Arquivo de Internacional

Soldados de Israel relatam ‘rotina de humilhação’ de palestinos

Guila Flint

botas_de_combate Uma ONG israelense divulgou pela primeira vez os depoimentos de mulheres que serviram como soldados de Israel sobre a realidade nos territórios ocupados, denunciando uma “rotina de humilhação” a que são submetidos os palestinos nessas regiões.

A organização Breaking the Silence (“Quebrando o Silêncio”, em tradução livre), formada por reservistas israelenses, publicou os depoimentos escritos e gravados de 96 mulheres que serviram em batalhões de combate na Cisjordânia.

De acordo com elas, a prática de abusos e a humilhação de civis palestinos pelas tropas israelenses é “rotineira” e as soldados, querendo demonstrar que são tão capazes quanto os soldados homens, também participam de atos que são definidos pelo Exército como “inusitados”.

As ex-soldados descrevem cenas de espancamentos gratuitos de civis palestinos em pontos de checagem, de humilhação arbitrária e até de mortes de civis e falsificação dos fatos para encobrir atos ilegais das tropas.

Dana Golan, diretora da ONG, afirmou que “a sociedade israelense não quer pensar em nossas namoradas, filhas e irmãs participando ativamente na ocupação, exatamente como os soldados (homens)”. “Queremos acreditar que as soldados não são tão agressivas e não sujam as mãos, porém os depoimentos das mulheres provam que as soldados são tão corruptas quanto os homens e não poderia ser diferente”, acrescentou.

Depoimentos

A organização colheu mais de 700 depoimentos de militares israelenses, homens e mulheres, que serviram nos territórios ocupados desde o inicio da Intifada, em 2000. “Os depoimentos demonstram que as violações dos direitos humanos nos territórios não são resultado de um comportamento excepcional de poucos, mas decorrem do próprio domínio de uma população civil”, afirma a Breaking the Silence.

Segundo o relatório da ONG, os casos de violação dos direitos humanos de civis palestinos são muitas vezes resultado do “simples tédio” dos soldados que servem em centenas de pontos de checagem na Cisjordânia. Em um dos depoimentos, uma ex-soldado descreve uma cena, em um dos pontos de checagem, em que uma oficial ensinou civis palestinos a cantarem o hino do batalhão e em seguida, os civis, inclusive idosos e crianças, foram obrigados a cantar e dançar o hino militar.

“Uma sociedade que envia seu Exército para cumprir missões deve saber o que se passa em seu quintal e deve ouvir as vozes de suas filhas e filhos, mesmo se as historias não são agradáveis”, afirma a Breaking the Silence.

Treinamento especial

O Exército israelense descartou o relatório da ONG, afirmando que trata-se de “depoimentos anônimos”. Os autores, entretanto, afirmam que não revelaram a identidade das testemunhas para não prejudicá-las.

De acordo com um porta-voz militar, “os depoimentos não têm especificação de tempo ou local e é impossível examinar sua credibilidade”. “No Exército de Israel existem vários órgãos cuja função é investigar suspeitas de atos contrários às ordens e é obrigação de todo soldado ou oficial se dirigir a esses órgãos, caso sinta que alguma atividade foi cometida de maneira contrária às ordens”, disse o porta-voz.

“As tropas recebem um treinamento especial sobre o contato com a população palestina e as soldados recebem o mesmo treinamento que os soldados (homens)”, afirmou.

BBC Brasil

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Crise na Zona do Euro: o caminho da servidão, da Grécia a Letônia

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A maioria dos meios de comunicação bate o pé na gravidade das dificuldades que a Grécia atravessa (e também Espanha, Irlanda e Portugal) no contexto europeu. Eles apenas fazem eco da crise muito mais severa, devastadora e potencialmente letal que assola as economias pós-soviéticas vinculadas ao plano de integração na Zona do Euro. Não há dúvida de que esse silêncio se deve a que, aquilo por que esses países vem passando constitui uma prova sumária do horror destrutivo do neoliberalismo. A análise é de Michael Hudson e Jeffrey Sommers.

