Arquivo de Economia

Boletim de Economia nº 07

Análise crítica da economia e da indústria química brasileira – 3ª semana de agosto/2010

O Boletim de Economia tem o objetivo de divulgar informações e análises críticas da economia nacional e internacional, com destaque especial para os fatos relevantes de interesse da categoria química.
Sua periodicidade é semanal e é produzido por Fabiano Garrido, assessor econômico do Sindicato Químicos Unificados e mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

BOLETIM 09 - QUÍMICOS

Capa Boletim de Economia nº 07 - 3ª semana agosto/2010
Destaques da edição nº 07
a) Pobreza e desigualdade social estão em queda no Brasil?
b) Rhodia Brasil: nadando no lucro!
c) DuPont lucra mais e melhora previsões para o ano.
d) Desemprego atinge mais de 80 milhões de jovens no mundo.
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Alemanha determina ajuste fiscal na União Europeia

Maior economia da Europa impõe política econômica ao continente

Renato Godoy de Toledo

da Redação Brasil de Fato

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Como resultado da crise econômica mundial de 2008, a situação financeira dos países mais frágeis da zona do euro tornou-se insustentável. A partir desse momento, sobressaiu-se a figura da chanceler alemã Angela Merkel, que começou a ditar regras econômicas às demais nações.

Em meio à turbulência financeira, a mandatária determinou que cada país da chamada zona do euro deveria ser responsável pelos seus déficits e pelos seus próprios bancos centrais. Segundo o cientista político José Luís Fiori, a consequência dessa nova postura alemã foi a “crise de insolvência” de alguns países europeus, em 2009. Em parte, tal instabilidade foi contornada com uma intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI).

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2010: indústria química no azul

Assessoria Econômica - Fabiano Garrido - garridofabiano@hotmail.com

Postado: Químicos Unificados

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A indústria brasileira registrou uma forte expansão ordem de US$ do PIB (conjunto das riquezas geradas) no primeiro 167 bilhões,
trimestre de 2010 ante o primeiro trimestre de no período 2009, da ordem de 14,6%. Acompanhando este entre 2010 e aumento da atividade a indústria química também 2020. Para obteve um forte crescimento nos primeiros cinco atingir esta meses do ano. m e t a d e De janeiro a maio de 2010, sobre iguais meses do investimento, ano anterior, os índices de volume de produção e de a ABIQUIM vendas internas do segmento de produtos químicos entregou no de uso industrial, segundo informações preliminares mês de junho calculadas pela Associação Brasileira da Indústria um projeto Química (ABIQUIM), tiveram crescimento expressvo: para o BNDES produção +13,12% e vendas internas +10,92%. c o m o Na comparação dos últimos 12 meses, sobre igual objetivo de
período anterior, as variações também são positivas: r e c e b e r plástico. Comparando com 2009, houve uma índice de produção +11,18% e vendas internas financiamento deste banco (que é público) para suas expansão de 25,59% na produção de laminados +4,75%. atividades.

PIB BRASIL 

plásticos no primeiro trimestre de 2010. O segmento Com exceção dos setores de intermediários para O segmento de cosméticos também apresenta boas
de embalagens plásticas cresceu 17,35% e o de fibras sintéticas e para fertilizantes, todos os outros perspectivas de crescimento para 2010. Até o dia 14 artefatos plásticos, 25%. A receita total prevista para
segmentos registraram aumento de vendas neste de junho deste ano, o lançamento de novos produtos 2010 é de R$ 41 bilhões gente a uma receita de
período. De acordo com a entidade, as previsões na área de perfumaria e maquiagem já superou o R$35,9 bilhões em 2009. Ou seja: vem aumento da para o ano de 2010 são positivas, levando em total de lançamento realizado em 2009. O Brasil é o lucratividade por aí.

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Um furacão de austeridade paira sobre a Europa

foto_mat_25135 O Fundo Monetário Internacional, depois de impor durante anos medidas duras de ajustamento das contas públicas aos países do sul, impõe agora as suas receitas neoliberais na Europa, diminuindo os direitos laborais em favor de políticas liberais que perpetuam o sistema capitalista. Por Jérôme Duval, Damien Millet e Sophie Perchellet, do Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM).

Jérôme Duval, Damien Millet e Sophie Perchellet

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Paul Krugman alerta para sinais de uma terceira depressão

Paul Krugman

Postado: Carta Maior

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Receio que estejamos nos primeiros estágios de uma terceira depressão. A probabilidade é que ela seja mais parecida com a Longa Depressão do que com a Grande Depressão. Mas o custo - para a economia mundial e para milhões de vidas será ainda assim, imenso. E essa terceira depressão será resultado de um fracasso das políticas econômicas. Em todo o mundo - mais recentemente na desanimadora reunião do G-20 - os governos estão obcecados com a inflação, enquanto que a grande ameaça é a deflação, recomendando cortes de gastos, ao passo que o verdadeiro problema são os gastos inadequados. O artigo é de Paul Krugman.

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Stiglitz: “Os governos deveriam criar seus próprios bancos”

Agência EFE

Postado: Carta Maior

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O Fundo Monetário Internacional e o setor financeiro estão repetindo velhos erros que já prejudicaram a vida de milhões de pessoas na Argentina, Indonésia, Coréia e Tailândia, entre outros países, denuncia o economista Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia. É o clássico erro daqueles que confundem a economia de uma família com a de uma nação. Se uma família não pode pagar suas dívidas, recomenda-se que gaste menos para que possa fazê-lo. Mas uma economia nacional, se corta gastos, provoca a queda da atividade econômica, ninguém investe, cai a arrecadação, aumenta o desemprego e termina-se por ficar sem dinheiro para pagar as dívidas.

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Análise crítica da economia e da indústria química brasileira – 1ª semana de julho/2010

O Boletim de Economia tem o objetivo de divulgar informações e análises críticas da economia nacional e internacional, com destaque especial para os fatos relevantes de interesse da categoria química.
Sua periodicidade é semanal e é produzido por Fabiano Garrido, assessor econômico do Sindicato Químicos Unificados e mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

BOLETIM 04 - QUÍMICOS

Capa Boletim de Economia nº 04 - 1ª semana julho/2010
Destaques da edição nº 04 – 1ª semana de julho/2010:
a) Greve geral na Itália.
b) As chuvas no Nordeste e o “kit catástrofe”.
c) Indústria farmacêutica é proibida de dar palestras.
d) Anvisa volta a denunciar níveis elevados de agrotóxicos.
e) “Repartir a terra para multiplicar o pão”.
f) O Brasil que não muda!
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Economia internacional Ricos do mundo enriqueceram mais na recessão, diz relatório

