Arquivo de Economia

Governo Kirchner quer pagar a dívida externa. Mais uma vez

Dafne Melo
da Redação – Brasil de fato

Cristina Kirchner briga com conservadores e desagrada a esquerda com medida que usa fundos estrangeiros para pagar vencimentos da dívida

dívida externa

Neste ano, a Argentina comemora 200 anos de sua independência. A presidente do país, Cristina Fernández de Kirchner, resolveu comemorar de uma maneira que demonstra muito o perfil do seu governo na área econômica: pagando a dívida externa.
No final do ano passado, o governo federal anunciou a criação do Fundo do Bicentenário, formado com parte de reservas que o Banco Central da República Argentina (BCRA) possui em moedas estrangeiras. Dos 47 bilhões de dólares acumulados hoje pela instituição, seriam usados 6,6 bilhões para pagar vencimentos da dívida.
A medida foi rechaçada pela oposição conservadora, e também pela esquerda. Enquanto os primeiros – representados pelos partidos União Cívica Radical (UCR), Proposta Republicana (PRO) e Coalizão Cívica – pregam medidas ainda mais ortodoxas, sugerindo que os vencimentos sejam pagos com novos endividamentos e apertos fiscais, os segundos questionam a legalidade da dívida externa argentina e exigem que seja realizada uma auditoria.
Contra essa proposta, conservadores e oficialistas se uniram rapidamente: ambos rejeitam qualquer possibilidade de seguir o exemplo equatoriano. De acordo com o historiador argentino Alejandro Olmos Gaona, há documentos, testemunhos e declarações de peritos do BCRA que afirmam que 95% da dívida externa é ilegal, ou seja, contraída por meio de fraudes. “Por que temos que pagar uma fraude?”, questiona.

Crise política

O governo de Cristina Kirchner, desde as desavenças com o setor agroexportador, em 2008, tem tido dificuldade para se fortalecer. Hoje, a oposição está até mesmo dentro do governo, na própria vice-presidência. De viagem marcada para a China e Bolívia, em janeiro, a presidente decidiu adiar os compromissos para não deixar Júlio Cobos em seu lugar justamente durante a crise política que se instaurou após o anúncio do uso dos fundos. “Essa viagem me obrigaria a ficar dez dias fora, muito tempo, levando em conta que o vice-presidente não cumpre seu papel”, disse Cristina.
A crise se iniciou após o presidente do BCRA – que lá possui autonomia –, Martín Redrado, se negar a resgatar a quantia exigida para compor o Fundo Bicentenário. O Executivo, então, pediu sua renúncia. Redrado se negou a sair do cargo, e o governo, por decreto, o retirou da presidência da instituição, no dia 8 de janeiro.
Na Argentina, o presidente do BCRA é indicado e destituído pelo Congresso. Com esse argumento, e invocando também a autonomia da instituição, a oposição de direita bateu o pé e a Justiça cancelou a medida de Cristina. Outra determinação judicial afastou Redrado, deixando sua permanência a ser decidida pelo Congresso – em recesso até março.
Dias depois, o Banco Central dos Estados Unidos embargou fundos argentinos depositados ali. A bolsa argentina despencou, o dólar disparou e o pânico econômico ameaçou se instalar no país que ainda tem vivo na memória a crise de 2001. Apesar disso, a oposição se viu obrigada a recuar. Pesquisas apontam que 60% da população apoia a criação do Fundo do Bicentenário. Redrado acabou renunciando no fim de janeiro.

Dívida ilegal

Para a esquerda, o debate público gerado por conta da crise política, que ocupou diariamente espaço na imprensa corporativa do país, tem sido a oportunidade para questionar a legalidade da dívida argentina. A justificativa do governo federal diante da proposta de auditoria foi afirmar que o passivo contraído pelo país foi legalizado pelo primeiro presidente argentino que assumiu após o fim da última ditadura (1976-1983), Raúl Alfonsín.
Para Alejandro Olmos, o argumento é insustentável. “É um princípio elementar da ordem jurídica que os atos ilícitos não podem gerar consequências lícitas”, defende. O historiador ainda afirma que nunca foi do interesse do governo Kirchner – seja com Néstor ou Cristina – auditar a dívida.
“Em nenhum momento houve o menor interesse em auditar a dívida, só de seguir pagando. Eu enviei uma carta à presidente no dia 14 de janeiro. Há três dias, ela foi respondida, resgatando o grande trabalho de investigação do meu pai, mas afirmando que devemos pagar a dívida, pois ela foi legitimada”, conta Olmos, para quem dívida externa é também assunto de família. Seu pai – Alejandro Olmos –, falecido em 2000, foi pioneiro nos estudos da contração da dívida argentina e entrou na Justiça, em 1982, para provar sua ilegalidade, exigindo a punição de funcionários da ditadura militar. Em 2000, pouco após sua morte, um juiz declarou prescrita a ação, mas reconheceu a validade dos argumentos de Olmos, que servem de base até hoje para os movimentos que lutam pela auditoria da dívida.

Ditadura militar

“Esse tema me acompanha há anos e o associo aos 30 mil mortos e desaparecidos da ditadura militar, ao meu filho e ao povo que paga as consequências de uma dívida que não contraiu”. As palavras de Nora Cortiñas, da Associação Mães da Praça de Maio – Linha Fundadora, revela o que boa parte do povo argentino não sabe: o processo brutal de endividamento a que o país foi submetido durante a última ditadura militar, origem do problema no país.
“Quando começou o regime, a dívida era de 8 bilhões de dólares, que correspondia a empréstimos reais. Ao seu término, o passivo era de 46 bilhões”, explica Gaona. Ele acrescenta que o endividamento era parte de uma política econômica que tinha como base o aumento das importações, enfraquecimento da indústria nacional e endividamento de empresas públicas – sem que essas precisassem de fato do dinheiro, desviado para o tesouro nacional.
Desde então, a bola de neve só aumentou, incrementado pelos anos de neoliberalismo selvagem na década de 1990. Hoje, o passivo total é de 145 bilhões de dólares (50% do PIB), boa parte dele  formado por dívidas contraídas por empresas privadas e transferidas ao Estado por meio de fraudes. O Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel tem encabeçado também a campanha pela auditoria. “Quanto mais pagamos, mais devemos e menos temos. É uma transferência de capitais por meio de uma dívida ilegal que significa fome e marginalidade para o povo”, afirma. (Com informações do Infosur – www.infosur.info)

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Lucro dos cinco maiores bancos supera R$ 36 bilhões em 2009

O lucro líquido dos cinco maiores bancos brasileiros – Santander, Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa – somou R$ 36,737 bilhões em 2009, um aumento de 14,6% em relação aos R$ 32,029 bilhões do ano anterior. Os bancos afirmam que os resultados positivos refletem a melhora da economia, principalmente nos últimos meses do ano passado.
Nesta quinta-feira, o Banco do Brasil divulgou seus dados apresentando um lucro de R$ 10,148 bilhões, o maior entre as cinco maiores instituições do País. O maior crescimento de um ano para o outro foi protagonizado pelo Santander Brasil, que lucrou R$ 5,5 bilhões no ano passado, valor 41% superior aos R$ 3,9 bilhões de 2008.
“O crédito mostrou sinais de recuperação quando comparado com o trimestre anterior. A recuperação do ritmo de crescimento dos segmentos de financiamento ao consumo e de pequenas e médias empresas é evidente", informou o Santander Brasil durante a divulgação de seus resultados.
O Itaú Unibanco registrou o segundo maior avanço de lucro líquido em 2009, de 29%, para R$ 10,066 bilhões. No outro extremo, a Caixa Econômica Federal foi o único que apresentou recuo, de 23%, para R$ 3,0 bilhões. O Bradesco, primeiro dos cinco a apresentar seus números, em 28 de janeiro, somou lucro de R$ 8,012 bilhões no ano passado. (Olivia Alonso, iG São Paulo)

NOTA DO IZB: O Brasil não é mais o país do futuro, pois ele já chegou para os banqueiros!

