Arquivo de 15 de Novembro de 2009

Emerge uma nova esquerda na Europa

Por Daniel Bensaid

esquerda europa As recentes eleições alemães e portuguesas confirmaram a emergência em vários países da Europa de uma nova esquerda radical. Na Alemanha, Die Linke obteve 11,9% dos sufrágios e 76 deputados no Bundestag. Em Portugal, o Bloco de Esquerda alcançou 9,85% e dobrou sua representação parlamentar, com 16 deputados. Essa nova esquerda surgiu no fim dos anos noventa com a renovação dos movimentos sociais e o auge do movimento alter-mundista. A novidade reside em seu avanço eleitoral, que não se limita a um país ou a dois, senão que esboça uma tendência europeia (ilustrada, entre outros, pela Aliança Vermelha e Verde na Dinamarca, Syriza na Grecia ou o Novo Partido Anticapitalista na França), ainda frágil e desigual, segundo os distintos sistemas eleitorais. Por exemplo, o NPA e a Frente de Esquerda têm na França um potencial acumulado de aproximadamente 12%, mas não contam com nenhum parlamentar eleito, devido a um sistema uninominal de dois turnos que exclui toda representação proporcional e favorece o "voto útil" como um mal menor.

Vários fatores explicam esse fenômeno e, antes de tudo, o afundamento ou o retrocesso dos partidos social-democratas e comunistas, que estruturam há meio século a esquerda tradicional.

Os partidos comunistas, que se haviam identificado com o "campo socialista" e com a União Soviética, desapareceram ou viram sua base social se dissolver, com a relativa exceção da Grécia e de Portugal. Quanto à social democracia, ao acompanhar e impulsionar as políticas liberais no marco dos tratados europeus, contribuiu ativamente para desmantelar o Estado social no qual obtinha sua legitimidade. Sob o pretexto da "renovação", da "terceira vía" e do "novo centro", se metamorfoseou além disso em formação de centro-esquerda, a semelhança do Partido Democrata italiano. À medida que seus vínculos com o eleitorado popular se debilitavam, se reforçava sua integração com os meios de negócios. A passagem de Schröder ao conselho de administração de Gazprom, e a promoção de dois "socialistas" franceses (Dominique Strauss-Kahn e Pascal Lamy) à cabeça do FMI e da OMC simbolizam essa transformação de altos dirigentes socialistas em homens de confiança do grande capital. Paladina da "economia social de mercado" e do compromisso social, a social democracia alemã já pagou por isso, ao registrar nas eleições de 27 de setembro uma perda de 10 milhões de eleitores em 10 anos.

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Câmara fará Audiência Pública sobre caso Uniban

A Comissão de Educação e Cultura da Câmara aprovou, nesta quarta-feira 11, requerimento para realização de audiência pública para debater, a partir da ocorrência envolvendo a Uniban – Universidade Bandeirante e uma aluna do curso de turismo, a responsabilidade das instituições de ensino superior em relação aos direitos humanos. Para o deputado Ivan Valente, autor da proposta com a deputada Angela Portela, transformar a vítima em ré é uma atitude inadmissível da direção da Uniban.

“Qual o papel das instituições na formação desses jovens?”, questionou. Na opinião do deputado, a manifestação por parte dos outros acadêmicos para com a estudante Geisy Arruda foi um assédio em massa e uma incitação à violência. Geisy chegou a ser expulsa, conforme divulgado pela própria Uniban, que voltou atrás diante da repercussão negativa.

A audiência pública será conjunta com a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, com participação secretária de Ensino Superior do Ministério da Educação, Maria Paula Dallari Bucci; da ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire; da reitoria da Uniban; da antropóloga e professora da Universidade de Brasília, Débora Diniz; e da diretora de Mulheres da União Nacional dos Estudantes, Roberta Costa.

O deputado Ivan Valente explicou que não propôs convite à estudante Geisy Arruda para não constrange-la ainda mais.

Leia abaixo a íntegra do requerimento:

COMISSÃO DE EDUCAÇÃO E CULTURA

Requerimento nº /2009.

(dos deputados Ivan Valente e Angela Portela)

Requerem a realização de Audiência Pública, na Comissão de Educação e Cultura, para debater a ocorrência envolvendo a Uniban e uma aluna da Faculdade de Turismo.

Senhora Presidente:

Requeremos a vossa excelência, nos termos do artigo 255 do Regimento Interno, ouvido o plenário desta Comissão de Educação e Cultura, a realização de Audiência Pública, em data a ser agendada, com o intuito de debater os fatos ocorridos na Universidade Bandeirantes em São Bernardo, relacionados à manifestação envolvendo a estudante Geisy Arruda e o papel da Universidade na condução do processo educacional.

