Arquivo de Literatura

A fuga, livro de André Borges, será lançado dia 19/01.

 

A fuga

Em seu novo livro, A fuga - presos políticos fogem para participarem da luta armada contra a ditadura, André Borges narra a sua longa trajetória nos cárceres do regime ditatorial e seu luta pela liberdade democrática em uma narrativa envolvente e realista dos acontecimentos da época.

André Borges é militante do Círculo Palmarino, fundador do IPDH - Instituto Palmares de Direitos Humanos e do MNDH.

 

A Editora Urbana e o Instituto Palmares de Direitos Humanos tem a honra que convidar a todos têm a honra de convidar para o seu novo livro A fuga. Na ocasião, haverá um coquetel.

Local: Instituto Palmares de Direitos Humanos

Av. Mem de Sá, 39 - Lapa - RJ

Data: 19 de janeiro 2010

19 horas.

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Frei Tito: "Morrer para Viver"

Este é o título do livro de Bernard (Ben) Strik sobre a Luta do Frei TITO DE ALENCAR contra a ditadura militar. O Prefácio é do Frei Betto, companheiro do Frei Tito na mesma luta.
Ben Strik foi missionário no Brasil durante 20 anos, realizando trabalhos de apoio ao movimento popular no nordeste, no sudeste e na Amazônia. De retorno à sua pátria (Holanda), criou o "Brasil op Weg" (Brasil caminhando), uma ONG formada para levar o conhecimento do que se passava no Brasil, naqueles anos de chumbo, às comunidades católicas e protestantes holandesas. Traduzia canções brasileiras - cerca de 150 - para sua língua pátria e as cantava nas comunidades. Com isso, tornou conhecido o Brasil, a ditadura e seus crimes e conseguia ajuda financeira para dezenas de trabalhos de base por ele apoiado.
Sabendo da morte do Frei Tito, e conhecendo sua vida através da família Alencar e de muitas e incansáveis pesquisas, dedicou-se a escrever o livro, tendo como pano de fundo a história da colonização do Brasil, as lutas do povo e os crimes da ditadura. Foram vários anos de trabalho árduo.
O livro está à venda no Brasil em várias cidades. Em São Paulo, está sob os cuidados da Pastoral Operária da arquidiocese (11) 3106-5531 (com Lucas o Cidinha), assim como deste que vos escreve. Seu preço? R$ 40,00. Pagas as despesas com a edição do livro, o demais Ben Strik está destinando à compra da casa onde Frei Tito nasceu, que será o museu sobre sua vida, luta e morte.
Se alguém quiser adquirir o livro entre em contato. (Waldemar Rossi - walderossi@gmail.com)

 

 

MORRER PARA VIVER
A Luta de Tito de Alencar Lima contra a Ditadura Brasileira

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De Ben Strik, com prefácio de Frei Betto, 719 páginas e mais de 200 ilustrações.
“Morrer para Viver” descreve a biografia de Frei Tito de Alencar Lima desde seu nascimento em 1945 até sua morte na França em 1974. Sua maneira de pensar, seus ideais. Sua luta contra a ditadura e seu exílio. Seu sofrimento depois das torturas físicas e mentais e sua morte. Para compreender seus motivos o livro esboça a negativa histórica do Brasil desde 1500 até hoje como a causa de seu idealismo fabuloso.

Sobre o autor
Ben Strik é holandês. Nasceu em 1923 e lutou contra os nazistas alemães na Segunda Guerra Mundial. Tornou-se sacerdote salesiano de Dom Bosco e trabalhou 22 anos no Brasil. A descoberta de semelhanças marcantes entre a vida dele e a de Frei Tito de Alencar Lima, deu a Ben Strik a idéia de fazer ouvir as razões que o levaram a dar sua vida por seus compatriotas oprimidos e abandonados.
Ao mesmo tempo, Ben Strik apresenta Frei Tito como um exemplo para todos os jovens do mundo, que, igualmente como ele, querem lutar por uma sociedade mais justa.

Encomenda e Informações
Editora “Brasilboeve”, Holanda
Paperback 2009-09-11
Parte da renda será para abrir um museu em honra de Frei Tito em Fortaleza

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Literatura para conhecer e formar o Brasil

 

