Arquivo de Cinema

Porque gostei de Avatar

 

* Tiago Fappi – Historiador

Militante do Psol Osasco

Cenas-Avatar-3D-filmeRecentemente assisti a um filme que está verdadeiramente mexendo com a cabeça das pessoas, cujo ensejo é uma alusão a uma sociedade desconhecida e cheia de mistérios. O nome do tal filme é Avatar, do diretor estadunidense James Cameron. Uma produção cheia de recursos eletrônicos e efeitos especiais.

Desde o dia que comentei com meus amigos que tinha finalmente visto o filme eu venho sendo cobrado para apresentar um parecer, uma avaliação, sobre o filme. Sendo assim decidi que a melhor maneira de fazê-lo seria através de um pequeno texto, pois assim posso expor com mais propriedades aquilo que penso.

Para meter o nariz numa obra do âmbito de Avatar é preciso levar em consideração alguns elementos, sobretudo o fato de James Cameron ser estadunidense e ter feito o filme de olho no público daquele país. Apesar de viver em uma sociedade cujos valores são permeados pelo sentimento do medo, do ódio, da guerra, o filme apresentou uma perspectiva progressista o suficiente para se diferenciar dos demais filmes Hollywoodianos.

Tente se lembrar, o início do filme apresenta forças militares em uma missão de ocupação de um território, totalmente coberto por uma densa e desconhecida selva, habitada por seres “selvagens” totalmente hostis. A missão do mocinho do filme, fundamentalmente, era a de auxiliar os militares num plano de invasão do território dos Na’Vi, no entanto, este acaba se adaptando ao universo deste povo, se apaixonando pela filha do comandante e, por fim, salvando toda a sociedade e tornando-se o chefe máximo. Eis que começam os problemas.

Apesar de muito lindo, com uma história fantástica, o filme acentua uma idéia, comum ao público estadunidense, mas muito cara para toda a América Latina. Tenho de corroborar aqui com as criticas que foram feitas pela jornalista Elaine Tavares, em uma matéria intitulada “Outro fim para Avatar”, publicada no jornal Brasil de Fato.[1] Neste artigo Tavares aponta uma verdade, nestes filmes hollywoodianos “o autóctone parece nunca ser capaz de tomar o destino de seu povo nas mãos. Terrível metáfora de todos nós”. Ela critica duramente o fato de o herói da história ser um americano típico, engraçadinho, sortudo, que vem para resolver todos os problemas, que por fim se casa com a filha do chefe dos Na’vi, tornando-se ele próprio o chefe. Quando a sociedade autóctone se torna verdadeiramente ameaçada é o homem de fora, o “mariner”, o grande salvador da pátria. Tavares imaginou um outro final para o filme, ponderando que talvez o próprio filho do chefe dos Na’vi, ex-noivo da mocinha azul, devesse ser o encabeçador e salvador daquela sociedade a qual ele sim pertencia, sem, deixar, é claro de ter aceito o terráqueo. Fez ainda alusão que na América Latina vivemos muitos Avatares, em Cuba, Haiti, Bolívia, Equador, Venezuela . . .

No entanto, eu apontaria outros elementos. No exato momento em que assistia ao filme, mais precisamente em uma cena em que o “mocinho” diz “eles não querem calças jeans e cervejas. Sinto muito, eles não deixaram a sua árvore”, logo me veio a mente a sociedades dos Andes. Os EUA tentam constantemente empurrar garganta abaixo daquela gente, através de elites locais cooptadas – os Na’vi criados em laboratório – a idéia da legalidade de decretos sobre investimentos ligados ao petróleo na selva. Até agora já foram 34 mortos em confrontos entre policiais e indígenas.[2]

indio peru Em outras cenas do filme, diria, na maior parte dele, me lembrei das ações de empresas ganan-ciosas, das corporações, multi nacionais, mineradoras, do setor de cosméticos, tal como a Natura, a Unilever, que invadem, matam, desmatam, destroem todo o ecos-sistema de regiões amazônicas, empresas como a Shel, a Cia Vale

do Rio Doce, nada mais são que aquela grande empresa do filme Avatar, disposta a desalojar toda uma sociedade, destruir todo o meio ambiente com um único objetivo, o lucro.

Lembrei-me também dos muitos lutadores, Avatares da vida real, como Dorothy Stang, morta a tiros por defender os interesses dos autóctones do Pará, vitimados pelos conflitos agrários. Antes de ser morta seu assassino perguntou “Você está armada?” e Dorothy respondeu “eis a minha arma!”, mostrando uma biblia ao seu algoz. Foi morta com sete disparos.

Lembrei-me de Chico Mendes, morto defendendo a Amazônia, do Pe Ruggero Ruvoletto, morto em Manaus por criminosos, de dom Luiz Flávio Cappio, exímio defensor dos interesses dos autóctones do “Velho Chico”, mas sobretudo um me veio a mente em todo momento, SubComandante Marcos, do Exército Zapatista de Libertação Nacional.[3]

De identidade desconhecida, vive entre dois mundos, um anônimo na sociedade estritamente urbana e o grande Subcomandante entre os indígenas de Chiapas, no México. Segundo sua própria definição é :

marcos dd "Marcos é gay em São Francisco, negro na África do Sul, asiático na Europa, hispânico em San Isidro, anarquista na Espanha, palestiniano em Israel, indígena nas ruas de San Cristóbal, rockero na cidade universitária, judeu na Alemanha, feminista nos partidos políticos, comunista no pós-guerra fria, pacifista na Bósnia, artista sem galeria e sem portfólio, dona de casa num sábado à tarde, jornalista nas páginas anteriores do jornal, mulher no metropolitano depois das 22h, camponês sem terra, editor marginal, operário sem trabalho, médico sem consultório, escritor sem livros e sem leitores e, sobretudo, zapatista no Sudoeste do México. Enfim, Marcos é um ser humano qualquer neste mundo. Marcos é todas as minorias intoleradas, oprimidas, resistindo, exploradas, dizendo ¡Ya basta! Todas as minorias na hora de falar e maiorias na hora de se calar e agüentar. Todos os intolerados buscando uma palavra, sua palavra. Tudo que incomoda o poder e as boas consciências, este é Marcos."[4]

Embora o filme Avatar apresente um final feliz, infelizmente, não é o que vemos na vida real. A luta em Chiapas acontece desde 1994, no entanto, as ambições de multinacionais e empresas insaciáveis por lucros exorbitantes continuam ameaçando a integridade das comunidades indígenas.

É interessante como o filme apresenta uma realidade já em curso. A busca pelos minerais e outros recursos naturais, tão preciosos a fabricação de bilhões de objetos desnecessários,[5] já está pondo fim a um ciclo que teve início há milhões de anos. Então, quando tudo estiver destruído e esgotado o homem irá destruir e esgotar o mundo do outro.

Desta forma, acredito ter esmiuçado minimamente – uma vez que poderia citar milhões de coisas que me irritam diariamente – algumas razões que me levaram a ver em Avatar algo de produtivo. Infelizmente eu compreendo que muitas pessoas que assistiram este filme, ainda assim, irão defender, de modo despolitizado, em sem culpa,[6] ações arbitrarias da polícia contra um indígena, contra um trabalhador em greve, um estudante na rua.

Tenho certeza que se Willian Bonner pudesse ler este texto, certamente, ao final, ele iria dizer que eu sou um “Bicho”, um selvagem, um monstro a ser extirpado da sociedade. No entanto, mais uma vez, voltando ao filme, são os novos Na’Vi, a cientista e o soldado, os novos bichos, os novos selvagens, os artífices da salvação daquele povo. Engraçado é que os soldados do exército invasor, incapazes de enxergar a realidade daqueles cientistas, seguiam cegamente as ordens de um militar maluco, no entanto, aqueles que tomaram contato com as informações alternativas, por fim, apoiaram a decisão da cientista e do soldado de se unirem aos Na’Vi.

Gostaria que as pessoas entendessem a mensagem daquele filme e não ficassem presas apenas aos fatos românticos e tecnológicos do filme. Gostaria que questionassem as informações oficiais e buscassem entender os bastidores defendidos pelos “bichos da sociedade”, como costumam nos chamar a Veja e a rede Globo. Política se faz em qualquer dia, a qualquer momento. O mocinho azul do filme fez política sem estar coligado a partido algum. Se ele fosse brasileiro certamente ele não votaria nem no Serra, nem Lula e muito menos em Marina Silva.

