Arquivo de Cultura

Cantor sertanejo Pena Branca morre aos 70 anos

Pena Branca foto 2-thumb O cantor sertanejo José Ramiro Sobrinho, conhecido como Pena Branca, morreu aos 70 anos no início da noite de ontem, em São Paulo, de acordo com o Serviço de Verificação de Óbitos da Capital. Pena Branca, que tinha quase 50 anos de carreira, teve um infarto em casa e foi levado para o Hospital São Luiz Gonzaga, mas não resistiu.

Pena Branca iniciou sua a carreira artística em 1961, com a dupla Pena Branca e Xavantinho –seu irmão, que morreu em 1999. Há dez anos, ele seguia uma carreira solo elogiada. Em 2001, recebeu o Grammy Latino de melhor disco sertanejo por "Semente Caipira", trabalho idealizado quando Xavantinho ainda era vivo. O disco traz três composições de sua autoria: "Papo Furado", "Casa Amarela" e "Rio Abaixo Vou Viver".

Seu segundo disco solo, lançado em 2002, recebeu o nome de "Pena Branca Canta Xavantinho" e tem músicas de Renato Teixeira, Chico Lobo, Xangai, Paulo Sérgio Santos e Nivaldo Ornellas.

Relembre os discos lançados por Pena Branca

Conhecido pela dupla sertaneja que formou com o irmão, Xavantinho, o cantor Pena Branca fez história na música sertaneja brasileira e no cancioneiro caipira.

Veja a seguir os principais álbuns lançados pela dupla e por Pena Branca em sua carreira solo, iniciada após a morte do irmão, em 1999:

- "Velha Morada" (1980)

- "Uma Dupla Brasileira" (1982)

- "Cio da Terra" (1987)

- "Canto Violeiro" (1988)

- "Cantadô de Mundo Afora" (1990)

- "Renato Teixeira e Pena Branca e Xavantinho - Ao Vivo em Tatuí" (1992)

- "Violas e Canções" (1993)

- "Riberão Encheu" (1995)

- "Pingo d’Água" (1996)

- "Coração Matuto" (1998)

Carreira Solo

- "Pena Branca Canta Xavantinho" (2002)

- "Semente Caipira" (2000)

(Folha Online)

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A privatização do Carnaval Popular

Escrito por Raymundo Araujo Filho

12-Fev-2010 – Correio da Cidadania

 Brahma camarote

Os blocos só podem sair se estiverem inscritos na prefeitura e "abraçados" pela empresa (cervejaria) que "gratuitamente" distribui suas camisetas e põe sua marca por toda sua extensão. O Rio, com a corporativização financeira do carnaval de rua, começa a sofrer algo já usual em Salvador, que são as "áreas Vips" em lugares privilegiados no bloco, estratificando assim foliões de primeira e segunda categoria. O Rio este ano é uma grande Onda Azul, cor de conhecida marca de cerveja.

Sem querer estragar a festa e nem botar água no chopp de ninguém, não posso deixar de abordar o que acontece, agora de forma avassaladora e cruel, no Rio e Janeiro (não só no Rio), com a tentativa de renascimento do Carnaval Popular de rua, que andou muito adormecido durante algum tempo, mas que foi reerguido à custa de pequenas articulações para a formação de Blocos de Rua. Trata-se de clara reação à ideologia do Carnaval "indoor" (em clubes) ou eventos de grande magnitude como o Desfile das Escolas no Sambódromo.

Ainda na década de 70 (o viço da juventude suplantava até os tempos pesados da ditadura militar), eu participava da formação de um pequeno bloco de rua, em Copacabana, com o nome Charme da Simpatia. Mais ao final desta década de 70, lembro-me de ter participado de uma pequena concentração na subida do Cristo Redentor, em um recuo da pista, que deu origem ao Bloco Sovaco do Cristo. Na emblemática Rua General Glicério, no bairro de Laranjeiras, sempre houve uma movimentação local de ocupação da Praça Comunitária de lá. O Bloco das Carmelitas, no Bairro de Santa Tereza, e o Comuna Que o Pariu (da juventude comunista do PCB, que sai na Cinelândia) veio no bojo destas iniciativas descentralizadas e comunitárias, para um retorno ao Carnaval de rua e popular.

O próprio Bloco do Barbas, organizado pelo Nelson Rodrigues Filho (filho do teatrólogo Nelson Rodrigues), fez parte daquele ressurgimento de um Carnaval não identificado com as empresas, com o lucro comercial e "de marcas" ("merchandising"). Além de centenas de experiências comunitárias e de pequeno vulto, tradicionais dos subúrbios cariocas, os quais freqüentei desde criança.

Assim, ao lado de experiências emblemáticas, porém já de vulto, de que a Banda de Ipanema é a maior expressão, o Carnaval do Rio na década de 90 e início do século 21 tinha uma série de eventos de rua realmente populares, organizados e financiados comunitariamente, que passaram a chamar a atenção e aumentar o número de foliões, denotando a liberdade tão encarnada pelo carnaval, que marcava posição no Rio, tal e qual a percussão dos bumbos e surdos das escolas de samba marcam a sua presença, anunciando os sambas enredos.

Desta forma, recuperaram-se as composições de marchinhas e sambas dos blocos, com a forte tradição carioca da crítica política e dos costumes, trazendo o Carnaval para reencontrar as suas melhores tradições populares.

Mas, "O Tempo Passou ô ô / E no terreirão da casa Grande / Negro diz tudo o que pode dizer…" (famoso samba enredo da Portela em 73) . Porém, sob a vigilância dos senhores de engenho, como sabemos.

Assim, estes eventos populares reconstruídos, sob uma ideologia não comercial e mais comunitária, se multiplicaram e passaram a ser alvo, a partir da gestão conservadora de Cesar Maia, do que hoje conhecemos como Choque de Ordem (aliás, César Maia já usava este nome), além da institucionalização de espaços públicos, através de patrocínios licitados, como foi o Terreirão do Samba no Centro do Rio.

Os famosos ensaios das Escolas de Samba, em seus espaços próprios, já vinham sendo patrocinados, em geral por cervejarias, colando o "merchandising" nesta ou naquela escola, expropriando, a meu ver, a espontaneidade destas, que sempre foram financiadas pela contravenção do jogo do bicho, mas ao menos sem marcas registradas e expostas junto aos seus estandartes.

Inicia-se, então, um processo de "organização da bagunça", com uma série de regras e tal, como se fosse a preparação para o surgimento "salvador" de empresas que passaram a concorrer em licitações, vejam só, para "patrocinar" o Carnaval de Rua – que foi constituído sem precisar de patrocínio algum, ou marca nenhuma exposta em suas camisetas.

Passado alguns anos desta privatização e corporativização do Carnaval de Rua, com seus blocos populares, chegamos neste 2010, onde a experiência, a meu ver, chega em seu auge.

Os blocos só podem sair se estiverem inscritos na prefeitura e, por conseguinte, "abraçados" pela empresa (cervejaria) que "gratuitamente" distribui suas camisetas emblemáticas e põe sua marca em claro "merchandising", por toda a extensão do Bloco, desde o carro abre alas ao último estandarte. Em troca, distribuem pelo trajeto os tais "banheiros químicos", que a prefeitura, em vez de bancar (afinal, é para isso que existe prefeitura, né?), coloca na licitação, para ficar a cargo das empresas ganhadoras, aliás, da empresa ganhadora.

