Arquivo de 28 de Abril de 2009

Caiu a farsa da Globo sobre o conflito com o MST

 

Por Max Costa (*)

Desde o início, a história estava mal contada. Um novo conflito agrário no interior do Pará, em que profissionais do jornalismo teriam sido usados como escudo humano pelo MST e mantidos em cárcere privado pelo movimento, em uma propriedade rural, cujo dono dificilmente tinha seu nome revelado. Quem conhecia e acompanhava um pouco da história desse conflito sabia que isso se tratava de uma farsa. A população, por sua vez, apesar de aceitar a criminalização do MST pela mídia e criticar a ação do movimento, via que a história estava mal contada.
As perguntas principais eram: Como o cinegrafista, utilizado como escudo humano - considero aqui a expressão em seu real sentido e significados -, teria conseguido filmar todas as imagens? Como aconteceu essa troca de tiros, se as imagens mostravam apenas os "capangas" de Daniel Dantas atirando? Como as equipes de reportagem tiveram acesso à fazenda se a via principal estava bloqueada pelo MST? Por que o nome de Daniel Dantas dificilmente era citado como dono da fazenda e por que as matérias não faziam uma associação entre o proprietário da fazenda e suas rapinagens?
Para completar, o que não explicavam e escondiam da população: as equipes de reportagem foram para a fazenda a convite dos proprietários e com alguns custos bancados - inclusive tendo sido transportados em uma aeronave de Daniel Dantas - como se fossem fazer aquelas típicas matérias recomendadas, tão comum em revistas de turismo, decoração, moda e Cia (isso sem falar na Veja e congêneres).
Além disso, por que a mídia considerava cárcere privado o bloqueio de uma via? E por que o bloqueio dessa via não foi impedimento para a entrada dos jornalistas e agora teria passado a ser para a saída dos mesmos? Quer dizer então que, quando bloqueamos uma via em protesto, estamos colocando em cárcere privado, os milhares de transeuntes que teriam que passar pela mesma e que ficam horas nos engarrafamentos que causamos com nossos legítimos protestos?
Pois bem, as dúvidas eram muitas. Não apenas para quem tem contato com a militância social, mas para a população em geral, que embora alguns concordassem nas críticas da mídia ao MST, viam que a história estava mal contada. Agora, porém, essa história mal contada começa a ruir e a farsa começa a aparecer.
Na tarde de ontem, o repórter da TV Liberal, afiliada da TV Globo, Victor Haor, depôs ao delegado de Polícia de Interior do Estado do Pará. Em seu depoimento, negou que os profissionais do jornalismo tenham sido usados como escudo humano pelos sem-terra, bem como desmentiu a versão - propagada pela Liberal, Globo e Cia. - de que teriam ficado em cárcere privado.
Está de parabéns o repórter - um trabalhador que foi obrigado a cumprir uma pauta recomendada, mas que não aceitou mais compactuar com essa farsa. Talvez tenha lhe voltado à mente o horror presenciado pela repórter Marisa Romão, que em 1996 foi testemunha ocular do Massacre de Eldorado dos Carajás e não aceitou participar da farsa montada pelos latifundiários e por Almir Gabriel, vivendo desde então sob ameaças de morte.
A consciência deve ter pesado, ou o peso de um falso testemunho deva ter influenciado. O certo é que Haor não aceitou participar até o fim de uma pauta encomendada, tal quais os milhares de crimes que são encomendados no interior do Pará. Uma pauta que mostra a pistolagem eletrônica praticada por alguns veículos de comunicação e que temos o dever de denunciar.
(*) Max Costa é jornalista em Belém, PA

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28 DE ABRIL: Dia Internacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças Provocadas pelo Trabalho

Vendemos nossa força de trabalho para os patrões, não nossa saúde nem nossa vida!

A data comemorativa do 28 DE ABRIL surgiu no Canadá por iniciativa do movimento
sindical, espalhando-se por diversos países. Esse dia foi escolhido em razão de um acidente que matou 78 trabalhadores em uma mina no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, no ano de 1969.
Desde 2003, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) consagra a data à reflexão sobre a segurança e saúde no trabalho.

 

CLIQUE AQUI, ou na imagem acima, e leia publicação especial sobre o Dia Internacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças Provocadas pelo Trabalho, comemorado em 28 de abril, próxima terça-feira.

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Quando Getúlio seqüestrou o 1º de Maio

  • Por Sérgio Domingues

Foi em 1940. Vargas se apossou da data e patrões e governo a mantiveram prisioneira até o final da década de 1980. Com o surgimento da CUT, o 1º de Maio voltou a representar a luta dos trabalhadores, mas os novos pelegos a ameaçam novamente.