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Crise de 29 e Revolução de 30

 

Aníbal de Almeida Fernandes

1906: A produção brasileira de café já superava os 20 milhões de sacas. Com os preços em queda, os presidentes das províncias de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais celebram o Convênio de Taubaté, (política de valorização do preço do café), fixando o preço mínimo para a saca de café e uma negociação de empréstimo externo no valor de 15 milhões de libras esterlinas para custear a compra de café pelos governos estaduais; criação de caixa de conversão; fundo para a estabilização do câmbio; imposição de taxa proibitiva para impedir o surgimento de novas plantações.
Celso Furtado em sua obra Formação Econômica do Brasil, resumiu as medidas:

  • O governo interviria no mercado, adquirindo os excedentes dos cafeicultores; visando estabelecer um equilíbrio entre a oferta e a procura;
  • O financiamento das aquisições se efetuaria mediante o recurso de capitais obtidos por empréstimos no estrangeiro;
  • A amortização e os juros do empréstimo, seriam efetuados mediante um novo imposto cobrado em ouro sobre cada saca de café exportado;
  • Visando solucionar a médio e longo prazo o problema do excesso de produção, os governadores dos estados produtores adotariam medidas visando desencorajar a expansão das lavouras pelos cafeicultores.

Quando os governadores conseguem desencorajar a produção, os preços do produto são mantidos artificialmente altos isso, porém, garante os bons lucros dos cafeicultores que, ao invés de diminuírem a produção de café, continuam produzindo-o em larga escala, obrigando o governo a contrair cada vez mais empréstimos para continuar adquirindo esses excedentes, num círculo pernicioso. O Estado adquiriu e estocou o produto para revenda em momentos mais favoráveis até 1924, ano em que foi criado o Instituto do Café de São Paulo que construiu os armazéns de valorização de café.
Celso Furtado aponta como a maior falha dessa política de valorização artificial do café não se ter incentivado a diversificação da pauta de exportações brasileiras, por meio de subsídios, para assim aliviar a pressão da oferta interna sobre a tendência da queda de preços verificada na época. Contudo, ele próprio concorda que tal ação governamental seria bastante dificultada por não corresponder aos interesses políticos predominantes na época, vinculados à exportação do café. Essa política adotada a partir do Convênio de Taubaté só ajudou a adiar o iminente fim do ciclo cafeeiro no Brasil, que aconteceu com a quebra da Bolsa de Nova York em 1929.
1909: Primeiros efeitos da política de valorização. Os preços internacionais começaram a subir, enquanto a caixa de conversão conservava o câmbio artificialmente baixo.
1914: Durante a 1ª Guerra Mundial, o Brasil enfrenta dificuldade para vender seu produto no exterior. O governo federal e o estado de São Paulo começaram a subsidiar o produto, comprando e estocando.
1917: São Paulo acumula estoque de 3 milhões de sacas.
1918: a superprodução já era uma realidade, porém com a geada de 1918, há um interregno de bonança e o café com grandes excedentes no Porto de Santos, duplicou de preço e é todo vendido permitindo aAltino Arantes, (primo-2º de minha bisavó Ana Margarida de Arantes) um governo (1916-1920) cheio de realizações em São Paulo.
1920: A famosa crise do café que faz parte da história de tantas famílias paulistas que sofreram suas duras conseqüências começa na realidade em 1920, devido ao contínuo, descontrolado e excessivo aumento da produção do café cuja safra chegava a espantosos 21 milhões de sacas para um consumo mundial de 22 milhões, sem nenhum controle técnico/econômico de bom senso sobre o plantio e a produção.
1927: O Brasil exportou 15.115.000 de sacas de café.
1928: Houve mais outra enorme safra de café, porem a exportação caiu para 13.881.000 sacas (menos 11%) já que os EUA, França, Itália, Holanda e Alemanha, que compravam 84% da produção brasileira, estavam irritados com o Brasil e comprando de outros países, pois a nossa fama de exportador de café era péssima uma vez que aqui se misturavam pedras, terra e gravetos para aumentar o peso das sacas, alem de incluir café de qualidade inferior adulterando o produto final.
1929: Já havia uma série de falências e concordatas muito antes da quebra de Wall Street em Outubro de 1929, por exemplo, em Setembro de 1929 o Correio da Manhã anunciava 72 falências e concordatas!
Para piorar o contexto, em Outubro de 1929 os fazendeiros ainda estavam exportando a safra de 1927!! e a safra de 1928 estava toda ela retida nos armazéns de valorização de café que eram gerenciados pelo Instituto do Café que fora criado em São Paulo em 1924 para apoiar os fazendeiros paulistas com auxílio financeiro do governo federal.
Em Outubro de 1929 o Herald Tribune informava que 2/3 do café consumido no mundo inteiro era produzido em São Paulo e que o café representava 3/4 das exportações brasileiras e, por conta da crise mundial, o país estava em precária situação financeira.
Previa-se um déficit de 120.000 contos de réis no orçamento de 1930.
A total falta de planejamento e controle sobre a produção do café era suicida, pois o consumo mundial era de 22 milhões de sacas e o Brasil, sozinho, produzia essa quantidade sem nenhuma previsão firme de mercado comprador determinado.
1929: a safra projetada para 13,7 milhões de sacas chega a mais de 21 milhões e a exportação diminuía cada vez mais! E o valor da saca de café que era 200.000 réis em Agosto de 1929 caiu para 20.000 réis em Janeiro de 1930!!!!!
A crise nos EUA começou a 19/10/29 com a dificuldade de se levantar meros US$ 100.000 em fundos do governo americano. A crise arrastou milhões de pessoas na chamada matança dos inocentes (a famosa quinta feira negra de 24/10/29), onde pessoas ingênuas perderam tudo o que possuíam já que, em poucas horas, 12.894.650 ações trocaram de dono provocando uma das quedas de Bolsa de Valores mais drásticas da história e provocando a miséria de milhares de famílias nos EUA e uma onda de suicídios de investidores. Na Grande Depressão que se seguiu, o PIB dos EUA foi negativo em cinco de um total de oito trimestres, sendo que no pior deles o tombo foi de 7,8%. A inflação chegou a quase 15%, a taxa preferencial de juros bateu em 21,5% e o desemprego quase encostou em 11%.
Em Outubro de 1929 o Brasil pretendia emprestar US$ 50 milhões para permitir que o Instituto do Café ajudasse os fazendeiros paulistas, só que o governo americano recusou o empréstimo, pois não havia mais dinheiro disponível nos EUA para empréstimo externo. A crise de Wall Street numa série de falências de bancos (4.000) e firmas, gerando o desemprego (PIB americano cai 60%) alastrou-se para o mundo inteiro.
Um empréstimo de emergência de US$ 10 milhões da Schroeder and Company foi feito para alavancar o banco do Estado de São Paulo tendo como único motivo a necessidade de financiar o Instituto do Café de São Paulo e tentar evitar a quebradeira geral dos fazendeiros paulistas, acostumados a um altíssimo padrão de vida e renitentes em entender que estavam no limiar de uma drástica mudança de perfil econômico e social mundial, a partir da 1ª Guerra Mundial que devastou as bases da sociedade européia.
A queda das exportações do café diminuiu as importações de outros produtos e os negócios encolhem e provocam o fechamento de empresas. O comércio e a industria diminuem o movimento com a recessão e, como não havia dinheiro na praça, as fábricas quebram gerando um enorme desemprego em cascata que se alastra por todos os segmentos sociais.
O achatamento dos negócios, uma vez que o café está sem comprador, provoca a ruína, a desonra e a desgraça das famílias da aristocracia cafeeira, outrora abastada e acostumada a gastos e luxos que não podem mais manter, e muitos fazendeiros se suicidam ao se verem na miséria, alguns em desespero chegam a recorrer ao jogo para tentar salvar o patrimônio do naufrágio final que os arrastam sem clemência para o desastre total, como já acontecera em 1889 com a 1ª crise do café fluminense.
No Brasil aparecem notícias de falências, concordatas e tragédias familiares:

  • no Rio a tradicionalíssima firma Oswaldo Tardim & Cia quebra com um passivo de 3.359.534$900, que era uma enorme quantia para a época!
  • em São Paulo a população está estarrecida com a tragédia do palacete da rua Piauí no bairro de Higienópolis onde o empresário Abelardo Laudel de Moura de 28 anos, afogado em dívidas se arma com uma navalha e tenta matar a mulher, que consegue escapar, ele degola o filho de 2 anos e a filha e, em seguida, se suicida!
  • no interior o café é queimado, pois não há esperança de venda, nem há como arcar com o alto custo da estocagem do café de várias safras que não conseguem mercado consumidor e os grandes fazendeiros naufragam em dívidas e têm que, no desespero, vender as jóias de família para sobreviver.