Depois, pelo crescimento dos blocos, em vez de se criarem muitos outros comunitariamente, deixando os grandes blocos a cargo dos mais tradicionais, os problemas urbanos se sucedem e avultam, com grave dicotomia entre os interesses dos moradores por onde passam e o povo em alegres farândulas. O Rio, com a corporativização financeira do carnaval de rua, começa a sofrer algo já usual em Salvador (Bahia), que são as "áreas Vips" - e bem pagas - em lugares privilegiados no bloco (o tradicional Cordão do Bola Preta acaba de fazer isso), estratificando assim foliões de primeira e segunda categoria (e quem sabe terceira).

A uniformização dos blocos com as camisetas iguais que expõem a marca patrocinadora é outro problema que avacalha o visual plural do carnaval. O Rio este ano é uma grande Onda Azul, cor de conhecida marca de cerveja que anuncia seu produto expondo mulheres como carne de tendal, para deleite da masculinidade trôpega dos machões brasileiros, e para deleite dos que vêem o Carnaval como oportunidade para o sexo comercial (nada contra, moralmente falando, mas esta ideologia atinge jovens de tenra idade, notadamente as nossas brejeiras adolescentes).

Como pano de fundo, e em contraste ao Carnaval da zona sul carioca, persistem experiências comunitárias nos subúrbios do Rio, onde desfrutarei um ou dois blocos verdadeiros e não patrocinados, que sem dinheiro algum e nem propaganda na TV fazem o melhor do carnaval carioca.

Evoé Momo!

Raymundo Araujo Filho é médico veterinário, homeopata e feroz opositor, à esquerda, do Lullopetismo, tão pernicioso quanto igual aos neoliberais clássicos do Brasil.

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Chico Science: O vidente do Recife

Exposição revive o universo criativo de Chico Science, 13 anos após sua morte
"A responsabilidade de tocar o seu pandeiro é a responsabilidade de você fazer-se inteiro." Os versos de Samba Makossa, escritos por Chico Science no início dos anos 1990, simbolizam a relação dele de entrega com a música e de envolvimento com o processo criativo como um todo. Hoje, exatamente 13 anos e dois dias após o acidente que o matou no Recife, entre tantos outros objetos pessoais do compositor, como cadernos com os primeiros rabiscos e ideias de mapa e arranjo para Samba Makossa, estarão na Ocupação Chico Science, no Itaú Cultural (Av. Paulista, 149, tel. 3251-0696) de hoje a 4 de abril.


Já não era sem tempo que uma exposição desse porte, numa cidade como São Paulo - depois de pequenas manifestações isoladas e confinadas no Recife, terra de Chico -, jogasse luz ao mesmo tempo no lado mais humano e no universo criativo da "linha de frente" de um dos estopins do movimento mangue beat como vocalista da Nação Zumbi, banda responsável pela última mudança significativa nos rumos da música brasileira.
Para isso, diferente das ocupações anteriores no Itaú Cultural, como as de José Celso Martinez Corrêa e Paulo Leminski, a instituição contou com uma espécie de curadoria coletiva, capitaneada pelo núcleo de comunicação, com Ana de Fátima Sousa, envolvida com a efervescência cultural recifense da década de 1990, e o núcleo de música, com Edson Natale.
Definido o personagem da ocupação no meio de 2009, os dois recorreram à ajuda das duas pessoas mais gabaritadas a colaborar: Paulo André Pires, produtor que abriu as portas do exterior para a Nação Zumbi, e colecionador inveterado de materiais relacionados à banda daquele período; e Goretti França, que conhece como poucos o acervo pessoal do irmão Chico, já que em seus dois últimos anos de vida ele dividiu o apartamento 302, na Rua Joaquim Nabuco, 507, no bairro das Graças, no Recife. "Essa ocupação deu outra cor ao dia 2 de fevereiro, ela escondeu a memória triste. Não sei se foi pela forma com que o Itaú Cultural conduziu a exposição, sempre com muita participação da gente. Tenho um sentimento bom, o Chico era uma pessoa de muita festa. Tenho muita saudade dele, mas das coisas boas", diz Goretti.
Em relação aos objetos expostos, todos remetem ao universo pessoal e criativo de Chico. Logo na entrada, os visitantes dão de cara com um Landau exuberante, integrado ao cenário, exibindo no vidro dianteiro uma projeção de um passeio por Recife. O compositor tinha um carro do mesmo modelo, deixado em casa no dia de seu acidente, quando ele dirigia o Fiat Uno de sua irmã. Ao lado do Landau, uma parede grafitada pelo jovem recifense Derlon, com muitas referências ao mangue. Monitores com fotos de Chico, HQs da dupla Dolores&Morales, imagens de influência do compositor, como Antonio Conselheiro, Lampião, Zapata, Zumbi dos Palmares, caranguejos e parabólicas em formato de ímãs que serão colados em uma geladeira, obras de artistas plásticos amigos do homenageado, como Félix Farfan, Evêncio, Fernando Peres e Juliana Notari, cartazes raros dos primeiros shows da Nação em festivais estrangeiros, crachás de identificação das apresentações e uma linha do tempo com os principais fatos da carreira, feita por Paulo André ainda em 1997, após a morte de Chico.
Além do grosso da exposição, que enfoca predominantemente o universo criativo do compositor, tudo segue um caminho até chegar a um pequeno ambiente, ligado mais a objetos pessoais de Chico, como uma roupa desenhada por dona Rita, mãe do músico, um case de CDs com o que ele estava ouvindo na época de seu acidente, um troféu representado por um boneco estilizado com seu rosto, um marinheiro, e a preciosidade de quatro cadernos, que ficam guardados em pequenas gavetas, contendo anotações e esboços de Chico desde o começo da década de 1990. "Ele tinha uma dinâmica com os objetos que eu conhecia muito bem o significado e o contexto. Por exemplo, ele tinha um marinheiro que chamava de seu "anjo da guarda" e uma sereia que ele dizia ser sua namorada", diz Goretti.
De extrema importância para a ocupação é também o site (http://www.itaucultural.org.br/ocupacao) desenvolvido justamente para não limitar a exposição ao espaço físico do prédio do Itaú Cultural. "Assim, mesmo quem não for de São Paulo, poderá conhecer um pouco mais do universo de Chico", diz Ana de Fátima Sousa. (Lucas Nobile - Agência Estado)

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Desde que o Funk é Funk é assim

Postado: Núcleo Piratininga de Comunicação

Por Leonardo Pereira Mota (M . C . Leonardo )*]No último sábado, dia 10 de janeiro, o Circo Voador (casa de show do Rio de Janeiro localizada na Lapa) foi vítima de mais um ato de perseguição cultural por forças policiais e políticas de nossa cidade.

Ainda está em vigor uma lei que praticamente impossibilita a realização de bailes Funk em no Rio</PERSONNAME /> de Janeiro. Esta lei é de autoria do ex-Capitão da Polícia Militar, ex-Chefe da Polícia Civil de nosso estado, ex-Deputado estadual e atual encarcerado em Bangu 8, o Sr. Álvaro Lins.

Nos últimos meses tenho tentado de tudo para fazer com que esse absurdo tenha um basta. Fui, como presidente de uma associação de trabalhadores (APAFUNK), aos gabinetes de alguns deputados na ALERJ e saí de lá com a absoluta certeza de que eles aprovaram uma lei sem ter noção do que estavam aprovando. Milhares de pais de famílias estão proibidos de trabalhar dentro da lei, já que uma coisa é regulamentar e outra é impossibilitar. Existe hoje uma proposta de modificação desta lei, feita pelo Deputado Paulo Melo, e nós estamos torcendo e nos mobilizando para que seja efetivada em breve.