Michael Hudson e Jeffrey Sommers

A maioria dos meios de comunicação bate o pé na gravidade das dificuldades que a Grécia atravessa (e também Espanha, Irlanda e Portugal) no contexto europeu. Eles apenas fazem eco da crise muito mais severa, devastadora e potencialmente letal que assola as economias pós-soviéticas vinculadas ao plano de integração na Zona do Euro.
Não há dúvida de que esse silêncio se deve a que, aquilo por que esses países vem passando constitui uma prova sumária do horror destrutivo do neoliberalismo. O mesmo horror da política européia, que consiste em tratar esses países de forma bem diferente da prometida, não os ajudando a se desenvolverem em termos europeus ocidentais, masa os tratando como áreas meramente prontas a serem colonizadas como mercados financeiros e de exportação, destituindo-lhes de suas mais-valias econômicas, de sua mão de obra qualificada - e praticamente de toda sua força laboral em idade de trabalhar -, de seus bens imóveis e de prédios, e de qualquer outra coisa herdada da era soviética.
A Letônia vem passando por uma das piores crises econômicas ocorridas em todo o mundo. E não se trata somente de uma questão econômica, mas também demográfica. A diminuição brusca de seu Produto Interno Bruto (PIB), em 25,5% nos dois últimos anos (quase 20% só no último) já constitui a pior queda bianual de que se tem registro. as previsões mais otimistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) antecipam uma queda adicional de 4%, a qual faria com que o afundamento da economia letã superasse em cifras as da Grande Depressão dos Estados Unidos. E as más notícias não acabam aí. O FMI prevê que, em 2009, houve um déficit total na conta de capital e financeira de 420 bilhões de euros, aos quais acrescentaram-se mais 150 bilhões (9% do PIB) em 2010.
Além disso, o setor público letão acumula dívida rapidamente. A Letônia passou a ter uma dívida que, em 2007, representava 7,9% do PIB, com uma projeção para este ano de cerca de 74%. A previsão indica que, no melhor cenário possível, se estabilizaria em 89% em 2014. Isto poria o país muito longe dos requisitos impostos pelo Tratado de Maastricht sobre os limites da dívida pública para poder fazer parte da Zona do Euro. Por isso, conseguir entrar na Zona do Euro tem sido o principal pretexto utilizado pelo Banco Central da Letônia para justificar as dolorosas medidas de austeridade que permitam estabilizar o valor da moeda. Para manter o valor da moeda tem-se destinado quantidades imensas de reservas monetárias que poderiam ser investidas na economia do país.
Mesmo assim, ninguém nos países ocidentais parece estar se perguntando o que pode ter provocado a quebra da Letônia, que se estende ao resto das economias bálticas e a outras áreas pós-soviéticas, cujo caso mais extremo é o letão. Agora que faz quase vinte anos de sua liberação da velha URSS, em 91, dificilmente pode-se encontrar a causa de seus problemas unicamente no sistema soviético. Nem sequer se pode culpar somente a corrupção, que sem dúvida constitui uma herança do período de dissolução da URSS, embora tenha engordado, intensificando e inclusive promovendo a modalidade cleptocrática de rapina que proporcionou abundância de lucros a banqueiros e investidores ocidentais. Foram os neoliberais ocidentais que financiaram essas economias, graças às “reformas favoráveis aos negócios”, que receberam o aplauso entusiasta do Banco Mundial, de Washington e de Bruxelas.
É evidente que caberia desejar menos corrupção (mas, em quem mais os ocidentais confiariam?). Contudo, reduzir a corrupção drasticamente talvez fizesse com que o país não tivesse de ser jogado na mesma posição que a Estônia, rumo a um sistema de sujeição de escravidão por (euro)dívidas. Esta área báltica vizinha também tem sofrido um aumento descomunal do desemprego, uma forte redução do crescimento, uma séria deteriorização dos padrões de saúde e emigração, em contraste lancinante com o ocorrido na Escandinávia e na Finlândia.
Joseph Stiglitz, James Tobin e outros economistas proeminentes ocidentais têm começado a dizer que há aspectos radicalmente negativos na ordem financeira importada pelos homens de negócios depois do colapso soviético. Certamente, o caminho empreendido pela Europa Ocidental depois da Segunda Guerra Mundial não foi o da economia neoliberal. Contudo, o novo experimento báltico tem o antecedente do ensaio geral imposto na boca do fuzil pelos Chicago Boys no Chile. Na Letônia os consultores procediam de Georgetown, mas a ideologia era a mesma: desmantelar o setor público e influir internamente nos processos de decisão política.
Para a aplicação pós-soviética este experimento cruel, a idéa era a de que os bancos ocidentais, os investidores financeiros e, especialmente, os economistas do “livre mercado” (assim chamados porque o despreenderam da propriedade pública, dos encargos fiscais e deram um novo significado ao termo “free lunch”: “lucros sem contrapartidas”) tiveram carta branca na maior parte do bloco soviético, para redesenhar economias inteiras. Dado como a coisa terminou, parece que todos os desenhos foram iguais. Os nomes dos indivíduos eram distintos, mas a maioria estava vinculado a, ou financiados por Washington, Banco Mundial e União Européia. E, visto que os patrocinadores eram as instituições financeiras ocidentais, não deveríamos nos surpreender em demasia diante do fato de que imporiam um modelo redundante para seus interesses.
Tratou-se de um plano que nenhum governo democrático ocidental jamais teria podido aprovar. Repartiram as empresas públicas entre indivíduos cuja missão era vendê-las rapidamente e investidores ocidentais e a oligarcas que transfeririam seu dinheiro de forma segura a paraísos fiscais ocidentais. Para encobrir esses procedimentos, criaram sistemas locais impositivos que permitiram aos grandes clientes tradicionais dos bancos ocidentais – os monopólios sobre bens imóveis e sobre as infraestruturas naturais – ficarem praticamente livres do pagamento de impostos. Isso permitiu que suas rendas e a fixação de preços monopólicos se tornassem “livres” e pudessem ser revertidas para bancos ocientais, em forma de pagamento de juros, em vez de estarem sujeitos a impostos internos destinados à reconstrução dessas economiais.
Na União Soviética só havia bancos comerciais. Em vez de ajudar a esses países a criarem seus próprios bancos, a Europa ocidental fez com que seus bancos oferecessem créditos e carregaram essas economais com juros (sempre em euros e em outras moedas fortes, para garantia dos bancos). Isso consistiu numa violação do primeiro axioma das finanças: nunca emita dívida nominal em moeda forte quando seus juros venham a incidir sobre uma moeda mais débil.
Porém, como no caso da Islândia, a Europa prometeu a esses países que os ajudaria a se integrarem no euro mediante a aplicação de políticas adequadas. As “reformas” consistiram em mostrar-lhes como trasladar os impostos sobre os negócios e os bens imóveis (os principais clientes dos bancos) ao trabalho, não só como imposto fixo sobre os juros, mas como imposto fixo sobre “serviços sociais”; de acordo com estes, a Previdência Social e os serviços de saúde não são providos a partir de fundos do públicos orçamentários, articulados basicamnete a partir de um sistema fiscal global progressivo; os trabalhadores que pagassem uma conta de usuário para tais serviços.
À diferença dos países ocidentais, não existiam impostos relevantes sobre a propriedade. Isso obrigou aos governos a gravarem os trabalhadores e as empresas. À diferença dos países ocidentais, não havia impostos progressivos ou sobre a riqueza. Em média, a Letônia tinha o equivalente a um imposto fixo sobre a renda, de 59%. (Só em sonhos os líderes do Congresso dos EUA e seus lobistas conceberiam um imposto de renda tão punitivo, que liberaria de controle seus principais contribuintes nas campanhas eleitorais!). Com um imposto como esse, as economias européias não teriam o que temer das economias que emergiriam livres de impostos, pois, ao passarem por cima dos entraves sobre as propriedades, sobrecarregando tributariamente o trabalho, diminuíram os custos da moradia e da dívida. Estas economias foram envenenadas desde o começo da implantação dessa agenda. Isto é o que tanto “mercado livre” e “abertura aos negócios” fizeram-lhes, desde o ponto de vista da ortodoxia econômica atual.
Quando os governos perderam a capacidade de taxar os bens imóveis e outras propriedades – inclusive para impor uma tributação progressiva sobre os negócios financeiros mais vultosos – se viram obrigados a fixar taxas impositivas ao trabalho e à produção industrial. Esta filosofia de deslocamento da carga fiscal aumentou de forma súbita o preço do trabalho e do capital, fazendo com que a indústria e a agricultura das economias neoliberalizadas fossem tão caras, como que para não poderem competir com a “velha Europa”. Deste modo, as economias pós-soviéticas se converteram em zonas de exportação para as indústrias e serviços bancários da velha Europa.
A Europa ocidental se desenvolveu através da proteção de sua indústria e de seu trabalho, gravando as rendas da terra e outros lucros que não tinham contrapartida num necessário custo de produção. As economias pós-soviéticas “liberaram” este lucro para que acabassem na forma de pagamento aos bancos da Europa ocidental. Essas economias – que não suportavam dívidas em 1991 – começaram a se endividar em moeda forte estrangeira. Os créditos dos bancos ocidentais não foram utilizados para melhorar o investimento de capital, o investimento público e os níveis de vida. O grosso dos créditos foi concedido fundamentalmente com a garantia de ativos existentes, herdados do período soviético. Mesmo tendo havido um forte crescimento de novas construções de bens imóveis, a maior parte delas têm hoje um valor inferior ao inicial. E os bancos estão exigindo que a Letônia e os demais países bálticos paguem ainda mais, expremendo o lucro mediante subsequentes “reformas” neoliberais que ameaçam cobrar ainda mais do trabalho, enquanto suas economias se contraem e a pobreza aumenta.
O padrão que consiste numa cleptocracia instalada nas altas esferas e numa força de trabalho endividada – com índices de sindicalização muito baixos ou nulos, e escassa proteção no lugar do trabalho – tem sido aplaudido como um modelo propiciador da criatividade econômica que deveria ser emulado em todo o mundo. Como as economias pós-soviéticas estavam claramente “subdesenvolvidas”, londe de poderem produzir bens com um alto valor agregado, elas eram geralmente incapazes de competir em igualdade de condições com seus vizinhos ocidentais.
O resultado tem sido um experimento econômico sob todos os aspectos enlouquecido, uma distopia cujas vítimas agora são apontadas como culpados. A ideologia neoliberal da erosão sistemática e em grande escala –aparentemente a ponto de ser aplicada na Europa e na América do Norte mediante uma retórica igualmente otimista – produziu resultados economicamente tão devastadores que é equiparável ao que teria ocorrido se estes países tivessem sido militarmente invadidos. Então, chegou o momento de começarmos a nos preocupar seriamente se o que está se passando nos países bálticos pode ser tomado com um ensaio geral do que estamos a ponto de ver nos EUA.
Hoje, nos países bálticos, a palabra “reforma” tem uma conotação negativa, como ocorre na Rússia. Significa o regresso da dependência feudal. Porém, enquanto os senhores feudais da Suécia e Alemanha exerciam poder sobre os servos com base no poder que a propriedade da terra lhes outorgava, hoje controlam os países bálticos mediante créditos hipotecários concedidos em moeda estrangeira, que estão avaliados com base nos bens imóveis de toda a região.
A escravidão por dívida substituiu a servidão completa. A quantidade de hipotecas excede o valor de mercado dos bens, que se desvalorizou entre 50 a 70% no último (dependendo do tipo de imóvel), e também supera a capacidade de os proprietários dos imóveis honrarem seus compromissos. O volume da dívida nominal em moeda estrangeira também supera em muito o que esses países podem arrecadar mediante a exportação dos produtos de seu tabalho, indústria e agricultura, para a Europa (que deseja apenas realizar importações) e para outras regiões do mundo onde os governos democráticos estão comprometidos com a proteção de sua força laboral, em não vendê-la e submetê-la a programas de austeridade sem precedentes (tudo em nome dos “mercados livres”).
Passaram-se duas décadas desde a introdução da ordem neoliberal, e os resultados não podem ser mais desastrosos, podendo-se considerar um crime contra a humanidade. Não houve crescimento econômico. Os ativos soviéticos estão gravados com dívida. Não foi assim que a Europa ocidental se desenvolveu depois da Segunda Guerra Mundial, e anteriormente, inclusive (ou a China mais recentemente). Estes países seguiram o esquema clássico de proteção da indústria doméstica, gasto em infraestrutura pública, impostos progressivos e proibições legais contra o tráfico de influências e o saque ao erário, tudo o que constitui anátema à ideologia do mercado livre.
O que se evidenciou de forma escancarada foram os pressupostos subjacentes da ordem econômica mundial. No centro da crise atual da teoria econômica e da política econômica as premissas esquecidas e os conceitos da economia política clássica adquirem interesse. George Soros, Stiglitz e outros falam de uma economia global de cassino (na qual certamente Soros enriqueceu jogando), tendo a economia financeira se desgarrado do processo de criação de riqueza. O setor financeiro é cada vez mais preeminente, com uma capacidade crescente de retirar recursos da economia real de bens e serviços.
Esta era a preocupação dos economistas clássicos quando se concentraram no problema dos rentistas, proprietários de bens com privilégios especiais e cujos lucros (que não tinham contrapartida de custo produtivo algum) constituíam, de fato, um imposto sobre a economia (neste caso sobrecarrengando-a de dívidas). Os economistas clássicos se deram conta da necessidade de subordinar as finanças às necessidades da economia real. Esta foi a filosofia que orientou a regulação bancária nos Estados Unidos na década de 1930, e foi a que se seguiu na Europa ocidental e no Japão, da década de 50 à de 70, para promover o investimento produtivo. Em vez de estabelecer controles rígidos sobre os poderes especulativos do setor financeiro, os EUA eliminaram essas regulações na década de 80. Enquanto em 1982 os lucros líquidos da banca eram de menos de 5% do total, em 2007 chegaram a insólitos 41%. Com efeito, essa atividade de soma zero constituiu-se num “imposto” indireto sobre a economia.
Junto à reestruturação financeira, o outro aspecto importante do jogo de ferramentas clássico era a política fiscal. O objetivo era retribuir o trabalho e criar riqueza, e recolher os lucros resultantes (“free lunch”) das economias sociais “externas”, como base impositiva natural. Esta política fiscal tinha a virtude de reduzir os encargos sobre a receita (salários e aposentadorias). Entendia-se que a terra era um bem natural sem custo laboral de produção (e por isso sem valor de custo). Porém, em vez de convertê-la na base impositiva natural, os governos permitiram que os bancos a sobrecarreguem com dívidas, transformando o aumento do valor da renda da terra em juros a pagar. Na terminologia clássica, o resultado é um imposto financeiro sobre a sociedade (um lucro que se supunha que a sociedade recolhia como um imposto básico, para reverter em infraestrutura econômica e social, com o objetivo de enriquecer o conjunto dessa sociedade). A alternativa tem sido fixar impostos sobre a terra e sobre o capital produtivo. E, aquilo a que se renunciou em tributos, agora os bancos cobram em forma de preços mais altos da propriedade rural – um preço pelo qual os compradores pagam um tipo de juros hipotecário.
A economia clássica poderia ter previsto os problemas da Letônia. Sem quaisquer freios sobre as finanças, sem regulação dos preços monopólicos, sem proteção industrial, com a privatização do espaço público para criar “economias com sistemas de pedágio” e com uma política fiscal que empobrece os trabalhadores e ao capital industrial, ao passo que recompensa os especuladores, a economia da Letônia viu apenas um tipo de crescimento econômico. O que se conseguiu – e que imediatamente foi aplaudido com entusiasmo pelos países ocidentais – foi uma atitude favorável para anotar dívidas enormes a subsidiar seu desastre econômico.
A Letônia tem muito pouca indústria, uma agricultura muito pouco modernizada, mas pode ostentar mais de 9 bilhões de lati em dívida privada, uma dívida que hoje corre o risco de passar a figurar nos balanços de pagamento público da mesma maneira como ocorreu com o resgate dos bancos dos EUA.
Caso esse crédito tivesse sido empregado com fins produtivos, para levantar a economia do país, poderia ser aceitável. Mas foi basicamente improdutivo, contribuiu para exacerbar a inflação de preços da terra e o consumo suntuoso, reduzindo a Letônia a um Estado próximo da escravidão por dívidas; algo que Sarah Palin chamaria de uma “hopey-change-thing” [pejorativamente, proposta irrealista carregada de boas intenções, a partir do slogan “hope and change” da campanha de Barack Obama], o Banco da Letônia sugere que o momento mais grave da crise já passou. Finalmente, as exportações começaram a aumentar, mas a economia ainda passa por uma situação desesperadora. Se a tendência atual persistir, não haverá novos letões para herdar recuperação econômica alguma. O desemprego se mantém acima de 22%. Dezenas de milhares de cidadãos estão abandonando o país, e outras dezenas de milhares decidiram não ter filhos. É uma resposta natural ao afundamento do país sob uma dívida pública e privada de bilhões de lati.
A Letônia nao está no caminho certo para alcançar níveis de riqueza ocidentais e nao tem escapatória se continuar na sua atual política fiscal neoliberal regressiva, contrária aos trabalhadores, à indústria e à agricultura, que foi imposta de forma tão coercitiva desde Bruxelas, como condição para o resgate do Banco Central da Letônia, com o objetivo de que este possa pagar aos bancos suecos que concederam esse tipo de crédito improdutivo e parasitário.
Albert Einstein disse que “[é] uma loucura fazer duas coisas de novo esperando resultados distintos”. A Letônia aplicou uma vez e repetiu durante quase 20 anos o mesmo Consenso de Washington “pro-ocidental”, com resulatdos cada vez piores, que no fim das contas tem sido catastróficos para o setor público, para os trabalhadores, a indústria e a agricultura. A tarefa fundamental neste momento consiste em liberar a economia letã de seu caminho neoliberal que marcha para uma neo-servidão. Poderíamos pensar que o caminho escolhido pela economia letã pode ser traçado pelos economistas clássicos do século XIX, que conduziu à prosperidade que podemos ver nos países ocidentais e também atualmente no leste asiático. Mas isso requereria uma mudança na filosofia econômica, que levaria a uma mudança profunda na articulação do setor público e do governo.
A questão é como a Europa e os países ocidentais responderão. Admitirão seu erro ou não sentirão vergonha alguma? Os sinais atuais não são alentadores. Os ocidentais pensam que o trabalho não empobreceu o suficiente, a indústria não está suficientemente devastada e o paciente econômico ainda não sangrou suficientemente.
Se esta é a mensagem que Washington e Bruxelas estão lançando aos países bálticos, imaginem o que estão a ponto de fazer às pessoas de seus próprios países”
Michael Hudson trabalhou como economista em Wall Street e atualmente é Distinguished Professor en la University of Misoury, na cidade do Kansas, e presidente do Institute for the Study of Long-Term Economic Trends (ISLET). É autor de vários livros, entre eles, destacam-se:: Super Imperialism: The Economic Strategy of American Empire (nueva ed., Pluto Press, 2003) y Trade, Development and Foreign Debt: How Trade and Development Concentrate Economic Power in the Hands of Dominant Nations (ISLET, 2009). Jeffrey Sommers é co-diretor do Baltic Research Group en el ISLET e professor visitante na Stockholm School of Economics, em Riga.
Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Agência Carta Maior – http://www.agenciacartamaior.com.br