Esta crise econômica repercute na disputa presidencial já em pleno conflito com a disposição de Washington Luis de romper o Pacto de Ouro Fino celebrado em 1912 que fixara a alternância de São Paulo e Minas Gerais no poder governamental, com a famosa política café com leite ao insistir no nome de seu afilhado político Júlio Prestes de São Paulo em detrimento do mineiro Antonio Carlos que deveria ser o próximo presidente eleito conforme o Pacto entre a oligarquia de Minas e São Paulo.
A súbita fraqueza econômica de São Paulo (a crise não atinge a economi    a do Rio Grande do Sul com a mesma intensidade, pois o estado não dependia apenas do comércio exterior uma vez que vendia charque e arroz para o consumo interno brasileiro), é o fato gerador para alicerçar a ambição política de Getúlio Vargas que mantém, dissimuladamente, a aparência de aliado confiável de Washington Luis de quem, aliás, fora Ministro da Fazenda desde o início do governo em novembro de 1926 até o final de 1927 quando Vargas sai do Ministério para assumir o governo do Rio Grande do Sul.
Algumas forças políticas vêm em Vargas a forte opção para se contrapor a Washington Luís e à política café com leite, opção que evolui no meio efervescente das lutas políticas e interesses de vários personagens como Borges de Medeiros,(o Papa Verde), os tenentes de 1922 e 1924 (Siqueira Campos, Juarez Távora, Cordeiro de Farias), o que restara da Coluna Prestes com a facção marxista do Luis Carlos Prestes e Maurício de Lacerda, os comunistas do Paulo de Lacerda, até culminar com a deposição de Washington Luis a 24/10/1930 (praticamente 1 ano após o crash de 1929) que acaba com a hegemonia de São Paulo e Minas Gerais e promoverá a instalação de uma nova representação social no Brasil.
1930: o governo de Getúlio Vargas tira o poder político de São Paulo e Minas Gerais na política brasileira e muda radicalmente o modelo de sociedade constituída pelas grandes famílias agrárias de São Paulo/Minas Gerais como fonte de poder político e econômico. Getúlio é figurinha carimbada na história do Brasil; sua lembrança tanto serve para os que o odiavam como para os que até hoje o veneram. Para os primeiros, foi o “populista” que produziu um “mar de lama”; para os outros, foi o estadista que implantou um novo modelo de desenvolvimento que, apesar de seus defeitos, perdurou por mais de 50 anos, que bem ou mal incluiu à sociedade do século 20 as massas de trabalhadores pobres e sem direitos. Numa enquête popular realizada em 2007 Getúlio foi considerado o maior brasileiro de todos os tempos!!!
Resenha Histórica e a 1ª Crise do café de 1889: para entender esta dança do poder e das crises financeiras no Brasil, sempre causadas pela rotina de ascensão e queda das monoculturas brasileiras, vamos voltar no tempo:
ao sec. XVI/XVII açúcar: com o poder nas mãos dos riquíssimos senhores de engenhos de Pernambuco/Bahia que abasteciam o mundo com o açúcar a peso de ouro produzido nos engenhos de açúcar, que são o 1º grande motor agrário da economia do Brasil fazendo os primeiros milionários do Novo Mundo, como informam os registros de Pernambuco que, em 1580, apontam fortunas de 80.000 cruzados e em 1590 algumas fortunas superiores a 200.000 cruzados;
ao sec. XVIII ouro: com o poder nas mãos dos riquíssimos mineradores de ouro e diamantes de Minas Gerais que reconstruíram Lisboa e enriqueceram a Inglaterra e davam a Ouro Preto, em Minas Gerais, (120.000 habitantes), um luxo, riqueza e uma vida cultural de cidade européia no sertão do Brasil colonial, no apogeu da extração do ouro e brilhantes; que reconstrói Lisboa após o terremoto de 1755, (quando morreram 40.000 pessoas), graças ao ouro brasileiro (foram 1.094 toneladas de ouro e 3 milhões de quilates de brilhantes ou 2.500 toneladas de ouro e 1,5 milhões de quilates de brilhantes)
ao sec. XIX café fluminense: com o poder nas mãos dos riquíssimos cafeicultores, pois há uma correspondência, inequívoca, entre a força da província fluminense com o seu poderio econômico alicerçado no café e a força do Império Brasileiro dos Bragança, pois enquanto a província foi poderosa o Império brilhou e quando a província enfraquece o Império acaba.
É a 1ª Crise do café no Brasil nas terras fluminenses, provocada pela exaustão das terras e pela abolição da escravidão, que provoca a ruptura do Império e leva à República em 1889. Nesse caso não houve problema de superprodução, como a crise paulista de 1929, mas uma conseqüência do modelo de produção uma vez que houve uma total miopia do problema técnico por esses fazendeiros, pois eles não recompunham a força da terra exaurida pela cultura predatória sem adubação e, para aumentar a produção, plantavam sem nenhum cuidado de respeitar as curvas de nível e desmatavam ferozmente a mata virgem para ampliar as áreas de plantio alterando o microclima da região o que destruía os morros de terra nua após as chuvas, além disso os fazendeiros se prenderam, irresponsavelmente, ao valor do escravo como reserva de ativo financeiro seguro e, num instante, ficam sem os 2 ativos, pois os escravos são libertados sem indenização do estado e as terras cansadas e exauridas não tem mais nenhum valor comercial e, conseqüentemente, as famílias dos barões do café fluminense conhecem o desespero e a miséria que destrói o passado majestoso da região.
Hoje a região fluminense de Vassouras e Valença é uma sombra do que foi, não mais se avistam os extensos cafezais, que chegaram a ter 500 milhões de pés plantados, os palacetes das cidades estão em ruínas e as poucas soberbas sedes de fazenda que resistiram à decadência e aos cupins estão, todas, nas mãos de novos proprietários que, em alguns casos, fizeram intervenções, restaurando parte do esplendor do passado, porém em outros casos, nada foi feito e as sedes estão em plena decadência, arfando nos estertores finais de uma centenária trajetória que conheceu um formidável tempo de prestígio e glória para a sociedade agrária brasileira;
ao sec. XX café paulista: o poder do café chega a São Paulo na República do café com leite que proporciona a luxuosa belle époque paulista ainda ligada ao poder político/econômico agrário que sucumbe com o crash de 1929, na 2ª Crise do café, até chegar aos novos donos do poder, comerciantes/industriais, a partir de 1930, na dinâmica social que agita os países no limiar da 2ª Guerra Mundial.
Conclusão: a partir de Vargas, (que é uma conseqüência direta da Crise de 1929), o contexto social brasileiro sofre a influencia da multiplicidade das origens raciais, sem raízes no país, que formam um novo tecido social amplo e complexo com a participação dos imigrantes estrangeiros: italianos 1,6 milhão (só entre 1886/1900, entraram 921.000), espanhóis 694.000, alemães 250.000, japoneses 229.000 e árabes que mesclam à sociedade brasileira novos temperos que, até 1929, consegue manter uma certa similitude com o padrão de representação social-agrário como o fluminense dos tempos do Império destruído em 1889.
Com o crash do café em 1929 e o tremendo empobrecimento dos fazendeiros que se segue, muda definitivamente o padrão socioeconômico e o poder passa, rapidamente, das grandes famílias agrárias brasileiras para os industriais/empresários urbanos, majoritariamente estrangeiros, de origens e culturas diferentes onde o que qualifica, e diferencia, a importância das famílias, é a quantidade de dinheiro que elas têm e que estabelece a hierarquia social, sendo a única linguagem comum compreendida por todos esses novos atores da transformação social.
Assim sendo, o secular poder da aristocracia agrária brasileira passa radicalmente para os industriais e comerciantes, que se instalam como os novos mandatários do poder e donos do dinheiro e são eles que passam a moldar a dinâmica social com o êxodo do campo e a urbanização da nova sociedade através de uma linguagem sem fronteiras, que todos entendem, que é o dinheiro e o que ele pode comprar.
Essa nova sociedade que se forma no rastro da crise de 1929, tanto no país, como no mundo, segue em uma transformação acelerada até eclodir a 2ª Guerra Mundial. Porém há que se observar que, em todas estas transformações sociais se mantém o conceito da permanência histórica das elites no comando das mudanças sociais sempre manobrando em proveito próprio, que faz:
tudo mudar para continuar igual!!!

