Arquivo de Cinema

Um ano depois: Honduras e sua resistência

Por Flamarion Maués

 Um ano depois do golpe, documentário mostra a repressão e a resistência em Honduras

Primeira exibição pública do documentário “Quién dijo miedo. Honduras de un golpe” foi acompanhada por quase mil pessoas  em Buenos Aires

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Quase um ano atrás, em 28 de junho de 2009, ocorreu o golpe que derrubou o presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya. Desde então uma forte reação popular se desencadeou no país, além de uma grande pressão diplomática contra o governo golpista e seu continuador, o atual presidente Porfírio Lobo.

Desde o primeiro dia do golpe, a cineasta hondurenha Katia Lara começou a registrar os fatos que estavam ocorrendo nas ruas do país, filmando as manifestações contra o golpe, a repressão – que gerou dezenas de mortes desde então – e a resistência persistente de grande parte da população à destituição de Zelaya.

Desse trabalho surgiu o documentário “Quién dijo miedo. Honduras de un golpe”, cuja primeira exibição pública ocorreu na noite desta segunda, 7 de junho, em Buenos Aires. Desde dezembro Katia Lara está exilada na Argentina, e aqui concluiu a realização do documentário, com apoio do  Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA) argentino. A sessão teve um público de cerca de mil pessoas, que lotaram a sala do INCAA.

Trata-se do primeiro documentário longa-metragem sobre o golpe de estado no país centro-americano. O filme descreve as causas imediatas do golpe e porque os setores mais conservadores de Honduras resolveram derrubar Zelaya – que, afinal, era do Partido Liberal, um dos dois partidos que sempre se revezaram no poder no país. E conta o que aconteceu desde que o presidente deposto Zelaya teve de abandonar o país, passando por suas tentativas de retornar e, finalmente, sua entrada de forma clandestina em Honduras e seu abrigo na Embaixada do Brasil durante quatro meses.

A força do filme está na riqueza de imagens da resistência popular – e da fortíssima repressão que desde o início o governo golpista impôs ao país. O que vemos é que houve uma reação popular imediata ao golpe, em defesa de Zelaya – um “caudilho” com ares progressistas, como define um dos entrevistados do documentário –, mas principalmente das mudanças que estavam ocorrendo no país e da legalidade. A Frente Nacional de Resistência se organizou rapidamente e, a partir de  organizações camponesas, indígenas, sindicais e culturais, conseguiu unificar e coordenar a oposição ao golpe.

A diretora Katia Lara: exílio na Argentina para finalizar o documentário

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Sem maiores pretensões formais, o filme é um forte e bem documentado manifesto contra o golpe e contra a repressão, retomando as heranças de um certo cinema militante, mas de caráter não dogmático, ou seja, sua causa principal é a defesa de um caminho democrático para Honduras e para a América Latina. E, por isso mesmo, acaba por ser também um alerta para todos os países do continente sobre esta nossa velha e triste tradição, os golpes mitares.

Ainda não há previsão para a exibição de “Quién dijo miedo. Honduras de un golpe” no Brasil. A ideia da diretora não é exibir o filme em circuito comercial, mas sim por meio de organizações sociais e sindicatos.

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Filme - Ao Sul da Fronteira

Capa Godrien_Blogspot_com Cartaz Ao Sul da Fronteira Oliver Stone

O filme “Ao Sul da Fronteira”, dirigido por Oliver Stone foi aplaudido durante vários minutos após a sua exibição, na segunda-feira, dia 7, durante o 66° Festival de Cinema Internacional de Veneza. A estreia contou com a presença do presidente venezuelano, Hugo Chávez, bastante aplaudido desde a chegada junto com o diretor.Stone afirmou durante coletiva de imprensa no final da manhã, que sempre ficou “intrigado com a maneira como a mídia norte-americana trata Hugo Chávez”. Disse que “Ele é muito popular na Venezuela, já saiu vencedor em vários processos eleitorais, a pobreza foi cortada à metade, a melhoria social foi grande. É uma mudança maravilhosa”.
O documentário de 75 minutos descreve, por meio de diversas entrevistas, as mudanças políticas vividas em todo o continente sul-americano nos últimos dez anos, a partir da eleição de Hugo Chávez em 1998, na Venezuela. As entrevistas se contrapõem às chamadas feitas por noticiários das grandes mídias norte-americanas. O filme põe em evidência a campanha midíatica impulsionada pelos meios televisivos norte-americanos contra os processos de mudanças vividos na América Latina e especificamente na Venezuela.
“Foi o primeiro presidente latino-americano que desafiou ao Fundo Monetário Internacional, essa organização neoconservadora que obriga a aplicar medidas duras em todo o continente e que provocou a desvalorização na Argentina, por isso o considero um herói”, afirmou Stone. “Chávez se revelou um fenômeno, viajamos muito, quase um ‘road movie’ (filme de estrada, em inglês), para ver a incrível mudança que está atravessando este país”, comentou, sobre a produção do filme.
O roteirista do filme, o historiador e escritor anglo-paquistanês, Tareq Ali, destacou que “os meios de comunicação dos Estados Unidos e Europa atuam contra a América do Sul e todos os seus presidentes. Então decidimos fazer um filme que desafie todas essas campanhas. A idéia é mostrar ao público norte-americano, quem são esses presidentes para que possa decidir e formar sua própria opinião”.
Ao se manifestar sobre o diretor do filme, Chávez destacou que “Oliver compreendeu muito bem que na América Latina se está forjando uma revolução. Seu documentário é um tributo à América Latina, que está lutando para unir-se e forjar seu próprio destino”, afirmou o presidente venezuelano, que recebeu em Veneza muitas manifestações de apoio ao processo político que lidera em seu país.
No filme, além de Chávez, também são entrevistados os presidentes, Luiz Inácio Lula da Silva; o boliviano, Evo Morales; a presidente argentina, Cristina Kirchner; o líder cubano, Raúl Castro; o presidente equatoriano, Rafael Correa; e o presidente do Paraguai, Fernando Lugo.

Ao Sul da Fronteira

É a primeira vez na história que os governantes de alguns países se parecem com os seus governados”, afirmou a presidente argentina, Cristina Kirchner, ao citar os líderes latino-americanos, como Evo Morales, Chávez e Lula.
“Tivemos por muitos anos uma elite servil aos Estados Unidos”, afirma Lula no documentário, que também exige o fim do embargo a Cuba, a paz no Oriente Médio e a permissão para que Chávez visite os EUA.
Oliver Stone, de 62 anos, conta com grande reconhecimento internacional por seus filmes “Platoon” (1986) e “Nascido em 4 de julho” (1989), JFK, Wall Street e W (sobre a vida do ex-presidente dos EUA, George W. Bush), além de diversos filmes sobre a realidade da América Latina, como “Comandante” (2003), sobre Fidel Castro, e “Salvador” (1986), sobre o conflito na América Central.

 

Al Sur de la Frontera

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Diretora de ‘Guerra ao Terror’ se prepara para gravar ‘Triple Frontier’, filme polêmico sobre fronteiras entre Brasil, Argentina e Paraguai

Paraguai e Argentina são contra; filme pode distorcer presença muçulmana na região, considerada pelos EUA ‘área de conexão de terroristas’
O ministro do Turismo, Luiz Eduardo Barreto, desmentiu na segunda-feira (10) a ministra paraguaia, Liz Cramer, que disse que seu Paraguai e Brasil não vão colaborar com a produção de Triple Frontier (Tríplice Fronteira, em tradução livre). O novo filme da vencedora do Oscar, Kathryn Bigelow, diretora de  Guerra ao Terror, causou indignação em Assunção e também em Buenos Aires.
Mais cedo, a ministra do Turismo pediu aos paraguaios que boicotem a produção, que irá, segundo ela, denegrir a imagem da região.
- Falei com o ministro do Turismo da Argentina e com os do Brasil. Estamos todos indignados. Colocaram o olho na Tríplice Fronteira e querem nos transformar em vilões do mundo.
Segundo a assessoria de imprensa do ministro Barreto, ele não conversou com sua colega paraguaia sobre o assunto. Barreto também não quis comentar a produção de Kathryn.
A ministra do Paraguai anunciou que as autoridades dos três países não vão colaborar com os cineastas americanos que pretendiam filmar na região durante o segundo semestre deste ano.
- Seria estúpido ficar ao lado de estrangeiros que vêm nos pintar como o maior lixo do planeta.
Horas depois, o secretário de Turismo da Argentina, Enrique Meyer, manifestou sua "profunda indignação" com o filme, que ainda nem começou a ser rodado.
- Até onde sabemos, [o filme] tenta mostrar a região comum aos três países sul-americanos negativamente.
Região é considerada perigosa
O filme Triple Frontier vai falar sobre a violência, os conflitos e o crime organizado na tríplice fronteira e o roteiro do longa será escrito por Mark Boal, vencedor do Oscar na categoria, com quem a diretora trabalhou em Guerra ao Terror.
A zona fronteiriça entre Paraguai, Argentina e Brasil é considerada por relatórios do governo dos Estados Unidos um epicentro de conexão e financiamento de grupos terroristas islâmicos, informação negada pelas autoridades dos três países.
Com pouco mais de 1 milhão de pessoas, Ciudad del Este (Paraguai), Foz do Iguaçu (Brasil) e Puerto Iguazú (Argentina) são divididas pelos rios Paraguai e Iguaçu, sendo muito visitadas por turistas atraídos pelas Cataratas do Iguaçu e pela hidrelétrica de Itaipú. Estima-se que 20 mil árabes e descendentes vivam na região, muitos deles muçulmanos dedicados ao comércio. (Maurício Moraes, do R7, com France Presse)
NOTA DO CONTRAPONTO!: Durante as guerras do Iraque e Afeganistão, o ex-presidente dos EUA, George Bush acusou os países do Cone Sul (Brasil, Argentina e Paraguai) de abrigarem terroristas islâmicos, devido à grande presença de comerciantes árabes na região. As acusações nunca foram comprovadas, mas agora a cineasta Kathryn Bigelow (do premiado com o Oscar, ‘Guerra ao Terror’) reacende a polêmica ao revelar que tem um roteiro pronto para filmar ‘Triple Frontier’ na tríplice fronteira entre as cidades de Foz do Iguaçu (Brasil), Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú (Argentina), divididas pelos rios Paraguai e Iguaçu. O certo é que tal projeto só trará estereótipos contra os árabes residentes nesta região, numa visão tipicamente estadunidense, de ’salvadores do mundo’, numa guerra nada ’santa’ contra o Islã. Mais lixo cultural dos EUA, com forte carga de apoio do Pentágono e da CIA vem por aí…