Os ricos ficaram mais ricos no ano passado, ao mesmo tempo em que o mundo passou pela pior recessão em décadas. Uma recuperação no mercado acionário ajudou as fileiras dos milionários do mundo a crescer 17%, para 10 milhões de pessoas, enquanto a riqueza coletiva deles aumentou 19%, para US$ 39 trilhões, quase recuperando as perdas decorrentes da crise financeira, mostrou o relatório mais recente sobre riqueza mundial da Merrill Lynch-Capgemini.
Os valores das ações subiram 50%, e os hedge funds recuperaram a maioria das perdas sofridas em 2008, em um ano marcado por gastos de estímulo governamentais e flexibilização dos bancos centrais.
A chefe de administração de patrimônio do Bank of America, Sally Krawcheck, disse: "Já estamos vendo sinais distintos de recuperação e, em algumas áreas, de retorno completo aos níveis de riqueza e crescimento de 2007."
O aumento mais acelerado de riqueza aconteceu na Índia, China e Brasil, alguns dos mercados mais duramente atingidos em 2008. A riqueza na América Latina e Ásia-Pacífico chegou a níveis recordes.
As fileiras de milionários da Ásia subiram para 3 milhões de pessoas, equiparando-se pela primeira vez à Europa, ao lado de uma expansão econômica de 4,5%.
A riqueza combinada dos milionários asiáticos subiu 31%, para US$ 9,7 trilhões, superando os US$ 9,5 trilhões de seus colegas europeus.
Na América do Norte, a lista dos muito ricos cresceu 17% e a riqueza deles aumentou 18%, chegando a US$ 10,7 trilhões.
Os Estados Unidos foram o país que teve mais milionários em 2009 (2,87 milhões de pessoas), seguido pelo Japão (1,65 milhão de milionários), Alemanha (861 mil) e China (477 mil). A Suíça é o país que teve a maior concentração de milionários, quase 35 para cada mil adultos.
Contudo, enquanto os portfólios se recuperavam, os investidores continuaram cautelosos, após um colapso que apagou uma década de ganhos com ações, motivou uma contração na economia global e fez o desemprego subir vertiginosamente.
Baseado em pesquisas com cerca de 1.100 investidores ricos em 23 firmas, o relatório constatou que os ricos foram beneficiados por terem uma larga gama de investimentos, incluindo commodities e patrimônio imobiliário.
Os milionários aplicaram uma parte maior de seu dinheiro em investimentos de renda fixa, buscando retornos previsíveis e fluxo de caixa. O desafio que os corretores têm pela frente é convencer seus clientes a apostar em investimentos mais frutíferos e de risco mais alto.

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G-20: Reduzir gasto público sem afetar crescimento. Como?

Ao final da reunião de cúpula do grupo dos 20 países mais ricos do mundo, realizada neste final de semana no Canadá, governos se comprometeram a reduzir pela metade seus déficits até 2013. Já a proposta de criar um imposto global sobre transações financeiras não foi aprovada. As duas posições que se enfrentaram no G-20 acabaram matizadas no documento final que defende a sustentabilidade fiscal e a redução dos déficits públicos “sem prejudicar o crescimento”. O documento, obviamente, não sugere como essa mágica pode ser feita.

Marco Aurélio Weissheimer

Após pagar o custo da farra do mercado financeiro, os governos devem ser austeros. No final da reunião de cúpula do grupo dos 20 países mais ricos do mundo, realizada neste fim de semana no Canadá, a chanceler alemã, Ângela Merkel, anunciou que todos os países se comprometeram a reduzir pela metade seus déficits até 2013 (veja aqui a declaração final da cúpula). Já a proposta de criar um imposto global sobre transações financeiras não foi aprovada. França, Alemanha e Inglaterra prometeram avançar unilateralmente com este imposto. A decisão pela redução do déficit foi comemorada pela Alemanha. “Estamos muito contentes por constar na declaração final, de forma inequívoca, a necessidade de os países desenvolvidos cortarem os seus déficits até 2013, começando a reduzir a dívida a partir de 2016”, disse Merkel.
A posição da Alemanha contrastou com a de outros países como o Brasil e a China. O ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, criticou a prioridade dada pelos europeus à questão do déficit. “Em vez de estimular o crescimento, eles prestam mais atenção aos equilíbrios orçamentários”, disse Mantega. Posição semelhante foi manifestada pela China. “Temos de agir de uma forma cautelosa, quanto ao timing, ao ritmo e à intensidade com que abandonamos as políticas de estímulo à economia”, afirmou o presidente chinês Hu Jintao. No documento final do encontro, o G-20 apela aos países emergentes “que tem excedentes” para que contribuam para o combate à crise, adotando “taxas de câmbio mais suaves”, um apelo com endereço certo: a China.
“Sem prejudicar o crescimento”
As duas posições que se enfrentaram no G-20 acabaram matizadas no documento final que defende a sustentabilidade fiscal e a redução dos déficits públicos “sem prejudicar o crescimento”. O documento, obviamente, não sugere como essa mágica pode ser feita. As duas posições que se enfrentaram na cúpula tiveram, de um lado, Europa, Japão e Canadá, e, de outro, Estados Unidos, os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), mais países emergentes como Argentina, África do Sul e Turquia. Liderados pela Alemanha, o objetivo dos países europeus era conseguir a legitimação do G-20 para os duros planos de ajuste fiscal que a maioria deles está implementando internamente, com cortes de salários e pensões e aumento da idade para aposentadoria.
A reunião de cúpula do G-20 foi marcada por intensos protestos. Cerca de dez mil manifestantes foram violentamente reprimidos pela polícia a poucos quarteirões do lugar onde se reuniam os governantes. A polícia usou bastões e sprays de pimenta para afastar manifestantes que estavam sentados no chão. Os protestos foram organizados por sindicatos e movimentos sociais em protesto contra as medidas propostas na cúpula. O resultado final da cúpula foi uma mediação entre as posições defendidas pelos Estados Unidos (que não abre mão de investimentos públicos para evitar o aumento do desemprego) e pela Alemanha (a principal defensora da agenda da austeridade fiscal). Essa agenda está sendo implantada com força na Europa e já enfrenta forte reação dos sindicatos de trabalhadores.
Ao final da reunião, as diferentes posições declaravam a vitória de suas respectivas posições, o que pode indicar que nada, efetivamente, foi decidido de novo. A União Européia considerou que seus pontos de vista foram em grande parte adotados pelos dirigentes dos demais países. “O resultado da cúpula reflete uma ampla convergência em torno da perspectiva européia”, disse o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso. Ao comentar a menção à “não prejudicar o crescimento”, Guido Mantega disse: “Nessa posição nós vencemos de modo que os países vão continuar estimulando a recuperação”. Já a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, definiu o encontro como “uma cúpula de transição” e que não houve um “choque de ambos mundos”. Possível tradução: o choque foi adiado.
(*) Com informações do Página 12, La Jornada e Esquerda.Net

Postado: Carta maior

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Análise crítica da economia e da indústria química brasileira – 3ª semana de junho/2010