Simpósio em Brasília celebrou os 50 anos do livro “Formação da literatura brasileira”, de Antonio Candido
“A literatura possui centralidade na formação da intelectualidade do Brasil”. Nesta afirmação, “do Brasil” quer dizer muita coisa. Pois Paulo Arantes, filósofo e professor, quer justamente colocar em perspectiva a ideia de formação do Brasil como nação. Quer também sublinhar que, em um país periférico como o nosso, esse tema continua sendo da maior importância. O que dimensiona a relevância do livro “Formação da literatura brasileira – momentos decisivos”, de Antonio Candido.
A fala de Paulo Arantes fechou o simpósio que teve o aniversário de 50 anos da obra como tema. Realizado entre os dias 25 e 27 de novembro, na Universidade de Brasília (UnB), o evento reuniu pesquisadores de vários estados, além de alunos desde a graduação até o doutorado.
Qual a relevância de um livro que, 50 anos depois, ainda gera tantas perguntas e temas para debate? O que parece estar por trás dessa pergunta é a novidade do método empregado por seu autor, um crítico literário sociólogo, que se empenhou em estudar e aprofundar as origens e sentidos da nossa expressão escrita como povo.
“Candido é talvez, junto com Caio Prado Jr., o pioneiro em um método de interpretação dialética da experiência brasileira. O Caio Prado faz isso interpretando de forma materialista os ciclos econômicos e o Antonio Candido interpreta o compasso entre o desejo de formar uma literatura ao mesmo tempo em que a elite se empenhava em formar uma nação”, aponta Rafael Villas Bôas, pesquisador e professor da UnB.
A essa forma de leitura da realidade que situa Candido e Caio Prado foi dado o nome de “tradição crítica brasileira”, que reúne conceitos clássicos do marxismo formulados por intelectuais como Theodor Adorno, da Escola de Frankfurt, com questões tipicamente nacionais.
Raízes
Junto à tradição crítica está o esforço de se conhecer e interpretar o Brasil. Uma introdução de Antonio Candido ao livro “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda, ficou famosa. Ali ele coloca a ideia de que a obra apresentada, junto com “Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre, e “Formação do Brasil Contemporâneo”, de Caio Prado Jr., compunham os principais personagens da formação da nacionalidade brasileira, de acordo com o olhar da geração de 1930, cada um com sua orientação própria, como explicou Antonio Candido em seu texto introdutório. Ou seja, os pilares do pensamento sobre o Brasil. Há pesquisadores que colocam a “Formação da Literatura Brasileira” no mesmo movimento, mas Antonio Candido refuta essa ideia.
“Não apenas a sua escala é incomparavelmente mais modesta, mas as interpretações pressupõem a abordagem da realidade social diretamente registrada na documentação, sendo por isso efetuada por historiadores, sociólogos, economistas. Ora, a literatura é uma transfiguração da realidade, de maneira que não pode servir de base para as interpretações”, afirmou em entrevista recente ao jornal Zero Hora.
Mas o método de análise de Antonio Candido a essa “transfiguração da realidade” é integrativo: não desvincula a obra de sua função, o que revoluciona os estudos de literatura que se faziam no Brasil, propondo ao mesmo tempo uma preocupação estética e sociológica. Em seus inúmeros estudos, Antonio Candido não separa a literatura e a sociedade (nome de um de seus livros). Mas nem por isso deixa de se dedicar com afinco a sua função estética. Pois é a partir da estética que uma obra literária pode cumprir seu papel. Ou ainda: o conteúdo só atua por causa da forma.
Assim, a “Formação da literatura brasileira” é dedicada, em grande parte, a fazer uma análise das obras. Mas também é neste livro que aparece o conceito de “sistema literário”. Como explica Paulo César da Costa, militante do MST de Santa Catarina e graduando da primeira turma de Licenciatura em Educação do Campo, “um sistema literário não é formado só por público, obra e autores, mas pela capacidade da literatura se auto-questionar, ou seja, pela crítica literária”. Paulo César explica, assim, porque acha fundamental um colóquio acadêmico discutir Antonio Candido: para resgatar a discussão crítica da literatura.
Modernidade periférica
O objetivo de difundir, aprofundar e debater a tradição crítica agregou pesquisadores orientados pelo professor Hermenegildo Bastos, doutor pela USP e professor da UnB desde 1996. Foi justamente encontrar esse caminho crítico que manteve Deane de Castro e Costa no seu projeto de doutorado, na UnB. “Antes eu tinha uma visão mais instrumentalizada da literatura, de que ela podia ampliar o conhecimento das pessoas, tornando-as críticas. Mas essa visão era muito imediatista e não aprofundava de fato os limites e possibilidades da literatura”, conta.
Ela se juntou ao grupo de pesquisa “Literatura e Modernidade Periférica”, que começou com cerca de 10 pesquisadores e hoje, passados 10 anos, aglutina mais de 50, tanto da graduação quanto da pós, já produziu 10 teses de doutorado, formou mestrandos que hoje são doutores e professores, e conseguiu, se não romper, pelo menos abalar a hegemonia do estruturalismo francês, escola que dominava a universidade brasileira no âmbito do estudo de literatura. “A nossa linha de pesquisa é de orientação marxista, questiona a crítica literária exclusivamente imanente, que se recusa a ver a relação entre literatura e sociedade”, explica Maria Izabel Brunacci, professora aposentada do Cefet-MG e participante do grupo desde seu início, em 1999.
Um dos trabalhos coletivos realizados por eles foi o simpósio. “Uma atividade como esta é capaz de sedimentar questões importantes para a crítica, que não morreram. A crítica atual tem uma tendência a apresentar uma quase morte da linha crítica. Então o simpósio revigora, fortalece, amplia a perspectiva de estudos críticos, na linha de Antonio Candido”, avalia Rogério Max Caneto Silva, mestrando da Universidade Federal de Goiás.
O grupo procura colocar em prática o cerne da teoria e aponta sua atuação para fora dos muros da universidade. Além de organizar e participar de atividades acadêmicas, procura se articular com organizações de esquerda que tenham um trabalho formativo. “O conhecimento que nós produzimos no âmbito do grupo tem que ser colocado à disposição dos movimentos sociais”, resume Maria Izabel.
Parceria com o MST
Começou a se tecer então um processo de atuação conjunta com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Foram vários cursos de formação de militantes realizados em parceria até culminar no curso de graduação de Licenciatura em Educação do Campo, da UnB e do Instituto Técnico de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária (Iterra). Dividido em duas áreas – ciências da natureza/matemática e linguagens – é no segundo campo que os laços entre o grupo de pesquisa e o movimento se estreitam. A ponto de três alunos da primeira turma (atualmente já está formada a terceira) apresentarem uma síntese das discussões feitas em sala numa mesa durante o simpósio, na mesa “Representação literária e representação política”.
Ana Laura Corrêa, pesquisadora do grupo e professora da turma, avalia que a participação foi fundamental. “Esse encontro entre a academia e a educação do campo resgata o processo da tradição crítica e areja essa produção. Vivifica as estruturas da universidade. Na educação do campo a gente percebe uma nova forma de produção do conhecimento”, aponta.
Rafael Villas Bôas, também professor do curso, acrescenta: “A gente não dá aula sozinho, é sempre em duplas ou em trios. Isso enriquece muito o contato com a turma, que vê que tem trabalho coletivo dos dois lados. Tem uma troca”.
Maria Izabel Brunacci, professora do curso de Licenciatura em Artes, dá um exemplo dessa troca. “O livro que lancei sobre Graciliano Ramos [“Graciliano Ramos – um escritor personagem”] é dedicado à minha neta, ao MST e ao meu grupo de pesquisa. Por quê? Porque a interlocução com o MST nos cursos de literatura foi fundamental para eu entender Graciliano Ramos, para eu entender melhor o Brasil representado na obra do autor”, diz.
Literatura e revolução
“Para nós, repetir as palavras do Antonio Candido ainda é necessário. E assumimos com felicidade o papel de seguir repetindo-as”, atesta Carla Loop, educanda do curso de Licenciatura em Educação do Campo. Podem ser várias as palavras necessárias de repetição de Antonio Candido. Mas parece ecoar fortemente trechos de sua palestra “O direito à literatura”, de 1988, reunido depois no livro “Vários escritos”.
Ele defende, em conferência na Comissão de Justiça e Paz, na arquidiocese de São Paulo então comandada por dom Paulo Evaristo Arns, que pensar em direitos humanos tem um pressuposto: “reconhecer que aquilo que consideramos indispensável para nós é também indispensável para o próximo”. E a necessidade da ficção, de toque poético, “é uma necessidade universal que precisa ser satisfeita e cuja satisfação é um direito”. Candido defende que toda literatura, inclusive aquela “chamada erudita”, seja acessível a todos, sem estratificação, sem alienação.
Porque a literatura possui uma função humanizadora, que deve ser cumprida: “Entendo aqui por humanização (já que tenho falado tanto nela) o processo que confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais, como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo, o afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos momentos da vida, o senso de beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor. A literatura desenvolve em nós a cota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, para a sociedade, para o semelhante”.
Direito portanto inalienável, a literatura pode ser ainda uma representação poderosa da utopia, “uma promessa contra a reificação”, como diz Rafael. Ou ainda, na brincadeira da turma de Licenciatura: “Ler literatura também é revolucionário”.
Sobre o autor e o livro
Antonio Candido de Mello e Souza começou a fazer crítica literária na revista Clima, nos anos 1940. Mestre em sociologia, tornou-se professor de literatura em 1957, na cidade de Assis, no interior de São Paulo. Deu também aulas na USP, onde se aposentou. É autor de uma extensa obra sobre crítica literária e professor de gerações dos mais importantes críticos literários e culturais do país. Aos 91 anos, Candido afirma “preservar suas convicções socialistas”.
Em 1959, lançou em dois volumes o livro “Formação da Literatura Brasileira – Momentos decisivos”. Em 2006, a 10ª edição do livro foi reeditada pela editora Ouro Sobre Azul, em projeto coordenado por sua filha Ana Luisa Escorel e acompanhado por Candido. A nova edição sai em um volume único, de 800 páginas. (Joana Tavares, de Brasília-DF, para o Jornal Brasil de Fato)