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FILME DESTRÓI IMAGEM DO MC’DONALDS: "Super Size Me - A Dieta do Palhaço"

Uma crítica mordaz à multinacional MC’Donalds e seu palhaço Ronald, que incentivam o consumo de alimentos que são um verdadeiro veneno para a saúde pública mundial
"Super Size Me - A dieta do palhaço" é um documentário americano de 2004, escrito, produzido, dirigido e protagonizado por Morgan Spurlock, um cineasta independente americano.
No filme, Spurlock segue uma dieta de 30 dias (fevereiro de 2003) durante os quais sobrevive em sua totalidade com a alimentação e a compra de artigos exclusivamente do McDonald’s. O filme documenta os efeitos que tem este estilo de vida na saúde física e psicológica, e explora a influência das indústrias da comida rápida.
Durante a gravação, Spurlock comia nos restaurantes McDonald’s três vezes ao dia, chegando a consumir em média 5000 kcal (o equivalente de 6,26 Big Macs) por dia durante o experimento.
Antes do início deste experimento, Spurlock, comia uma dieta variada. Era saudável e magro, e media 188 cm de altura com um peso de 84,1 kg. Depois de trinta dias, obteve um ganho de 11,1 kg, uns 13% de aumento da massa corporal deixando seu índice de massa corporal em 23,2 (dentro da faixa "saudável" 19-25) a 27 ("sobrepeso"). Também experimentou mudanças de humor, disfunção sexual, e dano ao fígado. Spurlock precisou quatorze meses para perder o peso que havia ganhado.
O fator que motivou Spurlock para fazer a investigação foi a crescente propagação da obesidade em todos os Estados Unidos, que o diretor do serviço público de saúde americano tinha declarado como "epidemia", e a correspondente demanda judicial contra o McDonald’s em nome de duas meninas com sobrepeso, que alegaram que se converteram em obesas como resultado de comer alimentos do McDonald’s. Spurlock disse que apesar do processo contra McDonald’s ter falhado, grande parte da mesma crítica contra as companhias de tabaco se aplica às franquias de comida rápida. Embora se possa argumentar que a comida rápida, ainda seja psicologicamente viciante, não é tão viciante como nicotina.
O filme foca o Mc Donald’s como um dos representantes da indústria alimentar americana, que criou tamanhos exagerados de porções e que, sempre que possível, induz ao consumo de mais e maiores porções, fazendo com que a população consuma muito além do necessário para uma alimentação saudável. O documentário foi nomeado para um Oscar na categoria de melhor documentário longa.
Cobaia
À medida que o filme começa, Spurlock está fisicamente acima da média (boa saúde), como é demonstrado por três médicos (um cardiologista, um gastroenterologista, e um clínico geral), assim como uma nutricionista e um preparador físico. Ele é orientado pelos cinco para realizar a avaliação da sua saúde durante o mês de duração do ‘experimento’. Todos os profissionais da saúde predizem o "Mc Mess" terá efeitos indesejáveis sobre seu corpo, porém ninguém esperava nada demasiado drástico, citando o corpo humano como "extremamente adaptável".
Spurlock começa o mês com um café da manhã perto de sua casa em Manhattan, onde há em média quatro McDonald’s (1 para cada 66.950 habitantes) por milha quadrada (1,6 km ²). Também opta por viajar em táxis com maior frequência, já que pretende manter as distancias que caminha em linha com os 5000 passos (aproximadamente duas milhas) que por dia caminhava a média dos americanos. Spurlock estabeleceu várias regras que regeram seus hábitos alimentares no mês ‘MC’Donalds’:
* Deveria plenamente comer em McDonald’s três comidas por dia
* Deveria escolher cada item no menu do McDonald’s ao menos uma vez durante o transcurso dos 30 dias.
* Deveria ingerir só os itens do menu da rede de lanchonetes. Isto incluía até a água engarrafada.
* Deveria escolher o tamanho "Super Size" de sua comida sempre que lhe fosse oferecido (um dos itens, por exemplo, é de um copo gigante de refrigerante, com 2 litros).
* Deveria aceitar todas as promoções oferecidas para que ele comprasse mais comida que a intencionada inicialmente.
* Teria de caminhar a média que se caminha nos Estados Unidos, sobre a cifra de 5000 passos ao dia, porém isto não era rígido, já que ele caminhou relativamente mais, em comparação do que se caminha em Nova York que em Houston.
Vômito
No dia 2 Spurlock come pela primeira vez o tamanho Super Size, que leva cerca de uma hora para consumir. A experiência foi o aumento de seu estomago durante o processo, que culmina com Spurlock vomitando no caminho de volta para casa.
Depressão e vício
Depois de cinco dias Spurlock havia ganhado quase 10 libras (4,5 kg). Não passa muito tempo antes que se encontre a si mesmo com uma sensação de depressão, e ele considera que seus episódios de depressão, letargia e dores de cabeça são causados pela comida do McDonald’s. Um médico descreveu-o como "viciado".
Problemas sexuais
A noiva de Spurlock, Alexandra Jamieson, é uma testemunha para o fato de Spurlock ter perdido muita da sua energia e desempenho sexual durante a sua experiência. Não está claro se Spurlock seria capaz de completar o mês (30 dias) devido aos elevados teores de gordura e carboidrato de sua dieta; seus amigos e familiares começaram a preocupar-se.
Palpitações no coração
Próximo do vigésimo dia, Spurlock havia sentido estranhas palpitações no coração. Consultando seu médico particular, o doutor Daryl Isaacs lhe aconselha parar o que está fazendo de imediato para evitar qualquer tipo de graves problemas de saúde. Apesar desta advertência, Spurlock decide continuar com o teste. Mais tarde declarou em uma entrevista que, apesar das preocupações e objeções da maior parte das pessoas próximas a ele, era seu irmão mais velho que o motivou a continuar com sua experiência. "Morgan, a gente comeu esta merda toda sempre. Acha mesmo que vai te matar se você comer os outros 9 dias?"
Danos no fígado
Spurlock chega ao trigésimo dia e atinge o seu objetivo. Em trinta dias, Spurlock comeu o tamanho "Super Size" em sua refeição em nove ocasiões ao longo do caminho (dos quais cinco foram no Texas). Os três médicos ficaram surpresos com o grau de deterioração da saúde de Spurlock. Um deles afirmou que era irreversível o dano causado ao seu fígado, que pode sofrer, além disso, um ataque ao coração, mesmo perdendo todo o peso ganho durante o experimento. Ele disse que nesse período comeu mais refeições no McDonald’s do que um nutricionista recomenda comer em 8 anos.
(Extraído de Wikipedia - A Enciclopédia Livre, em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Super_Size_Me)

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“O cinema também é um território de pensamento”

Por Gabriel Bernardo, 04.2010

Postado: Fazendo Media

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Em entrevista concedida ao Fazendo Media, o cineasta e historiador Silvio Tendler fala sobre os seus dois filmes, o Utopia e Barbárie, lançado recentemente, e Tancredo, a travessia, que também será exibido em 2010. Além dos comentários sobre seus filmes, Tendler também analisa os problemas da indústria cinematográfica agregada à despolitização dos dia atuais.

Por que o lançamento de dois filmes, Utopia a Barbárie e Tancredo, a travessia no mesmo ano?

São as boas coincidências da história. Eu estava há 19 anos fazendo o projeto Utopia e Barbárie, o documentário ficou pronto no final de 2009 e depois foi montada uma estratégia de lançamento, que foi nos dada a data de 23 de abril para começar a exibição.  Foi uma data boa por uma conjugação de fatores midiáticos de conseguir apoios, data nos cinemas de não ficar muito imprensado com o Oscar. E quando estava neste processo, o querido amigo Roberto D´Avila me convidou para fazer com ele o filme sobre o ex-presidente Tancredo Neves, sem contar que também era um velho sonho porque de certa maneira fecha uma trilogia sobre a democracia. Já realizei os filmes sobre JK, Jango e poderia fazer sobre desenvolvimento, sobre a justiça social, mas quis fazer sobre a transição democrática. E eu aceitei com maior prazer fazer o filme do Roberto, que ele me convidou e atualmente estou batalhando isso.

No filme Tancredo, a travessia, tem algo a ver com uma reflexão sobre a  nossa atual crise democrática brasileira?

Não, ele não é ligado às questões conjunturais. Normalmente eu não faço isso. Se eu fizer um filme caro e trabalhoso com este pensamento, ou em algum evento particular, é melhor fazer publicidade, porque o filme tende a se tornar datado e  eu acredito no contar da história. Sempre que eu trabalho com meus personagens, eles já estão mortos porque eu acho que nós devemos evitar o culto à personalidade ou desvio de função do cinema.

Eu não faço filme de encomenda para campanha eleitoral. Também deixo muito claro para o meu expectador, e nem vou enganá-lo dizendo que eu estou fazendo história enquanto estaria fazendo política. Quando faço política não faço história e vice e versa. Acho que até os dois podem ser compatíveis desde que se delimitem os campos, o que não impede, e ai já não é responsabilidade minha, o uso político do filme. E com relação ao Filme do Tancredo, não tenho uma data precisa para lançar.

Mas falando mais sobre isso, por acaso, quando eu lancei o filme sobre JK em 1980 coincidiu na semana do lançamento do assassinato da secretária da OAB, senhora Lida Monteiro da Silva, pela explosão de uma bomba fascista. E o jornalista José Ribamar que trabalhava na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, que ficou cego e perdeu a mão também pela explosão. A imprensa na época chamou a atenção do filme alegando: “esta é uma lição de democracia, não perca”, e o filme foi um grande sucesso, um grande evento.

Depois com Jango, quando comecei a fazer o filme em 1981, acharam que seria para as eleições de 1982. Na época eu sabia que o filme não iria ficar pronto, quando houve um divisor de águas e comentaram que eu não lancei em 1982 a fim de proteger o Brizola. Outros diziam que era para prejudicar o Brizola, e eu não fiz um filme nem contra e nem a favor do Brizola. Acabou que lancei o filme em 1984, e teve a feliz coincidência de estourar a campanha das Diretas Já, da qual o filme foi uma peça desta campanha e o retorno à democracia. Então o filme do Tancredo vai para a mesma linha e não tenho nenhum interesse político, e também não estou fazendo um filme de campanha eleitoral para nenhum candidato. Minha finalidade é trabalhar com personagens políticos para reconstruir e contar a história do Brasil.

