Arquivo de Literatura

Trabalho de Brecht ganha nova edição

foto_mat_25166 Será lançada no dia 3 de julho, sábado, às 19 horas, no Estúdio do Latão, a nova edição do livro "Trabalho de Brecht", de José Antonio Pasta, professor de literatura brasileira da USP, pela Editora 34. A comemoração contará com a participação dos grupos teatrais Companhia do Latão, Companhia do Feijão, Teatro de Narradores, Companhia Ocamorana e Grupo Folias D’arte. Na ocasião, haverá um coquetel e fala do autor sobre a obra. Lançado originalmente em 1985, "Trabalho de Brecht" é considerado um dos mais importantes estudos sobre o autor alemão publicados em português.

 

Lançado originalmente em 1985, "Trabalho de Brecht" é dos mais importantes estudos sobre o autor alemão publicados em português. Escrito como dissertação de mestrado, o livro discute as várias dimensões e sentidos do projeto clássico de Brecht.
A primeira edição, esgotada há muitos anos, influenciou a pesquisa artística de muitos grupos teatrais de São Paulo, que participam agora da homenagem ao autor.
A obra passa a integrar a mais respeitada coleção da editora, a Espírito Crítico.
Em "Trabalho de Brecht: breve introdução ao estudo de uma classicidade contemporânea", José Antonio Pasta estuda a produção da obra madura de Brecht em seu contexto contemporâneo. Não começa pelas primícias do autor mas, sim, pelos momentos decisivos em que a experiência literária do jovem escritor alemão chega a seus embates frontais com a indústria cultural — isto é, com a forma-mercadoria, com o nazismo, o exílio e a guerra.
Da experiência dessa situação extrema vê-se então emergir, na obra de Brecht, um projeto estético e político que, da perspectiva deste estudo, terá como fio condutor a constituição de uma classicidade contemporânea, estratégica e de combate.
Tal projeto supõe, da parte de Brecht, um acerto de contas radical com o destino da Alemanha e sua herança cultural, e, no limite, com a própria modernidade, considerada em seus pressupostos e promessas. Nesse sentido, a análise de José Antonio Pasta se orienta pela leitura de Marx feita por Brecht, assim como sua retomada das bases hegelianas da dialética.
O AUTOR É PROFESSOR DA USP
José Antonio Pasta é mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada e doutor em Literatura Brasileira pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Realizou estágio pós-doutoral na École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris em 1995/1996. Desde 1984 é professor de Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas das USP. Foi também professor-associado na Universidade de Paris III — Sorbonne Nouvelle, em 2001/2002.

ESTÚDIO DO LATÃO

Rua Harmonia, 931 (próximo ao metro Vila Madalena)
Dia 03 de julho às 19 horas
Informações: 38141905

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Na USP, o guardião da brasiliana, a biblioteca rara doada por Mindlin

Pedro Puntoni, historiador que frequentava a casa do bibliófilo, comanda projeto de digitalização do acervo e construção do prédio que abrigará os 40 mil volumes
Era julho de 2007. Pedro Puntoni havia acabado de ser nomeado diretor da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, em instalação na Universidade de São Paulo (USP), e almoçava na casa do empresário e bibliófilo José Mindlin:
- Doutor José - dirigiu-se ao bibliófilo -, queria lhe dizer que me sinto muito honrado com o cargo, com tanta responsabilidade. E espero corresponder à altura.
- Pedro, nós vamos ajudá-lo - ele respondeu. Sei que este é um peso enorme.
E naquele mesmo dia ficou acertado que Puntoni precisava "aprender a biblioteca":
- Você tem de conhecer toda ela - frisava Mindlin.
Trataram de selar um acordo. A partir disso, quinta-feira havia um programa sagrado para o novo diretor. "Era o dia da semana em que eu passei a ir cedo à casa dele e só sair de lá no fim do dia", relata. "Quando o doutor José estava, conversávamos, ele me contava histórias sobre os livros, me pedia para ler algum poema." Quando ficava sozinho, aproveitava para circular entre as estantes e conhecer um pouco daquele mundo que, aos poucos, também se tornava um pouquinho seu. "Não era uma coisa sistemática. Ele via o livro que despertava interesse nele na hora", conta Cristina Antunes, que trabalha no acervo de Mindlin há três décadas.
Essas visitas semanais ocorreram até dezembro do ano passado. "No comecinho de janeiro, ainda passei lá para desejar feliz ano-novo ao doutor José", afirma Puntoni, hoje com 43 anos. Foi a última vez em que eles se viram. Dias depois, o bibliófilo acabou hospitalizado. Em 28 de fevereiro, aos 95 anos, José Mindlin morreu.
Da casa para a USP. A biblioteca em questão, com 17 mil títulos - ou 40 mil volumes -, é o maior e mais relevante acervo originalmente particular de livros do Brasil. Mindlin começou a formá-lo aos 13 anos. "A ideia de transformar em algo público foi aventada pela primeira vez ainda nos anos 80", lembra Puntoni. "Em 1999, doutor José manifestou, em carta, a intenção de doar os livros à universidade." Sete anos mais tarde, finalmente, o ato foi oficializado: Mindlin legava à USP, de papel passado, sua preciosa Brasiliana.
Professor da mesma universidade, o historiador Pedro Puntoni entraria no projeto apenas no ano seguinte. Mas sua relação com Mindlin era mais antiga. "Em 1990, quando fazia meu mestrado, recorri ao doutor José porque só ele tinha uma coleção de revistas que eu precisava", recorda-se. "Da primeira vez, ele me recebeu e fez uma verdadeira sabatina sobre meus estudos. Queria saber se eu realmente conhecia os livros e só então me liberou para frequentar a biblioteca." Tornou-se assíduo, por anos. Até o fim do mestrado. Depois, durante todo o doutorado. "Era uma alegria quando ele, sempre gentil, me convidava para um café", diz.
Sua primeira missão à frente da Brasiliana foi coordenar um ousado plano interdisciplinar - que envolve 40 professores da USP - de digitalização do acervo de Mindlin. Um scanner especial foi adquirido para isso e vem funcionando desde abril do ano passado. "Custou US$ 220 mil e tem capacidade para copiar 2,4 mil páginas por hora", detalha o engenheiro eletrônico Edson Gomi, participante do projeto. Mil títulos já estão na internet e podem ser baixados, na íntegra, de graça. "Doutor José era um entusiasta da digitalização, pois acreditava que isso iria ampliar o acesso aos seus livros, sem deteriorá-los", ressalta Puntoni.
O historiador também acompanha a construção do prédio - orçado em R$ 100 milhões e situado na própria Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste de São Paulo - que vai abrigar os 40 mil volumes da Brasiliana. Pelo cronograma, a obra deve ficar pronta no fim de 2011. Ali, além da biblioteca, funcionará o centro de digitalização e um ateliê de restauro de livros. Cultura escrita que deixaria doutor José orgulhoso.
SERVIÇO
Os 40 mil títulos da Brasiliana estarão disponíveis na Internet nos próximos anos, todos digitalizados na USP, sede da futura biblioteca. Já estão disponíveis para consulta livre mais de 1.000 títulos da literatura brasileira, alguns raríssimos.
Veja no link: www.brasiliana.usp.br
(Reportagem: Edison Veiga, de O Estado de S. Paulo - 19/06/2010)

