Arquivo de Educação

Da educação que temos para a sociedade que queremos

Há décadas ouvimos o discurso de que é preciso melhorar a qualidade da educação no Brasil, de que essa qualidade é essencial para o desenvolvimento do país etc. Hoje, vários programas públicos, assim como movimentos da sociedade civil, carregam esta bandeira, mas o que é, afinal, esta qualidade? Que qualidade queremos?

por Rubens Salles

Conforme foi recentemente publicado1, só 33% das metas do Plano Nacional de Educação foram cumpridas entre 2001 e 2008, e foram apenas as metas quantitativas. Das metas qualitativas, nada foi conseguido, muito pelo contrário, elas pioraram. A taxa de repetência no ensino fundamental aumentou de 21,7% em 2001, para 27,7% em 2007, e a evasão no ensino médio aumentou de 10% em 2006, para 13,2% em 2008.

Depois de tantos planos fracassados2, fica claro que a raiz deste problema ainda é desconhecida pelos nossos gestores públicos. Reconhecidos estudiosos da educação, como Edgar Morin3, Francisco Imbernón4, Saturnino De La Torre5, Isabel Alarcão6 e tantos outros, já nos alertam há anos que o grande obstáculo para oferecermos uma educação adequada às demandas do nosso tempo, se encontra no âmbito das relações humanas, na qualidade das relações humanas na escola, em especial durante o ensino infantil e fundamental, um período essencial para o desenvolvimento humano.

No Brasil, o foco da relação do professor não é com os alunos, mas com o conteúdo, e os sistemas oficiais de avaliação do ensino, focados em notas, também estimulam esta cultura. Embora a formação em pedagogia, teoricamente, prepare o professor para lecionar em qualquer ano do ensino infantil ou fundamental de 1º ao 5º ano, ele se especializa no conteúdo relativo a um único ano escolar, e a cada ano pega uma nova turma de alunos para ensinar o mesmo conteúdo. Assim, ele não se compromete com o desenvolvimento e o sucesso futuro dos alunos. Se a criança tem dificuldades é cômodo transferir a culpa para a família ou o para o professor anterior, e ela será problema do próximo professor. Também é fato que, para se manter com um baixo salário, é comum o professor assumir uma carga horária muito alta, trabalhando em vários períodos, o que inviabiliza um envolvimento mais profundo com seus alunos. Nossas políticas públicas não estimulam o comprometimento do professor com o desenvolvimento individual dos alunos por longo prazo, nem uma aproximação efetiva do professor com as famílias, e, no fim, ninguém é responsabilizado pelo fracasso de um aluno.

Devido à pressão que a sociedade impõe ao poder público pela melhoria da qualidade na educação, governantes, assim como gestores de escolas privadas, tentam resolver o problema comprando “sistemas de ensino” apostilados, que não têm relação com as necessidades individuais dos alunos e nem com a identidade de suas comunidades. Com estes sistemas “economiza-se” o tempo para preparar aulas. Assim, os professores podem ter os vários empregos – necessários, pois os salários continuam baixos – e  não têm tempo para dedicar ao seu aprimoramento e aos seus alunos. É a pura lógica industrial: investe-se nos sistemas e economiza-se na mão de obra. Assim a qualidade de vida dos professores vai para o ralo e a qualidade da educação vai junto. Adotar estes sistemas equivale a obrigar pessoas que podem andar a usar muletas. Eles já atingem milhões de crianças brasileiras, e quem mais se beneficia são as editoras que os vendem7. A educação, principalmente a infantil e fundamental, não pode ser tratada como se fosse apenas um treinamento, desvinculada das relações humanas e da individualidade dos alunos, e os professores como se fossem incapazes de criar e planejar suas aulas. Isso tira a autonomia da escola, engessa e massifica o ensino, relega os professores a meros coadjuvantes, a aplicadores de tarefas e testes, tolhendo seu protagonismo, e perpetua o status quo8.

Sabemos que a educação é radical: ela é a raiz do bem ou raiz do mal. O que chamamos de escolas públicas, no Brasil, são, na maioria, escolas estatais, obrigadas a seguir programas impostos pelo estado, escolas sem “alma”, que cerceiam a criatividade e a iniciativa dos professores, e, como consequência, desestimulam a criatividade, a iniciativa e o interesse dos alunos. Aí os jovens chegam ao ensino médio despreparados e desmotivados, sem acreditar na escola, nem nas suas próprias chances de sucesso, e acabamos com o “apagão” de mão de obra que o país enfrenta hoje9.

Neste cenário, fica claro que nossa educação básica se perdeu do fator humano. As crianças não precisam da escola apenas para serem instruídas, elas precisam para se desenvolver como seres humanos. Embora esta seja uma responsabilidade primordial da família, sabemos que a escola é um ambiente privilegiado para o desenvolvimento de valores como a responsabilidade, a solidariedade, a sociabilidade, a tolerância, a inclusão, a justiça, a democracia, a diversidade, a cidadania e a sustentabilidade, entre outros.

Sem pretender esgotar aqui este assunto, relaciono alguns princípios que considero condicionantes para uma educação de qualidade, com base nas relações humanas e na educação como arte social, e que podem ser um caminho para enfrentarmos nosso maior desafio: substituirmos a cultura do consumismo pela da sustentabilidade10.

Fotorubens

O professor como formador comprometido com o sucesso do aluno

O êxito da educação básica depende, em primeiro lugar, da qualidade da relação humana entre professor e aluno. Tanto no ensino infantil, como no fundamental, o foco do professor precisa deixar de ser apenas o conteúdo, e passar a ser o aluno, e seu desenvolvimento como ser humano completo, que pensa, se sensibiliza, se relaciona e atua no mundo. A mudança deste paradigma é essencial para que outras transformações sejam conseguidas. Tanto no ensino infantil quanto no fundamental, é preciso criar a possibilidade e incentivos para que cada professor se comprometa com a condução de sua turma pelo maior tempo possível, e com o sucesso individual de seus alunos.