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Silvio Tendler com o poster de "Glauber o filme, labirinto do Brasil" ao fundo, sua obra lançada em 2002. Foto: Gabriel Bernardo/Fazendo Media.

 

Tancredo está ligado ao processo de reconstrução democrática, e é inegável hoje que o Brasil é um país democrático e com liberdade de expressão em todos os sentidos. Não vejo o vínculo direto com Tancredo Neves e o atual momento político brasileiro. Se eu tivesse que falar de conciliação e reconstrução democrática o Tancredo seria um bom gancho, mas como nenhum partido político quer conciliação, todos querem o poder, não vejo esse vínculo não.

Você comentou no Jornal do Brasil no dia 15 de Janeiro de 2010 sobre as pessoas que militam politicamente que se acham extremamente importantes, mas que na verdade são meros peões de um jogo de xadrez. Seu objetivo nos dois filmes seria fazer uma crítica à esquerda atual?

Acho que é mostrar os dois lados da questão, porque na verdade isso não é um problema da esquerda, mas sim da política. A política tem como objetivo o poder, mas o artista não tem esse objetivo, seu objetivo é lutar pela transformação da sociedade, pela construção de um novo mundo e de denunciar as mazelas da sociedade. O artista não está vinculado ao jogo do poder, já o político está. A política é manipuladora  e tem o objetivo concreto, um alvo, e muitas vezes o que acontece é o casamento da arte com a política ou o seu divórcio. Durante a ditadura militar houve um divórcio da arte com a política, quando muitos artistas se exilaram e a censura correu solta.

No filme do Tancredo, por exemplo, vocês verão os palanques das Diretas e depois os palanques da campanha do Tancredo repleta de artistas, porque naquele momento apoiá-lo era apoiar a democracia. Mas havia paralelamente aos palanques uma confabulação de bastidores, o que permitiu a eleição do Tancredo no colégio eleitoral. Claro que a presença dos artistas e do povo na rua foi importante para legitimar essa transição, mas na verdade para legitimar esta transição foram negociados, em conversas em pé de ouvido, acordos políticos que permitiram trazer uma parte do silêncio do PSD a apoiar Tancredo Neves.

Em Utopia e Barbárie eu não trabalho essas confabulações, mas sim a história das massas na rua e o pensamento dos cineastas. Tem muito pouco político que dá depoimento, a Dilma Rousseff , por exemplo, é entrevistada na qualidade de uma ex-militante revolucionária, pois quando eu a entrevistei ainda não era candidata a nada e veio a ser depois. Eu peguei a passagem dela pela luta armada e não como candidata à Presidência da República.

Você afirmou em uma entrevista que as manifestações de maio de 1968 foram despolitizadas, restritas somente aos hábitos e costumes de uma época. Utopia e Barbárie cumpre esse papel?

Sim, politiza e revela. Em relação ao maio de 68 na França eu digo que a proibição para os jovens de dormirem juntos foi o que levou às primeiras manifestações. Impensável na terra do amor, não se poder dormir junto. E ao mesmo tempo, eu mostro que o movimento de maio de 68 não foi restrito à França, ao contrário. Maio de 68 foi um fenômeno mundial e não apenas Francês, como indevidamente os franceses tentam se apropriar.

Qual a sua avaliação pelo fato de vivermos um momento de despolitização, como ocorreu nas comemorações de maio 68?

Porque existe uma tentativa de despolitizar o mundo, dentro de um grande acordo que existe hoje, de romper com o sonho e o desejo de 68 que foi um momento libertário para adequar as pessoas à sociedade de consumo. Por exemplo, um dos líderes revolucionários de 1968, que foi a imagem da revolução, deu uma entrevista em 2008 junto com o chefe de polícia de Paris a uma revista francesa na qual ambos afirmaram que a polícia na época não era tão violenta assim. E um elogiando o outro e confirmando. Os dois com palavras desmentem imagens. 

Mas na verdade houve mortos em 1968, e os dois esvaziam a história desses mortos e despolitizam as batalhas de rua. Na verdade 1968 não foi uma manifestação só de jovens, a CGT francesa colocou seus 5 milhões de aderentes em greve geral.  A França inteira parou e eles querem tirar isso da história, então avalio que há uma tentativa absurda de ir contra para evitar a história realmente crua.

O cinema pela sua modalidade instantânea não induz a uma interpretação reduzida no imaginário societário sobre os temas históricos?

Eu adoraria que você visse o meu filme por 10 vezes com o mesmo prazer quando se lê um livro, como um livro de cabeceira.  Assim como existem livros presentes nas vidas dos leitores, existem os filmes de cabeceira. Eu por exemplo tenho os meus filmes de cabeceira, filmes que eu já vi mais de 10 vezes. Eu dou aula de cinema na PUC-RJ há 30 anos e existem clássicos do documentário que eu passo para minhas turmas, e te juro que sempre apresento uma coisa que não tinha prestado atenção antes, algum raciocínio, ou então passo a observar o filme de outra forma.

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"O que eu acho que também está dentro deste processo de despolitização do tempo em que nós estamos vivendo, é a ausência de uma produção cinematográfica substancial para ao pensamento", afirma o documentarista. Foto: Gabriel Bernardo/Fazendo Media.

 

Eu também gostaria que com meus filmes você fizesse a mesma coisa, comprasse uma cópia para ter em casa e analisasse as sequência dos filmes. O que eu acho que também está dentro deste processo de despolitização do tempo em que nós estamos vivendo é a ausência de uma produção cinematográfica substancial para ao pensamento. Esse é o cinema muito praticado a partir do fim da 2° guerra mundial até os anos 80, depois uma das primeiras coisas que foi fundamental para despolitizar foi a arte. Coincidentemente com essa despolitização da arte nós paramos de receber filmes franceses, filmes italianos, e o cinema se transformou em um espetáculo de comunicação e não mais um suporte de reflexão. Antes nós recebíamos massivamente a mesma safra de filmes do Mario Monicelli, Gillo Pontecorvo, Jean-Luc Godard, René Clair,Truffaut, Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade e muitos outros, porém  isso acabou. Hoje as pessoas ficam subjugadas à ideia do filme blockbuster. Nós nem usamos a expressão arrasa-quarteirão. O que eu quero é participar de algum movimento que devolva ao cinema a sua dignidade.

O que a globalização dos anos 90 trouxe para o cinema? Que tipo de material crítico o cinema extraiu dela?

Hoje existem filmes bons e sérios que vão contra a globalização que aí está. Da mesma maneira que há sites para comunicar de maneira alternativa, como o Fazendo Media, existe hoje uma série de filmes neste sentido. Porque junto com a globalização, que é um desejo de padrão de moldar os comportamentos, vieram também novas tecnologias que fogem ao controle dos donos do poder. As novas tecnologias digitais permitam que as pessoas se exprimam segundo os seus desejos.

Existem filmes no cinema conhecidos como blockbuster, mas também existe fora das grandes salas o trabalho de formiga de artistas que não são ligados aos sistemas de comunicação e que através da imagem exprimem seus pontos de vista. Hoje existe o movimento popular gerando filmes fantásticos, os quais eu passo para os meus alunos. No final do mês de abril, em Belo Horizonte, terá o congresso do Felco, que são filmes sobre a luta da classe operária. Hoje também existe o Carlos Pronzato que viaja pela América Latina com câmera de 1 CCD registrando a história atual de uma forma totalmente alternativa.

Existem agora índios fazendo cinema.  Os Axanica, que eu mostro no filme que fiz com Milton Santos, filmaram um desmatamento e colocaram na internet. E eles têm uma rede de comunicação indígena que os índios do mundo inteiro viram e ficaram solidários contra o roubo de árvores nativas para vender às madeireiras. Isso é forma de uso da imagem para política. Existem também diversos movimentos alternativos que colocam na internet suas manifestações políticas, cinematográficas. A internet na verdade está se transformando na grande esquina do mundo.

Como fazer cinema político para salas maiores, facilitar o acesso à grande massa?

Eu tenho maior prazer em conversar com maior número de espectadores possíveis, mas eu prefiro ter poucos espectadores bons que prestam atenção no que estão vendo; essas são as pessoas fundamentais. Na verdade é necessário que exista esse feliz casamento entre a arte, cultura e eventos de massa. Mas há de reconhecer que a função cinematográfica mundial de hoje está muito aquém disso. E filmes que nós consideramos fundamentais nas nossas vidas, quando você vê o resultado de bilheteria deles é pífio.  Tem um filme que está passando agora que é O segredo dos seus olhos, que ganhou o Oscar, é genial, e este filme não alcançou 150 mil expectadores aqui no Brasil. Isso não é evento de massa.

 

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Tendler na palestra da pré estreia do filme Utopia e Barbárie realizada no Rio de Janeiro. Foto: Gabriel Bernardo/Fazendo Media.

 

Outro filme também foi A culpa é do Fidel que também não bateu 200 mil expectadores. Na verdade nós circulamos cada vez mais em um meio mais restrito. E tendo acabado os cinemas de rua, acabou a própria natureza do espetáculo cinematográfico voltado para a reflexão. Hoje cinema, na sua grande maioria, é produto de shopping. Os filmes que a multidão vai ver são filmes que ela vê em shopping, que estão muito mais embutidos no mundo do consumo do que no mundo da arte. Quando se vai a um shopping ver um filme, raramente se vai a uma livraria, mas sim pela praça de alimentação ou lojas de sapato, loja de roupa, e as pessoas transitam para ir ao cinema em um universo de consumo. Isso está muito ligado aos anos 80, com o fechamento dos cinemas de subúrbio.  Porém, hoje tem pessoas aqui no Rio de Janeiro, como o Adair, um cara que vem de Lona Cultural, que fez um cinema em Guadalupe. Isso é a exceção. Em Copacabana, por exemplo, existiam três cinemas perto da minha rua e hoje já não existem mais.

Como você enxerga a atual geração de cineastas que realizam cinema documentário?

Quanto mais filmes documentários, melhor para a cultura. E esses filmes têm todo o meu respeito. O problema não é a excessiva quantidade de filme documentário, pelo contrário, o que é ruim e o que joga o documentário em um patamar inferior é a ausência de meios para a distribuição. Ele estréia geralmente em uma única sala, sem nenhum meio para a divulgação, e passa quase despercebido na torrente de filmes produzidos atualmente. A bilheteria e o público pífio atribuem o fracasso ao documentário, mas esse fracasso não é do documentário e sim da ausência de uma política que o proteja. Eu acho que o Brasil tem políticas muito boas em relação à produção de documentário, mas nenhuma política em relação à distribuição, que é o nosso calcanhar de Aquiles.