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ATUALIDADE HISTÓRICA DA OFENSIVA SOCIALISTA

Uma alternativa radical ao sistema parlamentar, por István Mészáros
Em Atualidade histórica da ofensiva socialista – uma alternativa radical ao sistema parlamentar o marxista húngaro István Mészáros propõe um enfrentamento aos “graves problemas de nossa ‘política democrática’” como forma de responder à indagação: o que continua irremediavelmente errado no que se refere às genuínas expectativas socialistas? Fugindo de explicações simplistas que apontam “traições” no momento da chegada ao poder, Mészáros aponta para a necessidade de uma crítica profunda da concepção que vê na disputa dentro do sistema parlamentar um cenário de construção de transformações sociais.
Segundo ele, o discurso político tradicional proclama o sistema parlamentar como “o centro de referência necessário de toda mudança legítima”, tratando como tabu qualquer crítica que sugira algo além de pequenas mudanças em seu funcionamento. O autor de Para além do capital propõe que a alternativa necessária a esse sistema estaria ligada à “questão da verdadeira participação”, definida por ele nos termos de “autogestão plenamente autônoma da sociedade pelos produtores livremente associados em todos os domínios, muito além das restritas mediações do Estado político moderno”.
Mészáros defende a necessidade da criação de uma alternativa estrategicamente sustentável ao sistema parlamentar que liberte o movimento socialista da “camisa de força do parlamento burguês”. Num momento de grande contraste entre as promessas do passado e as condições realmente existentes, o que está em jogo é o “fenecimento do Estado”, uma vez que, apesar de dominar o parlamento, o capital é uma força “extraparlamentar por excelência”.
Assim, o filósofo pauta a construção de alternativas pela busca da “reconstituição radical historicamente viável da unidade indissolúvel das esferas reprodutiva material e política”. Para se transformar a forma como são tomadas as decisões em nossa sociedade, é necessário “mudar radicalmente o desafio ao próprio capital como o controlador geral da reprodução sociometabólica”, o que para ele é inconcebível “pela simples derrubada política do Estado capitalista, muito menos pela vitória sobre as forças de exploração no âmbito de determinada estrutura de legislação parlamentar”.
Esse lançamento tem por base a obra Historical actuality of the socialist offensive: alternative to parliamentarism (Londres, Bookmarks, 2010), composta pelo capítulo 18 do livro Para além do capital (São Paulo, Boitempo, 2002), acrescido de uma introdução especialmente preparada pelo autor para a nova edição.
Trecho da obra
O surgimento da classe operária na cena histórica foi apenas um acréscimo inconveniente ao sistema parlamentar, constituído bem antes de as primeiras forças organizadas do movimento operário tentarem manifestar em público os interesses vitais de sua classe. Do ponto de vista do capital, a resposta imediata a esse inconveniente mas crescente “incômodo” foi a rejeição e a exclusão dos grupos políticos operários. Mais tarde, entretanto, uma ideia muito mais adaptável foi instituída pelas personificações políticas mais ágeis do capital: domesticar de algum modo as forças do trabalho. Ela assumiu de início a forma do patrocínio parlamentar paternalista de algumas demandas da classe trabalhadora por partidos políticos burgueses relativamente progressistas e, mais tarde, a da aceitação da legitimidade dos partidos da classe trabalhadora no próprio Parlamento, embora, é claro, de uma maneira estritamente circunscrita, obrigando-os a se conformar às “regras democráticas do jogo parlamentar”.
Inevitavelmente, isso significou para os partidos operários apenas o “consentimento livre” da sua efetiva acomodação, mesmo que pudessem manter por um longo período a ilusão de que com o passar do tempo eles seriam capazes de corrigir radicalmente a situação pela ação parlamentar a seu próprio favor. Assim a força extraparlamentar original e potencialmente alternativa do trabalho transformou-se, na organização parlamentar, permanentemente desfavorecida. Embora esse curso de desenvolvimento pudesse ser explicado pelas fraquezas óbvias do trabalho organizado em seu início, argumentar e justificar desse modo o que havia realmente acontecido, nas atuais circunstâncias, é apenas mais um argumento a favor do beco sem saída da social-democracia parlamentar. Pois a alternativa radical de fortalecimento da classe trabalhadora para se organizar e se afirmar fora do Parlamento – por oposição à estratégia derrotista seguida ao longo de muitas décadas até a perda completa de direitos da classe trabalhadora em nome do “ganhar força” – não pode ser abandonada tão facilmente, como se uma alternativa de fato radical fosse a priori uma impossibilidade.
Sobre o autor
István Mészáros é um dos principais intelectuais marxistas contemporâneos. Nasceu no ano de 1930, em Budapeste, Hungria, onde graduou-se em filosofia e tornou-se discípulo de Georg Lukács no Instituto de Estética. Deixou o Leste Europeu após o levante de outubro de 1956 e exilou-se na Itália. Ministrou aulas em diversas universidades, na Europa e na América Latina. Recebeu o título de Professor Emérito de Filosofia pela Universidade de Sussex em 1991. Foi congratulado em 2009 com o Prêmio Libertador al Pensamiento Crítico, concedido pelo Ministério da Cultura da Venezuela, por sua obra O desafio e o fardo do tempo histórico (2007), cuja primeira edição mundial foi lançada em português. Entre seus livros, destacam-se também A crise estrutural do capital (2009) e Para além do capital – rumo a uma teoria da transição (2002), todos publicados pela Boitempo.

Ficha técnica
Título: Atualidade histórica da ofensiva socialista
Subtítulo: uma alternativa radical ao sistema parlamentar
Autor: István Mészáros
Tradução: Paulo Cesar Castanheira / Maria Orlanda Pinassi
Orelha: Ivana Jinkings
Páginas: 208 - Preço: 34,00
Editora: Boitempo
(Resenha enviada ao Contraponto pelo colaborador Sérgio Barbi, repassado de Imprensa Boitempo)

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“As Intermitências da Morte”, de José Saramago

José Saramago

jose-saramago-300x292 José Saramago, escritor português e ganhador do prêmio nobel de literatura, morreu nesta sexta-feira, 18, aos 87 anos de idade. Leia a biografia do escritor. Saramago deixou uma vasta obra – uma das mais conhecidas, “Ensaio sobre a Cegueira”.

Leia

A Biblioteca Nacional de Portugal disponibiliza obras de José Saramago.  No portal,  há  manuscritos do autor que detalham métodos de escrita do artista.  Destaque para “O ano da morte de Ricardo Reis”. Acesse ao manuscrito

O twitter dedicado à obra do escritor   (@_saramago)  deu a dica de leitura para o livro “As intermitências da morte”. Baixe aqui

Leia Mais

“A consistência de uma vida”, mostra em cartaz, em 2008 , no Instituto Tomie Othake

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A consistência de uma vida

Fernanda Perez em 01/12/08

Postado: Catraca Livre

 

José Saramago

“Estou comprometido até o final dos meus dias com a vida e esforço-me por transformar as coisas, e para isso não tenho outro remédio senão fazer o que eu faço e dizer o que sou”
José Saramago

(Frase de uma instalação da exposição. Uma oliveira que contêm alguns pensamentos do autor pendurados como se fossem seus frutos.)

Mais do que uma viagem na biografia do escritor português, a exposição “José Saramago: a  consistência dos sonhos” é uma lição de humanidade.  Inaugurada recentemente no Instituto Tomie Othake, em Pinheiros, a mostra vai até fevereiro de 2009 e promete atrair não só leitores do escritor, mas o público como um todo. Fato é que durante a visita, a presença de muitos pais acompanhados de seus filhos (futuros leitores, certamente), deixa claro o encantamento com o universo mágico do escritor.

Uma linha do tempo guia praticamente toda a exposição, desde seu nascimento em Azinhaga, Portugal, em 1922, passando pela cerimônia de entrega do Prêmio Nobel de Literatura, em 1998. Nem a sua visita, em 1999, ao comandante Marcos, líder do movimento revolucionário mexicano de Chiapas, passa batido.

É possível ficar frente a frente com inúmeros manuscritos originais do autor, relíquias que mantêm vivas as histórias de seus personagens. O que chama a atenção é a belíssima caligrafia; parece impossível não sentir a leveza de sua escrita no papel.

Filho de pais camponeses, com uma vida extremamente simples, Saramago começou a dedicar-se a literatura tardiamente, o que não o impediu de uma vasta formação intelectual.

Um escritor engajado, muitas vezes severo, destaca-se pelo excesso de responsabilidade perante um mundo injusto e desigual. Mas ao lado deste pessimismo ferrenho, sua vida é permeada por emoção e sensibilidade, mostra disso, são os textos escritos para sua avó e seu avô.

Comunista, ativista e intelectual polêmico, José Saramago, é um convite a reflexão e ao enfrentamento  à dura realidade em que vivemos. Mas claro, sem perder a doçura  expressada em cada olhar do escritor.

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Margem Esquerda n.14

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Título: Margem Esquerda n.14

Autor(a): Vários autores

Páginas: 160

Ano de publicação: 2010

ISBN: 16787-684

Preço: R$ 28,00

 Indique para um amigo

 

