Arquivo de Educação

Professores aprovam greve por tempo indeterminado

PELA DIGNIDADE DO MAGISTÉRIO E PELA QUALIDADE DA EDUCAÇÃO

 greve dos professores

Assembleia dos professores na Praça da República aprova Greve a partir do dia 08/03/2010.

 

Reunidos em assembleia na Praça da República na sexta-feira, 5, mais de 10 mil professores aprovaram greve por tempo indeterminado, a partir de segunda-feira, 8.

As principais reivindicações da categoria são: reajuste salarial imediato de 34,3%; incorporação de todas as gratificações, extensiva aos aposentados; plano de carreira justo; garantia de emprego; contra as avaliações excludentes (provão dos ACTs/avaliação de mérito); revogação das leis 1093, 1097, 1041 (lei das faltas); concurso público de caráter classificatório; contra a municipalização do ensino, contra qualquer reforma que prejudique a educação, em todos os níveis. Da assembleia também participaram representantes dos diretores de escola e supervisores de ensino, que decidiram, em suas instâncias, entrar em greve em conjunto com os professores.

O Magistério paulista, com esta decisão, deu um BASTA aos desmandos do governo Serra.

cartaz

Os professores aprovaram ainda o calendário de mobilizações (leia quadro), com a realização de uma nova assembleia na sexta-feira, 12, no vão livre do Masp, na avenida Paulista. As subsedes devem realizar, na quinta, 11, assembleias regionais.

Governo afronta categoria Praticamente às vésperas da assembleia, o governo do Estado anunciou, com estardalhaço, a incorporação da Gratificação por Atividade de Magistério (GAM) em três parcelas, a serem pagas em 2010, 2011 e 2012. A proposta é uma afronta e um desrespeito.

Para se ter uma ideia, , até 2012 o salário-base do PEB II em jornada de 24 horas, terá um acréscimo salarial de apenas R$ 6,47. Não queremos esmolas!

Queremos reajuste salarial e a real valorização do Magistério. Sem contar que inúmeros professores aposentados já ganharam na Justiça, em ação movida pela APEOESP, o direito de incorporação total da GAM.

Este governo gasta milhões em propagandas no rádio e na TV para apresentar mentiras à população. Onde estão as escolas com dois professores? Onde estão os laboratórios de
informática abertos nos finais de semana com monitores? Temos de dar uma resposta à altura, chamando os pais dos alunos para conhecer nossas escolas, para que possam comparar com a “escola de mentirinha” que Serra mostra na televisão.

Matéria paga

As entidades do Magistério veicularão matéria paga na Rede Bandeirantes, no intervalo do “Brasil Urgente” – entre 17h30 e 18h50 – na próxima quarta-feira, 10. Em anexo, segue carta à comunidade escolar – pais e alunos – explicando o porquê de nossa greve.

A carta deve ser reproduzida pelas subsedes. É importante também que as subsedes circulem com carros de som, denunciando os desmandos do governo e explicando as razões da greve da categoria.

Calendário de mobilização

Dia 8 de março: conversa com a comunidade escolar
Dias 9 e 10: visita às escolas
Dia 11: assembleias regionais
Dia 12: assembléia estadual no vão livre doMasp, na avenida Paulista, às 15 horas

ESTAMOS EM GREVE!
Pela dignidade do Magistério e pela qualidade da educação

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Escola Nacional Florestan Fernandes

Postado: blog do Cotidiano

Francisco Valdean

 

MST

 

Estive na Escola Nacional Florestan Fernandes, escola do MST em Guararema, município de São Paulo. Na ocasião fotografei as atividades do Programa Nacional de Formação da Juventude da Classe Trabalhadora. O programa é oferecido pelo MST a jovens da classe trabalhadora do Rio de Janeiro e tem como objetivo oferecer lhes uma formação política. O movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) luta pela Reforma Agrária e pela construção de uma sociedade mais justa, sem exploradores nem explorados, formalmente o movimento existe há 24 anos, mas diante da profunda desigualdade social existente no Brasil a necessidade é anterior e atualmente a importância do movimento é notável.

escola florestan fernandesMas nem todos vêem no movimento essa importância, prova disso são as abordagens feitas por alguns veículos de comunicação que geralmente atribuem ao movimento fatos que não condizem com sua natureza. Colocando assim, sobre os ombros do movimento e conseqüentemente sobre as costas dos trabalhadores os estigmas de baderneiros e invasores de terras. Uma clara tentativa de caracterizá-lo como um movimento criminoso e os reflexos dessas abordagens são facilmente percebidos no cotidiano. Ainda no Rio um amigo ao saber da minha ida a escola perguntou-me se nesta o movimento ensinava a invadir terras. Em parte, a visão de meu amigo é o reflexo da ideologia incutida na população.

Na programação do encontro estava previsto: mística, visita guiada a escola e uma oficina com o Teatro do Oprimido, principal atividade do encontro. A mística foi à atividade inicial, na ocasião apresentada por um grupo de trabalhadores bolivianos que visitavam a escola. A mística é um ritual tradicional do movimento e é também um momento de integração. A visita guiada iniciou na biblioteca que tem catalogado por volta de vinte mil livros, com os mais variados temas, esta, além de atender as demanda da escola também é aberta à comunidade, assim como outros espaços da instituição, por exemplo, um campo de futebol. Da biblioteca seguimos para conhecer outros espaços: alojamentos, lavanderia, um biodigestor e um espaço onde serão construídos dois anfiteatros e por ultimo a Ciranda Saci. Ciranda é o nome dado pelo MST a templos e espaços educativos dos “Sem Terrinha” da faixa etária dos zero aos seis anos. O termo “ Sem Terrinha” é a afirmação da identidade dos membros do movimento desde criança.

Na Ciranda assistimos um vídeo sobre a construção da escola, através deste vídeo conhecemos o projeto arquitetônico da instituição que além do cuidado ambiental ainda preocupou-se em ensinar a técnica usada aos trabalhadores da obra, uma vez este de posse do conhecimento o replica em suas respectivas comunidades. É como diz o poema “o operário faz a coisa e a coisa faz o operário”. Verdadeiros “operários em construção”.

mst 2 Antes de seguirmos para a atividade principal, oficina de teatro, o grupo de aproximadamente 100 pessoas foi dividido em quatro subgrupos. Cada subgrupo ficaria responsável por uma tarefa domestica da instituição, isso faz parte do método pedagógico da instituição, todos que pela escola passam, seja estudante ou visitantes participam deste processo. A escola vê essa atividade como fator de integração e de respeito pelo espaço, visão da qual compartilho completamente, além da participação, integração e respeito pelo espaço, gera também a sensação de participação plena, participação que ocorre em todas as atividades. Após a divisão das tarefas de cada grupo deu-se inicio a oficina de teatro ministrada pelo CTO-Rio. O CTO-Rio é um centro de pesquisa e difusão, que desenvolve metodologia específica do Teatro do Oprimido em Laboratórios e em Seminários. Nos laboratórios e seminários são elaborados e produzidos projetos sócio-culturais, espetáculos teatrais e produtos artísticos, tendo como alicerce a Estética do Oprimido .O Teatro do Oprimido usa para a criação dessas cenas técnicas chamadas de “jogos” e “exercícios”. O importante não é o teatro em si, mas as discussões que se gera durante o processo de criação.

mst 4 Vejo uma clara tendência quando o termo “invasão” de terras é usado em relação às ocupações de terras improdutivas realizada pelo movimento em nome da reforma agrária. A terra deve exercer uma função social, a meu ver ocupar um espaço de terra que deverias cumprir tal papel e não cumpre é mais que legitimo é, na verdade necessário, pois em um país como o Brasil, com dimensão continental e com vasta riqueza natural é inadmissível que apenas um pequeno grupo da sociedade tenha acesso a terra. Fiquei dois dias na escola e não ouvi qualquer menção a invasão de terras, o próprio espaço da escola foi comprado, graças a colaboradores como o fotógrafo Sebastião Salgado. Já no campo da educação não acredito que o MST queira cometer os erros que a educação formal comete e nos tem levado a situação que vivemos. Ainda no encontro em algumas conversas informais compartilhei com alguns a visão de meu amigo em relação ao movimento e quase todos com quem compartilhei já haviam vivenciado situações parecidas.

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Em 5 anos, ENFF forma mais de 16.000 estudantes da classe trabalhadora

 

Escola construída por trabalhadores sem-terra se consolida como espaço de formação política da militância social


Beatriz Pasqualino e
Nilton Viana
de Guararema (SP)

Postado: Brasil de fato – Assine clique aqui

escola florestan fernandes "Florestan está vivo nesta escola mais do que nunca. Aqui é a nossa casa!”, declarou, visivelmente emocionada, a professora de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), Heloisa Fernandes, filha de Florestan, patrono da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF). Sua emoção foi compartilhada com cerca de 500 militantes, amigos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de outros movimentos sociais e partidos políticos, durante a celebração dos 5 anos da escola, no dia 6, em Guararema (SP).
A atividade – que teve início com um seminário sobre “O papel da formação política e ideológica no atual momento histórico: desafios e possibilidades”, com Ademar Bogo, da coordenação nacional do MST, Isabel Monal, educadora e filósofa cubana; e Luiz Carlos de Freitas, professor da Faculdade de Educação da Unicamp – não podia ser comemorada de outra forma: com estudo e militância. Afinal, mais de 16000  (dos quais metade mulheres) passaram por ali, vindos de mais de cem entidades da classe trabalhadora do Brasil e da América Latina.
Bogo destacou que a ENFF é uma grande conquista dos trabalhadores. Para ele, a escola cumpre um papel de articulação das forças de esquerda, que estão em um momento de fragmentação. “Não havia uma convocação para essas organizações. Somos convocados para vir à ENFF por Florestan Fernandes e pelos problemas sociais”, disse. O dirigente do MST encerrou sua fala afirmando: “para nós é um grande prazer estar comemorando os 5 anos da nossa escola. Com todas as limitações e contradições, a ENFF é uma fonte, e com cuidado, manteremos sua água limpa”.
A cubana Isabel Monal ressaltou a importância de “aprendermos com as experiências históricas”. Para ela, um ponto de partida para o socialismo pode ser a comunidade indígena. E, diante dos graves problemas provocados pelo capitalismo, fez um alerta: “sem socialismo não há salvação para o planeta terra”.
Em sua fala, sobre o atual modelo educacional e o papel da escola, o professor Luiz Carlos de Freitas afirmou que não basta garantir o conhecimento para a classe trabalhadora. Segundo ele, é preciso destruir a estrutura da escola capitalista, baseada na exclusão e subordinação dos trabalhadores. Para Freitas, a escola capitalista é isolada da vida. “A escola capitalista isola a juventude da vida, das contradições sociais. Precisamos formar lutadores, construtores, baseados em conhecimento, realidade e auto-organização”, analisa.

Solidariedade

O aniversário da escola contou com a participação de diversos colaboradores e amigos de movimentos sociais, como o filósofo Paulo Arantes, o jornalista José Arbex, a socióloga Virgínia Fontes, a psicanalista Maria Rita Kehl, o deputado federal Ivan Valente (Psol-SP), entre outros.
"O MST se mostrou um movimento legitimamente progressista quando nos convidou para trabalhar com psicanálise na ENFF”, afirmou a psicanalista Maria Rita Kehl, que há dois anos desenvolve terapia com um grupo de militantes que moram na escola. Segundo ela, não é verdade a tese de que o movimento é autoritário e funciona na base do medo. “O que existe é um pacto fraterno e solidário entre todos”.
"A ENFF está ajudando a reconstruir a universidade pública”, sustentou o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, ex-presidente do ANDES-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior). Segundo ele, o poder privado está pautando as pesquisas e trabalhos da universidade pública no país. Nesse quadro, a escola demonstra que apenas uma educação baseada no espírito público pode garantir o avanço do país.
O deputado federal Ivan Valente manifestou solidariedade a todos os militantes do MST que estão presos no interior de São Paulo e condenou a criminalização da luta pela reforma agrária. “Essas prisões são políticas”, denunciou o deputado.

Formação

O objetivo da ENFF é ser um espaço de formação superior, pluralista nas mais diversas áreas do conhecimento não só para os militantes do MST, como também de outros movimentos sociais rurais e urbanos, do Brasil e de outros países da América Latina e África. Nesses últimos cinco anos, mais de 16.000 trabalhadores participaram de cursos, seminários e atividades na escola. Há dezenas de parcerias com universidades públicas para graduação em várias áreas, como pedagogia, história, filosofia, além de mestrado e especializações. Ao todo, cerca de 500 professores voluntários passaram pela ENFF, além de cerca de 2.000visitantes do Brasil e do exterior, segundo Geraldo Gasparin, da coordenação da escola.
Além do projeto político-pedagógico, o método aplicado nesses cursos também é um diferencial na escola. Um deles é o da alternância, em que os estudantes permanecem na ENFF alguns dias e depois retornam para seus assentamentos e acampamentos. Nesse período longe da sala de aula, o educando é estimulado a desenvolver tarefas que consolidem a prática a partir do conhecimento teórico adquirido.