Tenho certeza de que o Sr. Álvaro Lins sabia o que estava fazendo, já que ele esteve em vários segmentos de nossas polícias. Como o Funk em nosso estado sempre foi tratado como caso de policia e não de cultura, os outros deputados confiaram em sua “vasta experiência” e aprovaram o absurdo. Proibir o Funk de ser tocado no Rio é como proibir a Timbalada na Bahia ou o Forró na Paraíba, o Reggae no Maranhão e por aí vai. O Funk emprega milhares de pessoas, está em todos os cantos desta cidade (tanto nos morros como fora deles), tem que ser tratado com respeito e incentivado como qualquer outra expressão cultural popular de nosso pais. Esse tipo de atitude só faz aumentar as possibilidades de extorsão e corrupção em eventos culturais que toquem Funk.

Para o Funk, por incrível que pareça isso foi bom, porque só com uma lei que mostre o que a polícia fez e faz com o movimento Funk ao longo de mais de 30 anos é que podemos discutir o assunto em um debate muito sério envolvendo todas as partes.

A lei do Sr. Álvaro está determinando uma participação direta da Policia Militar em eventos de bailes “tipo Funk” e exije que seus produtores peçam autorização com antecedência de 30 dias úteis, sendo que a polícia tem até 8 dias antes do evento pra autorizar ou não a sua realização.

Como é que esses produtores contratarão profissionais para um evento que eles não sabem se vai ser autorizado? Pra que serve o alvará da prefeitura? Não é ela que determina quem tem ou não condições de fazer algum tipo de evento em nossa cidade?

Mesmo que queiram fazer valer a lei, ela não proíbe o Funk de ser tocado em lugar nenhum. No caso do Circo Voador, a lei, mesmo sendo absurda, não pode ser aplicada, pois lá não é exatamente um lugar que estão usando pra fazer um baile Funk, o Funk está lá como mais um ritmo entre tantos tocados naquela casa.

Quero aqui avisar a todos os interessados que organizadores de eventos estão sendo chamados em batalhões de polícia para serem informados de que Funk não pode e nem deve ser tocado, nem mesmo em intervalos de qualquer show, sob pena de terem seus eventos embargados, e não é isso que a lei diz.

A mesma lei também cria impedimentos para a realização de festas Raves. Na sua interpretação particular, a polícia não pode ouvir musica eletrônica em lugar nenhum que diz está proibido.

A Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (APAFUNK) está atenta sobre esse assunto e já está tomando algumas providências, como lutar pela legitimidade do Funk como cultura. E o que seria isso? Uma lei que reconheça o Funk como cultura musical de caráter popular em nosso estado. E essa luta envolve uma classe de trabalhadores e trabalhadoras de diversos setores do mercado Funk.

Leia em http://oicult.blogspot.com/

Não podemos ficar parados e não vamos ficar. Estamos prontos para qualquer debate, em qualquer local, com qualquer autoridade política ou policial para não só ouvir (como é de costume deles, que nos chamam em batalhões para só falarem), mas para falar “cara a cara” o que sofremos todos esses anos por sermos “agentes culturais do Funk”.
*Cantor, compositor-Presidente da APAFUNK e colunista da revista Caros Amigos. Além de ser arbitrária, preconceituosa e inconstitucional, a lei está sendo mal interpretada por autoridades que se dizem querer fazê-la valer de modo absurdo. E eu vou dizer por que.

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Fotógrafos registram a influência africana em cenas do cotidiano

 

 

ATÉ 06 DE JANEIRO DE 2010
10h00 às 17h00 - São PauloVeja uma exposição diferente na cidade de São Paulo. Fotos de amadores e profissionais poderão ser vistas, tanto pelas pessoas que estão dentro, como fora do Museu Afro Brasil (região sul): são 101 cliques fixados nas janelas.
Os trabalhos integram o concurso fotográfico "África em Nós", que teve como mote o registro da influência africana em cenas do cotidiano brasileiro –o vencedor foi Ulysses Martins Moreira Neto.
A Secretaria de Estado da Cultura, organizadora do evento, recebeu mais de 7.000 fotos, selecionadas por uma comissão de jurados encabeçada pelo fotógrafo Walter Firmo.
Há ainda informações sobre o Brasil e a África no site www.africaemnos.com.br , também usado para que o público escolhesse a sua imagem preferida por votação online.
LOCAL DA EXPOSIÇÃO: Museu Afro Brasil - pq. Ibirapuera - av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº, portão 10, Parque Ibirapuera, região sul, São Paulo, SP. Tel.:0/xx/11/5579-0593. Ter. a dom.: 10h às 17h.Até 6/1/10. Grátis. Classificação etária: livre.

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Hip-Hop pra fazer Revolução

 

lutarmada O coletivo de hip-hop “Lutarmada” tem forte atuação ao lado dos explorados e oprimidos. Suas músicas denunciam todo o tipo de discriminação, exploração e alienação. Um dos grupos que formam o coletivo é "O Levante", que acabou de lançar o CD "Temeremos mais a miséria do que a morte". As letras são explícitas em sua opção pela luta popular e, sem qualquer vacilo, pela revolução. Leia a entrevista que um de seus integrantes nos deu. É o Gas-PA.

Como, onde e quando surgiu o coletivo? Quais são seus objetivos?

Surgiu em um morro da zona norte do Rio, em 2004. Nosso objetivo é, através da arte e de outras formas de entretenimento, incentivar na juventude de bairros periféricos a reflexão e interferência na realidade que ela vive. São oficinas artísticas, exibição de filmes e eventos culturais, como o anual Hip-Hop Ao Trabalho, que acontece todo 1º de maio, em Costa Barros. Nós montamos a estrutura, a comunidade vem curtir o evento que, além de música, tem BMX, Trançagem - para as pretinhas terem a chance de perceber que não precisam babar ovo das brancas para serem bonitas - dança, graffiti, vídeos e recebem o nosso manifesto do Hip-Hop ao trabalho, que é escrito com uma linguagem bem apropriada para aquela população formada em sua grande maioria por analfabetos funcionais. Se a burguesia se utiliza dessas ferramentas pra dominar, usaremos pra mobilizar.

No CD "Temeremos mais a miséria do que a morte", de O Levante, vocês defendem a revolução como saída? Que tipo de revolução seria?

A total transformação da sociedade. Na mais profunda raiz. Não deixando de pé a mais-valia, o racismo, o machismo, as concentrações agrária e imobiliária, a herança, a propriedade privada de todos os meios de produção e de comunicação. Por aí.

Vocês dizem que o microfone é sua arma? A música pode revolucionar?

Contribuir para a revolução, sim. Para manter sua hegemonia a classe dominante tem a igreja, a escola, jornais, revistas, TV, polícia, Forças Armadas…e música. Já fui ingênuo o suficiente pra acreditar que só com a música eu estaria contribuindo enormemente para a revolução. Agora não dá mais pra eu pensar assim. A música de O Levante e dos outros grupos que formam o Lutarmada são apenas uma trincheira na guerra de posições. Tanto é que nossa militância dá-se muito menos nos palcos e nos estúdios do que na pista. Enquanto eu escrevo isso, tem gente do Lutarmada na greve dos professores do estado. Já marchamos pro DF em defesa da reforma agrária, já ocupamos usina que emprega mão-de-obra escrava, já teve gente nossa ocupando prédio abandonado…à esquerda e avante.

Como vocês estão vendo toda essa violência contra os pobres no Rio, em outras grandes cidades e no campo?

Sistemática, funcional, classista.