Gostei muito do filme, com ele eu poderia trabalhar diversas aulas diferentes, no entanto, entre o Avatar do cinema e o Avatar da vida real, eu ainda fico com o da vida real, mesmo não tendo um casal apaixonado e um final feliz. A América Latina ainda precisa de muitos Na’Vi para a defesa da nossa grande árvore mãe.

 

O Avatar na vida real!!!

luiz_vasconcelo

Assista o traller do Filme

 

[1] - Cf. Brasil de Fato. 28 de janeiro a 3 fevereiro de 2010. Pag.12.

[2] - Cf. http://www.radiomundial.com.ve/yvke/noticia.php?25891

[3] - Adotou o pré-nome “Subcomandante” pois o comandante em chefe são autóctones da região.

[4] - Cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Subcomandante_Marcos

[5] Ex. Um carro para cada habitante ao invés de transporte coletivo de qualidade. Estradas como principal via de transporte ao invés de ferrovias e meios fluviais. A lógica do lucro ao invés da lógica da vida.

[6] - Uma vez que as concessões de Mídia, Jornais e TVs ainda estão concentradas nas mãos de apenas doze famílias, isso mesmo, doze família, que buscam decidir o que temos de ver e o que devemos considerar como bom. Eu sou um singelo exemplo de que nem sempre eles conseguem.

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Lula fracassa nas bilheterias, afirma ‘El País’

Para jornal, filme falhou ao mostrar imagem ‘adocicada e pouco realista’ do presidente brasileiro
MADRI - Há um mês em cartaz nos cinemas brasileiros, o filme Lula, o Filho do Brasil, o mais caro do cinema nacional, não teve a repercussão da crítica nem o sucesso de bilheteria que se esperava, segundo relata reportagem publicada nesta segunda-feira, 1, pelo diário espanhol El País.
Para o jornal, a razão desse fracasso é em parte a imagem "adocicada e pouco realista" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no filme.
"O filme ficou em quinto nas bilheterias na primeira semana e depois foi caindo. Não porque o filme não seja emocionante, o que é. Não porque os atores sejam ruins, porque são magníficos; nem tampouco porque falte suspense ou um final genial", diz o jornal.
"O filme não convenceu por vários motivos: os brasileiros gostam de Lula na realidade, na rua, subindo em cima de um palanque, arregaçando as mangas, suando e gritando coisas como ‘Vou tirar o povo da merda’", afirma o texto.
Segundo o jornal, os brasileiros gostam "do Lula de verdade, de carne e osso, com seus erros de gramática quando fala, o Lula vestido por estilistas famosos, elegantíssimo em Davos, e o Lula com o boné da Petrobras e a camisa de operário, entre os camponeses do Movimento dos Sem Terra".
Para o diário, muitos críticos dizem que o filme não foi o sucesso que se esperava "porque os brasileiros sabem tudo sobre Lula". "Eles podem vê-lo e tocá-lo todos os dias. Sabem toda sua história de menino pobre, contada mil vezes por ele mesmo. De Lula se sabe infinitas mais coisas do que as que aparecem no filme", diz a reportagem.
O texto do jornal espanhol observa ainda que o filme também provocou a ira da oposição, que o acusa de ser parte da campanha para as eleições presidenciais deste ano, nas quais Lula aposta na candidatura de sua "superministra" Dilma Rousseff. (BBC Brasil)

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Lula e seus amigos frustrados: o filme é um fracasso

Postado: Movimento Revolucionário

lulacamerafilme

 

Como se já não bastasse o PAC e  as  muitas solenidades feitas para marcar o início de obras, que em sua maioria não saíram do papel, na tentativa de alavancar a candidatura da nada popular ministra Dilma Roussef, que será a candidata apoiada por Lula e pelo PT nas eleições desse ano! Agora, para tentar dar continuidade a seu governo, amigo dos banqueiros e grandes empresários, Lula e a burguesia apostaram em  um filme com caráter eleitoreiro, contando a história da vida do presidente com uma visão bem parcial e fictícia, para dizer o mínimo.

Apesar de toda a campanha que foi feita durante os meses  que antecederam sua estreia, o filme de Lula está sendo considerado um fracasso. Nas bilheterias de todo o país o número de espectadores está muito aquém das expectativas. Fez-se grande alarde para atrair o público, incluindo merchandising em novelas da Globo.

O filme que estreou em primeiro de janeiro, levou ao cinema apenas 193 mil espectadores, apesar da distribuição farta e geral das cópias, exibidas em grande quantidade de salas. Muitos filmes nacionais entraram também nessa mesma época e atingiram mais do que o dobro da quantidade de pessoas que assistiram ao filme de Lula. “Se Eu Fosse Você 2”, teve um público inicial de 570 mil espectadores. E nas semanas seguintes foi recorde de bilheteria, somando 6 milhões de espectadores.

Mas não é somente esse filme que foi mais bem sucedido do que o filme do mentor do mensalão. “Carandiru” levou às salas de cinema 470 mil pessoas no primeiro fim de semana e “Dois Filhos de Francisco” 315 mil. Mesmo contando com o maior orçamento da história do cinema nacional e grande elenco, em que constam, inclusive, muitos atores da Rede Globo, Lula não parece ser o "cara" da telona.

O filme foi financiado por grandes empresários, para quem Lula governou durante todo esse tempo, e que agora patrocinam esse filme “autopromocional”. Foi colocado um caminhão de dinheiro  nessa produção para tentar manter o PT e seus “atores” no governo. Mesmo o governo Lula tendo terminado o ano com mais de 80% de aprovação, este apoio popular não é mais entusiasmado como foi em 2002, e se dá muito mais por rejeição à direita que por "amores" ao PT ou Lula.

Com esse filme, os marqueteiros tentam criar uma  espécie de deus, para tentar resgatar uma imagem de Lula que já estava esquecida: a de uma pessoa que teve uma vida dura com a de todos os trabalhadores. Hoje, a primeira imagem que vem à mente é outra: a de um presidente que governa para a burguesia e de seus aliados corruptos, talvez nos trazendo à memória alguma de suas fotos abraçando Sarney.

Ao que parece, agora, Lula torce para que o filme saia logo de cartaz, e espera receber novamente a ajuda de seus aliados atuais. Lula deve estar ansioso para ver seu filme na Tela Quente! Quem sabe a família Marinho não faz um acordo com o “Filho do Brasil” para que passem seu filme antes de outubro, às vésperas das eleições.

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Crítico-Spam: "Avatar"