Com textos de Michael Löwy, Mike Davis, Perry Anderson e Slavoj Žižek, entre outros grandes nomes do pensamento contra-hegemônico, a Boitempo apresenta a edição número 14 da Revista Margem Esquerda. O número conta ainda com Dossiê “Imperialismo, ecologia e crise estrutural”, além de texto clássico de Rosa Luxemburgo sobre a Revolução Russa e homenagens a Daniel Bensaid e Giovanni Arrighi, importantes intelectuais falecidos recentemente. Confira apresentação e sumário abaixo.
Apresentação
A crise ecológica manifesta uma contradição fundamental do capitalismo: entre o sistema produtivo e as condições de produção. Desde os primórdios da acumulação primitiva do capital, a conquista de mais e mais lucro se dá com a destruição de trabalhadores e da natureza. Contraditoriamente, o capitalismo destrói sua base, minando a própria capacidade de reprodução. A sorte das classes trabalhadoras e a do meio ambiente estão diretamente vinculadas. A compreensão crítica do vínculo entre luta de classes e ecologia se torna tema indispensável ao pensamento marxista.
Organizado por Carla Ferreira e Mathias Luce, o dossiê deste volume reúne textos dedicados ao meio ambiente, onde, segundo Luce, “a crise climática é apenas a ponta do iceberg da ativação dos limites do capital, quando o imperialismo se torna mais agressivo e fecha o círculo vicioso que coloca em xeque o futuro da humanidade”. Os sociólogos norte-americanos John Bellamy Foster e Brett Clark discorrem sobre as contribuições de Marx e Mészáros à crítica da cisão no metabolismo ecológico e no sociometabolismo provocada pelo funcionamento do capital. O texto do geógrafo Carlos Walter Porto-Gonçalves critica o apetite do capital, que, por meio de patentes industriais e biopirataria, privatiza o conhecimento indígena. Michael Löwy reflete sobre a insustentabilidade do modo de produção e consumo dos países capitalistas avançados. Segundo Mathias Luce, o texto de Löwy ressalta que “a consigna ‘mudar o sistema, não o clima’ e a recente Conferência Mundial dos Povos sobre as Mudanças Climáticas e pelos Direitos da Madre Tierra, em Cochabamba, evidenciam a radicalização das lutas ecológicas no movimento altermundialista”. E o urbanista norte-americano Mike Davis revela como o descontrole das autoridades sanitárias, sob os interesses da agroindústria, favoreceu mutações genéticas do vírus da gripe H1N1.
As contradições do capitalismo tomam nova forma a partir da Revolução Informacional. Em entrevista concedida a Henrique Amorim, em Paris, o sociólogo francês Jean Lojkine expõe os impactos do capitalismo atual no mundo do trabalho, em especial nas identidades classistas.
Abrindo a seção de artigos, Slavoj Žižek procura responder à questão levantada por Walter Benjamin, a respeito de ser ou não possível uma resolução não violenta de conflitos. Para falar sobre o tema sempre presente da “questão judaica”, os filósofos Zoltán Tarr e Judith Marcus descrevem a relação de Lukács com essa temática. Afrânio Mendes Catani e Renato Gilioli analisam as memórias de presas políticas durante a ditadura na Argentina, de 1974 a 1983. Luiz Renato Martins trata da perda de um sentido histórico dos atos culturais, que, segundo ele, é sintoma da passagem de um ideal de formação do Brasil para uma prática de desmanche.
Por fim, o historiador inglês Perry Anderson retoma a noção de hegemonia de Giovanni Arrighi para entender as dinâmicas das relações internacionais de poder e discutir as perspectivas da crise de hegemonia norte-americana.
Na seção Clássico, um texto de Rosa Luxemburgo sobre a Revolução Russa de 1917, no qual a autora critica Lenin e Trotski, que teriam se afastado da política socialista ao defender a formação de um regime ditatorial na Rússia pós-Revolução. Para Rosa, os socialistas têm de se opor à democracia formal burguesa, fundamentada na desigualdade e na servidão, mas de tal modo que surja um novo conteúdo político.
Este número traz ainda resenhas de Virgínia Fontes e Mauro Luis Iasi. E notas de leitura assinadas por Miguel Vedda, Edilson José Graciolli e Luiz Bernardo Pericás.
As fotos – selecionadas por Luiz Renato Martins – foram feitas por Bob Wolfenson para o documentário Um homem de moral, de Ricardo Dias, sobre o compositor Paulo Vanzolini.
“Não te rendas” [No te rindas], de Mário Benedetti – poeta e escritor uruguaio falecido em maio de 2009 –, compõe a seção Poesia, responsabilidade do professor de literatura da universidade de São Paulo Flávio Aguiar. É dele a tradução aqui publicada e a advertência aos leitores: “Há um jogo não ortodoxo com os pronomes pessoais, as concordâncias e a conjugação verbal. Não é descuido, é proposital, para manter o tom oscilante do poeta, entre o tom imperativo e o apelo, a dicção erudita e a coloquial”.
Carlos Eduardo Martins e João Machado homenageiam, respectivamente, o economista italiano Giovanni Arrighi, falecido em janeiro de 2009, e Daniel Bensaïd, filósofo e militante político francês falecido em janeiro de 2010.Além das obras fundamentais que nos legaram, Arrighi e Bensaïd deixaram, como todos os verdadeiramente grandes, exemplos de humanidade, modéstia, solidariedade. Dedicamos a eles esta edição, e também a Gildo Marçal Brandão, Howard Zinn, Giorgio Baratta e tantos outros que empenharam seus dias em fazer deste um mundo mais justo e igualitário.
Ivana Jinkings e João Alexandre Peschanski
Sumário
Apresentação
ENTREVISTA
Jean Lojkine
HENRIQUE AMORIM
DOSSIÊ: IMPERIALISMO, ECOLOGIA E CRISE ESTRUTURAL
A dialética do metabolismo socioecológico: Marx, Mészáros e os limites absolutos do capital
BRETT CLARK e JOHN BELLAMY FOSTER
Por uma ecologia política crítica da Amazônia
CARLOS WALTER PORTO-GONÇALVES
Crise ecológica, capitalismo, altermundialismo: um ponto de vista ecossocialista
MICHAEL LÖWY
O capitalismo e a gripe suína
MIKE DAVIS
ARTIGOS
Linguagem, violência e não violência
SLAVOJ ŽIŽEK
Georg Lukács: filósofo e judeu na Europa do século XX
ZOLTÁN TARR e JUDITH MARCUS
Vozes da resistência: prisioneiras políticas na Argentina (1974-1983)
AFRÂNIO MENDES CATANI e RENATO GILIOLI
Dos estudos da formação à greve como formação
LUIZ RENATO MARTINS
Algumas notas históricas sobre hegemonia
PERRY ANDERSON
CLÁSSICO
Sobre a Revolução Russa (1918)
ROSA LUXEMBURGO
HOMENAGENS
Giovanni Arrighi: um pensamento para o século XXI
CARLOS EDUARDO MARTINS
Daniel Bensaïd: militância política como filosofia
JOÃO MACHADO
RESENHAS
O pensamento de um intelectual insubstituível
VIRGÍNIA FONTES
Manifesto contra a delinquência acadêmica e a pedantocracia
MAURO LUIS IASI
NOTAS DE LEITURA
A formação do mercado de trabalho no Brasil
LUIZ BERNARDO PERICÁS
Estado, política e classes sociais: ensaios teóricos e históricos
EDILSON JOSÉ GRACIOLLI
Da miséria ideológica à crise do capital: uma reconciliação histórica
MIGUEL VEDDA
POESIA
Não te rendas
MÁRIO BENEDETTI
IMAGENS
BOB WOLFENSON E RICARDO DIAS
APRESENTAÇÃO DAS IMAGENS
Até quando?
LUIZ RENATO MARTINS

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Frases de revolucionários

“frases”

“Que as classes dominantes tremam à idéia de uma revolução Comunista! Os proletários nada tem a perder nela a não ser as correntes que o aprisionam. Tem um mundo a ganhar”.
(Karl Marx)

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“Ela virá, a revolução conquistará a todos o direito não somente ao pão mas, também, à poesia”.

(Leon trotsky)

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“Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar. É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário. E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence.” (Bertold Brecht)

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“O movimento proletário é o movimento autônomo da imensa maioria no interesse da imensa maioria”.
(Karl Marx e Fridrich Engels)

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“Eles fecham as fábricas, nós abrimos. Eles roubam as terras e nós ocupamos. Eles fazem guerras e destroem nações, nós defendemos a paz e a integração soberana dos povos. Eles dividem e nós unimos. Porque somos a classe trabalhadora. Somos o presente e o futuro da humanidade”.
(Encontro Latino Americano de Empresas Recuperadas pelos Trabalhadores – Caracas, outubro/05)

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“A vida é bela. Que as futuras gerações a livrem de todo mal e opressão, e possam desfrutá-la em toda sua plenitude”. (Leon Trotsky)

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“Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso.” (Bertold Brecht)

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“As idéias dominantes de uma época sempre foram as idéias da classe dominante”.
(Karl Marx e Fridrich Engels)

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“Expor aos oprimidos a verdade sobre a situação é abrir-lhes o caminho da revolução”. (Leon Trotsky)

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“Não é somente da guerra e de suas destruições que sofre o proletariado, mas do próprio regime capitalista, que é a verdadeira causa da guerra. Suprir o regime capitalista é a única via segura para o proletariado, a única que lhe permite escapar ao seu sombrio destino” (Karl Liebnecht – 23/12/1914)

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“Os que no regime burguês trabalham não lucram e os que lucram não trabalham.” (Engels e Marx)

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“Há homens que lutam um dia, e são bons; há homens que lutam por um ano, e são melhores; há homens que lutam por vários anos, e são muito bons; há outros que lutam durante toda a vida, esses são imprescindíveis.” (Bertold Brecht)

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“Um grama de ação vale mais do que uma tonelada de teoria.”
(Friedrich Engels)

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“Os que no regime burguês trabalham não lucram e os que lucram não trabalham”.
(Karl Marx e Fridrich Engels)

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“Quem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o presente, controla o passado”.
(George Orwell)

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“As idéias nada podem realizar. Para realizar as idéias são necessários homens que ponham a funcionar uma força prática.” (Karl Marx)

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“Algo é só impossível até que alguém duvide e acabe provando o contrário.”
(Albert Einstein)

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“A religião é o ópio do povo”.
(Karl Marx)

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“A arte deve antes de tudo e em primeiro lugar embelezar a vida.” (Friedrich Nietzsche)

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“A imprensa é uma arma; por quê haveria eu de dar uma arma a meu inimigo?”(Leon Trotsky) 

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“A história da sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes”. (Karl Marx)

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“A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores” (Karl Marx)

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“Os poderosos até podem matar uma, duas ou três rosas, porém, nunca conseguirão impedir que a primavera venha”. (Enesto Che Guevara) 

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O verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de generosidade; é impossível imaginar um revolucionário autêntico sem esta qualidade.