O Boletim de Economia tem o objetivo de divulgar informações e análises críticas da economia nacional e internacional, com destaque especial para os fatos relevantes de interesse da categoria química.
Sua periodicidade é semanal e é produzido por Fabiano Garrido, assessor econômico do Sindicato Químicos Unificados e mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Análise crítica da economia e da indústria química brasileira – 3ª semana de junho/2010

BOLETIM 03 - QUÍMICOS

Destaques da edição nº 03 – 3ª semana de junho/2010:
a) Gripe suína: “Pandemia” de lucro!
b) Reajuste de aposentados.
c) O impacto da dívida pública para o país: link para entrevista com Maria Lúcia Fatrorelli.
d) Imposto sobre grandes fortunas.
e) Indústria química: Dependência externa continua alta.
f) O Brasil que não muda!
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Análise crítica da economia e da indústria química brasileira – 2ª semana de junho/2010

 

O Boletim de Economia tem o objetivo de divulgar informações e análises críticas da economia nacional e internacional, com destaque especial para os fatos relevantes de interesse da categoria química.
Sua periodicidade é semanal e é produzido por Fabiano Garrido, assessor econômico do Sindicato Químicos Unificados e mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

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BOLETIM 02 - QUÍMICOS

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Emergentes (Brasil incluído) deverão responder por 57% do PIB mundial até 2030

EUA, em decadência financeira, tem maior dívida do planeta; só para a China, deve mais de US$ 1 trilhão
A participação dos países emergentes no PIB mundial passou de 38% em 2000 para 49% neste ano e deverá atingir 57% em 2030, segundo o estudo Perspectivas sobre o Desenvolvimento Mundial 2010 - Deslocamento da Riqueza, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta quarta-feira.
O documento não especifica em que ano a contribuição dos emergentes no PIB deve passar a ser maior do que a dos países ricos. Ele analisa as transformações estruturais na economia mundial nos últimos 20 anos, que transferiram o "centro de gravidade econômico do planeta" em direção ao leste e ao sul do globo - dos países ricos que integram a OCDE para os países emergentes - fenômeno que a organização chama de "deslocamento da riqueza".
"Esse realinhamento da economia mundial não é um fenômeno transitório, mas representa uma mudança estrutural de importância histórica’, diz o estudo.
O número de países emergentes foi multiplicado por mais de cinco durante a década de 2000, passando de 12 para 65 países. A OCDE define como países emergentes as economias cujo crescimento econômico médio por habitante equivale a mais do que o dobro do registrado nos países ricos da OCDE, que foi de 3,75% nos anos 90 e 3% nos anos 2000.
O PIB da China e da Índia cresceu na década de 2000 de três a quatro vezes mais do que a média dos 31 países que integram a OCDE.
No mesmo período, o número de países pobres foi reduzido em mais da metade, de 55 para 25. O estudo divide o mundo em quatro grupos: países ricos, convergentes (emergentes), em dificuldade e pobres.

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Paz, economia e utopia

Por Herivelto Quaresma, 05.06.2010

banco_central_crescimento_da_economia-219x300 Em um recente texto no sítio Fazendo Media, em que comento sobre a posição soberana que o Brasil tem tido nos últimos anos diante dos Estados Unidos, o leitor Mauro Toshiuki fez uma importante observação [disponível aqui], que reproduzo na íntegra:

“Boa Noite a Todos, caro senhor Herivelto Quaresma lhe pergunto e lhe proponho um tema. Qual o interesse americano na paz mundial se o seu orçamento militar é maior que o PIB da maioria dos países do mundo e o fim desses gastos significariam um transtorno gigantesco às regiões onde se encontram as fábricas de armas americanas e um grande número de demissões.”

“Nunca se escreveu sobre os interesses dos fabricantes de armas na manutenção dos gastos e o que realmente representa esse ramo de atividade para a economia americana e para os estados americanos que sediam estas fábricas. Se o Brasil gastasse centenas de bilhões de dólares com armas o mínimo indício de busca da paz seria o suficiente para que os governadores e prefeitos corressem para lembrar o presidente sobre o problema do desemprego e da recessão. Acho que a paz levaria os EUA à recessão.”

Tema urgente e necessário, é pouco comentado – de fato – na imprensa como um todo, porém comum nos debates mais vinculados à área da economia e mesmo em questões relacionadas aos direitos humanos. O próprio cineasta norte-americano Michael Moore filmou o caso de uma cidade – me foge se canadense ou estadunidense – em que praticamente toda a economia local girava em torno de uma única empresa da indústria bélica.

Neste caso, a primeira questão já está colocada: acabar com tal arranjo produtivo – um exemplo: aumento vertiginoso dos impostos, tal como costumam fazer com os bingos ou o cigarro – seria trágico, a curto e médio prazo, para dezenas ou até mesmo centenas de famílias.

A segunda questão, a mais complexa, é justamente a forma como essa mudança gradual da economia poderia ser efetivada. Aqui cabe uma pequena síntese, talvez insuficiente porém necessária, do que estamos a falar: a economia.

Relembrando uma teoria básica

Em todo arranjo produtivo – e, neste caso específico, um arranjo produtivo local –, não podemos deixar de lado a velha questão da mais-valia. Citando:

“Quando o capitalista considera a mercadoria fabricada, não pode aí reconhecer a diferença entre o capital constante (meios de produção) e o capital variável (salários). Sem dúvida, ele sabe que sobre seus gastos (o preço de custo da mercadoria) uma parte é despendida em meios de produção e outra parte em salários, e que será preciso, para a produção contínua, repartir o mesmo dinheiro proveniente da venda da mercadoria, para comprar, por um lado, meios de produção e, por outro, força de trabalho.”

“Mas sobre a produção do valor e da mais-valia, isto não lhe diz nada. O que ele vê é unicamente que, no preço de custo da mercadoria, retorna exatamente o valor da mercadoria, tal como ele já existia antes do início da produção, e que o próprio salário retorna tal como ele existia antes do início da produção. A diferença característica entre o capital constante e o capital variável está, pois, encoberta pelas aparências, e a mais-valia obtida no fim da produção parece provir uniformemente de todas as partes do capital”. (Karl Marx. O Capital. RJ: Zahar Editores, 1982, edição de Julian Borchardt).

O que Marx argumentará com extrema precisão é que, ao contrário, a diferença entre o capital fixo (prédio, máquinas etc.) e o capital circulante (matérias-primas, matérias auxiliares e os salários) salta aos olhos. Para mais detalhes, vide o capítulo 6 da referida obra.

Bom, este foi apenas um parêntesis para lembrarmos o seguinte tópico.

É verdade que uma determinada economia poderá estar histórica e dramaticamente vinculada a um setor indesejável – supondo que poderiam existir governantes que supostamente desejem diminuir o orçamento militar de seus países. No entanto, a experiência de mudança do arranjo produtivo citado não poderia ter um lugar melhor para acontecer.

