Acusado de mandar matar missionária aguarda julgamento em liberdade

Clique aqui para ouvirClique aqui para ouvir dorotty - O assassinato da missionária estadunidense Dorothy Stang completa cinco anos nesta sexta-feira (12). Morta a tiros em Anapu, no Pará, a religiosa atuava em defesa da reforma agrária e da agricultura familiar no estado.
Cinco anos após o crime, o intermediário do assassinato, Amair Feijoli da Cunha, cumpre pena de 18 anos; os pistoleiros Clodoaldo Carlos Batista, o Eduardo, e Rayfran das Neves, cumprem pena de 18 anos e 17 anos de prisão, respectivamente. Um dos mandantes do assassinato, Vitalmiro Bastos de Moura, foi condenado a 30 anos de prisão. Já o principal mandante, Regilvado Pereira do Galvão, ainda não foi a julgamento.
Segundo o integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Ulisses Manaças, o problema da violência no campo no estado tem aumentado em função da expansão de projetos extrativistas e do agronegócio.
“Foram consolidados na Amazônia vários projetos, especialmente no campo agromineral extrativista. Foi implementado no baixo Amazonas o ciclo da soja, através da multinacional Cargill, com os grandes fazendeiros disputando território com os indígenas, quilombolas, etc. No sul e sudeste do estado também se consolidou essa aliança, da pecuária extensiva, das indústrias madeireiras com as mineradoras. E através do sistema financeiro também, no caso do Opportunity, que comprou 49 propriedades devolutas no estado.
Para Manaças, a impunidade é que dá amparo a novos casos de violência e de violação dos direitos humanos no estado.
"Nos últimos 20 anos, só no Pará, houve 600 assassinatos. Desses, só sete mandantes foram condenados, mas somente três estão na cadeia. Toda essa estrutura burocrática e parcial do Judiciário e do sistema de segurança pública consolida a impunidade no estado”.
De São Paulo, para a Radioagência NP, Sofia Prestes.

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