Leia o restante deste artigo »

Comentários

‘Pacote da autonomia’ amplia privatização das universidades federais

Escrito por Najla Passos

30-Jul-2010 – Postado: Correio da Cidadania

300710_capelo O chamado "pacote da autonomia universitária", implementado esta semana pelo governo federal, afasta ainda mais as Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) da verdadeira autonomia universitária, estabelecida no artigo 207 da Constituição Federal. Essa é a avaliação preliminar feita pelo ANDES-SN sobre a Medida Provisória 435/2010 e os Decretos 7232, 7233 e 7234, assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 19 de julho, durante reunião com 58 reitores articulados na Associação Nacional dos Dirigentes das Ifes (Andifes).

"Autonomia sem garantia de verbas não é autonomia. Sem contar que o governo, ao invés de agir no sentido de dar um basta à relação perniciosa estabelecida entre as universidades públicas e as fundações privadas, preferiu fazer mais um atentado ao fundamento republicano da separação entre as esferas pública e privada, dando um fio de legalidade a uma relação que é estruturalmente espúria e fonte de corrupção. Além disso, merece destaque o fato de o governo se utilizar do expediente da Medida Provisória para assunto que não inspira urgência, aviltando o fundamento desse tipo de medida legislativa", analisa o 1º vice-presidente do ANDES-SN, Luiz Henrique Schuch.

Leia o restante deste artigo »

Comentários

A cada dia, um professor se licencia por dois anos em SP

basta_2 O professor de história Carlos, 42, fala sozinho às vezes. Seu coração, conta, dispara sem motivo aparente. "Não conseguia controlar os alunos. Queria passar o conteúdo, poucos me ouviam. Foi me dando uma angústia. Fiquei nervoso."
Não era assim. "Eu era bem calmo", afirma, referindo-se ao período anterior a 2004, quando entrou como docente temporário na rede de ensino paulista.
Aprovado um ano depois em concurso, foi considerado apto a dar aulas, na zona sul da capital. Passados três anos, obteve uma licença médica, que se renova até hoje, sob o diagnóstico de disforia –ansiedade, depressão e inquietude.
Carlos espera nova perícia. Quer se tornar readaptado –situação de servidores com graves problemas de saúde, que ficam ao menos dois anos afastados da sala de aula. Fazem atividades administrativas na secretaria e na biblioteca, por exemplo.
De janeiro até a última sexta-feira, 194 docentes (mais de um por dia) da rede paulista foram readaptados, aponta levantamento da Folha no "Diário Oficial". Pelos cálculos da professora Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol, que fez uma pesquisa financiada pela Secretaria da Educação, 8% de todos os professores da rede estão readaptados.
Os casos mais recorrentes são problemas nas cordas vocais, na coluna e psicológicos. A autora do estudo é ela própria uma professora readaptada.
Entre os servidores da Educação, o índice desse tipo de afastamento é maior que dos demais: 79% dos readaptados trabalham nas escolas, categoria que soma 53% do funcionalismo.
POR QUE ADOECEM
Pesquisadores apontam duas razões para tantas licenças. A primeira é a concepção da escola, que requer para as aulas estudantes quietos e enfileirados. "Isso não existe mais. Esta geração é muito ativa. O professor se vê frustrado dia a dia por não conseguir a atenção deles", diz o sociólogo Rudá Ricci, que faz pesquisas com educadores de redes públicas do país, inclusive no município de São Paulo.
A outra razão são as condições de trabalho. Em geral, os professores dão aulas em classes com mais de 35 alunos, possuem muitas turmas e poucos recursos (não há, por exemplo, microfone). Estudo divulgado na semana passada pelo Instituto Braudel e pelo programa Fulbright mostra que os docentes paulistas têm condições piores que os de Nova York. Têm carga maior (33 horas semanais em sala, ante 25) e possuem mais alunos por sala (35 e 26, respectivamente). (FÁBIO TAKAHASHI, DE SÃO PAULO / Colaborou Elisangela Bezerra - Folha de S. Paulo - 23/05/2010)
NOTA DO IZB: As péssimas condições de trabalho, aliadas a turmas superlotadas e um dos piores salários do País (SP está em 14º lugar no País, perdendo feio para Estados como Acre e Rondônia) levam professores à doença profissional e ao desânimo. É este modelo que José Serra quer levar para Brasília?

Comentários

EDUCAÇÃO: Governos de 21 Estados deixam de investir R$ 2 bilhões no Fundeb, diz MEC

Do total, R$ 660 milhões não foram aplicados pelo Estado de São Paulo. Dinheiro serve para pagar professores e outras despesas do ensino público
Os governos estaduais deixaram de investir R$ 2,1 bilhões em educação no ano passado, de acordo com o Ministério da Educação. Os recursos deveriam ter sido colocados no Fundeb, fundo para a educação básica que reúne verbas da União, Estados e prefeituras e é utilizado para o pagamento de professores e outras despesas relacionadas ao ensino. O valor que cada ente federado deposita no fundo é calculado com base em uma fatia da receita de tributos.
De acordo com o MEC, o valor de R$ 2,1 bilhões se deve à diferença entre o que os Estados estimavam arrecadar em 2009 e o que foi efetivamente arrecadado. O valor é equivalente a todo o programa de merenda escolar da União, que chegou a 62,5 milhões de alunos em 2009.
Do montante que precisa ser depositado na conta do Fundeb, R$ 660 milhões são relativos a São Paulo. Por meio da assessoria de imprensa, o Estado informou que não reconhece da dívida, "que adota uma fórmula equivocada de cálculo". Outros 21 Estados também precisarão colocar mais recursos, segundo o MEC.
Na portaria publicada dia 19 de abril no "Diário Oficial da União", o Ministério da Educação informa que irá comunicar os tribunais de contas e ministérios públicos estaduais sobre a medida, para que eles acompanhem a regularização dos recursos para o Fundeb.
Repasse
Na quinta-feira (6), Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação transferiu R$ 788,3 milhões referentes à parcela de maio da complementação da União ao Fundeb. Em 2010, os Estados beneficiados pelo fundo são: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco e Piauí, e seus municípios.
De acordo com o coordenador-geral do fundo, Vander Borges, o repasse deste mês vem com um adiantamento para atenuar os efeitos das deduções financeiras realizadas nos municípios que sofreram débitos nas contas do Fundeb, em decorrência de um ajuste em 2009.
A complementação federal ao Fundeb tem o objetivo de atenuar disparidades regionais no investimento em educação e é paga a Estados e municípios que não conseguem atingir, com recursos da própria arrecadação, o valor mínimo nacional estipulado pelo Ministério da Educação. Neste ano, o valor anual mínimo nacional por aluno diminuiu de R$ 1.415,97 para R$ 1.414,85. (ANGELA PINHO, da Sucursal de Brasília da Folha de S. Paulo - 05/2010)