Histórico

Apesar de ter sido inaugurada em 23 de janeiro de 2005, a história da ENFF começou nos idos de 1996, quando surgiu a necessidade de se ter um espaço de formação da militância, de troca de experiências e de debate sobre a necessidade de transformação social, o processo de estudo, articulação e intercâmbio entre as organizações de trabalhadores do campo e cidade que lutam por um mundo mais justo.
Segundo Maria Gorete, da coordenação político-pedagógica da ENFF, o objetivo da escola é a apropriação do conhecimento para a transformação desta realidade, deste mundo. “A proposta de construção se inicia a partir de todo um processo do que é de fato o MST, uma construção coletiva a partir da solidariedade e do trabalho voluntário”, completa.
A construção da escola só foi possível graças à aposta do MST na educação e à solidariedade de militantes e organizações sociais de todo o mundo. Os recursos financeiros vieram de doações de quem acreditava no projeto, como o fotógrafo Sebastião Salgado, que cedeu os direitos de suas imagens publicadas no livro “Terra”; o cantor Chico Buarque (que produziu um CD para esse livro) e o escritor português José Saramago (autor do prefácio da obra). A mão-de-obra foi voluntária. Mais de mil militantes de todo o país participaram da construção, organizados em 25 brigadas de construção, vindos de 112 assentamentos e 230 acampamentos. A técnica utilizada na obra foi inovadora. Chama-se solo-cimento e consiste em blocos feitos pelos próprios trabalhadores a partir da prensagem da terra.
Atualmente, a ENFF conta com uma estrutura que inclui salas de aula, alojamentos, refeitório para 200 pessoas sentadas, auditório, sala de cinema, ciranda infantil, áreas de vivência e biblioteca com capacidade para até 40 mil livros.

ENFF em vídeo

Para conhecer um pouco mais da construção e trajetória da Escola Nacional Florestan Fernandes, há um documentário disponível na internet, produzido pelo Ponto de Cultura da ENFF, em parceria com o Pontão de Cultura Rede Cultural da Terra. O vídeo, de 15 minutos, chama-se “ENFF: um sonho em construção” e pode ser assistido no link www.mst.org.br/node/9047.

(Com informações da assessoria de imprensa do MST e  Jornal Sem Terra)

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As condições de trabalho e o processo de adoecimento dos trabalhadores docentes

Rosangela Soldatelli

Postado: Esquerda Marxista

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Artigo que traz uma análise de fundo sobre as condições de trabalho sob o sistema capitalista e, mais especificamente, dos trabalhadores docentes da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis.

Este artigo traz uma reflexão sobre o trabalho numa concepção marxista. Procura discutir como o homem se materializa através dele, fazendo um paralelo entre o trabalho desenvolvido dentro das fábricas com o trabalho desenvolvido pelos professores de escolas públicas.
Este trabalho, que na sociedade capitalista está associado diretamente à acumulação do capital, degrada vidas e famílias, destrói o meio ambiente, a saúde de homens e mulheres. E é neste contexto que o artigo também quer avaliar como as condições de trabalho têm interferido no processo de adoecimento dos trabalhadores, destacando em especial os professores.
Com o objetivo de exemplificar nossa discussão, vamos utilizar como foco os professores do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Florianópolis. E, em sendo trabalhadores do serviço público, este artigo discute também o papel do poder público na sociedade capitalista.
Buscaremos resgatar o que as leis trazem sobre condições de trabalho, quais deveriam ser essas condições e como realmente estão. Apontar quais lutas os professores desenvolveram através do seu sindicato para melhorar essas condições, não esquecendo que é impossível estudar o trabalhador docente hoje, sem entendê-lo dentro da sociedade capitalista, sociedade de divisão de classes, de exploração da força de trabalho. E mais, qualquer discussão, cujo objetivo seja superar os problemas enfrentados por esses trabalhadores, precisa necessariamente ser acompanhada de discussões que apresentem perspectivas de superação dessa sociedade onde esse trabalhador está inserido.
Introdução
A saúde do trabalhador, em especial do trabalhador público, tem despertado o interesse e preocupações em especialistas das áreas de saúde, psicologia e trabalhista. Nesse contexto de trabalhador público, os professores têm merecido foco de pesquisas e atenção tanto no Brasil como fora dele.
Direcionando nosso olhar para o trabalhador professor de escola pública, poderemos distinguir dois caminhos distintos de pensamento: se é um professor descrevendo, ele se verá como um trabalhador que adoece mais que todos os outros, que sofre pressões psicológicas e emocionais mais que qualquer outro, com direitos trabalhistas piores que os outros, e principalmente, não se contextualiza na sociedade capitalista, e, portanto, não sofre todas as conseqüências dessa relação.
Se a descrição for feita por alguém que não é professor, alguém que olha a escola de fora, não entende porque tanto sofrimento. Não tem o patrão do lado, não sofre exploração do trabalho, passa o dia com crianças que é algo positivo, enfim, não entende porque tanto sofrimento, tantos afastamentos médicos, tantas readaptações.
Este artigo quer dialogar sobre o trabalho realizado em uma fábrica com o trabalho realizado por um professor de escola pública, pois ambos trabalhadores estão adoecendo, apesar da forma de trabalho ser aparentemente bem diferente.
Compreender o que aproxima os mais variados trabalhos na sociedade capitalista e como se comporta o poder público nessa relação é fundamental para que possamos entender a exploração da mão-de-obra nesses variados trabalhos e principalmente como buscar saídas.
Os professores, seu trabalho e o modo de produção capitalista
Se entrarmos numa escola, principalmente do Ensino Fundamental, poderemos achar que ela funciona como uma verdadeira fábrica: um ritmo na maior parte do tempo alucinante e ao mesmo tempo coordenado.
Se fora do espaço escolar a educação se dá em todos os momentos, se é complexo dizer quem é e quem não é educado, se não se tem limites, se é difícil medir, se não se sabe qual a apropriação que será feita dela, etc., no espaço escolar é diferente: tem um prédio específico, tem horário para iniciar e terminar, na maioria das vezes uniformizados, é medido, tem um planejamento definido sobre o que o aluno deve saber no final de cada série, tem critérios definidos. Enfim, olhando para dentro da escola, para o que acontece, para o que o professor faz, esse trabalho se parece com qualquer outro: tem trabalhadores específicos e especializados divididos em tarefas para cumprir, têm horário para iniciar e terminar, são avaliados constantemente.
Mas será que é assim tão simples? Voltando novamente para dentro de uma escola, veremos professores dizendo “quero ensinar aos meus alunos de forma adequada história, geografia, matemática”.
Portanto mesmo no espaço escolar estamos de novo numa situação difícil de avaliar, difícil de medir. E é o que torna o trabalho do professor muito especial.
Que trabalho é este? Qual seu produto?
O trabalho de forma geral pode ser entendido como a relação do homem com a natureza para a produção de valores de uso necessários à subsistência humana. Nesse sentido, para a existência do ser social, independente do modo de produção, é necessária a existência do trabalho. No entanto, na sociedade capitalista que vivemos o trabalho está associado à essa lógica, à lógica do capital. No capítulo V de O Capital, Marx define o processo de trabalho como uma…

“(…) atividade dirigida com o fim de criar valores-de-uso, de apropriar os elementos naturais às necessidades humanas; é condição necessária do intercâmbio material entre o homem e a natureza; é condição natural eterna da vida humana, sem depender, portanto, de qualquer forma dessa vida, sendo antes comum a todas as suas formas sociais.” (Marx, O Capital)

Olhemos a situação do sapateiro que usa o couro para fazer sapatos. Nessa relação entre o homem e o couro é que a mágica do trabalho acontece, fazendo com que o couro faça o sapateiro que faz o sapato. O homem através do trabalho se materializa e o produto desse trabalho, faz com que o homem se torne um ser histórico, dá à ele a possibilidade de permanência apesar dele mesmo. O produto desse trabalho possibilita ao homem criar vínculos com outros homens, com nosso passado, com nosso presente; O sapateiro através do sapato se materializa perante o advogado que usará os sapatos.
No caso do professor, seu produto é o aluno educado, e é no aluno educado que ele se materializa, só que numa relação direta, sem mediações.
Através do trabalho o homem modifica a natureza, modifica a si mesmo, produz o produto, e com o produto do trabalho modifica os outros.
No caso do professor, através do trabalho ele modifica a si mesmo e modifica os outros. E essa relação direta do trabalhador-professor com o produto do seu trabalho, o aluno educado, traz várias conseqüências.
Um sapateiro, empregado de uma fábrica de sapatos sob o regime capitalista, pode trabalhar uma vida inteira sem ter a dimensão histórica de seu trabalho. Ele não tem como saber quem vai usar aquele sapato, quanto vai custar, quantos ele fez, se causará felicidade. Enfim, não sabe de onde veio, nem para onde vai. Mas ele pode se ver, se materializar no produto do seu trabalho.
O caso do nosso sapateiro é um bom exemplo para o século XIX.
Se pensarmos num operário da tecnologia do século XXI, onde seu trabalho é dar um simples toque numa tecla do computador, e a partir daí, as funções desencadeadas já não dependem dele, como não dependiam antes, esse trabalhador, que hoje pode dar esse comando de casa, não tem dimensão histórica do seu trabalho, desconhece os desdobramentos, não pode se ver, se materializar no seu produto. É completamente alheio a ele.
Já o professor, tem no seu produto, que é o aluno educado, a dimensão histórica de seu trabalho. Mesmo sendo difícil perceber no seu produto o quanto foi trabalho seu, a sua marca, sua interferência, seu trabalho foi concretizado. O que torna o trabalho do professor ainda mais especial é que o produto, nunca estará pronto. Mesmo que o professor cumpra o planejamento estipulado, mesmo que a avaliação do trabalho seja ótima, o produto é incomensurável.
Fizemos até o momento, rápidas e superficiais aproximações entre o trabalho desenvolvido dentro de uma fábrica e o trabalho desenvolvido dentro de uma escola. Será que podemos avançar um pouco mais?
Vamos iniciar, aprofundando nossa análise no trabalho desenvolvido dentro da fábrica e nos novos modos de produção.
Os trabalhadores, camponeses e artesãos independentes, com a passagem do feudalismo para o capitalismo, foram expropriados dos meios de produção e subsistência, que aos poucos foram se concentrando nas mãos da burguesia. Surgem a partir daí as fábricas e o trabalho coletivo, porém a apropriação seria privada, fazendo com que cada vez mais a riqueza se concentre nas mãos de poucos às custas da miséria crescente da maioria. E essa concentração cada vez maior nas mãos de cada vez menos capitalistas foi possível, significativamente, com a cooperação como forma específica do processo de produção capitalista e a divisão manufatureira do trabalho. No Capítulo XII de O Capital, Marx destaca:

“Esse processo de dissociação começa com a cooperação simples, em que o capitalista representa, diante do trabalhador isolado, a unidade e a vontade do trabalhador coletivo. Esse processo desenvolve-se na manufatura, que mutila o trabalhador, reduzindo-o a uma fração de si mesmo, e completa-se na indústria moderna, que faz da ciência uma força produtiva independente de trabalho, recrutando-a para servir ao capital.” (Marx, O Capital)

A divisão manufatureira do trabalho e suas conseqüência aos trabalhadores, representou preocupações para Marx.

“A manufatura propriamente dita não só submete ao comando e à disciplina do capital o trabalhador antes independente, mas também cria uma graduação hierárquica entre os próprios trabalhadores. (…) Deforma o trabalhador monstruosamente, (…) Não só o trabalho é dividido e suas diferentes frações são distribuídas entre os indivíduos, mas o próprio indivíduo é mutilado (…).” (Marx, O Capital)

A manufatura como produção social, se desenvolve e, atingindo determinado estágio de crescimento, entra em conflito com suas próprias exigências de produção. Surgem então as máquinas.
Em sua obra Principles of political economy (publicada em 1848), diz John Stuart Mill: “É duvidoso que as invenções mecânicas feitas até agora tenham aliviado a labuta diária de algum ser humano.”
Claro que não! Afinal não foi para isso que surgiram as máquinas. Não foi para reduzir a jornada de trabalho dos homens e mulheres; não foi para tornar a vida mais bela; para que se tivesse mais tempo para a família, lazer, cultura, etc.

“Não é esse o objetivo do capital, quando emprega maquinaria. Esse emprego, como qualquer outro desenvolvimento da força produtiva do trabalho, tem por fim baratear as mercadorias, encurtar a parte do dia de trabalho da qual precisa o trabalhador para si mesmo, para ampliar a outra parte que ele dá gratuitamente ao capitalista. A máquina é meio para produzir mais-valia.” (Marx, O Capital)

Com a produção mecanizada, o capitalista apropria-se do trabalho de mulheres e crianças, pois a força muscular pode ser substituída pela utilização de membros mais flexíveis; prolonga a jornada de trabalho; e intensifica o trabalho.
As condições de trabalho, já nesta época, chamavam a atenção de Marx quando…

“Os órgãos dos sentidos são, todos eles, igualmente prejudicados pela temperatura artificialmente elevada, pela atmosfera poluída com os resíduos das matérias-primas, pelo barulho ensurdecedor etc. (…).” (Marx, O Capital)

Essa breve explanação, referindo-se ao século XIX, quando da passagem do feudalismo para o capitalismo na Inglaterra, teve o objetivo de chamar a atenção ao fato de que o processo de adoecimento no e do trabalho, remonta justamente a esse período, sendo motivo de preocupações e disputas, tanto por parte dos capitalistas, como por parte dos trabalhadores e suas formas de organização.
Com o passar dos anos, o sistema capitalista de apropriação da força de trabalho, expandiu-se; hoje está em todo mundo. As indústrias modernas, as formas de produção, a necessidade constante de mais e maior produção e por conseqüência mais e maior consumo, as novas tecnologias, a utilização das ciências para valorizar o valor, a participação do Estado cada vez mais e maior na proteção do capital, fizeram mudar a cara do sistema capitalista do século XIX da Inglaterra.
Fizeram mudar a cara, porém na essência continua o mesmo.
Recentemente o sistema capitalista está passando por uma nova crise. E as conseqüências desta são o fechamento de fábricas, destruição de serviços públicos, desemprego, arrocho, dor e sofrimento.
Enquanto o sistema capitalista existir, a burguesia encontrará soluções às suas crises, ou atacando ainda mais a classe trabalhadora como veremos a seguir ou contando com generosas contribuições do “Estado Burguês”, como veremos mais adiante.
Barreto, em seu livro “Violência, Saúde e Trabalho – uma jornada de humilhações”, nos ajuda a entender o que tem acontecido no mundo do trabalho, principalmente com a necessidade capitalista de encontrar alternativas, onde: “Foram estabelecidas novas metas: produzir com qualidade e em quantidade a baixos custos”.
Dentro dessa perspectiva, Barreto defende que, paralelamente às metas estabelecidas pela busca de saídas capitalistas, esse sistema está criando um exército de desempregados, se já não há espaço para os ditos “saudáveis”, ainda mais difícil fica para os que adoeceram.