O Estado forte é uma realidade

Os Estados Unidos tem uma das economias mais fortes do planeta e, portanto, como sabem os economistas desenvolvimentistas e tentam esconder os neoliberais, um Estado muito forte. Ele é capaz, inclusive, de ajudar financeiramente, de forma espantosa, os gigantes bancos deste país – a autoproclamada “iniciativa privada”.

Este Estado, forte e robusto, tem duas ações fundamentais que poderiam minar o problema do desemprego, neste rearranjo:

1. Utilizar a mais-valia, sua espantosa arrecadação anual que forma a mais rica economia do mundo, para investir em outros setores e fazer, portanto, a substituição gradual da produção.

2. Reformar as agências, de modo que passem a ampliar as “áreas estratégicas” de investimento e incluir, por exemplo, a produção em energia limpa ou as tecnologias limpas de produção de alimentos em áreas rurais.

Estas são observações pontuais, limitadas. No entanto, permitam-me argumentar que são centrais para o direcionamento do tema que o Sr. Toshiuki nos traz.

Dois são os principais obstáculos frequentemente observados:

1. No meio disso tudo, conforme frequentemente esquecem os próprios economistas neoliberais, estão as pessoas. Centenas de milhares de pessoas passaram décadas de suas vidas se dedicando a um determinado ramo da economia, com grande afinco por vezes, e é nele que estão inseridos. Isso traz uma dificuldade muito grande, pois uma mudança econômica estrutural demandaria também uma força social suficientemente grande para criar a própria demanda pelo rearranjo produtivo. É o caso da indústria do tabaco, dos anos 90 para cá.

2. The political will, como dizem por lá, ou seja, a vontade política. As nossas frágeis nações conseguem, por meio de processos ditos “democráticos”, aprovar medidas que passam longe das aspirações da opinião pública – que, como vimos na guerra do Iraque, também poderá ser manipulada para um determinado desejo. Os governos podem tudo, principalmente os mais consolidados.

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Em geral, há no mundo muita gente exigindo melhores salários, melhores condições de trabalho, pleno emprego etc. Pouquíssimas pessoas, no entanto, fazem como uma de suas verdadeiras reivindicações um futuro melhor para o mundo.

O que é, afinal, uma verdadeira reivindicação?

Eu tenho um emprego X, com uma remuneração Y e direitos observados na lei trabalhista. Uma vez negligenciados, o trabalhador irá imediatamente reivindicar a reparação, seja ela financeira ou moral. A sociedade capitalista criou, mal ou bem – e principalmente nos países mais consolidados – diversos mecanismos para tratar desta questão. O Judiciário, a Imprensa e os Sindicatos são apenas três exemplos.

Mas quanto às questões mais amplas? Uma empresa norte-americana de petróleo já provocou, desde o dia 20 de abril, o vazamento de cerca de 71,9 milhões de litros de óleo no Golfo do México, ameaçando o ecossistema local, regional e até global, a longo prazo. Sem querer parecer simplista, permitam-me pensar de modo mais amplo. O sistema judiciário estadunidense, se for extremamente eficiente, conseguirá retirar milhões e milhões de dólares da British Petroleum, numa tentativa de “reparar” os danos ao meio ambiente e às pessoas que vivem na região. Nem sequer é o que está acontecendo, mas vamos pensar nisso como uma hipótese.

Nenhum “juiz”, no entanto, tem a prerrogativa de determinar o fracasso do sistema energético baseado em matérias-primas danosas ao meio ambiente. E as nossas “democracias” tão pouco dão voz aos “radicais” que buscam, a partir desta perspectiva mais visionária, eliminar de uma vez por todas as práticas genocidas, em termos ambientais, de geração de energia. É esta energia que mantem um país se “desenvolvendo” e “crescendo” de modo “sustentável” (ou seja, sustentando o crescimento).

Precisamos identificar frequentemente as falhas estruturais de um sistema que pensa a vida em termos financeiros para sermos, como argumentou Gandhi, a mudança que desejamos ver no mundo.

Podemos pegar um caso exemplar, para não soar “utópico”, como é comum ouvir nos corredores diplomáticos. O Movimento Libertem Gaza, responsável pela frota de pequenas embarcações que rumavam a Gaza para levar ajuda humanitária, é um grupo modesto, porém decidido a fazer valer a vontade da verdadeira “comunidade internacional”.

Israel vê crescer o ódio ao país por um motivo muito simples: a “democracia” que lá se encontra resultou na manutenção, há décadas e até hoje, de líderes de extrema-direita, que efetivamente acreditam que o povo palestino é um povo menor, que não foi “escolhido” e que, por isso, não merece a “Terra Santa”. Evidentemente que o mundo em coro, em pleno século XXI, repudia tal assertiva, que é confirmada não por palavras, mas pelas ações contínuas de terrorismo promovidas pelo Estado sionista.

No entanto, o “mundo” possui representantes que, na hora H, entram para a turma do “Deixa disso”, como se diz na linguagem popular. Contra nações mais frágeis, sanções econômicas variadas e até mesmo guerras. Para as nações mais potentes, o “bom senso” da diplomacia, o “diálogo”. Um peso, duas medidas.

Este Movimento fez, portanto, o que ninguém ousou fazer (apesar de pedirem, “diplomaticamente”): mesmo pequenos, desarmados e agindo sem o aparato naval adequado, romperam o bloqueio imposto por Israel – lembrando que esta não é a primeira vez que eles conseguem furar os bloqueios. Desta vez, foram nove mortos ou mais. A embarcação chegou e a ajuda humanitária foi entregue.

Aqui, portanto, nada de novo. Se existem pessoas que verdadeiramente enfrentam o sistema estabelecido por governantes insensíveis aos apelos populares, devem saber também que poderão ter problemas graves. Em todo o mundo, centenas de milhares de pessoas lutam para que esta situação específica – se você luta por justiça social, poderá pagar com a própria vida – mude. Mas o risco é real.

Por que fazê-lo, então? Esta é uma grande questão humana.

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(*) Herivelto Quaresma é jornalista e blogueiro carioca. Conheça seu blog clicando aqui ou o acompanhe pelo twitter.com/heri_quaresma

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Análise crítica da economia e da indústria química brasileira – 1ª semana de junho/2010

O Sindicato Químicos Unificados dá início a mais uma produção com o objetivo de levar informações para a categoria e seus militantes, movimentos sociais e entidades representativas e organizativas das lutas populares. Trata-se do Boletim de Economia.
Como o próprio nome já adianta, o Boletim divulgará informações e análises críticas da economia nacional e internacional, com destaque para os fatos relevantes para a categoria química.
A periodicidade do Boletim de Economia é semanal e ele é produzido por Fabiano Garrido, assessor econômico do Unificados e mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Destaques da edição
Como destaques, a atual edição do Boletim Econômico traz:
a)    Indústria farmacêutica, médicos e monstros.
b)    3ª greve geral na Grécia.
c)    Preços dos remédios variam até 524%.
d)    “Clube do bilhão” tem 85 empresas abertas no país.
e)    Lucro das empresas cresce 57% no primeiro trimestre.
f)    Indústria química – Produção e vendas crescem.