Fontes pesquisadas para estruturar este trabalho:
#Histórias de minha família, fonte primária: fazenda Baguary, Araraquara, SP.
#1930, Os Órfãos da Revolução, Domingos Meirelles, Editora Record, 2006, que é a base principal de informação dos dados técnicos que quantificam o trabalho. Produção de café: pgs: 332, 333, 431, 638, a exportação em 1927 de 15.115.000 de sacas é 2/3 do consumo do café no mundo, ou seja, o total consumido é de 15.115.000 dividido por 2  e depois vezes 3 o que dá: 22.672.500 sacas para o consumo mundial.
#Grupos qualitativos e disputa sem qualidade, artigo de Carlos Alberto de Melo, Cientista Político, doutor pela PUC-SP, Professor de Sociologia e Política do Ibmec São Paulo.
#Alcântara Machado (AM), José de, - Vida e Morte de Bandeirante, São Paulo, Martins, 1972.
#A Cidade e o Planalto, Gilberto Leite de Barros, Martins, 1967, I Tomo, em especial as pgs: 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16,17, 19, 21, 22, 23, 27, 28, 29, 35, 36, 37, 38, 40, 41, 44, 45, 49, 53, 54, 57, 60, 82, 83, 85, 91, 92, 93, 94, 95, 96, 123, 124, 164, 168, 169, 173, 174, 180, 186, 188, 191, 193, 196.
#O Leopardo, de Tomaso de Lampedusa.
#Omegna (NO), Nelson, A Cidade Colonial, Brasília, Ebrara, 1971.
#Bueno (EB), Eduardo, Naufrágios, Traficantes e Degredados, Rio de Janeiro, Objetiva, 1998.
#Brasil: uma História, Eduardo Bueno, Atica, 2003.
#Barões e Escravos do Café, Sonia Sant´Anna, 2001.
#A Coroa, a Cruz e a Espada Eduardo Bueno, RJ, Objetiva, 2006.
#Café e Ferrovias Odilon Nogueira de Matos, 4ª Edição, 1990, pgs: 29 a 34.
#O feudo, Luiz Alberto Moniz Bandeira, RJ, Civilização Brasileira, 2ª edição, 2007Brasil.
#Tragédia em Wall Street, Aventuras na História, Julho 2008, Editora Abril.
#Wikipédia: Convênio de Taubaté, #www.castanhal.com.br: História do café: Desde o Convênio de Taubaté, 1906 a 2006.
#Jack Welch com Suzy Welch, Portal Exame, 05/12/2008.
#VASSOURAS a Brazilian Coffee County, 1850-1900 Stanley Stein, Harvard University, 1957:
retrata de maneira clara e objetiva o começo, formação e início da decadência de Vassouras, quando terminam as matas virgens para derrubar e plantar e a rotina míope dos vassourenses que não adubam ou cuidam de proteger a terra onde plantam; e eu nunca tinha lido sobre a confusão e decadência que causou a implantação da estrada de ferro (D. Pedro II) para as vendas e comércio da estrada de terra (Estrada da Polícia). Também me impressionou a mudança das tropas de mulas (cada uma com 9 arroubas) que custavam 33%!!!!!!!!! do que valia o café para transportá-lo até o Rio e quando chega o trem que facilita tudo e fica rei o carro de boi que carregava 100 arroubas até as estações e derruba o custo do transporte e a perda de café e mulas nos constantes acidentes anteriores e Vassouras fica riquíssima e muito sofisticada no seu modo de vida.
Pg 226 os escravos entre 1857-58 valem 73% do valor da fazenda.
Pg 246 em 1882 o escravo é o que vale nas fazendas, pois tem liquidez e as terras estão exauridas.
Pg 247 as propriedades em 1888 desvalorizam 10 vezes em relação a 1860 e o escravo tem valor zero na composição do valor das fazendas.
Pg 251 estima m 500.000 escravos libertos em maio/1888.
pg 260 estima em 500 mil contos de réis a necessidade de dinheiro.
Pg 286, 287, 288: o pasto invade os cafezais e o êxodo das famílias dos antigos fazendeiros segue firme.
Pg 293
em 1825 > 1US$ dolar = 1 conto de reis e passa a equivaler em:
1850 > 0,58US$ dólar = 0,58 conto de reis
1900 > 0,19US$ dólar = 0,19 conto de reis
Pg 294 estima em 17.319.556 hab. a população do Brasil
Pg 295 estima em 1887 > a existência de 637.602 escravos

Fonte: História Net – http://www.historianet.com.br

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Brasília sediará segunda cúpula dos Brics em 16 de abril

 

Brasília vai receber a segunda reunião do grupo conhecido como Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) no dia 16 de abril, informou o Ministério das Relações Exteriores nesta terça-feira (2).

Líderes dos quatro países se encontraram pela primeira vez na Rússia em 2009 para discutir a crise financeira global e reformas nas instituições financeiras e comerciais do mundo.

A reunião dos Brics acontecerá um dia depois de um encontro entre os dirigentes de Brasil, Índia e África do Sul, também em Brasília, de acordo com o Itamaraty.

O subsecretário-geral do Itamaraty para Assuntos Políticos, Roberto Jaguaribe, viaja para Rússia, Índia, China e África do Sul para definir a agenda das duas reuniões. Ele disse ontem à agência oficial de notícias chinesa Xinhua que os quatro países do grupo precisam cooperar para enfrentar os últimos efeitos da crise global.

Segundo Jaguaribe, o governo brasileiro defende uma reforma "gradual" do sistema financeiro internacional, embora os Brics não tenham um plano para substituir o papel do dólar na economia global. (Reuters, com Folha Online)

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Bancos. Apesar da crise, ganhos recordes

Aguinaldo Novo e Patrícia Duarte

banqueiro O lucro líquido de oito bancos privados que já publicaram seus balanços aumentou 24,1% em 2009, na comparação com 2008, a despeito da crise que fez crescer os índices de inadimplência e abateu o nível de atividade geral da economia. O resultado foi turbinado pelo Itaú Unibanco, que ontem divulgou o maior ganho da década do setor bancário no país: R$ 10,067 bilhões, 29% a mais do que o lucro contábil informado em 2008 (de R$ 7,803 bilhões).Em valores nominais, o segundo melhor valor é o do Banco do Brasil em 2008 (de R$ 8,8 bilhões).

De acordo com compilação feita pela Austin Rating, a soma do lucro dos oito bancos chegou a R$ 23,174 bilhões em 2009, contra R$ 18,675 bilhões um ano antes. Além do Itaú, fazem parte da amostra Bradesco, Santander, BMG, ABC Brasil, Industrial, Modal e BRP. Os bancos foram buscar na tesouraria os recursos para compensar a estagnação da receita com empréstimos. O ganho com títulos e valores mobiliários e derivativos passou de R$ 31,4 bilhões para R$ 41,3 bilhões — alta de 31,5%. Para efeito de comparação, o avanço da receita com crédito da amostra foi de 8,3% no período; com serviços e tarifas, de 12,1%.

Também foi maior a contribuição de áreas como seguro e previdência para o faturamento total dos bancos — no caso do Bradesco, chega a 30%. Pela pesquisa da Austin, a contribuição de seguros para a amostra de oito bancos avançou 22%.

— A tesouraria compensou o que os bancos gastaram a mais com provisão para inadimplência — disse o presidente da consultoria, Erivelto Rodrigues.

Com a perspectiva de crescimento acelerado da economia, Rodrigues estima para 2010 uma variação entre 22% e 24% da carteira de crédito. Em linha, os lucros dos bancos devem registrar aumento superior a 20%.

Maior instituição privada do país, o Itaú Unibanco diz que os sinais de melhora da economia começaram a aparecer no quarto trimestre de 2009, com a queda da inadimplência e aumento da demanda por empréstimos.

Só neste período, o lucro líquido foi de R$ 3,21 bilhões, um salto de 71,7% sobre 2008. Já a carteira total de crédito, no valor de R$ 278,38 bilhões, avançou 3,6% sobre setembro e 2,4% em 12 meses. Outro indicador importante, a inadimplência média recuou de 5,9% em setembro para 5,6% em dezembro, considerando as operações vencidas há mais de 90 dias. O índice estava em 3,9% em 2008.

— Essa tendência vai se manter agora em 2010 — afirmou o diretor-executivo de Controladoria da instituição, Silvio de Carvalho.