Propomos para tanto que sejam convidadas as seguintes autoridades:

. Sra. Maria Paula Dallari Bucci, Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação;

. Sra. Nilcéia Freire, Secretária Especial de Políticas para Mulheres;

. Sr. Heitor Pinto Filho, Reitor da Universidade Bandeirantes;

. Sra. Débora Diniz, Antropóloga, professora da UnB;

Justificação

Há algumas semanas, uma nova manifestação de violência e agressões chocou o país. Desta vez, a vítima foi uma estudante de Turismo do campus de São Bernardo da Universidade Bandeirantes que sofreu toda sorte de humilhação por usar um vestido curto para ir à aula. As cenas, distribuídas pela internet e veiculadas sem cessar na televisão, nos impõem uma séria reflexão acerca do machismo e de posições de extremo conservadorismo que ainda vigoram em nossa sociedade.
As cenas de fúria e delírio coletivo constatadas nos corredores da Uniban beiram o fascismo que não pode ser tolerado sob nenhuma hipótese. Xingada, acuada e ameaçada por jovens – homens e mulheres – a estudante Geisy Arruda só conseguiu deixar o campus escoltada pela Polícia Militar. Entre sua chegada na universidade e o momento da fuga, foi obrigada a ouvir inclusive aclamações por estupro. Para uma parte considerável daqueles que criaram o tumulto, a responsável pelas agressões era a própria estudante, que teria provocado com seus trajes a ira incontrolável de um bando de jovens ferozes.
Vale lembrar que esta justificativa é sempre corriqueira nos casos de violência contra a mulher, do estupro às agressões físicas. Basta ler a fala dos agressores nas investigações levadas a cabo pelas delegacias da mulher Brasil afora. O caso da estudante, assim como inúmeros casos ocorridos no País, configura gravíssima manifestação de machismo, preconceito e intolerância.
Não há justificativa possível para este tipo de violência contra a mulher. As conseqüências para a vida desta jovem são inúmeras, sobretudo após a superexposição que ela vem sofrendo depois que o caso chegou à grande imprensa. Não obstante a violência já perpetrada contra a jovem, agora a sociedade está à frente de mais uma: a expulsão da jovem estudante.

O fato expõe a face perversa de um sistema de ensino que nos últimos anos vêm insistindo num modelo tecnocrata, extremamente competitivo e individualista. Nossas escolas sofrem com uma padronização irracional, que desconsidera diferenças, impondo um modelo centrado apenas em conteúdos que podem ser medidos nas diversas provinhas e provões e que reduz a educação a processos mecânicos de transmissão de informação. Modelo que tem subtraído do trabalho escolar a sua dimensão mais importante: a formação de cidadãos e cidadãs críticos e conscientes que busquem a construção de uma sociedade justa, livre de preconceitos e intolerâncias.

Entre as atribuições da Comissão de Educação e Cultura está a de avaliar os assuntos atinentes à educação em geral, à política em vigor e o papel das instituições de ensino na formação dos alunos de uma maneira geral, sendo portanto, em nossa opinião, muito oportuno a realização desta audiência nesta Comissão, analisando este grave caso de grande repercussão, inclusive internacional. Desta forma, contamos com os nobres pares para a aprovação da presente proposta.

Sala das Comissões, 09 de Novembro de 2009.

Deputado Ivan Valente – Lider do PSOL

Deputada Angela Portela – PT/RR

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Equador e Bolívia são casos de sucesso em meio à crise global

Adivinhem qual país das Américas deve atingir o crescimento econômico mais rápido nesse ano? A Bolívia. O primeiro presidente indígena do país, Evo Morales, foi eleito em 2005 e assumiu o cargo em janeiro de 2006. Bolívia, o país mais pobre da América do Sul, seguiu os acordos com o FMI [Fundo Monetário Internacional] por 20 anos consecutivos e sua renda per-capita ao final desde período era mais baixa do que 27 anos antes. E o Equador tem atingido saudáveis 4,5% de crescimento durante os dois primeiros anos da presidência de Correa. O artigo é de Mark Weisbrot, do The Guardian

*Mark Weisbrot - The Guardian

 

De acordo com a sabedoria convencional transmitida diariamente na imprensa econômica, os países em desenvolvimento deveriam se desdobrar para agradar as corporações multinacionais, seguir a política macroeconômica neoliberal e fazer o máximo para atingir um grau de investimento elevado e, assim, atrair capital estrangeiro.