Che Guevara

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Se eu não puder dançar, não é a minha revolução!

Emma Goldman

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Sonha e serás livre de espírito… luta e serás livre na vida.

Che Guevara

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" Vale milhões de vezes, mais a vida de um único ser humano do que todas as propriedades do homem mais rico da terra"

Ernesto Che Guevara

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"Se com o nosso enforcamento vocês pensam em destruír o movimento operário este movimento de milhões de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria, esperam a redenção-se está é sua opinião, enfoquem -nos. Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo e vocês não poderão apagá-lo!"

Spies

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Se os Tubarões Fossem Homens
Bertold Brecht
Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentís com os peixes pequenos. Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não moressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.
Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho

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Linguagem para transformar o mundo

Por Sheila Jacob, 08.04.2010

Postado: Fazendo Media

vito_dicionario

Vito Giannotti com o seu mais novo livro lançado, o Dicionário de Politiquês, um manual prático de linguagem. Foto: Camila Marins.

Dicionário de Politiquês é o novo livro de Vito Giannotti, escritor e coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC). Escrita em parceria com Sérgio Domingues, a publicação é um manual prático de linguagem para ser usado todos os dias por quem deseja se comunicar com muitas pessoas. São cerca de 3500 verbetes incompreensíveis traduzidos para a língua dos “normais”, ou seja, para a grande maioria da população que não passou mais do que oito anos nos bancos escolares.

Vito Giannotti já escreveu outros livros sobre o tema. Essa preocupação vem do reconhecimento da importância da linguagem na disputa de hegemonia, ou seja, na disputa por uma nova visão de mundo, por novos valores, para que se chegue à organização da classe trabalhadora para a transformação. “Temos que convencer vários milhões de que é necessário mudar os rumos, participar, se mobilizar e tomar o poder das mãos dos nossos inimigos de classe. E como se convence? Comunicando. Em que língua? Na que todos entendem”, afirma o autor.

Como surgiu a ideia de escrever esse Dicionário de Politiquês?

A necessidade de escrever esse livro vem da constatação de que muitas vezes a linguagem que os sindicalistas, os jornalistas sindicais e os militantes de esquerda falam se torna muito difícil para aquelas pessoas que eu costumo chamar de “normais”. Ou seja: a maioria. Essa constatação é evidente, basta perguntar a quem está assistindo a uma palestra ou um debate. Provavelmente essa pessoa vai confessar que entende muito pouco do que está ouvindo.

Isso também acontece com a escrita. Se alguém vai ler um texto e não conhece sete, oito ou dez palavras, acaba se distraindo e não consegue entender o sentido geral daquela mensagem. Isso eu descobri quando trabalhava como metalúrgico em São Paulo, durante uns vinte anos. Percebi que o discurso feito por nós, militantes de esquerda, revolucionários, era muito bom, muito bonito, tinha um conteúdo muito rico, mas tinha um pequeno problema: o público-alvo. Aqueles que queríamos convencer não conseguiam compreender nossa mensagem sobre a necessidade de mudança e a importância da luta.

E essa preocupação vem desde quando mais ou menos?

Desde a década de 1970 comecei a discutir esse assunto com outros companheiros que faziam comigo os boletins clandestinos, os jornais sindicais. Nós até inventamos a palavra operariês, que é exatamente o contrário do intelectualês. E percebemos que havia ainda outros ês: o juridiquês do advogado; o economês, típico dos economistas; o politiquês etc. Vimos então que era essencial se preocupar com a linguagem. A partir daí escrevi vários livros ao longo desses anos para tratar dessa questão. O primeiro deles foi O Que é o Jornalismo Operário (Brasiliense). Depois veio o Manual de Linguagem Sindical (NPC) escrito com Claudia Santiago e Sérgio Domingues, que foi um ensaio de dicionário. A argumentação de todos eles é a mesma: a necessidade de falar a língua que o pessoal entende.

Aí vem uma velha questão, que é muita gente achar que estamos “rebaixando” a linguagem. Não se trata de rebaixar, mas sim de traduzir. É muito simples: eu falo casa com quem entende a língua portuguesa, mas não adianta falar casa com franceses. Com estes tenho que falar maison, se não a mensagem não será transmitida. Ou seja, você tem que saber muito bem duas línguas: a que você está falando, e aquela para a qual você quer traduzir. Isso não é rebaixar, é fazer entender. Por exemplo: como você vai usar a expressão “Calcanhar de Aquiles”? 95% da população nunca viu Aquiles, não sabe quem foi ele, o que isso significa. Você pode, então, substituir por “o nosso ponto fraco”, “nossa dificuldade”. Pode falar da maneira que quiser, mas não “Calcanhar de Aquiles”. Este só para doutores, ou quem conhece mitologia grega.

Você citou outros livros já escritos sobre essa questão – como o Muralhas da Linguagem, por exemplo. Qual seria a principal diferença desses anteriores para esse Dicionário?

O Muralhas da Linguagem é bem diferente. São cerca de 250 páginas de argumentação e de explicação do porquê dessa dificuldade de alguns de se entender uma linguagem mais elaborada. A ideia central do Muralhas é que a causa dessa diferença está no nível de escolaridade. O problema é que um engenheiro ficou nos bancos escolares durante 25 anos… A mesma coisa um médico, um psiquiatra, um dentista etc. E a imensa maioria dos trabalhadores do mundo, quantos anos estudaram? A média no Brasil é seis anos. Quem ficou seis anos não entende “calcanhar de Aquiles”, “irreversível”, “irreconciliável”. Então tem que traduzir!

Quando você quer usar uma palavra que considera importante, pode introduzi-la, mas depois explica, traduz logo em seguida. Eu posso, por exemplo, dizer “na atual conjuntura, ou seja, na situação em que vivemos hoje…”. Assim eu uso um termo novo, e não estou impedindo a compreensão. Mas é preciso ter cuidado para não exagerar. Em um artigo de duas laudas, posso fazer isso uma ou duas vezes, no máximo, se não o nosso artigo se torna uma aula de português.

Voltando à questão da diferença entre os livros sobre linguagem. Podemos dizer que enquanto Muralhas da Linguagem discute a teoria, o Dicionário é um manual para o dia-a-dia de quem vai se comunicar?

Isso. O primeiro é uma conversa para mostrar a necessidade de se usar uma linguagem compreensível por todo mundo. Já o Dicionário de Politiquês é prático: após uma rápida introdução, entra uma lista de cerca de 3500 verbetes, relacionados a uma ou duas frases que dizem a mesma coisa de maneira clara. Então este dicionário não é para ensinar a usar as palavras difíceis, mas sim para o contrário: para aprender a traduzir. Se tem lá “irreversível”, não é para usar essa palavra, mas sim para usar outro termo ou expressão no lugar.

Para quem você indica o Dicionário de Politiquês?

Ele é para professores, jornalistas, sindicalistas, formadores, militantes políticos que vivem o tempo inteiro falando com muita gente. Ou seja: é para todo mundo que quer conversar com o povo. Para quem estudou mais de doze anos, ou então para quem já aprendeu a falar outra língua, quem tem uma certa vivência política e social e frequenta reuniões, debates, seminários, cursos, encontros, palestras… Essa pessoa também precisa de dicionário.

E como você foi recolhendo essas expressões, essas palavras?

Em cada curso que dou pelo Brasil afora escuto dezenas de palavras complicadas. Então cada vez que eu escutava um termo ou frase, anotava. E não foi só ouvindo não, foi também muitas vezes lendo artigos de jornais para metalúrgicos e até mesmo para professores de escolas públicas. Assim juntei essas 3500, mas teria muito mais. Quero chegar a 5000, e isso não é difícil.

Como você disse, essa preocupação com a linguagem já tem uns 40 anos. Você acha que a esquerda em geral, os movimentos sociais e os sindicatos não aprenderam a se comunicar?

Não é que nós da esquerda não aprendemos não. Na verdade nunca quisemos aprender, porque isso não interessa. Na visão geral da esquerda essa discussão de linguagem é besteira, porque o “importante é a política, é a mensagem, e o povo tem que entender”. Também acho que o povo tem que entender, mas quais são as condições que existem para essa compreensão? Bem, a culpa é nossa porque, primeiro, a nossa luta ainda não foi suficiente para que no Brasil haja uma maior escolaridade. Segundo: ainda não nos convencemos que esse problema da linguagem é real e é sério. Nos sindicatos, nos meios de esquerda, a atitude geral é a seguinte: o importante é o conteúdo, é a mensagem… Com isso se deixa de lado a forma, a preocupação com a língua que se fala. Não adianta transmitir uma mensagem maravilhosa se for em uma língua que ninguém entende. Por isso a importância de se traduzir.

É claro que temos que fazer crescer o nível de conhecimento, e para isso temos que lutar por escolas decentes, universais, que ensinem de verdade, que ensinem o significado de todos esses termos. Mas infelizmente não é isso que temos no Brasil hoje. Na última estatística mundial do PISA [Programa Internacional de Avaliação de Alunos], de 55 países o Brasil ficou em último lugar em interpretação de textos. Esse é o quadro do nosso ensino. Com ele o povo não vai entender expressões como, por exemplo, “uma luta fratricida”. Então, precisamos lutar pelo acesso de todos e todas a uma educação de qualidade. Mas esse não é o papel dos nossos boletins, dos jornais, dos discursos… Nestes devemos usar as palavras que todos sabem.

