos e o desenvolvimento da região. “O acesso à terra pelas famílias de trabalhadores rurais pobres que habitam a região deve ser garantido com a desapropriação das grandes fazendas de pecuária que já foram desmatadas”, defende.

Leia a seguir entrevista do dirigente do MST.

Integrantes do MST estão acampados na sede do Incra de Belém exigindo uma mudança da política de reforma agrária na Amazônia. Qual é a proposta do MST para essa mudança?

Não existe uma política de desenvolvimento agrário ou fundiário para a Amazônia. Os governos, seja estadual ou federal, estão aplicando a fórmula tão simples quanto medíocre de apenas distribuir terras públicas em projetos de colonização. Não há uma política efetiva nem planejamento. Os governos federal e estaduais optaram pela distribuição de terras publicas porque não precisam enfrentar o latifúndio e o agronegócio. Dessa forma, não têm desgaste econômico de fazer a Reforma Agrária nem político com o enfrentamento da bancada ruralista. Por outro lado, se transformam em estatísticas boas para propaganda. Ou seja, são iniciativas oportunistas do governo. Um exemplo: apenas a superintendência do Incra em Santarém teria “assentado” para efeito de propaganda mais de 50 mil famílias. Esse número é superior aos seis anos de assentamentos do Governo Lula somando todos os estados da região sul e sudeste.

É fácil prever que na região de Santarém não tem 50 mil famílias. E mesmo que tenham loteado as áreas, se trata de distribuição de terras públicas, onde deus e o diabo se inscrevem no Incra e acabam recebendo título. Não existe um projeto nem uma política de desenvolvimento para a região da Amazônia. As áreas onde há posseiros não têm estrada, luz, escola ou hospital. Uma parte das famílias mais pobres, sem apoio público e formas de gerar renda, se obriga a desmatar os 20% da área para retirar lenha ou produzir carvão para garantir a sua sobrevivência. Com isso, acabam a mercê dos madeireiros, que se aproveitam dos lotes serem legais e exploram a madeira existente em toda a área sem nenhum controle.

Os colonos desses projetos, às vezes, vendem as toras de árvores por preços ridículos; outras vezes, em troca de tábuas para construírem suas casas ou simplesmente para que o madeireiro abra uma estrada para conseguir ir até sua roça. Os colonos pobres são utilizados como massa de manobra para amansar a terra e, atrás deles, vem os madeireiros, os pecuaristas ou latifundiários da soja, que pressionam para comprar suas terras. Com isso, concentra de novo a propriedade da terra, dentro de um círculo vicioso. Está tudo errado.

O MST afirma que defende um modelo de assentamento que respeite o meio ambiente e ao mesmo tempo não destrua a floresta. Como funciona esse modelo?

Em primeiro lugar, o governo precisa acabar com projetos de colonização. Somos contra a distribuição de terras públicas pelo Incra e os institutos estaduais para quem quer que seja. Defendemos com os movimentos sociais da Amazônia a política do Desmatamento Zero, junto com o Greenpeace e entidades da sociedade civil. A área atual que já foi desmatada é suficiente para a produção de alimentos e para o desenvolvimento da região. Portanto, devemos fazer um grande acordo nacional para garantir nenhum desmatamento raso de qualquer área da Amazônia daqui pra frente.

Em segundo lugar, o acesso à terra às famílias de trabalhadores rurais pobres que habitam a região deve ser garantido com a desapropriação das grandes fazendas de pecuária que já foram desmatadas. Veja por exemplo o caso do Banco Opportunity: um banco concentra 600 mil hectares de terras no sul do Pará. Daria para assentar 10 mil famílias nessa área! Ou seja, precisamos usar as áreas já degradas e desmatadas para fazer projetos de assentamento, o que é diferente de projeto de colonização sobre áreas públicas.