Comentários

Sem Terra montam salas de aula em frente à Secretaria de Educação de SP

 

20 de abril de 2010 — Aproximadamente 150 estudantes, entre crianças, jovens e adultos, estiveram mobilizados em frente à Secretaria Estadual de Educação, no centro de São Paulo, no dia 20/4. Duas salas de aula foram montadas e atividades pedagógicas realizadas com os Sem Terra. A mobilização faz parte da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária 2010.

Comentários

Política de bônus para professores divide pesquisadores

A política do governo de São Paulo de conceder reajuste salarial apenas aos professores bem avaliados divide os pesquisadores da área. Uma ala diz que a lógica beneficia apenas os que já possuem boas condições de trabalho. Outra defende que os educadores serão forçados a melhorar.
Sem aumento desde 2008
Em greve há três semanas, os docentes estaduais não ganham aumento desde 2008. E nos últimos cinco anos os reajustes ficaram abaixo da inflação.
A Secretaria da Educação diz que os gastos com a folha salarial já são muito altos (cerca de 70% de todo o orçamento da pasta) e que prefere conceder dinheiro extra aos servidores de escolas que melhorem os indicadores de qualidade ou que passem em exames.
Desde 2005 (quando receberam aumento de 15%) os professores das escolas estaduais paulistas ganharam apenas um reajuste, de 5%, em 2008. A inflação nos últimos cinco anos foi de 22% (IPCA-IBGE). Hoje, os salários dos professores variam de R$ 1.834 a R$ 3.181 (para 40 horas semanais), mas muitos recebem apenas por 20 horas, num piso em torno de apenas R$ 900,00. Para os sindicatos, os salários estão "sucateados". O movimento reivindica aumento de 34,3%, índice que recuperaria as perdas desde 1998.
O governo José Serra (PSDB) afirma que a situação não é ruim como dizem os sindicalistas, pois houve incorporações de gratificações (que beneficiam sobretudo os aposentados) e implementação do bônus por desempenho, pago em uma parcela a servidores de 73% das escolas (a maioria teria recebido bônus de R$ 2.500 a R$ 5.000). Foram beneficiados os colégios que melhoraram em um ano o desempenho no indicador de qualidade ou ficaram acima da média da rede.
O governo também adotou programa que elevará (no futuro) o teto a R$ 6.270, desde que o servidor, ao final da carreira, tenha sido aprovado em quatro exames. "Não suportaríamos o aumento pedido pelos sindicatos. Por isso estamos com política de bônus, de promoções", afirmou o secretário-adjunto da Educação, Guilherme Bueno.
A pasta diz que, se concedido o reajuste, faltariam recursos para ações como manutenção de escolas ou compra de materiais (a folha salarial passaria a 86% do orçamento da pasta, segundo cálculos do governo).
A secretaria afirma ainda que os recursos destinados a pagamento dos servidores cresceu 33% desde 2005, devido a incorporações de gratificação, contratações e pagamento de benefícios como quinquênios.
A resolução da greve está em um impasse. O governo afirma que não negocia com a categoria enquanto houver paralisação. Os sindicatos dizem que não acabam o protesto enquanto não houver reajuste.
Na quarta-feira (31/3) houve assembleia da categoria na avenida Paulista, juntamente com um protesto contra Serra –que deixou o governo para concorrer à Presidência. A greve foi mantida. (FÁBIO TAKAHASHI, da Folha de S.Paulo - 30/03/2010, com atualização de informações)