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2009 foi o Ano Nacional de Patativa do Assaré

Se estivesse vivo, Antônio Gonçalves da Silva, que se tornou conhecido no Brasil e no mundo como o Patativa do Assaré, completaria, em 2009, 100 anos. Tendo como base a herança cultural deixada pelo compositor, poeta e improvisador o Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, resolveu homenagear o artista instituindo o ano de 2009 como o Ano Nacional Patativa do Assaré.


O vice-presidente José de Alencar assinou a Lei nº 12.132 de 17 de dezembro de 2009, publicada no Diário Oficial da União do dia 18 de dezembro (Seção 01, pág. 01) estabelecendo o ano de 2009 como o Ano Nacional Patativa do Assaré.
O Ministério da Cultura também prestou homenagem ao artista durante a realização, nos dias 28 e 29 de maio de 2009, no Teatro da Caixa Cultural, em Brasília, do I Encontro Nordestino de Cordel em Brasília. No encerramento do evento, que reuniu cordelistas de todos os estados da região Nordeste, foi prestado um Tributo a Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré.
No ano de 2009 foram realizadas várias cerimônias, principalmente no Ceará, lembrando o centenário do poeta “cabloco”. O principal evento comemorativo foi o lançamento, em Fortaleza, no dia 18 de dezembro de 2008, do projeto Patativa em todos os Pontos-Centenário de Patativa do Assaré. As comemorações, que aconteceram nos dias 18 e 19 no Centro Dragão do Mar, reuniram artistas, músicos, poetas, amigos e parentes do compositor.
Na ocasião, a família do compositor recebeu, do Instituto da Cidade, o Troféu Iracema - Zenon Barreto. Foi criado ainda o Grupo Amigos do Patativa, com o objetivo de arrecadar fundos para a restauração da casa do poeta cearense.
Quem foi Patativa do Assaré
Antônio Gonçalves da Silva nasceu no dia 5 de março de 1909, na Serra de Santana, a 18 quilômetros da cidade de Assaré, no Ceará. Ele dedicou sua vida a produção cultural utilizando uma linguagem simples, porém poética, na construção de músicas, poemas e até de cordel. Patativa do Assaré teve dez livros publicados, o primeiro deles, Inspiração Nordestina (1956) e o último Ao Pé da Mesa (2001).
O compositor, que nasceu de uma família de agricultores pobres e começou a trabalhar na roça com oito anos para ajudar no sustento da família, passou por momentos difíceis, como a perda da visão de um olho, aos quatro anos, e do pai, aos oito anos. Aos doze anos entrou na escola para fazer alfabetização, onde permaneceu por menos de seis meses.
Nesta época vendeu uma ovelha para comprar uma viola e começou a escrever os primeiros versos. Aos 20 anos recebeu o apelido de Patativa do Assaré, pela semelhança de sua música com o canto do pássaro do sertão nordestino. Neste período ele começou a viajar por algumas cidades nordestinas para se apresentar como violeiro e cantou também, por diversas vezes, na rádio Araripe.
Patativa do Assaré obteve popularidade a nível nacional, possuindo 25 premiações, títulos e homenagens, tendo sido nomeado por cinco vezes Doutor Honoris Caus. Em 1995, ele recebeu o Prêmio Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura.
O compositor afirmava, no entanto, nunca ter buscado a fama, nem nunca ter tido a intenção de fazer profissão de seus versos. Seu trabalho se distingue pela marcante característica da oralidade. Seus poemas eram feitos e guardados na memória, para depois serem recitados.
O poeta nordestino teve ainda suas músicas gravadas por artistas como Luiz Gonzaga ( A Triste Partida, em 1964) e Raimundo Fagner (Sina, em 1970 e Vaca Estrela e Boi Fubá, em 1980). O compositor foi também personagem de dois   filmes produzidos sobre ele. O primeiro Patativa do Assaré, de 1979, do cineasta Rosemberg Cariry. E o segundo, Patativa do Assaré - Um Poeta do Povo, realizado em 1984 numa parceria  dos cineastas Rosemberg Cariry e Jefferson Albuquerque Jr.
Para o cineasta, mesmo hoje, após a sua morte, Patativa do Assaré é uma referência literária popular já clássica, sendo a sua poética estudada em centros acadêmicos na Europa e no Brasil. “Patativa do Assaré é um cristão primitivo e radical que bebeu na fonte do melhor humanismo. Se o Brasil não tem ainda o seu poeta nacional, que simbolize e expresse o sentimento de nação, como Garcia Lorca na Espanha, Pablo Neruda no Chile, ou Camões em Portugal, o Nordeste, popular e rebelado, tem o seu: Patativa do Assaré”,declarou Rosemberg Cariry em artigo sobre o artista no portal Crônicas Cariocas.
Patativa do Assaré participou de importantes momentos políticos brasileiros como o Ligas Camponesas, o movimento de resistência à ditadura militar, e as campanhas pela Anistia e pelas Diretas Já. Na aérea cultural, foi homenageado pela Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência (1979) e integrou os principais movimentos culturais do seu tempo como o de Cultura Popular, no Recife, os Festivais de Música Popular Brasileira, o Movimento Nação Cariri e os Encontros das Culturas Populares do nordeste.
Patativa nunca deixou de ser agricultor e de morar na região do Cariri, onde se criou, no interior do Ceará.O compositor e poeta foi casado com Belinha, com quem teve nove filhos e faleceu no dia 8 de julho de 2002 na mesma cidade onde nasceu. (Heli Espíndola- Comunicação/SID)

NOTA DO CONTRAPONTO!: Apenas um porém. Por quê decretaram 2009 o ‘Ano de Patativa do Assaré’ somente em dezembro? Não entendi patavina! Mas o velho poeta de Assaré merece, mesmo que a homenagem tenha sido tão tardia!