“As novas tecnologias possibilitaram aumentar o acúmulo de capital, a produção massiva de bens e consumo e estimular a sociedade de consumidores; entretanto, a reestruturação capitalista também está criando uma sociedade de desempregados-despossuídos, impossibilitados de consumir ou mesmo de sobreviver. A exigência quanto à qualidade do produto não acontece paralelamente a uma política firme de proteção à saúde dos trabalhadores. Homens e mulheres, feitos objetos da ganância e da negligência empresarial, adoecem, sofrem acidentes ou morrem suavemente no e do trabalho. Aqueles que adoecem no e do trabalho são demitidos, aumentando o contingente de adoecidos, de marginalizados do processo produtivo, dos bens de consumo e dos serviços da sociedade.”

O que a médica do trabalho, Dra. Margarida Barreto, destaca nada mais é do que o velho exército de reserva de Marx, fundamental ao capital.

“(…) se uma população trabalhadora excedente é produto necessário da acumulação ou do desenvolvimento da riqueza com base no capitalismo, essa super-população torna-se por sua vez, a alavanca da acumulação capitalista, até uma condição de existência do modo de produção capitalista. Ele constitui um exército industrial de reserva disponível, que pertence ao capital de maneira tão absoluta, como se ele o tivesse criado à sua própria custa.”

A maioria das fábricas de hoje, não são mais as mesmas de um século atrás, muito menos se parecem com as da Inglaterra do século XIX. Hoje basta olhar à nossa volta que não será difícil encontrar um amigo, um parente que seja trabalhador de uma empresa, mas que executa suas tarefas em casa, em frente ao computador, no horário que quer, sem o patrão do lado, sem uniforme; e o salário vem logo em seguida ao término da tarefa.
Ou então como mostra a matéria da Revista Carta Capital de 7 de outubro de 2009 na p.72, “A nova ‘Fábrica”:

“Quando soa o apito da antiga fábrica de tecidos no pequeno município de Poá, (…), não se vêem operários de macacão e marmita de volta à vida ou preparados para começar um novo turno de trabalho. (…) No lugar de veteranos operários, um batalhão formado por imensa maioria de jovens e mulheres. Nos galpões, não há mais nenhuma máquina à vista. No lugar dos teares estão milhares de mesas, separadas por divisórias onde os funcionários se sentam diante de terminais de computador.”

Apesar das dificuldades de dados estatísticos que comprovem o adoecimento no e do trabalho nestas novas formas de produção, nestas formas não tão aparentes e diretas de apropriação da mais-valia, algumas pesquisas demonstram a gravidade do problema. A Revista Ciência & Saúde Coletiva no seu volume 10, nº4, Dez/2005, no artigo “O desafio de implementar as ações de saúde do trabalhador no SUS: a estratégia da RENAST”, Elizabeth Costa Dias e Maria da Graça Hoefell destacam:

“Apesar da escassez e inconsistência das informações sobre a situação dos trabalhadores, no Brasil, segundo o IBGE, a população economicamente ativa (PEA) é composta por aproximadamente 85 milhões de trabalhadores, dos quais apenas 23 milhões, cerca de um terço, são cobertos pelo Seguro de Acidentes de Trabalho (SAT). Estima-se que mais de um milhão de trabalhadores são atingidos, a cada ano, por acidente ou agravo relacionado ao trabalho (MS, 2004). Entre 1999 a 2003, a Previdência Social registrou 1.875.190 acidentes de trabalho, sendo 15.293 com óbitos e 72.020 com incapacidade permanente, com uma média de 3.059 óbitos/ano, entre os trabalhadores do setor formal segurados pelo SAT. O coeficiente médio de mortalidade, no mesmo período foi de 14,84 por 100.000 trabalhadores (MPS, 2003).

Pelos números dos auxílios-doenças do Ministério do Trabalho, os problemas musculares continuam liderando o ranking de pedidos de licença. De 2006 para 2008 houve um aumento de mais de 500% (de 19.956 – 117.353). Mas o que vem chamando a atenção dos médicos nos últimos anos é que a ocorrência de doenças relacionadas ao sistema nervoso está cinco vezes maior. Em dois anos subiu de 1.835 para mais de nove mil pedidos (9.306). E nesse mesmo período, os transtornos mentais e comportamentais tiveram um aumento de mais de 1.900%. Foram pouco mais de 600 pedidos de licença para mais de 12.000 (de 612 para 12.818)!
Quem não ficou surpreso ao ver a matéria do jornal Diário Catarinense de 16 de outubro de 2009, “Suicídios na France Telecom – Um funcionário da France Telecom cometeu suicídio ontem, tornando-se o 25º empregado da empresa a se matar nos últimos 20 meses, segundo uma fonte da companhia.”? A matéria termina dizendo: “Entre as medidas anunciadas estão o aumento do número de médicos no trabalho e mais psicólogos externos.”
A medida certamente choca tanto quanto a tragédia em si. Aumentar os médicos e psicólogos certamente é uma medida para quem acredita que o problema de adoecimentos no e do trabalho está no trabalhador, que é individual. Essas medidas são importantes, podem até amenizar a “espiral de morte” segundo o presidente da empresa, Didier Lombard. Mas não resolverão. Pois é a reestruturação da empresa que tem gerado pressão sobre os trabalhadores, fazendo com que estes se suicidem. “Eu muitas vezes ouvi: ‘se você não está contente, vá procurar em outro lugar. Mude de emprego…’.” É o testemunho de Modeste Alcaraz, delegado sindical da Central Sindical Francesa, aposentado da France Telecom (FRANCE TELECOM: O Testemunho de um Sindicalista).
E é de “reestruturações” como a dessa empresa entre outras questões, que o sistema capitalista se alimenta para sobreviver. Portanto, para resolver os problemas de suicídios e adoecimentos no e do trabalho é fundamental o rompimento com esse sistema.
Vamos voltar nossa análise ao espaço escolar, em especial ao espaço escolar público. Até que ponto podemos associar o trabalho desenvolvido dentro de uma fábrica com o trabalho desenvolvido dentro de uma escola pública? Até que ponto o processo de adoecimento dos trabalhadores dentro de uma fábrica pode ser comparado com o processo de adoecimento dentro de uma escola? Podemos pensar em ações que resolvam os problemas de adoecimento no e do trabalho, tanto nas fábricas, como nos novos modos de produção como também nas escolas?
Primeiro é importante destacar, que nossas escolas públicas não são fábricas capitalistas, não trabalhamos com patrões capitalistas ao nosso lado. Não existe alguém lucrando diretamente com o nosso trabalho. No entanto se percebermos, o Estado que é de classe “em sua condição de estrutura de comando político totalizador do capital”, e nós como trabalhadores desse Estado, podemos deduzir que indiretamente somos trabalhadores do capital, e sofremos todas as conseqüências que decorrem dessa relação.
E essa análise não é recente. Já se fazia presente no Manifesto do Partido Comunista, escrito por Marx e Engels, publicado em 1848: o Estado é “uma junta que administra os negócios comuns de toda a classe burguesa”.
É importante destacar que existe uma polêmica, inclusive entre os pesquisadores marxistas, se o trabalho do professor de escola pública é produtivo ou não-produtivo, se existe mais-valia ou não. Como essa discussão não é o objeto central deste artigo, vamos nos ater na discussão sobre o caráter do trabalho do professor da escola pública.
Como falamos antes, a burguesia busca saídas para suas crises, e é neste objetivo, que vimos o governo federal destinando valores consideráveis para salvar bancos e empresas privadas. Em entrevista concedida para o repórter especial da Folha de São Paulo, Kennedy Alencar, em 22 de outubro de 2009, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva falando sobre a crise responde:

“As coisas não aconteceram aqui como em outras partes do mundo porque nós tomamos medidas imediatas. Liberamos R$ 100 bilhões do depósito compulsório para irrigar o sistema financeiro. Fizemos com que o Banco do Brasil e a Caixa agilizassem mais a liberação de crédito. Fizemos o Banco do Brasil comprar carteiras de bancos menores que estavam prejudicados. Fizemos o Banco do Brasil comprar a Nossa Caixa em São Paulo e comprar 50% do Banco Votorantin. Era preciso que os bancos públicos entrassem em outras fatias do mercado, em que não tinham expertise, como financiar carro usado.”

A não cobrança do IPI de automóveis e vários eletrodomésticos por vários meses fez com que o governo federal deixasse de arrecadar valores significativos. Conforme matéria de Lorena Rodrigues da Folha Online, em Brasília, em 20 de outubro de 2009:

“O Governo Federal deixou de arrecadar R$ 19,5 bilhões de janeiro a setembro com a desoneração tributária adotada por conta da crise econômica, com a redução do IPI de automóveis e para eletrodomésticos. A previsão da Receita Federal é a que a renúncia fiscal com as medidas some R$ 25 bilhões em 2009.

Com isso, parte dessa arrecadação que seria destinada aos estados e municípios não será repassada. Segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional, divulgados em 31 de março de 2009 pela Empresa Brasil de Comunicações, “A redução de alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e a correção da tabela de Imposto de Renda podem provocar prejuízos de cerca de R$ 2 bilhões aos cofres públicos municipais”.
E aprofundam-se as conseqüências sobre os serviços públicos. A maior parte da arrecadação das prefeituras é proveniente de impostos (ICMS, IPI, IPTU, etc) cobrados de empresas, particulares e população. Na medida em que isenções são feitas e/ou as vendas diminuem, a arrecadação tende a diminuir. E isso representa menos investimentos na saúde, transporte e educação.
Portanto, mesmo não querendo entrar na polêmica de produtivo ou não-produtivo, se tem mais-valia ou não, é importante destacar que parte significativa de tudo que o Estado (poder público) arrecada, que deveria reverter em serviços públicos de qualidade para a população, o que significa entre outras coisas, condições dignas de salário e trabalho aos trabalhadores públicos, é destinado a salvar bancos, montadoras, etc. Portanto parte do que deveria ser nossas condições de trabalho é destinado a salvar o capital.
Outra parte considerável do Orçamento Brasileiro é destinada a pagar Juros e Amortizações da Dívida Pública. Os vários dados abaixo, retirados do site da Auditoria Cidadã da Dívida, nos mostram, de que outras formas o Estado Brasileiro está comprometido com o capital:

→ Nos últimos anos, o governo brasileiro antecipou o pagamento de dívidas externas não vencidas (por exemplo, a dívida com o FMI de US$ 15,5 bilhões e resgate antecipado de Bônus Bradies e outros títulos de mais de US$ 10 bilhões), ao mesmo tempo em que emitia aceleradamente dívida interna e permitia livre ingresso de estrangeiros para adquirir os títulos da “Dívida Interna”. Esse movimento significou, na prática, uma troca de dívida externa por dívida interna, que tem sido muito mais rentável aos investidores que especulam com títulos da dívida pública brasileira.
→ De junho de 2005 a julho de 2009 a dívida interna teve um crescimento de 80%.
→ Nos últimos anos, a dívida interna expandiu, chegando a R$ 1,8 trilhão em julho de 2009.
→ Em 2008, os estados e municípios pagaram R$ 30 bilhões de dívida à União.
→ Privilégios aos especuladores geraram no primeiro semestre de 2009 um prejuízo ao Banco Central do Brasil de R$ 93 bilhões. Este prejuízo é coberto sem limites pelo Tesouro Nacional, ou seja, com recursos dos serviços públicos da Saúde, Educação, Segurança, etc, que a população deixa de receber.
→ O Brasil emprestou US$ 10 bilhões ao FMI e aos EUA.
→ Em 2008, os pagamentos com Juros e Amortizações da Dívida Pública consumiram 30,57% dos Recursos Federais. Enquanto isso, áreas sociais fundamentais receberam parcelas muitas vezes inferiores, como no caso da Saúde (4,81%) e Educação (2,57%).
→ Em 2009 (até 4 de abril), o pagamento de Juros e Amortizações da Dívida Pública levou 34,13% do Orçamento Geral da União, enquanto a Saúde (4,98%), Educação (2,20%) e transferências à Estados e Municípios foi de (10,66%). Se considerarmos os gastos com o “refinanciamento da dívida – rolagem”, os gastos com a dívida consumiram 57% do orçamento, o que significa R$ 207 bilhões.