Comentários

24 das 32 escolas top em SP tiveram ‘melhora’ de mais de 100%

FRAUDE?: Técnico diz que escolas podem ter impedido que os alunos mais fracos de fazer o exame para aumentar nota
Das 32 escolas estaduais de São Paulo que já atingiram o nível de países desenvolvidos, 24 mais que dobraram o desempenho no indicador de qualidade em apenas um ano. Educadores dizem estranhar um salto tão grande. A Secretaria da Educação afirma que analisará a "consistência dos dados".
Conforme a Folha informou ontem, 1% das escolas já atingiram a meta prevista para 2030 no Idesp, indicador da gestão Serra (PSDB) que considera desempenho dos alunos em provas de português e matemática (Saresp), além da taxa de aprovação. O objetivo é se igualar a países como a Finlândia.
Nenhuma unidade havia atingido o objetivo no ano anterior. O desempenho no Idesp é a referência para pagamento de bônus aos professores.
Entre os colégios top, a maior variação (entre 2008 e 2009) ocorreu no ensino médio da escola Bairro São Miguel, na cidade de Cachoeira Paulista, que cresceu 392% (de 1,2 para 5,9, na escala até 10).
"Grandes crescimentos são estranhos. Os estudos mostram que a evolução na educação é gradual. Eu investigaria esses resultados", diz o pesquisador José Marcelino Rezende Pinto, da USP de Ribeirão Preto. "O salário da categoria está achatado, e a única forma de ganhar melhor é ir bem nessas avaliações. Isso traz um risco."
Um técnico que participou da elaboração do índice disse, reservadamente, que um grande salto na nota pode ser feita de a escola impedir que os alunos mais fracos façam o exame –que deve abranger todos os alunos da rede estadual, mas não há punição aos que faltam. Ele afirma, porém, que é possível uma grande variação, desde que a escola seja pequena e implemente muitas mudanças.
Em nota, a Secretaria Estadual da Educação afirma que "variações grandes para cima ou para baixo devem ser analisadas com cuidado", mas, a princípio, não há por que se duvidar dos resultados.
Ainda assim, diz a pasta, serão avaliadas as grandes variações. "Caso venham a ser detectados problemas ou erros, eles serão objeto de procedimentos administrativos."
A escola Azarias Ribeiro, em Maracaí, cita a implantação da recuperação fora do horário regular como uma explicação para o crescimento de 112% no índice. O colégio tem média de 12 alunos por sala. "Houve rumor
que a escola iria fechar, por ser pequena. A comunidade se mobilizou para garantir a continuidade", diz a coordenadora, Rita de Cássia di Mallo.
A escola Benedito Bueno, em Mococa, diz que houve mudança no perfil dos alunos. Em 2008, muitos trabalhavam na lavoura. No ano seguinte, a maioria se concentrou nos estudos. "E a comunidade se envolve. Faz até leilão para arrecadar dinheiro para reformas", diz a diretora, Miriram Raymundo. A reportagem não conseguiu contato com os colégios com as maiores variações. (FÁBIO TAKAHASHI, da Folha de S.Paulo - 26/03/2010)
NOTA DO IZB: Enquanto Serra dá Bônus de até R$ 9 mil pra professores com escolas ‘bem avaliadas’, outras receberam ZERO! Além de dividir o movimento dos professores nesta ‘meritocracia’ hipócrita, as escolas ‘melhores’ podem estar fraudando os resultados (só deixam os melhores alunos fazerem os exames) só pra ganharem bônus salarial. Uma vergonha, mas antes, um crime. Enquanto isso, jovens saem do ensino médio estadual praticamente como analfabetos funcionais (na avaliação do próprio estado, SÓ CINCO ESCOLAS tiveram nota média acima de 5 (CINCO). Qualquer pai de aluno conhece bem a ‘qualidade’ do ensino tucano no Estado de São Paulo. E o cara ainda quer se eleger Presidente, pra levar esta política tucanalha para o nível federal!! Pára esse mundo, que eu quero descer!!!

Comentários

Funcionalismo público distribui coxinha em bota-fora de Serra

Professores decidiram continuar paralisação. Nova assembleia da categoria ficou marcada para 8 de abril, na avenida Paulista

Por: Redação da Rede Brasil Atual

Publicado em 31/03/2010

 

bota fora serra

Ato foi realizado no vão livre do Masp (Foto: Mauricio Morais)

São Paulo - Coxinha, alface e suco artificial. Este foi o cardápio do ‘almoço de gala’ promovido por 42 entidades sindicais no ‘bota-fora’ ao governador José Serra, que nesta quarta-feira (31) deixa o cargo para poder se candidatar à Presidência da República.

Ao som da música "Comer, Comer", do grupo Gengis Khan, professores, servidores da saúde e do Poder Judiciário, entre outros, colocaram uma mesa no vão livre do Masp, na avenida Paulista. O protesto reuniu aproximadamente 40 mil pessoas, que depois desceram à rua Consolação em direção à Secretaria de Educação, na Praça da República, no centro da cidade. Na mesa, havia dois espaços reservados ao governador Serra e ao secretário de Gestão Pública, Sidney Beraldo. Segundo a Polícia Militar três mil pessoas participaram da manifestação.

 

Antes, professores fizeram nova assembleia e decidiram manter a greve iniciada no dia 8 de março. Mais cedo, o SindSaúde, que reúne profissionais que trabalham na saúde pública estadual, decidiram pela manutenção do estado de greve.

Protestos

Além das coxinhas, houve também protestos contra a Polícia Militar e contra os meios de comunicação. De acordo com os professores, há uma campanha contra a categoria para que os problemas sejam escondidos da sociedade. O manifesto estava estampado em várias camisetas usadas por manifestantes. Uma equipe de reportagem e outra operacional da Rede Globo foram vaiadas durante a manifestação. "Eles estão sendo convidados a se retirar, já que só mostram o que interessa a eles e não a verdade", disparou uma professora durante passeata.

Antes de iniciar o protesto, o principal caminhão de som da Apeoesp foi apreendido pela Polícia Militar.

Segundo a assessoria de imprensa da PM, no entanto, o caminhão da Apeoesp não foi apreendido, mas escoltado até a garagem da instituição. O tamanho do caminhão infringe, de acordo com a PM, a lei de restrição ao tráfego.

De acordo com denúncia da Apeoesp, os banheiros públicos do Metrô teriam sido fechados para dificultar a manifestação dos professores. Os camelôs também foram alvo da fiscalização durante a quinta e tiveram materiais apreendidos.

Para acompanhar a manifestação, a PM disponibilizou 300 policiais, 90 motos e 10 carros.

Os professores realizam nova assembleia no dia 8 de abril, na avenida Paulista.

Reivindicações dos docentesreajuste imediato de 34,3%;

  • incorporação de todas as gratificações e extensão aos aposentados, sem parcelamento;
  • contra o provão dos ACTs;
  • contra a avaliação de mérito;
  • pela revogação das leis 1093, 1094, 1097;
  • por um plano de carreira justo;
  • concurso público de caráter classificatório.