A música "Luta pelo amor, amor pela luta" fala de uma mulher militante. Um marxista inglês disse uma vez que a liderança revolucionária ideal teria que ser mulher, jovem, negra e homossexual. O que vocês acham disso?

Esse é o modelo de vítima de todas as formas mais freqüentes de opressão da nossa sociedade e, portanto, com mais elementos para a indignação, eu sei. Só que no caso dessa música eu não pensei nisso. Essa é uma história de amor que, por mais que pareça bizarra, foi verdadeira. E ela é mulher, jovem, preta, sim. mas só isso.

De quais movimentos sociais vocês participam?

Frente de Luta Popular (FLP) e uma rede de educação popular que, no Rio, é formada, além de nós, pelo MST, MTD e a Pastoral da Criança.

Quais os contatos para adquirir o CD e para apresentações?

O CD "Temeremos mais a miséria do que a morte", do grupo “O Levante”, está à venda: no Rio, na Livraria Kitabu (Rua Joaquim Silva 17, Lapa), na Universo Music (Mercado Popular Uruguaiana, Quadra D, 478, em frente à Rua da Alfândega) e Plano B (Rua Francisco Muratóri, 24, Lapa, próximo à ocupação Carlos Marighela). Em Brasília, na Só Balanço que fica no SDS bloco A, 41, Box 82, Condomínio Boulevard. Quem está fora do Rio de Janeiro pode solicitar o CD pelo correio eletrônico: lutarmada@yahoo.com.br.

FONTE:  REVOLUTAS

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Movimento hip-hop busca rearticulação e trabalho social

 

Movimento hip-hop da Grande Curitiba coloca em pauta o trabalho com a juventude e a necessidade de articular os grupos com o trabalho social e militância

 

Pedro Carrano,

de Piraquara (PR) – Postado: Brasil de Fato

hip_hop A imagem próxima da Serra do Mar. O centro de Piraquara, feito de casas de muros baixos, casarões antigos e abandonados, uma tranqüilidade que quase confunde e destoa da imagem da Região Metropolitana de Curitiba, geralmente marcada pela violência, pela exclusão extrema, apesar de resultado do planejamento urbano da capital. Os vagões da corporação América Latina Logística (ALL) cortam por ali, carregando mercadorias de transnacionais como a Bunge, para contornar várias regiões da periferia, oferecendo risco aos moradores e ações de despejo às margens dos trilhos.

A região de Piraquara não foge à regra. Também esconde bolsões e vilas, em contraste com a imagem de capital modelo para o resto do país. No domingo (dia 22 de novembro), cerca de 12 grupos do movimento hip-hop, dos quatro cantos de Curitiba, promoveram um evento cultural, dentro de uma modalidade do rap e do grafite que continua apostando nas letras de conteúdo político. E na inserção social.

Quem estava ali pode ser considerado sobrevivente, em vários sentidos. O encontro contou com a presença de uma geração com pelo menos 10 anos de estrada no hip-hop curitibano, quando o movimento despontou na cidade com um discurso forte sobre o “quinto elemento” do hip-hop, o trabalho social. Naquele momento, esta geração pautou a mídia corporativa, apresentando uma juventude excluída que os setores médios curitibanos julgavam inexistente. É o caso dos grupos Artivistas, Cre Rapper, Will Capa Preta, Aliados Linha de frente, todos se reencontrando.

“Eu também, de jovem, tinha esta sede de justiça”, exclama “Digão”, do grupo Aliados Linha de Frente – auxiliar de produção, desempregado e “empregado a partir do dia primeiro”, como diz. Ele lembra o início de todos eles: um espaço nos shows antes da entrada no palco dos Racionais. Uma geração inteira formada nas letras do grupo de São Paulo.

Hoje organizam-se nacionalmente no Movimento Hip Hop Organizado do Brasil (MH2O), ao lado de outros 14 estados. Os grupos participam também na construção da Assembleia Popular de Curitiba.

Neste meio tempo, este hip-hop, mais comprometido, passou por dificuldades. Houve um descenso. Cooptações e desistências. Alguns resistiram. Uma das barreiras? A violência, a bebida e o crack, que avança sobre esta juventude. No encontro, cerca de quarenta pessoas reunidas. Pouco ainda, mas o objetivo ali era o trabalho com a juventude. E isto quis dizer criar um espaço para as crianças da comunidade. “O público que queremos atender são os jovens, trabalhar na parte de prevenção e informação, para que futuramente sejam militantes das nossas causas. Tentamos passar uma linha de hip-hop mais social e política, em prol de uma causa. O hip-hop é uma cultura americanizada, mas que teve um contexto de protesto. Por isso trabalhamos com informação política e responsabilidade social e ambiental, para mudar algo neste país”, afirma “Julião”, do grupo Aliados Linha de Frente.

O jovem "Cré Raper" hoje trabalha com o estilo de rap gospel. Ele admira e conhece os experimentalismos da nova geração do rap (misturas com o samba, rock), e demarca posição na relação entre hip-hop e a luta social. “Estamos na cena desde 1997, muitas coisas mudaram, inclusive a questão da ação social dentro do hip-hop, alguns grupos se identificam mais, outros estão fazendo shows para fora do Estado. (…) A coisa se profissionalizou. Encontros como este de hoje são oportunidade de ver que o hip-hop tem a essência de Tiradentes, Malcom-X, Che Guevara, Jesus, esta é a essencia do hip-hop, dos verdadeiros revolucionários, revolução que não vai vir através de uma arma, mas do amor”, enumera.

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Ser tão ser – Nas ruas de São Paulo

 

 

Peça retrata a vida de trabalhadores obrigados a migrar

 

27/11/2009

da Redação

teatro_rua Teve início nesta quinta-feira (26), em São Paulo, a última temporada do espetáculo "Ser Tão Ser - Narrativas da outra margem", do grupo teatral de rua Buraco d’Oráculo.

Com direção de Adailton Alves e criação coletiva, o espetáculo é montado a partir da coleta de histórias em seis comunidades. Apresentado em três ambientes, retrata a vida de seis trabalhadores que são obrigados a migrar e lutam para criar seus lares em outros locais.

O espetáculo começa em cinco pontos distintos, com a partida de cada uma das personagens. No momento seguinte, elas se encontram em uma grande cidade e iniciam uma luta por sua sobrevivência. Quase sempre derrotados, por atuarem em separado, não percebem sua força ao lutarem juntos.

O espetáculo mostra ainda a repressão sobre os trabalhadores, que acontece não somente pela ação das autoridades, mas também pelas condições de vida que são impostas à população pobre.

"Ser Tão Ser - Narrativas da outra margem" fica em cartaz no Boulevard da Avenida São João até o dia 11 de dezembro.

Serviço

Espetáculo "Ser Tão Ser - Narrativas da outra margem", do grupo de teatro de rua Buraco d’Oráculo

De 26/11 a 11/12

Apresentação às quintas e sextas, às 17h

Boulevard da Avenida São João, no Vale do Anhangabau, centro de São Paulo. Em caso de chuva, o espetáculo será realizado sob o Viaduto do Chá

Entrada franca

Informações: www.buracodoraculo.com.br

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Governo pretende liberar cópia de músicas e de livros

BRASÍLIA – Guardada a sete chaves, a nova lei de Direitos Autorais, redigida pelo Ministério da Cultura, vai autorizar, pelo menos, duas práticas usuais dos jovens brasileiros. Pretende permitir, por exemplo, que os interessados em realizar fotocópias de um livro o façam da publicação completa e não apenas de pequenos trechos, como é hoje. Também vai criar uma forma legal de autorizar a cópia de músicas para aparelhos de MP3, o que hoje é ilegal e considerado pirataria.