E você acha que, por outro lado, a burguesia se preocupa mais com a linguagem?

A direita não tem muito problema para transmitir sua mensagem. A sua preocupação em manter a hegemonia é primeiramente na força. Eles têm a polícia para fazer obedecer, o exército para impor sua vontade, o judiciário para impor as leis da classe hegemônica… Mas às vezes a coerção não é suficiente, e então vem a preocupação com o convencimento, com a comunicação. E eles se preocupam mais do que nós com a comunicação. Basta prestar atenção no Jornal Nacional, analisar as palavras usadas e o tamanho das frases. Muito dificilmente você encontra uma com mais de 20 palavras. E essa é outra norma da linguagem. Além de não usar palavras complicadas, as frases têm que ser curtas.

Alguns estudos já provaram que uma frase longa é chata, deixa de ser interessante, não desperta atenção, e a pessoa se distrai facilmente. A direita sabe disso, e aplica quando quer convencer. Nós de esquerda, que queremos fazer uma luta contra-hegemônica, temos uma obsessão “politicista”, ou seja, o importante é a política, e o resto é secundário. O conteúdo é importante sim, mas se não for comunicado para as chamadas “massas” acaba ficando restrito a um pequeno grupo de “entendidos”.

Então a linguagem está diretamente ligada à disputa de hegemonia?

Claro. Disputar a hegemonia significa, primeiro, disputar a visão de mundo, os valores, e levar a novas atitudes para se contrapor à atual forma de organização do mundo. Ou seja: mudar. Nessa nossa batalha contra-hegemônica, nós precisamos de duas coisas, como dizia Gramsci: precisamos ter convencimento da classe com a qual nós queremos fazer a transformação.

E também precisamos de força, como a organização em partidos, em centrais, em sindicatos, em governos. Mas, para isso, temos que convencer vários milhões de que é necessário mudar os rumos do mundo, participar, se mobilizar e tomar o poder das mãos dos nossos inimigos de classe. E como se convence? Comunicando. Em que língua? Na que todos entendem.

(*) Entevista publicada originalmente na página do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC).

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Lançamento do livro "Luta, Substantivo Feminino - mulheres torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à ditadura"

QUINTA-FEIRA, 25 DE MARÇO

9h00 às 11h00 - São PauloNesta quinta-feira ocorre o lançamento do livro "Luta, Substantivo Feminino - mulheres torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à ditadura", que irá ocorrer na PUC de São Paulo.

 

ATENÇÃO: O livro será distribuído gratuitamente.
LOCAL DO EVENTO: PUC-SP, rua Monte Alegre, 984 - Prédio Novo - Sala 239 (região de Perdizes), São Paulo.

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O Socialismo e a Emancipação da Mulher

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Obras Escolhidas

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(em Três Tomos)

V. I. Lénine


Nota da Edição Portuguesa

A tradução do primeiro tomo das Obras Escolhidas de V. I. Lénine em três tomos foi feita segundo a correspondente edição russa, preparada pelo Instituto de Marxismo-Leninismo anexo ao CC do PCUS, com o acréscimo dos artigos: Friedrich Engels, no Tomo I e As Eleições para Assembleia Constituinte e a Ditadura do Proletariado no Tomo III

© Direitos de tradução em língua portuguesa reservados por Editorial "Avante!" - Edições Progresso Lisboa - Moscovo, 1977, que gentilmente autorizou a transcrição para o Marxists Internet Archive.

Transcrição: Fernando A. S. Araújo para o Marxists Internet Archive, 2006.

 

Tomo I

Prefácio

KARL MARX (Breve nota biográfica com uma exposição do marxismo)

FRIEDRICH ENGELS

AS TRÊS FONTES E AS TRÊS PARTES CONSTITUTIVAS DO MARXISMO

MARXISMO E REVISIONISMO

A QUE HERANÇA RENUNCIAMOS?

QUE FAZER? Problemas candentes do nosso movimento

UM PASSO EM FRENTE, DOIS PASSOS ATRÁS (A crise no nosso partido)

O COMEÇO DA REVOLUÇÃO NA RÚSSIA

DUAS TÁCTICAS DA SOCIAL-DEMOCRACIA NA REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA

AS LIÇÕES DA INSURREIÇÃO DE MOSCOVO

NO CAMINHO

À MEMÓRIA DE HERZEN

SOBRE A VIOLAÇÃO DA UNIDADE ENCOBERTA COM GRITOS DE UNIDADE.

SOBRE O DIREITO DAS NAÇÕES À AUTODETERMINAÇÃO

A GUERRA E A SOCIAL-DEMOCRACIA DA RÚSSIA

ACERCA DO ORGULHO NACIONAL DOS GRÀO-RUSSOS

SOBRE A PALAVRA DE ORDEM DOS ESTADOS UNIDOS DA EUROPA

NOTA DA REDACÇÃO DO «SOTSIAL-DEMOKRAT» SOBRE O MANIFESTO DO CC DO POSDR ACERCA DA GUERRA

O IMPERIALISMO, FASE SUPERIOR DO CAPITALISMO (Ensaio popular)

SOBRE A TENDÊNCIA NASCENTE DO «ECONOMISMO IMPERIALISTA»

O PROGRAMA MILITAR DA REVOLUÇÃO PROLETÁRIA

Tomo 2

PREFÁCIO

CARTAS DE LONGE

SOBRE AS TAREFAS DO PROLETARIADO NA PRESENTE REVOLUÇÃO

SOBRE A DUALIDADE DE PODERES

AS TAREFAS DO PROLETARIADO NA NOSSA REVOLUÇÃO (Projecto de plataforma do partido proletário)

VII CONFERÊNCIA (DE ABRIL) DE TODA A RÚSSIA DO POSDR(b)

INTRODUÇÃO ÀS RESOLUÇÕES DA SÉTIMA CONFERÊNCIA (DE ABRIL) DE TODA A RÚSSIA DO POSDR(b)

I CONGRESSO DOS SOVIETES DE DEPUTADOS OPERÁRIOS E SOLDADOS DE TODA A RÚSSIA

O DEZOITO DE JUNHO

COM QUE PODIAM CONTAR OS DEMOCRATAS-CONSTITUCIONALISTAS AO RETIRAREM-SE DO MINISTÉRIO?

ONDE ESTÁ O PODER E ONDE ESTÁ A CONTRA-REVOLUÇÃO?

TRÊS CRISES

SOBRE A QUESTÃO DA COMPARÊNCIA PERANTE OS TRIBUNAIS DOS LÍDERES BOLCHEVIQUES

A SITUAÇÃO POLÍTICA (Quatro teses)

CARTA À REDACÇÃO DO «PROLETÁRSKOE DELO»

A PROPÓSITO DAS PALAVRAS DE ORDEM

AS LIÇÕES DA REVOLUÇÃO

AO COMITÉ CENTRAL DO POSDR

SOBRE OS COMPROMISSOS

PROJECTO DE RESOLUÇÃO SOBRE O MOMENTO POLÍTICO ACTUAL

A CATÁSTROFE QUE NOS AMEAÇA E COMO COMBATÊ-LA

UMA DAS QUESTÕES FUNDAMENTAIS DA REVOLUÇÃO

A REVOLUÇÃO RUSSA E A GUERRA CIVIL

O ESTADO E A REVOLUÇÃO. A doutrina do marxismo sobre o Estado e as tarefas do proletariado na revolução

OS BOLCHEVIQUES DEVEM TOMAR O PODER

O MARXISMO E A INSURREIÇÃO

DO DIÁRIO DE UM PUBLICISTA. Os erros do nosso partido

A CRISE AMADURECEU

CONSERVARÃO OS BOLCHEVIQUES O PODER DE ESTADO?

CARTA AO CC, AO CM, AO CP E AOS MEMBROS BOLCHEVIQUES DOS SOVIETES DE PETROGRADO E MOSCOVO

CONSELHOS DE UM AUSENTE

CARTA AOS CAMARADAS BOLCHEVIQUES QUE PARTICIPAM NO CONGRESSO REGIONAL DOS SOVIETES DA REGIÃO DO NORTE

REUNIÃO DO COMITÉ CENTRAL DO POSDR(b). 10 (23) de Outubro de 1917

REUNIÃO DO COMITÉ CENTRAL DO POSDR(b). 16 (29) de Outubro de 1917

CARTA AOS MEMBROS DO PARTIDO BOLCHEVIQUE

CARTA AO COMITÉ CENTRAL DO POSDR(b)

CARTA A I. M. SVERDLOV

CARTA AOS MEMBROS DO CC

AOS CIDADÃOS DA RÚSSIA!