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Boletim de Economia – nº 02

BOLETIM 02 - QUÍMICOS

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Salvar os bancos até quando?

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Até os mais consistentes e autorizados analistas perceberam que as enormessomas reunidas com dificuldade para "salvar a Grécia" são efetivamente destinadas a salvar…. os investidores: bancos, fundos e outros credores internacionais. Bancos, fundos e outros credores internacionais são, com efeito, os felizes receptores do esforço dos cidadãos gregos e dos fundos públicos europeus. O artigo é de Frédéric Lordon, economista francês, pesquisador do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica) e do Centro de Sociologia Européia.

Frédéric Lordon

Tradução publicada no portal Esquerda.Net
Se bem que o texto que aqui se apresenta tenha como finalidade desenvolver um ponto de vista (relativamente) independente, torna-se difícil nada dizer sobre o plano de "estabilização" que a União Européia e o FMI acabam de anunciar e a propósito do qual não se pode deixar de questionar o que é que ele vai estabilizar e por quanto tempo…
O "plano de estabilização" ou os riscos do "bootstrapping" (1)
O plano é constituído por três parcelas: 60 bilhões de euros de contribuições da União Européia diretamente mobilizáveis, 250 bilhões da mesma moeda mas mobilizados pelo FMI, e uma grande fatia de 440 bilhões provenientes do fundo de garantia. Diga-se, sem ambiguidades, que os 60 bilhões da União Europeia são uma gota de água quando comparados com o problema potencial da dívida soberana na zona euro – mas são proporcionais ao poder fiscal da União (isto é, às contribuições nacionais que lançam créditos no seu orçamento). Os 250 bilhões do FMI são mais substanciais mas, mesmo assim, quando acrescentados aos precedentes 60, não dão uma resposta satisfatória ao problema: a Natixis estima que só o plano de salvação da Espanha atinge 400 a 500 bilhões de euros, sem falar da Itália, da Irlanda, etc. Daqui se conclui que se o contágio atingisse simultâneamente diferentes dívidas nacionais, seria o fundo de garantia que responderia ao essencial das tensões provocadas.
É aqui que reside o ponto fraco deste plano, pois, no seu fundamento, o dispositivo garante dívidas suspeitas por meio de finanças públicas suspeitas… Este projeto serve-se, claro está, da heterogeneidade da situação das finanças públicas europeias, ao garantir as menos boas pelas menos más. Subsiste, no entanto, um efeito de circularidade, que se tornaria manifesto se houvesse um efeito de contágio por pouco vasto que fosse e que veria inverter-se a proporção das dívidas (ditas) menos boas e das dívidas (ditas) menos más: neste caso, as primeiras, de minoria que são, tornar-se-iam preponderantes. Reside neste ponto a diferença entre o plano atual e o plano de garantia dos bancos privados concretizado pelos Estados, no outono de 2008, numa altura em que os Estados em questão possuíam ainda dívidas públicas moderadas e pareciam estar numa situação de exterioridade e de solidez relativamente ao setor bancário.
No presente plano de estabilização, são os Estados que se protegem mutuamente numa altura em que as suas solvabilidades são controversas e a destruição da dupla condição de exterioridade e de solidez é um fato. Ninguém poderá excluir um cenário no fim do qual – daqui a seis, doze, dezoito meses? – a opinião financeira, atualmente exaltada pelas centenas de bilhões postos à sua disposição, tome consciência do caráter "bootstrapping" da manobra. Se a crença financeira efetuar esta nova mudança, o conjunto do dispositivo desmoronar-se-á e tudo terá de recomeçar. Esperemos que o crescimento volte o mais rápido possivel e permita exaurir todas as tensões, iniciando calmamente o ajuste dos rácios de solvabilidade soberanos no mais curto lapso de tempo.
O único ancoradouro seguro do plano de salvação reside na sua quarta componente: a adopção pelo BCE de uma estratégia de "Quantitative Easing" (2) que anteriormente proclamara irrealizável – mas que, milagres da crise extrema que tornam possivel o impossível, atestam o caráter profundamente político da repartição de impossibilidades, objetivamente tecnicistas. Se a metempsicose existisse, transformar-nos-íamos de boa vontade em moscas, para irmos pousar candidamente na parede da sala de reuniões do conselho do BCE, onde os vidros poderão, dentro em breve, estremecer. Talvez se saiba em breve, qual foi a relação de forças que impôs aos representantes alemães (e talvez a outros) uma medida decisiva que eles rejeitavam imperiosamente e contra a qual tudo tinham feito para neutralizar.
Ludibriado, mais uma vez, pela rigidez geral do conjunto da construção europeia, que o obriga a editar regras infrangíveis para logo de seguida as violar, o BCE habituou-se a encontrar uma pose de unanimidade que, ao garantir a credibilidade, tolera mal as expressões públicas de discórdia, ressentidas como rupturas ou como dramas. Tal significa que as ‘aflições dogmáticas’ que certamente já se apoderaram do BCE, e que têm tendência para se agravar, correm o risco de se tornar incômodas. No caso de ocorrer uma crise de contágio soberana, o BCE, enquanto componente mais fiável do plano de conjunto, encontrar-se-ia na primeira linha e os senhores Stark e Weber assistiriam, furiosos, ao movimento incontrolável (mas, necessário) da cunhagem de moeda. A passagem para o "Quantitative Easing" é pois a única tábua de salvação tecnicamente robusta, mas politicamente talvez seja a mais frágil. Poderemos pois antecipar que a história está longe de ser contada e que outros capítulos serão acrescentados.
Salvar a Grécia ou salvar os bancos?
O anúncio do plano de estabilização não alterará nada (bem pelo contrário!), até mesmo as questões centrais que levanta (mais uma vez) a presente etapa da crise financeira. Até os mais consistentes e autorizados comentadores se aperceberam que as enormes somas reunidas com dificuldade para «salvar a Grécia» são efectivamente destinadas a salvar…. os investidores. Bancos, fundos e outros credores internacionais são, com efeito, os felizes receptores do esforço dos cidadãos gregos e dos fundos públicos europeus, o que significa que a solidariedade não é uma palavra vã e permanece um valor seguro nestes tempos perturbados. É de lamentar que o entusiasmo ‘pedagógico’ que preside iniciativas tão admiráveis como às do CODICE (Conselho para a Difusão da Cultura Económica), do Instituto para a Educação Financeira do Público ou às dos programas dos cursos de SES (Ciências Econômicas e Sociais) encontre aqui inexplicavelmente os seus limites.