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Livro homenageia Noel Rosa

 

Editora Expressão Popular lançará na próxima terça-feira, dia 8, livro do professor Luiz Ricardo Leitão sobre a vida e obra do Poeta da Vila

 

da Redação – Brasil de Fato

Noel Rosa Às vésperas do ano de centenário de vida do músico e poeta Noel Rosa, a Editora Expressão Popular lançará na próxima terça-feira (8) o livro “Noel Rosa: Poeta da Vila, Cronista do Brasil”, de autoria do escritor, tradutor e professor Luiz Ricardo Leitão. O lançamento será realizado no Salão Nobre do Instituto de Letras da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

No livro, o autor busca inserir Noel Rosa na galeria dos poetas e prosadores que, por meio de sua obra, contribuem para o entendimento do processo de formação socioespacial do país.

De acordo com Leitão, a obra é dividida em duas partes: “a primeira recapitula a vida e a obra musical do compositor; e a segunda é uma longa digressão sobre os motes explorados por Noel em suas canções, cujos temas são os mais amplos possíveis, desde os tradicionais motivos da metafísica amorosa até os mais prosaicos dilemas da vida cotidiana e as contradições da imprevisível política da nossa Bruzundanga”.

O lançamento do livro de Luiz Ricardo Leitão abre o ciclo de homenagens que serão prestadas à Noel Rosa em 2010, ano em que completaria 100 anos de vida. Noel Rosa nasceu em 1910 no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, onde viveu e morreu aos 27 anos.

O autor explica que, na obra, “além de tecer algumas observações sobre a biografia do artista, associa a sua criação musical à obra de escritores como Gregório de Matos, Machado de Assis e Lima Barreto, todos eles mestres na sublime arte de interpretar o sentido e a formação do Brasil”.

Serviço:

Lançamento do livro “NOEL ROSA – POETA DA VILA, CRONISTA DO BRASIL”, escrito por Luiz Ricardo Leitão e ilustrado por Gilberto Maringoni.

Dia 8 de dezembro de 2009

Local: Salão Nobre do Instituto de Letras da UERJ

Rua São Francisco Xavier, 524, Bloco F, 11º andar, Maracanã, Rio de Janeiro.

A partir das 18h 30.

Programação

18h30 – Breve sessão de apresentação da obra ao público

Participação Musical: Duo Lacrimae & músicos da Banda CAp-UERJ

19h30 / 21h30 – Coquetel e noite de autógrafos

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Livro resgata registros fotográficos de processos revolucionários

Revoluções Sobrecapa Final.indd No livro "Revoluções" (Editora Boitempo), Michael Löwy reúne os principais registros fotográficos dos processos revolucionários do final do século XIX até a segunda metade do século XX. Para o organizador da obra, “as fotos de revoluções revelam ao olhar atento do observador uma qualidade mágica, ou profética, que as torna sempre atuais, sempre subversivas. Elas nos falam ao mesmo tempo do passado e de um futuro possível”. O livro percorre a diversificada experiência das lutas populares por meio de imagens raras, como as fotografias da Comuna de Paris, e clássicas, como as de Lenin e Trotski na Rússia
Redação - Carta Maior
Em um esforço inédito de compilação, o livro "Revoluções" reúne os principais registros fotográficos dos processos revolucionários do final do século XIX até a segunda metade do século XX. O livro convida o leitor a percorrer a diversificada experiência das lutas populares por meio de imagens raras, como as fotografias da Comuna de Paris, e clássicas, como as de Lenin e Trotski na Rússia. Para Michael Löwy, organizador da obra, “as fotos de revoluções revelam ao olhar atento do observador uma qualidade mágica, ou profética, que as torna sempre atuais, sempre subversivas. Elas nos falam ao mesmo tempo do passado e de um futuro possível”.
Além da documentação iconográfica, os acontecimentos históricos são narrados por intelectuais como Gilbert Achcar, Rebecca Houzel, Enzo Traverso, Bernard Oudin, Pierre Rousset, Jeanette Habel e o próprio Löwy. São ensaios ágeis que, a partir de registros fotográficos, retratam a Comuna de Paris, as revoluções Mexicana (1910–1920), Russas (1905 e 1917), Alemã (1918–1919), Húngara (1919), Chinesas (1911 e 1949), Cubana (1953–1967) e a Guerra Civil Espanhola (1936).
A edição brasileira conta com um capítulo exclusivo, no qual Löwy faz uma reflexão sobre os momentos de resistência que marcaram a história do Brasil. O livro traz também um texto, "A história não terminou", que passa em revista uma série de eventos transformadores dos últimos trinta anos: o Maio de 1968, a Revolução dos Cravos em Portugal (1974) e a Nicaraguense (1978–1979), a queda do Muro de Berlim (1989) e a sublevação zapatista de Chiapas (1994–1995).
A obra resgata, assim, a trajetória daqueles que viveram movimentos contra-hegemônicos e de inspiração igualitária, aliando rostos de anônimos que protagonizaram as lutas de classe a registros de dirigentes eternizados pela história, como Vladimir Lenin, Felix Dzerjinski, Leon Trotski, Béla Kun, Emiliano Zapata, Pancho Villa, Che Guevara e Fidel Castro.
Nas palavras de Luiz Bernardo Pericás, que assina a orelha do livro, “sucesso de público e crítica tão logo foi lançado na França, em 2000, Revoluções teve sua primeira edição esgotada rapidamente. As imagens e os ensaios que compõem este volume tornam-se imprescindíveis para a compreensão de alguns dos episódios mais bonitos e emocionantes da história universal contemporânea”.
Sobre o organizador
Nascido no Brasil, formado em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, o sociólogo Michael Löwy vive em Paris desde 1969. É diretor emérito de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). Homenageado, em 1994, com a medalha de prata do CNRS em Ciências Sociais, é autor de A teoria da revolução no jovem Marx (Vozes, 2002), Walter Benjamin: aviso de incêndio (Boitempo, 2005) e Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade (Boitempo, 2009), dentre outras publicações. (Agência Carta Maior)

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11a Festa do Livro da USP - 2009

Feira do livro

25-26-27|11 das 9h ás 21h

Saguão do Prédio de Geografia e História da USP - FFLCH

  Av. Prof. Lineu Prestes, 338 - Cidade Universitária - São Paulo / SP

http://www.edusp.com.br/eventos.asp

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Infoproletários - Degradação real do trabalho virtual

 

978-85-7559-136-9_big Título: Infoproletários

Subtítulo: degradação real do trabalho virtual

Autor(a): Ricardo Antunes e Ruy Braga (orgs.)