 

Veja fotos do Bota Fora Serra - Foto: Mauricio Morais

image_large 11 bota fora serra

image_large image_large 1

image_large 2 image_large 4

 image_large 5 image_large 6

image_large 7 image_large 8

 image_large 9

Comentários

Apeoesp realizou ato no dia em que Serra deixou o cargo

3505947

Confronto deixou ao menos 10 manifestantes e 10 PMs feridos
Rahel Patrasso/ Futura Press

O conflito entre sindicalistas e o governo ocorre desde o início da greve, quando a administração afirmou que não os receberia para um acordo. Na semana passada, a Apeoesp abriu mão das reivindicações, exceto o reajuste salarial de 34,3%.
A situação se agravou na quarta-feira passada, quando quatro professores integrantes da Apeoesp foram presos após um tumulto durante uma inauguração com a presença de Serra, em Franco da Rocha (Grande SP).
Na sexta-feira, professores protestaram em frente ao Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, e entraram em confronto com a PM. Vinte pessoas ficaram feridas, incluindo dez policiais. Serra não estava no palácio, mas no interior do Estado.
A presidente do sindicato, Maria Izabel Noronha, declarou no carro de som que o objetivo do ato era "quebrar a espinha dorsal desse partido [PSDB] e desse governador."

Comentários

Policial disfarçado de manifestante foi infiltrado em ônibus de professores em greve em São Paulo

Presidente da Apeoesp não descarta que ferimento de policial feminina tenha sido simulado para jogar população contra docentes. PSDB promete ação judicial contra sindicato, acusado de agir com fins eleitorais

Por: Redação da Rede Brasil Atual

 

policial infiltrado na greve

Polêmica foto registra policial feminina sendo socorrida. PM afirma que se trata de policial à paisana, Apeoesp vê ação de "infiltrado" (Foto: Rodrigo Coca/Fotoarena/Folhapress)

Uma investigação movimenta neste início de semana a subsede de Osasco da Apeoesp (Sindicato  dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo). Depois da repressão sofrida pela categoria na sexta-feira (26) passada durante manifestação, os trabalhadores realizaram uma apuração para descobrir quem era o professor que socorreu uma policial supostamente ferida pelos docentes.

As fotos de agências que correram a internet e jornais mostra um rapaz jovem, de barba, mochila nas costas, camisa de manga curta e calça jeans carregando a policial. Como já desconfiava o Terra Magazine no último sábado, o “professor” em questão, agora se sabe, é um P2, ou seja, integrante dos serviços reservados da Polícia Militar.

A investigação da Apeoesp e de blogues como o VioMundo, de Luiz Carlos Azenha, começou porque a PM, em nota oficial emitida na sexta, informava que a policial ferida “a pauladas” havia sido socorrida por um colega a paisana. Eis que o sindicato descobriu, na noite de segunda-feira (29), que o P2 em questão viajou no ônibus de professores de Osasco que se encaminhavam à manifestação.

A confirmação do fato derruba a versão apresentada ao Terra Magazine pela PM de que o policial em questão estava “passando por lá”, contrariando ainda a versão anterior, de que “era um dos policiais da região, que estavam envolvidos na operação”.

Agora, a Apeoesp tenta entender qual era o papel do policial, presente não apenas no ônibus, mas na assembleia da categoria na mesma sexta-feira nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes, residência oficial do governador de São Paulo, José Serra.

Isabel Azevedo Noronha, presidente da Apeoesp, informou ao VioMundo que vai aumentar a fiscalização sobre os participantes de eventos do sindicato, podendo passar a exigir holerite como prova para entrada nos ônibus que levam a manifestações. Para ela, há uma armação no caso para tentar sensibilizar a sociedade que os professores estão errados nesta greve. “A figura da policial feminina, frágil, indefesa, atacada por nós, professores, uns bárbaros. Curiosamente o capacete dela está direitinho. A roupa alinhada, como se tivesse saído da lavanderia. Para quem levou uma paulada, como disse a PM,  é estranho. Os dois muito arrumadinhos, ajeitadinhos…Esquisito demais”, questiona.

A bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo protestou a respeito da informação de que haveria infiltrados. "A política de infiltração foi um expediente recorrente do período da ditadura militar. Esse é um método próprio de fascismo, do regime autoritário que usava de milicianos infiltrados em movimentos de resistência que lutavam pela Democracia", protestou o líder do PT, deputado Antonio Mentor.

O PT na Assembleia vai requerer da Secretaria de Segurança Pública informações sobre a participação de PMs em manifestações da sociedade civil organizada e como e quantos homens fazem parte do Serviço Reservado da PM.

Ação na Justiça

O PSDB promete ingressar com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a Apeoesp usando a alegação, amplamente aceita e difundida por parte dos jornais de grande circulação, de que a paralisação é uma manifestação política, com caráter eleitoral. Para os tucanos, o discurso da presidente Isabel Azevedo a favor do governo federal e contra a gestão de José Serra configura desrespeito à lei. O partido entende que, além de campanha antecipada, a Apeoesp usa recursos sindicais para promover um partido político – no caso, o PT.

Os professores estão em greve desde 8 de março. Depois de três assembleias seguidas de manifestações na avenida Paulista e na região do Morumbi, onde fica a sede do governo paulista, os docentes voltam às ruas nesta quarta-feira (31). No vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp), eles deliberam sobre a continuidade da paralisação.

Comentários

Governo Serra agride e fere professores

d484a72b720bcec10eb1ba360a41c9aa Policiais militares atiram contra os professores estaduais

Tropa de choque cerca ruas da região do Palácio dos Bandeirantes e ataca categoria com bombas de efeito moral e balas de borracha e provoca muitos ferimentos. A greve continua

Texto base e informações: Apeoesp

Mais uma vez os professores deram uma demonstração de garra e disposição de luta nesta sexta-feira, 26. Além da chuva, que marcou o início da assembleia estadual, realizada no Morumbi, nas imediações do Palácio dos Bandeirantes, os professores enfrentaram a truculência do governo José Serra (PSDB), que posicionou a tropa de choque, a Cavalaria e a Força Tática no entorno da sede do governo para impedir o direito ao livre trânsito de professores.
Houve conflito. A tropa de choque usou bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha contra a categoria. Vários professores ficaram feridos.

929c41dc7cdb6bec21ee76f48220e2c5 Policiais militares do estado de São Paulo atiram contra os
professores das escolas públicas do estado de São Paulo.
Assim é o governo Serra (PSDB)!