É preciso ser cego para não vislumbrar neste ponto uma excelente oportunidade de pedagogia, habitualmente considerada essencial pelas tropas de elite dos preceptores midiáticos e políticos: a idéia de que, a pretexto de salvar a Grécia se salvarão os investidores, ganharia popularidade, com fins exclusivamente experimentais, para se saber que efeito poderia ter sobre a opinião pública a sua propagação, e para observar, sempre com espírito muito cientifico, o que poderia vir a seguir.
Decerto, e com todo o rigor, não se poderia afirmar que os contribuintes europeus vêm socorrer os credores internacionais. Os Estados europeus vão cobrar um suplemento de dívida aos mercados durante os três anos que durará o plano e obterão lucros (escandalosamente), nas costas dos gregos. Poder-se-á pensar até que, no seguimento das práticas do FMI, os Estados europeus cuidaram de si ao arranjar um lugar de credores privilegiados que lhes garante uma prioridade em caso de reestruturação.
Sejamos mais sérios. No último outono, Dominique Strauss-Kahn, diretor-geral do FMI e Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu, ao dar crédito à ideia de que a crise abrandara, cometeram uma imprudência, num movimento de alívio prematuro, ao declararem que socorrer a finança privada era em si suficientemente escabroso para não ter que fazê-lo uma segunda vez. No entanto, é aquilo que está ocorrendo atualmente, exceptuando a mediação oportunamente fornecida pelas dívidas soberanas que permite manter a ilusão, haja o que houver, de que se trata de salvar um Estado com pouco dinheiro (como todos os Estados) e nada mais. Ora, nunca se viu um Estado morrer por não pagamento de dívida, pela simples razão de que a expressão «falir» não tem rigorosamente cabimento a propósito de uma entidade política soberana.
Tudo isto é muito diferente do que aconteceu com os bancos privados, em 2008, pois que, caso não tivessem sido ajudados, teriam desaparecido. Logicamente, se o Estado não morre por não cumprimento, não é o Estado que estamos a salvar. Quem é então? Os credores, claro.
As dívidas soberanas da zona euro são detidas, em média, a 12% pelos bancos e 14% pelos investidores não bancários (3). No entanto, no caso da Grécia, pois que, ao que parece, é a Grécia que se está a salvar, a chave de repartição é singularmente diferente. No período compreendido entre 2005 a 2010, a dívida pública grega foi subscrita a 43% pelos bancos, 8% pelos gerentes (asset managers) e 4% pelos hedge funds (fundos de risco) (4). Eis, pois, a população de necessitados que os fundos públicos de socorro europeu vão ajudar. E se nos lembrarmos da simpatia espontânea que toda esta pobre gente recebe, logo nos vem ao pensamento: por que é que não a deixaríamos sucumbir?
É uma questão que vale mais do que um movimento de humor e na qual se adivinha imediatamente a resposta, aliás não sem legitimidade. Porque, tal como o episódio do Outono de 2008 já o provou, a finança possui objetivamente meios para nos forçar a ajudá-la. É pois importante saber em que medida e perguntar, depois, se não haveria algumas conclusões políticas a tirar desta situação excessiva que nada tem de imaginário.
A ausência de mecanismos de reestruturação das dívidas soberanas
O que aconteceria aos bancos se a Grécia não tivesse dinheiro? Lembremo-nos primeiro que uma «dívida» não significa necessariamente perda completa e definitiva para os credores, mas reestruturação da dívida segundo uma sábia mistura de reescalonamento e de exoneração (haircut na linguagem astuciosamente imaginativa da finança). É certo que a reestruturação de uma dívida de mercado, por oposição a uma dívida bancária sindicada, apresenta numerosas dificuldades. Se nesta última era fácil reunir em torno de uma mesa um número razoável de credores bancários ou públicos para negociar, como por exemplo aquando das crises das dívidas latino-americanas do início dos anos 80, através dos seus clubes (Clube de Paris, Clube de Londres), a reunião de um grande número de credores obrigacionistas é problemática. Não é, no entanto, impossível.
O FMI ao tomar consciência, no início dos anos 2000, desta mutação nas formas de financiamento soberanas, questionou-se sobre o processo de liquidação ordenado das dívidas obrigacionistas sob o modo de um chapter (5) remodelado (ou melhor, de um chapter 96) para uso das dívidas soberanas. Ann Krueger, na altura vice-directora do FMI, pôs de pé um projecto de SDRM (Sovereign Debt Restructuring Mechanism) decalcado do direito das falências privadas e organizou, sob a égide do FMI, convertido entretanto numa espécie de tribunal de comércio internacional, uma reunião dos principais credores com a finalidade de produzir um regulamento concordatário executório para todos a partir do momento que fosse avalizado por uma maioria qualificada. A ideia não era muito boa mas, pelo menos, acentuava a ideia de que um novo modo de financiamento soberano chamava a si novos modos de regulamentação das dívidas soberanas! Mas naquela altura, Wall Street fez ouvidos de mercador, já que reestruturar significava fatalmente «corte», e os nossos amigos da finança são homens elegantes que não cedem. Torna-se claro que a concordata traz sempre consigo uma boa parte de exoneração, enquanto que os bons planos de salvação pública, sob o comando do FMI ou dos Estados, oferecem melhores esperanças de total recuperação através de um «ajustamento estrutural». Acabados de sair dos anos Clinton, nada se podia recusar nessa altura à finança. O SDRM acabou por ser esquecido.
O indistinto ponto de falta de liquidez bancária
Impossibilitados de lhe darmos outra certidão de nascimento, dele se pode conservar a premissa essencial: quando há falta de liquidez, os credores abrem habitualmente o porta-moedas. Mas os dos investidores actuais gostariam de mantê-los fechados, por isso teremos de os obrigar a abri-los. Mas até onde e quais serão as consequências?
Os bancos encontram-se incontestavelmente em situação de assumir as perdas! Mas, como sempre (cf. «La croisée des chemins»), a questão decisiva é a localização dos pontos fracos. Que significa «ponto crítico» neste caso, isto é, o que é que poderá acontecer? Como para qualquer entidade económica não-soberana, o ponto crítico é o da falta de liquidez. Esta questão põe-se no entanto em termos diferentes para um agente económico não-financeiro. Com efeito, os bancos devem quotidianamente operar regulamentações extremamente finas da sua liquidez através do balcão do banco central, mas também e em parte com a liberalização financeira, nos mercados de capitais, em particular numa gaveta muito especial que é o mercado interbancário. A continuidade dos seus financiamentos a muito curto prazo é vital, bem como tudo o que a possa ameaçar é, potencialmente, uma catástrofe. Como já verificámos a grande escala, desde o Verão de 2007, a falta de liquidez bancária continua a ser raramente local. Propaga-se rapidamente através do jogo das obrigações cruzadas interbancárias e é precisamente nesta propagação que reside um risco sistémico de materialização.