BB tem estratégia para se manter líder

O Itaú Unibanco prevê crescimento de 18% para sua carteira de crédito neste ano, com destaque para o segmento imobiliário (com alta de até 40%). A previsão já considera a possibilidade de elevação da Selic (a taxa básica de juros), que o banco espera para a partir de abril (para fechar o ano entre 11% e 11,5%).

Em 2009, a instituição viu crescer a concorrência dos bancos públicos, que se aproveitaram da cautela dos bancos privados para avançar no mercado de crédito. Carvalho admitiu que a instituição tomou medidas “para um nível de crise muito maior do que acabou vindo”. As provisões adicionais (além do mínimo exigido pelo Banco Central) para devedores duvidosos ainda somam R$ 6 bilhões.

— Estamos satisfeitos com nossa estratégia. O share perdido não é relevante e faz parte do curso normal da operação — disse ele, que anunciou a integração total das agências do antigo Unibanco ao Itaú até dezembro, um ano antes do cronograma inicial de unificação.

O resultado não surpreendeu o Banco do Brasil (BB), que está às vésperas de divulgar seu balanço de 2009. Desde o ano passado, a maior instituição financeira do país — que chegou a perder o posto para o grupo surgido da união entre as famílias Setúbal e Moreira Salles, no fim de 2008 — sabe que precisa apostar num grande plano de expansão para manter a liderança.

A ofensiva tem ações planejadas nos mercados doméstico e internacional.

No primeiro caso, uma das armas é continuar focando no mercado de crédito em geral, com destaque para os grandes projetos e para a população de menor renda. Os dois grupos sofreram os reflexos negativos causados pela crise internacional e viram as fontes de recursos praticamente secarem.

Não por menos, o banco calcula que sua carteira de crédito vai crescer cerca de 20% em 2010, acima dos 17% projetados para o ano passado — a média de mercado deve ter ficado em 14,9%, segundo analistas. O BB vai continuar centrando forças nos empréstimos para pessoas físicas e, sem os riscos do ano passado, olhar com mais carinho para a classe C.

Um dos mecanismos pelos quais o BB pretende levantar recursos no mercado será a capitalização a ser promovida pelo seu principal acionista, o Tesouro Nacional. Segundo o presidente da instituição, Aldemir Bendine, o BB pretende levantar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões em 2010.

A proximidade da Copa do Mundo no Brasil (2014), das Olimpíadas no Rio (2016) e de outros grandes eventos no curto prazo, como a exploração da camada do pré-sal, levaram o banco a criar grupos internos para desenvolver projetos onde o BB pode ser parceiro, fornecendo recursos

BC aprova emissão de bônus perpétuos

Outro caminho importante para o crescimento em 2010 será o mercado de seguros, área que já vem sofrendo importante reestruturação dentro do banco. O BB também quer criar — ou comprar — uma corretora de valores, área que é enxergada pelos executivos como uma falha dentro da instituição, já que ela tem de usar a de terceiros.

No front internacional, o BB não esconde seus planos de comprar instituições em países da América Latina e nos Estados Unidos. Já conversa com o argentino Patagônia mas também tem contatos no Chile, Colômbia, Paraguai e Uruguai. No território americano também há conversas.

Ontem, o Banco Central (BC) aprovou a emissão dos bônus perpétuos realizada pelo BB de cerca de US$ 1,5 bilhão. O montante, agora, poderá fazer parte do capital do banco e, assim, melhorar seu índice de Basileia — que exige que as instituições financeiras tenham em caixa R$ 11 para cada R$ 100 emprestados.

A melhora será de 0,8 ponto percentual.

O Globo

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O exemplo equatoriano

País foi o primeiro da América Latina a realizar uma auditoria oficial da dívida externa

Dafne Melo
da Redação – Brasil de fato

O Equador provou que auditar a dívida externa não é nenhum bicho de sete cabeças. Enquanto a maioria dos governos latino-americanos resiste à proposta e demonstra total falta de interesse político em fazê-lo, o governo de Rafael Correa decidiu, em 2007, formar uma equipe para avaliar quanto da dívida do país era fraudulenta.
Dentre os integrantes, estava o historiador argentino Alejandro Olmos Gaona. “O exemplo equatoriano é importante porque foi a primeira vez que um governo se atreveu a auditar suas contas públicas”, afirma. De acordo com dados da Auditoria Cidadã, a América Latina, em 1970, devia ao exterior 32,5 bilhões de dólares. Em 2002, devia 727 bilhões de dólares, mesmo tendo pago 193 bilhões de dólares a mais do que devia.
A auditoria realizada pelo Equador – que foi concluída em 2008 – concluiu que mais da metade da dívida do país era fraudulenta. Da posse dos estudos, o governo equatoriano tem conseguido negociar seus passivos em outro patamar, ainda que abaixo do desejado. “A situação difícil do Equador, como resultado da crise internacional e a queda dos preços do petróleo, impediu que o país conseguisse impugnar parte da dívida em Nova York”, diz Gaona. O historiador destaca também que, no caso equatoriano, há uma série de processos legais sendo movidos contra ex-funcionários do Estado, acusados das fraudes.
Outro ponto positivo é que o estudo da dívida nesse país – com livre acesso a documentos – possibilitou identificar padrões de endividamento que certamente ocorreram em todos outros países, além de obter números que deixam claro o caráter espoliativo dos mecanismos de empréstimos. No Equador, por exemplo, de todos empréstimos contraídos entre 1989 e 2006, 14% foi utilizado em projetos de desenvolvimento social e os 86% restantes usados para pagar vencimentos da própria dívida acumulada. De 1982 a 2006, o país Equador pagou quase 120 bilhões de dólares, quanto recebeu apenas 106 bilhões em novos empréstimos, ou seja, contraíram uma dívida de cerca de 14 bilhões.

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I Feira Mundial e I Forum Social de Economia Solidária começam amanhã (22)

Tatiana Félix *

Adital -

Amanhã (22), tem início em Santa Maria, cidade do Rio Grande do Sul, na região Sul do Brasil, a 1ª Feira Mundial de Economia Solidária que deve reunir empreendimentos de aproximadamente trinta países, de todos os continentes do planeta. Segundo Irmã Lourdes Dill, Coordenadora do Projeto Esperança/ Cooesperança, a agitação na cidade já começou com a chegada de algumas caravanas.

A partir das 8h de amanhã haverá a Caminhada pela Paz e por Justiça Social, e a concentração será em frente ao Santuário da Medianeira. Em seguida, às 10h será a abertura oficial do evento. A Feira Mundial de Economia Solidária acontece no Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter, na Rua Heitor Campos, s/n - Santa Maria (RS).

Já o I Forum Social de Economia Solidária que também começa amanhã e termina na mesma data em que a Feira em Santa Maria, no próximo dia 24, acontece no Colégio Irmão José Otão, ao lado do Centro de Referência de ES.

O 1° Forum nasce num momento propício em que se dá maior visibilidade à caminhada da Economia Solidária (ES). O evento pretende dar enfoque a este modelo econômico alternativo, por meio da troca de experiências, como uma saída para as crises ambiental, alimentar e econômica.

No Forum serão discutidos cinco temas abrangentes como: "Construindo Educação e Formação Solidária", "Construindo um Sistema Financeiro Solidário", "Construindo uma Integração Internacional Solidária", "Construindo Produção, Comercialização e Consumo Solidários", e, por último, "Construindo Soberania Alimentar e Nutricional". Esses temas deverão ser debatidos em seminários internacionais, no sábado, dia 23.

Os dois eventos são animados por apresentações culturais, oficinas de capacitação, e espaços de vivência, além da comercialização dos mais variados produtos provenientes da economia solidária mundial. Irmã Lourdes estima que o público gire em torno de 150 mil pessoas.

No dia 25, algumas caravanas partem em direção às cidades de Porto Alegre e Canoas, respectivamente, capital e região metropolitana do Estado, para continuarem as atividades dentro da programação do Forum Social Mundial (FSM), que comemora, neste ano, 10 anos de atividades.

A coordenadora esclarece que, diferente dos anos anteriores, em 2010 o FSM tem atividades descentralizadas em mais de 40 regiões do mundo, ou seja, acontece simultaneamente em diversas cidades. A programação do FSM segue até o dia 29 de janeiro.

FSM: 10 anos de lutas e conquistas

O FSM se caracteriza pela pluralidade, não tendo viés governamental e nem partidário. É um espaço de debates e reflexões de entidades que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo. O FSM se propõe a facilitar a articulação em rede de entidades e movimentos engajados em ações concretas, partindo do local ao internacional.