Adivinhem qual país das Américas deve atingir o crescimento econômico mais rápido nesse ano? A Bolívia. O primeiro presidente indígena do país, Evo Morales, foi eleito em 2005 e assumiu o cargo em janeiro de 2006. Bolívia, o país mais pobre da América do Sul, seguiu os acordos com o FMI [Fundo Monetário Internacional] por 20 anos consecutivos e sua renda per-capita ao final desde período era mais baixa do que 27 anos antes.

Evo descartou o FMI apenas três meses depois de assumir a presidência e então nacionalizou a indústria de hidrocarbonetos (especialmente gás natural). Não é preciso dizer que isso não agradou a comunidade corporativa internacional. Também foi mal vista a decisão do país de se retirar do painel de arbitragem internacional do Banco Mundial em maio de 2007, cujas decisões tinham tendência a favorecer as corporações internacionais em detrimento dos governos.

A nacionalização e os crescentes lucros advindos dos royalties dos hidrocarbonetos, no entanto, têm rendido ao governo boliviano bilhões de dólares em receita adicional (o PIB total da Bolívia é de apenas 16,6 bilhões de dólares, para uma população de 10 milhões de habitantes). Essas rendas têm sido úteis para a promoção do desenvolvimento pelo governo, e especialmente para manter o crescimento durante a crise. O investimento público cresceu de 6,3% do PIB em 2005 para 10,5% em 2009.

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Lula é a 33ª pessoa mais poderosa do mundo, diz ranking da ‘Forbes’

NOTA DO IZB: Lula está bem acompanhado na lista da Forbes, com Blairo Maggi (’Rei da Soja’ transgênica),

laureado com o prêmio ‘Motosserra de Ouro’, como o maior desmatador do Planeta.

 

Lista traz ainda, no 62º lugar, o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, maior produtor mundial de soja

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a 33ª pessoa mais poderosa do mundo, segundo um ranking preparado pela revista americana Forbes e divulgado nesta quinta-feira.

O ranking completo, com 67 nomes, traz ainda o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, que é o maior produtor mundial de soja, na 62ª posição.

A lista é encabeçada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, seguido pelos presidente da China, Hu Jintao, e pelo premiê e ex-presidente russo Vladimir Putin.

O presidente do Fed, o Banco Central dos Estados Unidos, Ben Bernanke, é considerado pela revista o 4º homem mais poderoso do mundo.

Segundo a revista, a compilação da lista tentou responder a questões como que influência as pessoas têm sobre outras, o controle que elas têm de grandes recursos financeiros e o poder que elas têm em múltiplas esferas.

Perfis

A revista justifica a escolha de Lula como 33º de sua lista dizendo que ele "governa o maior produtor de alimentos do mundo, o maior exportador de açúcar, de suco de laranja, de café, de carne e de frango".

A Forbes comenta que seu "projeto de estimação" é a exploração dos vastos campos de petróleo na costa brasileira, "tornando o país o número 1 no mercado de carbono projetado em US$ 125 bilhões".

No perfil que faz de Blairo Maggi, por sua vez, observa que ele ajudou a fazer da soja o principal produto de exportação brasileiro, mas que foi acusado de desmatar a floresta amazônica, pelo que recebeu o prêmio "Motosserra de Ouro", da ONG Greenpeace, em 2005.

Apesar disso, a revista observa que ele mudou sua imagem com os ambientalistas ao conseguir reduzir dramaticamente o desmatamento no Estado e ao defender uma compensação financeira para que os agricultores não desmatem a floresta.

Lula aparece no ranking pouco acima de figuras como os premiês do Japão, Yukio Hatoyama, e da Índia, Manmohan Singh, e do saudita Osama bin Laden, líder da Al Qaeda, em 35º, 36º e 37º lugares na lista, respectivamente.

Mas fica atrás de outras figuras políticas como os primeiro-ministros da Itália, Silvio Berlusconi (12º lugar), da Alemanha, Angela Merkel (15º), e da Grã-Bretanha, Gordon Brown (29º), ou do líder da Coreia do Norte, Kim Jong Il (24ª posição na lista), e até mesmo do ex-presidente americano Bill Clinton (31ª) ou do prefeito de Nova York, o milionário Michael Bloomberg, que aparece no 20º lugar.

Nos primeiros lugares da lista estão também empresários, como os fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page, em 5º lugar, o mexicano Carlos Slim Helu, em 6º, o magnata da mídia Rupert Murdoch, em 7º, Michael T. Duke, presidente da Wal-Mart, em 8º, e Bill Gates, fundador da Microsoft e homem mais rico do mundo, em 10º. A Forbes observa que a lista tem um nome para cada 100 milhões de habitantes da Terra. (BBC Brasil)

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