Como seria então uma política de distribuição eficiente?

Vou citar um caso concreto, eu fiz Utopia e Barbárie, com 19 anos de trabalho e custou  R$ 1 milhão. É um orçamento barato para um filme, até para não ficar mais preso à captação de recursos do que dedicado à obra.  Ao lançar, a lei que autoriza a capitação de recursos limita em 30% do orçamento o valor do filme. Isso significa que ao filmar barato, você acaba sendo punido. Significa que eu tenho R$ 300 mil de direito para fazer publicidade, e isso não cobre nem a cárie de um dente. Para você ter uma programação de mídia não cobre o anúncio nos grandes jornais, nas grandes redes. Eu sou punido, enquanto o cara que filma com R$ 10 milhões tem autorização para captar R$ 3 milhões. Então ele terá dinheiro para fazer mídia e eu não. Isso foi uma forma arbitrária de punir quem filma barato, e o documentário geralmente é barato pela própria capacidade de captação de imagem.

Hoje existe o garoto da periferia que filma com a câmera dele ou dos amigos dele. Eu conheço um cara que fez um filme com R$ 80,00, o nome dele é Pablo Cunha. Fez um filme sobre a lenda do lobisomem na Baixada Fluminense, em que ele improvisou tudo, e o que ele quis mostrar é que com pouca tecnologia pode se fazer coisas infinitas. Uma coisa que Milton Santos fala no meu filme, Encontro com Milton Santos. Quanto esse cara teria de direito para colocar o filme dele no mercado, um filme que custa R$ 80,00?  R$ 24,00 (risos).

Precisamos lutar para que haja uma política específica de difusão do documentário, nós que adoramos imitar a França. Em 1980 eu fiz uma tese sobre a relação cinema-Estado, na qual eu defendia que o Estado deveria produzir o filme que não existia no mercado e deixar para a área comercial os filmes que dão lucro. Quando observei que na França, naquela época, tinha 42 modalidades de apoiar os filmes.  Tinha uma modalidade que era: Ajuda ao lançamento de obras difíceis. Para os filmes que tinham dificuldades em entrar no circuito por serem herméticos ou de vanguarda, por exemplo, havia uma política para série especifica para ajudar na divulgação. Isso seria uma maneira de dizer: “eu quero fazer media com o documentário”

Alguma consideração final?

O cinema também é um território do pensamento. A pessoa está em uma sala escura envolvida pela escuridão concentrada na produção de idéias  e em um pulsar coletivo, mas, hoje, o cinema é espetáculo de distração.

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Lamarca e Zequinha Barreto

Lamarca é um filme brasileiro de 1994, dirigido por Sérgio Rezende e baseado em livro de José Emiliano e Miranda Oldack, de título Lamarca, o capitão da guerrilha, uma biografia do militar e guerrilheiro Carlos Lamarca.
A trilha sonora é de David Tygel.

 

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A história começa em dezembro de 1970, quando o ex-capitão do exército brasileiro e grande atirador Carlos Lamarca e seu grupo rebelde auto-denominado "revolucionários" negociam com o Regime Militar, que chamam de "Ditadura", a soltura de presos políticos em troca da vida do sequestrado embaixador da Suíça, mantido por eles em cativeiro. Trinta presos são soltos e a "repressão" aumenta a perseguição aos guerrilheiros, comandadas por um general do Exército e o delegado civil Flores (referência ao delegado da vida real Fleury), que se apresenta como o matador de Marighella e outros "subversivos" e não hesita em torturar seus prisioneiros para obter informações. Os dirigentes do grupo de Lamarca querem que ele saia do Brasil, mas ele não aceita. Lamarca vai então para a Bahia, acompanhado da amante e também militante Clara, para se encontrar com os aliados da guerrilha Zequinha e seus irmãos. Eles o escondem em um sítio no interior do estado. Enquanto espera para se encontrar com os demais guerrilheiros para organizarem um levante rural, Lamarca lembra de momentos do seu passado, da experiência marcante de quando serviu como soldado da ONU no Canal de Suez que o fez se revoltar contra os "capitalistas", da sua mulher e filhos que enviara para Cuba e do campo de treinamento de guerrilheiros que criara no Vale do Paraíba em São Paulo.

 

Elenco
Paulo Betti …. Carlos Lamarca
Carla Camurati …. Clara
Deborah Evelyn …. Marina
Roberto Bomtempo …. Fio
José de Abreu …. major
Nelson Dantas …. pai de Lamarca
Eliezer De Almeida …. Zequinha
Jurandir de Oliveira …. professor Santa Cruz
Ernani Moraes …. delegado Flores
Carlos Zara …. militar
Alvarito Mendes Filho
Camilo Beviláqua
Anna Cotrim …. guerrilheira
Enrique Díaz
Marcelo Escorel
Luiz Maçãs
Selton Mello
Patrícia Perrone
Orlando Vieira
Nelson Xavier

 

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Curiosidades
Sem citar os nomes verdadeiros, o roteiro alude as personalidades da época da repressão militar pela sonoridade dos nomes; assim, o delegado Sérgio Paranhos Fleury se transformou em "Flores", e Iara Iavelberg, em "Clara".

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Cenas do filme Lamarca de 1994.

Zequinha Barreto – Amigos na Vida, Amigos na Morte!

Carlos Lamarca (Rio de Janeiro, 23 de outubro de 1937 — Pintada, 17 de setembro de 1971) foi um militar brasilleiro, que desertou do exército durante a ditadura militar e se tornou um guerrilheiro comunista, usando o que muitos consideram táticas de terrorismo.
Como guerrilheiro, integrante da Vanguarda Popular Revolucionária, foi, juntamente com Carlos Marighella, um dos principais opositores armados à ditadura militar de direita no país, visando à implantação de um regime totalitário de orientação comunista no Brasil[1] Devido a isto, foi condenado por "traição e deserção" pelo Exército Brasileiro [2]. É o unico homem na História do Brasil a receber status de traidor da nação.

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Trinta e seis anos após a morte de Lamarca, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça sob supervisão do Ministro da Justiça Tarso Genro dedicou sua sessão inaugural a promovê-lo a coronel do Exército e a reconhecer a condição de perseguidos políticos de sua viúva e filhos. A decisão foi criticada na imprensa, sendo apelidada de "bolsa terrorismo". [3]
Índice

Biografia
Filho de pais pobres, Lamarca nasceu em 27 de outubro de 1937 e viveu, até os 17 anos, no Morro de São Carlos, no Rio de Janeiro, com seus irmãos e uma irmã de criação, Maria Pavan, que viria a ser sua esposa, após ter sido engravidada por Lamarca, quando este cursava a Academia Militar.

Carreira no Exército Brasileiro
Ingressou, em 1955, na Escola Preparatória de Cadetes, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Dois anos mais tarde foi transferido para a Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, no Rio de Janeiro. Concluído o curso, foi declarado aspirante-a-oficial, classificado em 46º lugar numa turma de 57 cadetes (1960), e passou a servir no 4º Regimento de Infantaria, em Quitaúna, na cidade de Osasco, em São Paulo.
Integrou o Batalhão Suez, nas Forças de Paz da ONU na região de Gaza, Palestina, de onde retornou dezoito meses mais tarde. Estava servindo à 6ª Companhia de Polícia do Exército, em Porto Alegre, quando ocorreu o golpe militar de 1964.
De volta a Quitaúna em 1965, foi promovido ao posto de capitão em 1967. Iniciou contatos com facções de esquerda que defendiam a luta armada para derrubar a ditadura de direita e implantar um regime totalitário de esquerda. Em 1969, abandonou o exército para unir-se à organização clandestinaVanguarda Popular Revolucionária (VPR), levando parte do armamento da guarnição para a guerrilha. Esse furto de armamento foi organizado e executado por ele e pelo sargento Darcy Rodrigues, também integrante do quadro de Quitaúna, e que supostamente teria aliciado Lamarca a ingressar na VPR. Participaram também da ação o cabo Mariani e soldado Roberto Zanirato, morto sob tortura na OBAN (DOI-CODI/SP).
Em 2007, trinta e seis anos após a sua morte, foi promovido a Coronel do Exército pela Comissão de Anistia[4].

Guerrilha
Lamarca tornou-se um dos mais ativos militantes da oposição armada ao regime militar brasileiro. Participou de diversas ações, como assaltos a bancos, num dos quais matou com dois tiros o guarda civil Orlando Pinto Saraiva. Em seguida, instalou um comitê de resistência no Vale do Ribeira, no sul de São Paulo, desarticulado em 1970 por forças do Exército, após a prisão de vários militantes da VPR em abril de 1970, e, principalmente após a prisão de Maria do Carmo Brito, uma das dirigentes nacionais da VPR, no dia 18 de abril de 1970, o exército chegou até a área ativa de treinamento da VPR.
Nessa época, no dia 10 de maio de 1970, participou, com outros quatro guerrilheiros, do assassinato do tenente da Polícia MilitarAlberto Mendes Júnior Alberto  Mendes Jr que havia organizado uma emboscada para prender o grupo, mas acabou sendo capturado.
No mesmo ano Lamarca comandou o seqüestro do embaixador suíço no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, com o fim de trocá-lo por presos políticos no Rio de Janeiro. A ação do sequestro resultou na morte do agente da Polícia Federal Hélio Carvalho de Araújo, que fazia segurança do embaixador suíço.
Desligou-se da VPR e ingressou no MR-8. Embora se afirme que por essa razão fugiu para a Bahia, Lamarca estava seguindo planos da organização, que acreditava ter chegado a hora de iniciar a revolução no campo. Em 17 de setembro de 1971 foi localizado na região do Agreste baiano, no povoado de Pintada, atual município de Ipupiara (então desmembrado do município de Brotas de Macaúbas). Já estava cercado quando foi executado por tropas do Exército, junto com o metalúrgico José Campos Barreto, integrante da VPR.
Embora a esposa de Lamarca se encontrasse exilada em Cuba desde 1968, com os dois filhos do casal - onde recebeu a notícia da sua morte -, durante a vida na clandestinidade, Lamarca conheceu Iara Iavelberg, que se tornou sua companheira. Ela havia sido morta dias antes da morte de Lamarca, em circunstâncias não esclarecidas, em um apartamento em Salvador, na Bahia.
Depois de vários anos a família de Carlos Lamarca teve aprovação no pedido de Anistia. Por decisão da Comissão de Anistia, a viúva Maria Pavan Lamarca e seus dois filhos tiveram aprovados uma indenização de 300 mil reais (isentos de imposto de renda) como compensação do período que passaram exilados em Cuba.