Confira a programação completa e as novidades dos eventos pelo site: www.fsmecosol.org.br.

* Jornalista da Adital

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O capital mafioso contra os povos

Uma das consequências de longo alcance da crise económica em curso é a potenciação das actividades mafiosas como modo principal de acumulação de capital e, portanto, de financiamento das enormes dívidas dos estados. A rigor, não é novidade que os negócios sujos sejam uma das principais fontes de lucros das multinacionais e dos estados. O novo é que a crise reforça essa tendência do capital desde que, no princípio dos anos 70, o sector financeiro substituiu a produção como motor do sistema.
É claro que isto não acontece só em momentos de crise. Desde que o capital se voltou para o roubo, a especulação e a pilhagem da natureza, dos povos, de países inteiros e de outros capitais, no que se resolveu chamar "acumulação por despojamento", a diferença entre dinheiros legítimos ou legais e os ilegítimos e ilegais esfumou-se rapidamente. Os exemplos abundam. O Grupo de Trabalho de Alto Mar (High Seas Task Force) denunciou que em 2005 havia 800 barcos pesqueiros a realizar pesca irregular em águas da Somália, país que não pode controlar a depredação das suas costas. Os pesqueiros espanhóis capturam na Somália 200 mil toneladas anuais de atum de modo ilegal, abastecendo 40 por cento do consumo interno.
Contudo, a União Europeia regula cuidadosamente a pesca nas "suas" águas. Esta mesma semana, após árduas negociações, foi levantada a interdição de quatro anos e meio para a pesca da anchova no mar Cantábrico, admitindo apenas a captura de 7 mil toneladas anuais, restringindo severamente zonas de pesca com a ameaça de rever as permissões. Todas a Europa regula a pesca nas suas águas: a do bacalhau esteve proibida durante 10 anos no Atlântico Norte.
Aquando do tsunami de 2004, apareceram nas costas da Somália contentores de lixo tóxico que haviam sido lançados ao mar em segredo. "A Europa, através da máfia italiana, desfaz-se de resíduos tóxicos em águas somalis", assinala um relatórios de Ecologistas em Acção. No velho continente, cada tonelada de resíduos tóxicos que se processa custa entre dois e três mil euros, mas despejá-los na Somália vale apenas dois euros e meio.
Para não falar da Barrick Gold, a maior multinacional mineira dedicada à extracção de ouro do mundo. Os seus negócios na América do Sul já representam 47 por cento das suas reservas provadas e prováveis. Diversos estudos sustentam que Adnan Khashoggi foi fundados da Barrick Gold e quem realizou a maior parte do investimento junto com amigos que "organizavam a troca de armas e drogas entre o Irão, Israel e Nicarágua, que em 1986 levou ao escândalo do Irão e dos contra". Khashoggi tem vínculos estreitos com Peter Munk, presidente da Barrick, e este com George H. W. Bush. A Barrick, juntamente com outras multinacionais mineiras, foi responsável pela guerra do Zaire em 1997, que se saldou em 3 milhões de mortos, para apoderar-se das maiores reservas mundiais de coltan , minério chave no mundo da electrónica.
O Nobel Alternativo 2004, Raúl Monenegro, presidente da Fundação para a Defesa do Ambiente, denunciou as ameaças de morte recebidas por jornalistas da província de San Juan, Argentina, por dizerem a verdade sobre o impacto ambiental provocado pela empresa mineira canadiana Barrick Gold. Acrescentou que vários jornalistas "sofrem censura prévia ou são deslocados dos seus programas por abordar amplamente os danos ambientais provocados pela empresa mineira". Aquela multinacional impediu a apresentação no Canadá de um livro que denuncia as suas atrocidades em África.
Esta semana a imprensa britânica informou que o director do Gabinete contra as Drogas e o Crime das Nações Unidas (UNODOC), António Maria Costa, assegurou que o capital proveniente do crime organizado foi "o único investimento de capital líquido" no segundo semestre de 2008 que esteve à disposição dos bancos à beira do colapso. Trata-se de 351 mil milhões de dólares dos lucros do negócio da droga que contribuíram para salvar a situação em plena crise de liquidez do sistema financeiro. "O dinheiro das drogas", afirmou Costa, "converteu-se num factor importante" para muitos bancos, o que permite pensar que o capital financeiro é cada vez mais capital mafioso.
O assunto tem duas derivações para aqueles querem mudar o mundo. A primeira é constatar que o roubo e destruição do meio ambiente e dos povos hoje é a principal forma de acumulação de capital. Isto quer dizer que a pilhagem se intensificará porque é o caminho mais rápido para sair da crise. Quando os Estados Unidos e seus aliados falam em combater o narcotráfico e o terrorismo, deve entender-se que se propõem a destruir outros capitais, mafiosos ou não, como forma de continuar a concentrar riqueza. E poder. Mas essa mesma atitude converte-os em máfias institucionais toda a vez que recorrem aos mesmos métodos.
TIPO DE REGIME POLÍTICO
A segunda questão tem a ver com o tipo de regime político adequado para a protecção e estímulo à pilhagem. Trata-se de regimes eleitorais que permitem a rotação das equipes dirigentes, mas bloqueiam mudanças estruturais. [NR] Trata-se de democracias tuteladas pelo poder suave dos meios maciços de comunicação que condicionam a agenda política e pelo poder duro do império, o capital financeiro e as multinacionais. O Estado foi modelado e ultrapassado pelo capital mafioso; não poderá ser a alavanca principal das mudanças necessárias.
Avizinham-se tempos difíceis. O capital mafioso, hegemónico hoje numa América Latina que não sai – não pode ou não quer – do modelo extractivista (mineração e monoculturas), precisa de estados à sua imagem e semelhança, o que explica as razões pelas quais alguns aparelhos estatais naufragam na impotência. Uma agudização de um problema histórico que merece debates orientadores da acção colectiva.

[NR] Sublinhado de resistir.info
[*] Jornalista, uruguaio.
O original encontra-se em
http://www.jornada.unam.mx/2009/12/18/index.php?section=opinion&article=016a1pol

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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Cuba e Venezuela vai investir 3 mil 161 milhões de dólares em projectos

 

Misto Comissão Binacional

Chávez destacou que o aumento do comércio entre os dois países começou em 2000 com 17 projetos modestos para que destinou $ 30 milhões

Havana .- Em 2010, Cuba e Venezuela vai investir 3 mil 161 milhões de dólares na implementação de 285 projectos comuns, que abordem as áreas da saúde, educação, energia, tecnologia e meio ambiente.
Isto foi confirmado presidente venezuelano, Hugo Chávez, que, juntamente com o seu homólogo cubano, Raúl Castro preside no sábado à cerimônia de encerramento do bi-nacional da Comissão Mista realizada em Havana, como um prelúdio para a cimeira da Aliança Bolivariana das Povos das Américas (ALBA).
Chávez destacou que o aumento do comércio entre os dois países começou em 2000 com 17 projetos modestos para que destinou $ 30 milhões. Este é um mecanismo de cooperação que é inédito no mundo, é impressionante o nível de que tem crescido em quase uma década (…) Tendo em conta um bem superior, o aumento foi de quase dois mil por cento ", disse ele.
Por esta razão, o chefe de Estado felicitou o ministro venezuelano de Energia e Petróleo Rafael Ramirez, e seu colega cubano, Vice President da Comissão Executiva do Conselho de Ministros de Cuba, Ricardo Cabrisas Rui, exortando os responsáveis pela vigilância instrumentos de cooperação para derrotar a burocracia, para que o progresso é visível nas condições estabelecidas, revisou uma nota da Agencia Bolivariana de Noticias.
"Um dos maiores inimigos da revolução venezuelana não é a oposição louca, que muito tem poder econômico e de mídia, nem o império, o nosso maior inimigo é a derrota (…) burocracia seria o valor acrescentado de todos estes esforços que estamos fazendo, convido-vos hoje para lutar e vencer ", destacou Chávez.
Ele relatou que, desta vez foi rubricado a 92% do contrato, acrescentando que o restante será assinado até o final de dezembro deste ano e disse que os recursos para os projetos já foram alocados, e usado para aplicar enfaticamente que "os desembolsos são feitos tempo, que é composta e ligar o radar na hora de denunciar o que eles têm que denunciar. "

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Desemprego cai, mas a vida segue piorando!

desempregoo

Postado: Movimento Revolucionário

 

Em uma pesquisa realizada pelo IBGE divulgando dados que aparentemente deviam nos agradar e tranqüilizar no fim das contas só mostra que a economia passa longe daquilo que a burguesia diz que é. O desemprego cai de 7,7%, registrado no mês de setembro para 7,5 no mês de outubro, demonstrando que os índices estão retomando a patamares do período pré-crise econômicos. Esse dado poderia demonstrar que finalmente as coisas estão indo pra frente, porém ate mesmo os analistas estão cheio de receios diante dos caminhos que o sistema econômico brasileiro vem tomando. Já que, ao mesmo tempo em que o desemprego vem caindo, enquanto o número de pessoas ingressando no mercado de trabalho esta crescendo, hoje correspondendo a 21, 505 milhões de pessoas nas sete principais regiões metropolitanos pesquisadas pelo IBGE; a qualidade dos empregos oferecidos está cada vez com pior. Isso é expresso no número que diminui mês a mês, o de trabalhadores com carteira assinada, que hoje representam somente 44,9%, e esse numero cai pela primeira vez desde 2004!