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Campanha contra o Tráfico de Pessoas na Copa de 2010 será lançada em maio

Tatiana Félix *

Joanesburgo - Adital -

 

tráfico de pessoas Em virtude da Copa do Mundo que vai acontecer em junho deste ano na África do Sul, foi realizado em Joanesburgo, capital do país, entre os dias 15 e 19 deste mês, um encontro entre redes de religiosas que atuam no enfrentamento ao tráfico de seres humanos no mundo. O objetivo foi a discussão de ações de prevenção ao tráfico, já que é alta a possibilidade deste crime acontecer em eventos esportivos mundiais.

Irmã Gabriella Bottani, integrante da articulação brasileira da Rede Um Grito pela Vida, disse que, na ocasião do encontro, as participantes decidiram como vai ser realizada a campanha que visa prevenir o tráfico durante a Copa na África. O foco das ações preventivas da campanha, segundo ela, deve ser na África do Sul e países vizinhos. A data para o lançamento oficial da campanha será o dia 6 de maio.

Ela explicou que, de modo geral, a campanha tem caráter preventivo e com as ações devendo ser direcionadas a, pelo menos, três públicos. A primeira intervenção será voltada aos jovens em grupos e escolas, e que se encontrem em situação de risco, nos países mais vulneráveis.

A segunda ação será focada nos potenciais traficantes involuntários, ou seja, aquelas pessoas que podem ser usadas inocentemente para servir ao tráfico. "Isso está acontecendo na África do Sul", afirmou Gabriella.

Já a terceira intervenção deve ser direcionada aos torcedores de todas as partes do mundo que viajarão para a África a fim de assistir aos jogos da Copa. Irmã Gabriella ressaltou que, além dos torcedores poderem se envolver em situações possíveis de tráfico, há ainda ofertas de trabalho, onde as redes do crime organizado usariam a desculpa da Copa na África para aliciar e traficar pessoas.

Para prevenir os torcedores brasileiros a ficarem atentos e não caírem nas armadilhas do tráfico de pessoas, a coordenação da Rede Um Grito pela Vida vai se reunir em Brasília entre os dias 17 e 20 de março para desenvolver ações de prevenção e sensibilização. "Queremos aplicar aqui, no Brasil, as ações discutidas na África. Já fizemos uma carta para os torcedores, outra para as vítimas em potencial e uma carta também para os traficantes involuntários", informou.

Irmã Gabriella disse que o trabalho de prevenção e alerta ao tráfico já está acontecendo na África, mesmo antes do lançamento da campanha. O motivo é a urgência em se enfrentar este crime na região, já que, segundo ela, atualmente, estão acontecendo muitos casos de tráfico envolvendo a África do Sul e a Tailândia. "Muitas meninas tailandesas são traficadas para a África do Sul. É muito fácil entrar lá", alertou.

A facilidade de entrar no país e a realização da Copa é o que tem preocupado as entidades que lidam no combate ao tráfico de seres humanos. A África do Sul tem se mostrado um território de transição, conforme disse a religiosa.

"Com este encontro nós já conseguimos fortalecer os laços entre as redes e também entre a África do Sul e a Tailândia", enfatizou. Ela lembrou que, na última Copa realizada na Alemanha em 2006, a ações de combate ao tráfico, executadas como uma primeira experiência foram bem sucedidas, já que houve um maior controle das pessoas que entravam no país.

Acompanhe o trabalho da Rede no blog: http://redeumgritopelavida.blogspot.com

* Jornalista da Adital

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"A foto Zapatero iria dar fora a Obama" por aquilo que foi dito

Mas o brigadista de foto "foi não um afro-americana, foi um afrocubanismo"

Uma história inacabada

Michel Porcheron – Granma.CU

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Todos começaram para.ComumFotosem permanente entre tantos outros o catalão Agustí Centelles, uma iniciativa relacionada com a visita, em Maio de 2010 filhos de Barack Obama à Espanha e uma ampla divulgação na web no final de 2009, resumidas em poucas palabra: fotorreportero

"A foto que Zapatero terpénicas Obama".

"Quando Obama visita a Espanha em 2010, José Luis Rodríguez Zapatero conhecê-lo com um inesperado presentes tanto por seu valor histórico sentimental como." Fará isso da parte dos irmãos Sergi e Octavi Centelles, em memória de seu pai. Os irmãos foram anos revelando a identidade deste jovem do Batalhão americano Abraham Lincoln, decidiu viajar para Barcelona como brigadista internacional para lutar ao lado da frente republicana. "Este jovens morreram na guerra durante a batalha de Brunete."

Ou uma foto de um jovem brigadista africano-americano durante a guerra na Espanha para outro rapaz African-American, primeiro Presidente dos EUA

A Moncloa aceitou a idéia, o projeto, mas, obviamente, sem qualquer inquérito sobre a imagem escolhida. Além disso, os filhos de Centelles agiram de boa fé.  

O autor da foto, pai de Centelles,Agusti Centelles (1909-1985), muitas vezes chamado "The Robert Capa espanhol", é um dos fotógrafos mais proeminentes da guerra civil, cujo arquivo foi adquirido recentemente pelo Ministério da cultura espanhol.

O Jornal Espanhol El País publicou 30 de Novembro de 2009, com a foto do African-American sem nome abaixo:

Pesquisas deste homem

Agustí Centelles crianças têm embarcou em um inquérito exclusivo: procure a identidade do Homem nesta imagem. Os jovens africanos americanos tinham atravessado o Atlântico para lutar por uma causa que não tinha nada a fazer: a permanência do Governo da segunda República. Era de 1938. Eles estavam em Barcelona. Pouco mais se sabe sobre este homem cujo retrato terminará nos próximos seis meses nas mãos do Presidente dos EUA, Barack Obama.

Os irmãos Octavi e Sergi Centelles já sabem quem deseja dar a imagem de um planeta favorito do Homem, mas agora preferem manter o mistério: "Ela será uma oferta institucional", dizer. Estão empolgados com o inquérito quase detetive lançado, arropados, entre outros, por um professor da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, para revelar um dos riddles que engloba o trabalho do seu pai. "Podemos encontrar os descendentes deste brigadista, conheça sua história". "Acreditamos que foi no Alabama," tem Sergi Centelles.

Até ao momento, foram realizados com uma lista de 450 membros da Brigada de americanos que participaram na guerra civil. Uma delas é a imagem. Ele pertencia ao Batalhão de Lincoln, primeiro americanos armados força que integrados em preto e branco, em igualdade de condições. Basta chega ao Barcelona para participar na guerra civil espanhola, as brigadas internacionais do lado Republicano.

A maioria tinha inscrito para o partido comunista, que se tornou fortes laços com a Comunidade negra, convencidos no momento em que a batalha contra a opressão foi universal e orientado por eventualmente lutam contra o fascismo como resultado dos bombardeamentos da Etiópia por Mussolini em 1935. "Lutou em batalhas da Jarama, Brunete e o Ebro". "Aqueles que conseguiram retornar vivo para nós eram desprezados porque eles tinham sido lutam com comunistas ou morreram de doenças em Espanha", diz Sergi Centelles. Outros foram enterrados em Espanha. Na melhor das hipóteses, seu heroísmo correu despercebido e, na pior das hipóteses, foram molestado durante a bruxa hunts do Senador McCarthy como amigos perigosos da União Soviética. "Queremos recuperar sua história, divulgação, nos Estados Unidos e que conhece as fotos do nosso pai, explica Octavi Centelles. Portanto série de nove imagens do arquivo membros afro-americana Brigada Agustí Centelles deixar em breve tour pelos EUA e Espanha que ambos os países estão conscientes da história desses heróis esquecidos. Juntar os actos pelo centenário do nascimento do fotógrafo

El aspecto de la noticia que más atención internacional suscitó, comento el sitio Abraham-Lincoln Brigade Archivo,  fue la súplica de Sergi y Octavi Centelles, que imploraban al mundo ayudarles a identificar al hombre en la foto. El  20 de diciembre, Giles Tremlett, corresponsal de The Guardian, publicó un artículo sobre el tema que tuvo una amplia difusión por Internet. Tres días después, CNN y CNN Internacional, entrevistaron a James D. Fernández, miembro del Consejo de los Abraham Lincoln Brigade Archives (ALBA), ubicados en New York University. “La caza estaba abierta”, comentaba el sitio ALBA.