 

5bfe56fdd966a7c5d04b33139dc818ad

Quase todos perdidos de armas nas mãos
Muito ainda se falará dessa foto de Clayton de Souza, da Agência Estado, por tudo que ela significa e dignifica, apesar do imenso paradoxo que encerra. A insolvência moral da política paulista gerou esse instantâneo estupendo, repleto de um simbolismo extremamente caro à natureza humana, cheio de amor e dor. Este professor que carrega a PM ferida é um quadro da arte absurda em que se transformou um governo sustentado artificialmente pela mídia e por coronéis do capital. É um mural multifacetado de significados, tudo resumido numa imagem inesquecível eternizada por um fotojornalista num momento solitário de glória. Ao desprezar o movimento grevista dos professores, ao debochar dos movimentos sociais e autorizar sua polícia a descer o cacete no corpo docente, José Serra conseguiu produzir, ao mesmo tempo, uma obra prima fotográfica, uma elegia à solidariedade humana e uma peça de campanha para Dilma Rousseff.
Inesquecível, Serra, inesquecível.

 

O governo tentou de tudo para evitar a realização da assembleia, realizando bloqueios policiais nas rodovias Castelo Branco e Raposo Tavares e na marginal do Tietê para barrar os ônibus que traziam professores do interior. Não conseguiu. Cerca de 40 mil professores presentes aprovaram a continuidade da greve e a realização de nova assembleia no próximo dia 31 de março, (quarta-feira), às 15 horas, no vão livre do Museu de Artes de São Paulo (Masp), na avenida Paulista.

8b4567443507993abd47f82cfb2c7a31 Tropa de choque da Polícia Militar pronta para
o confronto com professores

809a279ba31a143bdce73e0b52cee898 Professores (as) em assembleia na região do Morumbi,
em São Paulo - A greve continua

Uma comissão da categoria foi recebida pelos secretários adjuntos da Casa Civil e da Educação apenas para afrontar mais uma vez o nosso movimento, propondo que a negociação se dê apenas com o fim da greve. Entretanto, cabe aos professores – e não ao governo – decidir o encerramento da greve, mediante o atendimento das reivindicações.
Carta aberta à população e aos pais/mães de alunos(as)
O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo divulgou uma carta aberta à população e aos pais/mães de alunos(as) do ensino público estadual, na qual explica os motivos da mobilização da categoria e pede apoio e solidariedade. Abaixo, a carta na íntegra:

São Paulo, março de 2010

Prezados senhores, prezadas senhoras,
A APEOESP, sindicato dos professores estaduais, pede respeitosamente licença para expor aos senhores e às senhoras, resumidamente, a situação atual da rede estadual de ensino, e os motivos que nos levaram a estar em greve desde o dia 8 de março.
Esta nossa mensagem é importante, porque estamos dialogando com pessoas cujos filhos e filhas são, possivelmente, nossos alunos e alunas na escola pública. O propósito da nossa greve é, sim, melhorar nossas condições salariais e de trabalho, mas o
objetivo maior é oferecer um ensino sempre de melhor qualidade.
Estar em greve nunca é uma situação fácil; por isto ela é um recurso que utilizamos quando as portas se fecham e não ocorre a negociação.
É o que tem acontecido. Há muito tempo estamos alertando o governo de que nossos salários são muito baixos, que acumulamos muitas perdas e que as condições de trabalho são muito ruins. Isto afeta a qualidade do nosso trabalho e prejudica o aprendizado de seus filhos e filhas.
Mas, o governo não nos atende, nem quer negociar. A resposta é sempre não, não e não.
Para piorar, agora manda a polícia militar nos agredir, como tem ocorrido em diversas cidades e, com maior gravidade, na tarde de 26 de março nas imediações do Palácio dos Bandeirantes, deixando vários professores feridos.
Os senhores e as senhoras sabem que o professor que alfabetiza seus filhos, na jornada de trabalho de 24 horas semanais, ganha apenas seis reais e cinquenta e cinco centavos por hora aula?
E que o professor de 5ª a 8ª série e ensino médio ganha apenas sete reais e cinquenta e oito reais por hora aula? E que o nosso vale alimentação é de apenas quatro reais?
Escola não é só prédio e equipamentos. Eles são importantes, mas a essência da escola são as pessoas que nela estudam e trabalham. No entanto, ao contrário de serem valorizados, os professores estão submetidos a muita pressão.
Leis e decretos que retiram direitos profissionais, impõem obrigações injustificadas, provas para isto e para aquilo e estimulam uma competição nada saudável entre
professores, criando um clima nas escolas que não ajuda a melhorar o processo educativo.
Nós precisamos do apoio e da compreensão de vocês. Nossa profissão é ensinar. Nós formamos e dedicamos nossas vidas a isto. Nosso instrumento de trabalho é a educação. Estamos tristes com tanto desrespeito do governo, mas não nos entregamos porque temos compromisso com cada um de vocês e com seus filhos e filhas.
Quanto mais apoio houver, mais rápido o governo negociará e as escolas estaduais de São Paulo voltarão à sua rotina normal, mas haverá mais qualidade de ensino… Podem estar certos disto!
Um grande abraço. Muito obrigado!

Apeoesp

Sindicato Químicos Unificados apoia os professores
CLIQUE AQUI para ler o apoio do Sindicato Químicos Unificados à luta das professoras e professores da rede estadual de ensino no estado de São Paulo.
Mais informações
CLIQUE AQUI para acompanhar no site da Apeoesp todas informações e atualizações sobre a greve da categoria.