Páginas: 256

Ano de publicação: 2009

ISBN: 978-85-7559-136-9

Preço: R$ 44,00

 

 

 

Infoproletários evidencia a associação oculta entre o uso de novas tecnologias e a imposição de condições de trabalho do século XIX em um dos setores considerados como mais dinâmicos da economia moderna, o informacional. Ao contrário do que é prometido pelos entusiastas deste novo segmento, os trabalhadores vivenciam uma tendência crescente de alienação do trabalho em escala global. A obra reúne uma série de ensaios que esquadrinham diferentes aspectos da rotina e do modo de vida daqueles que, apesar de frequentemente arruinarem suas vozes ao transformá-las em poderosos instrumentos de acumulação de capital, raramente são ouvidos.
A classe trabalhadora é retratada neste livro em duas representações polarizadas. De um lado, aparecem os operadores de telemarketing. Globalizados em sua relação social, totalizados em sua subordinação, monitorados em cada um de seus movimentos, punidos por cada infração às regras, resumem e simbolizam os novos trabalhadores atrelados ao resplandecente, porém inatingível, mundo do consumo. Sua imaginação é totalmente circunscrita e dirigida pelo capitalismo.
Já em outro extremo estão os aristocratas do cibertrabalho, os programadores de software, gabando-se e desfrutando de sua autonomia enquanto se movem em espiral pelo espaço e pelo tempo. Eles não são menos prisioneiros da própria individualidade, intoxicados por seu ilusório empreendedorismo.
Segundo Michel Burawoy, sociólogo que assina a orelha do livro, ”a obra aponta para a profunda transformação sofrida pela classe trabalhadora e o projeto de movimento internacional operário, ante os parâmetros verificados por Karl Marx em seu tempo. Apenas a articulação entre múltiplas identidades – de gênero, de nacionalidade, de raça, assim como de classe – forjadas em terrenos políticos que transcendam a produção imediata lhes permitirá se rebelar contra o mercado e desafi ar o capital global – mas, mesmo assim, apenas em um grau limitado e de uma forma fragmentária. Essa é certamente a mensagem deste livro – que revela a experiência cotidiana vivida por essa nova classe trabalhadora globalizada ligada aos serviços”.
Ensaios e autores
O trabalho do conhecimento na sociedade da informação: a análise dos programadores de software
Juan José Castillo
A construção de um cibertariado? Trabalho virtual num mundo real
Ursula Huws
A vingança de Braverman: o infotaylorismo como contratempo
Ruy Braga
O “trabalho informacional” e a reificação da informação sob os novos paradigmas organizacionais
Simone Wolff
Os trabalhadores das Centrais de Teleatividades no Brasil: da ilusão à exploração
Sirlei Marcia de Oliveira
O desenho do trabalho assalariado em empresas fidelizadoras da indústria de call centers no Brasil
Arnaldo Mazzei Nogueira e Fabrício Cesar Bastos
Centrais de Teleatividades: o surgimento dos colarinhos furta-cores?
Selma Venço
A identidade no trabalho em call centers: a identidade provisória
Cinara Lerrer Rosenfield
As trabalhadoras do telemarketing: uma nova divisão sexual do trabalho?
Claudia Mazzei Nogueira
Trajetórias profissionais e saberes escolares: o caso do telemarketing no Brasil
Isabel Georges
Século XXI: nova era da precarização estrutural do trabalho?
Ricardo Antunes
Apêndice
Capital fixo e o desenvolvimento das forças produtivas na sociedade
Karl Marx
Sobre os organizadores
Ricardo Antunes é professor de sociologia do trabalho na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e organizador de Riqueza e miséria do trabalho no Brasil (São Paulo, Boitempo, 2007). É autor de Adeus ao trabalho? (São Paulo, Cortez, 2003) e Os sentidos do trabalho (São Paulo, Boitempo, 1999), entre outros livros.
Ruy Braga é professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo e diretor do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania da USP (Cenendic). É autor de, entre outros livros, Por uma sociologia pública (com Michael Burawoy) (São Paulo, Alameda, 2009) e A nostalgia do fordismo: modernização e crise na teoria da sociedade salarial (São Paulo, Xamã, 2003).
Sobre a Coleção Mundo do Trabalho
Coordenação de Ricardo Antunes
Estudos sobre o trabalho, a sua centralidade na sociedade capitalista, a análise do sindicalismo, questões de gênero e o impacto das transformações trazidas

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Lançamento do livro Infoproletários degradação real do trabalho virtual"

APROPUC-SP 13.11.09

Infoproletários degradação real do trabalho virtual

Ricardo Antunes e Ruy Braga (orgs.)

Lançamento no dia 13/11, sexta feira, com Ricardo Antunes, Ruy Braga e Francisco de Oliveira

A partir de 17h30, no Prédio de Filosofia e Ciências Sociais da USP (sala 18)

978-85-7559-136-9_big Infoproletários evidencia a associação oculta entre o uso de novas tecnologias e a imposição de condições de trabalho do século XIX em um dos setores considerados como mais dinâmicos da economia moderna, o informacional. Ao contrário do que é prometido pelos entusiastas deste novo segmento, os trabalhadores vivenciam uma tendência crescente de alienação do trabalho em escala global. A obra reúne uma série de ensaios que esquadrinham diferentes aspectos da rotina e do modo de vida daqueles que, apesar de frequentemente arruinarem suas vozes ao transformá-las em poderosos instrumentos de acumulação de capital, raramente são ouvidos.

A classe trabalhadora é retratada neste livro em duas representações polarizadas. De um lado, aparecem os operadores de telemarketing. Globalizados em sua relação social, totalizados em sua subordinação, monitorados em cada um de seus movimentos, punidos por cada infração às regras, resumem e simbolizam os novos trabalhadores atrelados ao resplandecente, porém inatingível, mundo do consumo. Sua imaginação é totalmente circunscrita e dirigida pelo capitalismo.

Já em outro extremo estão os aristocratas do cibertrabalho, os programadores de software, gabando-se e desfrutando de sua autonomia enquanto se movem em espiral pelo espaço e pelo tempo. Eles não são menos prisioneiros da própria individualidade, intoxicados por seu ilusório empreendedorismo.

Segundo Michel Burawoy, sociólogo que assina a orelha do livro, "a obra aponta para a profunda transformação sofrida pela classe trabalhadora e o projeto de movimento internacional operário, ante os parâmetros verificados por Karl Marx em seu tempo. Apenas a articulação entre múltiplas identidades - de gênero, de nacionalidade, de raça, assim como de classe - forjadas em terrenos políticos que transcendam a produção imediata lhes permitirá se rebelar contra o mercado e desafi ar o capital global - mas, mesmo assim, apenas em um grau limitado e de uma forma fragmentária. Essa é certamente a mensagem deste livro - que revela a experiência cotidiana vivida por essa nova classe trabalhadora globalizada ligada aos serviços".