E quais são nossas condições de trabalho?
Pesquisando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/96) verificamos no artigo 67 que “Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público: VI – Condições adequadas de trabalho.”
Como podemos perceber, não define condições adequadas de trabalho e procurando na Lei Estadual de Sistema e também no âmbito municipal, nada encontramos, o que dificulta inclusive aos trabalhadores docentes a cobrança deste item da valorização.
Como entendemos que deveriam ser nossas condições de trabalho: vamos iniciar por destacar a importância da estrutura escolar adequada para “estudar”, “ensinar”, “apreender”. Salas de aulas limpas, ventiladas, arejadas, com claridade adequada, com silêncio externo, com carteiras adequadas em relação ao piso (que ao serem movimentadas não façam muito barulho). Ter materiais de apoio ao ensino de qualidade, em quantidades necessárias, com formação para manuseá-los com tranqüilidade. Uma jornada de trabalho que possibilite leitura/formação, preparação e correção de materiais, alimentação, necessidades higiênicas e biológicas, descanso e lazer, atenção com a família. Um número de alunos em sala de aula que permita atenção adequada a todos. Valorização profissional que garanta salário e plano de carreira dignos. Conviver em um ambiente de relações respeitosas, saudáveis, com espírito coletivo, sem qualquer tipo de preconceito ou assédio moral. Planejar e avaliar tudo o que é desenvolvido na sala de aula e em todo ambiente escolar tendo como objetivo a aferição do trabalho realizado. Não ser responsabilizado unicamente por possíveis reprovações, evasões ou não atingimento de metas. Formação constante proposta pelos órgãos competentes em discussão com os trabalhadores da educação, na área específica e também de âmbito geral com especial atenção ao trabalho com crianças com necessidades especiais. Ter garantido espaço de alimentação saudável e de qualidade durante a jornada de trabalho. Ter transporte adequado para se deslocar ao local de trabalho. Trabalhar em um único local, o mais próximo possível de casa, dos filhos, da família.
Além das questões citadas anteriormente destacaremos outras mais gerais, mas que possuem o mesmo grau de importância: a participação da família na educação dos filhos; no apoio em casa; na garantia de espaço adequado ao estudo; na presença na vida da escola; no acompanhamento efetivo da vida escolar do filho. Trabalhar em um espaço sem violência e sem drogas. Ter reconhecimento profissional da sociedade, dos pais, da direção, das chefias.
Agora vamos para dentro de uma escola do ensino fundamental, verificar como estão, na realidade, as condições de trabalho.
O público que freqüenta nossas escolas públicas municipais são os filhos da classe trabalhadora. Como tal, sofrem cada vez mais com a precarização do trabalho, a falta de emprego, a exploração, o preconceito, a violência, as drogas, conseqüências diretas do modo de produção capitalista. Nossas famílias são essas famílias. E nossos alunos, são os filhos dessas famílias. Portanto, no geral, não temos a participação desses nas escolas. As crianças, em sua ampla maioria, vivem parte do dia sozinhas, no máximo com amigos, irmãos mais velhos ou avós. Problemas com alimentação, higiene, espaço para estudo são constantes. Como a família passa por problemas, acaba não sendo mais referência para seus filhos, e assim enfrenta dificuldades para estimulá-los aos estudos. As longas jornadas de trabalho, o cansaço, a pressão dos problemas financeiros, o desgaste emocional e psíquico fazem com que não exista convívio entre pais e filhos. A falta de diálogo abre espaço para que os “heróis” sejam os da televisão, os da lan house. Por que terão como exemplo os pais?
A estrutura das escolas da Rede Municipal de Florianópolis, se olhadas de fora, são boas. Mas vamos aos detalhes, que é o que fazem o dia-a-dia: as construções antigas foram sendo ampliadas sem projeto, com puxados para todos os lados, fazendo muitas vezes com que uma turma prejudique o trabalho de outra, ou então, que os espaços para brincadeiras e/ou a educação física de uma turma sejam próximas do espaço de estudo de outras. Essas questões somadas com o fato de que circulam pais na escola, profissionais da limpeza, da equipe pedagógica e alunos faz com que muitas vezes tenhamos que estar de porta fechada. Os ventiladores quando ligados são barulhentos. As salas até possuem cortinas, mesmo assim o sol, a claridade, atrapalham o trabalho. As carteiras de ferro com o piso de cerâmica geram muito barulho. Mesmo que se faça um esforço de discutir esse problema com os alunos constantemente, muitas vezes turmas muito grandes impedem o silêncio.
A estrutura relativa a máquinas de fotocópias, computadores, televisores, aparelhos de som, DVDs, etc, normalmente geram estresse. Não são adequados em termos de quantidade nem tampouco qualidade. Normalmente não funcionam e/ou não atendem a todos os alunos.
A jornada de trabalho de um professor de 40 horas é desumana, seja ele de um professor de disciplina específica com sua hora-atividade em tempo, com suas várias turmas diferentes, com seus vários alunos assim como os professores de primeira a quarta séries com sua hora atividade em dinheiro, com suas duas turmas. A ação de planejar, organizar, avaliar requer atenção, dedicação, silêncio e concentração. Questões fundamentais que entram em conflito direto com o tempo que se tem. Além disso, a distância entre o local de trabalho e a moradia faz com que muitos saiam de casa bem cedo e cheguem tarde, fazendo com que o contato com sua família fique prejudicado. A alimentação geralmente é prejudicada ou pela distância entre a escola e o restaurante mais próximo ou pela forma como muitas vezes é feita na própria unidade através de marmitas. Uma alimentação não balanceada pode causar inúmeros problemas de saúde.
Em algumas escolas o número de alunos por turma é o adequado, mas na grande maioria não. Temos muitas turmas com mais de trinta alunos, onde muitas delas já contam com crianças com necessidades especiais que exigem dos professores uma atenção maior. Turmas grandes dificultam aquele atendimento individualizado que muitas vezes é necessário além de ser um motivador da indisciplina.
O plano de carreira dos trabalhadores do magistério, conquistado por muitas lutas, não é ruim. Temos garantido por lei direito a promoção automática por tempo de serviço e aperfeiçoamento. Só é válido para os efetivos e depois que termina o estágio probatório. O grande problema é a falta de tempo para as formações, principalmente para os professores que não possuem hora atividade em tempo.
Pelo fato dos professores terem que atender determinados índices, como se a educação fosse uma empresa, são pressionados a pensar projetos, organizar oficinas constantemente, o que provoca competição, motivando a inveja, o preconceito, criando ambiente tenso e pesado, o que se pode dizer mesmo insalubre. E ao mesmo tempo projetos bem desenvolvidos, trabalhos realizados plenamente não são reconhecidos.
Algumas chefias não reconhecem que as condições de trabalho podem interferir no processo de adoecimento. Isso faz com que exista nas escolas um discurso institucionalizado de que afastamento para tratamento médico e conseqüente readaptação é caracterizado como má vontade de trabalhar, irresponsabilidade profissional, etc. Essa situação faz com que vários professores com problemas de saúde sofram duplamente.
Avaliar tudo que se faz na escola e na sala de aula deve fazer parte do processo de ensino-aprendizagem de todos os professores. No entanto, avaliar tendo como objetivo atender determinados índices representa uma tarefa difícil, principalmente porque escola não é empresa, cujos resultados devem ser imediatos. Como hoje o número de aprovações significa mais verbas para o município, existe toda uma pressão por parte das chefias da Secretaria Municipal de Educação sobre as equipes pedagógicas e direções das escolas, e estas sobre os professores, que transforma o processo de planejar e avaliar quase sem razão de ser. O professor passa a ser o único responsável na ponta pelas possíveis reprovações e/ou evasões.
A formação dos professores é de todas as questões que envolvem a educação talvez a mais importante. A Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis oferece formação aos seus professores numa quantidade boa, no entanto geralmente não é aproveitada de forma adequada. Muitas vezes os professores não são dispensados da aula porque não há quem os substitua; em outras vezes recebem o convite em cima da hora o que inviabiliza a participação; quando participam, muitas vezes, sentem na fala dos palestrantes uma distância grande da realidade da escola e, portanto, não é assimilada. Os temas das formações normalmente se restringem ao melhoramento dos índices, o que acaba desinteressando os professores, e ajudando no fato da não apropriação do conteúdo trabalhado.
As dificuldades enfrentadas pelas famílias e a falta de perspectiva dos jovens, levam vários de nossos alunos a encontrarem nas drogas uma alternativa fácil aos problemas. Os alunos que estão “a trabalho” (leia-se repasse de drogas) dentro de nossas escolas não causam problemas disciplinares, porém também não participam do processo ensino-aprendizagem. Somando essa questão com o fato de que é normal ouvirmos dos pais de nossos alunos comentários como “se não tirar nota boa vou te encher de pau” ou então “meu filho, se você apanhar na escola, trate de bater, pois senão ao chegar em casa apanhará em dobro”, ou ainda “filho meu não leva desaforo para casa”, transforma as relações escolares entre alunos em uma constante guerra camuflada. E os professores, neste meio procuram intervir e realizar o processo de ensino-aprendizagem com poucos progressos.
Após termos destacado algumas das situações das condições de trabalho dos professores da Rede Municipal de Florianópolis, vamos observar a seguir alguns índices de afastamentos médicos coletados em documentos da própria Prefeitura (anos de 2004 e 2005) e no site da Prefeitura (anos de 2007 e 2008):

- Em uma análise preliminar dos dados de 2004, verificou-se que, num universo de 3.574 trabalhadores da Secretaria Municipal de Educação, 1.219 encontravam-se afastados de sua função, sendo 1.016 trabalhadores em licença saúde e 203 trabalhadores em readaptação.
- No ano de 2005, o relatório indica um total de 3.507 trabalhadores da Secretaria Municipal de Educação, sendo que, até o final do mês de junho, 684 trabalhadores se encontravam em situação de afastamento de suas funções de origem, desses últimos, 479 em licença para tratamento de saúde e 205 em readaptação.
- No ano de 2007, a Secretaria Municipal de Educação contou com 2.594 efetivos e 1.176 substitutos, além dos temporários e terceirizados. A contratação de professores substitutos se deu em maior percentual (41,31%), para substituir licenças de saúde. A emissão de portarias se deu em maior percentual (26,31%), também por motivo de licenças de saúde. A ampliação da jornada de trabalho do pessoal civil se deu em maior percentual (39,4%) também por motivo de licenças de saúde. Tivemos neste ano 72 readaptações entre os professores efetivos do Ensino Fundamental, dos quais 33 foram das Séries Iniciais.
- No ano de 2008, a Secretaria Municipal de Educação contou com 2.660 efetivos e 1.231 substitutos além dos temporários e terceirizados. A contratação de professores substitutos acontece novamente em grande parte por afastamentos médicos de professores efetivos, onde o maior número ocorre nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. A emissão de portarias se dá, novamente, em maior parte por motivo de licenças de saúde. Um dado importante deste ano é que nas Séries Iniciais da Educação Fundamental onde 192 são efetivos, temos quase 20% de readaptados (19,79%), assim como na Educação Infantil onde 391 são efetivos, temos também quase 20% de readaptados (19,44%).

Procurando entender se estes dados têm alguma relação com as condições de trabalho pontuadas anteriormente, realizamos várias pesquisas, e encontramos uma quantidade incrível de produções acadêmicas e publicações de livros discutindo a relação entre as condições de trabalho e a saúde do trabalhador docente. Produções que vão das escolas e universidades particulares às escolas e universidades públicas, da educação infantil ao ensino superior.
Ao estudar as produções existentes, percebemos que em todas as esferas, em todos os níveis, se as condições de trabalho não são as causadoras diretas pelos afastamentos médicos e readaptações, contribuem muito para isso.
Existem atualmente estudos que tratam especificamente a saúde vocal, saúde mental, estresse laboral, saúde física e emocional, síndrome de Burnout ou mal estar docente, a saúde docente entre limites, a saúde e a valorização do magistério, as condições de trabalho, a qualidade de vida, entre tantos. No caso dos professores nota-se que esses estudos, quando não fazem associação direta entre condições de trabalho e adoecimento, indicam para uma necessidade urgente de repensar o espaço escolar, as relações humanas, as condições de trabalho, e principalmente indicam que as ações devam sair do plano individual para o plano coletivo do ambiente e da organização do trabalho.
Os professores do Ensino Fundamental juntamente com os demais trabalhadores do Serviço Público Municipal de Florianópolis, impulsionados pelo seu sindicato, sempre lutaram por melhores condições de trabalho e salariais. Em que se pesem todas as dificuldades enfrentadas nas datas-bases, motivadas por uma certa hierarquia de importância entre as cláusulas negociadas, certificamo-nos, que mesmo não aparecendo cláusulas específicas sobre saúde do professor nos acordos coletivos, a preocupação por melhores condições de trabalho está sempre presente.
E essas lutas, ano após ano, conseguiram conquistar direitos e condições de trabalho, que se comparadas com outras redes de ensino, estão em melhor patamar.
Através das lutas, foi possível conquistar seis meses de licença maternidade, um plano de carreira que valoriza tempo de serviço e formação, licença prêmio de três meses a cada cinco anos trabalhados, férias de sessenta e cinco dias no ano, majoritariamente trabalha-se quarenta horas na mesma unidade, hora atividade em tempo para os professores das disciplinas específicas, entre outros. No acordo coletivo entre o sindicato e a Prefeitura Municipal de Florianópolis no ano de 2007 estava presente uma cláusula onde a Prefeitura se responsabilizava por desenvolver ações voltadas à prevenção de adoecimentos no e do trabalho. A partir desta cláusula surge o PROSABES, que desenvolve em várias escolas aulas de yoga, pilates, ginástica, oficinas de saúde vocal, etc.
Então surgem as perguntas: Se os direitos e as condições de trabalho dos professores do Ensino Fundamental de Florianópolis estão, em grande parte, em melhor patamar que professores do Ensino Fundamental de outras cidades ou Estados, porque os índices de adoecimento são os mesmos? Se as características do trabalho do professor são diferentes de outros trabalhos, porque os índices de adoecimento são os mesmos? Em que se unificam?
Marx nos ajuda a entender, por onde buscaremos as respostas às perguntas anteriores, quando destaca “Certa deformação física e espiritual é inseparável mesmo da divisão do trabalho na sociedade,… ataca o indivíduo em suas raízes vitais”.
Marx escreveu essa citação, presente em O Capital, no século XIX, quando o capitalismo dava seus primeiros passos. Hoje, em pleno século XXI, o capitalismo mudou sua cara, aprofundou o processo de exploração, tornou a distância entre a classe burguesa e a classe trabalhadora maior, desencadeou um ritmo de trabalho alucinante, desestruturou as famílias, criou o individualismo e a competição, criou as drogas e as doenças, o medo e a insegurança, transformou homens e mulheres em seres sem sentimento de solidariedade, sem sentimento de indignação. Somos capazes hoje de passar por uma calçada de nossa cidade, ver uma pessoa dormindo no chão enrolado em papelão, e olhar pro outro lado. Vemos sem surpresa o noticiário divulgar mortes de crianças e adultos por balas perdidas de confrontos entre policiais e traficantes logo em seguida do anúncio de um desfile de moda.
É sobre tudo isso que Marx nos alertava quando escreveu sobre a “deformação física e espiritual”. Quando escreveu também sobre a divisão do trabalho na sociedade capitalista, que “a divisão do trabalho ataca o indivíduo em suas raízes vitais”. E é em função disso tudo que os trabalhadores estão adoecendo no e do trabalho. E é por isso, que em última análise, não importa se as condições de trabalho são as melhores ou as piores, se, se é professor ou carpinteiro ou dentista. Os trabalhadores estão em todas as esferas adoecendo.
A construção da superação desta realidade só é possível de ser pensada com a construção da superação do tipo de sociedade que gerou essa realidade. Como quem gerou essa realidade foi a divisão do trabalho, etapa fundamental do capitalismo, é sobre sua superação que precisamos falar.
A divisão do trabalho de que estamos falando é a da sociedade capitalista. Onde tudo o que é feito visa o lucro, visa exploração. A divisão do trabalho em outras sociedades pode representar um fator de desenvolvimento da humanidade. Pode preparar as condições para o desenvolvimento das forças produtivas sobre outras bases que não estejam voltadas ao lucro, e sim ao bem estar de todos.
Lutar através do sindicato, por melhores condições salariais e de trabalho é parte integrante da luta pela derrubada do capitalismo. São fundamentais, caso contrário, o capital através do Estado, explorará ainda mais os trabalhadores, que por sua vez adoecerão ainda mais.
No entanto é importante destacar que somente esta luta não é suficiente. Construir a derrubada do capitalismo deve fazer parte destas lutas.