De fato, necessária para dar uma identidade para o lutador africano-americano. Investigação "Quase detetive" começou em Dezembro de 2009, parte de uma equipa de peritos liderada por Sebastian Faber, professor de estudos hispânicos e membro do Conselho de administração da (ABAL, ALBA in English) de arquivo de Abraham Lincoln Brigada e colega James D. Fernandez. 

Passou longas semanas nos arquivos da ABAL, fundada em 1979, procurando outras fotos onde parece o mesmo fighter African-American primeiro. A foto do Centelles foi tomada em 17 de Janeiro de 1937 em Barcelona. O primeiro navio dos combatentes Abraham Lincoln tinha partiu em Nova Iorque no final de Dezembro. "O Champlain, 6 de Janeiro" e Berengária em 20 de Janeiro.

Faber e Fernández descobrir uma foto de Champlain, deixando com um grupo de voluntários na placa aparentemente recolhida para despedida, navio de foto nenhuma assinatura. Em segundo plano, com camisa branca e gravata, com o PAC, é o Homem na primeira imagem. Faber e Fernández avaliada sua constatação. Não parece o primeiro homem de imagem, é o mesmo Homem, ainda sem nome. Na outra foto de Centelles, pertence à mesma série como o brigadista sem nome, preto detém dois ramos, um dos lados de um sinalizador é lido (errado, mas é leitura) primeiro século americano Batalhão, A.Lincoln, Antonio Guiteras Brigada internacional.

O século Antonio Guiterasnome do político e revolucionário cubano Antonio Guiteras (1906-1935), era, como se sabe, ou como deve saber, composta pelos cubanos. Então Faber e Fernández são fixados pelo preto Champlain voluntário é um cubano, Rodolfo de Armas Soto, chefe do século Guiteras. Chegou a classificação de Tenente Coronel e foi morto em ação na Batalha de Jarama. 

Assim, eles descobriram que o brigadista preta não era um voluntário EUA mas Cuba.

  “No tenemos dudas. Era un cubano exiliado, muy activo en los círculos izquierdistas de Nueva York y que salió de EE. UU. para integrar el núcleo cubano del Batallón Lincoln”, afirma el profesor Faber (El País, 1ero de marzo 2010). El diario español indica que “la pista definitiva la encontraron en el libro de otro brigadista, John Tisa, tituladoTisa, Recuerdo de la buena lucha: una autobiografía de la guerra civil española, escrito en 1985, y que incluía una foto en la que volvía a aparecer el brigadista negro, al que el autor llamaba “Cuba hermosa”. (Cuba hermosa es una expresión de una canción política de la época, titulada Lamento cubano).

"Temos sem dúvida"diz Faber. Mas, quem é, como é chamado, o nome e apelido é o cubano, membro voluntário do século Guiteras?   

E site de referência cubana de l Cubadebate.cu, foi reproduzida a quase totalidade do artigo El País (1º de Março) assinado por Natalia Junquera.

http://www.cubadebate.CU/Noticias/2010/03/01/El-brigadista-era-Cubano/

O site cubano publica uma caixa bastante detalhada sobre o século de Antonio Guiteras.

Jornalista espanhol termina seu artigo dizendo que a Faber e Fernández, "e""n a lista de embarque de Champlain têm eliminando nomes conhecidos e ficou com cinco: bem-vindo Domínguez, Faustino García, Juan Godoy, Ricardo Pérez e Ronaldo Rodriguez". Um deles é-lhe", alegação os dois especialistas. "Agora conclui Natalia Junquera, procurar novas faixas em Cuba para localizar fora se o brigadista sobreviveu a guerra, foi capaz de retornar ao seu país, se ele tivesse filhos…".

http://www.elpais.com/articulo/Cultura/brigadista/era/Cubano/elpepicul/20100301elpepicul_4/Tes

História e termina no momento (2 de Março). Com o titular do diário espanhol na seção de "Cultura":              

[ Galeria NATALIA XUNQUEIRA - Madrid - 01/03/2010]

                     [O brigadista foi cubano]

[o voluntário que aparece na foto Zapatero queria dar Obama navegou de Nova Iorque, mas não nasceu nos EUA - ainda ignorado seu nome]. 

Mas dúvidas existiam no final de Dezembro. O site alba-valb.org, 25 de Dezembro, publicou um texto em inglês, seguido de sua tradução para o inglês:

"EM BUSCA DA IDENTIDADE DE UM VOLUNTÁRIO INTERNACIONAL DA GUERRA CIVIL ESPANHOLA"

QUEM É ESTE HOMEM?

A PESQUISA EM TODO O MUNDO PARA UM SOLDADO NÃO IDENTIFICADO DESDE A GUERRA CIVIL INGLESA

LIBERTAÇÃO IMEDIATA: 25 DE DECEMBER DE 2009

Contato de Media: Jeanne Houck (212-674-5398), jhouck@alba-valb.org

Versão em espanhol, aqui.

AMERICAN AFRICANA OU AFROCUBANISMO?

EM BUSCA DA IDENTIDADE DE UM VOLUNTÁRIO INTERNACIONAL DA GUERRA CIVIL ESPANHOLA

25 DE DEZEMBRO DE 2009.

"How Could I ser cubano?" 

, Notextooriginal édisse: ""New York City - quem é o Homem sobre a 72 - fotografia de ano que o Governo espanhol pretende apresentar ao Presidente Obama este Maio? É um African-American, antifascist? "Fazer ou poderia ser cubano?"

http://www.Alba-valb.org/News-Events/Press-Releases

A partir de um simples "erro" - Zapatero foi dar Obama uma foto de um-(unfortunately the anomaly has been corrected before the official gift Act) de caça cubano, apareceram e continuará a receber temas pouco conhecidos ou silenced, como:

-A participação cubana durante a guerra na Espanha. Mais de mil voluntários lutaram com republicanos.

-O que poderia ser movido para um homem africano-americano para lutar como um voluntário numa guerra libertado ao lado do Oceano? Não é a foto (lamentável confusão), mas um facto histórico que "revela" a iniciativa do Centelles, crianças. ALBA estima que havia noventa voluntários africano-americanos entre os voluntários quase 3000.  De acordo com o site da ALBA, "a notícia apanhou de surpresa para grande parte da América pública". "Na verdade grande parte do público americano continua sem conhecer a história da participação norte-americana e latino-americanos na guerra espanhola."

-?Quem foi Antonio Guiteras mexicano Taibo II escolheu como uma personagem central em sua última Biografia narrativa? Após o e Pancho Villa.

-Cportanto, três mil homens e mulheres americanas entre 1936 e 1939 lutado como voluntários contra o fascismo na guerra civil espanhola.

-Essa história é uma excelente oportunidade para (re) ler o texto, entre outros, do cubano Nicolás Guillén (MIDI, 6-XII-1937) "Um player, capitão de ametralladores", "Basil Cueria, pai de origem asturiana e mãe preta". O mais conhecido lutador cubano preto chamado Isidro Diaz genér, Boxer profissional. Mas há muitos negros do contingente cubano (se for possível chamá-los de preto, porque também há alguns "mulattoes"). Uma fonte americana menciona os nomes das Tomas Collado e Domingo Gámiz Cabrera.   

2 De Março de 2010 (MP)

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Orlando Zapata Tamayo, um caso de manipulação política

O Noticiário da Televisão Cubana mostrou, na emissão de maior audiência, de 1º de março, depoimentos dos médicos que atenderam a Orlando Zapata Tamayo, e da mãe, Reina Tamayo, que reconheceu o atendimento dado ao filho pela instituição sanitária. O Granma Internacional oferece a a tradução da transcrição dessa reportagem da jornalista Gladys Rubio.

Jornalista: "A morte do recluso Orlando Zapata Tamayo em 23 de fevereiro, no hospital "Hermanos Ameijeiras", de Havana, devida a mais de 80 dias de jejum voluntário, provocou críticas ao governo cubano por parte de algumas agências de notícias e certos governos, que acusam as autoridades da Ilha de não ter feito coisa alguma para salvar a vida dele.

Berta Antúnez Perne, membro do grupo contrarrevolucionário

: "Assassinaram um homem pouco a pouco".

Ramón Saúl Sánchez, cabecilha terrorista fixado nos EUA

: "Recebeu maus-tratos e eventualmente morreu, outro crime do regime de Cuba".

Jornalista

: "Adotou e foi instigado a tomar uma decisão que o levaria à morte: uma greve de fome, em troca de um fogão, telefone e televisão na cela. O jejum de Zapata Tamayo começou em 8 de dezembro de 2009 e morreu em 23 de fevereiro".

Dr. Gimel Sosa Martín, do Hospital Nacional de Internos

: "O paciente está tendo um conjunto de complicações próprias da inanição prolongada, por passar muito tempo sem ingerir alimento algum".

Jornalista

: "Fica demonstrado que um jejum prolongado deixa a ciência de mãos atadas".

Dr. Jesús Barreto Penié, mestre em nutrição clínica

: "Nesse caso, a gente pode manter o paciente mais ou menos bem alimentado aplicando técnicas de nutrição artificial, quer seja por via parenteral, mas isso não é suficiente para garantir a sobrevivência a longo prazo, ao não se utilizar a via do tubo digestivo, fundamentalmente, os intestinos delgado e grosso, que têm funções vitais que são precisamente garantidas pelo contato com os alimentos ingeridos.

Quando uma pessoa passa dias ou semanas sem alimentos, o intestino deixa de funcionar, e uma dessas funções é a imunológica. O intestino é o órgão imunológico mais importante e o que permite essa função imunológica é o contato com os alimentos, daí que provoque atrofia da mucosa intestinal, estreiteza do intestino, e inclusive, acaba assemelhando-se a quase um papel e aí aparecem as complicações, como hemorragias digestivas, perfurações nos intestinos, e o mais perigoso e mais sério, que pode ser a causa de morte de muitos pacientes, começam a proliferar as bactérias que coabitam no intestino delgado e, particularmente, no grosso, e a passar para o sangue, ocasionando múltiplas infecções, que matam o paciente."

Licenciada María Esther Hernández, chefa do Departamento de Psicologia do Ministério do Interior, na província de Camagüey

: "Explicamos-lhe quais as consequências de sua decisão e o perigo que corria sua vida. Explicamos-lhe outras maneiras de encontrar solução de sua situação, outras vias de comunicação e ele sempre teve a mesma conduta".