Ensaios e autores

O trabalho do conhecimento na sociedade da informação: a análise dos programadores de software
Juan José Castillo

A construção de um cibertariado? Trabalho virtual num mundo real
Ursula Huws

A vingança de Braverman: o infotaylorismo como contratempo
Ruy Braga

O "trabalho informacional" e a reificação da informação sob os novos paradigmas organizacionais
Simone Wolff

Os trabalhadores das Centrais de Teleatividades no Brasil: da ilusão à exploração
Sirlei Marcia de Oliveira

O desenho do trabalho assalariado em empresas fidelizadoras da indústria de call centers no Brasil
Arnaldo Mazzei Nogueira e Fabrício Cesar Bastos

Centrais de Teleatividades: o surgimento dos colarinhos furta-cores?
Selma Venco

A identidade no trabalho em call centers: a identidade provisória
Cinara Lerrer Rosenfield

As trabalhadoras do telemarketing: uma nova divisão sexual do trabalho?
Claudia Mazzei Nogueira

Trajetórias profissionais e saberes escolares: o caso do telemarketing no Brasil
Isabel Georges

Século XXI: nova era da precarização estrutural do trabalho?
Ricardo Antunes

Apêndice
Capital fixo e o desenvolvimento das forças produtivas na sociedade
Karl Marx

Sobre os organizadores

Ricardo Antunes é professor de sociologia do trabalho na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e organizador de Riqueza e miséria do trabalho no Brasil (São Paulo, Boitempo, 2007). É autor de Adeus ao trabalho? (São Paulo, Cortez, 2003) e Os sentidos do trabalho (São Paulo, Boitempo, 1999), entre outros livros.

Ruy Braga é professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo e diretor do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania da USP (Cenendic). É autor de, entre outros livros, Por uma sociologia pública (com Michael Burawoy) (São Paulo, Alameda, 2009) e A nostalgia do fordismo: modernização e crise na teoria da sociedade salarial (São Paulo, Xamã, 2003).

Sobre a Coleção Mundo do Trabalho

Coordenação de Ricardo Antunes
Estudos sobre o trabalho, a sua centralidade na sociedade capitalista, a análise do sindicalismo, questões de gênero e o impacto das transformações trazidas

Ficha técnica
Título: Infoproletários
Subtítulo: degradação real do trabalho virtual
Organizadores: Ricardo Antunes e Ruy Braga
Orelha: Michel Burawoy
Páginas: 256
Ano de publicação: 2009
ISBN: 978-85-7559- 136-9
Preço: R$ 44,00
Coleção Mundo do Trabalho - Boitempo Editorial

Boitempo Editorial
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Capitalismo e modernidade no Brasil

foto_mat_24105 Na melhor tradição do pensamento social brasileiro, o livro "Capitalismo tardio e sociabilidade moderna", de João Manuel Cardoso e Fernando Novais, destaca como ao mesmo tempo em que criávamos condições para o nascimento e o desenvolvimento do capitalismo, impúnhamos obstáculos para o florescimento e a consolidação da modernidade no país. Esse pequeno ensaio sobre a modernidade brasileira reúne o método crítico de um historiador reconhecido por sua habilidade em clarificar a nossa herança mercantil e a perspectiva analítica de um economista conhecido por sua destreza em esclarecer o nosso fado industrial. A resenha é de William Vella Nozaki.

William Vella Nozaki (*)

Postado: Carta Maior

 

Resenha do livro:
MELLO, João Manuel Cardoso de & NOVAIS, Fernando. Capitalismo tardio e sociabilidade moderna. Unesp/Facamp: Campinas, 2009.