Os projetos de assentamento precisam de um planejamento para produzir alimentos, de acordo com a vocação agrícola da região, mas também para a produção de leite e frutas e para a criação de pequenos animais. Precisamos combinar a criação do assentamento com a instalação de pequenas e médias agroindústrias cooperativadas para gerar mais renda aos assentados. Com isso, será possível dar valor agregado, industrializar e conservar os alimentos, que poderão ser transportados para regiões urbanas como Santarém, Belém, Manaus, Porto Velho, Marabá, onde se concentra o mercado consumidor da região.

Além disso, em cada projeto é preciso construir uma agrovila, melhorando as condições de vida dos assentados, com luz elétrica, escolas, hospitais, lazer e estrada com segurança. Assim, termina a burrice do Estado brasileiro de colocar famílias de colonos no meio do mato, como se fossem bichos, inviabilizando seu desenvolvimento social e econômico e, depois de derrubada parte da mata, sem condições de gerar renda e garantir a sobrevivência, elas mudam para a cidade e deixam a terra amansada para grande fazendeiro. Precisamos acabar com esse circulo vicioso na região com uma política efetiva do Estado.

O MST dá algum tipo de orientação aos assentados no sentido de evitar que desmatem?

Claro. Lutamos por um outro modelo de uso da terra e produção e (como expliquei acima) somos contra qualquer desmatamento. No entanto, infelizmente, em muitas regiões, trabalhadores rurais recebem essas terras em condições totalmente adversas, em locais afastados do mercado consumidor e sem apoio público, e compreendemos que, para não morrerem de fome, acabam desmatando.

Por que o MST é contra a criação de um novo órgão para a regularização fundiária na Amazônia, como propõe o ministro Mangabeira Unger?

O desafio para a Amazônia foi apresentado pelo próprio ministro: trata-se de ter uma política de desenvolvimento e um re-ordenamento fundiário claro, que permita a todos terem os títulos da propriedade. Mas para isso, não se precisa gastar tempo e dinheiro com um novo órgão, mas ter uma decisão política, coordenar e articular as ações do Incra com os institutos de terra estaduais e com o Ibama. Desconfiamos que a criação de um novo órgão, como foi o GETAT, pode ser apenas uma política centralizadora para facilitar a liberação de latifúndios para grandes grupos econômicos de forma mais rápida, como quer grandes empresas e especuladores.

O problema não é de órgão público, mas a ausência projeto para a região a partir de uma reflexão do futuro do nosso país. Infelizmente, até agora, mesmo no governo Lula, predomina para a região amazônica apenas o modelo de dominação do grande capital nacional aliado com as transnacionais, que enxergam na Amazônia apenas uma grande reserva de acumulação de capital. Para isso, empresas nacionais e estrangeiras como a Companhia Vale e grandes bancos estão investindo bilhões em hidrelétricas, siderúrgicas e em empreendimentos de exploração de minerais e extração de madeira. Tudo isso vai enriquecer o capital internacional, enquanto o povo da região seguirá passando necessidades. Basta ver que povoados a 60 km da hidrelétrica de Tucuruí, a 2ª maior do mundo, ainda não têm luz elétrica. Isso acontece porque o objetivo dessa obra é viabilizar a produção de alumínio para exportação, não melhorar de vida do povo local.

Há uma reclamação muito forte do setor agropecuário sobre a exigência de manter 80% da mata preservada nas propriedades rurais da Amazônia. Vocês concordam com essa porcentagem?

Isso é o mínimo necessário. Os grandes grupos capitalistas brasileiros e internacionais gostariam de desmatar tudo e, infelizmente, tanto fazendeiros como empresas que atuam na Amazônia, se comportam como gigolôs da natureza. Querem a exploração máxima, não importa as gerações futuras nem e a Constituição brasileira, que determina que os recursos naturais pertencem ao povo. Por isso, para impedir esse avanço sobre a floresta, defendemos o Desmatamento Zero.

Assentados do norte de Mato Grosso se queixam de terem lotes muito pequenos. Numa região como aquela, qual seria o tamanho adequado dos lotes para que se pudesse garantir a subsistência de uma família e manter a reserva legal? Que tipo de atividade os assentados deveriam desenvolver lá?