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Aluno de SP continua com mau desempenho em avaliações de matemática

imagesCAHDG6QC Os alunos da rede municipal de SP tiveram em 2009 um desempenho um pouco melhor em português, mas continuam muito mal em matemática. Em todas as séries, nem metade obteve nível satisfatório, segundo reportagem de Fábio Takahashi publicada na edição desta quinta-feira da Folha de S. Paulo.
Ainda de acordo com o texto, a situação mais grave é da 8ª série, em que 91% dos alunos não aprenderam o que se esperava em matemática (não conseguem, por exemplo, converter quilômetros em metros).
Para o presidente do Sinesp (entidade que reúne gestores das escolas), João Alberto Rodrigues de Souza, a diferença entre as disciplinas ocorre porque a prefeitura focou o português, com o programa Ler e Escrever, que capacita docentes e fornece materiais específicos.
O governo nega. Diz que no programa há conteúdos de matemática. Para o secretário de Educação, Alexandre Schneider, há "dificuldade mundial" para ensinar a disciplina. "Os resultados estão aquém do que esperamos. Mas a rede já está preparada para dar um salto de qualidade. A melhora nas séries iniciais indica isso." (Folha Online)

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Grupo protesta durante posse do novo reitor da USP; PM ataca e detém três

Uma manifestação realizada em frente à Sala São Paulo (centro), onde ocorria a posse do novo reitor da USP, terminou com três detidos, no começo da noite da segunda-feira, 25 de janeiro. A Polícia Militar usou bombas de efeito moral para conter o protesto. Não há registro de feridos.
Com faixas e apitos, os manifestantes protestavam contra a posse de João Grandino Rodas e contra o aumento de tarifas do transporte público. De acordo com a PM, o tumulto começou quando um grupo se deslocou para o estacionamento da sala e tentou fechar a entrada e saída de veículos.
A PM informou que os manifestantes atiraram paus e pedras contra os policiais, que revidaram. Três dos manifestantes acabaram detidos –uma mulher e dois homens. Eles foram ouvidos e liberados. Para a Polícia Militar, cerca de 50 pessoas participaram do protesto. Já os manifestantes falaram em cerca de 120. (ANDRÉ MONTEIRO, da Folha Online)

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Novo reitor da USP toma posse com promessa de mais diálogo

O novo reitor da USP (Universidade de São Paulo), João Grandino Rodas, tomou posse do cargo por volta das 18h da segunda-feira, dia 25 de janeiro, em sessão solene do Conselho Universitário realizada na Sala São Paulo, na região central. Ele assume com a promessa de mais diálogo e menos violência.
"Universidade é, por definição, diversidade e debate de ideias. Há mais de dez anos, contudo, instalou-se o embate de pessoa, com calendário prefixo e concorrência cada vez mais frequente. Muitas vezes rareou o respeito mínimo indispensável entre os segmentos da universidade, tendo a força/violência sido utilizada de maneira corriqueira (…) Chega de violência, que sempre gera violência. É importante rememorar, entretanto, que todos os segmentos da universidade devem renunciar ao uso da força, não sendo lógico nem factível exigir que somente o outro lado desista dela", diz trecho do discurso de posse de Grandino.
FATO INÉDITO DESDE A DITADURA
O novo reitor, que era diretor da Faculdade de Direito, foi escolhido pelo governador José Serra (PSDB) de uma lista com os três nomes mais votados na eleição da universidade. Foi a primeira vez, desde a ditadura militar, que o mais votado não ficou com o cargo –Grandino ficou em segundo na eleição.
A posse deveria ter ocorrido em novembro, mas a data foi adiada porque o novo reitor queria fazer um período de transição com a equipe da então reitora, Suely Vilela.
DIÁLOGO
O professor Grandino assume com a promessa de que o clima de animosidade e os atos de violência que marcaram a gestão de Suely Vilela não se repetirão nos próximos quatro anos.
Em 2007, estudantes invadiram a reitoria. Em razão das dificuldades no diálogo, a ocupação durou quase dois meses. Em 2009, a polícia usou balas de borracha, bombas de efeito moral e cassetetes para reprimir um ato de alunos e funcionários na Cidade Universitária.
Em 76 anos de existência, também comemorados no dia 25, a USP foi administrada por 23 reitores, dos quais dois dirigiram a universidade por dois mandatos. O mandato de Grandino corresponde à 26ª administração da instituição.
A sessão solene de posse contou ainda com a apresentação da Orquestra Sinfônica da USP, sob a regência de Ligia Amadio, com uma participação da pianista Eudóxia de Barros, do Coral Lírico do Theatro Municipal de São Paulo e do grupo Meninos do Morumbi.
CURRÍCULO
Grandino tem quatro diplomas de graduação: é formado em música (Faculdade de Música Sagrado Coração de Jesus), letras (Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira dos Padres Jesuítas), educação (USP) e direito (USP).
De acordo com a assessoria da universidade, também tem várias pós-graduações: é mestre em diplomacia pela Fletcher School Of Law And Diplomacy (EUA), mestre em ciências político-econômicas pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (Portugal), mestre em direito pela Universidade Harvard (EUA), doutor em direito pela USP e livre-docente pela USP.
Grandino ainda é membro do Conselho Diretor da Fulbright Comissão para o Intercâmbio entre os Estados Unidos e o Brasil, membro do Tribunal Administrativo do Sistema Econômico Latino-americano, membro do Tribunal Permanente da Revisão do Mercosul e membro da Comissão Jurídica Interamericana da OEA (Organização dos Estados Americanos), informou a USP. (Folha Online, com Folha de S.Paulo)

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Paulo Freire - O mentor da educação para a consciência

untitled Paulo Freire (1921-1997) foi o mais célebre educador brasileiro, com atuação e reconhecimento internacionais. Conhecido principalmente pelo método de alfabetização de adultos que leva seu nome, ele desenvolveu um pensamento pedagógico assumidamente político. Para Freire, o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno. Isso significa, em relação às parcelas desfavorecidas da sociedade, levá-las a entender sua situação de oprimidas e agir em favor da própria libertação. O principal livro de Freire se intitula justamente Pedagogia do Oprimido e os conceitos nele contidos baseiam boa parte do conjunto de sua obra.

Ao propor uma prática de sala de aula que pudesse desenvolver a criticidade dos alunos, Freire condenava o ensino oferecido pela ampla maioria das escolas (isto é, as "escolas burguesas"), que ele qualificou de educação bancária. Nela, segundo Freire, o professor age como quem deposita conhecimento num aluno apenas receptivo, dócil. Em outras palavras, o saber é visto como uma doação dos que se julgam seus detentores. Trata-se, para Freire, de uma escola alienante, mas não menos ideologizada do que a que ele propunha para despertar a consciência dos oprimidos. "Sua tônica fundamentalmente reside em matar nos educandos a curiosidade, o espírito investigador, a criatividade", escreveu o educador. Ele dizia que, enquanto a escola conservadora procura acomodar os alunos ao mundo existente, a educação que defendia tinha a intenção de inquietá-los.

Biografia

Paulo Freire nasceu em 1921 em Recife, numa família de classe média. Com o agravamento da crise econômica mundial iniciada em 1929 e a morte de seu pai, quando tinha 13 anos, Freire passou a enfrentar dificuldades econômicas. Formou-se em direito, mas não seguiu carreira, encaminhando a vida profissional para o magistério. Suas idéias pedagógicas se formaram da observação da cultura dos alunos – em particular o uso da linguagem – e do papel elitista da escola. Em 1963, em Angicos (RN), chefiou um programa que alfabetizou 300 pessoas em um mês. No ano seguinte, o golpe militar o surpreendeu em Brasília, onde coordenava o Plano Nacional de Alfabetização do presidente João Goulart. Freire passou 70 dias na prisão antes de se exilar. Em 1968, no Chile, escreveu seu livro mais conhecido, Pedagogia do Oprimido. Também deu aulas nos Estados Unidos e na Suíça e organizou planos de alfabetização em países africanos. Com a anistia, em 1979, voltou ao Brasil, integrando-se à vida universitária. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores e, entre 1989 e 1991, foi secretário municipal de Educação de São Paulo. Freire foi casado duas vezes e teve cinco filhos. Foi nomeado doutor honoris causa de 28 universidades em vários países e teve obras traduzidas em mais de 20 idiomas. Morreu em 1997, de enfarte.

Aprendizado conjunto

Freire criticava a idéia de que ensinar é transmitir saber porque para ele a missão do professor era possibilitar a criação ou a produção de conhecimentos. Mas ele não comungava da concepção de que o aluno precisa apenas de que lhe sejam facilitadas as condições para o auto-aprendizado. Freire previa para o professor um papel diretivo e informativo – portanto, ele não pode renunciar a exercer autoridade. Segundo o pensador pernambucano, o profissional de educação deve levar os alunos a conhecer conteúdos, mas não como verdade absoluta. Freire dizia que ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas também não aprendem sozinhas. "Os homens se educam entre si mediados pelo mundo", escreveu. Isso implica um princípio fundamental para Freire: o de que o aluno, alfabetizado ou não, chega à escola levando uma cultura que não é melhor nem pior do que a do professor. Em sala de aula, os dois lados aprenderão juntos, um com o outro – e para isso é necessário que as relações sejam afetivas e democráticas, garantindo a todos a possibilidade de se expressar. "Uma das grandes inovações da pedagogia freireana é considerar que o sujeito da criação cultural não é individual, mas coletivo", diz José Eustáquio Romão, diretor do

O mais célebre educador brasileiro, autor da pedagogia do oprimido, defendia como objetivo da escola ensinar o aluno a "ler o mundo" para poder transformá-lo.

Tempos de mobilização e conflito

salade aula

Aula em Angicos, em 1963: 300 pessoas alfabetizadas pelo método Paulo Freire em um mês.

O ambiente político-cultural em que Paulo Freire elaborou suas idéias e começou a experimentá-las na prática foi o mesmo que formou outros intelectuais de primeira linha, como o economista Celso Furtado e o antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997). Todos eles despertaram intelectualmente para o Brasil no período iniciado pela revolução de 1930 e terminado com o golpe militar de 1964. A primeira data marca a retirada de cena da oligarquia cafeeira e a segunda, uma reação de força às contradições criadas por conflitos de interesses entre grandes grupos da sociedade. Durante esse intervalo de três décadas ocorreu uma mobilização inédita dos chamados setores populares, com o apoio engajado da maior parte da intelectualidade brasileira. Especialmente importante nesse processo foi a ação de grupos da Igreja Católica, uma inspiração que já marcara Freire desde casa (por influência da mãe). O Plano Nacional de Alfabetização do governo João Goulart, assumido pelo educador, se inseria no projeto populista do presidente e encontrava no Nordeste – onde metade da população de 30 milhões era analfabeta – um cenário de organização social crescente, exemplificado pela atuação das Ligas Camponesas em favor da reforma agrária. No exílio e, depois, de volta ao Brasil, Freire faria uma reflexão crítica sobre o período, tentando incorporá-la a sua teoria pedagógica.