A informalidade cresce: trabalhadores cada vez com menos direitos

A informalidade no Brasil vem se agravando cada vez mais, se 44,9% trabalha com carteira assinada, isso significa que a grande maioria da população - os 55,1% - trabalha na informalidade. Isso significa que a grande maioria da classe trabalhadora hoje está em um nível tão elevado de pauperização que não possuem nenhum tipo de amparo social, nem do governo, nem do empregador – estão por sua própria conta. Os analistas gostam de dizer que os pequenos empreendedores vêm crescendo, mas basta olhar para as ruas das grandes cidades e veremos os pequenos empreendedores, os camelos, os ambulantes, os catadores de papel; esse tipo de empreendedorismo que está crescendo e muito; e representam a maior parte dos 55,1% da população brasileira sem carteira assinada.

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CPI da Dívida II

Postado: Fundação Lauro Campos

Paulo Passarinho

 2995698353_1f33f7aa71_m Encerrei o meu último artigo nesse espaço - onde me reportei à sessão da CPI da Dívida Pública em que estive presente na Câmara Federal - manifestando o meu espanto com a demonstração de fragilidade dada por Armínio Fraga. O ex-presidente do Banco Central, na ocasião, explicou aos parlamentares que, frente ao jogo duro do mercado, para aceitar rolar a dívida da União, em 2001 e 2002, não restou alternativa que não fosse atender o apetite e voracidade dos agentes financeiros por mais juros, cláusulas cambiais e prazos mais curtos de vencimento para os títulos do governo.

Rigorosamente, não se trata de debilidade da autoridade monetária de então, conforme ironicamente insinuei. Uma das principais características observada no comando da política econômica do país, já há muitos anos, e independentemente do presidente de plantão, é o absoluto controle exercido pelo sistema financeiro sobre os cargos de direção do Banco Central, o verdadeiro lócus decisório dos rumos do país em termos econômicos. Neste artigo já mencionado, lembrei, por exemplo, que desde 1988 iniciou-se um processo de desmontagem de todas as restrições à livre movimentação de capitais no Brasil, aparentemente de forma absolutamente ilegal.

O próprio convite feito à Armínio Fraga por Fernando Henrique, em janeiro de 1999, para assumir o Banco Central, é uma demonstração cabal dessa subordinação do "governo" brasileiro à lógica e aos interesses do mundo das finanças. Armínio era na época um dos mais importantes gestores de fundos do grupo financeiro de George Soros, conhecido especulador financeiro internacional.

Saiu diretamente de Nova York, onde morava e trabalhava, para garantir os interesses dos credores na gestão da dívida pública do país, entre outros objetivos.

O sucessor de Armínio - já no governo de Lula -, como todos sabem, foi Henrique Meireles, até hoje no cargo, apesar inclusive das denúncias que lhe pesam, feitas pela Procuradoria Geral da República, de sonegação fiscal, evasão de divisas e falsidade ideológica. Meireles ao ser nomeado por Lula, há pouco se aposentara como um dos presidentes mundiais do Bank of Boston, um dos grupos credores do governo brasileiro. Fora eleito também - em rápida, milionária e suspeitíssima campanha no estado de Goiás - deputado federal pelo PSDB, aparentemente o mais forte opositor do partido do presidente eleito. Com relação às acusações que lhe afetam, ele apenas delas se beneficiou: Lula lhe conferiu o status de ministro de Estado, lhe possibilitando gozar de foro privilegiado na Justiça, para se defender.

Tudo isso deixa claro com quem se encontra, de fato, o poder econômico e político, no Brasil.

Explica, também, o porquê da trajetória do endividamento brasileiro não ter sido alterada, nesses anos de governo Lula. Ao assumir a presidência, Lula herdou uma dívida em títulos do governo federal em R$ 687,30 bilhões, correspondendo a 46,51% do PIB. Hoje, essa dívida ultrapassa a R$ 1,8 trilhão, mais de 55% do PIB.

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Excesso de capital estrangeiro pode prejudicar crescimento do Brasil, diz Nobel de Economia

 

O americano Paul Krugman, Prêmio Nobel da Economia de 2008, afirmou nesta quarta-feira que o Brasil entrou na crise com perfil financeiro muito melhor que em crises anteriores, o que possibilitou ao país sair bem dela.
"Pela primeira vez em toda a minha carreira o Brasil saiu melhor da crise e é por isso que vocês estão com tudo", disse, em entrevista a jornalistas em São Paulo. Krugman ressaltou, porém, que o forte fluxo de capitais para o país, que está supervalorizando o real, pode se tornar um problema.

"A história indica que você não vai querer ser sempre o maior destaque", afirmou, lembrando que México, Argentina e Ásia tiveram momentos de grande otimismo seguidos de grandes crises nos últimos anos.
Para o economista, o excesso de recursos estrangeiros no país pode ser ruim economia brasileira. "Estamos vendo o real muito elevado, em um nível difícil de justificar", disse.
Segundo ele, a moeda muito valorizada pode afetar muito as exportações do país. "O problema do Brasil neste momento é o real continuar subindo, o que pode prejudicar o crescimento econômico", afirmou.
Krugman afirmou que o governo brasileiro deve realizar intervenções frequentes na taxa de câmbio para evitar a supervalorização da moeda local, acumulando reservas "mesmo que não queira".
"E está na hora de dizer para o mercado: "Estamos melhores do que fomos, mas não somos tão bons assim, não amem tanto a gente", disse.
EUA
Durante a entrevista, o economista afirmou ainda que o grande desafio dos Estados Unidos a partir de agora não é o deficit orçamentário, como muitos dizem, mas o desemprego elevado. Além disso, Krugman ressaltou que o crescimento visto no país no terceiro trimestre, de 2,8%, deve desacelerar.
"O fator crítico agora é o desemprego. O PIB [Produto Interno Bruto] está crescendo, o mercado de ações também, mas o desemprego está terrível", disse. "Em relação a isso, a crise não acabou não."
Ele previu que a expansão da economia norte-americana deve desacelerar para cerca de 2% em 2010, "abaixo do seu potencial", já que os fatores que estão puxando o crescimento agora –incentivos do governo e queima de estoques– não vão durar no longo prazo.
"Os fatores que levaram ao crescimento agora são temporais e vão desaparecer no próximo ano. E nós estamos vendo nenhuma aceleração na demanda das famílias, das empresas, que compense isso", disse.
Para Krugman, o desemprego deve ficar em 10% nos EUA em 2010. "Se isso continuar, vai exigir um enorme crescimento do PIB", disse.
O economista afirmou que o estímulo fiscal do governo de Barack Obama foi cerca de metade do que deveria ter sido para ajudar a economia e sugeriu que o governo destine entre US$ 200 bilhões e US$ 300 bilhões para criar empregos. Esse dinheiro, segundo ele, seria usado para dar créditos a empresas que contratarem, aumentar os postos públicos e ajudar os governos estaduais com suas folhas de pagamento.
A respeito de um novo choque na economia mundial que fizesse os países voltarem à recessão, Krugman afirmou que "a parte apocalíptica da crise já passou". "Haverá mais choques ainda, como Dubai ou algum dos países bálticos pedindo moratória, mas isso já é esperado", disse. (GIULIANA VALLONE, da Folha Online)

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Brasil amplia contribuição e ganha poder de veto no FMI

País promete destinar US$ 14 bilhões a fundo de reservas da instituição

fmi  O Ministério da Fazenda anunciou nesta quarta-feira que o Brasil irá destinar US$ 14 bilhões a um fundo de reservas do FMI, o que lhe dá, juntamente com os outros Brics (Rússia, Índia e China) direito de veto no órgão.