A primeira vez em que se comemorou o 1º de Maio no Brasil foi em Santos, em 1895. Mas a primeira grande manifestação feita no Dia Internacional dos Trabalhadores aconteceu em 1907, na Praça da Sé, São Paulo. A polícia não fez por menos e reprimiu violentamente.

Tentativas de tomar o 1o de Maio vêem desde 1914

Em 1914, o governo e os patrões procuram transformar o 1º de Maio em feriado para esvaziar seu caráter de luta. Mas os anarquistas e os ainda poucos numerosos socialistas resistem. Em 1916, em plena guerra, o 1º de Maio transforma-se em protesto contra a guerra. "Paz entre nós, guerra aos senhores", "Viva a Internacional!" Estas eram algumas das palavras-de-ordem.

Em 1919, a influência da revolução russa se faz presente

No Dia Internacional dos Trabalhadores, os manifestantes gritam "Viva a Revolução Soviética", "Viva Lênin" e cantam a Internacional. Em 1924, nova tentativa de “desarmar” o 1ºde Maio. Arthur Bernardes decreta feriado nacional "… consagrando-se (a data) não mais a protestos subversivos, mas à glorificação do trabalho ordeiro". Mas até 1935, o 1ºde Maio se mantém como data de protesto, sem patrões e sem governo. Nesse ano, entra em vigência a Lei de Segurança Nacional. Começa a operação de isolamento do movimento sindical combativo.

A propaganda é a alma do negócio fascista

Com a estrutura sindical oficial em pleno funcionamento, os sindicatos sob controle governamental oferecem algumas leis trabalhistas (férias) em troca de filiação a seus quadros e o abandono dos antigos sindicatos combativos. Além disso, o governo Getúlio aprendeu com os métodos de propaganda fascistas. Já em 1931, é criado o Departamento Oficial de Propaganda (DOP). Mas o tristemente famoso Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) só surgiria sob o Estado Novo, em 1939.

Em 1937, o movimento sindical independente que já vinha sendo isolado pela chantagem trabalhista é definitivamente esmagado pelo golpe do Estado Novo, com prisões, tortura e morte de milhares. Na condição de ditador assumido, Vargas aproveita a situação de defensiva dos trabalhadores para criar, usar e abusar do DIP. Combina repressão com lavagem mental em massa, através do rádio e de jornais. Os jornais A Manhã e A Noite são encampados, assim como a Rádio Nacional. Viram instrumentos de publicidade totalmente controlados pelo Estado.

Governo e patrões finalmente prontos para o seqüestro

Agora, finalmente, o governo e os patrões já têm condições de seqüestrar o 1ºde Maio dos trabalhadores. Isso acontece em 1940. Com o movimento sindical independente de joelhos e com os pelegos em sua folha de pagamentos, o governo Getúlio passará a comemorar o 1ºde Maio junto com os trabalhadores. Principalmente, no estádio do Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, lugar de reunião popular por excelência.

O seqüestro só vai ser relaxado com a deposição de Vargas, mas a data continua refém do populismo. Mesmo nos períodos de muitas greves ou de luta radical, os vários governos até 1964 continuam usando o Dia Internacional dos Trabalhadores para anunciar medidas demagógicas. E, infelizmente, até mesmo setores mais comprometidos com os trabalhadores, como o PCB, PSB, UNE, CGT, não conseguem retomar totalmente o caráter do 1ºde Maio como data de luta dos trabalhadores, sem a intromissão de patrões e governo.

Com a ditadura militar, o 1ºde Maio volta a seu cativeiro

Algumas manifestações corajosas são realizadas como em 1968, mas são esmagadas a ferro e fogo. Somente no final dos anos 80, com a retomada das lutas e o surgimento do sindicalismo combativo, o 1ºde Maio é arrancado das garras da ditadura e seus apoiadores.

Saída do cativeiro, a data está agora ameaçada pelo novos pelegos da Força Sindical

Desde então, o 1ºde Maio voltou a ser uma data dos trabalhadores. Mas com a chegada do neoliberalismo a partir de Collor, um novo sindicalismo pelego procura colocar suas garras para fora. A Força Sindical vem usando a data para promover sorteios e shows financiados por grandes empresas e apoiados oficialmente. Nada mais do que uma nova tentativa de aprisionar a data para usá-la para envolver e enfraquecer a luta dos trabalhadores.