Em entrevista ao iG, o diretor de Direitos Intelectuais do Ministério da Cultura, Marcos Alves, antecipou que o texto vai buscar o equilíbrio entre a proteção aos titulares das obras e o direito do cidadão de ter acesso à cultura. “Temos uma lei muito restritiva hoje e precisamos mudar isso”, afirma. “Um universitário que quer copiar um livro acaba incorrendo em crime se xeroca a publicação inteira”, avalia. Pela proposta, será permitida a cópia de livros e a livre utilização, desde que essa cópia seja para fins educacionais, não para a utilização econômica.

“O mesmo vale para alguém que comprar um CD de algum artista e o copia para MP3. Mesmo se a pessoas pagou pelo produto, se copiar a música na íntegra é pirata”, completa. Em ambos os casos, a solução apontada pelo Ministério da Cultura é semelhante. A ideia é fazer um fundo de reserva de recursos alimentado com taxação dos produtos. Ou seja, um percentual pago à copiadora iria para um fundo destinado a reembolsar os autores e as editoras.

O mesmo argumento serve para quem abastece os aparelhos de MP3. “Esses aparelhos servem principalmente para quem baixa músicas. Então podemos pensar em cobrar uma taxa em cada venda que serviria para os direitos autorais dos artistas e gravadoras”, afirma. De acordo com ele, as duas medidas necessitam de regulamentação específica, mas não devem onerar a venda dos produtos de forma significativa.

Para a Maria Cristina Barbato, da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB), a proposta é positiva. “É fato que o músico não pode mais perder como ocorre hoje cada vez mais”, afirma. A OMB representa, apenas no estado de São Paulo, 50 mil músicos. “Hoje não há controle algum e cada um faz o que quer.”

A nova lei de Direitos Autorais está sendo elaborada desde 2007 e, nas próximas semanas, deve entrar em consulta pública antes de ser encaminhado ao Congresso. Havia a expectativa de que o texto fosse apresentado durante o 3º Congresso de Direito de Autor e Interesse Público, que ocorreu esta semana em São Paulo. Mas o governo manteve o suspense. “Estamos com os pontos centrais já bem costurados e devemos divulgá-lo em breve”, garante Alves.

No encontro, apenas um item ficou claro a todos. O Estado quer voltar a interferir no processo e vai criar o Instituto Brasileiro de Direito Autoral, espécie de agência reguladora que teria o poder de fiscalizar, por exemplo, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), que distribuiu, em 2008, R$ 270 milhões em direitos autorais. (Erika Klingl, Redação iG Brasília)

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O MURO DE BERLIM

Poema de André Borges em homenagem aos 20 anos da queda do Muro de Berlim.

André Borges

O muro ruiu

A flor dos sonhos murchou,

a liberdade sumiu.

Os direitos conquistados ontem

hoje,

são argolas e grades.

O muro ruiu,

do outro lado

a esperança

é apenas o contraponto

do salário amargo

fazendo brotar da realidade

a desilusão.

O muro ruiu

petrificados estão os rios do inverno,

do Outono estão amarelas as árvores,

do Oriente os pássaros

partem em revoadas

trinando nova aurora.

Porque o muro ruiu

as fábricas fecharam,

encheram-se de desempregados

as praças

onde o povo protesta aglomerado.

De repente, da multidão ergue-se a voz:

- Acabemos com a miséria

- Vamos reconstruir o Muro!

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teatro! Eu vou!

Primeira é Querô - Uma Reportagem Maldita. Texto do Plínio Marcos dirigido por Marco Antonio Rodriguez, que vai entrar em cartaz no próximo dia 13, sexta, e ficará até o começo de dezembro. Sextas e Sábados à meia-noite no Galpão do Folias - Rua Ana Cintra, 213. Informações no 3361 2223. Esta tem que pagar o ingresso. - outra é Anima. Ficará em curtíssima temporada no teatro laboratório ECA da USP. Dias 14, 15 (sábado e domingo) e 19, 20, 21 e 22 (quinta a domingo). De quinta a sábado às 19h e domingos às 18h30. A entrada é franca, é só retirar o ingresso na bilheteria que abre uma hora antes do espetáculo.

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10ª Feira de Artes Santa Tereza, com o tema "CULTURA: O futuro está aqui!"

DOMINGO, 15 DE NOVEMBRO DE 2009
9h00 às 20h00 - Embu das Artes (Jardim Santa Tereza)
Feira de Artes Santa Tereza – o melhor evento de cultura e arte para você e toda a sua família, onde você encontra a melhor Arte e o melhor Artesanato.
ATRAÇÕES:
Serão 150 expositores de arte, artesanato, plantas e comidas típicas.
Os melhores DJ’s na Música Eletrônica.
B’Boys, workshops e oficinas dos quatro elementos do Hip Hop.
Música sertaneja, forró universitário, apresentação de bandas gospel.
MPB  presente em todos os palcos e artistas nas ruas e nas tendas.
Palco com grupos de dança e aulas para todas as idades nos intervalos de apresentação. Nas ruas, cortejos folclóricos.
Teatro, artes cênicas e circenses.
Literatura e poesia para você curtir e se apaixonar – espaço do poeta, com diversos escritores, poetas populares e grupos de poetas. Estande exclusivo de literatura de cordel.
Participação de escolas com fanfarras, workshops e oficinas de artes – recreação e cultura para crianças e adolescentes.
Prestação de serviços, informação e utilidade pública.
Este é um evento imperdível! Participe!
Nos 10 anos da Feira de Artes Santa Tereza – a festa é sua!
Contribua com o evento através do “SHOW DE PRÊMIOS”
LOCAL DO EVENTO: Área central do Jardim Santa Tereza – Embu das Artes–SP.

 

Endereço da Casa de Cultura: Rua Cerqueira César, 164

Santa Tereza – Embu – SP.

Fones: (11) 4149-5315 / (11) 4203-4955

Saiba mais visitando o site: www.casadeculturasantatereza.org.br

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Do Movimento Funk é Cultura para a Esquerda

22 de outubro de 2009
Artigo: Guilherme Pimentel

“A Luta levou a Esquerda para o Funk;
O Funk trouxe funkeiros para a Luta.”