Dr. Dailé Burgos, intensivista do Hospital Nacional de Internos

: "Nesse centro se continuou o tratamento médico iniciado a Zapata no Hospital "Amalia Simone", de Camagüey. Este paciente esteve nas salas abertas e depois foi transferido para a unidade de cuidados progressivos e a de cuidados intensivos, pelo depauperamento ocasionado pelo seu jejum voluntário, que o levou à inanição, e posteriormente, para a nutrição artificial, parenteral, isto é, nutrição por via venosa, já que o paciente se recusou a ingerir alimentos. Neste hospital de Camagüey, deu-se acompanhamento de perto, inclusive com o apoio psicológico para adverti-lo do risco que corria sua vida com este jejum prolongado, e considero que, com certeza, foi bem acompanhado seu caso e bem tratado, até com remédios de última geração, quanto à alimentação e bem acompanhado pelas unidades de terapia desse centro".

Dr. Mariano Izquierdo, chefe dos Serviços Médicos DEP-CH:

"O paciente por decisão própria não quis alimentar-se. Quando isto acontece, o organismo começa a auto-agredir-se, isto é, a pessoa começa a consumir-se porque busca, a partir do seu próprio organismo, como resistir ante essa falta de alimento por via oral. Isso foi o que lhe aconteceu a Orlando, seu organismo começou a esgotar as proteínas, as gorduras, e depois de 47 ou 48 dias sem ingerir alimentos é muito difícil voltar a recuperar o paciente por via oral".

Jornalista:

"Nestas imagens aparece Reina Luisa Tamayo, mãe de Orlando Zapata, acompanhada dos oficiais durante as múltiplas visitas que realizou ao filho, no Hospital Nacional de Internos, onde foi atendido com todo o rigor médico. Segundo explicam os especialistas entre o time médico e a família de Zapata Tamayo estabeleceu-se um clima de cooperação".

Dr. Gimel Sosa Martín, do Hospital Nacional de Internos

: "Do início, a relação com a família sempre foi boa, uma relação afetuosa, amável, a família sempre cooperou conosco, com os médicos, não só do hospital, mas também com todos os médicos que colaboraram neste caso".

Imagem e voz de Reina Tamayo, mãe de Orlando Zapata, frente ao pessoal médico

: "Bom, muito obrigada… nós temos muita confiança… temos visto a preocupação e tudo o que estão fazendo para salvá-lo".

Jornalista

: "Esta é uma conversação telefônica entre Yaniset Rivero, membro da organização contrarrevolucionária Diretório Democrático Cubano, com sede em Miami, e o contrarrevolucionário Juan Carlos González Leyva, membro de um grupelho em Cuba. Na gravação torna-se evidente que a vida de Orlando Zapata não lhes preocupa, seu verdadeiro interesse não é que a mãe acompanhe o filho, senão que priorize a campanha para desacreditar o governo cubano":

JCGL: Minha mãe ensinou-me que um cachorro tem quatro patas e busca um só caminho.

YR: Quem lhe deu ordem ao senhor para que essa carta que eu lhe disse para…

JCGL: Sim, sim, mas ela já o viu ontem , o viu, e ela não vai curá-lo…ela ou decide a conferência coletiva ou decide ir a vê-lo, você compreende, ela tem que decidir.

YR: Não, mas por isso é necessário que você fale com ela.

JCGL: Eu vou vê-la esta tarde e vou-lhe falar claramente porque eu sou um camponês bruto: olha, ou você aceita a coletiva ou vai visitá-lo.

Jornalista:

"A campanha organizada contra o governo cubano tinha como objetivo acusar as autoridades da Ilha de não oferecer atendimento médico a Orlando Zapata. Por tal motivo, a contrarrevolução estava decidida a manipular qualquer prova do contrário e a ocultá-la. Por isso, as palavras da mãe de Orlando Zapata sobre o atendimento esmerado que seu filho estava recebendo jamais foram divulgadas. Essa verdade não era conveniente para a campanha de difamação contra Cuba".

Voz de Reina Luisa Tamayo

: "Vieram-nos buscar tarde para participar da reunião com os especialistas que vieram, para analisar a saúde de Zapata e nos explicaram que a situação era muito crítica, crítica, que estavam fazendo todo o possível para salvar Zapata, mas que cada dia se agudiza algo mais no seu organismo, já tinham até preparado um rim para colocá-lo caso que colapsasse, que eles estavam lutando mas a situação era crítica, crítica".

Jornalista:

"A seguir, outra prova de que Orlando Zapata recebeu atendimento médico".

Voz de Reina Luisa Tamayo

: "Pude ver os médicos que estavam ali antes de eu entrar , estavam os médicos do Centro de Pesquisas Médico-Cirúrgicas (Cimeq), os melhores médicos tentando salvá-lo…".

Jornalista

: "Com exeção de seus familiares e dos médicos, nenhum de seus aliados nas atividades políticas contra o governo de Cuba foi ao hospital para pedir a Orlando Zapata que abandonasse o jejum, ninguém lhe pediu que desistisse porque sua vida corria perigo, essas imagens não existem".

"No mar das Antilhas, uma ilha aparece forte e bela, com uma história de respeito pelos seres humanos, os de seu país e os do mundo todo. Não aceita chantagens nem mentiras. Sempre amando, mas com o punho prestes para defender a verdade e a vida".

(Vídeo disponível em www.granma.cu e www.CubaDebate.cu )

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Comemoração do Dia Internacional da Mulher completa 100 anos

Escolha do 8 de março está ligada à mobilizações de mulheres na Revolução de Fevereiro de 1917, na Rússia

Dafne Melo,

da Redação – Brasil de Fato

Por muito tempo acreditou-se que a escolha do 8 de março para ser o Dia Internacional das Mulheres foi devido à um incêndio em uma fábrica têxtil nos Estados Unidos que vitimou cerca de 150 trabalhadoras que organizavam uma greve contra às más condições de trabalho. Até mesmo militantes do movimento feminista aceitavam essa explicação. Desde a década de 1970, entretanto, novas pesquisas nessa área têm apontado que a escolha da data está ligada à história da Revolução Russa. “De fato houve esse incêndio nos EUA, um acontecimento trágico para o movimento sindical e feminista na época, mas o incêndio sequer teria ocorrido nessa data”, explica Tatau Godinho, militante da Marcha Mundial de Mulheres.

Ela explica que hoje se tem comprovado pelos documentos que a orientação para se realizar as comemorações e manifestações internacionais se deu em 1910, numa resolução da Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, na Rússia, e que não havia uma indicação de data fixa para a comemoração. A reivindicação central seria o direito ao voto para as mulheres. Até a década de 1920 do século passado, as feministas realizaram as lutas em diferentes datas em seus países. Somente em 1922, após a Conferência Internacional das Mulheres Comunistas é que foi sugerida a data do 8 de março.

Revolução russa

No antigo calendário ortodoxo russo, o 8 de março corresponde ao 23 de fevereiro, data que marca o início da primeira fase da Revolução Russa, na qual o czar Nicolau II renunciou ao poder e a Rússia adotou um regime republicano. “As mulheres tiveram um peso muito grande nas mobilizações de fevereiro. Há registros de uma grande greve coordenada pelas operárias do setor têxtil que teria iniciado essas agitações; elas pediam o fim da participação da Rússia na I Guerra Mundial, a volta dos militares para suas casas, e pão”, explica Tatau. Essas mobilizações estavam, inseridas dentro das comemorações do Dia da Mulher e se davam em um momento em que o país estava mergulhado em uma crise política e era seriamente atingido pela fome.

Alguns dos líderes da revolução fazem referência direta ao fato em seus textos. “O dia das trabalhadoras em 8 de março de 1917 foi uma data memorável na história (…) A Revolução de fevereiro começou nesse dia”, escreveu a dirigente feminista Alexandra Kollontai. Leon Trotski, na obra “História da Revolução Russa”, comenta que ninguém poderia prever que o Dia da Mulher pudesse inaugurar a revolução, desencadeando uma greve de massas.

Resgate

Para Tatau Godinho, resgatar a verdadeira origem do 8 de março é importante por inúmeros motivos. Primeiro, mostra como a luta das mulheres pode e deve caminhar junto com a luta por transformações sociais mais profundas. Segundo, resgata a data como um momento de luta e organização das mulheres socialistas, devolvendo à comemoração seu conteúdo político. Também por esses motivos não é difícil imaginar porque a memória histórica hegemônica aceitou e propagandeou a versão do incêndio da fábrica têxtil nos EUA, e escondeu sua origem socialista. “Há um esforço de institucionalização e comercialização da data que coincide com um certo refluxo do movimento de mulheres socialistas, o que começa a se reverter na década de 1970, quando se começa a surgir o interesse na verdadeira origem da escolha da data”, finaliza Tatau.

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“Ganhamos a guerra, mas não conquistamos a paz”

Guerra da Água completa 10 anos, mas, junto aos frutos políticos da vitória popular, são colhidos amargos fracassos administrativos

Vinicius Mansur correspondente em

La Paz (Bolívia) – Postado; Brasil de Fato

Guerra_da_Agua_Gente_enojada_San_Mart A Guerra da Água – massiva mobilização popular que expulsou a transnacional que geria o sistema de água potável e esgoto de Cochabamba, região central da Bolívia, em 2000 – completa uma década este ano, que marcam também o início da derrota do modelo neoliberal e o começo do atual “processo de mudança”.

Para a Federação Departamental Cochabambina de Regantes (Fedcor), que organiza os moradores de comunidades rurais e urbanas dotadas de sistemas comunitários de água, a guerra, porém, começou ainda em 1999. Atentos ao problema dos recursos hídricos, a Fedcor foi vanguarda na luta contra a privatização do sistema de água potável e esgoto de Cochabamba, realizando bloqueios já nos dias 4 e 5 de novembro daquele ano.

“Criaram a lei 2029 para permitir a privatização, mas não só venderam a empresa pública [Semapa] como permitiram a Águas do Tunari [consórcio de empresas beneficiado] ser dona de todas as fontes de água”, explica Carmen Peredo, atual senadora suplente pelo Movimento ao Socialismo (MAS) e então dirigente da Fedcor. De acordo com o representante da organização Água Sustentável, Oscar Campanini, os regantes se levantaram primeiro porque o contrato significava a perda de sistemas comunitários que sequer haviam sido criados pelo Estado. “Nas áreas rurais, eles são anteriores até mesmo à Bolívia, foram criados durante o Império Inca, com o trabalho e o dinheiro da comunidade, geridos até hoje de forma comunitária pelas organizações camponesas ou indígenas. Nas áreas urbanas, diante da ausência do Estado na periferia, estes sistemas são a mescla da experiência organizativa dos mineiros, que migraram para a cidade com o desmonte do setor pelo neoliberalismo, com essa tradição comunitária daqueles que migraram da área rural. Só na zona sul de Cochabamba existem cerca de 100 sistemas comunitários que atendem a quase 200 mil pessoas. Nos municípios do entorno, são cerca de 800”, relata Campanini.

