Novas contraversões
AS LÁGRIMAS DE JESSE JACKSON
19/11/2008
Novas contraversões
AS LÁGRIMAS DE JESSE JACKSON
A mais tocante cena de todas da campanha de Obama: as lágrimas que caíam dos olhos do pastor Jesse Jackson, quando assistia, no meio das duzentas mil pessoas presentes para assistir ao discurso da vitória, em uma praça de Chicago, naquela primeira terça-feira de um novembro como nenhum outro nos EUA. Como quer que seja o governo Obama, já promoveu a incorporação à política de centenas de milhares de jovens, latinos e negros. E definitivamente consolidou a internet como instrumento indispensável na mobilização política de campanhas eleitorais vencedoras.
PALPITEIROS INTERESSADOS
Elio Gaspari tem razão naquilo que caracteriza os espaços de opinião econômicos na mídia – sempre e não apenas agora na crise. A utilização de comentaristas diretamente envolvidos por seus interesses – porque diretores de empresas financeiras, por exemplo – na situação econômica. Não são opiniões desinteressadas, por tanto. Claro que o melhor é tirá-los dali ou deixá-los num espaço marginal, ao lado de analistas econômicos não diretamente envolvidos – como os que escrevem na Carta Maior, por exemplo. Mas os jornais podem resolver em parte isso, colocando nos créditos, por exemplo: Mailson da Nóbrega e os cargos que ocupa em empresas do setor financeiro.
CHOVINISMO FUTEBOLÍSITICO
Se aproveitando do jogo Brasil x Portugal em Brasília, a mídia exercita seu chovinismo e sua dificuldade de aceitar a superioridade do futebol argentino na atualidade, projetando a alternativa entre Cristiano Ronaldo ou Kaká como os melhores do mundo na atualidade. Há anos o melhor do mundo é Messi e é considerado favorito para ganhar, até mesmo porque os outros dois estiveram machucados boa parte do último ano, mas também porque Messi é claramente superior.
EVO
Em lançamento do livro de antologia da obra de Álvaro Garcia Linera – vice-presidente boliviano e mais importante intelectual latino-americano da atualidade -, falamos Álvaro e eu, em La Paz. Evo compareceu, desde o começo, mas preferiu não falar, ficou sentado na primeira fila, ouvindo tudo, dizendo que tinha ido para ouvir e não para falar.
WOODY ALLEN
Como sempre, agradável e inteligente o novo filme de Woody Allen, que alia a sensualidade de suas atrizes – com que tenta suprir sua ausência como ator – com a de Barcelona. No deserto de filmes bons pra ver, este vale a pena.
TERRORISMO DE ESTADO
Se o terrorismo é crime imprescritível, como Gilmar Mendes afirma – tentando se opor a Dilma, como faz todo bom político de oposição -, é preciso recordar-lhe que o terrorismo de Estado se inclui nessa categoria, por tanto recaindo sobre o regime que ele tenta preservar, preocupado em esconder um dos fenômenos que continua a ser moeda corrente no Brasil de hoje: a tortura. Bastaria ele deixar umas horas sua fazenda e ir a uma delegacia qualquer, que saberá um pouco do país real e não daquele que ele freqüenta.
FORUM SOCIAL MUNDIAL
O Fórum Social Mundial volta a se reunir, dois anos depois daquele realizado na África, com a obrigação de propor alternativas às soluções que as grandes potências – elas mesmas geradoras da crise – apresentam. No entanto, é preocupante a pouca divulgação e a pequena mobilização em função daquele que pode ser o FSM decisivo: ou apresenta alternativas para temas como a crise econômica, a guerra, etc., e se projeta como protagonista alternativo da política global ou se tornará definitivamente intranscendente, morto nas mãos de ONGs que não pretendem construir o “outro mundo possível”, conviver com o mundo realmente existente, ao querer se refugiar numa ilusória “sociedade civil”. Só a mobilização e participação maciça de movimentos sociais e forças políticas – como as que estão começando a construir o “outro mundo possível” aqui, na América Latina, pode dar a projeção que o FSM pode ter e que a luta emancipatória atual precisa.
O FSM se realiza de 27 de janeiro – quando se dá a marcha de rua e a abertura oficial – a 1 de fevereiro, mas é precedido de outros importantes eventos, como o Fórum da Mídia Alternativa e o Fórum de Autoridades Locais, em Belém, no coração da Amazônia.
ESPELHOS
Já está praticamente esgotada a primeira edição brasileira do novo livro de Eduardo Galeano – de 5 mil exemplares, com a sua passagem pela Feira do Livro de Porto Alegre, e pelo Rio de Janeiro, onde fez leituras de trechos do seu belíssimo – Espelhos – um história quase universal, da L&PM.
AGENDA DEMOCRÁTICA
Siga propondo temas para a agenda da Carta Maior. Imaginem se outros órgãos da mídia consultassem os leitores, ouvintes e espectadores sobre a agenda a desenvolver, como seria mais democrático o Brasil.
Por falar nisso, quando a mídia mercantil deixa de falar de um tema, podem ter certeza de que as coisas andam bem por lá. Exemplos: Paraguai, Equador, Bolívia.
Andam nervosos agora com as eleições de domingo na Venezuela. Previam derrota insofismável do governo, porque não se deram conta que o referendo foi derrotado pelos eleitores descontentes do governo e não pela oposição, agora ficam em situação difícil diante do provável resultado favorável ao governo.
E depois de tentar esconder que o que houve não foi fusão do Unibanco com o Itaú, mas compra daquele por este, para evitar eventual quebra do banco dos Moreira Salles, agora tentam esconder o afã privatizador do Serra e dos tucanos - que acabaram com o Banespa, entregando-o ao Santander e agora venderia para qualquer um a Nossa Caixa, para fazer caixa para obras da campanha eleitoral de 2010 -, falando de “fusão” da Nossa Caixa e do Banco do Brasil, o que é uma compra que salva a Nossa Caixa de ser vendida a um banco privado – o próprio Santander estava de olho.
Postado por Emir Sader às 09:33

A Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, pela 17ª vez consecutiva, uma resolução que condena os Estados Unidos pelo bloqueio imposto contra Cuba há 47 anos. A resolução foi votada hoje pelo órgão de 192 países, com 185 condenando o embargo e pedindo seu fim, três votos a favor (EUA, Israel e Palau) e duas abstenções (Micronésia e Ilhas Marshal). No ano passado, o bloqueio americano foi condenado por 184 votos a quatro, com uma abstenção.