A opinião dos companheiros
Lamarca sempre foi uma figura controversa, até mesmo na óptica de seus companheiros de guerrilha, desfazendo em parte o mito de unanimidade junto à guerrilha brasileira na década de 70.
Ariston Oliveira Lucena - que com ele participou do assassinato do tenente da Polícía Militar de São Paulo Mendes em Registro - disse em entrevista publicada no Jornal do Brasil de 22 de setembro de 1988 sobre Lamarca: "… era teoricamente despreparado e politicamente sem experiência … tinha frieza e intuição … era autoritário e não gostava de ser contrariado …"
Outro de seus camaradas, José Araújo da Nóbrega, ex-sargento do Exército e militante da VPR, em maio de 1970, preso e torturado na OBAN/SP, declarou de próprio punho: "O Cap. Lamarca não possui um QI satisfatório, à altura de ser um líder revolucionário. É um elemento de caráter volúvel, não tem posição definida, suas decisões são tomadas seguindo suas tendências emocionais. Suas qualidades militares são limitadas, tem limites de aproveitamento prático do conhecimento técnico que possui. É pouco engenhoso. O valor político que possui para ser um líder de esquerda lhe foi dado pela imprensa (interessada ou não). As suas façanhas são limitadas e são raras, todavia é elemento audacioso."
Opiniões divergentes de outros companheiros que com ele participaram do treinamento no Vale da Ribeira. Darcy Rodrigues e José Lavecchia, presos pelo Exército em abril de 1970, não deixaram de contar aos demais presos da cela 2, no DEOPS/SP, sua grande capacidade de liderança, competência militar e, principalmente, extremado companheirismo. Provou rompendo o cerco do Exército, dominando um pelotão da PM sem disparar um tiro e sequestrando um caminhão militar com toda a guarnição e com ele levando aos demais companheiros a salvo até São Paulo.

Obras sobre Lamarca
Ao fim do regime ditatorial, os jornalistas Oldack Miranda e Emiliano José editaram e publicaram o livro "Lamarca, Capitão da Guerrilha".

 

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A obra deu origem ao filme Lamarca, lançado em 1994, dirigido por Sérgio Rezende e protagonizado por Paulo Betti. No filme Zuzu Angel, do mesmo diretor, novamente o ator interpreta Carlos Lamarca em uma cena.

Homenagem
A Prefeitura do município de Ipupiara - Bahia, construiu na comunidade de Pintada, local onde Lamarca foi morto, uma praça em sua homenagem, a qual contem uma estátua de Carlos Lamarca, anfiteatro, playground, fonte luminosa e cantina. A praça Capitão Carlos Lamarca foi inaugurada no dia 13 de janeiro de 2007. O município também homenageou Lamarca criando uma lei através da qual acrescenta no calendário dos feriados municipais o dia 17 de setembro.


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Foto: Instituto Zequinha Barreto –Márcio Amêndola 19 de Setembro 2009

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Foto: Instituto Zequinha Barreto –Márcio Amêndola 19 de Setembro 2009

Ligações externas
"A luta pelo esclarecimento dos crimes da ditadura militar": texto com referência à morte de Iara Iavelberg
"Lamarca morto na Bahia": Banco de Dados Folha (publicado na Folha de S. Paulo, domingo, 19 de setembro de 1971.)
Entrevista de Carlos Lamarca a jornais europeus, em junho de 1970, sobre a guerrilha no Brasil
"Lamarca: A Trajetória de um Deserto": Página da Organização Não Governamental Grupo Terrorismo Nunca Mais - TERNUMA.
Lamarca, o Capitão da Guerrilha: página no site de Emiliano José, sobre o livro de sua autoria e com diversos links sobre o tema
Lamarca (1994): resenha do filme dirigido por Sérgio Rezende.
Lamarca: ficção e realidade: ensaio baseado no filme "Lamarca".
Cronologia da vida de Lamarca e personagens correlatos
Documentos inéditos e secretos revelam a Guerrilha do Ribeira, no site resgatehistórico.com
Iara Iavelberg, no site do Grupo "Tortura Nunca Mais" - RJ
"Autores de Lamarca admitem rever morte de Iara Iavelberg": texto no site de Emiliano José
Usina de Letras - artigo Lembrar é preciso, de Félix Maier (10 de maio de 2001)

Referências
GASPARI, Elio - A Ditadura Escancarada, p. 193 e 194.
Quitaúna: 70 anos de história acontecem sob nossos narizes
http://veja.abril.com.br/200607/p_068.shtml
Folha de S. Paulo. 14 de junho de 2007. Comissão de Anistia declara Lamarca coronel do Exército

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"Utopia e Barbárie" um filme de Silvio Tendler

  

"Utopia e barbárie" chega aos cinemas em abril

Documentário de Silvio Tendler reconstrói o mundo a partir da II Guerra Mundial. O filme, que percorreu 15 países, faz uma revisão nos eventos políticos e econômicos, que desde a metade do século XX elevaram ao risco e até ao desaparecimento dos sonhos de igualdade, de justiça e harmonia, em busca de entender as questões que mobilizam esses dias tumultuados: a utopia e a barbárie. Ao longo de quase duas décadas de trabalho, Silvio Tendler fez uma minuciosa pesquisa e reconstruiu parte da história mundial, através do olhar de diferentes personagens.

Redação: Carta Maior

foto_mat_24614 No dia 23 de abril, chega aos cinemas de todo o país o filme “Utopia e Barbárie”, mais novo trabalho do cineasta Silvio Tendler, que se debruçou nos últimos 20 anos sobre o projeto. Partindo da II Guerra Mundial, o filme faz uma revisão nos eventos políticos e econômicos, que desde a metade do século XX elevaram ao risco e até ao desaparecimento dos sonhos de igualdade, de justiça e harmonia, em busca de entender as questões que mobilizam esses dias tumultuados: a utopia e a barbárie.
“Utopia e Barbárie” é um road movie histórico que percorreu ao todo 15 países: França, Itália, Espanha, Canadá, EUA, Cuba, Vietnã, Israel, Palestina, Argentina, Chile, México, Uruguai, Venezuela e Brasil. Em cada um desses lugares, Tendler documentou os protagonistas e testemunhas da história, os apresentando de forma apartidária, mas sem deixar de trazer um pouco do olhar do cineasta, que completa 60 anos em 12 de março de 2010.
Nas telas, Silvio Tendler trafega por alguns dos episódios mais polêmicos dos últimos séculos, como as bombas de Hiroshima e Nagasaki, o Holocausto, a Revolução de Outubro, o ano de 1968 no mundo (Brasil, França, Chile, Argentina, Uruguai, dentre outros), a Operação Condor, a queda do Muro de Berlim e a explosão do neoliberalismo mais canibal que a História já conheceu.
O cineasta foi à procura dos sonhos que balizaram o século XX e inauguram o século XXI. Ao longo de quase duas décadas de trabalho, Silvio Tendler fez uma minuciosa pesquisa e reconstruiu parte da história mundial, através do olhar de personagens com abordagens e trajetórias distintas, que ajudaram a compor um rico painel de nossa época. O diretor entrevistou inúmeros intelectuais, como filósofos, teatrólogos, cineastas, escritores, jornalistas, militantes, historiadores, economistas, além de testemunhas e vítimas desses episódios históricos.
Os dramaturgos Amir Haddad, Augusto Boal e Zé Celso Martinez, a economista Dilma Rousseff, o escritor e jornalista Eduardo Galeano, o poeta Ferreira Gullar e o jornalista Franklin Martins foram alguns dos nomes que concederam ao filme emocionantes depoimentos. Diversas vítimas, testemunhas e sobreviventes também narraram suas trajetórias, como a argentina Macarena Gelman e a brasileira nascida em Havana, Naisandy Barret, ambas filhas de desaparecidos políticos, além do estrategista do exército vietnamita, General Giap.
Cineastas de vários países também contribuíram com suas visões, como Denys Arcand (Canadá), Amos Gitai (Israel), Gillo Pontecorvo (Itália), Fernando Solanas (Argentina), Hugo Arévalo (Chile), Marceline Loridan (França), Mohamed Alatar (Palestina), Shin Pei (Japão), além dos cineastas brasileiros Cacá Diegues, Sérgio Santeiro e Marlene França.
Orçado em R$ 1 milhão, o longa-metragem conta com a narração de Letícia Spiller, Chico Diaz e Amir Haddad. A trilha sonora, especialmente composta para o filme, é assinada por Caíque Botkay, BNegão, Marcelo Yuka e pelo grupo Cabruêra.
Sobre o diretor
Silvio Tendler é diretor de O Mundo Mágico dos Trapalhões, que fez um milhão e oitocentos mil espectadores; Jango, fez um milhão e Os Anos JK, oitocentos mil espectadores. Seu último longa-metragem, Encontro com Milton Santos, ficou entre os dez documentários mais vistos de 2007. Com seus filmes Silvio ganhou quatro Margaridas de Prata (prêmio dado pela CNBB), seis kikitos (Festival de Gramado) e dois candangos (Festival de Brasília).

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Porque gostei de Avatar

 

* Tiago Fappi – Historiador

Militante do Psol Osasco

Cenas-Avatar-3D-filmeRecentemente assisti a um filme que está verdadeiramente mexendo com a cabeça das pessoas, cujo ensejo é uma alusão a uma sociedade desconhecida e cheia de mistérios. O nome do tal filme é Avatar, do diretor estadunidense James Cameron. Uma produção cheia de recursos eletrônicos e efeitos especiais.

Desde o dia que comentei com meus amigos que tinha finalmente visto o filme eu venho sendo cobrado para apresentar um parecer, uma avaliação, sobre o filme. Sendo assim decidi que a melhor maneira de fazê-lo seria através de um pequeno texto, pois assim posso expor com mais propriedades aquilo que penso.

Para meter o nariz numa obra do âmbito de Avatar é preciso levar em consideração alguns elementos, sobretudo o fato de James Cameron ser estadunidense e ter feito o filme de olho no público daquele país. Apesar de viver em uma sociedade cujos valores são permeados pelo sentimento do medo, do ódio, da guerra, o filme apresentou uma perspectiva progressista o suficiente para se diferenciar dos demais filmes Hollywoodianos.