Porém, em janeiro do ano 2000, o anúncio de incremento de mais de 100% nas tarifas feito por Águas do Tunari cai como uma bomba na cidade Cochabamba e dá início a um massivo e extenso processo de mobilização que ocupa as ruas da cidade, e até mesmo de outros departamentos bolivianos, até abril de 2000, quando a empresa é expulsa do país. A população se revolta contra o consórcio encabeçado pela estadunidense Bechtel, que prometeu um projeto de 300 milhões de dólares para resolver os problemas de abastecimento da cidade, mas que, em sua conformação, concretizada dois dias antes da assinatura do contrato de concessão, declarava, em sua ata de fundação, apenas 10 mil dólares de capital.

As vitórias políticas

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Para Ramiro Saravia, militante da Rede Tinku – organização político-cultural que tem como sede a principal praça da cidade (14 de Setembro) –, a Guerra da Água “foi uma escola de participação, de gente na rua e na praça que perdeu o medo e passou a ter confiança em si, articuladas pela Coordenadora da Água e da Vida”, instância que dirigiu as mobilizações e aglutinou todos os setores de Cochabamba, organizados ou não, “com democracia direta, da forma como sempre sonhamos”, relembra Saravia.

“Foram quase seis meses de mobilização permanente, todas as ruas, highlones [burguesas] ou não, estavam bloqueadas, sem exceção. Foi a primeira vez, depois de muito tempo, que se viu a unidade de diferentes classes e a aliança do campo com a cidade”, relata a senadora suplente do MAS.

Segundo o historiador, diretor da escola de formação política itinerante do MAS e prefeito interino de Cochabamba em 2008, Rafael Puente, “a novidade política foi a capacidade de auto-organização massiva na cidade”. Contudo, ele ressalta que o movimento não teria tal magnitude “se não estivesse permanentemente respaldado por um cordão camponês que apoiava e defendia a mobilização urbana, tanto na Cordilheira, como no Vale e no Trópico de Cochabamba”. De acordo com Puente, a guerra foi o ponto de inflexão do modelo neoliberal, “a primeira de muitas demonstrações de que a manutenção do modelo no país só seria possível a ferro e fogo” e, por isso, o início do atual processo de cambio.

Ele conta que, “pela primeira vez, a mobilização social não levantava uma bandeira de volta ao passado, à Revolução de 1952, mas uma visão adiante. A consigna era clara: a gestão social da água. O quarto grande bloco histórico da vida republicana do país, que foi o modelo neoliberal, se manteve intacto até 2000. Mas a expulsão de Águas de Tunari foi a sua primeira grande ferida”.

Segundo a senadora suplente Peredo, os guerreiros da água influíram de forma direta na Nova Constituição Política de Estado, colocando os recursos hídricos como um direito humano fundamental e estabelecendo “cadeados jurídicos que impedem a volta da tragédia”. Campanini afirma que a experiência acumulada com o conflito levou a Bolívia a encabeçar a luta pelo reconhecimento da água como um direito nos fóruns internacionais, “mas isso não é realidade porque países maiores, como o Brasil, jogam para o outro lado”.

Outros legados da Guerra da Água destacados por Campanini são a expulsão da transnacional franco-belga Suez de El Alto, em 2005, o aumento dos investimentos do Estado boliviano em água e o aumento da visibilidade dos sistemas comunitários: “Os anteriores governos atendiam, e mal, à parte central das cidades e o campo, mas não às zonas peri-urbanas, que têm uma gestão comunitária muito interessante, mas precisam de ajuda técnica e de infra-estrutura. Com a luta, eles são vistos pelas políticas públicas e já ganharam boa parte dos fundos públicos para o setor”.

 

A dívida histórica

Guerra_da_Agua-cochabamba_ReproducaoPorém, segundo Puente, a bonita história do exercício do poder popular não conseguiu resolver velhos problemas. “Temos que dizer com frieza: essa gestão social não existe, a administração segue ineficiente, injusta e cara. Houve uma modernização tecnológica, aumentou um pouco as conexões, mas nada perto do que se esperava. Ganhamos a guerra, mas não conquistamos a paz”.

Segundo Campanini, cerca de 50% da rede deveria ser reinstalada, porque, do volume total captado pela Semapa, metade se perde com vazamentos. “Trabalhadores já comentaram que foram trocar tubos em alguns lugares, cavaram, mas não os encontraram. Os tubos estavam tão desgastados que eram simplesmente canais de terra ou pedra”, conta. Outro problema está nas conexões clandestinas manipuladas por grupos de trabalhadores da empresa e por políticos. “Aí esses grupos cobram por fora e, aliados a segmentos políticos, fazem chantagem eleitoral com a população prometendo novas conexões”, denuncia.

Em Cochabamba, boa parte da população ainda se abastece de carros-cisterna privados que cobram 20 bolivianos (R$ 5,27) pelo metro cúbico de água de baixa qualidade. A mesma quantidade, e de boa qualidade, fornecida pela Semapa custa, em média, 3 bolivianos.

“Eu pago mais de água do que luz e com freqüência temos escassez de água, em toda cidade. E a Semapa ainda contratou outra empresa só para efetuar cortes de quem não paga, é incrível”, relata, cabisbaixo, Saravia.

Mais triste do que constatar a continuidade de problemas estruturais, é ouvir porque o movimento que expulsou uma transnacional não assumiu o controle da empresa. Segundo o historiador Puente, “os dirigentes começar a disputar a notoriedade. Os dirigentes da Coordenadora claudicaram e vários deles aproveitaram o papel importante que tiveram para obter vantagens pessoais e passaram a partidos de direita”. Saravia afirma que a Coordenadora funcionou bem até 2002, quando chegaram as eleições e todos os 15 principais dirigentes foram candidatos. “Ofereceram deputação até para nós, mas não aceitamos porque o princípio da Coordenadora era a decisão conjunta, mas quando vimos todos já tinham decidido e estávamos sós”.

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Na visão de Peredo, ex-dirigente da Fedcor, que tinha assento na direção da Coordenadora, o órgão se diluiu “porque outros companheiros tinham sua própria ótica e não havia a mesma linguagem”, gerando uma paralisia na organização que foi fundada no consenso. “Perdemos muito tempo e quando não fazemos a coisa no calor do momento, perdemos a oportunidade. Demoramos meses para fazer um novo estatuto da Semapa, mas havia muitas divergências sobre como deveria ser a empresa. Temos uma dívida histórica”, concluiu.

O sindicalista Oscar Oliveira, consolidado na opinião pública como principal dirigente da guerra, é apontado como um dos principais responsáveis pela má condução da reestatização por Puente. “Ele superestimou o momento histórico e seu papel, dizendo já em 2000 que o tema da água já era pequeno e que se dedicaria a lutar contra tudo o que foi o processo de capitalização das empresas públicas na Bolívia. Evidentemente era a batalha central, mas que se deu com o tempo. Assim, deixou a questão para Jorge Alvarado, um companheiro com méritos, mas que se isolou em meio às disputas e se perdeu na burocracia”.

O integrante da Rede Tinku, Saravia, eleva a crítica à Oliveira. “Fizeram da luta um negócio e com o dinheiro que deram a Cochabamba o Oliveira criou a Fundação Abril, que se especializou no tema água”.

Até mesmo o pequeno avanço conseguido na gestão da empresa – a eleição direta pela população de três diretores da Semapa – se perdeu. Segundo Puente, “no primeiro ano teve certo efeito, elegendo lutadores que participaram da luta, mas alguns deles tardaram pouco a somar-se à burocracia e à corrupção nessa e em outra instâncias. E a fé da cidadania diminuiu tão rapidamente que faz dois anos um candidato era eleito por 400 votos, num universo de 300 mil eleitores”.

Mesmo diante de tantas decepções, Saravia comenta que a derrota do neoliberalismo foi tão acachapante que o discurso privatista não ressurgiu. “O povo sabe que isso é pagar mais. O povo quer que melhore o serviço e que não haja corrupção”, sentenciou.

Cronologia da Guerra da Água*

3 de setembro de 1999 – Assinado contrato entre governo e Águas do Tunari.

20 de outubro – Promulgada lei 2029, chamada de “Serviço de Água Potável e Esgoto”.

4 e 5 de novembro – Os regantes iniciam os bloqueios de ruas e estradas.

12 de novembro – Criação da Coordenadora da Água e da Vida.

11, 12 e 13 de janeiro de 2000 – A Coordenadora organiza um grande bloqueio contra o aumento das tarifas em mais de 100% e contra a lei 2029. Governo se compromete a rever as tarifas e a lei.

4 e 5 de fevereiro – A Coordenadora realiza a tomada de toda cidade e o Exército vai às ruas. Governo assina documento se comprometendo a retomar as tarifas anteriores.

26 de março – A Coordenadora realiza um referendo com mais de 50 mil votantes a favor da expulsão de Águas do Tunari.

4 de abril – Convocação de bloqueio indefinido.

6 de abril – Em reunião de negociação, prefeitura declara preso os dirigentes e governo central declara estado de sítio. Cerca de 50 mil pessoas tomam a praça central, onde está a sede da prefeitura. O prefeito volta atrás, desmente o estado de sítio e comunica a saída de Águas do Tunari da cidade.

7 de abril – Governo central nega o rompimento do contrato. Prefeito de Cochabamba renuncia e um novo estado de sítio é declarado. 22 dirigentes são presos.

8 de abril – As estradas de todo o Altiplano da Bolívia são bloqueadas, os enfrentamentos crescem e deixam um morto. Mas exército e polícia se retiram aos quartéis e a cidade fica nas mãos dos manifestantes.

9 de abril – Aniversário da Revolução de 1952. Autoridades pertencentes ao MNR (partido da Revolução) comparecem ao enterro do jovem assassinado e são agredidos pelos manifestantes. Governo central anuncia saída de Águas do Tunari.

10 de abril – A Coordenadora exige documento do governo oficializando sua posição. Ele se nega e acusa a rebelião de Cochabamba de ser fruto do “narcotráfico”. Manifestantes iniciam marcha massiva e governo realiza a rescisão do contrato.