O problema não é o tamanho do lote. Se conceder 50 hectares, vão querer 100, se der 100 vão querer 200; e os latifundiários acham 5 mil ou 10 mil ainda pouco. O problema - como expliquei acima - é que precisamos de uma política de desenvolvimento, na qual os trabalhadores rurais pobres e assentados possam melhorar de vida e aumentar a renda com seu trabalho. Isso não depende exclusivamente do tamanho do lote. Quem quer mais e mais terra é porque sonha em retirar madeira e ver se tem garimpo… Uma família pode viver muito bem com 15 hectares se tiver apoio público para desenvolver atividades que geram renda, como a combinação do assentamento com uma agroindústria.

No ranking das maiores autuações ambientais realizadas pelo Ibama desde 2006, publicada recentemente pelo Ministério do meio Ambiente, o Incra aparece no topo da lista. Se defendendo, o órgão disse que não é ‘razoável’ comparar assentados a grandes desmatadores. Qual a posição do MST em relação à lista divulgada pelo Ministério do meio Ambiente?

A “condenação” do Incra foi uma manipulação vergonhosa de técnicos mal intencionados do Ibama, que entregaram a lista para o Ministro sem nenhum critério. Depois, a imprensa manipulou mais ainda, apenas tentando colocar a culpa nos assentados. Vários grandes jornais, que não entendem nada de Amazônia, como o jornal O Globo do Rio Janeiro, colocaram em manchetes o MST como campeão de desmatamento, apesar de nenhum daqueles projetos serem do nosso movimento e termos esclarecido previamente isso à imprensa. Nenhuma das áreas da lista advém de projeto de reforma agrária, mas de projetos de colonização. Ou seja, dentro de uma política que beneficia latifundiário, madeireiras e grandes empresas, não uma política de reforma agrária.

A cobertura da imprensa sobre esse caso demonstra a manipulação dos grandes monopólios da informação, que usam seu poder para lutar contra a Reforma Agrária. Ninguém fez manchete sobre os 600 mil hectares do Banco Opportunity, do sr Daniel Dantas, fazendo desmatamento. Ninguém faz manchete dos desmatamentos da Vale e suas agressões do meio ambiente para retirar mineiros, enviar para a China e depois depositar o lucro na conta de acionistas no exterior. O povo brasileiro e, principalmente, os povos da Amazônia só ficam com a destruição e com o desmatamento. Isso ninguém fala. Infelizmente, o ministro do Meio Ambiente também se prestou a essa manipulação.

O senhor concorda com a idéia de que a reforma agrária no arco do desmatamento é uma válvula de escape para a questão fundiária em áreas do Sul/Sudeste do país? A reforma agrária na região é, de fato, viável?

O governo Lula repete a política do governo FHC e usa os projetos de colonização, a distribuição de terras públicas na Amazônia para criar estatísticas e “provar” que está fazendo Reforma Agrária. Reforma Agrária é desconcentração da propriedade da terra, com a divisão de grandes propriedades e distribuição aos pobres. Estamos assistindo à maior concentração da propriedade da terra da história, desde o último século. Ou seja, está em curso uma política real de contra-reforma agrária. Isso está acontecendo em todas as regiões agrícolas do país, em especial no centro-oeste e na Amazônia.

Por: O Vermelho

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Chávez perde na capital, mas vence em 17 dos 22 Estados

As eleições realizadas ontem, (23) apontam que os venezuelanos elegeram um total de 23 governadores e 328 prefeitos, além de 233 legisladores regionais

da Redação Brqasil de Fato

Fórum

O governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, perdeu o controle da prefeitura metropolitana da capital Caracas. As eleições realizadas ontem (23) apontam que os venezuelanos elegeram um total de 23 governadores e 328 prefeitos, além de 233 legisladores regionais.

De acordo com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o governo de Chávez venceu em 17 dos 22 Estados em disputa. Os resultados correspondem a 95,67% das urnas apuradas.