SEGUNDO CONGRESSO DOS SOVIETES DE DEPUTADOS OPERÁRIOS E SOLDADOS DE TODA A RÚSSIA

PROJECTO DE REGULAMENTO SOBRE O CONTROLO OPERÁRIO

RÁDIO DO CONSELHO DE COMISSÁRIOS DO POVO

INTERVENÇÃO NA REUNIÃO DO CC DO POSDR(b)

RESOLUÇÃO DO CC DO POSDR(b) SOBRE A QUESTÃO DA OPOSIÇÃO DENTRO DO CC

ULTIMATO DA MAIORIA DO CC DO POSDR(b) À MINORIA

À POPULAÇÃO

RESPOSTA ÀS PERGUNTAS DOS CAMPONESES

DO COMITÉ CENTRAL DO PARTIDO OPERÁRIO SOCIAL-DEMOCRATA DA RÚSSIA (BOLCHEVIQUE). A todos os membros do partido e a todas as classes trabalhadoras da Rússia

CONGRESSO EXTRAORDINÁRIO DOS SOVIETES DE DEPUTADOS CAMPONESES DE TODA A RÚSSIA

A ALIANÇA DOS OPERÁRIOS COM OS CAMPONESES TRABALHADORES E EXPLORADOS. Carta à redacção do «Pravda»

REUNIÃO DO CEC DE TODA A RÚSSIA

RELATÓRIO SOBRE A SITUAÇÃO ECONÓMICA DOS OPERÁRIOS DE PETROGRADO E AS TAREFAS DA CLASSE OPERÁRIA NA REUNIÃO DA SECÇÃO OPERÁRIA DO SOVIETE DE DEPUTADOS OPERÁRIOS E SOLDADOS DE PETROGRADO. Relato jornalístico

TESES SOBRE A ASSEMBLEIA CONSTITUINTE

PELO PÃO E PELA PAZ

DISCURSO SOBRE A NACIONALIZAÇÃO DOS BANCOS NA REUNIÃO DO CEC DE TODA A RÚSSIA

PROJECTO DE DECRETO SOBRE A APLICAÇÃO DA NACIONALIZAÇÃO DOS BANCOS E SOBRE AS MEDIDAS NECESSÁRIAS EM LIGAÇÃO COM ISTO

COMO ORGANIZAR A EMULAÇÃO?

DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO POVO TRABALHADOR E EXPLORADO

PROJECTO DE DECRETO SOBRE A DISSOLUÇÃO DA ASSEMBLEIA CONSTITUINTE

PARA A HISTÓRIA DA QUESTÃO DA PAZ INFELIZ

POSFÁCIO ÀS TESES SOBRE A QUESTÃO DA CONCLUSÃO IMEDIATA DE UMA PAZ SEPARADA E ANEXIONISTA

DISCURSOS SOBRE A GUERRA E A PAZ NA REUNIÃO DO CC DO POSDR(b) 11 (24) de Janeiro de 1918. Acta

TERCEIRO CONGRESSO DOS SOVIETES DE DEPUTADOS OPERÁRIOS, SOLDADOS E CAMPONESES DE TODA A RÚSSIA

PROJECTO DE RADIOGRAMA AO GOVERNO DO IMPÉRIO ALEMÃO

A PÁTRIA SOCIALISTA ESTÁ EM PERIGO!

POSIÇÃO DO CC DO POSDR (BOLCHEVIQUE) NA QUESTÃO DÃ PAZ SEPARADA E ANEXIONISTA

UMA LIÇÃO DURA, MAS NECESSÁRIA

PROJECTO DE DECRETO DO CCP SOBRE A EVACUAÇÃO DO GOVERNO

ESTRANHO E MONSTRUOSO

SÉTIMO CONGRESSO EXTRAORDINÁRIO DO PCR(b)

A TAREFA PRINCIPAL DOS NOSSOS DIAS

IV CONGRESSO EXTRAORDINÁRIO DOS SOVIETES DE TODA A RÚSSIA

AS TAREFAS IMEDIATAS DO PODER SOVIÉTICO

ESBOÇO DO PLANO DE TRABALHOS C1ENTÍFICO-TÉCNICOS

SEIS TESES ACERCA DAS TAREFAS IMEDIATAS DO PODER SOVIÉTICO

ACERCA DO INFANTILISMO «DE ESQUERDA» E DO ESPÍRITO PEQUENO­BURGUÊS

TESES SOBRE A SITUAÇÃO POLÍTICA ACTUAL

SOBRE A FOME (Carta aos operários de Petrogrado)

DISCURSO NO I CONGRESSO DE TODA A RÚSSIA DOS CONSELHOS DA ECONOMIA NACIONAL

OBSERVAÇÕES ACERCA DO PROJECTO DO «REGULAMENTO SOBRE A GESTÃO DAS EMPRESAS NACIONALIZADAS

V CONGRESSO DE TODA A RÚSSIA DOS SOVIETES DE DEPUTADOS OPERÁRIOS, CAMPONESES, SOLDADOS E COMBATENTES DO EXÉRCITO VERMELHO

DISCURSO NUM COMÍCIO NO BAIRRO DA PRÉSNIA

DISCURSO NA REUNIÃO CONJUNTA DO CEÇ DE TODA A RÚSSIA, DO SOVIETE DE MOSCOVO, DOS COMITÉS DE FÁBRICA E DOS SINDICATOS DE MOSCOVO

CAMARADAS OPERÁRIOS! MARCHEMOS PARA O ÚLTIMO E DECISIVO COMBATE!

CARTA AOS OPERÁRIOS AMERICANOS

REUNIÃO CONJUNTA DO CEC DE TODA A RÚSSIA, DO SOVIETE DE MOS­COVO, DOS COMITÉS DE FÁBRICAS E DOS SINDICATOS

AS PRECIOSAS CONFISSÕES DE PITIRIM SORÓKINE

Tomo 3

PREFÁCIO

A REVOLUÇÃO PROLETÁRIA E O RENEGADO KAUTSKY

I CONGRESSO DA INTERNACIONAL COMUNISTA: Teses e Relatório Sobre a Democracia Burguesa e a Ditadura do Proletariado

VIII CONGRESSO DO PCR(b)

TESES DO CC DO PCR(b) RELATIVAS À SITUAÇÃO NA FRENTE LESTE

SAUDAÇÃO AOS OPERÁRIOS HÚNGAROS

UMA GRANDE INICIATIVA. (Sobre o heroísmo dos operários na retaguarda. A propósito dos «Sábados Comunistas»)

TODOS À LUTA CONTRA DENÍKINE! (Carta do CC do PCR (bolchevique) às organizações do partido)

SOBRE O ESTADO. Conferência na Universidade Sverdlov

CARTA AOS OPERÁRIOS E CAMPONESES A PROPÓSITO DA VITÓRIA SOBRE KOLTCHAK

O EXEMPLO DOS OPERÁRIOS DE PETROGRADO

OS RESULTADOS DA SEMANA DO PARTIDO EM MOSCOVO E AS NOSSAS TAREEAS

A ECONOMIA E A POLÍTICA NA ÉPOCA DA DITADURA DO PROLETARIADO

RELATÓRIO AO II CONGRESSO DE TODA A RÚSSIA DAS ORGANIZAÇÕES COMUNISTAS DOS POVOS DO ORIENTE

VIII CONFERÊNCIA DE TODA A RÚSSIA DO PCR(b)

DISCURSO NO I CONGRESSO DAS COMUNAS AGRÍCOLAS E ARTÉIS AGRÍCOLAS

AS ELEIÇÕES PARA A ASSEMBLEIA CONSTITUINTE E A DITADURA DO PROLETARIADO

CARTA AOS OPERÁRIOS E CAMPONESES DA UCRÂNIA A PROPÓSITO DAS VITÓRIAS SOBRE DENÍKINE

RESPOSTAS ÀS PERGUNTAS DE KARL WIGAND, CORRESPONDENTE EM BERLIM DA AGÊNCIA DE INFORMAÇÃO AMERICANA «UNIVERSAL SERVICE»

CONVERSA   COM   O   CORRESPONDENTE   DO   JOR.NAL   AMERICANO THE WORLD, LINCOLN EIRE

IX CONGRESSO DO PCR(b)

DA DESTRUIÇÃO DE UM REGIME SECULAR À CRIAÇÃO DE UM NOVO REGIME

A DOENÇA INFANTIL DO «ESQUERDISMO» NO COMUNISMO

DISCURSO AOS SOLDADOS VERMELHOS QUE PARTEM PARA A FRENTE POLACA. Relato jornalístico

TESES PARA O II CONGRESSO DA INTERNACIONAL COMUNISTA

II CONGRESSO DA INTERNACIONAL COMUNISTA

AS TAREFAS DAS UNIÕES DA JUVENTUDE (Discurso no III Congresso de Toda a Rússia da União Comunista da Juventude da Rússia)

SOBRE A CULTURA PROLETÁRIA

DISCURSO NA CONFERÊNCIA DE TODA A RÚSSIA DOS COMITÉS DE INSTRUÇÃO POLÍTICA DAS SECÇÕES DE GUBÉRNIA E UEZD DA INSTRUÇÃO PUBLICA

PROJECTO DE RESOLUÇÃO «AS TAREFAS DOS SINDICATOS E OS MÉTODOS DA SUA REALIZAÇÃO»