A valorização da cultura do aluno é a chave para o processo de conscientização preconizado por Paulo Freire e está no âmago de seu método de alfabetização, formulado inicialmente para o ensino de adultos. Basicamente, o método propõe a identificação e catalogação das palavras-chave do vocabulário dos alunos – as chamadas palavras geradoras. Elas devem sugerir situações de vida comuns e significativas para os integrantes da comunidade em que se atua, como por exemplo "tijolo" para os operários da construção civil.
Diante dos alunos, o professor mostrará lado a lado a palavra e a representação visual do objeto que ela designa. Os mecanismos de linguagem serão estudados depois do desdobramento em sílabas das palavras geradoras. O conjunto das palavras geradoras deve conter as diferentes possibilidades silábicas e permitir o estudo de todas as situações que possam ocorrer durante a leitura e a escrita. "Isso faz com que a pessoa incorpore as estruturas lingüísticas do idioma materno", diz Romão. Embora a técnica de silabação seja hoje vista como ultrapassada, o uso de palavras geradoras continua sendo adotado com sucesso em programas de alfabetização em diversos países do mundo.

Seres inacabados

O método Paulo Freire não visa apenas tornar mais rápido e acessível o aprendizado, mas pretende habilitar o aluno a "ler o mundo", na expressão famosa do educador. "Trata-se de aprender a ler a realidade (conhecê-la) para em seguida poder reescrever essa realidade (transformá-la)", dizia Freire. A alfabetização é, para o educador, um modo de os desfavorecidos romperem o que chamou de "cultura do silêncio" e transformar a realidade, "como sujeitos da própria história".

Três etapas rumo à conscientização

Embora o trabalho de alfabetização de adultos desenvolvido por Paulo Freire tenha passado para a história como um "método", a palavra não é a mais adequada para definir o trabalho do educador, cuja obra se caracteriza mais por uma reflexão sobre o significado da educação. "Toda a obra de Paulo Freire é uma concepção de educação embutida numa concepção de mundo", diz José Eustáquio Romão. Mesmo assim, distinguem-se na teoria do educador pernambucano três momentos claros de aprendizagem. O primeiro é aquele em que o educador se inteira daquilo que o aluno conhece, não apenas para poder avançar no ensino de conteúdos mas principalmente para trazer a cultura do educando para dentro da sala de aula. O segundo momento é o de exploração das questões relativas aos temas em discussão – o que permite que o aluno construa o caminho do senso comum para uma visão crítica da realidade. Finalmente, volta-se do abstrato para o concreto, na chamada etapa de problematização: o conteúdo em questão apresenta-se "dissecado", o que deve sugerir ações para superar impasses. Para Paulo Freire, esse procedimento serve ao objetivo final do ensino, que é a conscientização do aluno.

No conjunto do pensamento de Paulo Freire encontra-se a idéia de que tudo está em permanente transformação e interação. Por isso, não há futuro a priori, como ele gostava de repetir no fim da vida, como crítica aos intelectuais de esquerda que consideravam a emancipação das classes desfavorecidas como uma inevitabilidade histórica. Esse ponto de vista implica a concepção do ser humano como "histórico e inacabado" e conseqüentemente sempre pronto a aprender. No caso particular dos professores, isso se reflete na necessidade de formação rigorosa e permanente. Freire dizia, numa frase famosa, que "o mundo não é, o mundo está sendo".

Para pensar

Um conceito a que Paulo Freire deu a máxima importância, e que nem sempre é abordado pelos teóricos, é o de coerência. Para ele, não é possível adotar diretrizes pedagógicas de modo conseqüente sem que elas orientem a prática, até em seus aspectos mais corriqueiros. "As qualidades e virtudes são construídas por nós no esforço que nos impomos para diminuir a distância entre o que dizemos e fazemos", escreveu o educador. "Como, na verdade, posso eu continuar falando no respeito à dignidade do educando se o ironizo, se o discrimino, se o inibo com minha arrogância?" Você, professor, tem a preocupação de agir na escola de acordo com os princípios em que acredita? E costuma analisar as próprias atitudes sob esse ponto de vista?

Fonte: Revista Escola - http://revistaescola.abril.com.br/

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Acordos no ensino superior reforçará Cuba-Venezuela Missão Sucre

Prensa Web RNV

Dezembro 12, 2009

 

(Foto: Arquivo)

post-29-1260654095 Caracas .- Os 12 acordos assinados no sábado, no ensino superior, referindo-se à Cuba-Venezuela comissão mista será o reforço do sistema de ensino superior da Venezuela, especialmente quando se trata da Missão Sucre está em causa.
A informação foi divulgada sábado o ministro venezuelano do Poder Popular para a Educação Superior, Luis Acuña, La Noticia, Venezolana de Televisión, em Havana, Cuba, para explicar o trabalho que ele fez do Comité Misto como um prelúdio para a Cimeira da Aliança Bolivariana dos povos de nossa América (ALBA), a ser realizada na ilha, no domingo, 13 e segunda-feira 14.
Ele observou que todos os pós-graduandos estão a ser estabelecidos em relação a esses arranjos foram concebidos para serem capazes de assumir o grupo de professores da Missão Sucre para ser treinado mais naquilo que é a tarefa que tem um programa deste tipo, para produzir homens e Venezuela exige nova mulher.
O proprietário fez a ressalva de que a idéia é que esses acordos que irá fortalecer as relações bilaterais no campo, pode ser estendido a Alba, uma revista nota da Agencia Bolivariana de Noticias.
Acuña explicou que caem sob o programa de pós-graduação para o fortalecimento da comunidade de medicina integrativa ", como estamos preocupados que, com o apoio de Cuba, este plano pode levar os médicos a Venezuela, o país precisa para resolver os problemas de saúde que têm .
O ministro disse que atualmente existem cerca de 800 estudantes venezuelanos a estudar para nível profissional ou pós-graduação em Cuba, observando que se mudou recentemente de Cuba para a Venezuela cerca de 2 mil 400 alunos do quarto ano de Medicina, para seus dois últimos anos dos cursos de Estado venezuelano.
"Desta forma pode não apenas a forma, nos espaços onde definitivamente vai se desenvolver, mas nos últimos anos de estudo, estágios hospitalares, quando eles podem deixar se envolver com os problemas de saúde da nação e, por sua vez, o apoio do Estado nesta matéria ", disse ele.
Acuna destacou o apoio que deu a Cuba da Venezuela educacionais e argumentou que continua a haver oportunidades para continuar tendo acesso ao ensino superior na ilha e na Venezuela, também para o ensino universitário com alta qualidade.

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ALBA

 

Educação: bandeira de luz

Alba A Alianza Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA) aumenta sua influência iluminadora sobre os países membros. Tem como bandeira de luz a educação, ferramenta imprescindível para eliminar a pobreza e a exclusão social. E como linguagem, a solidariedade.

O ministro da Educação Superior e membro do Bureau Político do Partido Comunista de Cuba, Miguel Díaz Canel, explica qual foi o papel da ALBA para construir uma sociedade diferente.

"Tudo começou com um grupo de projetos com a República Bolivariana da Venezuela. Do início, destacaram a participação direta de programas educativos, e a educação superior teve um papel de vanguarda".

A partir desse momento, diversas cúpulas e ateliês insistiram em criar mecanismos que unam, traçando posições comuns, aprefeiçoando projetos e aprovando sua implementação.

"No primeiro ateliê de Educação Superior para a ALBA, em 2008, onde participamos juntamente com o ministério da Educação, ratificamos como prioridade o projeto Grã-nacional de alfabetização e pós-alfabetização mediante o método Sim, eu posso".

"Encontros posteriores, como a primeira reunião de ministros da Educação da ALBA, em março de 2009, enriqueceram os objetivos. Naquela ocasião destacou o objetivo de desenhar programas para formar educadores em áreas de interesse comum".

A 7ª Cúpula de presidentes da ALBA, realizada em outubro, na Bolívia, aprovou o projeto Grã-nacional ALBA Educação, que tem como objetivo formar profissionais de medicina integral comunitária e educação, bem como criar programas de pós-graduação e pesquisagem.

"A ideia inclui o reconhecimento de títulos e diplomas, intercâmbio acadêmico entre professores, criar uma plataforma informática para a gestão educativa e para a educação a distância, fundar a universidade pedagógica para os países membros, criar a rede de universidades da ALBA para articular planos, programas e projetos educativos, e a busca de um sistema de acreditação da qualidade".

Entretanto, a luz da verdade chega a milhões de pessoas no continente: os analfabetos aprendem não só a ler, senão que continuam o longo caminho do conhecimento, para chegar cada vez mais longe.

Quatro países da ALBA (Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua) declararam-se livres de analfabetismo.

"Mas os alunos continuam nas salas de aula, agora com a pós-alfabetização, um processo mais complexo, quepretende que as pessoas alfabetizadas obtenham a sexta classe. Se não bastasse, o sucesso do método cubano Sim, eu posso, propicia que haja outro grupo de países interessados em aplicá-lo".

O Conselho Ministerial Social da Aliança, na sua próxima reunião, deverá levar a cabo as ações necessárias para criar a Rede de Universidades Unialba. Esta ideia revolucionária significa que cada país designe uma ou duas universidades onde se ministrem estes programas, segundo as necessidades das nossas nações.

"A Bolívia solicitou programas de formação para manuseio de hidrocarbonetos, por tal motivo, especialistas cubanos trabalham, juntamente com a Venezuela, para organizar estes cursos, e para capacitar às pessoas em países petroleiros como Equador e Venezuela. A Nicarágua, Bolívia, Venezuela e Equador nos solicitaram, além disso, um mestrado em informática educativa. E nós vamos satisfazer todos esses pedidos".

"Cuba está disposta a compartilhar experiências no desenvolvimento de redes, a oferecer assessoria metodológica, recursos humanos e os programas de formação e pós-graduação que se solicitem".

Na Cúpula de Havana vamos apresentar a proposta de agilizar a instrumentação do convênio de reconhecimento de títulos e diplomas universitários nos países da ALBA; avançar no desenvolvimento do projeto Grã-nacional ALBA Educação e no desenvolvimento da rede Unialba; e sermos os anfitriões do 2º Encontro do grupo de trabalho para o melhoramento da qualidade educativa e da credenciação".

Os dias 14 e 15 de dezembro não só vão marcar um encontro mais: a ALBA fundou uma esperança, e agora o objetivo é tornar mais forte essa luz. •

Texto: / Postado em 10/12/2009 – Pátria Latina

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Direitos desrespeitados no Centro Paula Souza

 

Por Carlos Giannazi

Postado: Psol SP

O Centro Paula Souza comete várias violações contra os direitos dos seus professores e servidores como, por exemplo, a não implantação da licença-maternidade de 6 meses para as suas gestantes, permissão já garantida pela Lei Estadual 1054/08 que altera o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado (artigo 198). A lei é para todas as mulheres a ela relacionadas e beneficia diretamente as servidoras públicas do Estado de São Paulo. A entidade autárquica não somente deveria aplicar a referida legislação estadual vigente como poderia estender esse beneficio às suas funcionárias utilizando a Lei Federal 11770/08, que faculta às empresas a adoção da licença de 6 meses.

Outro caso grave de desrespeito é a não utilização do Hospital do Servidor Público Estadual pelos servidores do CPS, que hoje não têm esse direito embora trabalhem em uma entidade estatal autônoma e só podem apresentar atestados médicos emitidos pelo SUS. Além disso, o direito à sexta-parte aferida pelos servidores do Estado tem de ser requerido na Justiça pelos servidores do Centro Paula Souza, que também são privados disso. Para justificar todos esse ataques aos direitos de seus professores e servidores, o Centro Paula Souza utiliza a cômoda e confortável justificativa que os mesmos são contratados pelo regime da CLT.

Afora estas, outras reclamações se fazem presentes contra a autarquia como a violação da Lei de Diretrizes e Bases pela não implantação das disciplinas de Filosofia e Sociologia no currículo do Ensino Médio da rede de escolas técnicas públicas por ela administradas, prejudicando os seus estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – que vem cobrando os conteúdos dessas matérias – e também na formação para o exercício crítico da cidadania e do apreço pela ética.

Ainda no que se refere à falta de uma política de cuidado com os que frequentam seus cursos nas mais de 150 escolas técnicas (a entidade administra também dezenas de faculdades de tecnologia) há de se registrar a falta de oferta, pelo Centro Paula Souza, da merenda escolar aos seus alunos, muitos deles permanecendo o dia todo na unidade de ensino e sem condições de pagar pela alimentação.

Diante de todas essas denúncias perguntamos que tipo de educação a autarquia está oferecendo com tantas agressões e desrespeito aos professores, servidores e educandos?
O mínimo que temos a fazer é exigir as intervenções do governador e do Ministério Público Estadual para corrigir esses graves desvios do Centro Paula Souza.

Carlos Giannazi é deputado estadual (PSOL), professor e diretor (licenciado) da rede pública de ensino, e membro titular da Comissão de Educação da Assembleia

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Mais presente do que nunca

 

Sua morte foi decretada, mas o túmulo nunca foi fechado: a questão ideológica continua muito presente na educação (e também fora dela). E não é demais questionar: é possível haver educação sem ideologia, ou a simples expressão desse desejo já é reveladora de um lugar de onde se vê (e pensa ) o mundo?