Foi registrado empate técnico nos Estados de Carabobo, Táchira e no município de Sucre – o mais populoso da região metropolitana de Caracas, que inclui cinco municípios. Por isso, o CNE só anunciará os resultados depois da totalização de todos os votos.

A surpresa da jornada eleitoral venezuelana foi a prefeitura metropolitana de Caracas – segundo posto mais importante do país, depois da Presidência. Antonio Ledezma, antigo líder opositor, venceu com 52,45% dos votos o candidato chavista Aristóbulo Isturiz, que obteve 44,92% dos votos. Ambos já foram prefeitos da cidade.

As longas filas registradas ontem obrigaram alguns centros de votação a permanecer abertos até as 22h (00h30 de Brasília), por determinação do CNE. A legislação venezuelana prevê que as urnas não podem ser fechadas enquanto houver eleitores na fila de votação. De acordo com o CNE, a participação nessas eleições ultrapassou o recorde histórico com mais de 65% do total de 17 milhões de eleitores.

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Movimentos protestam contra efeitos da crise

As ações ocorreram em sete Estados, com ocupações de supermercados, marchas e atos públicos.

21/11/2008

Patrícia Benvenuti

da Redação

Movimentos sociais realizaram, nesta quarta-feira (19), a Jornada Nacional contra a Carestia, em protesto contra os efeitos da crise econômica mundial e o aumento do custo de vida da população mais pobre. As ações ocorreram em sete Estados, com ocupações de supermercados, marchas e atos públicos.

Para Gabriel Simeone, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), uma das organizações que participam da Jornada, a alta no preço dos alimentos, um dos grandes reflexos da crise, mostra que os trabalhadores, até agora, têm sido os mais prejudicados. O preço do feijão e do arroz, produtos básicos da alimentação do brasileiro, é o exemplo das conseqüências. Enquanto o feijão registra um aumento de 100%, o reajuste do arroz já chega a 150%. E os prejuizos, no futuro, devem se intensificar, acredita o militante: “Os efeitos da crise vão aparecer em cascata. Começa com a redução do crédito, aí vêm férias coletivas para os trabalhadores, depois sobe o preço dos alimentos e dos aluguéis”.

Simeone também critica o governo federal que, em vez de proteger a população para que não sofra tanto os efeitos da crise, já ofereceu 160 bilhões de reais em ajuda a bancos e empresas. “Com todas as necessidades da população, parece que a prioridade do governo federal é salvar banqueiro. Os trabalhadores não podem pagar por esta crise que não provocaram”, destaca.

Para minimizar os impactos da crise sobre a população mais carente, os movimentos cobram que o governo ofereça subsídios públicos aos alimentos de necessidade básica, além de tabelamento para controle dos preços, criação de mercados populares subsidiados pelo Estado e administrados por organizações populares e a manutenção e criação de restaurantes populares.

Em São Paulo, 350 manifestantes ocuparam os supermercados Extra da Estrada do Campo Limpo, na divisa com Taboão da Serra, e outros 350 no Carrefour da rua Giovani Gronchi, na zona sul da cidade. Em São José dos Campos, no interior paulista, foi realizada uma marcha, seguida de uma manifestação com 900 pessoas em frente ao Carrefour.

No Rio de Janeiro, a manifestação ocorreu no Ceasa, organizada pelo MTST e por entidades sindicais. Em Minas Gerais, integrantes da Ação da Frente Estadual de luta pela Moradia e Brigadas Populares protestaram na frente do Tribunal de Justiça do Estado e um hipermercado em Belo Horizonte. No Ceará, um ato público no centro de Fortaleza reivindicou a abertura de restaurantes populares. Ocorreram, ainda, ações em Pernambuco, Roraima e Maranhão.

Além do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, participaram da Jornada, entre outros, o Movimento dos Conselhos Populares do Ceará, o Movimento das Famílias Sem Teto de Pernambuco, o Movimento Popular Socialista do Pará, o Circulo Palmarino - Movimento Sem Teto da Bahia. Movimento Quilombo Urbano, do Maranhão.

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