Avatar Existem duas maneiras de se ver um filme como “Avatar”. A primeira é como pura peça de entretenimento da indústria cultural estadunidense e aí encher o texto com termos como “revolução digital” e outras tecno-baboseiras que vem junto com as suas campanhas publicitárias milionárias e são repetidas mundo afora pelos patéticos profissionais da opinião doutrinados pelo sistema. Outra é analisá-lo como o produto cultural de uma sociedade de consumo decadente e doente. Eu prefiro a segunda. Assim, a partir dessa visão, “Avatar” expõe e reforça tudo que existe de mais desprezível e grotesco nessa sociedade e funciona como uma verdadeira máquina de ludibriar e entorpecer mentes a fim de deixá-las conformadas e amorfas frente à dura realidade que as cerca.
O filme poderia ser resumido como “Pocahontas encontra Dança Com Lobos na Matrix” e tem uma história que não apenas é a mais batida de todos os tempos, como ainda por cima é altamente ridícula e absurda. Homem branco vai viver no meio dos “bons selvagens” e, depois de muita dificuldade e desconfiança, torna-se um deles, apaixona-se pela mocinha e luta com seus novos amigos contra seus próprios “irmãos” de raça, que querem destruir tudo em nome do lucro. Assim, os vilões do filme são os malvados executivos de uma corporação capitalista e, claro, os militares (que, ensina o filme, lutavam pela liberdade na Terra mas em Pandora não passam de mercenários sujos). Os primeiros querem devastar o planetinha dos bondosos aliens azuis para minerar suas terras e os segundos, bem, querem jogar prazerosamente o maior número de bombas em tudo e em todos. Clichês dos clichês!
Mas não seria essa uma mensagem ótima, especialmente para quem se diz de esquerda, ainda mais quando enfia no meio um monte de jargões ambientalistas e ecologicamente corretos que estão na moda atualmente? Poderia até ser, se os personagens não fossem incrivelmente rasos e caricatos e se tudo não fosse embalado por uma resolução catártica e redentora das mais podres que eu já vi na vida. É como se o diretor James Cameron tivesse investido 15 anos de sua vida na parafernália eletrônica que dá vida ao filme e cinco minutos na criação do roteiro. Mas, como eu disse antes, não é nem isso o que mais incomoda. O que é realmente repugnante é a maneira como todos esses clichês são elencados na tela até o final feliz abismal, que nos ensina que os bonzinhos sempre vencem e conseguem, inclusive, botar o terrível exército dos EUA para correr (como se eles não fossem voltar o mais rápido possível ao planeta e explodir tudo com bombas atômicas!).
E qual o sentido disso, o que está por trás desse tipo de mensagem aparentemente edificante em nível subliminar? Algo que ninguém parece perceber (ou prefere fingir não perceber): a necessidade de nublar a mente das pessoas e deixá-las acomodadas aos valores morais mais torpes e hipócritas que existem, já que podem ver realizados na tela do cinema todos os sonhos e desejos de redenção e vitória que nunca se realizariam no mundo real, deixando-as assim alienadas e entorpecidas. Ainda mais quando tudo vem reforçado com louvor a crendices sobrenaturais (que alguns chamam de “religião”), do tipo "reze bastante que um dia você será atendido"!
A serviço dessa mensagem obscena temos o que há de mais avançado em tecnologia digital disponível. E daí? Como bem disse minha esposa arquiteta, um projeto de arquitetura ruim não vai melhorar só porque foi apresentado no programa de maquetes eletrônicas mais poderoso que existe, certo? “Avatar” não passa então de um desenho animado feito em computador que vai ficar obsoleto daqui a alguns meses quando inventarem algo mais “revolucionário”.
Enquanto isso, somos ensinados por gente mal intencionada ou simplesmente ingênua (de boas intenções o inferno está cheio, vide os igualmente catastróficos "Diamantes de Sangue" e "Wall-E") como James Cameron que não é preciso lutar contra o conformismo e as injustiças na vida real como fizeram Che Guevara, Ghandi ou Evo Morales, pois no mundo dominado pelo “american way of life” todos os seus problemas e erros serão resolvidos no cinema – de preferência embalados por uma trilha musical grotesca de James Horner (que após esse mico deveria se aposentar), centenas de efeitos visuais digitais e um óculos 3D na cara. Aí você pode sair do cinema de alma lavada, esquecer tudo o que viu e, de quebra, ganhar um bonequinho do filme ao comer um lanche venenoso do McDonald’s…
Criminoso.
Cotação: *

Texto publicado no blog "Tudo em Cima"

André Lux, Tudo em Cima

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Produção tenta ‘despolitizar’ filme, que Lula vê com Dilma

Lula, o filho do BrasilPresidente leva ministra, além de estrelas petistas, para pré-estreia de longa. Atores e diretores se esforçam para negar benefício eleitoral para presidente
Minutos antes da pré-estreia do filme sobre os primeiros 35 anos da vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a equipe de produção de Lula, o Filho do Brasil fazia um esforço conjunto para "despolitizar" a sessão. O próprio Lula, no entanto, não teve a mesma preocupação. Levou a ministra Dilma Rousseff, sua escolhida para disputar a sucessão presidencial pelo PT, além de estrelas petistas, para ver o longa-metragem.
Antes da chegada da comitiva presidencial, atores e diretores que passavam pelo "tapete vermelho" dos antigos estúdios Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, se empenhavam em negar que a produção possa trazer benefícios políticos para o presidente e para Dilma. A oposição vem atacando o filme, alegando que a produção é "eleitoreira", pois será lançada no circuito comercial em janeiro de 2010, ano de eleição presidencial no País.
Também questiona o modelo de financiamento do longa, que custou R$ 16 milhões e tem sido financiado por empresas privadas que mantêm contratos com o governo federal. "Ele não é candidato a nada. Não tem nada a ver", afirmou o produtor Luiz Carlos Barreto, acrescentando que o filme era para ter sido lançado há um ano. "Isso é intriga da oposição."
O ator Rui Ricardo Dias, que interpreta Lula no filme, evitou falar sobre as críticas que a produção vem recebendo. Com uma assessora de imprensa ao lado, ele também afirmou que não gostaria de comentar nenhum assunto relacionado a política.
"A questão é quem pega carona no papel de quem. Lula não precisa do filme para nada", declarou o ator. "Mas vamos falar sobre o filme para não dar margem para politização."
A pré-estreia levou 2.100 pessoas para ver o longa em São Bernardo. A maior parte era formada por sindicalistas, mas estrelas do governo e do PT marcaram presença. Os ministros Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social, e Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, além do deputado José Genoino (SP) e do ex-ministro José Dirceu, estavam na plateia.
PARQUE
Antes da sessão, Lula participou da inauguração do Parque dos Direitos da Criança, também em São Bernardo. O espaço recebeu o nome Eurídice Ferreira Mello, a Dona Lindu, em homenagem à sua mãe.
No evento, o presidente falou sobre a questão da criança e do adolescente no Brasil que, na avaliação dele, na maioria das vezes são vítimas de uma família desestruturada. "Foram mais de 25 anos que a economia esteve atrofiada, um período em que não se investiu na universidade, no ensino fundamental", comentou. (Julia Duailibi e Ricardo Brandt - Agência Estado)

 

Assista ao (Trailer Oficial) Lula, o filho do Brasil

 

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Lula o Filho do Brasil: mais uma jogada de marketing da equipe de Duda Mendonça

lulafilme Durante o 42º festival de Brasília de Cinema Brasileiro todos os olhos não estavam esperando nenhum filme de longa metragem, ou mesmo um curta que poderia ser um novo “Cidade de Deus”; todos estavam curiosos para assistir a pré-estréia do filme Lula – o Filho do Brasil. Um filme que ainda nem estreou, e mesmo assim já é motivo de grandes polêmicas.

O filme retratando uma parte da vida de Lula, é mais uma carta na manga para antecipar o processo eleitoral do ano que vem. Não suficientes todas as vezes que Lula e Dilma inauguraram inúmeras placas, já que ate agora quase nenhuma foi finalizada; o presidente ainda surpreende com suas artimanhas publicitárias, para sensibilizar a população com sua história de trabalhador sofrido. Durante as eleições de 2002 e também 2006, Lula sempre privilegiou seus marqueteiros - isso muito mais do que sua própria plataforma de campanha – e continua sendo prioridade em seu governo. Tanto que abusa agora construindo um filme auto-promocional. E o filme é mais uma etapa para garantir o mandado 2010/2014 levando em consideração todos os passos que o PT tem dado, se percebe que o partido acabou “queimando” seus maiores quadros, os possíveis sucessores de Lula em maracutaias e esquemas de corrupção, como Genoino, Palocci, fazendo com que fossem obrigados a apostar em uma figura nada carismática que é Dilma Roussef, por isso que investiram maciçamente para a promoção da candidata.

O filme retrata o início da vida de Lula, no sertão nordestino, até o auge de sua militância, liderando as greves dos metalúrgicos no ABC paulista, nesse quesito existe mais uma grande jogada de marketing. Contando, além disso, os diretores seriam obrigados a mostrar o caminho que Lula já demonstrava que seguiria. O diretor Fábio Barreto teria que mostrar o período em que o PT liderou o fora Collor, mas mesmo tendo derrubado um presidente tão corrupto quanto o governo atual, não apostou em um governo construído junto das entidades dos trabalhadores, optou simplesmente por colocaram o poder nas mãos do Vice de Collor, Itamar franco. Ou pior ainda, fazer um filme ate os dias atuais, passando pelo escândalo do mensalão! A escolha dos diretores do filme por retratar somente esse período da vida de Lula serve para lembrar aos trabalhadores algo a muito esquecido, Lula foi um operário. Tentam mostrar o que para os explorados já não faz mais sentido, lula como um trabalhador que leva em suas políticas a trajetória de sua vida. Mas na prática percebemos o contrario. O presidente não cansa de renegar seu passado, por exemplo, quando diz que os integrantes do MST são vândalos, ou que aos trabalhadores de correios agem de forma irresponsável quando recorre à greve como forma de negociação.