6141380_funk_alerj_cultura_224_299 O debate colocado pelo o movimento Funk é Cultura, organizado em torno da Associação dos Profissionais e Amigos do Funk – APAFunk, nos coloca, enquanto Esquerda, na posição de aprendizes e, mais do que isso, nos passa tarefas de casa. Trata-se de um movimento genuinamente brasileiro, mais especificamente de identidade carioca, popular, jovem e cultural. Estamos diante de uma iniciativa transversal a todas as outras lutas. Estamos diante daquilo que pode mexer com o presente e construir outro futuro, instrumentalizando o povo de auto-estima, força e protagonismo.
Na história brasileira foi recorrente a criminalização de toda forma de manifestação cultural popular que reivindicasse as raízes afro-brasileiras. As desculpas são as mais diversas e sempre apontam para a criminalização indireta, ou serja, a cultura popular de massas é associada ao crime no discurso oficial e se criminaliza a cultura para “combater a criminalidade”. Foi assim com o samba, com a capoeira, com os batuques africanos em geral. Hoje, com o funk, não poderia ser diferente.
A origem do funk, assim como a de outras manifestações culturais negras, veio de um processo chamado “diáspora africana”, pelo qual, devido à escravidão, os negros se espalharam pelo mundo ocidental, levando consigo suas batucadas. Viva, a cultura negra se desenvolveu nos respectivos países, dando origem ao blues, capoeira, samba, hip hop, entre outras manifestações. Em Miami, surge o ritmo chamado “Miami Bass”, com um forte grave. Essa música foi trazida ao Brasil e passou a ser tocada nos “Bailes Black” do Rio de Janeiro.
Com a chegada do Miami Bass no Rio, montagens começaram a ser feitas por DJ’s cariocas e tocadas em festas freqüentadas pelos jovens de favelas e periferias. Em pouco tempo, letras em português começaram a ser compostas, ainda sob a melodia e batida dos irmãos negros do norte da América. No decorrer da história, melodia, dança e batida foram se abrasileirando, baseados nas marchinhas, sambas, forrós, frevos e batuques brasileiros. As letras cariocas exaltavam o lado bom das favelas, pediam paz e falavam de amor.
Nesse contexto surgiram os festivais, que começaram a lançar novos MC’s e construir verdadeiros hinos do funk. Centenas de funks surgiram falando de amor ou da realidade da favela, pedindo a união dos favelados, criticando a violência policial e a desigualdade social.
Ainda na década de 90, manifestação de uma cidade violenta, alguns bailes funk começaram a ser divididos em “Lado A” e “Lado B”, com um corredor no meio, onde a briga era feia. Muita violência ocorreu nesta época, como manifestação num fenômeno de massas de um problema social pertencente à realidade brasileira. Numa mobilização própria, os funkeiros começaram a exaltar a paz e pedir que as brigas nos bailes parassem. Com pouco tempo, os “bailes de corredor” acabaram. No entanto, a mídia e os governos chegaram atrasados e começaram a fazer estardalhaço sobre um problema que já havia sido resolvido.
No Governo Marcelo Alencar, os alvarás de todos os clubes onde ocorriam os bailes na cidade foram cassados. O funk foi guetizado dentro das favelas. No final dos anos 90, o funk praticamente para de tocar nas “grandes rádios”. Quando volta, em torno de 99/2000, o que se ouve é bem diferente do que era tocado no passado.
Letras conscientes, apesar de continuarem sendo feitas com qualidade inquestionável, são ignoradas pelo mercado fonográfico e dão espaço a letras erotizadas ou “proibidões” lights (funks baseados em proibidões, mas em versões tocáveis nas rádios, diferentes das tocadas nas favelas em geral). Os MC’s que acabaram com as brigas e que relatavam a realidade dos morros cariocas são limados do mercado. Em seu lugar, entram os MC’s “descartáveis”, aqueles que fazem sucesso por cerca de 6 meses e são esquecidos com obras artísticas que nada mais são do que manifestação das contradições sociais vividas hoje (lembre-se que o mercado pornográfico é o que mais cresce no mundo; ora, como exigir do funk que não manifeste aquilo que está em toda parte – bancas de jornais, samba, forró, axé music, televisão etc).
De lá para cá, muito preconceito se concretizou, graças a um forte trabalho da mídia, uma censura de mercado e um discurso oficial que aprofunda a associação entre o crime e o gênero musical. Coincidência ou não, os dois empresários do funk que passaram a dominar o mercado do gênero são exatamente os que fazem campanha dos governantes que comandam a política de segurança criminalizante (fizeram a campanha de Sérgio Cabral, por exemplo) e ainda tocam o funk “putaria” ou o “proibidão light”. Seus bailes, ao contrário dos demais bailes na cidade, continuam ocorrendo sem problemas com a polícia e seus negócios vão de vento em popa. MC’s responsáveis pela história do funk como Galo, Dolores, Júnior e Leonardo, Teko, Pìngo, entre tantos outros, são limados das rádios com frases do tipo “não está na hora de falar mal das elites”. E nesse processo, descobrem que os são superexplorados, com contratos de cessão de fonograma abusivos e vitalícios, não existentes em nenhum outro ramo da música, em que cedem quase a totalidade de seus direitos para os magnatas do funk.
Em 2008, a história de alguns desses MC’s se encontra com a história de parte da Esquerda carioca. Num churrasco na casa de uma antropóloga militante que estudava o funk, Adriana Facina, movimentos sociais e funkeiros viveram a primeira Roda de Funk. Foi nessa primeira iniciativa que MC’s, DJ’s, equipes de som e funkeiros de todo o tipo definitivamente decidiram concretizar um velho sonho de se organizar em torno da APAFunk e batalhar por direitos. Na mesma época, mais uma iniciativa governamental tratava de criminalizar os bailes: era aprovada pelos deputados estaduais, contra apenas um voto, a lei 5265/08, de autoria do então deputado Álvaro Lins, do mesmo partido do Governo, que dava às autoridades policiais o poder de tutela sobre os bailes e exigia uma série de requisitos para, na prática, “colocar no cabide” todos os eventos com funk. Com essa lei, apenas os bailes já ilegais continuavam existindo, já que os organizados dentro da legalidade foram enquadrados em exigências impossíveis de serem cumpridas e, portanto, proibidos pelos comandantes de Batalhão. O funk, mais uma vez, é jogado a um cenário favorável ao discurso de que estaria associado ao tráfico de drogas. MC’s, equipes de som e DJ’s são submetidos a esta dura realidade. Muitos são completamente impedidos de trabalhar.
Estava colocado o primeiro desafio: derrubar a lei de Álvaro Lins e aprovar uma lei que reconhecesse o funk como manifestação cultural de caráter popular, concedendo-lhe todas as prerrogativas constitucionais inerentes aos que compõem o patrimônio cultural brasileiro. As respectivas iniciativas legislativas foram feitas via mandatos Marcelo Freixo (deputado estadual) e Chico Alencar (deputado federal.
A articulação com movimentos sociais e mandatos parlamentares de esquerda exaltou aquilo que já havia no funk de mais potencial: com organização política e espírito de luta, a Roda de Funk foi para ruas, favelas, universidades e escolas para ocupar os espaços sob o lema “informação, mobilização e luta”. A arma é um funk comunicativo, uma linguagem universal para a juventude carioca, também com conteúdo político – para falar de problemas sociais e de relações amorosas também, por que não? O funk seria cantado nas ruas por aqueles que lhe deram origem. Não era um show, mas sim uma manifestação político cultural ao estilo Kizomba (festa da resistência dos negros quilombolas), onde o Pancadão e o bate-papo com o povo seriam a arma mais poderosa dessa batalha. Nesse formato, além de não poder ser proibida (não era baile, era manifestação política, protegida constitucionalmente), o espírito militante ficava claro. O objetivo era ganhar força, dizer para a população o que estava acontecendo e agregar funkeiros em torno de uma luta por direitos (direito à livre manifestação cultural, à produção cultural, ao acesso aos bens culturais, ao trabalho, ao lazer, à livre associação e reunião em locais públicos e privados, à igualdade, à dignidade etc).
Em menos de um ano, a Roda de Funk abalou a cidade, se iniciando dentro de encontros de movimentos sociais (como o Encontro Nacional da Juventude do Campo e da Cidade, ocorrido na Uff). O Bonde do Funk passaria onde tivesse um lutador capaz de manter a luta viva depois de sua passagem. Assim, começou a ocorrer nas carceragens da Polícia Civil, onde existem milhares de MC’s invisíveis. Em Acari, a Roda mobilizou famílias e o Festival organizado repercutiu na comunidade. Na ocupação da Reitoria da Uerj, o funk quebrou preconceitos, se afirmou enquanto cultura e linguagem legítima e também ocupou seu espaço. Na Central do Brasil, em frente à Secretaria de Segurança Pública, mobilizou mais de mil pessoas de todo o Rio com 6 horas de pura conscientização e mais de 4.000 panfletos distribuídos em menos de uma hora (nenhum no chão nem nas lixeiras). Ouvíamos declarações emocionadas, do tipo “Caraca, são eles! Por que eles não tocam mais nas rádios????”. Conhecemos mendigos com composições na cabeça contra o choque de ordem (não cantaram por medo da guarda municipal que lá estava). Vimos o espírito de protagonismo estar presente em todos. No morro do Dendê, famílias participaram da Roda. Na Cidade de Deus, comunidade “pacificada” pela PM, a Roda foi proibida pelo comandante do Batalhão local. Com muita conversa, ela foi “autorizada” e se abriu com centenas de crianças, ouvindo pela primeira vez em oito meses de ocupação policial o funk voltar. E não era a mesmice do funk imposto pelo mercado. Era também o funk que falava da realidade dali, abordando, de maneira respeitosa, temas palpitantes da juventude, como amor, sexualidade (por que não?), violência policial, orgulho e auto-estima de ser da favela, desigualdade social, luta contra a injustiça, moradia, liberdade, paz, entre outros.
Enquanto isso, os Projetos de Lei estadual (o que revogava a lei 5265 e o que reconhecia o funk como manifestação cultural) estavam tramitando a passos de tartaruga.
Quando partimos para o Santa Marta, “comunidade modelo” ocorreu o primeiro marco de disputa real. A Roda fora proibida pelo então comandante do batalhão de Botafogo e, segundo suas palavras, “não tinha papo”. Outros eventos culturais na área já tinham sido proibidos. Foi então que militantes do Movimento Direito Para Quem, em conjunto com advogados militantes dos Direitos Humanos, como Nilo Batista e João Tancredo, todos já inseridos nessa luta, organizaram um Mandado de Segurança. Afinal, não se pode proibir manifestações políticas na cidade! Paralelamente, comunicadores populares fizeram um excelente trabalho de mídia, conseguindo publicidade para a denúncia de que na comunidade modelo da PM e do governo a censura estava colocada, proibindo não só a Roda, mas também eventos culturais da área, como o PagoRap (evento organizado pelo Rapper Fiell, com música e conscientização). Além disso, era a oportunidade de mostrar, através da Roda de Funk, o que estava acontecendo em toda a cidade com os funkeiros. O nome da Roda era perfeito: “Paz sem voz é medo!”.