VIII CONGRFSSO DOS SOVIETES DE TODA A RÚSSIA

MAIS UMA VEZ SOBRE OS SINDICATOS, O MOMENTO ACTUAL E OS ERROS DOS CAMARADAS TRÓTSKI E BUKHÁRINE

SOBRE O PLANO ECONÓMICO ÚNICO

X CONGRESSO DO PCR(b)

SOBRE O IMPOSTO EM ESPÉCIE (O significado da nova política e as suas condições)

DISCURSOS GRAVADOS EM DISCO

X CONFERÊNCIA DE TODA A RÚSSIA DO PCR(b)

III CONGRESSO DA INTERNACIONAL COMUNISTA

PARA O QUARTO ANIVERSÁRIO DA REVOLUÇÃO DE OUTUBRO

SOBRE A IMPORTÂNCIA DO OURO AGORA E DEPOIS DA VITÓRIA COMPLETA DO SOCIALISMO

DIRECTIVAS PARA A DELEGAÇÃO SOVIÉTICA À CONFERÊNCIA DE GÉNOVA

SOBRE O SIGNIFICADO DO MATERIALISMO MILITANTE

PARA O DÉCIMO ANIVERSÁRIO DO PRAVDA

ACERCA DA FORMAÇÃO DA URSS. Carta a L. B. Kámenev para os membros do Bureau Político do CC do PCR (b)

SOBRE O MONOPÓLIO DO COMÉRCIO EXTERNO

IV CONGRESSO DA INTERNACIONAL COMUNISTA

DISCURSO NO PLENÁRIO DO SOVIETE DE MOSCOVO

ÚLTIMAS CARTAS E ARTIGOS DE V. I. LÉNINE

I. CARTA AO CONGRESSO

II.

III.

IV. SOBRE A ATRIBUIÇÃO DE FUNÇÕES LEGISLATIVAS A GOSPLAN

V.

VI.

VII. (PARA A SECÇÃO SOBRE O AUMENTO DO NÚMERO DE MEMBROS DO CC)

SOBRE A QUESTÃO DAS NACIONALIDADES OU DA AUTONOMIZAÇÃO»

PÁGINAS DO DIÁRIO

SOBRE A COOPERAÇÃO

SOBRE A NOSSA REVOLUÇÃO (A propósito das notas de N. Sukhánov)

COMO DEVEMOS REORGANIZAR A INSPECÇÃO OPERÁRIA E CAMPONESA (Proposta ao XII congresso do partido)

É MELHOR MENOS, MAS MELHOR

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Imprensa Proletária

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65 ANOS SEM MÁRIO DE ANDRADE

Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.
Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.
No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.
Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.
O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade…
Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade…
As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.

mario de andrade Mário de Andrade nasceu em São Paulo e construiu praticamente toda a sua vida na metrópole.
O escritor Mario Raul de Morais Andrade foi considerado unanimidade nacional e reconhecido por críticos como o mais importante intelectual brasileiro do século XX.
Mario de Andrade liderou o movimento modernista no Brasil e produziu um grande impacto na renovação literária e artística do país, participando ativamente da Semana de Arte Moderna de 1922.
25 de fevereiro de 2010 marca os 65 anos sem Mario de Andrade. Veja no iG uma bela homenagem e vídeo sobre o poeta mais paulistano do Brasil e o mais brasileiro entre os paulistas.
LINK: http://tvig.ig.com.br/222563/65-anos-sem-mario-de-andrade.htm
(Portal iG)

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literatura

MORRER PARA VIVER
A Luta de Tito de Alencar Lima contra a Ditadura Brasileira

p 6 - Capa livro Frei Tito De Ben Strik, com prefácio de Frei Betto, 719 páginas e mais de 200 ilustrações.
“Morrer para Viver” descreve a biografia de Frei Tito de Alencar Lima desde seu nascimento em 1945 até sua morte na França em 1974. Sua maneira de pensar, seus ideais. Sua luta contra a ditadura e seu exílio. Seu sofrimento depois das torturas físicas e mentais e sua morte. Para compreender seus motivos o livro esboça a negativa histórica do Brasil desde 1500 até hoje como a causa de seu idealismo fabuloso.

Sobre o autor
Ben Strik é holandês. Nasceu em 1923 e lutou contra os nazistas alemães na Segunda Guerra Mundial. Tornou-se sacerdote salesiano de Dom Bosco e trabalhou 22 anos no Brasil. A descoberta de semelhanças marcantes entre a vida dele e a de Frei Tito de Alencar Lima, deu a Ben Strik a idéia de fazer ouvir as razões que o levaram a dar sua vida por seus compatriotas oprimidos e abandonados.
Ao mesmo tempo, Ben Strik apresenta Frei Tito como um exemplo para todos os jovens do mundo, que, igualmente como ele, querem lutar por uma sociedade mais justa.

Encomenda e Informações
Editora “Brasilboeve”, Holanda
Paperback 2009-09-11
Parte da renda será para abrir um museu em honra de Frei Tito em Fortaleza.


O VELUDO, O VIDRO E O PLÁSTICO
Desigualdade e Diversidade na Metrópole

De Luís Antonio dos Santos Baptista, pela EdUFF, 2009, com 124 páginas.

p 6 - Capa O Veludo A partir da Lei 180, a Itália experimenta, desde maio de 1978, uma mudança na estrutura manicomial com a extinção das longas internações em todo o seu território. Essa transformação, proposta pelo médico psiquiatra Franco Basaglia, estimulou o professor Luis Antonio dos Santos Baptista a escrever o livro O Veludo, o Vidro e o Plástico – Desigualdade e Diversidade na Metrópole, lançado na XIV Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, em setembro, pela Editora da UFF. O trabalho é o resultado do projeto de pós-doutoramento de Baptista, que desenvolveu o seu ensaio baseado em alegorias – o veludo, o vidro e o plástico – para marcar a vida de três personagens saídos do cotidiano do autor, quando este viajou à Itália, onde pôde observar de perto esse processo, na década de 1990. Na realidade, de acordo com o próprio Luis Antonio, seu objetivo é convidar o leitor, seja ele um especialista ou não, à reflexão sobre as produções e intervenções sobre as diferenças, as políticas da tolerância e da intolerância nas cidades do capitalismo contemporâneo.

Por esse motivo, o trabalho de pesquisa, misto de texto científico e literário, está relacionado não só à questão da saúde mental, como também a outros desafios da cidade. Neste contexto, o autor apresenta a vida de um travesti nordestino, que conheceu em Roma, onde trabalhava e se vestia com uma saia de veludo. O isolamento vivido por um faxineiro peruano, que somente se relacionava com pessoas de sua nacionalidade, é traduzido no saco plástico que o “personagem” utiliza no seu dia a dia e que consiste na segunda alegoria apresentada no ensaio. Já o vidro do título se relaciona com os delírios de uma paciente psiquiátrica que pega o ônibus com uma garrafa de cerveja na mão e, com o sacolejar do coletivo, acaba quebrando-a.

Sobre o autor
Professor titular do Departamento de Psicologia da UFF, graduado em Psicologia pela Universidade Gama Filho, com mestrado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Doutorado pela Universidade de São Paulo, Luís Antonio dos Santos Baptista sempre se interessou pela pesquisa, sobretudo, pelas questões relacionadas às políticas da subjetividade na experiência urbana. Autor, entre outras publicações, dos livros A Cidade dos Sábios (menção honrosa pela União Brasileira de Escritores), ed. Summus, 1999, e A Fábrica de Interiores: a formação psi em questão, ed. EDUFF, 2000.


Damião Ximenes
Primeira condenação na Corte Interamericana de Direitos Humanos

De Nadine Borges, Editora Revam com 240 páginas.

damiao_pag06 O livro apresenta ao leitor o relato dramático do caso Damião Ximenes, um paciente portador de transtorno mental que foi imobilizado, espancado e morto em uma clínica psiquiátrica situada em Sobral/CE, em 04 de outubro de 1999.

A partir desse caso, a autora descreve a denúncia pública apresentada por Irene Ximenes Lopes Miranda, irmã de Damião, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos – CIDH da Organização dos Estados Americanos – OEA e demonstra toda a trajetória do caso até a condenação do Brasil pela Corte Interamericana de Direitos Humanos em 2006. O registro do patológico, a violência e o impacto da dor também são analisados visando a uma reflexão sobre o acesso à justiça e as possibilidades de denunciar as violações de direitos humanos internacionalmente.
Nadine Borges investiga, com um aporte adequado de conceitos sociológicos e jurídicos, os dispositivos sociopolíticos que transformaram o que seria mais uma tragédia pessoal em um caso exemplar, público, de condenação do país em um tribunal internacional de direitos humanos.

Sobre a autora
Nadine Borges é advogada, mestre e doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito da Universidade Federal Fluminense – PPGSD / UFF. Realizou curso de extensão sobre o Sistema Interamericano e Universal de Proteção dos Direitos Humanos, organizado pela American University Washington College of Law (WCL-AU), Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (CIDH/OEA) e Internacional Service Human Rights (ISHR) em Washington/DC. Foi advogada da Justiça Global, organização não-governamental, sediada no Rio de Janeiro. Atualmente dedica-se à pesquisa sobre o acesso ao sistema interamericano de direitos humanos e supervisiona uma das clínicas do Núcleo de Prática Jurídica da FGV Direito Rio.