Negócios em família: os Barretos, CUT e Força Sindical como cabos eleitorais

O maior escândalo acerca do filme se dá em relação a sua execução e seu financiamento. A direção do filme ficou a cargo de Fábio Barreto, filho de Luis Carlos Barreto; família que produz filmes desde a época de Glauber Rocha. Até ai aparentemente não existe problema algum, oras é só um diretor que tem “know how”; mas existe mais um membro nessa família chamado Luiz Paulo Barreto, que é executivo do Ministério da Justiça e presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP); nada melhor que colocar uma família próxima ao governo para dar essa ajudinha na campanha eleitoral. A família além de fazer o filme, elaborou um plano infalível para o combate a pirataria. O governo Lula não é um governo que revolucionou os investimentos em incentivo a cultura, mas isso passa a ser diferente quando se trata da divulgação e distribuição de seu filme. O longa-metragem será vendido a 10 reais, em um projeto costurado com as principais centrais sindicais, CUT e Força Sindical, elas compram um determinado lote e garantem a venda de DVDs para seus integrantes, além de dar desconto aos filiados para assistirem o filme nos cinemas. Vale tudo para que “cada brasileiro tenha a sua cópia”, por isso os distribuidores vão vender em bancas de jornal, supermercados etc.

Lula também contou com a ajuda de seus amigos, aqueles que ele ajudou durante 8 anos de governo, agora dão algo em troca. O financiamento do filme ficou a cargo de 18 empresas além de 3 apoiadores. Dentre essas empresas ao menos 8 delas também financiaram sua campanha eleitoral em 2006, essas empresas doaram um montante de 11,6 milhões, representando 15% do total arrecadado pelo petista, e agora já querem garantir que Dilma siga sendo sua aliada. É a política do “toma – lá, da - cá”, já que grandes empresas que foram beneficiadas com o atual governo abriram a mão para ver Lula bem retratado no cinema como às construtoras OAS, Odebrecht e Camargo Corrêa e as montadoras Volkswagen e Hyundai. Na lista ainda aparecem a empresa francesa de energia elétrica GDF Suez, Souza Cruz, Ambev e até o SENAI. Algumas dessas empresas não usaram a lei de incentivo fiscal, e da lei Rouanet, que dá isenção fiscal, e abatimento no imposto de renda no mesmo valor do patrocínio, e em troca vinculam o nome da empresa ao filme, demonstrando claramente que o interesse dos empresários é a direta promoção de Lula. E até mesmo a Globo que inicialmente não aceitava Lula como presidente deu sua contribuição já que emprestou seus atores e agora cogita a hipótese de criar uma mini-série para passar em horário nobre, no estilo da minissérie JK, só que sem Lula ter morrido e ainda anunciando que tem intenção de voltar em 2014.

Lula: o maior traidor da historia desse país.

Na verdade todo esse filme já é velho, a burguesia tenta criar seus heróis, já existiu Getúlio Vargas o presidente conhecido como pai dos pobres, hoje criam Lula o filho do Brasil. Como a Burguesia não consegue mais criar nenhum herói criado em seu seio, hoje rouba os

da classe trabalhadora, diariamente a burguesia coopta inúmeros lideres dos explorados para trabalharem a seu favor, nesse sentido que conseguiram colocar a seu lado todo o PT e a CUT.

Ninguém duvida que Lula tivesse uma infância pobre e sofrida, e na verdade em alguns aspectos ate mesmo pode ser considerado um exemplo de superação, mas Lula por tudo isso deve ser considerado o maior traidor do Brasil. Já que nunca na historia desse país entrou no poder alguém que sabe tanto como é a vida da classe trabalhadora e mesmo assim governo sem concessão alguma ao povo pobre, governando somente para os ricos.

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Regresso ao Real Imaginado

Texto de Jorge Campos

Postado: Vírus A revista que só se apanha da Net

 

documentario A pesquisa inestitucional dobre o documentário tem vindo a alargar o escopo dos seus interesses, ou retomando caminhos já prosseguidos, mas depois abandonados, ou encetando outros não confinados apenas ao universo do cinema. Este interesse renovado e transversal produz efeitos a vários níveis, seja aprofundando ou encarando sob novas perspectivas os aspectos mais conhecidos e amplamente tratados pelas teorias do cinema, seja investigando modalidades narrativas emergentes do campo dos media, de modo a estabelecer uma rede de relações na qual é ainda possível identificar questões apenas sumariamente agendadas ou precariamente resolvidas. Para tanto, reclama-se a função moderadora da historicidade, a qual permite avançar gradualmente na identificação dos diferentes modos de documentários, no pressuposto de que a lógica das imagens e a ordem do cinema, mesmo se encaradas numa perspectiva integrada de sistemas de significação, jamais poderão estar ausentes. Questionando as corruptelas da televisão e construindo argumentos sobre o mundo histórico o documentário, cuja diversidade permite veicular livremente visões do mundo ancoradas em compromissos de ordem ética, informativa e estética, surge, nesse contexto, como garantia do real imaginado em função do qual ganha corpo a possibilidade de organizar a memória prospectivamente.

Historicidade

Patrício Guzmán, autor de filmes como A Batalha do Chile (1973) e Salvador Allende (2004), disse um dia que o documentário é o álbum de família de um povo. Essa expressão, pela carga simbólica nela investida, justificaria só por si uma descriminação positiva: tomado à letra, o álbum de família promove a identidade de quem somos e, ao fazê-lo, estabelece pontes para uma visão actualizada da História. Numa época em que a lógica mediática reside no efémero, o documentário surge como um poderoso instrumento de preservação da memória ou, se preferirmos, como um lugar de reencontro dos homens com a sua condição e a sua circunstância. Todo o século XX pode, aliás, ser dado a conhecer através do documentário e todo o presente pode ser imaginado, reinterpretado ou simplesmente reconhecido através dele porque nele reside o potencial de utopia que, permitindo a revelação, gera conhecimento. Daí o interesse renovado em torno das suas múltiplas manifestações, sobretudo agora, quando devido a uma crise global cujo epicentro económico-financeiro está iniludivelmente ligado às indústrias da evasão, ganha força, no plano simbólico, a reclamação de um regresso ao real.

O entendimento deste regresso ao real - num contexto em que o discurso televisivo ideologicamente dominante vacila e se mostra, de um modo geral, incapaz de dar resposta aos problemas do nosso tempo - exige a presença da historicidade articulada com a abordagem sumária de uma antinomia central da teoria do documentário que é aquela que releva do campo da arte, por um lado, e da esfera da reportagem, por outro. Seguindo este método, o qual não dispensa algumas derivas tidas por esclarecedoras, o documentário será sempre entendido enquanto argumento sobre o mundo histórico. E, como tal, parafraseando Chris Marker, ficará claro que, hoje mais do que nunca, para ser um lugar habitável, o mundo precisa de ser imaginado.

Para se entender este postulado devemos salientar, em primeiro lugar, que o confronto com a historicidade, ou seja situar o documentário no seu tempo, permite elucidar o movimento pendular em torno da retórica e da poética uma vez que recolhendo subsídios de cada época nos é permitido desenhar um quadro dinâmico a partir do qual melhor possa entender-se a relação com a actualidade, território, aliás, comum à reportagem, o que está longe de ser uma questão menor. Com efeito, os paradigmas do mundo das notícias sempre contribuíram para redefinir o quadro de expectativas dos receptores na sua relação simbólica com o real. Invocando Jean Thévenot, André Bazin, por exemplo, ao referir-se à génese do documentário fala do "filme de grande reportagem" e acrescenta como elemento importante dos critérios de verosimilhança o facto de a partir do final da II Guerra Mundial, com a disseminação dos media, o público exigir acreditar no que vê, uma vez que "a sua confiança é controlada por outros meios de informação: a rádio, o livro e a imprensa (Bazin: 1992)". Esse processo, evidentemente, acentuou-se com a chegada da televisão.