O dinheiro prometido pelo governo brasileiro irá para os Novos Acordos de Empréstimo (NAB, na sigla em inglês), um fundo de reservas que reforça a capacidade financeira do FMI, complementando suas quotas - o instrumento principal do órgão para financiar seus empréstimos.

O Brasil já havia se comprometido a dar US$ 10 bilhões ao Fundo, por meio da compra de bônus emitidos pela instituição. Segundo o governo, esse valor, mais US$ 4 bilhões será o valor limite da participação brasileira no NAB.

A decisão foi anunciada durante uma reunião realizada em Washington entre os 26 atuais participantes do NAB e 13 potenciais integrantes.

"Ficou estabelecido que os BRICs passarão a deter em conjunto mais de 15% da participação no acordo. Este percentual lhes dá poder de veto sobre as principais decisões que serão tomadas pelo NAB", diz um comunicado emitido pelo Ministério da Fazenda.

"A participação do Brasil no NAB não significa, necessariamente, aporte de recursos, o qual estará condicionado à efetiva necessidade do FMI e a decisão dos participantes de ativar o mecanismo." O NAB foi criado em 1998 e tem hoje recursos de cerca de US$ 54,4 bilhões. (BBC Brasil)

NOTA DO IZB: Esse negócio do Brasil emprestar dinheiro para o FMI parece a fábula da noiva de Drácula: dá um pouquinho de sangue ao vampiro diariamente, para que o cadáver ‘vivo’ permaneça insepulto. O perigo é a noiva também vampirizar-se, ou seja, o Brasil passar a viver de juros cobrados dos pobres países emprestadores do FMI. Pode??

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BNDES empresta R$ 4,4 bilhões à Oi, que tem uma dívida de R$ 21 bilhões

 

Em menos de dois anos, financiamentos de bancos federais à empresa ultrapassam os R$ 11 bilhões

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou ontem um empréstimo de R$ 4,4 bilhões para o grupo Oi. O dinheiro será investido na expansão das redes de telefonia fixa e móvel entre este ano e 2011. É o maior valor já concedido pelo banco estatal a uma única empresa de telecomunicações.

No mercado, de início, acreditava-se que a empresa usaria o dinheiro para melhorar o perfil de sua dívida, de R$ 21,1 bilhões, além de uma série de compromissos de curto prazo por causa da compra da Brasil Telecom (BrT), que custou cerca de R$ 12 bilhões. Contudo, Alan Fischler, chefe do Departamento de Telecomunicações do BNDES, informou que o empréstimo só pode ser usado para o investimento apresentado.

O BNDES é o maior acionista individual da Telemar Participações, controladora da Oi. O crescimento do banco no capital da empresa ocorreu na época da reestruturação societária, quando a Oi comprou a BrT. A ideia, porém, é que o banco vá saindo à medida que os fundos de pensão Previ, Funcef e Petros elevem a sua participação na companhia, que é controlada pelos grupos La Fonte e Andrade Gutierrez.

O banco nega qualquer relação entre a sua participação no grupo e o financiamento. Fischler ressalta que todas as companhias de telefonia recebem empréstimos do BNDES. Desde 1998, foram R$ 29,4 bilhões para o setor.

Os recursos de fontes federais foram fundamentais para que a Oi conseguisse fechar a compra da BrT, no ano passado. O BNDES, por exemplo, concedeu um financiamento de R$ 2,5 bilhões para o enxugamento societário da Oi, operação que precedeu à compra. Esse enxugamento, no total, consumiu R$ 2,9 bilhões.

O Banco do Brasil também foi fundamental no negócio, ao efetuar um empréstimo de R$ 4,3 bilhões à Oi. O financiamento provocou polêmica, por fugir do padrão do banco, ao ultrapassar o limite normal de exposição do BB a um único grupo econômico. E também pelo fato de a Previ, fundo de pensão dos funcionários do banco, ser um dos maiores acionistas do grupo de telecomunicações. À época, o banco negou qualquer conflito de interesse na operação.

METAS

Segundo Fischler, a maior parte do financiamento anunciado ontem será usada no cumprimento de metas da Oi na telefonia fixa até 2011. "O financiamento, por enquanto, foi apenas aprovado, mas a liberação acontece aos poucos, conforme vai se confirmando que os investimentos estão sendo realizados conforme o previsto", disse.

Sem poder usar esses recursos para quitar dívidas, a Oi vem recorrendo ao mercado. No início do ano, fez emissão de R$ 3 bilhões em debêntures e está se preparando para fazer outra no mesmo valor. O financiamento do BNDES será reajustado pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais 3,95%, para pagamento em 9 anos.

Com a compra da BrT, a Oi se tornou poderosa não só nacionalmente, mas também com capacidade de partir para compras no exterior, isto é, depois que conseguir arrumar a casa e voltar a se capitalizar. Fontes do mercado acreditam que a empresa tem boas oportunidades tanto em Portugal quanto na Argentina, onde, por restrições da Anatel local, a Telecom Itália terá de desfazer de seus negócios. Já no ano que vem, a Oi pode voltar às compras. (Débora Thomé e Alessandra Saraiva, RIO / Agência Estado)

NOTA DO IZB: Desculpem a ignorância. A matéria está dizendo que o governo brasileiro empresta TODO o dinheiro para uma empresa se capitalizar, quando ela tem um ‘perfil de dívida’ estratosférico?? (no caso, de 21 BILHÕES DE REAIS???). Não é neste negócio Brasil Telecom/Oi, que o nosso ‘mui amigo’ Daniel Dantas esteve envolvido? (o mesmo investigado na Operação Satiagraha?). Os especialistas em economia capitalista profunda, mandem-me esclarecimentos, suplico! Uma luz!

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Apesar da queda dos juros, bancos ampliam rentabilidade

Os bancos presentes no País aumentaram suas margens de rentabilidade durante o terceiro trimestre deste ano mesmo em um ambiente de queda de juros e maior disputa entre os competidores do setor. Segundo levantamento elaborado por Einar Rivero, da consultoria Economática, a rentabilidade dos bancos sobre seus patrimônios líquidos (ROE), que foi de 7,9% entre janeiro e junho, passou para 11,9% ao fim de setembro.

No acumulado do ano, a soma dos lucros dos 22 bancos listados na BM&F Bovespa chegou a R$ 21,9 bilhões. Isto significa que as instituições financeiras possuem hoje o maior lucro entre os 28 setores presentes na Bolsa, aponta o estudo da Economática.

A melhora do indicador de rentabilidade ocoreu mesmo com a queda da taxa básica de juros (Selic). O último corte realizado pelo Banco Central aconteceu em meados de junho, quando a Selic passou de 9,25% ao ano para 8,75%.

Além disto, o aumento das margens indica que nem mesmo a agressividade dos bancos públicos, que desde o início da crise financeira internacional acirraram a concorrência na concessão de crédito para empresas e consumidores, abalou o desempenho do setor.

Depois dos bancos, o segundo maior lucro e rentabilidade da Bolsa é o da Petrobras. Ao fim do terceiro trimestre, o resultado da estatal era de um lucro líquido de R$ 20,8 bilhões e a rentabilidade sobre patrimônio líquido tinha passado de 9,4% para 14,2%.

O lucro líquido dos bancos e da Petrobras representam exatos 45% da soma de todos resultados da Bolsa de janeiro a setembro deste ano.

Atrás da Petrobras, estão as empresas do setor elétrico, 37 no total. No período, a margem do setor caiu de 7,5% para 5,9%, indica o estudo. Depois, estão os setores de mineração e alimentação e bebidas, com margens de 7,7% e 12,8%, respectivamente.

O levantamento da Economática foi realizado a partir do resultado trimestral de 303 empresas listadas na Bolsa brasileira. (Guilherme Barros - mercado, economia e grandes empresas – iG)

NOTA DO IZB: Eita governo democrático! Bolsa Família pros pobres, e lucros para os Bancos! Estamos ou não vivendo no mundo de Alice no País das Maras Maravilhas???

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