Mais imagens

f00e662946985808f0656f0480f8aa3a

Veja mais imagens da agressão da Polícia Militar contra os professores da rede estadual de ensino, ontem em São Paulo

4b76bfd635dec7d0d2c9c49503496394

Detalhe da assembleia dos professores

5bfe56fdd966a7c5d04b33139dc818ad

Professor socorre policial ferida

042421585cdf26547eb8e4b1c96c422b

Professores tentam se recuperar após explosão de bomba de gás

dd4a5b1b39bb94a2d8032ef030b413f6

f48a0ed3dc5a91733d7bf227918fe4a4

Tropa de Choque fecha o caminho dos professores

Comentários (1)

Serra assina convênio com USP para criação de cursos virtuais

Parceria com USP oferece cursos de licenciatura em Ciências e especialização em Ética, Valores e Saúde na Escola
O governador José Serra assinou ontem convênios com a USP que vão permitir a criação de dois cursos por meio da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). Os convênios, realizados por meio da Secretaria de Ensino Superior, oficializam a entrada da maior universidade do país na Univesp. Os cursos são uma licenciatura em Ciências e uma pós-graduação (especialização) em Ética, Valores e Saúde na Escola.
“A universidade virtual é um programa inovador, que utiliza tecnologias de informação e de comunicação para ampliar o número de vagas públicas e de qualidade no ensino superior paulista”, afirmou Serra, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes.
Ano passado a Univesp, em parceria com a Unesp, criou o curso de graduação de Pedagogia semipresencial. Rediscutir a graduação a distância foi uma das pautas da greve dos estudantes da USP no ano passado. O governo do Estado de São Paulo planejava havia tempo fazer um convênio com a USP similar ao da Unesp. (Carolina Stanisci - Especial para o Estadão.edu - 24/03/2010)
NOTA DO IZB: Serra é o governador da piada pronta: de Prefeito Virtual, Governador Virtual, querendo agora ser virtualmente presidente, eis que o nosso iluminado mandautoritário cria o Curso Universitário Virtual!!!

Comentários

Na greve dos professores, imprensa ensina a mentir

Diego Cruz
da redação

Postado: PSTU

• Qualquer cidadão bem informado que estivesse passando pela Avenida Paulista na tarde do dia 19 de março poderia ficar espantado com a cena que se desenrolava frente os seus olhos. Fechando completamente a avenida, dezenas de milhares de professores da rede pública estadual realizavam uma ruidosa manifestação, com faixas e cartazes bradando “greve”.

 


Fosse ele um cidadão preocupado com as notícias que lê regularmente nos dois principais jornais do estado antes do café, poderia estranhar aquela movimentação. De onde teriam saído todos aqueles professores? Ora, tanto a Folha de S. Paulo quanto o Estado de S. Paulo cobriam cotidianamente a greve dos professores da rede estadual. Mas nessa greve informada pelos grandes jornais havia baixa adesão da categoria e esvaziamento, pois se trataria de uma greve “política” forjada por meia dúzia de radicais.
Quando a imprensa se revela
A greve dos professores da rede pública, iniciada no dia 8 de março, vem sendo um revelador exemplo do verdadeiro caráter da chamada grande imprensa. Desde seu início ela vem sendo sistematicamente atacada, através de editoriais ou reportagens editorializadas com o claro objetivo de desmoralizar a paralisação e os próprios professores.
Logo no primeiro dia de greve, foi decretado o fracasso da mobilização. Os jornais repercutiram a nota da Secretaria da Educação do governo Serra que atestava a adesão de apenas 1% dos docentes. Mas, jornal que se preze sai a campo para apurar as informações. E foi assim, dando cara de reportagem para artigos que poderiam ter vindo da assessoria do governo, que o Estadão, por exemplo, publicou verdadeiras pérolas, dignas de figurarem nas aulas da faculdade de jornalismo. Nas aulas de ética.
Uma delas, do dia 10 e publicada no site, relatava as razões do suposto fracasso da paralisação. “Descrença na eficácia de greves, desconfiança nas razões dos sindicatos e temor de perder rendimentos foram apontados por professores como motivos de eles não aderirem à greve da rede estadual de educação, que entrou ontem no segundo dia com baixa adesão”, dizia a reportagem “Professores afirmam não acreditar na eficácia da greve”.
Já editorial do jornal publicado um dia antes, “Greve política”, colocava de maneira mais aberta a posição da empresa, tascando sem mediações assertivas como: “A greve do professorado paulista não passa de encenação”. O argumento desfiado era que se trata de uma greve eleitoral para atacar Serra, com reivindicações exclusivamente corporativas. O editorial da Folha, do dia 10, intitulado “Queda de braço”, também não escondia seu lado ao afirmar que “para sorte das famílias que dependem do ensino oficial, a adesão está baixa”.
A Folha, porém, preferiu terceirizar os ataques mais diretos. No caso, o serviço sujo ficou a cargo do articulista Gilberto Dimenstein, que mantém uma coluna na Folha Online, chamada Pensata. O jornalista, que também dirige uma ONG voltada à educação, publicou um artigo com o titulo infame de “Uma greve contra os pobres”. Logo no início do breve artigo, ele avisa “não vou discutir aqui o pedido de aumento salarial”. Ele quer sim discutir o que considera “reivindicação contra o mérito”, que balizaria a greve que, por sua vez, prejudicaria os mais pobres, aqueles que dependem do serviço público.
Deu pra entender? Dimenstein, para começo de conversa, ataca brutalmente a greve e, logo, os professores que fazem greve. Mas simplesmente não toca na principal reivindicação, de reajuste de 34%, na verdade a reposição de perdas que a categoria sofreu desde 1998. Isso ele não quer discutir. Como também não quer debater as demais reivindicações, como abertura de concurso para efetivação dos temporários (que hoje somam algo como 40% dos docentes) e a limitação do número de alunos por sala de aula, hoje abarrotadas com até 50 estudantes por classe.
Estivesse realmente preocupado com o destino do ensino público, o título do artigo de Dimenstein poderia ser: “Uma política educacional contra os pobres”, ou até mesmo “Um governo contra os pobres”. Estranho que os pobres só sejam lembrados neste momento, quando os professores deixam a rotina e partem para as ruas.