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Cine Palmarino Jabaquara 4

Cine Palmarino

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São Paulo recebe mostra inédita de filmes africanos

De 10 a 15 de novembro, "Espelho Atlântico - Mostra de Cinema da África e da Diáspora" integra as atividades que lembram o Dia da Consciência Negra, no dia 20

09/11/2009


da Redação

A Matilha Cultural e a cineasta Lilian Solá Santiago promovem, nesta semana, em São Paulo, "Espelho Atlântico - Mostra de Cinema da África e da Diáspora", como parte das atividades que lembram o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro.

A abertura da mostra ocorrerá nesta terça-feira (10), às 19h, no Espaço Matilha Cultural, com coquetel e a primeira exibição em 35mm de “Graffiti”, dirigido por Lilian Solá Santiago, que também é curadora da mostra. Na mesma noite, haverá a performance Cores da Percussão, com o duo Simone Soul e Marina Uehara.

A seleção de filmes propõe um olhar contemporâneo sobre a diversidade cultural do continente africano e de seus descendentes dispersos pelo mundo. A mostra inclui a exibição de 11 filmes realizados por africanos, europeus e brasileiros sobre a temática, sendo a maioria inédita em São Paulo. Todas as exibições têm entrada franca.

Este é o primeiro ano em que "Espelho Atlântico" acontece na capital paulista. No Rio de Janeiro, o evento ocorre há dois anos, no Espaço Caixa Cultural, com um número crescente de espectadores.

Serviço:

"Espelho Atlântico - Mostra de Cinema da África e da Diáspora"

De 10 a 15 de novembro em São Paulo (SP), às 19h

Espaço Matilha Cultural (Rua Rego Freitas, 542, próximo à rua da Consolação)

Entrada franca

Mais informações: http://matilhacultural.com.br e http://liliansantiago.blogspot.com

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Uma dança solitária denuncia as guerras imperialistas

imagens “Valsa com Bashir” utiliza o simbolismo do desenho animado para mostrar que loucura mesmo é acreditar nas justificativas para o massacre do povo palestino.
Ari Folman fez “Valsa com Bashir” para acertar contas com seu passado. Ele foi soldado das tropas israelenses que invadiram o Líbano em 1982, quando aconteceu o massacre de Sabra e Chatila. Trata-se de dois campos de refugiados palestinos que foram invadidos por milícias cristãs. Milhares de homens, mulheres e crianças foram mortos covardemente. As tropas israelenses receberam ordens de não intervir.
No filme, Folman afirma não conseguir lembrar de detalhes desses acontecimentos. Sua mente parece ter bloqueado as lembranças daqueles momentos. Ele se sente incomodado com isso. Começa, então, a tentar recolher elementos para recuperar a memória daqueles dias. Para isso, recorre a um amigo psicólogo e a entrevistas com ex-combatentes que faziam parte de seu batalhão.
A combinação de dois elementos chama a atenção na produção. Em primeiro lugar, o documentário reconstrói fatos a partir de lembranças do personagem principal e dos entrevistados. Apenas isso já daria ao filme um caráter de recorte da realidade muito específico. Os depoentes e o protagonista vão fixando a narrativa aos poucos. Sem pretensões de retratar a realidade tal como ela é ou foi. Isso acaba obrigando os ex-combatentes a expressar opiniões. E não escondem sua incerteza quanto à justiça do que o Estado de Israel os obrigou a fazer.
Em segundo lugar, o diretor utilizou desenho animado para contar sua história. Segundo ele, porque faltavam muitas cenas de arquivo. Uma opção arriscada, pois poderia colocar sob suspeita a seriedade do filme. Mas, o resultado final é o contrário disso.
A animação prende a atenção e possibilita a interpretação simbólica de muitos momentos, sem que elas percam a verdade do que pretendem significar. É o caso da cena que dá nome ao filme. Não seria possível na realidade. Mas, faz todo sentido no documentário. Um soldado dança sozinho em meio aos tiros. É como se perguntasse que sentido fazem guerras em que a enorme maioria dos envolvidos ignora suas causas reais. Lutam em nome do patriotismo quando o verdadeiro objetivo é o domínio imperialista dos povos do mundo.
Como esta, há outras seqüências. A mulher nua gigante que sai do mar, um soldado tocando guitarra com sua metralhadora. São momentos que mostram que delírio mesmo é a guerra declarada pelo Estado de Israel a um povo inteiro. Ao mesmo tempo, tornam claro o fato de que nenhum documentário retrata a verdade tal como ela é. Utilizar animação acaba servindo para denunciar que acreditar nisso é cair na conversa fiada da objetividade do jornalismo empresarial. Algo bastante útil na justificação do uso do poder militar e repressivo.
A opção arriscada pelo desenho animado transforma-se na maior força da produção. E o final em imagens filmadas deixa para trás qualquer dúvida quanto à tragédia que representou Sabra e Chatila. “Valsa com Bashir” é mais um passo importante na produção de documentários que não escondem que têm lado. O da denúncia da exploração e da dominação. 
Sérgio Domingues

FONTE:  MIDIA VIGIADA
SITE: http://midiavigiada.blogspot.com/

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Crimes de Maio

Mães de vítimas protestam contra filme

Mães de vítimas protestam contra filme

Aline Scarso

De São Paulo, da Radioagência NP


maes_maio_salve_geral1 Um ato de protesto marcou a estréia nacional do filme “Salve Geral”, que concorre ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010.  Na cidade de São Paulo, pessoas que passaram pela Avenida Paulista se depararam com velas e com fotografias de jovens assassinados no episódio conhecido como “Ataques do PCC”, que inspira o filme de Sérgio Rezende.

Ednalva Santos conta que o filme não retrata a verdadeira história das mortes. Ela, que teve o filho assassinado com nove tiros disparados por um policial militar, desabafa.

“Eu luto por justiça, eu quero que venha a tona quem matou meu filho. Porque eu já sei quem matou meu filho, mas eu quero que o Estado vá até a televisão e diga para o povo que quem matou meu filho foi ele, foram os agentes do Estado. Nós temos provas, nós temos testemunha”,  protesta Ednalva.

Durante pouco mais de uma semana em maio de 2006, mais de 490 pessoas foram assassinadas. O número chega a ser maior do que foi registrado durante a ditadura militar brasileira, que durou mais de 20 anos.

Pelo menos 400 das vítimas eram jovens e não tinha ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As vítimas eram, na sua maioria, moradores das periferias do capital e do interior paulista.

Ednalva é uma das integrantes da associação “Mães de Maio”, que reúne mães e familiares das vítimas. A associação exige que a Justiça retome as investigações e julgue os culpados. A maioria deles, segundo as mães, são policiais militares. (Foto: Aline Scarso)

Assista o Trailer

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Estado de SP negociou com PCC, acusa o filme "Salve Geral"

 

Trailer Salve Geral - OFICIAL

 

