Arquivo de 7 de Fevereiro de 2009

IZB no FSM

Mais uma vez o Instituto Zequinha Barreto esteve no Fórum Social Mundial em atividade conjunta com o Núcleo de Estudos de Ideologias e Lutas Sociais, da PUC-SP e Químicos Unificados de Campinas, Osasco e Vinhedo. Numa atividade bastante concorrida de público e com reflexões importantes, como das outras vezes, conseguimos juntar considerações de cunho acadêmico com experiências práticas dos movimentos sociais.

Tivemos algumas dificuldades de organização, porém, o resultado final superou nossas expectativas.

Inicialmente, havíamos programado duas sessões de Lutas Sociais na América Latina: Crise e Resistências - Uma no dia 29 e outra no dia 30. Porém, houve desistências de palestrantes que tiveram dificuldades em chegar a Belém e tivemos que cancelar a do dia 29. Na sala programada foram dispensadas mais de 50 pessoas, na maioria, jovens que procuraram a atividade atraídos pelo título. Bastante promissor, apesar da frustração em não realizar a mesa.

No dia seguinte, o público anterior voltou e se renovou. A sala ficou repleta com mais de 100 pessoas, muitas sentadas no chão, sem contar um número significativo que ficou do lado de fora e acabou se dispersando, pois o espaço não comportava a todos.

A Pedrina (IZB) iniciou os trabalhos fazendo uma breve apresentação do Instituto, relatando um pouco a História de Zequinha Barreto nos anos de repressão militar. Informou sobre as atividades de formação e sobre o funcionamento da Biblioteca Arcênio Rodrigues, mostrando a importância de que os trabalhadores conquistem espaços próprios de construção do conhecimento.

O Piauí e o Beto, sindicalistas dos Químicos Unificados de Campinas, Osasco e Vinhedo relataram suas experiências na rede de solidariedade aos trabalhadores na Colômbia, onde a Coca-cola, Nestlé e outras transnacionais, em conluio com o governo, financiam forças paramilitares com registro de agressões, desaparecimentos e assassinatos de sindicalistas e de lideranças dos movimentos populares. Enfatizaram a importância de se manter ações internacionais de apoio aos trabalhadores. Trouxeram para o público um exemplo concreto de lutas, resistência e constituição de redes solidárias contra a exploração do capital.

O Stan (Instituto Zequinha Barreto) situou a crise em seus aspectos gerais, reforçou o repúdio às ações dos diferentes governos brasileiros e suas adesões às políticas neoliberais e chamou o público a se incorporar em ações de lutas e resistências que persistem no Brasil.

Celia Regina Congilio (NEILS) situou a repercussão atual da crise em suas origens nos anos 70 e comentou as reformas do Estado, chamando atenção para uma em especial, a que ocorreu no âmbito da Educação e seu caráter privatizante. Comentou sobre o sucateamento da educação básica e a ingerência do Banco Mundial nas diretrizes que a orientam, lembrando que no mesmo período em que se elevou o IDH, por causa do aumento de crianças matriculadas no ensino fundamental, apresentou-se uma pesquisa que indica que 72% dos jovens brasileiros encontram-se em estágio de analfabetismo funcional. Lembrou que hoje, a maior parte das reflexões e ações em torno da Educação encontram-se isoladas nas Faculdades e Sindicatos voltados para esse segmento, enfatizando a necessidade de que os movimentos sociais incorporem a Educação como uma bandeira importante de unificação das lutas. Considerou que é importante que tragamos essas ações e reflexões para o campo da Política, criando mecanismos de participação dos trabalhadores na disputa pela hegemonia ideológica desde o seu florescimento.

O Vitto Giannotti, como sempre, divertiu a platéia com sua irreverência, ao mesmo tempo em que aprofundou reflexões sobre as lutas sociais. Fez um breve histórico das diferentes crises capitalistas e das resistências e conquistas dos trabalhadores ao longo do Modo de Produção Capitalista. Reafirmou a importância de que os movimentos sociais criem meios próprios de comunicação e de que os trabalhadores criem o hábito de leitura e formação política como meio de compreensão e incorporação às lutas contra a exploração.

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