Fabiano Curi

Berlim, 1989: a queda do muro foi vista por alguns, como o americano Francis Fukuyama, como um marco do fim da história em termos de conflitos ideológicos. O tempo se encarregou de mostrar que esse dia ainda está por vir

muro Há cerca de duas décadas, o mundo testemunhou a implosão do socialismo de Estado encabeçado pela União Soviética. Mais do que isso, passou a viver num planeta que abandonava a bipolaridade das superpotências para caminhar na direção do sistema político-econômico sobrevivente. Sim, sobrevivente, pois para muitos a queda do modelo soviético levava consigo para o túmulo toda a ideologia que o cercava. Comunismo, socialismo, marxismo e todas as suas ramificações pareciam se haver evaporado do cenário geopolítico global, sumiço este que reduziria a pó a existência dos conflitos ideológicos. O mundo viveria sob a égide de um modelo hegemônico e, assim, decretava-se o fim das ideologias.
Desde então, análises ideológicas passaram a ser vistas como objeto de estudo exclusivamente de historiadores que olhavam para o passado na tentativa de caracterizar enfrentamentos de grupos com conjuntos de ideias antagônicas. O esmorecimento de um mundo marcado por ideologias acabou afetando uma instituição que sempre esteve intimamente ligada ao debate ideológico: a escola.
Recentemente, a promulgação de uma nova Lei de Educação na Venezuela inflamou a grita daqueles que se opõem a Hugo Chávez. Os pontos divulgados - o controle do Estado na seleção e supervisão de professores, a proibição de conteúdos que vão contra a soberania do país e algumas propostas amplas de princípios de responsabilidade social, solidariedade e comunhão entre escola, comunidade e família, entre outros - foram vistos como mais um golpe autoritário e totalmente deslocado dos rumos da educação no mundo contemporâneo.
Contudo, o discurso de que tensões ideológicas são obsoletas não deixa de ser também ideológico. Para Marcos Cassim, professor de sociologia da educação da USP de Ribeirão Preto, "ideologia é concepção de mundo e a educação faz parte dessa concepção de mundo; assim, toda a educação é ideológica". Ele explica a razão disso argumentando que "todas as sociedades constroem o homem a partir de sua concepção de ser humano. O homem se constitui humano e se constitui historicamente".
Na opinião de Sílvio Gallo, professor da Faculdade de Educação da Unicamp e autor do recente livro Subjetividade, ideologia e educação (Alínea, 2009), o problema começa na definição do próprio conceito de ideologia, que é visto de forma distinta por diferentes autores. "Temos essa ideia de ideologia dominante muito claramente em (Karl) Marx e em alguns autores marxistas", diz. Ele lembra que, para Marx, há a ideia de um falseamento da realidade por parte das classes dominantes que, ao impor seus valores, buscam fazer com que sejam vistos como únicos e legítimos, enquanto para outros autores, mesmo no campo  marxista, como (Antonio) Gramsci e (Louis) Althusser (leia texto na página 51), a ideologia representa os interesses de uma determinada classe e não, necessariamente, um falseamento.
"Em Marx, há oposição entre ideologia e ciência. A classe dominante, para falsear, produz ideologia, a classe dominada, para se libertar, produz ciência", desenvolve Gallo. "Nos autores posteriores vamos ter a extensão do conceito de ideologia para dizer que toda a produção de conhecimento por uma determinada classe é ideologia, independentemente de ela ser um falseamento da realidade ou uma afirmação da realidade, dependendo dos interesses do grupo", completa.
Dermeval Saviani, professor emérito da Faculdade de Educação da Unicamp, ressalta que essa tentativa de evitar os conflitos de ideias fica evidente ainda no início da massificação da educação europeia: "a partir do momento em que a burguesia se consolida no poder, começa a adotar uma ideologia, no sentido de mascaramento da realidade, de naturalização da realidade como se a ordem burguesa fosse a ordem definitiva".
Gallo lembra que existe também uma outra conceituação na qual uma determinada ideologia social é produzida com a participação consciente ou inconsciente da sociedade como um todo, mesmo que ela atenda a determinadas prerrogativas ou desejos da classe dominante, mas com a aceitação da classe dominada, pois, se não houver reação, há, em algum nível, o consentimento.

Avaliações
Nos últimos anos, o esvaziamento do debate ideológico no campo educacional tem sido marcado pela associação direta da educação com o mercado de trabalho. Ainda que a formação de mão de obra seja uma das finalidades sociais da educação em qualquer regime político, no período recente a perspectiva utilitarista do espaço escolar ganhou muita força.
Entre os indicadores educacionais que podem ser apreciados, há hoje em dia muita ênfase naqueles que relacionam escolaridade com renda e empregabilidade. Assim, muitos dos investimentos em educação só são justificados quando garantem saldos significativos na produtividade e na renda.
Na avaliação de Saviani, a educação sofre a "determinação das exigências de mercado, que envolve a busca de resultados com o mínimo dispêndio. Os investimentos em educação estão subordinados à busca de resultados e os resultados são aferidos pelos indicadores de mercado".
Para medir os efeitos da educação na vida das pessoas e no funcionamento da sociedade, os anos de reforma do Estado democrático foram ricos na proliferação de sistemas de avaliação de escolas, professores e estudantes. No Brasil, por exemplo, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, a educação teve papel central e, dentro das políticas de universalização da Educação Básica, criaram-se mecanismos que buscavam de alguma forma mensurar a qualidade do ensino. Alvo de muitas críticas da oposição na época, tais políticas, com algumas mudanças pontuais, foram preservadas pelo governo Lula e, ainda que possam existir debates acerca das metodologias empregadas, as avaliações não são mais questionadas. De acordo com Odair Sass, psicólogo e professor do programa de educação da PUC-SP, as avaliações servem para "definir o que é funcional e o que é disfuncional para tentar consertar os problemas, mas não é colocado em questão o modelo de educação".
Fernando Veloso, economista e professor do Ibmec-RJ que co-organizou o livro Educação básica no Brasil: construindo o país do futuro (Campus, 2009), argumenta que "a mudança de política de avaliações não acontece apenas no Brasil, é uma tendência mundial, e eu não vejo ideologia nisso". Ele lembra que esse movimento começou nos Estados Unidos, e agora acontece em outros lugares "a ideia de que você tem de mensurar de alguma forma a qualidade da educação".
Veloso recorda que existiam no Brasil anteriormente vários indicadores de quantidade, como taxa de
frequência, de matrícula e índice de escolaridade, mas que não havia uma medida de qualidade como as que foram implantadas nas últimas duas décadas.
O professor do Ibmec-RJ cita o exemplo do que aconteceu nos Estados Unidos no período recente: "Em seu governo, Bush criou o No child left behind, um sistema de responsabilização, ou seja, você não só mede os resultados, mas responsabiliza as escolas pelo resultado. Isso não quer dizer culpar, mas saber qual é a contribuição da escola no contexto dela e estabelecer premiações e punições". O professor conta que, atualmente, "Obama, do partido adversário e com uma visão de mundo completamente diferente, deu um nome diferente para o programa, mas que, na essência, é muito parecido. Ele aprofundou e corrigiu alguns problemas do programa de Bush."
Veloso aponta que a nova administração está estabelecendo padrões mínimos de qualidade, pois lá os estados têm autonomia para fazer o sistema de avaliação e de responsabilização. "Alguns fizeram um programa bom e outros, um programa fraco." O economista complementa seu exemplo dizendo que esses sistemas não são ideológicos, pois o governo atual tem dado grande apoio às charter schools, que são escolas públicas com a gestão a cargo de organizações não governamentais ou mesmo do sistema privado, o que é visto em qualquer lugar do mundo como "atividade de mercado", diz ele.
"Não vejo ideologia nos Estados Unidos, mas sim a ideia de que você tem de mensurar e fazer o possível para melhorar", avalia. "E acho que no Brasil é igual: se pegarmos o governo Lula, talvez tirando os dois primeiros anos nos quais houve um desvio da atenção ao ensino básico que era dada no governo anterior mas que depois a retomou, no fundo, mesmo que ele não reconheça, o governo atual tem dado continuidade e aprofundado políticas adotadas no governo Fernando Henrique."
Veloso afirma que tais medidas são políticas de Estado, "o que não quer dizer que educadores e economistas concordem, mas acho que há um certo consenso de que qualquer política educacional bem feita tem de avaliar o resultado e usar essa avaliação para aprimorar". "É uma questão de princípio e não de ideologia", conclui.
José Leon Crochik, professor da Instituto de Psicologia da USP, também acredita que "estamos na era das grandes avaliações, não só no Brasil, mas em todo o mundo". E pondera que "isso é muito ruim quando se cria um ranking que torna a escola uma questão de mercado, mas, por outro lado, há uma preocupação com o índice de qualidade e com metas a serem perseguidas".

Escola e Estado
A determinação dos modelos de educação pelo Estado, ainda que seja para, na abordagem de certos espectros políticos, servir aos interesses privados, coloca nas mãos dos governos um importante instrumento ideológico. Em regimes despóticos, a ingerência do Estado é mais perceptível, mas ela não deixa de acontecer também em sistemas políticos democráticos.
Marcos Cassim problematiza que "se a escola não está sob a tutela do Estado, a sociedade não a reconhece, pois não há um certificado". "A escola não apenas produz o conhecimento, mas também o certifica."
Entretanto, ele enfatiza que se confunde educação com escola. "Escola é uma instituição do Estado e a educação é processo. A escola como aparelho do Estado é organizada de acordo com a visão desse Estado e das classes dominantes, mas no interior da escola acontecem processos diversos, às vezes não como afirmação, mas como negação", explica.
Para a professora da Faculdade de Educação da Universidade de Passo Fundo Rosimar Esquisani, é possível haver contraideologia em relação ao Estado. "No Rio Grande do Sul, temos a gestão democrática do ensino público que tem dado certo em muitas instituições de ensino", revela. A escolha de diretores, a descentralização administrativa e a participação da comunidade nas decisões da escola podem alimentar ideologias muitas vezes contrárias ao que é de interesse do Estado ou de grupos dominantes.

O venezuelano Hugo Chávez: proposta de lei busca introduzir um maior controle da educação por parte do estado.

hugo Chaves Vale ainda ressaltar que muitas escolas hoje estão aparelhadas com redes de computadores e atendem a um alunado cada vez mais inserido em realidades tecnológicas que dividem espaço com conteúdos preparados pelo professor, com o material didático e com as diretrizes da escola. Ainda que a maior parte dos modelos educacionais se sustente na lógica livresca e do professor como guardião do conhecimento, os canais de consulta ao redor e dentro da escola são mais numerosos do que em outros tempos.
Sílvio Gallo acredita igualmente que a educação também pode produzir contraideologia o tempo todo, mesmo no espaço da escola. Ele observa que "na medida em que a educação é tratada como coisa pública, existe o lado importante do investimento do Estado na formação dos cidadãos e também o controle efetivo que o Estado exerce". Contudo, ressalta que "ao mesmo tempo que isso acontece, nós temos no âmbito das relações cotidianas da escola reações por parte dos professores, dos estudantes e do corpo diretivo. Não há uma assimilação direta e acrítica por parte desses indivíduos".
Para Gallo, nenhum modelo progride se não houver uma aceitação de todas as esferas envolvidas na educação, principalmente do docente. "O professor é o verdadeiro ator desse processo todo. Uma política educacional só acontece se o professor a assumir e a realizar."

Professores ideológicos
No cenário da educação brasileira é muito comum emergirem críticas a professores que expõem dentro da sala de aula suas afinidades ideológicas. Não são poucos os que defendem que a escola deve manter uma postura neutra e ensinar o que deve ser ensinado sem pender para discursos políticos. Mas será que a neutralidade na educação é atingível ou, até, desejável?
"O que vemos nessas críticas ao professor ideológico são pessoas de extrema-direita criticando professores de extrema-esquerda ou pessoas de extrema-esquerda criticando professores de extrema-direita", crê Sílvio Gallo. Para a sua colega da Faculdade de Educação da Unicamp Ana Lúcia Goulart de Faria, "todo conhecimento é engajado, seja para as coisas melhorarem para todos, seja para melhorarem só para alguns."
Já José Leon Crochik alerta que "quando a educação se pretende neutra, equidistante, como se fosse possível abrir mão de si mesma e assumir um lugar imaginário sobre todo o mundo, aí se esposa talvez uma das piores ideologias".
No ponto de vista de Odair Sass, as críticas aos "professores ideológicos" acontecem porque "a ideologia não é vista na própria sequência pedagógica", ou seja, nas políticas educacionais, no material didático, na infraestrutura da escola. "Ela é individualizada na figura do professor."
Marcos Cassim identifica a ideia de neutralidade na educação como uma herança do pensamento positivista. Para ele, mesmo que a escola não se envolva em questões políticas, principalmente de política partidária, é preciso pensar a política como a capacidade de contribuir nas decisões.
Saviani também descarta a possibilidade de uma educação em que a questão ideológica não esteja presente. "Não existe conhecimento desinteressado. A ideologia é um elemento integrante da vida humana. O homem age sobre a natureza para transformá-la no interesse de sua própria sobrevivência. Ele conhece para dominar, conhecimento é poder."
Gallo acrescenta um aspecto desse processo: a formação de docentes. "A gente não tem homogeneidade na formação de professores. Vemos muitas críticas à universidade pública dizendo que formam professores ideológicos, que elas não preparam tecnicamente o professor, mas sim politicamente. Mas será que faz sentido uma formação estritamente técnica do professor? Uma boa formação técnica não está desvinculada de uma boa formação política e vice-versa", reflete.
A discussão, entretanto, recai sobre a capacidade de mediar debates e tensões ideológicas dos professores que se formam. Crochik nota que "a formação dos professores de uma maneira geral é muito imediata, concreta, precária, pouco afeita ao raciocínio, à imaginação, àquilo que seria próprio de um homem formado".
Os problemas de preparo desses professores acabam colocando na sala de aula profissionais acríticos ou doutrinários, o que, evidentemente, não é nada vantajoso para qualquer modelo de educação que se pretenda plural. "Não sou favorável a defender doutrinas na escola, mas sim que se passem as ideias dos pensadores de cada doutrina. Sou partidário da leitura do movimento da sociedade e das contradições visíveis nela", revela Crochík.
E como ficam os estudantes nesse processo de enfrentamento ideológico? Disse certa vez o crítico literário e cultural galês Raymond Williams sobre o processo de alfabetização na Europa depois das revoluções burguesas: "não há como ensinar uma pessoa a ler a Bíblia sem também ensiná-la a ler a imprensa radical".