Tente se lembrar, o início do filme apresenta forças militares em uma missão de ocupação de um território, totalmente coberto por uma densa e desconhecida selva, habitada por seres “selvagens” totalmente hostis. A missão do mocinho do filme, fundamentalmente, era a de auxiliar os militares num plano de invasão do território dos Na’Vi, no entanto, este acaba se adaptando ao universo deste povo, se apaixonando pela filha do comandante e, por fim, salvando toda a sociedade e tornando-se o chefe máximo. Eis que começam os problemas.

Apesar de muito lindo, com uma história fantástica, o filme acentua uma idéia, comum ao público estadunidense, mas muito cara para toda a América Latina. Tenho de corroborar aqui com as criticas que foram feitas pela jornalista Elaine Tavares, em uma matéria intitulada “Outro fim para Avatar”, publicada no jornal Brasil de Fato.[1] Neste artigo Tavares aponta uma verdade, nestes filmes hollywoodianos “o autóctone parece nunca ser capaz de tomar o destino de seu povo nas mãos. Terrível metáfora de todos nós”. Ela critica duramente o fato de o herói da história ser um americano típico, engraçadinho, sortudo, que vem para resolver todos os problemas, que por fim se casa com a filha do chefe dos Na’vi, tornando-se ele próprio o chefe. Quando a sociedade autóctone se torna verdadeiramente ameaçada é o homem de fora, o “mariner”, o grande salvador da pátria. Tavares imaginou um outro final para o filme, ponderando que talvez o próprio filho do chefe dos Na’vi, ex-noivo da mocinha azul, devesse ser o encabeçador e salvador daquela sociedade a qual ele sim pertencia, sem, deixar, é claro de ter aceito o terráqueo. Fez ainda alusão que na América Latina vivemos muitos Avatares, em Cuba, Haiti, Bolívia, Equador, Venezuela . . .

No entanto, eu apontaria outros elementos. No exato momento em que assistia ao filme, mais precisamente em uma cena em que o “mocinho” diz “eles não querem calças jeans e cervejas. Sinto muito, eles não deixaram a sua árvore”, logo me veio a mente a sociedades dos Andes. Os EUA tentam constantemente empurrar garganta abaixo daquela gente, através de elites locais cooptadas – os Na’vi criados em laboratório – a idéia da legalidade de decretos sobre investimentos ligados ao petróleo na selva. Até agora já foram 34 mortos em confrontos entre policiais e indígenas.[2]

indio peru Em outras cenas do filme, diria, na maior parte dele, me lembrei das ações de empresas ganan-ciosas, das corporações, multi nacionais, mineradoras, do setor de cosméticos, tal como a Natura, a Unilever, que invadem, matam, desmatam, destroem todo o ecos-sistema de regiões amazônicas, empresas como a Shel, a Cia Vale

do Rio Doce, nada mais são que aquela grande empresa do filme Avatar, disposta a desalojar toda uma sociedade, destruir todo o meio ambiente com um único objetivo, o lucro.

Lembrei-me também dos muitos lutadores, Avatares da vida real, como Dorothy Stang, morta a tiros por defender os interesses dos autóctones do Pará, vitimados pelos conflitos agrários. Antes de ser morta seu assassino perguntou “Você está armada?” e Dorothy respondeu “eis a minha arma!”, mostrando uma biblia ao seu algoz. Foi morta com sete disparos.

Lembrei-me de Chico Mendes, morto defendendo a Amazônia, do Pe Ruggero Ruvoletto, morto em Manaus por criminosos, de dom Luiz Flávio Cappio, exímio defensor dos interesses dos autóctones do “Velho Chico”, mas sobretudo um me veio a mente em todo momento, SubComandante Marcos, do Exército Zapatista de Libertação Nacional.[3]

De identidade desconhecida, vive entre dois mundos, um anônimo na sociedade estritamente urbana e o grande Subcomandante entre os indígenas de Chiapas, no México. Segundo sua própria definição é :

marcos dd "Marcos é gay em São Francisco, negro na África do Sul, asiático na Europa, hispânico em San Isidro, anarquista na Espanha, palestiniano em Israel, indígena nas ruas de San Cristóbal, rockero na cidade universitária, judeu na Alemanha, feminista nos partidos políticos, comunista no pós-guerra fria, pacifista na Bósnia, artista sem galeria e sem portfólio, dona de casa num sábado à tarde, jornalista nas páginas anteriores do jornal, mulher no metropolitano depois das 22h, camponês sem terra, editor marginal, operário sem trabalho, médico sem consultório, escritor sem livros e sem leitores e, sobretudo, zapatista no Sudoeste do México. Enfim, Marcos é um ser humano qualquer neste mundo. Marcos é todas as minorias intoleradas, oprimidas, resistindo, exploradas, dizendo ¡Ya basta! Todas as minorias na hora de falar e maiorias na hora de se calar e agüentar. Todos os intolerados buscando uma palavra, sua palavra. Tudo que incomoda o poder e as boas consciências, este é Marcos."[4]

Embora o filme Avatar apresente um final feliz, infelizmente, não é o que vemos na vida real. A luta em Chiapas acontece desde 1994, no entanto, as ambições de multinacionais e empresas insaciáveis por lucros exorbitantes continuam ameaçando a integridade das comunidades indígenas.

É interessante como o filme apresenta uma realidade já em curso. A busca pelos minerais e outros recursos naturais, tão preciosos a fabricação de bilhões de objetos desnecessários,[5] já está pondo fim a um ciclo que teve início há milhões de anos. Então, quando tudo estiver destruído e esgotado o homem irá destruir e esgotar o mundo do outro.

Desta forma, acredito ter esmiuçado minimamente – uma vez que poderia citar milhões de coisas que me irritam diariamente – algumas razões que me levaram a ver em Avatar algo de produtivo. Infelizmente eu compreendo que muitas pessoas que assistiram este filme, ainda assim, irão defender, de modo despolitizado, em sem culpa,[6] ações arbitrarias da polícia contra um indígena, contra um trabalhador em greve, um estudante na rua.

Tenho certeza que se Willian Bonner pudesse ler este texto, certamente, ao final, ele iria dizer que eu sou um “Bicho”, um selvagem, um monstro a ser extirpado da sociedade. No entanto, mais uma vez, voltando ao filme, são os novos Na’Vi, a cientista e o soldado, os novos bichos, os novos selvagens, os artífices da salvação daquele povo. Engraçado é que os soldados do exército invasor, incapazes de enxergar a realidade daqueles cientistas, seguiam cegamente as ordens de um militar maluco, no entanto, aqueles que tomaram contato com as informações alternativas, por fim, apoiaram a decisão da cientista e do soldado de se unirem aos Na’Vi.

Gostaria que as pessoas entendessem a mensagem daquele filme e não ficassem presas apenas aos fatos românticos e tecnológicos do filme. Gostaria que questionassem as informações oficiais e buscassem entender os bastidores defendidos pelos “bichos da sociedade”, como costumam nos chamar a Veja e a rede Globo. Política se faz em qualquer dia, a qualquer momento. O mocinho azul do filme fez política sem estar coligado a partido algum. Se ele fosse brasileiro certamente ele não votaria nem no Serra, nem Lula e muito menos em Marina Silva.

Gostei muito do filme, com ele eu poderia trabalhar diversas aulas diferentes, no entanto, entre o Avatar do cinema e o Avatar da vida real, eu ainda fico com o da vida real, mesmo não tendo um casal apaixonado e um final feliz. A América Latina ainda precisa de muitos Na’Vi para a defesa da nossa grande árvore mãe.

 

O Avatar na vida real!!!

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Assista o traller do Filme

 

[1] - Cf. Brasil de Fato. 28 de janeiro a 3 fevereiro de 2010. Pag.12.

[2] - Cf. http://www.radiomundial.com.ve/yvke/noticia.php?25891

[3] - Adotou o pré-nome “Subcomandante” pois o comandante em chefe são autóctones da região.

[4] - Cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Subcomandante_Marcos

[5] Ex. Um carro para cada habitante ao invés de transporte coletivo de qualidade. Estradas como principal via de transporte ao invés de ferrovias e meios fluviais. A lógica do lucro ao invés da lógica da vida.

[6] - Uma vez que as concessões de Mídia, Jornais e TVs ainda estão concentradas nas mãos de apenas doze famílias, isso mesmo, doze família, que buscam decidir o que temos de ver e o que devemos considerar como bom. Eu sou um singelo exemplo de que nem sempre eles conseguem.

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Lula fracassa nas bilheterias, afirma ‘El País’

Para jornal, filme falhou ao mostrar imagem ‘adocicada e pouco realista’ do presidente brasileiro
MADRI - Há um mês em cartaz nos cinemas brasileiros, o filme Lula, o Filho do Brasil, o mais caro do cinema nacional, não teve a repercussão da crítica nem o sucesso de bilheteria que se esperava, segundo relata reportagem publicada nesta segunda-feira, 1, pelo diário espanhol El País.
Para o jornal, a razão desse fracasso é em parte a imagem "adocicada e pouco realista" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no filme.
"O filme ficou em quinto nas bilheterias na primeira semana e depois foi caindo. Não porque o filme não seja emocionante, o que é. Não porque os atores sejam ruins, porque são magníficos; nem tampouco porque falte suspense ou um final genial", diz o jornal.
"O filme não convenceu por vários motivos: os brasileiros gostam de Lula na realidade, na rua, subindo em cima de um palanque, arregaçando as mangas, suando e gritando coisas como ‘Vou tirar o povo da merda’", afirma o texto.
Segundo o jornal, os brasileiros gostam "do Lula de verdade, de carne e osso, com seus erros de gramática quando fala, o Lula vestido por estilistas famosos, elegantíssimo em Davos, e o Lula com o boné da Petrobras e a camisa de operário, entre os camponeses do Movimento dos Sem Terra".
Para o diário, muitos críticos dizem que o filme não foi o sucesso que se esperava "porque os brasileiros sabem tudo sobre Lula". "Eles podem vê-lo e tocá-lo todos os dias. Sabem toda sua história de menino pobre, contada mil vezes por ele mesmo. De Lula se sabe infinitas mais coisas do que as que aparecem no filme", diz a reportagem.
O texto do jornal espanhol observa ainda que o filme também provocou a ira da oposição, que o acusa de ser parte da campanha para as eleições presidenciais deste ano, nas quais Lula aposta na candidatura de sua "superministra" Dilma Rousseff. (BBC Brasil)

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Lula e seus amigos frustrados: o filme é um fracasso

Postado: Movimento Revolucionário

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Como se já não bastasse o PAC e  as  muitas solenidades feitas para marcar o início de obras, que em sua maioria não saíram do papel, na tentativa de alavancar a candidatura da nada popular ministra Dilma Roussef, que será a candidata apoiada por Lula e pelo PT nas eleições desse ano! Agora, para tentar dar continuidade a seu governo, amigo dos banqueiros e grandes empresários, Lula e a burguesia apostaram em  um filme com caráter eleitoreiro, contando a história da vida do presidente com uma visão bem parcial e fictícia, para dizer o mínimo.