Com estreia nacional programada para o dia 2 de outubro, “Salve Geral”, de Sergio Rezende, promete recolocar em discussão, de forma acalorada, os graves incidentes ocorridos em São Paulo, em maio de 2006. Ao longo de três dias, criminosos atacaram postos policiais na cidade, causando dezenas de mortes e espalhando pânico, enquanto rebeliões tiveram início em dezenas de presídios.
Ação orquestrada pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) em resposta à remoção repentina de cerca de 800 presos da liderança do movimento para a penitenciária de segurança máxima Presidente Venceslau, os ataques de maio de 2006 causaram a morte de 46 agentes públicos, entre policiais civis, militares e agentes penitenciários.
Na recriação ficcional do “dia em que São Paulo parou”, uma atenção especial é dada à negociação, sempre negada pelo governo do Estado de São Paulo, que teria ocorrido entre integrantes da cúpula da Segurança e os líderes do PCC.
No filme, há duas posições divergentes sobre como enfrentar o PCC: de um lado, o diretor de um presídio, que é contra negociar com os presos; e de outro, um policial civil, que apoia a negociação, mas defende um endurecimento da resposta policial nas ruas. O superior destes dois homens manifesta preocupação com a repercussão dos ataques “em ano de eleição” e termina por concordar com a tese do policial.
Os três homens, então, rumam para o presídio de segurança máxima onde estão detidos os líderes do PCC – no filme sempre chamado de “Partido”. Os presos apresentam por escrito às autoridades as suas reivindicações para encerrar a rebelião nas ruas de São Paulo, e os representantes do governo dão a entender que concordam com elas.
A mais alta autoridade do governo na negociação exige que os ataques cessem “em uma hora”. Os líderes do PCC falam da dificuldade em contatar “200 mil pessoas” em uma hora, a não ser que tenham uma cadeia nacional de rádio e tevê à disposição. Na cena seguinte, os quatro presos são vistos numa sala, cada um falando a um telefone celular diferente, pedindo o fim da rebelião.
Numa cena posterior, o policial civil que defende a negociação com os presos e o endurecimento da ação policial nas ruas é visto em uma ronda com um colega na periferia. Ao se aproximarem de dois jovens, que fogem, ele atira e mata os dois. Diante do espanto do colega, ele afirma algo como: se fugiram é porque eram criminosos.
Segundo “O Estado de S.Paulo”, entre os dias 12 e 20 de maio de 2006, na sequência dos ataques do PCC, 493 pessoas foram mortas por armas de fogo; 109 eram criminosos ou suspeitos que a polícia afirma terem reagido à prisão; 89 foram mortos por pessoas não identificadas, com indícios de execução.

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Seja marginal, seja herói

Movimento de vanguarda iniciado no final dos anos 60 volta a ser exibido e discutido pelo público

Movimento de vanguarda iniciado no final dos anos 60 volta a ser exibido e discutido pelo público

09/06/2009

Aldo Gama

da Redação – Brasil de Fato

cinema_marginal Como parte do cenário do show que apresentavam na casa noturna Sucata, no Rio de Janeiro, em 1968, os tropicalistas Caetano Veloso, Gilberto Gil e Os Mutantes utilizavam um dos trabalhos do artista plástico Hélio Oiticica, cuja obra Tropicália dera nome ao movimento musical. No fundo do palco, uma bandeira trazia a inscrição “seja marginal, seja herói”, uma referência ao bandido carioca Cara de Cavalo, que havia sido caçado e morto pela polícia.

No cinema, esse espírito que desafiava a ordem social vigente encontrou sua expressão maior em um grupo de jovens que incorporaram à linguagem cinematográfica referências diversas, como história em quadrinhos e ícones da cultura de massa, e um aprofundamento da pesquisa estética no movimento que ficou conhecido como Cinema Marginal.

Restaurados pela Cinemateca Brasileira, alguns desses filmes vêm sendo redescobertos em festivais no Brasil e pelo mundo. Parte dessas películas está na Coleção Cinema Marginal, da Heco Produções e Lume Filmes, que reúne 38 trabalhos, muitos deles não lançados comercialmente.

Quem tiver de sapato não sobra

Em 1967, Ozualdo Candeias lançou A Margem, seu primeiro longa metragem. Baseado em fatos reais publicados em jornais da época, o filme conta histórias do cotidiano da população pobre que vivia às margens do Rio Tietê, em São Paulo. Na obra, as experimentações do estreante suplantavam apuros técnicos, mas inauguraram uma maneira de encarar a linguagem cinematográfica que influenciou uma série de diretores, sendo por isso considerado o ponto de partida do Cinema Marginal.

O Bandido da Luz Vermelha, dirigido por Rogério Sganzerla em 1968, é, talvez, o trabalho mais conhecido do movimento, tendo conquistado reconhecimento de público e crítica. Outras películas, como A Mulher de Todos (de Sganzerla) e As Libertinas (dividido em três episódios dirigidos por Carlos Reichenbach, Antonio Lima e João Callegaro) também fizeram sucesso comercial.

Para alguns pesquisadores, mais do que inspirado pelo tropicalismo, o Cinema Marginal é a versão cinematográfica do movimento, dialogando com a cultura popular como o cinema brasileiro ainda não havia feito. Em O Bandido da Luz Vermelha, por exemplo, há uma explosão de referências que, na época, foi motivo de censura e conflito, inclusive com os defensores do Cinema Novo. “O terceiro mundo vai explodir. Quem tiver de sapato não sobra”, grita um dos personagens alucinados do filme, seguindo o raciocínio do próprio bandido que, a certa altura pondera: “quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha. Avacalha e se esculhamba”. E ainda faz cinema de vanguarda, como explica o pesquisador Arthur Autran, na entrevista que segue.

Brasil de Fato – Qual a importância do trabalho de restauração e relançamento dos filmes que fazem parte do Cinema Marginal?

Arthur Autran – São obras muito importantes dentro da filmografia brasileira e às quais nós tínhamos pouquíssimo acesso, ou porque as cópias em 35mm circulam muito pouco –ou não circulam, praticamente –ou porque esses filmes são muito pouco exibidos na televisão aberta, embora alguns tenham sido exibidos uma ou outra vez no Canal Brasil. E a maioria também não havia sido lançada em VHS. Então isso vai ampliar a circulação de filmes importantes para o cinema brasileiro.

Alguns diretores rejeitam o termo Cinema Marginal? Haveria alguma explicação sob o ponto de vista de um movimento?

Sim, haveria. Ficou conhecido como Cinema Marginal um conjunto de filmes muito heterogêneo feito, mais ou menos, entre 68 e 73. Alguns recusam esse termo, e é compreensível, porque parece que eles queriam se marginalizar, que não queriam que seus filmes fossem exibidos ou que filmassem em más condições. Por isso preferem outros termos como Cinema de Invenção –que é o título de um livro importante sobre o assunto escrito pelo Jairo Ferreira –, Cinema Experimental, Cinema de Vanguarda. Mas, do ponto de vista historiográfico, o termo mais convencionado é Cinema Marginal.

Seja marginal, seja herói. O movimento se relacionava com a Tropicália?

Com certeza. Havia no final dos anos 60 todo um movimento que via no marginal uma figura romantizada, porque recusava a sociedade como ela se apresentava. Um exemplo é a obra do Hélio Oiticica, baseada no assassinato do bandido Cara de Cavalo, de onde sai esse lema. Mas no campo cinematográfico esse epíteto de "marginal" provocou algumas incompreensões. Há por exemplo toda a ironia do Glauber Rocha ao chamar o trabalho desses diretores de Udigrudi e não Underground.

Mas o movimento se relacionava com o tropicalismo por também ter uma apreensão mais ampla da cultura, absorver os ícones e dialogar com a cultura de massa, exatamente como a tropicália. E existe também uma elaboração estética muito sofisticada. O humor, o deboche, a ironia, uma reação contra o conservadorismo social reinante no Brasil na época e uma certa descrença com relação à política institucionalizada.

Além dessa identificação houve alguma colaboração mais efetiva entre eles?

Nas artes plásticas, por exemplo, o Hélio Oiticica tem toda uma colaboração com o Neville D´Almeida. Já as músicas, algumas são aproveitadas nos filmes e, por sua vez, alguns filmes são citados, explicitamente ou não, em algumas músicas.

Essas obras se contrapunham ao Cinema Novo?

O que havia era uma ruptura. Não exatamente geracional, porque tinham todos uma idade próxima, mas o Cinema Marginal entendia que o Cinema Novo havia abandonado a pesquisa estética em nome de uma tentativa de conquistar um público maior, principalmente na sua segunda fase, a partir de 67 ou 68. Eu acho isso discutível, mas era o entendimento que os integrantes do Cinema Marginal tinham.

O que levava um filme a ser classificado como Cinema Marginal?

Características estéticas muito gerais, mas principalmente o diálogo com as vanguardas cinematográficas de então, a busca por experimentações narrativas, a utilização de procedimentos inovadores, como uma montagem disjuntiva, interpretações não naturalistas dos atores, mas como é um movimento muito heterogêneo, muda muito de filme para filme. O Andrea Tonacci, de Bang Bang, por exemplo, é um diretor de um rigor estético impressionante, com seus enquadramentos, montagem. Já diretores como o Sganzerla trabalham sem tanto preciosismo com o movimento de câmera.