O Brasil ontem e hoje
O que se tornou o capitalismo brasileiro? Essa questão elementar não cessa de ser formulada. Muitos a perguntam na discrição das reflexões solitárias ou na distração das conversas informais; alguns a respondem de forma excessivamente retórica ou de maneira demasiadamente abstrata.
Tratada de maneira indireta e oblíqua essa indagação soa mais como demonstração de estilo do que como manifestação de perplexidade. Talvez isso ocorra porque de tão natural, direta e ingênua, tal questão só possa mesmo ser feita por um pensamento maduro, cansado de tergiversar e pronto para a hora de falar concretamente. É precisamente esse o exercício proposto em Capitalismo tardio e sociabilidade moderna.
O texto foi escrito no bojo dos ataques contra o neoliberalismo e veio a lume pela primeira vez como parte da coleção História da Vida Privada no Brasil, em 1998. Trata-se de obra com espírito crítico e com ímpeto de balanço, que, publicada agora como livro, não deixa de revelar sua atualidade.
Esse pequeno ensaio sobre a modernidade brasileira reúne o método crítico de um historiador reconhecido por sua habilidade em clarificar a nossa herança mercantil e a perspectiva analítica de um economista conhecido por sua destreza em esclarecer o nosso fado industrial. Ao atarem essas duas pontas, Fernando Novais e João Manuel Cardoso de Mello, produzem um curto-circuito revelando como a industrialização brasileira criou e foi tragada por uma sociedade mercantil nos trópicos.
A interpretação dos dois autores aborda meia dúzia de décadas fundamentais para a compreensão do Brasil. Parte-se do otimismo da década de 1930, período em que o progresso industrial colore a nação, e caminha-se em direção à desilusão da década de 1990, momento em que o regresso monetário descaracteriza qualquer nacionalismo.
O livro se divide em sete pequenos capítulos, neles se analisam: (1) a indústria e o consumo; (2) o campo e a cidade; (3) a estrutura de classes e a mobilidade social; (4) os valores capitalistas e os princípios modernos; (5) a concentração de riqueza e a distribuição de renda; (6) o autoritarismo político-econômico e a massificação sócio-cultural; (7) a globalização e o neoliberalismo no Brasil.
Capitalismo
Nos três primeiros capítulos do livro abordam-se as principais transformações responsáveis pela modernização do país, trata-se de enfatizar a aura de otimismo que tomou conta do país apesar da manutenção de algumas distorções.
Retomando interpretações consagradas, os autores relembram como nas décadas entre 1930 e 1950 acelera-se o processo brasileiro de industrialização, modernizam-se os setores industriais mais tradicionais (alimentos, têxteis, calçados, móveis) e formam-se os setores industriais mais complexos (aço, petróleo, alumínio, químicos e farmacêuticos). Além disso, ensaiando interpretações inéditas, enfatiza-se como nesse período emergem mudanças significativas no processo de comercialização dos produtos, com o surgimento dos supermercados, shopping centers, cadeias de lojas de eletrodomésticos, revendedora de automóveis e lojas de departamento.
O objetivo é demonstrar como as relações entre a alteração na oferta de produtos e na circulação de mercadorias implicaram novos hábitos de vestuário, de alimentação, de higiene pessoal, de limpeza da casa etc. ensejando um novo padrão de consumo.
Para tanto, os exemplos mobilizados são muitos e diversos, trata-se de ilustrar a relação entre as mudanças na estrutura produtiva e as transformações na dinâmica do consumo. Como, por vezes, a profusão de casos listados pode ofuscar a interpretação sugerida pelos autores, aos deslumbrados com os exemplos recomenda-se cautela, aos ansiosos pela análise pede-se paciência. A leitura ponderada será recompensada ao final.
Durante esse período, notam ainda os autores, a industrialização acelerada não poderia deixar de significar também uma urbanização desenfreada. Assim é que a estrutura rígida do campo cede lugar à estrutura competitiva da cidade; a extrema pobreza e a miséria são sobrepujadas pela esperança e pelo desejo da migração; a família conjugal, dos compadres e vizinhos, é substituída pela família unicelular, de pais e filhos; e a educação pelo trabalho é trocada pela educação escolar.
Nesse processo o imigrante estrangeiro pôde usufruir de sua pequena vitória na luta por melhores posições sociais, dada sua melhor posição financeira de saída, muitos passaram de mascates a empresários, de trabalhadores especializados converteram-se em profissionais liberais. A mesma sorte não se deu com os migrantes rurais, ainda que sua situação tenha melhorado, a pobreza do campo foi substituída por não mais do que algumas tarefas de pouca qualificação e de baixa remuneração. Os negros urbanos, em sua grande maioria, permaneceram confinados ao trabalho subalterno, rotineiro e mecânico.
Tais mudanças e permanências, denunciam os autores, revelam como o capitalismo cria a ilusão de que as oportunidades econômicas são iguais para todos, quando na realidade a mercantilização da sociedade é que se apresenta como o único denominador comum.
No topo dessa sociedade abriga-se um pequeno conjunto de capitalistas, banqueiros e industriais, menos interessados em liderar o desenvolvimento econômico do país e mais interessados em tirar proveito da ação do Estado e da atuação da grande empresa multinacional. Na faixa intermediária, acotovelam-se uma classe média alta de profissionais em busca da qualificação fundada no ensino superior e uma classe média baixa de operários à procura de especialização. Na base dessa pirâmide subsistem incontáveis famílias de trabalhadores comuns, de migrantes recém-chegados e de citadinos empobrecidos.
O que os separa é uma hierarquia rígida de trabalhos e remunerações, o que os une são certas necessidades e desejos de consumo. Sendo assim, ressaltam os autores, é importante notar como entre nós os processos de diferenciação do trabalho e de generalização do consumo se deram no mesmo compasso. Desse modo, entre nós a corrida pela ascensão social apresentou-se menos como um fruto do progresso industrial e tecnológico e mais como uma corrida de miseráveis, pobres, remediados e ricos pela atualização dos padrões de consumo.
Modernidade
Desse descompasso entre a produção industrial e a circulação mercantil é que emerge nossa modernidade interrompida. Esse tema encontra-se muito bem desenvolvido no quarto capítulo, que é uma espécie de ponto de viragem no livro, fazendo a passagem entre a formação da nossa economia capitalista e a deformação da nossa sociedade de mercado.
Nos três últimos capítulos do livro, dessa vez, abordam-se as principais patologias e distorções responsáveis por interditar a modernização do país, trata-se de encarar o fantasma da desilusão que se generalizou pelo Brasil.
Isso porque entre as décadas de 1960 e 1980, os valores capitalistas foram reinventados entre nós sem grandes contestações. O privatismo patriarcalista da casa-grande se prolongou no familismo empresarial; a desvalorização do trabalho, herança da escravidão, se redefiniu na cisão entre funções intelectuais e tarefas manuais; a reverência pela hierarquia das ordens tradicionais se transfigurou na suposta concorrência que seleciona superiores e inferiores; e a idéia de país tomado como negócio, mas não como nação, ganhou fôlego redobrado. Isso tudo porque a aspiração à ascensão individual no Brasil não se lastreou no progresso técnico, mas na corrida pelo consumo.
Em contrapartida, os valores modernos foram obstruídos por grandes barreiras. A secularização, o racionalismo e a ilustração, capazes de inculcar as idéias de autonomia, igualdade e liberdade, trazem consigo conteúdos éticos e humanistas que não ecoam diante dos limites impostos pela lógica utilitarista e mercantil vigente no Brasil. Ou seja, sem os valores modernos capazes de refrear os valores capitalistas, imperou entre nós a exploração econômica e a dominação política que perpetuam as desigualdades sociais fundadas num capitalismo sem iluminismo. Em última instância, pode-se dizer que o industrialismo foi sobrepujado pelo consumismo como lógica de organização social.
Tal alteração ocorre, precisamente, por ocasião do Golpe de 1964, a política econômica capaz de combinar crescimento econômico e concentração de renda abria espaço para a acumulação de lucros e riqueza ao mesmo tempo em que patrocinava a diferenciação entre os salários e, por extensão, entre as capacidades de consumo.
O que se originava era uma sociedade deformada, fraturada em três dimensões: um mundo desfrutado por ricos e privilegiados, caracterizado pelo consumo de luxo, regado à ostentações e suntuosidades; um mundo permeado pelas várias classes médias e remediados, marcado por um tipo de consumo que é o simulacro e a imitação do primeiro; e, por fim, um mundo povoado por pobres e miseráveis, nesse ambiente os salários baixos permitem a reprodução daqueles padrões de consumo, mas impedem a difusão da capacidade de consumir.
Mas as agruras impostas ao país pela ditadura militar não se restringiram ao plano político e econômico, notam os autores, elas também se esprairam pela esfera social e cultural. Isso porque ao cerceamento do espaço público seguiu-se, imediatamente, o estabelecimento de uma opinião privada. Disfarçando-se em meio a entretenimentos ou revestindo-se de objetividades, as empresas televisivas e jornalísticas formavam uma pequena confraria que, com a anuência do governo militar, patrocinavam a instauração de uma indústria cultural americanizada no país.
A prioridade da TV e do entretenimento sobre a informação e a educação, e a preeminência de empresas privadas sobre a opinião pública, apontam os autores, promoveu, novamente, o triunfo de normas mercadológicas sobre princípios modernizantes. Desse modo, a sociedade brasileira passava diretamente da deseducação para a massificação, criavam-se consumidores sem que se houvesse formado cidadãos. Esse será o país lançado, nos anos 1990, sobre os estertores da globalização e do neoliberalismo.
Na melhor tradição do pensamento social brasileiro, o livro destaca como ao mesmo tempo em que criávamos condições para o nascimento e o desenvolvimento do capitalismo, impúnhamos obstáculos para o florescimento e a consolidação da modernidade no país. Tudo analisado à partir das justaposições entre a produção econômica e a reprodução social, entre a lógica da industrialização e os nexos do consumismo.
(*) Bacharel em Ciências Sociais (FFLCH/USP); mestrando em Desenvolvimento Econômico (IE/UNICAMP).