Apesar de toda a campanha que foi feita durante os meses  que antecederam sua estreia, o filme de Lula está sendo considerado um fracasso. Nas bilheterias de todo o país o número de espectadores está muito aquém das expectativas. Fez-se grande alarde para atrair o público, incluindo merchandising em novelas da Globo.

O filme que estreou em primeiro de janeiro, levou ao cinema apenas 193 mil espectadores, apesar da distribuição farta e geral das cópias, exibidas em grande quantidade de salas. Muitos filmes nacionais entraram também nessa mesma época e atingiram mais do que o dobro da quantidade de pessoas que assistiram ao filme de Lula. “Se Eu Fosse Você 2”, teve um público inicial de 570 mil espectadores. E nas semanas seguintes foi recorde de bilheteria, somando 6 milhões de espectadores.

Mas não é somente esse filme que foi mais bem sucedido do que o filme do mentor do mensalão. “Carandiru” levou às salas de cinema 470 mil pessoas no primeiro fim de semana e “Dois Filhos de Francisco” 315 mil. Mesmo contando com o maior orçamento da história do cinema nacional e grande elenco, em que constam, inclusive, muitos atores da Rede Globo, Lula não parece ser o "cara" da telona.

O filme foi financiado por grandes empresários, para quem Lula governou durante todo esse tempo, e que agora patrocinam esse filme “autopromocional”. Foi colocado um caminhão de dinheiro  nessa produção para tentar manter o PT e seus “atores” no governo. Mesmo o governo Lula tendo terminado o ano com mais de 80% de aprovação, este apoio popular não é mais entusiasmado como foi em 2002, e se dá muito mais por rejeição à direita que por "amores" ao PT ou Lula.

Com esse filme, os marqueteiros tentam criar uma  espécie de deus, para tentar resgatar uma imagem de Lula que já estava esquecida: a de uma pessoa que teve uma vida dura com a de todos os trabalhadores. Hoje, a primeira imagem que vem à mente é outra: a de um presidente que governa para a burguesia e de seus aliados corruptos, talvez nos trazendo à memória alguma de suas fotos abraçando Sarney.

Ao que parece, agora, Lula torce para que o filme saia logo de cartaz, e espera receber novamente a ajuda de seus aliados atuais. Lula deve estar ansioso para ver seu filme na Tela Quente! Quem sabe a família Marinho não faz um acordo com o “Filho do Brasil” para que passem seu filme antes de outubro, às vésperas das eleições.

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Crítico-Spam: "Avatar"

Avatar Existem duas maneiras de se ver um filme como “Avatar”. A primeira é como pura peça de entretenimento da indústria cultural estadunidense e aí encher o texto com termos como “revolução digital” e outras tecno-baboseiras que vem junto com as suas campanhas publicitárias milionárias e são repetidas mundo afora pelos patéticos profissionais da opinião doutrinados pelo sistema. Outra é analisá-lo como o produto cultural de uma sociedade de consumo decadente e doente. Eu prefiro a segunda. Assim, a partir dessa visão, “Avatar” expõe e reforça tudo que existe de mais desprezível e grotesco nessa sociedade e funciona como uma verdadeira máquina de ludibriar e entorpecer mentes a fim de deixá-las conformadas e amorfas frente à dura realidade que as cerca.
O filme poderia ser resumido como “Pocahontas encontra Dança Com Lobos na Matrix” e tem uma história que não apenas é a mais batida de todos os tempos, como ainda por cima é altamente ridícula e absurda. Homem branco vai viver no meio dos “bons selvagens” e, depois de muita dificuldade e desconfiança, torna-se um deles, apaixona-se pela mocinha e luta com seus novos amigos contra seus próprios “irmãos” de raça, que querem destruir tudo em nome do lucro. Assim, os vilões do filme são os malvados executivos de uma corporação capitalista e, claro, os militares (que, ensina o filme, lutavam pela liberdade na Terra mas em Pandora não passam de mercenários sujos). Os primeiros querem devastar o planetinha dos bondosos aliens azuis para minerar suas terras e os segundos, bem, querem jogar prazerosamente o maior número de bombas em tudo e em todos. Clichês dos clichês!
Mas não seria essa uma mensagem ótima, especialmente para quem se diz de esquerda, ainda mais quando enfia no meio um monte de jargões ambientalistas e ecologicamente corretos que estão na moda atualmente? Poderia até ser, se os personagens não fossem incrivelmente rasos e caricatos e se tudo não fosse embalado por uma resolução catártica e redentora das mais podres que eu já vi na vida. É como se o diretor James Cameron tivesse investido 15 anos de sua vida na parafernália eletrônica que dá vida ao filme e cinco minutos na criação do roteiro. Mas, como eu disse antes, não é nem isso o que mais incomoda. O que é realmente repugnante é a maneira como todos esses clichês são elencados na tela até o final feliz abismal, que nos ensina que os bonzinhos sempre vencem e conseguem, inclusive, botar o terrível exército dos EUA para correr (como se eles não fossem voltar o mais rápido possível ao planeta e explodir tudo com bombas atômicas!).
E qual o sentido disso, o que está por trás desse tipo de mensagem aparentemente edificante em nível subliminar? Algo que ninguém parece perceber (ou prefere fingir não perceber): a necessidade de nublar a mente das pessoas e deixá-las acomodadas aos valores morais mais torpes e hipócritas que existem, já que podem ver realizados na tela do cinema todos os sonhos e desejos de redenção e vitória que nunca se realizariam no mundo real, deixando-as assim alienadas e entorpecidas. Ainda mais quando tudo vem reforçado com louvor a crendices sobrenaturais (que alguns chamam de “religião”), do tipo "reze bastante que um dia você será atendido"!
A serviço dessa mensagem obscena temos o que há de mais avançado em tecnologia digital disponível. E daí? Como bem disse minha esposa arquiteta, um projeto de arquitetura ruim não vai melhorar só porque foi apresentado no programa de maquetes eletrônicas mais poderoso que existe, certo? “Avatar” não passa então de um desenho animado feito em computador que vai ficar obsoleto daqui a alguns meses quando inventarem algo mais “revolucionário”.
Enquanto isso, somos ensinados por gente mal intencionada ou simplesmente ingênua (de boas intenções o inferno está cheio, vide os igualmente catastróficos "Diamantes de Sangue" e "Wall-E") como James Cameron que não é preciso lutar contra o conformismo e as injustiças na vida real como fizeram Che Guevara, Ghandi ou Evo Morales, pois no mundo dominado pelo “american way of life” todos os seus problemas e erros serão resolvidos no cinema – de preferência embalados por uma trilha musical grotesca de James Horner (que após esse mico deveria se aposentar), centenas de efeitos visuais digitais e um óculos 3D na cara. Aí você pode sair do cinema de alma lavada, esquecer tudo o que viu e, de quebra, ganhar um bonequinho do filme ao comer um lanche venenoso do McDonald’s…
Criminoso.
Cotação: *

Texto publicado no blog "Tudo em Cima"

André Lux, Tudo em Cima

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Produção tenta ‘despolitizar’ filme, que Lula vê com Dilma

Lula, o filho do BrasilPresidente leva ministra, além de estrelas petistas, para pré-estreia de longa. Atores e diretores se esforçam para negar benefício eleitoral para presidente
Minutos antes da pré-estreia do filme sobre os primeiros 35 anos da vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a equipe de produção de Lula, o Filho do Brasil fazia um esforço conjunto para "despolitizar" a sessão. O próprio Lula, no entanto, não teve a mesma preocupação. Levou a ministra Dilma Rousseff, sua escolhida para disputar a sucessão presidencial pelo PT, além de estrelas petistas, para ver o longa-metragem.
Antes da chegada da comitiva presidencial, atores e diretores que passavam pelo "tapete vermelho" dos antigos estúdios Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, se empenhavam em negar que a produção possa trazer benefícios políticos para o presidente e para Dilma. A oposição vem atacando o filme, alegando que a produção é "eleitoreira", pois será lançada no circuito comercial em janeiro de 2010, ano de eleição presidencial no País.
Também questiona o modelo de financiamento do longa, que custou R$ 16 milhões e tem sido financiado por empresas privadas que mantêm contratos com o governo federal. "Ele não é candidato a nada. Não tem nada a ver", afirmou o produtor Luiz Carlos Barreto, acrescentando que o filme era para ter sido lançado há um ano. "Isso é intriga da oposição."
O ator Rui Ricardo Dias, que interpreta Lula no filme, evitou falar sobre as críticas que a produção vem recebendo. Com uma assessora de imprensa ao lado, ele também afirmou que não gostaria de comentar nenhum assunto relacionado a política.
"A questão é quem pega carona no papel de quem. Lula não precisa do filme para nada", declarou o ator. "Mas vamos falar sobre o filme para não dar margem para politização."
A pré-estreia levou 2.100 pessoas para ver o longa em São Bernardo. A maior parte era formada por sindicalistas, mas estrelas do governo e do PT marcaram presença. Os ministros Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social, e Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, além do deputado José Genoino (SP) e do ex-ministro José Dirceu, estavam na plateia.
PARQUE
Antes da sessão, Lula participou da inauguração do Parque dos Direitos da Criança, também em São Bernardo. O espaço recebeu o nome Eurídice Ferreira Mello, a Dona Lindu, em homenagem à sua mãe.
No evento, o presidente falou sobre a questão da criança e do adolescente no Brasil que, na avaliação dele, na maioria das vezes são vítimas de uma família desestruturada. "Foram mais de 25 anos que a economia esteve atrofiada, um período em que não se investiu na universidade, no ensino fundamental", comentou. (Julia Duailibi e Ricardo Brandt - Agência Estado)

 

Assista ao (Trailer Oficial) Lula, o filho do Brasil

 

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Lula o Filho do Brasil: mais uma jogada de marketing da equipe de Duda Mendonça

lulafilme Durante o 42º festival de Brasília de Cinema Brasileiro todos os olhos não estavam esperando nenhum filme de longa metragem, ou mesmo um curta que poderia ser um novo “Cidade de Deus”; todos estavam curiosos para assistir a pré-estréia do filme Lula – o Filho do Brasil. Um filme que ainda nem estreou, e mesmo assim já é motivo de grandes polêmicas.