O problema tem origem no facto de que a falta de liquidez de um só banco pode, muito rapidamente, contagiar os vizinhos. Como os bancos sofrem de uma paranóia de mútua fiscalização, muito embora, por vezes, fundamentada, não deixa de apresentar inconvenientes, nomeadamente a divagação. Tal significa, neste caso particular, que por causa do entusiasmo das antecipações do mercado interbancário e dos mercados de crédito por grosso, uma simples dúvida em relação à falta de liquidez pode transformar-se em certeza : «receamos que o banco A não tenha liquidez – mesmo se muitos elementos poderiam conduzir a uma conclusão inversa – e, por isso, emprestamos-lhe mais. Mas como todos os dias ele deve satisfazer as suas necessidades de tesouraria, o banco acaba por não ter liquidez…» Através das suas propriedades altamente auto-realizadoras, o contágio da desconfiança torna-se num poderoso veneno das finanças. É o que os Estados da zona euro estão a descobrir e os bancos privados vão talvez rapidamente redescobrir (já que o tinham experimentado no Outono de 2008).
É esta a razão pela qual os banqueiros mentem sistematicamente. Lembremo-nos que no Outono de 2007 o estado-maior da Société Générale (grupo bancário francês) afirmara de pés juntos que «no pior dos cenários» o banco não perderia mais de 200 milhões com as subprime. No entanto, perderam 2,5 bilhões, astuciosamente misturados no chamado caso Kerviel, Baudoin Prot, presidente do grupo francês BNP-Paribas começou também por jurar que este banco não estava exposto a quaisquer riscos soberanos gregos. Logo depois, confessou que estava à altura de um bilhão de euros. E, logo em seguida, a 5 bilhões, aos quais se deve acrescentar 3 bilhões de créditos comerciais. Não confessou, no entanto, que ele é o feliz proprietário do Fortis, um banco europeu que bate recordes na detenção de títulos públicos gregos (cerca de 60% dos seus ativos líquidos, se acreditarmos no que diz o Financial Times, esse jornal esquerdista).
O mais grave neste caso é que, no lugar destes bancos, faríamos a mesma coisa. E isto porque há uma racionalidade objetiva da mentira quando estamos submetidos aos erros, por vezes delirantes, da crença coletiva na finança. Uma excepção deve ser feita: a racionalidade que o senhor Prot reclama para ele, deveria ser concedida, da mesma forma, ao Estado grego…
Até onde deixar os bancos perder?
Poderíamos, ainda assim, tirar de tudo isto algumas conclusões simples.
A primeira é que um sistema cujos efeitos na vida material da maioria são de tão longo alcance – em inglês a expressão é mais incisiva: "far reaching" – e que funciona, em última análise, com as forças primitivas da opinião e da crença, está votado às mais aberrantes formas de suspeita e às reacções mais aberrantes que necessariamente se lhe seguem. Um tal sistema é, pois, iníquo e dá razões de sobra para que tenha de ser posto no bom caminho.
A segunda necessita de um desvio e parte da ideia de que nunca sabemos muito bem a quantas andamos com as perdas bancárias, e que essa incerteza nos obriga, à partida, a caminhar sobre ovos. Como qualquer empresa, um banco pode ter perdas. Em princípio, nada obsta a que se queixe dos títulos gregos. Existe, no entanto, um limiar de perdas – eventualmente muito longe do ponto de iliquidez – onde se desencadeiam todos os mecanismos geradores de antecipação de desconfiança que brutalmente a ela conduzirão. No universo bancário, uma crise de liquidez é geralmente uma inquietação de insolvência mal resolvida a partir de antecipações bancárias da concorrência7 – por um delicioso paradoxo desse universo, os bancos nunca deixam uma das suas congéneres chegar por si mesma à falta de liquidez, eles empenham-se em conduzi-la a isso…
Até onde deixar, então, os bancos «arrecadar» ? A resposta consiste num «nem demais nem de menos» que não é de grande ajuda operacional. Mas o susto do Outono de 2008, aliado à eficaz «presença» dos interesses bancários no coração dos aparelhos do Estado e o contexto geral da crise financeira em pleno desenvolvimento fizeram inclinar consideravelmente a balança do lado do «nem demais», até ao do «nada». Tirando o caso Lehman Brothers, somos obrigados a notar que os credores dos bancos implicados no naufrágio geral das finanças saíram sem um fio de cabelo molhado, façanha apesar de tudo considerável, se pensarmos na magnitude do choque, porque todos esses heróis, sem exceção, teriam ficado em camisa sem a ajuda pública…
Há algo intrinsecamente mau neste desencalhar permanente dos credores dos bancos e dos próprios bancos (8) que os torna quase insubmersíveis. Mas o mal eleva-se ao quadrado se pensarmos que esta forma de graça de que usufruem está longe de ser inteiramente infundada. Não é que a falência de um banco seja impossível. Sem dúvida a brutalidade dos processos de mercado priva-o de um corte de todos os seus financiamentos a curto prazo – vitais. E, à parte os credores, é também de uma importância estratégica não deixar as contrapartidas penduradas demasiado tempo. Contudo, pode-se imaginar muito bem a continuidade das operações da banca sob administração judicial do banco central (se não sob “administração judicial”, pelo menos sob controlo de liquidez garantida) o tempo necessário para encontrar uma regulamentação que reestruture a dívida, distribua as perdas e organize a saída da insolvência (se a saída for possível) por recapitalizações ad hoc (por exemplo mobilizando os credores por "debt-equity swap", isto é, convertendo as suas dívidas em capitais próprios).
Mas o problema que o choque de uma falha a alto nível no setor bancário coloca é não-local. Um grande número de bancos vão ver-se afetados simultaneamente. As coisas tornam-se razoavelmente mais complicadas. O suficiente para tornar impossível um regulamento ordenado. Podíamos fazer a experiência de deixar acontecer a falha a alto nível para ver se o sistema bancário é, afinal, capaz de a absorver sem entrar em colapso – e é possível que sim. Mas a experiência é na brincadeira, porque senão… É bem preferível antes de carregar no botão “falha a alto nível” ter na manga o segundo plano de salvamento bem montado e pronto a sair. Tudo depende, evidentemente, da medida da falha considerada. O que nunca pode ser dito com precisão já que, convém lembrar, os efeitos totais dependerão, em larga medida, da dimensão dos mecanismos de amplificação auto-realizadores, ex ante imprevisíveis.
A captura privada do bem comum da estabilidade financeira