Na época, os cineastas se viam como parte de um movimento?

Sim. Havia um grupo que expressava determinadas idéias estéticas, políticas, uma posição frente ao cinema. De aprofundar a linguagem cinematográfica, de debatê-la.

Era algo regionalizado, como Rio e São Paulo?

Na verdade existiam quatro grupos de produção. Os principais no Rio e em São Paulo, mas também havia um grupo em Salvador, onde estava o André Luiz Oliveira (Meteorango Kid, o Herói Intergalático, de 1969), e em Belo Horizonte.

Quais são os diretores mais emblemáticos do movimento?

Essas escolhas são sempre complicadas, mas podemos citar o Rogério Sganzerla, Júlio Bressane, Andrea Tonacci e Carlos Reichenbach.

É possível estabelecer um momento ou um fato responsável pela criação e o término do movimento?

É difícil estabelecer um fato ou momento, mas os diretores se referiam ao filme A Margem, de Ozualdo Candeias, como uma experiência importante, como inspiração estética, por ser uma produção barata, feita com poucos recursos técnicos e em poucos dias.

E o que marca o fim do movimento?

O endurecimento da ditadura militar. Vários desses diretores saem do Brasil, como o Bressane e o Sganzerla. A censura tem uma ação muito forte, proibindo os filmes e não deixando que circulassem, sufocando o movimento.

O Cinema Marginal é político?

Certamente. Não no sentido político partidário ou de engajamento político explícito. Mas é político porque é um movimento que representa situação política que o Brasil vivia então, uma ditadura militar. É uma expressão de oposição a isso. E também uma expressão de outras formas de cultura, de vida e de expressão cinematográfica, além da dominante.

Como esse cinema era financiado?

Na maioria das vezes, os filmes eram feitos com recursos dos próprios diretores, pois eram muito baratos. Outros tiveram investimento dos produtores da Boca do Lixo paulistana. O Bandido da Luz Vermelha, em parte, foi financiado por esses produtores, A Margem também recebeu algum recurso, A Mulher de Todos, financiado pelo Galante (Galante Filmes)…

Além do Bandido, outros filmes do movimento tiveram sucesso comercial?

A Mulher de Todos e As Libertinas também.

Qual o principal legado do Cinema Marginal?

A importância de manter viva a discussão sobre estética cinematográfica, principalmente sobre o experimental dentro dessa estética. São filmes que até hoje surpreendem pela inovação em termos de montagem, de câmera, a relação entre som e imagem. São inspiradores para cineastas que queiram dialogar com o experimental no campo do cinema. Eles ainda são referência nesse sentido.

Quem é: Arthur Autran é pesquisador e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

A falta de um " OSCAR " para o BRASIL

Enviado por Fernando Zara em 09/06/2009 18:16

Estando a par de todos os movimentos do cinema nacional desde os anos cincoenta, quando menino ( 10/11 anos),fiz uma pontinha no filme " O CANGACEIRO " do Lima Barreto com os aores Alberto Ruschell, Vanja Orico e o Milon Ribeiro nos principai papéis, onde os meninos fogem dos cangaceiros que entram na vila dando tiros em desabalado galope de seus cavalos e os meninos, todos negrinhos e mulainhos, e só eu, de loirinho, pois o Lima queria mostrar a colonização holandesa no nordeste brasileiro e dar mais autenticidade para sua obra-prima, que ganhou em CANNES prêmios de fotografia e música, só mais tarde, nos anos sessenta, o filme nacional " O PAGADOR DE PROMESSAS " da CINEDISTRI e dirigido pelo Anselmo Duarte, acabou conquisando a PALMA DE OURO como vencedor do Festival de Cannes.Mas, daí em diane, apesar de ter tentado várias vêzes a conquista de um galardão do cinema mundial, o Brasil jamais venceu em todas as outras oportunidades em que participou, senão como concorrente não vitorioso.
Portanto, pegunto ( perguntar não ofende )o seguinte:
Já que temos um rico cenário, ótimos interpretes ( Fernanda Montenegro - Central do Brasil ), bons diretores e produção grandiosa, por que é que o BRASIL não ganhou ainda o " OSCAR " , que é a consagração máxima da cinematografia intenacional, apesar de concorrer todos os anos?
Vejo pelo meu ângulo de observador até fanático que sou por cinema, que na minha humilde opinião, penso que não agrada ao Tio Sam o enrêdo das histórias, pois mostram somente filmes que falam em violência e miséria humana dos brasileiros, mostrando o lado feio de nosso país, em vez de se mostrar o lado bonio do Basil, pois o estrangeio já passou por essa fase que nossa nação está passando, é uma fase de transição como os Estados Unidos após o crack da bolsa em 1929 teve de passar, com filmes de gangsters, prostituição,assalto a bancos,tráfico de drogas e bebida alcoólica, sequestros, crimes violentos, polícia corupta e heróica, miséria de desempregados em busca de sobrevivência, arriscando até a vida para obter algum dinheiro, e, depois desse fase feia, veio o esgae da sociedade, mostrando a recuperação do país, mostrando um certo ogulho disto.
Aqui não: depois do plano real que deu chance aos brasileios melhorarem de vida, começaram a mostrar o pior do Brasil, com filmes sôbre favelas e favelados, miséria humana ( Central do Brasil ), a polícia violenta ( BOPE ),e não dão chance para gente inteligente mostrar o lado bom do Brasil, não é mesmo?
Se não mudar o foco a nossa cinematografia vai demorar a ter um filme premiado com o " OSCAR " , pois só tecnologia cinematográfica sem um tema que agrade o público americano e mundial, vai ser dificil…
Acho que o cinema nacional só irá amadurecer para este fato depois que as "panelas" forem desmanteladas a favor de cineastas que sabem que o que eu digo aqui, é a realidade constatada.
Quem sabe se não vai surgir um gênio nesta área cultural do cinema para destacar as qualidades da cionematografia brasileira dentro do contexto universal do momento atual.Estou torcendo para isso acontecer e abrir o portal para o cinema nacional mostrar seu valor Pelo menos a Vera Cruz tentou!
CONAD - Colegiado de Diretoes de Cinema, Televisão, Teatro e Eventos - fundador associado

 

 

Montagem disjuntiva

Folhas de bananeiras são agitadas pelo vento e a câmera mostra ao fundo um casarão. Na cena seguinte, Zezé Macedo, encostada em um pilar e com o olhar angustiado, leva a mão direita à boca. Corta para um homem de smoking perseguindo e batendo em um jovem com um cinto.

“Ai, ai!”

“Vem aqui, bandido!”

“Me larga!”

“Eu vou te ensinar!”

A câmera agora mostra o jardim, onde o jovem surge de cueca chorando.

“É uma vergonha para a família! Um bestalhão!” – Grita o homem de smoking da sacada do andar superior.

Trecho de Os Monstros de Babaloo, escrito e dirigido por Elyseu Visconti em 1970 e que ficou proibido pela censura por 10 anos.

Várias imagens são apresentadas em uma montagem ágil, como uma colagem. Luminosos, pessoas caminhando pelas ruas e o bandido, interpretado pelo ator Paulo Villaça, dirigindo pela cidade.

“Tenho 26 anos. Vivo de roubo e empréstimo dos amigos. Posso dizer de boca cheia: eu sou um boçal”.

Trecho de O Bandido da Luz Vermelha, escrito e dirigido por Rogério Sganzerla em 1968.

Angela Carne e Osso, vivida por Helena Ignez, convida um homem a entrar no carro.

“Pode entrar”.

O homem entra enquanto ela cantarola um verso da canção Se Você Pensa, de Roberto Carlos.

“Daqui pra frente…”

Angela dirige em silêncio por alguns segundos. Homem que os segue tira fotos. Ela sorri.

“Você acredita em Deus? Deus existe? O que que você faz na vida?”

“Sou um duro! Mas nem dinheiro pro ônibus eu consegui hoje. Faz umas três horas que eu to aqui nessa estrada esperando uma carona. Mas só passa família. Passa tudo lotado.”

“Você fez nudismo? É ótimo para a pele e os nervos. Men sana in corpore sano. Que vai fazer no fim de semana?”