Coincidentemente, o comandante geral da PM foi alterado naquela semana e o novo designado para a função, Cel Mário Sérgio, alterou todos os comandos da PM no Estado. Fomos ao encontro do novo comandante do batalhão de Botafogo, que, já diante de uma estrondosa repercussão midiática do ato autoritário de seu antecessor, pediu mais uma semana para garantir a segurança da Roda. Aceitamos e a Roda ocorreu vitoriosa, depois de um mês de batalha e denúncias. Junto com a Roda, voltaram os eventos culturais na comunidade. O PagoRap foi a semente plantada naquela comunidade.
A repercussão da (quase) censura no Santa Marta foi enorme. O Funk estava na pauta do dia. A sociedade se manifestava. A favela era protagonista nesse embate. Na “favela-modelo” as contradições sociais estavam colocadas, a propaganda governamental estava sob risco e o funk era a voz que liderava a luta pela democracia e pela liberdade. A vanguarda era a própria voz da massa e a juventude pobre estava plenamente identificada. O governo ficou preocupado. Foi aí que Picciani - presidente da mesma Assembléia Legislativa (Alerj) que há um ano criminalizara o funk - publicou um texto em apoio ao funk no jornal O Dia e chamou APAFunk e Marcelo Freixo para conversar. Era a sua palavra de que os projetos de lei dos funkeiros seriam votados em breve.
Imediatamente foi organizada uma Roda de Funk na Praça XV, ao lado da Alerj. Mais uma Roda vitoriosa, mobilizando para uma Audiência Pública sobre o funk na semana seguinte, no plenário principal da Alerj. Comandada pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos e autor dos projetos de lei dos funkeiros, Marcelo Freixo, a Audiência Pública foi um marco histórico. Foi a primeira vez em que o funk foi tratado por autoridades da cultura e educação, sem nenhum representante estatal da polícia. A Audiência contou com a participação de mais de 600 funkeiros num horário ingrato. Na fala do presidente da APAFunk, MC Leonardo, a Alerj foi demarcada com “Tá Tudo Errado”, um funk de denúncia contra a política de extermínio dos governos, o primeiro funk a ser cantado naquela casa. O líder do governo, Paulo Melo, pediu desculpas em nome do governo e assumiu: “precisamos aprovar as leis dos funkeiros; precisamos corrigir nosso erro”.
Uma semana depois, mais de mil funkeiros movimentos sociais e baterias de escolas de samba de toda a cidade enchiam uma Roda de Funk na frente das escadarias da Alerj, em concentração para a votação dos dois projetos. Até os magnatas e as celebridades do funk aderiram ao movimento político. Ambos os projetos foram aprovados por unanimidade, pelos mesmos deputados que há pouco mais de um ano aprovavam uma lei criminalizando o funk. Dali saiu a primeira “funkeata” pelo Centro, chegando ao Circo Voador, onde a entrada foi de graça e o funk foi comandado pela APAFunk.
A vitória da aprovação das leis foi mais do que uma possibilidade de alteração dos números de bailes reprimidos. Foi o resultado positivo e rápido de uma forma diferente de fazer política. Ao contrário dos grandes magnatas do funk, a APAFunk tomou as ruas, não beijou a mão de ninguém, se aliou aos movimentos sociais, conscientizou o povo, se articulou no campo da Esquerda, não sectarizou nem negou apoios, quaisquer que fossem, não se deixou cooptar e utilizou a identidade funkeira para mobilizar as massas. Com Pragmatismo e Politização na medida certa de uma práxis suprapartidária de massas, comprometida sobretudo com a luta popular, mesmo desacreditada e mal dizida por muitos, a APAFunk conquistou respeito dos funkeiros e referência numa prática política de luta nas ruas.
Humildade e Atividade
Volver a los 17
Despues de vivir um siglo…
Outro dia ouvi uma história que não achei bibliografia que a confirmasse, nem elementos que apontassem a sua inteira veracidade. Mas não importa, o problema é da realidade, não da história que ouvi. Por isso, vou tomá-la como referência. Segundo ouvi, há referências de Lênin a um trem de arte e cultura, que circulava a Rússia antes da Revolução Russa. Trataria-se de um trem que parava nas cidades e vilas camponesas, desenvolvendo, junto à comunidade atividades culturais com circo, música, danças, contação de histórias etc. Ao final do dia, imagens (não sei se fotos) das atividades desenvolvidas eram exibidas para a própria comunidade, no que as próprias pessoas se viam naquilo que participaram. Viam-se desenvolvendo suas próprias sensibilidades e identidade. Viam-se e lembravam-se do que sentiram, sentindo outra coisa enquanto se viam protagonistas daquelas imagens. Os sentimentos se misturavam. Ali nascia o conceito de AgitProp (Agitação e Propaganda), a sensibilidade do ser parte de um todo, a síntese dos sentidos do eu individual e do eu coletivo, a idéia do protagonismo e da força, da potencia da comunicação e da linguagem, a identidade coletiva promovida por sensibilidades e vivências possíveis a todos e também visíveis a todos. A possibilidade de fazer se vendo, de participar consciente do que aquilo que se faz pode significar para um processo maior do que o próprio umbigo.
O que vemos hoje no movimento Funk é Cultura é um Bonde de AgitProp carioca circulando pelo Rio. A identidade já existe. A crítica social e os valores de sociabilidade, sejam sobre política ou sobre sexo, é desenvolvida em linguagem acessível a todos. Obviamente as contradições sociais se manifestam no funk, mas se manifestam de uma maneira que inclui a todos como protagonistas dessa narrativa social (não mero observadores). Analfabetos, que não podem ler este texto, ouvem os funks (mais do que isso, fazem funks, como temos exemplo na APAFunk).
Na Rússia, só o trem não seria capaz de nada, mas sem Agitação e Propaganda, talvez a coisa tivesse sido diferente. Foi necessário um forte trabalho de enraizamento militante, baseado no território, para consolidar o resultado da passagem do trem.
Hoje, no Rio, o Bonde passa jogando sementes onde já existem guerreiros. Cabe aos guerreiros semear esse trabalho, para que dali nasçam frutos no futuro. Um movimento cultural de massas, com a cara da juventude, está em curso em nossa cidade. Não podemos nos dar o luxo de não cumprimos a tarefa que nos cabe neste momento histórico!
A nós, nos cabe aprender com o Funk! Fortalecer esse movimento, apesar dos limites impostos pelo Mercado! Dar espaço para esse bonde passar, semeando crítica social, organização política e exemplo de luta! Utilizar essa linguagem nos espaços, reconhecendo o povo como fonte de saber e os espaços do funk como espaços de sociabilização, conscientização, formação e crítica coletiva!
Precisamos disputar a juventude e qual funk ela ouve e produz! Para isso, temos que dar espaços a outras linguagens. Todos os MC’s que compõem “putaria” e “apologia”, compõem também rap’s conscientes, que não tocam nas rádios. Essas são a contradições de nossa sociedade, não é justo exigir que o funk – manifestação cultural de massas em um mundo capitalista - não as manifeste! Dar espaço para uma visibilidade diferente daquela subserviente ao que o Mercado proporciona é nosso dever se queremos tirar a juventude de uma mesmice, por vezes opressora. Hoje, a APAFunk luta para se fortalecer e aprovar a lei federal de reconhecimento do funk como cultura. O objetivo é defender os direitos dos funkeiros perante o monopólio, equilibrando o mercado, e criarmos uma musculatura capaz de organizar mais de uma Roda ao mesmo tempo na cidade, com oxigenação da produção de linguagem sobre temas da realidade popular, elevando a auto-estima da juventude, especialmente pobre. Precisamos fundir linguagem e política (são a mesma coisa!!!). Precisamos de rádios comunitárias, capilaridade de comunicação e divulgação, espaços de reflexão social e política, atividades sociais e militantes com funk, campo de trabalho para funkeiros e direitos garantidos aos trabalhadores (artistas ou não) dessa cultura.
Ao longo dessa luta, a APAFunk foi chamada pelo Governador, pelo Comandante Geral da PM, pelo Ministério da Cultura, pela Secretaria Municipal de Cultura e pelas Secretarias Estaduais de Cultura e Educação. Nessas conversas, muito campo se abriu. O Governador se comprometeu a sancionar e cumprir as leis aprovadas. O comandante da PM se comprometeu a garantir espaços para o funk e acabar com o tratamento discriminatório ao funk. Os demais órgãos públicos se comprometeram a tratar o funk como cultura, abrir espaços na cidade e abrir as escolas estaduais para Rodas de Funk e Festivais da APAFunk.
No entanto, nada disso será proveitoso se não houver gente para enraizar esse trabalho nos territórios por onde esse Bonde passar. Por isso precisamos de você! Estudantes, professores, sem terra, sem teto, favelados, moradores de periferia, sindicalistas, comunicadores… enfim, lutadores cariocas, uni-vos aos funkeiros! Precisamos nos unir, sem sectarismos. Precisamos viver as experiências juntos. Precisamos duvidar de verdades preconstituídas e construir verdades a partir de uma práxis atual. A única verdade que temos é que não nos renderemos!
Na Zona Oeste
O povo tem a força, só precisa descobrir
Se eles lá não fazem nada, faremos todos aqui!
(Rap da Felicidade – MCs Kátia e Rasta)
Unidos seremos sempre mais!
(Rap da Consciência – MC Mano Teko)
Tâmo junto numa só!
(MC Wandinho)
Tá tudo errado, é até difícil explicar,
Mas do jeito que a coisa tá indo já passou da hora do bicho pegar!
(MC Leonardo)
Deixa o meu funk entrar,
Funk-se quem quiser
Ao som do funk eu vou
Seja o que Deus quiser!
(Funk-se quem quiser – MC Galo e Dolores)
Na Zona Oeste temos duas prioridades: primeiro, fortalecer os espaços de luta, quais sejam (a princípio): o calçadão de Campo Grande e as escolas onde atuamos. Segundo, fortalecer os locais de funk, onde já existe trabalho de gente da APAFunk, quais sejam (a princípio): baile de vinil de Santa Cruz (DJ Marcelo Negão) e encontros de DJ’s de vinil. Isso poderá preparar uma conjuntura favorável a um segundo passo, quando teremos que aumentar nossa capacidade de capilarizar ainda mais nossa intervenção, entrando nas comunidades dessa área da cidade. Para esse processo se iniciar, precisamos quebrar nossos preconceitos e os de nossos companheiros. Essas são nossas primeiras tarefas!