Soledad no Recife

soledad De Urariano Mota, da Editora Boitempo, 120 páginas.
O livro Soledad no Recife, do escritor e jornalista pernambucano Urariano Mota, percorre as veredas dos testemunhos e das confissões ao reviver a passagem da militante paraguaia Soledad Barrett pelo Recife, em 1973, e a traição que culminou em sua tortura e assassinato pela ditadura militar.
Delatada pelo próprio companheiro Daniel, conhecido depois como Cabo Anselmo, Soledad morre com um grupo de militantes socialistas, na capital pernambucana, pelas mãos da equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury. O episódio ficou conhecido como “O massacre da chácara São Bento” e revelou-se um extermínio, uma execução coletiva, diferente de um confronto armado.

A trama real inspira o romance em que Urariano Mota – com a propriedade de quem viveu e sobreviveu aos anos pós 1964 – aponta para os vestígios da traição arquitetada contra Soledad e contra o País naqueles tempos, com o olhar reflexivo de quem se volta ao passado. A vida e morte de Soledad é um forte contraponto à “história oficial” propagada pela mídia na época, e um testemunho da violência do Estado.
Nas palavras de Flávio Aguiar, que assina a apresentação da obra, Soledad no Recife é a recuperação de uma história, “como preito àquelas vidas que se doaram e foram ceifadas pela traição inesgotável que foram o golpe e a ditadura de 1964 ao seu próprio país – traição espelhada na de Anselmo ao amor que, sabe-se lá por quê, despertou em Soledad”..


Olho por Olho

De Lucas Figueredo, Editora Record

olhoporolho_pag06 De volta aos quartéis, em 1985, os militares golpistas de 1964, com o apoio das gerações seguintes da caserna, decidiram silenciar sobre os crimes perpetrados durante a ditadura militar. Tratava-se de um plano de esquecimento calcado na Lei da Anistia, de 1979, mas surpreendentemente desconstruído logo nos primeiros meses da redemocratização. Sem estardalhaço, no dia 15 de julho de 1985, o livro “Brasil: Nunca Mais” apareceu nas principais livrarias do país e provocou um terremoto nas pretensões de amnésia coletiva alimentadas pela turma fardada que havia mandado e desmandado, por 21 anos, na República. O BNM era uma obra de 312 páginas, resultado de seis anos de trabalho clandestino de voluntário sob o manto protetor do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, ex-arcebispo de São Paulo, e do falecido reverendo Jaime Wright, pastor presbiteriano defensor da causa dos direitos humanos no Brasil. O livro era um resumo sucinto, mas devastador, da rotina de torturas, assassinatos e desaparecimentos forçados de presos políticos durante a ditadura.
Mestre em fazer autopsias em defuntos quentes da crônica política nacional, o jornalista Lucas Figueiredo faz do processo de construção do “Brasil: Nunca Mais” o ponto de partida para, então, desnudar outro livro, fruto de uma reação das sombras, o Projeto Orvil, idealizado nos quartéis para ser o contraponto dos saudosistas da ditadura aos fatos e nomes relacionados pelo BNM. Esse duelo entre opostos que se atraem, como observa Figueiredo, paira sobre a narrativa do livro “Olho por olho”, editado pela Record. A sequência de informações baseia-se numa impressionante incursão pela doutrina militar brasileira forjada pelo anticomunismo e pelas paranóias ideológicas estimuladas e difundida pelas forças armadas durante a Guerra Fria.
O “Orvil” (isso mesmo, livro ao contrário), longe (na verdade, incapaz) de ser uma obra literária, é uma compilação das muitas apostilas sobre guerra revolucionária, até pouco tempo em voga nas escolas e academias militares do país.
Lucas Figueiredo é especialista em investigação jornalística e autor de livros-reportagens fundamentais para se entender a história política nacional, em tempos distintos. Foi durante a apuração de um deles, “Ministério do Silêncio” (Record, 2005), sobre a formação dos serviços secretos brasileiros, que Figueiredo se bateu com a informação sobre a existência do “Orvil”, projeto ordenado pelo ex-ministro do Exército Leônidas Pires, durante o governo José Sarney, para reduzir o dano provocado pelas revelações do “Brasil: Nunca Mais”.
Ao conseguir botar as mãos, em 2007, em um dos 15 exemplares do “Orvil” ainda existentes, Lucas tornou pública a primariedade das orientações políticas que transformaram o Exército brasileiro, por duas décadas, numa máquina de perseguir opositores e, eventualmente, triturar seres humanos. Ao longo de quase mil páginas – mal escritas, militarmente hierarquizadas –, os autores se deram ao trabalho de rebater as acusações com trechos da doutrina de segurança nacional e versões fajutas sobre mortes de prisioneiros em combates inexistentes. Dá mil voltas, sem nunca sequer chegar perto do único assunto sobre o qual valeria a pena ler um livro dessa natureza: a verdade sobre a tortura e os torturadores.
José Sarney vetou a publicação do livro, em 1988, depois de avisar ao general Leônidas Pires que não iria iniciar uma crise à toa. O militar acatou a idéia e a tomou como ordem. O destino do “Orvil” foi o de virar uma espécie de bíblia secreta dos adoradores dos porões. Parte do texto, 40 páginas, começou a vazar, em 2000, justamente, por sites de conteúdo de extrema-direita mantidos e apoiado por ex-militares oriundos dos órgãos de repressão da ditadura. Foi a partir de muitas informações retiradas do “Orvil” que o mais conhecido torturador do regime, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI de São Paulo, produziu duas pérolas do anti-revanchismo deflagrado pelas Forças Armadas, nos últimos vinte anos: “Rompendo o silêncio”, de 1987; e “A verdade desnudada”, de 2006.
Lucas Figueiredo colocou as mãos em um exemplar encapado do “Orvil” e o dissecou com afinco. Teve o cuidado de cruzar informações em bases de dados distintas. É a visão do repórter que norteia o encadeamento dos capítulos de “Olho por olho”, o título a sugerir a óbvia vingança. A estrutura de jornalismo literário torna simples e didática, quando não divertida, a compreensão dessa passagem assustadoramente recente da história nacional. Mostra, por exemplo, que no afã de recontar a história da ditadura, os militares do Projeto Orvil acabaram por revelar o destino de presos políticos desaparecidos.
A principal revelação de Figueiredo, no entanto, não é exatamente o conteúdo do “Orvil”, embora isso já valha a leitura, mas a bizarra salada ideológica do livro secreto da ditadura, para não falar da infinita capacidade de seus guardiões de reinventarem a verdade.

Do jornal “O Berro”


Pistas do Método de Cartografia

cartografia_site-200 Autores: André do Eirado, Eduardo Passos, Johnny Alvarez, Laura Pozzana de Barros, Liliana da Escóssia, Regina Benevides de Barros, Silvia Tedesco, Virgínia Kastrup. Capa de Alexandre de Freitas (sobre litografia de Angelo Marzano). Organizadores: Eduardo Passos, Virgínia Kastrup, Liliana da Escóssia. Editora Sulina/Sul Editores. 207 páginas.

Pesquisadores que investigam processos nas áreas de saúde, educação, cognição, clínica, grupos e instituições, dentre outros, enfrentam muitas vezes, na escrita de seus projetos, dificuldades em dar conta do item consagrado ao método. Como nomear as estratégias empregadas, quando elas não se enquadram bem no modelo da ciência moderna, que recomenda métodos de representação de objetos pré-existentes? O livro apresenta oito pistas do método da cartografia, que se apresenta como uma aposta fecunda frente ao desafio de acompanhar processos, lançando mão de um método igualmente processual. Em lugar de regras e protocolos, as pistas destacam a importância da prática de ir a campo, lançar-se na água, experimentar dispositivos, habitar um território, afinar a atenção, deslocar pontos de vista e praticar a escrita, sempre levando em conta a produção coletiva do conhecimento.

 

 

Postado: JORNAL DO GRUPO TORTURA NUNCA MAIS / RJ

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Livro de Daniel Bensaid inédito no Brasil disponibilizado para download

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Como parte das homenagens ao companheiro e marxista revolucionário Daniel Bensaid, disponibilizamos em versão completa para download o livro Trotskismos.

 

No ano em que se comemoram os 70 anos da fundação da Quarta Internacional e os 35 da formação da LCI (Liga Comunista Internacionalista), a publicação em português do livro de Daniel Bensaïd sobre os trotskismos não poderia ser mais oportuna. Como o próprio autor afirma na nota introdutória: “Apesar de algum recuo relativo e do esforço de compreensão distanciada que procurei ter, não pretendo ter escapado à subjectividade inerente às experiências e comprometimentos pessoais”. Para Daniel Bensaïd, não se trata pois de elaborar uma história das correntes trotskistas, mas sim “de dar sentido às controvérsias políticas e teóricas que marcaram esta história agitada”.

Clique aqui para obter o arquivo

Para ter acesso ao livro, é só clicar em http://www.enlace.org.br/documentos-enlace/trotskismosdb.pdf/view

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