11 de abril – Parlamento aprova a lei com as modificações propostas pela Coordenadora. No campanário da Igreja localizada na praça central de Cochabamba, é encontrado enforcado o jovem Juan Rodriguez, responsável por, durante a guerra, avisar a população da chegada do Exército e da Polícia com os toques do sino.

12 de abril – Terminam os bloqueios.

14 de abril – Presos são libertados e familiares de mortos e feridos indenizados.

*Dados retirados do livro “La guerra por el agua y por la vida”, de Ana Esther Ceceña. Um documentário sobre a Guerra da Água no endereço eletrônico

http://www.fundacionabril.org/detallesvideolista0.php?codigo_trailer=7&tema_trailer=Guerra%20del%20Agua.

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Evo Morales vai doar metade do salário para Chile e Haiti

LA PAZ (Reuters) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta terça-feira que vai doar metade de seu salário de 15.000 bolivianos (2.143 dólares) para ajudar as vítimas dos terremotos do Chile e do Haiti.

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    Foto: Reuters

O governo da Bolívia lançou uma campanha de solidariedade chamada "Chile e Haiti necessitam de ti" que arrecadará doações voluntárias em todo o país.

"Nós do palácio (do governo) queremos começar com as doações. O presidente e o vice-presidente vão doar 50 por cento de seu salário do mês. Os ministros e vice-ministros farão doações de 30 por cento de seus salários", disse Morales em entrevista coletiva.

Bolívia e Chile não têm relações diplomáticas há mais de três décadas, mas desde o começo de 2006, com a chegada ao poder dos presidentes Morales e Michelle Bachelet, respectivamente, se iniciou um processo de aproximação.

A Bolívia perdeu seu acesso ao oceano Pacífico após uma guerra com o Chile no fim do século 19, quando o Peru também perdeu territórios que hoje formam parte do norte chileno.

Um dos terremotos mais fortes da história, com magnitude 8,8, atingiu o Chile na madrugada de sábado, deixando ao menos 723 mortos e 500 feridos.

O Haiti, país mais pobre das Américas, foi devastado por um tremor no dia 12 de janeiro que deixou até 300.000 mortos.

O chanceler boliviano, David Choquehuanca, viajará ao Chile nesta terça-feira levando 40.000 litros de água para os atingidos.

(Reportagem de Diego Oré)

Postado: Yahoo

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Afeganistão: Ataque da Otan contra alvo errado mata ao menos 33 civis

Pelo menos 33 civis morreram no domingo quando três veículos foram bombardeados por engano pela Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) da Otan na região central do Afeganistão, anunciou nesta segunda-feira o governo do Afeganistão, que qualificou o ataque de "injustificável". De acordo com o ministério afegão do Interior, a Isaf acreditava ter bombardeado um grupo de talebans.
Os aviões da Isaf abriram fogo contra os veículos na manhã de domingo na província de Oruzgan, segundo o porta-voz do ministério, Zemaraï Bashary. Ele disse ainda que entre as vítimas estão mulheres e crianças.
Em comunicado, a força Isaf explicou que as tropas localizaram um grupo de supostos insurgentes quando supostamente se encontravam "em rota" para lançar um ataque contra uma patrulha militar.
A força Isaf interceptou o grupo e disparou contra ele com armas aéreas. Quando os soldados chegaram ao local do confronto encontraram mulheres e crianças e transportaram os feridos a um hospital de campanha, diz a nota. O comando da Otan abriu uma investigação para esclarecer o acontecido.
O incidente não é parte da Operação Mushtarak, a maior ofensiva liderada pela Otan para retirar integrantes do Taleban da província de Helmand, também no sul do país.
Ainda assim, ele pode afetar os esforços da Otan e do governo do Afeganistão para conquistar apoio da população local, parte de um plano para obter o controle de locais dominados pelo Taleban antes do início de uma retirada gradual das tropas norte-americanas do país em 2011. (iG São Paulo / Com AFP, Reuters e EFE)

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Dubai suspeita do Mossad em assassinato de líder do Hamas

Segundo jornal estatal, polícia tem ‘99% de certeza’ do envolvimento do serviço secreto israelense no caso
DUBAI - O chefe da Polícia de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, disse que as investigações acerca do assassinato de Mahmoud al-Mabhouh, um alto líder do Hamas, apontam para o envolvimento do serviço secreto israelense, o Mossado, no caso, conforme o partido palestino alegava.
O site do diário National dos Emirados Árabes Unidos informou que o tenente-general Dhai Khalfan Tamim disse que há evidências que "revelam que o Mossad está envolvido no assassinato" de al-Mabhouh. O chefe policial diz ter "99% de certeza, se não forem 100%", de que o serviço secreto israelense tem relação com o caso.
O jornal que publicou a matéria é do governo de Abu Dhabi, capital dos Emirados. Tamim não foi encontrado para comentar o fato.
Tensão diplomática
Na quarta-feira, o ministério das Relações Exteriores do Reino Unido convocou nesta quarta-feira, 17, o embaixador israelense em Londres para prestar esclarecimentos sobre a utilização de passaportes britânicos falsos no assassinato do líder do Hamas.
O caso gerou um princípio de crise diplomática entre Israel e Grã-Bretanha. O primeiro-ministro Gordon Brown ordenou a abertura de uma investigação sobre o caso.
Autoridades britânicas questionam qual a participação de Israel no episódio, uma vez que o grupo Hamas acusa o serviço secreto israelense Mossad de ser autor do assassinato. O governo britânico quer também saber como os assassinos conseguiram os passaportes de seus cidadãos.
Negativa
o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, disse a uma rádio local que não há provas contra seu país. "Não há razão para pensar que foi o Mossad, e não algum outro serviço de inteligência ou algum outro país que esteja por trás do episódio", declarou.
Rafi Eitan, um ex-membro do Mossad, negou envolvimento da organização no caso. "O Mossad não está por trás do assassinato de Mahmoud el- Mabhouh. Isso é um ato de alguma organização estrangeira querendo incriminar Israel", dissse.
Investigação
A polícia de Dubai divulgou nesta semana a lista das 11 pessoas que teriam participado do assassinato do comandante militar do Hamas. Dentre elas, estão seis cidadãos britânicos e um alemão que vivem em Israel, e negam qualquer participação no crime. (AP - Associated Press)

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Lula anuncia que Brasil vai ajudar a construir hidrelétrica no Haiti

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou neste domingo que o Brasil vai ajudar a construir uma hidrelétrica no Haiti. Uma visita ao país está agendada para a próxima semana, quando Lula se reúne com o presidente haitiano, René Preval.
Em seu programa semanal Café com o Presidente, Lula lembrou que o governo brasileiro já destinou R$ 375 milhões a investimentos no Haiti, além dos US$ 15 milhões [cerca de R$ 27 milhões] previstos no Plano de Recuperação do país.
"Estamos dispostos a fazer tudo o que for necessário para que a gente possa reconstruir o Haiti junto com outros países da Europa, subordinados a uma coordenação das Nações Unidas", disse.
O projeto da hidrelétrica, segundo o presidente, já foi concluído pelo Exército e a estratégia do governo é apostar em financiamentos para que empresas brasileiras trabalhem na construção do local.
A medida, de acordo com Lula, vai contribuir para a agricultura haitiana e para o fornecimento de energia no país. "É uma grande contribuição que o Brasil vai dar ao Haiti", afirmou. (Agência Brasil)

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Sarkozy admite "graves erros" da França em genocídio de Ruanda

Nicolas Sarkozy realizou nesta quarta-feira a primeira visita de um presidente francês a Ruanda em 16 anos. Em Kigali, ele reconheceu "graves erros de apreciação" da França e da comunidade internacional durante o genocídio de 1994 em Ruanda e homenageou as vítimas, que, segundo a ONU, chegaram a 800 mil.
"O que aconteceu aqui é inaceitável, mas o que aconteceu aqui obriga a comunidade internacional, o que inclui a França, a refletir sobre seus erros que impediram prevenir e deter esse crime espantoso", declarou Sarkozy durante uma entrevista à imprensa ao lado do presidente ruandês, Paul Kagame.
Entre as falhas, Sarkozy citou "graves erros de apreciação, uma forma de cegueira quando não vimos a dimensão genocida do governo do presidente que foi assassinado, erros em uma operação Turquesa realizada tarde demais (…)".
A operação Turquesa foi lançada pelo Exército francês em junho de 1994, três meses depois do início do genocídio –que começou quando o avião do então presidente Juvenal Habyarimana foi derrubado, em abril daquele ano.
Nos cem dias seguintes, cerca de 800 mil pessoas, a maioria integrantes da etnia tutsi, além de hutus moderados, foram mortos por milícias da etnia hutu. Civis eram incentivados a participar das atrocidades com promessas de que poderiam ficar com as terras dos tutsis mortos.
O genocídio terminou quando rebeldes tutsis assumiram controle do país. Cerca de dois milhões de hutus se refugiaram no vizinho Congo desde então.
Sarkozy pediu ainda que os responsáveis pelo genocídio sejam "encontrados e castigados". "Não há nenhuma ambiguidade. Disse ao presidente Kagame: os que fizeram isso, onde quer que estejam, devem ser encontrados e castigados".
Laços
Ruanda e França restabeleceram relações diplomáticas em novembro de 2009, depois de três anos de rompimento. Kigali cortou relações diplomáticas com Paris depois que um juiz francês acusou o presidente Kagame, e vários funcionários de envolvimento no assassinato de Habyarima.
Sarkozy também homenageou as vítimas do massacre, "em nome do povo francês", ao visitar o monumento fúnebre erguido em Kigali.
"Em nome do povo francês, me inclino ante as vítimas do genocídio dos tutsis (…), a humanidade manterá para sempre a memória destes inocentes e de seu martírio", escreveu Sarkozy no livro de ouro do monumento fúnebre.
O chefe de Estado francês, acompanhado dos ministros ruandeses das Relações Exteriores, Louise Mushikiwabo, e da Cultura, Joseph Habineza, respeitou um minuto de silêncio diante de 14 fossas comuns do monumento, onde foram enterrados os corpos de mais de 250 mil vítimas, e depositou uma coroa de flores.
Com o ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, e de uma delegação francesa, Sarkozy visitou durante cerca de 20 minutos o museu que relata a história de Ruanda da colonização belga até o genocídio. (Folha Online / Com France Presse e Associated Press)

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Os descendentes de brasileiros nos EUA e no mundo

*Gustavo Chacra

Daqui a pouco, as pessoas dirão nos Estados Unidos e em alguns lugares da Europa que são descendentes de brasileiros. No fim de semana, estive em uma estação de esqui do Colorado. E notei que, além da tradicional elite paulista que frequenta as estações de Aspen, Vail e Snowmass, as montanhas estavam lotadas de trabalhadores brasileiros que se mudaram para o “velho-oeste” atrás de dinheiro, de um amor ou mesmo de uma aventura. Não estavam nas neves para aprender snowboard ou esqui. Estavam servindo mesas nos restaurantes e atendendo pessoas nas lojas. Alguns são imigrantes definitivos. Deixaram o Brasil para viver nos EUA definitivamente. Não apenas por quatro, cinco anos, até conseguirem juntar dinheiro. Querem ficar aqui, ter filhos aqui e se aposentar aqui, seja no Colorado, na Flórida ou em Nova York. São tão imigrantes quanto irlandeses, gregos ou italianos que passaram por Ellis Island há mais de um século.