A CUT vem tentando manter sua tradição de fazer 1os de Maio combativos e independentes de patrões e do governo. Mas é cada vez maior o cerco da grande imprensa, que procura impor o comparecimento às manifestações/shows como medida da capacidade de mobilização das centrais. Um jogo que não podemos aceitar. Do contrário, não serão eles a seqüestrar o 1ºde Maio. Seremos nós a entregar essa data histórica da luta dos trabalhadores a nossos inimigos.


Núcleo Piratininga de Comunicação

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Correa é reeleito com ampla vantagem no Equador

Com 70% dos votos apurados, Rafael Correa comemora sua reeleição com mais de 50% os votos contra 28% do seu principal opositor, o ex-presidente Lucio Gutiérrez

Com 70% dos votos apurados, Rafael Correa comemora sua reeleição com mais de 50% os votos contra 28% do seu principal opositor, o ex-presidente Lucio Gutiérrez


27/04/2009


da Redação,

O presidente equatoriano, Rafael Correa, deve ser o vencedor das eleições gerais realizadas neste domingo (26) com pouco mais de 51% dos votos, segundo dados oficiais divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Com cerca de 70% dos votos apurados, o presidente tem ampla vantagem sobre os demais adversários. Seus dois principais oponentes, Lucio Gutiérrez e Álvaro Noboa, obtiveram 28% e 11% dos votos, respectivamente. Os outros cinco candidatos inscritos na disputa obtiveram cada um menos de 2% dos votos.

Por sua vitória, Correa recebeu saudações dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, da Bolívia, Evo Morales e do Chile, Michelle Bachellet.

Chávez ressaltou, através de comunicado, “a importância do processo popular constituinte que tem permitido ao Equador viver uma etapa de refundação democrática pela via pacífica, sobre a base de uma nova Constituição, escrita e aprovada pelos equatorianos”.

Rafael Correa, um economista de 46 anos, concluiria sua gestão em 2011, mas a nova Constituição do país, aprovada em setembro de 2008 em um referendo, convocou as novas eleições.

O pleito foi acompanhado por 510 observadores nacionais e estrangeiros, o processo foi o mais complexo da história desta nação andina.

Pouco mais de 10 milhões de eleitores foram convocados às urnas para eleger ao presidente e vicepresidente do Equador, 118 congressistas, 46 prefeitos e viceprefeitos e 1.581 vereadores.

Compromisso

Em coletiva de imprensa realizada depois dos primeiros resultados extra-oficiais, que o indicaram como ganhador, Correa reiterou que a luta é para conseguir uma pátria para todos, uma pátria igualitária que tem se consolidado nos últimos dois anos de compromisso social.

“Estamos aqui para os pobres. Nossa opção preferencial é pelos mais pobres e nosso compromisso é erradicar a miséria e deixar o país mais justo e mais equitativo”, enfatizou

O presidente reeleito também destacou que o principal compromisso deste novo período presidencial é mudar o mais rápido possível a história do país e oferecer plenas garantias de educação, moradia, emprego, saúde, transporte e melhorar os níveis de vida dos cidadãos equatorianos.

Para Correa, uma das lutas mais importantes a vencer durante a gestão 2009-2013 é pelos 3 milhões de imigrantes, espalhados por todo continente, aos quais garantiu: “Nosso compromisso é para que possam voltar e encontrar a felicidade que foram buscar em outras partes do mundo”.

América Latina

Rafael Correa afirmou nesta segunda-feira (27) que, em relação à questão internacional, um dos principais objetivos de seu governo é consolidar a integração da América Latina, mediante a adoção de medidas efetivas mais além das comerciais.

Correa defende que da União das Nações Sulamericanas (Unasul) devem sair “ações concretas” que eliminem essa percepção irreal da integração e que superem as barreiras meramente comerciais.

Para o presidente equatoriano, esta integração deve abranger outras áreas como a alimentação e energia, e não só a comercial, que foram um dos grandes erros cometidos no passado, quando os países da região competiam entre si para obter melhores mercados em vez de cooperar como irmãos.

“O Estados Unidos é o primeiro sócio comercial do Equador” recordou Correa ao ser interrogado sobre sua relação com o governo do democrata Barack Obama, sobre o qual disse que continuará da maneira mais cordial, sempre e quando for baseada no respeito.

Sobre a relação do Equador com países opostos aos Estados Unidos como China, Irã e Rússia, o presidente socialista disse que estas seguirão aprofundando-se “sem medo, sem patronagem, sem ter que pedir permissão a ninguém”, declarou e acrescentou que isto faz parte da política internacional soberana que vem adotando seu governo desde 2007.

Correa esclareceu que este aprofundamento das relações internacionais será enfocado sobretudo com os países da América Latina, e será mais forte com aqueles cujos governos concordem com a doutrina socialista. (Com agências internacionais)

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