O filme retratando uma parte da vida de Lula, é mais uma carta na manga para antecipar o processo eleitoral do ano que vem. Não suficientes todas as vezes que Lula e Dilma inauguraram inúmeras placas, já que ate agora quase nenhuma foi finalizada; o presidente ainda surpreende com suas artimanhas publicitárias, para sensibilizar a população com sua história de trabalhador sofrido. Durante as eleições de 2002 e também 2006, Lula sempre privilegiou seus marqueteiros - isso muito mais do que sua própria plataforma de campanha – e continua sendo prioridade em seu governo. Tanto que abusa agora construindo um filme auto-promocional. E o filme é mais uma etapa para garantir o mandado 2010/2014 levando em consideração todos os passos que o PT tem dado, se percebe que o partido acabou “queimando” seus maiores quadros, os possíveis sucessores de Lula em maracutaias e esquemas de corrupção, como Genoino, Palocci, fazendo com que fossem obrigados a apostar em uma figura nada carismática que é Dilma Roussef, por isso que investiram maciçamente para a promoção da candidata.

O filme retrata o início da vida de Lula, no sertão nordestino, até o auge de sua militância, liderando as greves dos metalúrgicos no ABC paulista, nesse quesito existe mais uma grande jogada de marketing. Contando, além disso, os diretores seriam obrigados a mostrar o caminho que Lula já demonstrava que seguiria. O diretor Fábio Barreto teria que mostrar o período em que o PT liderou o fora Collor, mas mesmo tendo derrubado um presidente tão corrupto quanto o governo atual, não apostou em um governo construído junto das entidades dos trabalhadores, optou simplesmente por colocaram o poder nas mãos do Vice de Collor, Itamar franco. Ou pior ainda, fazer um filme ate os dias atuais, passando pelo escândalo do mensalão! A escolha dos diretores do filme por retratar somente esse período da vida de Lula serve para lembrar aos trabalhadores algo a muito esquecido, Lula foi um operário. Tentam mostrar o que para os explorados já não faz mais sentido, lula como um trabalhador que leva em suas políticas a trajetória de sua vida. Mas na prática percebemos o contrario. O presidente não cansa de renegar seu passado, por exemplo, quando diz que os integrantes do MST são vândalos, ou que aos trabalhadores de correios agem de forma irresponsável quando recorre à greve como forma de negociação.

Negócios em família: os Barretos, CUT e Força Sindical como cabos eleitorais

O maior escândalo acerca do filme se dá em relação a sua execução e seu financiamento. A direção do filme ficou a cargo de Fábio Barreto, filho de Luis Carlos Barreto; família que produz filmes desde a época de Glauber Rocha. Até ai aparentemente não existe problema algum, oras é só um diretor que tem “know how”; mas existe mais um membro nessa família chamado Luiz Paulo Barreto, que é executivo do Ministério da Justiça e presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP); nada melhor que colocar uma família próxima ao governo para dar essa ajudinha na campanha eleitoral. A família além de fazer o filme, elaborou um plano infalível para o combate a pirataria. O governo Lula não é um governo que revolucionou os investimentos em incentivo a cultura, mas isso passa a ser diferente quando se trata da divulgação e distribuição de seu filme. O longa-metragem será vendido a 10 reais, em um projeto costurado com as principais centrais sindicais, CUT e Força Sindical, elas compram um determinado lote e garantem a venda de DVDs para seus integrantes, além de dar desconto aos filiados para assistirem o filme nos cinemas. Vale tudo para que “cada brasileiro tenha a sua cópia”, por isso os distribuidores vão vender em bancas de jornal, supermercados etc.

Lula também contou com a ajuda de seus amigos, aqueles que ele ajudou durante 8 anos de governo, agora dão algo em troca. O financiamento do filme ficou a cargo de 18 empresas além de 3 apoiadores. Dentre essas empresas ao menos 8 delas também financiaram sua campanha eleitoral em 2006, essas empresas doaram um montante de 11,6 milhões, representando 15% do total arrecadado pelo petista, e agora já querem garantir que Dilma siga sendo sua aliada. É a política do “toma – lá, da - cá”, já que grandes empresas que foram beneficiadas com o atual governo abriram a mão para ver Lula bem retratado no cinema como às construtoras OAS, Odebrecht e Camargo Corrêa e as montadoras Volkswagen e Hyundai. Na lista ainda aparecem a empresa francesa de energia elétrica GDF Suez, Souza Cruz, Ambev e até o SENAI. Algumas dessas empresas não usaram a lei de incentivo fiscal, e da lei Rouanet, que dá isenção fiscal, e abatimento no imposto de renda no mesmo valor do patrocínio, e em troca vinculam o nome da empresa ao filme, demonstrando claramente que o interesse dos empresários é a direta promoção de Lula. E até mesmo a Globo que inicialmente não aceitava Lula como presidente deu sua contribuição já que emprestou seus atores e agora cogita a hipótese de criar uma mini-série para passar em horário nobre, no estilo da minissérie JK, só que sem Lula ter morrido e ainda anunciando que tem intenção de voltar em 2014.

Lula: o maior traidor da historia desse país.

Na verdade todo esse filme já é velho, a burguesia tenta criar seus heróis, já existiu Getúlio Vargas o presidente conhecido como pai dos pobres, hoje criam Lula o filho do Brasil. Como a Burguesia não consegue mais criar nenhum herói criado em seu seio, hoje rouba os

da classe trabalhadora, diariamente a burguesia coopta inúmeros lideres dos explorados para trabalharem a seu favor, nesse sentido que conseguiram colocar a seu lado todo o PT e a CUT.

Ninguém duvida que Lula tivesse uma infância pobre e sofrida, e na verdade em alguns aspectos ate mesmo pode ser considerado um exemplo de superação, mas Lula por tudo isso deve ser considerado o maior traidor do Brasil. Já que nunca na historia desse país entrou no poder alguém que sabe tanto como é a vida da classe trabalhadora e mesmo assim governo sem concessão alguma ao povo pobre, governando somente para os ricos.

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Regresso ao Real Imaginado

Texto de Jorge Campos

Postado: Vírus A revista que só se apanha da Net

 

documentario A pesquisa inestitucional dobre o documentário tem vindo a alargar o escopo dos seus interesses, ou retomando caminhos já prosseguidos, mas depois abandonados, ou encetando outros não confinados apenas ao universo do cinema. Este interesse renovado e transversal produz efeitos a vários níveis, seja aprofundando ou encarando sob novas perspectivas os aspectos mais conhecidos e amplamente tratados pelas teorias do cinema, seja investigando modalidades narrativas emergentes do campo dos media, de modo a estabelecer uma rede de relações na qual é ainda possível identificar questões apenas sumariamente agendadas ou precariamente resolvidas. Para tanto, reclama-se a função moderadora da historicidade, a qual permite avançar gradualmente na identificação dos diferentes modos de documentários, no pressuposto de que a lógica das imagens e a ordem do cinema, mesmo se encaradas numa perspectiva integrada de sistemas de significação, jamais poderão estar ausentes. Questionando as corruptelas da televisão e construindo argumentos sobre o mundo histórico o documentário, cuja diversidade permite veicular livremente visões do mundo ancoradas em compromissos de ordem ética, informativa e estética, surge, nesse contexto, como garantia do real imaginado em função do qual ganha corpo a possibilidade de organizar a memória prospectivamente.

Historicidade

Patrício Guzmán, autor de filmes como A Batalha do Chile (1973) e Salvador Allende (2004), disse um dia que o documentário é o álbum de família de um povo. Essa expressão, pela carga simbólica nela investida, justificaria só por si uma descriminação positiva: tomado à letra, o álbum de família promove a identidade de quem somos e, ao fazê-lo, estabelece pontes para uma visão actualizada da História. Numa época em que a lógica mediática reside no efémero, o documentário surge como um poderoso instrumento de preservação da memória ou, se preferirmos, como um lugar de reencontro dos homens com a sua condição e a sua circunstância. Todo o século XX pode, aliás, ser dado a conhecer através do documentário e todo o presente pode ser imaginado, reinterpretado ou simplesmente reconhecido através dele porque nele reside o potencial de utopia que, permitindo a revelação, gera conhecimento. Daí o interesse renovado em torno das suas múltiplas manifestações, sobretudo agora, quando devido a uma crise global cujo epicentro económico-financeiro está iniludivelmente ligado às indústrias da evasão, ganha força, no plano simbólico, a reclamação de um regresso ao real.

O entendimento deste regresso ao real - num contexto em que o discurso televisivo ideologicamente dominante vacila e se mostra, de um modo geral, incapaz de dar resposta aos problemas do nosso tempo - exige a presença da historicidade articulada com a abordagem sumária de uma antinomia central da teoria do documentário que é aquela que releva do campo da arte, por um lado, e da esfera da reportagem, por outro. Seguindo este método, o qual não dispensa algumas derivas tidas por esclarecedoras, o documentário será sempre entendido enquanto argumento sobre o mundo histórico. E, como tal, parafraseando Chris Marker, ficará claro que, hoje mais do que nunca, para ser um lugar habitável, o mundo precisa de ser imaginado.

Para se entender este postulado devemos salientar, em primeiro lugar, que o confronto com a historicidade, ou seja situar o documentário no seu tempo, permite elucidar o movimento pendular em torno da retórica e da poética uma vez que recolhendo subsídios de cada época nos é permitido desenhar um quadro dinâmico a partir do qual melhor possa entender-se a relação com a actualidade, território, aliás, comum à reportagem, o que está longe de ser uma questão menor. Com efeito, os paradigmas do mundo das notícias sempre contribuíram para redefinir o quadro de expectativas dos receptores na sua relação simbólica com o real. Invocando Jean Thévenot, André Bazin, por exemplo, ao referir-se à génese do documentário fala do "filme de grande reportagem" e acrescenta como elemento importante dos critérios de verosimilhança o facto de a partir do final da II Guerra Mundial, com a disseminação dos media, o público exigir acreditar no que vê, uma vez que "a sua confiança é controlada por outros meios de informação: a rádio, o livro e a imprensa (Bazin: 1992)". Esse processo, evidentemente, acentuou-se com a chegada da televisão.

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