Um exemplo é a Gisele Bündchen, que se mudou de vez para os EUA e deve envelhecer em Boston ou no West Village, distante da sua Horizontina. Seu filho, Benjamin, dirá que tem origem brasileira, e não alemã, como a mãe. Outro dia, notei que sites especializados em pólo aquático descreviam Tony Azevedo, capitão da seleção americana e medalha de prata na Olimpíada, como americano de origem brasileira. Paulo Kluber, um amigo meu e ex-estudante da Universidade Columbia, nasceu em Ponta Grossa, no Paraná. Mas, perguntado, diz ser de Los Angeles, apesar de originalmente do Brasil. Neste caso, ele ainda ressalta a descendência polonesa. Mas seus filhos talvez afirmem que são descendentes de brasileiros.

Isso tudo é estranho para nós brasileiros. Somos acostumados na classe com colegas descendentes de italianos, portugueses, alemães, judeus-poloneses, sírios, africanos e japoneses. Verdade, existem os quatrocentões que se dizem de “famílias tradicionais brasileiras”. Mas estes são a mistura de portugueses, africanos e indígenas. Aliás, os índios são os que poderiam dizer serem originalmente brasileiros. Mas são apenas uma parcela pequena da população e sem histórico de se mudar para outros países, a não ser os fronteiriços.

Ao mesmo tempo, o inverso ocorre. Países que no passado viam seus habitantes embarcando em navios para fazer a América, hoje recebem moradores nascidos no outro lado do Atlântico. Na Espanha, Itália, França, Alemanha começam a haver classes como as paulistanas, com pessoas com sobrenomes diferentes dos tradicionais. Em vez de Buenos Aires receber espanhóis, Madri recebe argentinos. Ninguém acreditaria neste cenário mesmo até a metade do século 20. Aliás, nem mesmo até o fim do franquismo, nos anos 1970.

Mas, voltando ao assunto “descendentes de brasileiros”, não podemos esquecer de Americana, no interior de São Paulo. Nesta cidade, houve uma imigração no fim do século 19 de americanos do sul dos EUA. Entre eles, descendentes do general Lee. Aliás, aí já está a explicação para o sobrenome da Rita Lee, uma descendente de americanos.

Meu bisavô libanês Hanna Chacra chegou a viver nos EUA no início do século passado, quando nasceu meu tio-avô Mansur, em New Hampshire. Posteriormente, voltou ao Líbano, onde nasceu meu avô Adib, antes de imigrar definitivamente para o Brasil. Os netos do ramo do Mansur, esnobando, se dizem descendentes de “americanos”, e não de libaneses. Ironicamente, o meu sobrinho poderá dizer a mesma coisa, já que meu irmão nasceu nos Estados Unidos nos tempos em que meus pais viviam no Texas. Será “um descendente de americanos”, não de libaneses e italianos, como seriam os meus, ainda não nascidos.

Daqui algumas décadas, viajando por Aspen, talvez encontre alguém perdido com a camisa do Cruzeiro dizendo em inglês que era do avô que imigrou de Minas Gerais. O português dele terá sido esquecido. Provavelmente, nem saberá que o seu time se chamava Palestra Itália e foi fundado por imigrantes italianos para Belo Horizonte. É o novo mundo. O Brasil deixou de ser a terra dos imigrantes para ser o país dos emigrantes. E já temos a nossa geração de “nisseis” – os descendentes de brasileiros. (*Gustavo Chacra / Blog na Agência Estado)

NOTA DO IZB: Interessante artigo para demonstrar que o Brasil não é só ‘prosperidade’ como querem fazer parecer. Muitos brasileiros vão ‘perdendo-se’ no mundo em busca de dias melhores. O país dos imigrantes (portugueses, italianos, japoneses, alemães, espanhóis, etc) agora ‘exporta’ nosso produto mais nobre: os brasileiros, fruto desta miscigenação. Infelizmente.

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Morre soldado da foto-símbolo da vitória da URSS sobre Hitler na Segunda Guerra

Um dos três soldados da extinta URSS imortalizados numa fotografia que mostra a bandeira soviética hasteada no telhado do Reichstag, a sede do Parlamento alemão, em Berlim, em maio de 1945, morreu aos 93 anos, anunciaram nesta quarta-feira (17) as autoridades russas.

Abdoulkhakim Ismailov, que foi declarado herói da União Soviética, morreu na terça-feira em Khassaviourt, Daguestão, república do Cáucaso russo, informou a prefeitura da cidade em seu site.

"Sua enorme experiência de vida e os serviços que prestou à pátria ficaram para sempre gravados nas memórias de gerações de hoje e de amanhã", segundo o comunicado.

Ismailov, que serviu ao Exército Vermelho desde 1939, chegou a participar da terrível batalha de Estalingrado (1942-1943), vencida pela URSS e que marcou o início do recuo das tropas nazistas de Adolf Hitler.

 

soldado

A foto de Evgueni Khaldei registrando a tomada do Reichstag pelas tropas soviéticas.

Mas, foi nas ruínas de Berlim que se encontrou com a História, tornando-se um dos três soldados fotografados pelo jornalista da agência TASS, Evgueni Khaldei, quando agitava a bandeira soviética sobre o Reichstag.

A foto tornou-se símbolo da derrota do Terceiro Reich de Adolf Hitler. Mas historiadores afirmam que ela pode ser uma montagem e que teria sido tirada dias depois da tomada da cidade, com objetivo de propaganda.

A imagem é comparada, com frequência, com a fotografia que mostra seis soldados americanos fincando a bandeira estrelada em fevereiro de 1945 na Ilha de Iwo Jima no Japão.

Postado: Portal G1 com informações da AFP - Agência France Presse)

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A real dimensão da questão alimentar

Alex Renton

"Insegurança alimentar", disse recentemente um acadêmico de desenvolvimento, "é a nova Aids". É uma formulação odiosa, mas é verdade que à medida que este século avançar, nós ouviremos muito a respeito da fome e da perspectiva de haver menos alimento disponível. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em 2009 o número de pessoas desnutridas no planeta ultrapassou 1 bilhão pela primeira vez.
Após a decepção em Copenhague, aqueles que fazem campanha a respeito da mudança climática podem começar a se mobilizar em torno da questão dos alimentos. Um documentário sobre os fracassos da indústria alimentícia, "Food Inc.", será lançado mundialmente em fevereiro. Seu co-produtor, Eric Schlosser, provou com seu livro, "País Fast Food", que é possível mobilizar aqueles que combatem a pobreza a lutarem a respeito dos alimentos. E por um bom motivo. Nós provavelmente ficaremos sem ter o que comer muito antes de sermos cobertos pela elevação do nível dos mares.
Isto ocorre, é claro, em parte por causa do crescimento populacional, em parte por causa dos efeitos do aquecimento global sobre a agricultura em regiões mais quentes e -mais importante- por causa do hábito das pessoas de comerem mais proteína à medida que aumenta seu poder aquisitivo. A carne, famosamente, utiliza bem mais recursos por pessoa alimentada: a produção de um quilo de carne bovina exige entre 6 a 10 quilos de matéria vegetal e até 16 mil litros de água. Na China, o consumo de carne praticamente dobrou a cada década desde 1985. A FAO diz que precisamos dobrar a produção de alimentos nos próximos 40 anos para acompanhar o crescimento da demanda -e isso sem contar os efeitos da mudança climática.
E qual é a resposta? Controles sobre o desenvolvimento econômico? Vegetarianismo compulsório? Ninguém tem ideia. O lobby da pobreza quer apoio para pequenos produtores e irrigação sustentável; os ambientalistas gostariam de ver tratada a questão do desperdício de alimentos; os neófitos (e o "The Economist") depositam suas esperanças na biotecnologia, olhando para trás para a revolução verde que transformou a agricultura da Índia há meio século. A ação tem vindo principalmente de doadores privados -em 2009, Bill Gates destinou mais de US$ 39 milhões à pesquisa de milho resistente à seca.
O debate está esquentando. Em novembro, eu assisti Robert Watson -uma figura tipo Gandalf que é consultor científico chefe do Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais do Reino Unido- fazer sua célebre apresentação em PowerPoint sobre segurança alimentar e mudança climática. Ela já foi assistida na maioria dos lugares onde as políticas são pensadas e é certamente o documento mais sombrio sobre alimentos já visto em Westminster, depois dos cardápios dos pubs de Whitehall. Seus alertas, apoiados pelos do consultor científico chefe do governo, John Beddington, estão tendo um efeito. Parte da mensagem de Watson é que precisamos começar a nos preocuparmos com lugares mais próximos do que as planícies secas de trigo da Índia ou das plantações de arroz que mudam rapidamente do Leste da Ásia. Os países mediterrâneos, ele diz, ficarão muito mais secos, e até mesmo o sul do Reino Unido, segundo os cenários médios de emissões, provavelmente ficará 5ºC mais quente e 70% mais seco até os anos 2080.
Eu assisti a apresentação de Watson na conferência anual da Associação do Solo e a platéia -acostumada a profetas do apocalipse- ficou bastante deprimida. Eles levantaram sua posição habitual antiengenharia genética, alegando que parte da resposta está em transformar toda a agricultura em orgânica. Watson corajosamente rejeitou isso, insistindo que a biotecnologia, incluindo a modificação genética, deve ter um papel em tratar da fome. Ele também levantou uma ideia que não tinha ouvido antes, envolvendo mudança em massa da dieta nos trópicos. Produtos como arroz, que usam água e nitrogênio de forma comparativamente ineficiente, poderiam ser substituídos por produtos mais eficientes, como o milho. Tempos magros aguardam à frente.
(Alex Renton escreve sobre alimentos para o "The Times" de Londres e para "The Observer".)
Tradução: George El Khouri Andolfato

Fonte: Prospect – http://www.prospect-magazine.co.uk

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