Para saber mais

> A elite eclesiástica brasileira, de Sérgio Miceli, Cia. das Letras, 2009
> A ideologia alemã, de Karl Marx e Friedrich Engels (várias editoras)
> Aparelhos ideológicos de Estado, de Louis Althusser, Graal, 2007 (esgotado)
> A reprodução, de Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron, Vozes, 2008
> Educação, ideologia e contra-ideologia, de Antônio Joaquim Severino, EPU, 1986 (esgotado)
> Estado militar e educação no Brasil, de José Willington Germano, Cortez, 1994 (esgotado)
> História das ideias pedagógicas no Brasil, de Dermeval Saviani, Autores Associados, 2007
> Ideologia e currículo, de Michael W. Apple, Artmed, 2006
Ideologia no livro didático, de Ana Lúcia Goulart de Faria, Cortez, 1996
> Ideologia, trabalho e educação, de Olinda Maria Noronha, Alínea, 2004
Massa e poder, de Elias Canetti, Cia das Letras, 2005
> Multidões em cena, de Maria Helena Capelato, Unesp, 2009
> Os intelectuais e a organização da cultura, de Antonio Gramsci, Civilização Brasileira, 1968 (esgotado)
> O que é ideologia, de Marilena Chauí, Brasiliense, 1997
Subjetividade, ideologia e educação, de Sílvio Gallo, Alínea, 2009
> Um mapa da ideologia, de Slavoj Zizek (org), Contraponto, 1997

Fonte: Revista Educação - http://revistaeducacao.uol.com.br

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Anistia de Paulo Freire: vitória do Brasil, da pedagogia, dos oprimidos e da esperança

 

Escrito por Redação

04-Dez-2009 – Correio da Cidadania

Paulo Freire continua vivo, humano, necessário, coerente, firme em pensamento.

041209_paulofreire Desenvolvimento econômico-social sem educação? Liberdade sem educação? Democracia sem educação? Vida digna sem educação? Como seria possível tudo isso sem a compreensão dos símbolos, da linguagem, sem a decodificação justa no contexto histórico-social? E sem investimentos?

Uma nova geração de brasileiros e brasileiras se divide entre aqueles que se incorporam aos já contados 33 milhões de analfabetos; aqueles que estudam como podem e então se viram, com suas famílias; e um número cada vez mais reduzido que são submetidos a uma preparação constante para o vestibular, com quatro professores em sala e aulas de reforço para que a escola que freqüentam chegue ao topo do ranking do ENEM. Uma representação usual de educação que para muitos é o que deve ser. Mas, essa é uma discussão para o longo prazo. E hoje não estamos exatamente para esse debate.

Por sinal hoje alguém declarou: "em nenhum país do mundo educação de qualidade é barata", para justificar que a matrícula e a mensalidade de uma escola deverão aumentar a mais de 2.000 reais no ano 2010.

A alguém interessa que o país deixe a educação e uma geração nacional abandonada a sua sorte. E por isso Paulo Freire vive e é necessário, imprescindível.

Continuamos a precisar de uma educação para a transformação, para a coragem e a esperança. De uma pedagogia criativa, de sonhos a serem conquistados; profundamente ética; de respeito pelo educando, pelo oprimido; com sabor a libertação e a dignidade.

A importância de Paulo Freire na transformação da realidade brasileira e de outros tantos países já foi reconhecida inúmeras vezes. Pensador, educador, pedagogo, humanista, homem de compromisso com a vida, com o outro, com o ser humano e não com os dominantes grupos que tecem as rédeas que aprisionam; aquelas que inibem a criação autônoma do sujeito que se depara com a letra e a linguagem. Para ele a educação é uma prática de liberdade, e essa prática somente tem condições de aflorar quando o sujeito que conhece descobre e conquista sua consciência sobre seu papel como agente capaz de fazer e transformar a sociedade, e com ela a história de todos e a sua própria.

No Método Paulo Freire a técnica para aprender vira técnica para unir socialmente, para entender o processo histórico e finalmente comprometer-se. Vira idéia que se leva a cabo, a idéia de reconhecer-se, daí que alfabetizar implique, simultaneamente, conscientizar, e ser alfabetizado significa ser consciente.

Palavras geradoras de uma motivação, de uma opinião; codificação e decodificação para descobrir e redescobrir o contexto da existência do sujeito, de onde logo surge a crítica, e a partir daí a reconstrução do seu mundo. Como diz Ernani Fiori, comentando a obra de Paulo Freire: "O que o homem fala e escreve e como fala e escreve, tudo é expressão objetiva de seu espírito. Por isto, pode o espírito refazer o feito, neste redescobrindo o processo que o faz e refaz".

Para Paulo Freire, ensinar exige reflexão-crítica sobre a prática; estética é ética, bom senso, humildade, tolerância, luta em defesa dos direitos dos educadores, alegria e convicção de que a mudança é possível.

No método, o mito tradicional do professor que tudo sabe, que tudo pode e que tudo vê desaparece aos poucos e surge uma relação educacional de sentido criativa, uma interação onde se transmite, mas também se escuta.

Nessa disponibilidade para o dialógico, o homem se conscientiza de que a língua é cultura e é ele quem a cria. E o faz porque precisa dela para conhecer seu mundo. O ser humano se assume como sujeito condicionado socialmente e então provoca juízos críticos nele e nos outros que enriquecem o vocabulário de todos. O homem sabe, ao final, como vive e porque vive do jeito que vive.

Sobrariam comentários sobre o quão perigoso isto pode resultar para os donos do poder, para os grupos dominantes acostumados a lidar com seres humanos aos quais se lhes nega o direito de ser informados. Paulo Freire se dedicou a eles e a um projeto de libertação da opressão.

E por isso Paulo Freire foi proibido de ensinar, preso, perseguido, obrigado a um exílio doloroso.

Na quinta feira, 26 de novembro, o Estado brasileiro, por meio da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, declarou a anistia post-mortem do professor Paulo Freire, falecido em 1997.

O ato consagra Paulo Freire mais ainda, porque é, nas palavras de Brecht, um dos imprescindíveis. Esse ato era uma exigência mundial.

E é também um reconhecimento aos pedagogos que no Brasil continental resgatam seu exemplo alfabetizando e gerando esperanças aos milhares de oprimidos.

É um pedido de desculpas ao Brasil pelo grave dano de punir com o exílio e a violência um de seus filhos mais notáveis, mas também por quebrar o desenvolvimento de um Plano de Alfabetização adiado, postergado pela força e a ignorância. É o reconhecimento da verdade histórica, do legado de Paulo Freire; a apresentação de uma satisfação mínima por parte do Estado diante da dor da sua família.

É um resultado honroso para o advogado e professor da PUC Pietro Alarcón e toda a equipe jurídica que se entregou à tarefa de pesquisar, procurar documentos e praticar as diligências para demonstrar a perseguição sofrida pelo professor até sua volta ao Brasil depois de 16 anos de exílio.

"Paulo Freire nunca morrerá!", gritou um dos presentes na sessão da Comissão de Anistia. E há dois dias a Comissão de Educação e Cultura da Câmara aprovou o projeto de lei 5418/2005, que o declara como patrono da educação brasileira.

Sim, Paulo Freire vive e se multiplica, renasce, se transforma e continua contribuindo, com galhardia, coerência e firmeza, para outro mundo possível!

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Governo de São Paulo ameaça fechar escola "top" do ensino médio

 

logo izb NOTA DO IZB: O governador Serra tem mais é que fechar essa Escola. Como é que pode? A melhor escola de São Paulo, pelo Saresp? Quanta petulância! Essa escola está fugindo à regra tucana, de manter um dos piores ensinos do País… Assim não dá. Pra manter o ‘padrão’, ou piora rapidinho, ou fecha!

O governo do Estado de São Paulo ameaça fechar aquela que tem, segundo o seu próprio indicador de qualidade, o melhor ensino médio da capital. Localizada no Butantã, zona oeste da cidade, a escola estadual Alberto Torres ficou em primeiro lugar no Saresp 2008, mas não deve oferecer aulas no ano letivo de 2010.
A certeza do fechamento chegou a pais, alunos e professores em uma reunião no dia 28 de outubro. Conforme relataram à Folha dois professores, quatro pais e três alunos da escola, o encerramento das atividades foi anunciado pela vice-diretora, Eunice Ramos, e por uma superintendente da Diretoria de Ensino da Região Centro-Oeste.
Na ocasião, também foram distribuídos aos pais formulários para que escolhessem três escolas da região para as quais gostariam de transferir seus filhos a partir do ano que vem.
Desde então, funcionários, pais e alunos estão se mobilizando para impedir o fim da escola. Na semana passada, entraram com um pedido no Ministério Público e no Conselho Tutelar do Butantã para que acompanhassem o caso.
Segundo funcionários presentes nessa reunião, a justificativa apresentada pelo Estado é que não há demanda de alunos na região –baixa procura confirmada pela Secretaria da Educação. Hoje, há 178 alunos matriculados na escola, conforme informou a Cogesp (órgão que administra as escolas estaduais da região metropolitana).
O colégio fica numa região nobre de São Paulo, ao lado do Instituto Butantan e próximo à futura estação Butantã do metrô, cuja inauguração é prevista para o ano que vem. Foi inaugurada em 1932 como uma escola agrícola e foi idealizada por Vital Brazil para abrigar filhos de funcionários da instituição de pesquisa.
Hoje, sem hortas e pomares, abriga sete turmas de ensino fundamental e médio, cujos alunos e professores dizem conviver há pelo menos três anos com boatos e ameaças de fechamento.
"Há demanda. O problema é que, com esses boatos, pais têm medo de colocar seus filhos e professores resistem em ir", disse o professor de filosofia Liroan Tadeu Porto de Lima. Para Cíntia Ribeiro, aluna da sétima série, o pior é estudar sem a certeza de que a escola estará lá no ano seguinte. "Eu gosto de estudar lá e queria ficar. É muito ruim ter que ficar trocando de escola toda hora."
Mesmo com a ameaça, Sueli Ferreira da Silva, assistente de serviços gerais e mãe de uma aluna do segundo ano, não pensa em mudar de planos. "Quero por minha filha mais nova lá."
Outro lado
Após ser questionada por meio de sua assessoria de imprensa durante três dias –dos quais em dois negou a história–, a Secretaria da Educação do Estado, por meio da Cogesp (coordenadoria de escolas da rede estadual na Grande SP), afirmou que ainda não tem definição sobre se a escola continuará funcionando para o ano letivo de 2010.
"Quem deve aprovar o fechamento é o próprio secretário [estadual da Educação, Paulo Renato Souza], que ainda não tomou a decisão", disse o coordenador da Cogesp, José Benedito Oliveira. Segundo ele, a secretaria não orientou a vice-diretora Eunice Ramos a anunciar o fechamento da unidade.
Ele admitiu, porém, que a secretaria realizou estudos sobre a demanda na escola e verificou queda de 73% no número de estudantes desde 2005 -naquele ano, havia 654; hoje tem 178. (TAI NALON, Colaboração para a Folha)

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Pesquisa mostra desempenho ‘insatisfatório’ de alunos e currículo dos professores

 

 

‘Boletim da Educação no Brasil’ apontou bons resultados apenas nas matrículas, que aumentaram sensivelmente

SÃO PAULO - Os setores da educação básica em que o Brasil está mais atrasado são o desempenho dos alunos, a carreira dos professores e os padrões educacionais - como o currículo dos docentes. Eles foram classificados como insatisfatórios pelo primeiro Boletim da Educação no Brasil, organizado pela Fundação Lemann e pelo Programa de Promoção da Reforma Educativa na América Latina e no Caribe (Preal).
Com o título de "Saindo da Inércia", o boletim, apresentado nesta terça-feira, 1, em São Paulo, reuniu dados sociais e educacionais que foram consolidados em nove indicadores. A cada um deles, uma comissão de 15 especialistas atribuiu uma nota média.
O documento revelou bons resultados apenas nas matrículas, que aumentaram sensivelmente, e nos sistemas de avaliação de ensino, que se mostraram avançados. A permanência na escola, a equidade de acesso, os investimentos e a autoridade das instituições, além do desempenho, padrões educacionais e carreira dos docentes, receberam notas entre regular e insatisfatório.
O objetivo do documento é divulgar um diagnóstico da educação para a sociedade e o governo acompanharem o progresso da situação.
INÉRCIA EDUCACIONAL
Especialistas acreditam que o País pode deixar a situação de inércia na área de educação, mas as mudanças devem ser feitas o mais rápido possível. "A situação é grave", afirma Jeffrey Puryear, diretor do Preal. "O País vai perder empregos no mercado global se não investir mais em educação."
O economista da Universidade de São Paulo (USP) Fernando Coelho concorda. "O mercado valoriza cada vez mais o capital humano e nós temos falhas nesse setor."
A diretora executiva da Fundação Lemann, Ilona Becskehàzy, também pede pressa nas mudanças. "O Brasil tem menos alunos que o México, por exemplo, mas o Produto Interno Bruto (PIB), a renda per capita e a cobrança de impostos são maiores. E mesmo assim, investe menos em educação", explica. "Temos que acelerar o processo, não é justo com as próximas gerações."
Entre as maiores mazelas da educação brasileira, os educadores destacam justamente os pontos mal avaliados pelo boletim. "A formação dos professores é um dos piores aspectos, porque só pode ser resolvido a longo prazo", explica a educadora Guiomar Namo de Mello.
A professora Eunice Ribeiro Durham, do Núcleo de Pesquisas de Políticas Públicas da USP (NUPPs), enxerga a situação de forma menos favorável. "Há um movimento (para melhorar a educação brasileira), mas o obstáculo é muito forte e não sei se será vencido", afirma. (Mariana Mandelli , de O Estado de S. Paulo)

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