 

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Metrô de SP exibe painéis com poemas em 8 estações da linha 2-verde

Um dos poemas escolhidos é de Carlos Drumond de Andrade, e foi instalado na estação Vila Madalena do metrô de SP
O Metrô de São Paulo lançou nesta semana um projeto para exibir 70 painéis com poemas em oito estações e nos seis novos trens da linha 2-verde.
A iniciativa pretende colocar os 420 mil usuários diários da linha em contato com 42 textos consagrados da literatura em língua portuguesa. O objetivo é estimular o gosto pela leitura.
A expectativa de um dos idealizadores do projeto Poesia nos Trilhos, o poeta Carlos Figueiredo, é que a iniciativa garanta o primeiro contato de grande parte dos passageiros com a poesia.
O primeiro painel, com o poema "Amar", de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), fica na estação Vila Madalena. As outras estações contempladas são Sumaré, Clínicas, Paraíso, Ana Rosa, Chácara Klabin, Santos/Imigrantes e Alto do Ipiranga. No total, poemas de 21 escritores serão exibidos até o final do ano.
Entre os autores selecionados estão os brasileiros Gonçalves Dias, Augusto dos Anjos, Castro Alves e Olavo Bilac e os portugueses Luís de Camões, Fernando Pessoa e Florbela Espanca.
Segundo Carlos Figueiredo, em 2010 o objetivo é realizar exposições temáticas de poesia em estações e trens de todas as linhas do metrô.
Ele diz que existe entre os usuários do metrô uma demanda por literatura e iniciativas culturais e cita a receptividade do projeto Embarque na Leitura, que mantém cinco bibliotecas dentro de estações. Elas possuem mais de 18.000 associados. (PABLO SOLANO, Colaboração para a Folha)

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Hip Hop e movimentos sociais se unem em solidariedade ao povo haitiano

Por Raquel Júnia

imagens “Hip hop canta e dança a solidariedade ao povo haitiano” foi o nome do evento que lotou o auditório do Sindicato dos Petroleiros (RJ) durante a noite do último dia 25 de agosto. Os movimentos e artistas presentes falaram e cantaram em tom de protesto sobre o dilema que vivem os “irmãos” haitianos – os primeiros a se rebelarem contra a escravidão, como lembraram várias pessoas presentes.

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