Feil: A Folha e a "ditabranda"
Do Blog Vi o Mundo
A Folha de S. Paulo é, acima de tudo, um jornal marqueteiro. Quem não é do ramo se irrita com o Otavinho, mas o fato é que a família Frias tem um grande feeling jornalístico quando se trata de autopromoção. O jornal adora criar factóides para se tornar tema de debates. Talvez fosse mais fácil fazer Jornalismo, mas isso custa caro.
Fica mais barato criar factóides e enganar o distinto público. O mais recente é sobre a "ditabranda", o regime político com o qual a Folha de S. Paulo colaborou ativamente emprestando veículos e a redação da Folha da Tarde. Sobre o assunto, o Cristovão Feil escreveu, no excelente Diario Gauche:

Branda para quem, cara pálida?
Quando o próprio Departamento de Estado dos EUA e vários jornais conservadores norte-americanos consideram e reconhecem o caráter popular-democrático dos processos em curso na Venezuela, Bolívia e Equador, o jornal tucano-serrista Folha de S. Paulo – o mesmo que emprestava veículos da sua frota para operações inconfessadas dos órgãos de repressão da ditadura civil-militar de 1964-85 – continua insistindo com a sua cruzada contra Hugo Chávez e outros governantes sul-americanos que estão cortando os laços do Estado com as oligarquias locais.
Como se não bastasse, criou um neologismo infame para reconceituar a ditadura brasileira que golpeou Goulart em 1964. Segundo a Folha, nós experimentamos uma “ditabranda”, e alinha motivos de ficção para por de pé esse re-conceito mole e insustentável (editorial de 17/02/2009, fac-símile parcial acima).
Para o jornal da família Frias deve ter sido mesmo uma situação branda, já que se pode imaginar as contrapartidas que o regime de repressão e arbítrio deve ter concedido ao grupo Folha, antes de 1964, editores de um obscuro diário da cidade de São Paulo.
A professora Maria Vitória Benevides escreve, em carta enviada ao jornal e publicada hoje, no Painel do Leitor:
"Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de ‘ditabranda’? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar ‘importâncias’ e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi ‘doce’ se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala - que horror!"
O jurista Fábio Konder Comparato também escreve:
"O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou, deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana."
Já a redação do jornal Folha de S. Paulo, publica hoje a agressiva nota:
"Nota da Redação - A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua ‘indignação’ é obviamente cínica e mentirosa."
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Cabresto sem Nó » Blog Archive » Já está acontecendo e fica definitivamente registrado disse,
7 de Março de 2009 @ 23h 54m 48s
[…] Zequinha Barreto […]