“Boqueirão ou Praia Grande.”

“Já foi à Ilha dos Prazeres? Quer ir comigo à Ilha dos Prazeres? Dos prazeres extremos?”

Entra voz do locutor em off:

“É um weekend de um medíocre e uma vampira histérica.”

Trecho de A Mulher de Todos, escrito (baseado em argumento de Egídio Eccio) e dirigido por Rogério Sganzerla em 1969.

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‘Mataram Irmã Dorothy’ estreia sexta-feira(17) nos cinemas

O filme trata do brutal assassinato da freira americana em Anapul, no Interior do Pará, e revela bastidores do controvertido julgamento

O filme trata do brutal assassinato da freira americana em Anapul, no Interior do Pará, e revela bastidores do controvertido julgamento

16/04/2009 - Por Brasil de Fato

http://www.theykilledsisterdorothy.com/

A partir do próximo dia 17 de abril, nos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belém, estreia o documentário “Mataram Irmã Dorothy”. O título trata do brutal assassinato da freira americana Dorothy Stang, 73 anos, morta com seis tiros, em 2005, em Anapu, no
interior do Pará.

Narrado pelo ator Wagner Moura, o filme revela bastidores do controvertido julgamento dos assassinos da missionária americana, que teve novos desdobramentos na última terça-feira, quando a justiça anulou o caso e pediu a prisão de Vitalmiro Bastos, o Bida, apontado como suposto mandante do crime.

O longa-metragem, de 94 minutos, também investiga as razões da morte da freira, bem como sobre os verdadeiros mandantes do crime. Ano passado, “Mataram Irmã Dorothy” venceu o Prêmio do Público e Grande Prêmio do Júri no Festival South by Southwest; recebeu menção honrosa do júri no FIC Brasília; e participou das seleções oficiais do Festival do Rio e Mostra Internacional de São Paulo.

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Do heroísmo de Henri Alleg à Legalização da tortura, num filme comovente

Televisões francesas transmitem um filme de choque: ”Henri Alleg, o homem de La Question ”

Televisões francesas transmitem  um filme de choque: ”Henri Alleg, o homem de La Question ”

06/04/2009 - Por Brasil de fato

Miguel Urbano Rodrigues

Cinema
Do heroísmo de Henri Alleg à Legalização da tortura

Com poucas exceções, os grandes media ignoraram a iniciativa, porque o tema é incômodo para os detentores do Poder, conscientes de que as novas gerações assimilaram da história das guerras coloniais da França a visão distorcida que dela apresentam os manuais escolares.

O filme de Christoffe Kantcheff, muito belo, é mais literário do que político, mas provocou mal-estar no Governo de Sarkozy e no Alto Comando do Exército por recordar que a tortura foi uma prática rotineira durante a Guerra da Argélia.

Para avivar a memória dos franceses deste início do século XXI, Kantcheff funde passado e presente, numa obra em que a leitura de passagens de “La Question”, num cárcere imundo, por um grande actor contemporâneo, alterna com o testemunho de Alleg que, ao responder a jovens que o cercam numa sala de conferências, evoca hoje as torturas a que foi submetido.

Publicado no auge da guerra da Argélia em 1958, “La Question” – palavra que a Inquisição utilizava na Idade Media para designar a tortura – foi apreendida, mas a vaga de emoção e escândalo desencadeada pelo livro varreu a França.

Dois Prêmios Nobel, Roger Martin du Gard  e François Mauriac e  dois grandes escritores, Jean Paul Sartre e André Malraux , assinaram então um documento, exigindo do governo francês uma resposta às gravíssimas denúncias de Alleg, torturado pelos paraquedistas do general Massu.

Traduzido em 30 línguas, o livro correu pelo mundo e a indignação suscitada pelas revelações nele contidas, ao enlamearem a imagem de honra cultivada pelo Exército francês, contribuíram para apressar o fim da guerra suja e criminosa da Argélia.

Mas numa época como a nossa de desinformação e perversidade midiática em que jovens franceses, na resposta a inquéritos de opinião, afirmam que a URSS foi aliada da Alemanha nazi durante a II Guerra Mundial, não é surpreendente que ignorem os crimes cometidos nas guerras coloniais do seu país.

É portanto compreensível a emoção suscitada pelo filme de Kantcheff. Milhares de telespectadores ouviram com um sentimento de angústia Henri Alleg ao lado do edifício da antigo centro de terror de El Biar, onde foi torturado barbaramente pelos oficiais da 10º Divisão de paraquedistas, contar estórias de horror que se diria terem ocorrido numa terra inimaginável.

E contudo elas foram bem reais. Essas coisas aconteceram há cinquenta anos.

Henri Alleg, preso por defender como director do diário “Alger Republicain” (já então proibido e encerrado), o direito do povo muçulmano argelino à autodeterminação, foi tratado como um animal por oficiais franceses que o submeteram a torturas que figuravam nos manuais da Gestapo hitleriana.

E a tudo resistiu. Não falou quando lhe aplicaram choques elétricos na boca e no sexo, e calado permaneceu quando o penduraram de cabeça para baixo, como se fora um porco depois de abatido. Resistiu inclusive à injeção do pentotal, o mal chamado “soro da verdade”.

Neste tempo de crise de civilização, em que os detentores do poder glorificam a religião do dinheiro e tudo fazem para reescrever a Historia, é reconfortante escutar a palavra de Henri Alleg. Como revolucionário e comunista, ele sentiu, depois de transferido de El Biar para a prisão.

Barberousse, que era seu dever levar ao conhecimento do povo francês o que se passava naquele centro de horrores. E decidiu escrever não um simples folheto sobre a sua experiência pessoal, mas “La Question”, o livro que se tornaria com os anos best seller mundial.

Utilizando um caderno em que teoricamente preparava a sua defesa, conseguiu fazer sair do presídio, por mãos de advogados vindos de França (alguns assassinados pelos fascistas da OAS), quatro folhas de cada vez, em letra miudinha, o texto que pouco a pouco ia redigindo, iludindo a vigilância dos guardas.

Não foi, aliás, por acaso que o Partido Comunista Português, então na clandestinidade, distribuiu o livro aos seus militantes, em edição copiografada, por ver em Alleg exemplo de comportamento exemplar de um comunista preso e torturado.

O filme de Christophe Kantcheff procura sobretudo iluminar o homem e a sua coragem, como paradigma do heroísmo individual. O combatente revolucionário aparece esbatido, o que é pena.

Não creio que qualquer dos canais portugueses de televisão o inclua na sua programação. O tema da guerra colonial também em Portugal continua a incomodar aqueles que aqui exercem o poder econômico e o político.

É difícil esquecer que nem um só dos oficiais paraquedistas que torturaram Henri Alleg em El Biar foi punido pelos seus atos criminosos. Todos foram promovidos posteriormente de acordo com a antiguidade e alguns condecorados por serviços à pátria.

Sucessivos governos da França e o alto comando do seu Exército não reconheceram até hoje a prática da tortura durante a guerra da Argélia.

É útil esclarecer que no filme de Kantcheff, Alleg, estabelecendo uma ponte entre o passado e o presente, sublinha, dirigindo-se aos jovens que o ouviam, que a tortura no mundo atual não somente permanece como em alguns países tem cobertura institucional. E cita os casos dos EUA e de Israel. No primeiro, o Congresso, sob proposta do ex-presidente George Bush, aprovou uma lei que autoriza certas formas de tortura (algumas foram rotineiras em Guantanamo e no presídio iraquiano de Abu Ghraib). No tocante a Israel, generais sionistas reconheceram que, em 2006, durante a guerra de agressão ao povo do Líbano, utilizaram, com aprovação oficial, manuais das SS nazis.

Senti que deveria escrever estas linhas ao ver “Henri Alleg, l’homme de La Question”. É para mim motivo de orgulho que o autor de Mémoire Algérienne me inclua entre os seus amigos.

Uma longa vida abriu-me a possibilidade de conhecer e por vezes trabalhar com grandes revolucionários do século XX. Em Henri Alleg identifico um dos mais puros e autênticos comunistas que conheci.

*MIguel Urbano Rodrigues é jornailsta e escritor português

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