Suponhamos mesmo que estes efeitos não são fatais. O resultado é, no entanto, quase de certeza, um aperto suplementar na contração do crédito, visto que é assim que reage sistematicamente o sector bancário a todos os seus contratempos – exactamente o que nos faltava no meio de uma recessão. Além disso, a eventualidade do colapso ou a eventual travagem brusca do crédito aproximam-se do ponto que justifica toda a presente discussão, a saber, a ligação objectiva do interesse particular do setor bancário e o interesse econômico do corpo social. Efetivamente, os bancos têm como marca distintiva ocupar essa posição muito particular na estrutura social do capitalismo, onde o seu próprio destino se liga ao da coletividade – uma espécie de passagem para o plano real das pretensões vulgarmente imaginárias da ideologia, já que Gramsci define precisamente a ideologia como a operação discursiva que transfigura interesses particulares em interesse geral (e cuja fórmula genérica foi dada pelo célebre «o que é bom para a General Motors é bom para os Estados Unidos»).
É por isso que convém olhar com a máxima desconfiança as declarações de certos agentes quando sustentam que o bem-estar da maioria depende do seu próprio bem-estar. É preciso estar de pé atrás sem que essa desconfiança a priori bem fundamentada impeça de ver os casos em que tal ligação está objetivamente constituída. Porque os há. E particularmente em materia bancária.
Em uma economia capitalista, o interesse material comum passa efetivamente pelo que se chama setor bancário. Isso acontece porque os agentes econômicos do setor produtivo têm uma necessidade vital de manter o seu acesso ao crédito para financiar o ciclo de produção e também, evidentemente, para investir. Um golpe, não a este ou àquele banco local, mas ao setor no seu todo tem, no pior dos casos, – o "meltdown" – o efeito de pôr em pânico quase instantaneamente toda a economia; e no caso menos grave – perdas importantes sem colapso do conjunto – o de atrasar brutalmente o crescimento por retração do crédito (depois de ter apanhado um calafrio, os bancos já não querem emprestar e só pensam em reestruturar o seu saldo).
É sabido desde 2008 que discutir o sistema bancário não é viável. É possível fazê-lo encaixar prejuízos mas – é preciso estar consciente disto – à custa de um contragolpe que virá rapidamente manchar a nossa alegria de ver finalmente os banqueiros amargar. Mas então, perguntar-se-á neste preciso momento, «estamos inteiramente nas suas mãos?» A resposta é sim.
Desprivatizar o sector bancário
Todavia, o momento da grande raiva que decorre desta percepção é ultrapassável, e pode até ser de curta duração. Porque a identificação dessa ligação objetiva traz ela própria a sua consequência política: a situação de dependência do interesse comum a um interesse particular tão localizado e tão concentrado tem o nome verdadeiro de captura e, por conseguinte, não pode ser tolerado. O que toca o interesse comum respeita o comum e não pode em caso algum ser abandonado a interesses privados – que, previsivelmente, reduzirão a comunidade aos últimos extremos da dependência: «salvem-me ou mato-vos, não me toquem ou firo-vos gravemente, que nada me aconteça ou pagareis por isso», o pior é que de todas as vezes estas ameaças são verdadeiras!
Não há que desesperar com esta «verdade», basta tirar dela as conclusões certas: se se verifica que, devido a propriedades muito particulares do crédito em economia de mercado capitalista, o setor bancário é o detentor de fato dos interesses materiais superiores da comunidade, e que ele dispõe dos meios objectivos para forçar a comunidade a dar-lhe tudo o que ele exige, então ele deve render-se à comunidade.
Uma outra formulação deste princípio é: un setor bancário privatizado não é tolerável. Reunir o número de concessões que as finanças bancárias terão feito engolir aos corpos sociais de há três anos para cá, é uma ideia que tem pernas para andar. É de crer que isto não seja ainda suficiente a julgar pelo mega-plano de salvamento europeu de 9 de Maio, que não muda nada às estruturas, que determina a relação dos poderes (ditos) soberanos e das finanças, e finalmente entrega a estas absolutamente tudo o que elas exigem: dum lado os planos de rigor para a população, do outro as garantias para si! É verdadeiramente comovente a alegria da finança quando, na manhã do dia 10, no grande pacote de 750 bilhões de euros, descobre que o Natal é em Maio. Embora dê vontade de bater se formos a pensar que as aposentadorias na França vão alegremente a caminho do desmantelamento por um impasse de 30 bilhões no horizonte de vinte anos.
Desta vez, a interpretação dos mercados está correta, pelo menos a curto prazo: todos os valores bancários estão em alta, é tão bom saber-se amado. Se – mas só por milagre – um terramoto político de grande magnitude viesse a ocorrer, o que se torna cada vez mais evidente que não partirá dos governos, e um novo acordo surgisse no horizonte, então aí seria preciso incluir formalmente o princípio de proibição da captura dos bens comuns – como a estabilidade e a segurança financeira lato sensu – por interesses privados, e tirar daí a conclusão operacional que logicamente se seguiria: nacionalização e a seguir socialização do sistema bancário (9).
Como muitas vezes acontece, para passar da raiva reprimida à raiva declarada basta uma palavra; de um abuso marginal para um abuso geral, uma provocação a mais, a maioria das vezes nem sequer consciente no espírito do provocador. A este respeito sejamos gratos ao excelente Baudouin Prot, presidente de BNP-Paribas e da Federação bancária francesa que, quando ainda nem se tratava de salvar a Grécia e reunir centenas de bilhões, se inquietava já com uma possível taxação dos bancos – sem esquecer de juntar a ameaça à "inquietação": "uma taxa reduziria os fundos próprios cujo nível determina a solidez e a capacidade de fazer empréstimos de bancos […] Se formos demasiado longe, vamos tornar o crédito mais raro e mais caro" (10). Não seria possível ser mais transparente, nem afastar melhor a vontade de ir «demasiado longe». E até mesmo muito mais longe.
Tradução de José Costa e Deolinda Peralta
NOTAS
(1) O "bootstrapping" designa a tentativa feita pelo barão de Munchausen de voar esticando ele mesmo os atacadores das botas e, de uma maneira geral, os processos repetitivos nos quais se espera que o efeito produza por ele mesmo a causa.
(2) Isto é, a intervenção direta nos mercados através de proposta firme de títulos da dívida pública.
(3) Sylvain Broyer, Costa Brunner, "Qui détient les dettes publiques européennes ?", Flash Natixis, n° 124
(4) Números comunicados pela Public Debt Management Agency, agência grega de gestão da dívida pública.
(5) cf. O capítulo do direito das falências da ONU consagrado às empresas.
(6) Ibid., mas desta vez dedicado às colectividades públicas territoriais.
(7) Ver: « La « régulation financière », entre contresens et mauvais vouloir », secção « Le dérivatif de la solvabilité ».
(8) Bancos que são importantes credores e devedores mútuos.
(9) De que foi dada uma prefiguração em « Pour un système socialisé du crédit »
(10) « Taxe bancaire : “une fausse piste” pour Baudouin Prot », Challenges, 15 de Abril de 2010

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