Imprensa reacionária e a perda da credibilidade
O que estão por trás de tantos ataques? Que os principais veículos de mídia no estado são historicamente ligados ao PSDB não é segredo para ninguém. O caso, porém, parece exceder os limites das disputas partidárias. Quando os servidores federais, um dos setores mais castigados nos últimos anos, partem para a greve contra o governo Lula, por exemplo, não são tratados com mais condescendência pela imprensa.
Para além da disputa eleitoral, está um arraigado ranço autoritário e reacionário, que ataca tudo o que lembre greve ou mobilização. É assim em qualquer esfera, tanto municipal, quanto estadual ou Federal. E é justamente em situações como essa que a chamada grande imprensa abandona seu verniz democrático e imparcial, partindo para o ataque com a disciplina e a unidade de um verdadeiro partido político.

A diferença no caso da greve do professorado paulista é que a distorção e a manipulação são tão gritantes, que está minando qualquer tipo de credibilidade desses veículos. Quando um jornal distorce os fatos numa ocupação de terra, por exemplo, não há qualquer possibilidade de o leitor ir lá verificar a veracidade do que fora noticiado. Manipular informações sobre a greve e a real situação do ensino público paulista é outra coisa. Estamos falando de um universo de 220 mil professores, e algo como 5 milhões de alunos que, diariamente, convivem com a precariedade das escolas estaduais.
A categoria, composta principalmente por professores de classe média, cada vez mais baixa, mas ainda classe média compõe o principal alvo comercial de jornais como Estadão e a Folha. Mas, a cada dia, os professores vão descobrindo que, como disse Gramsci sobre os jornais e a classe trabalhadora, “a moeda atirada distraidamente para a mão do ardina é um projétil oferecido ao jornal burguês que o lançará depois, no momento oportuno”.
Num momento em que os jornais vão perdendo leitores e se reformulando graficamente para garantir uma roupa nova às velhas ideias, fica a questão: até que ponto a perda da credibilidade não influencia para a rápida decadência da imprensa?
Uma pergunta que, com certeza, não só o nosso amigo distraído que caminhava pela Paulista faria, como a massa de professores, alunos e pais de alunos que estão descobrindo como a imprensa mente.

Comentários (1)

Crescimento pífio

pib comparado

 

O MEC publicou informações acerca do desempenho dos gastos diretos em educação em relação ao Produto Interno Bruto, dados relativos a 2008.

No release é reproduzida a seguinte declaração do Ministro da Educação:

A meta do ministério, diz Haddad, é a de acabar 2010 com o orçamento em 5% do PIB, o que dá 1% do PIB a mais do que foi investido historicamente. Ele projeta pelo menos mais 1% para o próximo período, com um aumento de pelo menos 0,2% ao ano.

“Isso foi possível por causa do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE)”, explicou Haddad. “Programas do PDE, como a consolidação da rede federal, tanto na educação profissional quanto na superior, acabam pressionando positivamente o orçamento e isso gera um círculo virtuoso”, finalizou.

O que os dados dizem e que não foi dito pelo Ministro?

1º. O Plano Nacional de Educação, aprovado em 2001, estabelecia um crescimento continuo do gasto direto em relação ao PIB, devendo chegar a 7% em 2011. Este dispositivo foi vetado pelo presidente Fernando Henrique. O presidente Lula não se esforçou para derrubar o veto. Não podemos esquecer que a reivindicação da sociedade civil organizada era de que este gasto direto alcançasse 10% até 2011.

2º. O Relatório Preliminar do Grupo de trabalho sobre Financiamento da Educação, publicado pelo INEP em 2003, que teve participação de vários técnicos de órgãos governamentais, projetava taxas de crescimento de 2003 a 2011, para que as metas de acesso fossem atingidas. Isso quer dizer que para cumprir o PNE o PIB deveria ter determinado ritmo de crescimento. Por este estudo deveríamos chegar em 2011 com algo em torno de 8%.

3º. No release publicado pelo MEC o ministro afirma que chegará em 2010 com 5% e prevê um crescimento de 1% para o próximo período (0,2% ao ano). Não explica se o próximo período é a vigência do futuro plano (2012 a 2020), mas provavelmente seja isso. Ou seja, projeta o crescimento pífio diante dos desafios educacionais acumulados, pois como já foi divulgado pela imprensa, apenas 30% das metas do PNE foram cumpridas.

4º. No final do mês haverá extenso debate na conferência Nacional de Educação – CONAE. O texto-base acordado na Comissão Organizadora propõe a seguinte redação:

“Ampliar o investimento em educação pública em relação ao PIB, na proporção de 1% ao ano, de forma a atingir, no mínimo, 7% do PIB até 2011 e, no mínimo, 10% do PIB até 2014, respeitando a vinculação de receitas à educação definidas e incluindo, de forma adequada, todos os tributos (impostos, taxas e contribuições)”.

5º. Há um descompasso entre a posição dos representantes do MEC na Comissão Organizadora da CONAE e as previsões pessimistas anunciadas como boas notícias pelo Ministro da Educação.

O gráfico acima compara três informações: o quanto deveria ter crescido o gasto direto com educação para cumprir o PNE, a previsão feita pelo Ministro em sua entrevista e, por último, a projeção de crescimento conforme emenda acatada pela Comissão Organizadora da CONAE.

Uma coisa é certa: não há como pensar um novo Plano Nacional de Educação, que se proponha a enfrentar o déficit de acesso e de qualidade de nossa educação, tendo apenas as taxas de crescimento do gasto direto com educação projetadas pelo Ministro Haddad.

Publicado orginalmente no blog do Luiz Araújo – 17/3/2010

Do blog do Luiz Araújo

Comentários

A GREVE CONTINUA!

greve dos professores

Assembleia dos professores na Avenida Paulista em 12 de março de 2010. Confira as fotos.

Assembleia com cerca de 60 mil professores aprova a continuidade da greve e pressão sobre o governo para abrir negociação.

NOVA ASSEMBLEIA EM 26 DE MARÇO, NO PALÁCIO DOS BANDEIRANTES

 

06

02

03

04

05

 

Assista Vídeo sobre a greve dos Professores de São paulo – Brasil

Comentários

« Publicações anteriores ·