Fotos: Divulgação

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SOBRE CELSO FURTADO: Como os clássicos viram clássicos

Ítalo Calvino disse que uma das características de um clássico é sua possibilidade de infinitas e sempre renovadas leituras. Em janeiro de 1959, vinha a público "Formação Econômica do Brasil", de Celso Furtado. Passados cinquenta anos, a obra tornada clássica ganha sua primeira edição comemorativa. Organizado pela viúva do autor, Rosa Freire d’Aguiar Furtado e com introdução de Luis Felipe de Alencastro, o conjunto reúne a fortuna crítica que se seguiu ao aparecimento da obra que é um dos mais importantes livros de história econômica já escritos. A resenha é de Roberto Pereira Silva
Roberto Pereira Silva (*)
Resenha de: “FURTADO, CELSO. Formação econômica do Brasil. Edição comemorativa: 50 anos; organização Rosa Freire d’Aguiar Furtado. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

A formação da Formação econômica do Brasil
Em janeiro de 1959, vinha a público "Formação Econômica do Brasil", de Celso Furtado. Passados cinquenta anos, a obra tornada clássica ganha sua primeira edição comemorativa. Organizado pela viúva do autor, Rosa Freire d’Aguiar Furtado e com introdução de Luis Felipe de Alencastro, o conjunto reúne a fortuna crítica que se seguiu ao aparecimento da obra. Verdadeiros documentos que reconstituem a biografia do livro, testemunho de sua recepção no Brasil e no exterior, esse conjunto de resenhas e introduções ao livro ajuda a reconstruir a consolidação de "Formação Econômica do Brasil", como um dos mais importantes livros de história econômica já escritos.
Além disso, tais textos permitem captar a estranheza que a obra causou para intelectuais de diferentes formações teóricas à época de sua publicação. Por se tratar hoje de um livro clássico, nós leitores modernos por vezes nos esquecemos do senso de novidade que esteve por trás da recepção do livro nos meios brasileiros e internacionais.
Aliás, como Ítalo Calvino dizia: uma das características de um clássico é sua possibilidade de infinitas e sempre renovadas leituras. Embora tenha tido um reconhecimento rápido, de pronto sendo considerado um livro indispensável e ímpar na historiografia econômica brasileira, recebeu críticas diversas, indicativas também dos impasses sociais e intelectuais do Brasil. E essa é uma chave importante para retomarmos o cinqüentenário do livro, escapando do merecido teor laudatório das análises contemporâneas e tentando retraçar o caminho para a consolidação desta obra clássica. Tanto mais importante, se nessa empreitada conseguirmos relacionar as diversas resenhas com os contextos mais amplos da vida intelectual brasileira e das reflexões teóricas sobre o desenvolvimento econômico a nível mundial.
Das primeiras resenhas à biblioteca básica brasileira
O momento de publicação de "Formação Econômica do Brasil" marca o entrecruzamento de tendências distintas no pensamento brasileiro. De um lado, temos a maturidade dos autores dos ensaios sobre a formação do Brasil. Iniciado nos anos de 1930, com "Casa-grande e Senzala", "Raízes do Brasil", e, na década seguinte, "Formação do Brasil Contemporâneo", nesse momento o ensaísmo se consolidou como a forma básica para se pensar o Brasil, tendo como principal disciplina a história.
De outro lado, a passagem para os anos 60 assiste um período de grandes mudanças. O Plano de Metas, a imigração para os centros urbanos, a ocupação do Oeste e do Norte do Brasil. Era uma nova etapa do capitalismo introduzindo o Brasil nas linhas de consumo modernas, com eletrodomésticos, carros, produtos de consumo industrializados. O Estado, sob o signo do planejamento econômico, passou a valorizar o saber técnico, a economia e a engenharia assumiram papel importante na administração pública, suplantando o bacharelismo do passado. No plano das idéias, esse período foi marcado por novas balizas de conhecimento, universitário e técnico-científico, competindo com a consolidação das ciências sociais no ensino acadêmico. O livro de Celso Furtado dá testemunho desse entrecruzamento de tendências, e procura compreender o alcance e os limites das transformações do presente, sob o ponto de vista histórico. Mas de uma história filtrada pela economia, história que busca responder as questões propostas pelo processo e pela reflexão sobre o desenvolvimento econômico.
Essas duas linhas gerais, o saber técnico legitimado pelo progresso econômico e a interrogação ao passado irão polarizar as opiniões sobre "Formação Econômica do Brasil", nas resenhas publicadas entre 1959 e 1963, apontando tanto as precariedades da obra de historiador, quanto às armadilhas da teoria econômica.
A primeira resenha apareceu três meses depois da publicação, na pena de Nelson Werneck Sodré, historiador marxista ligado ao ISEB. Interpreta a obra como pertencente à “economia ortodoxa”, em contraposição à economia marxista. Reconhece em formação um “livro de fôlego, visão de conjunto, em que o autor dá o melhor de seus conhecimentos”. Entretanto, aponta dois defeitos: “Celso Furtado sabe muito, mas não sabe transmitir o que sabe” e, numa crítica típica desse período em que o foco das interpretações era a volta ao passado, Werneck Sodré censura o autor em que “fazendo história, não domina as fontes e revela mesmo desprezo por elas”.
No mês seguinte, a resenha de outro marxista, Renato Guimarães censura o economicismo de Celso Furtado. Reprovação que o próprio autor reconhece contraditória: “não deixará por isso de parecer algo paradoxal que, ao tentarmos a crítica marxista desta última obra de Celso Furtado sejamos forçados a censurá-la justamente pelo excessivo ‘economicismo’ do historiador que lá encontramos”. Além disso, em alguns momentos Guimarães aponta as esquivas do autor. Tratando do capital estrangeiro nas etapas colonial e imperial, sob o comando do capital holandês, português e inglês, não diz nada sobre essa questão no século XX, sob o signo do imperialismo norte-americano: “bastou que entrasse em cena o imperialismo norte-americano para que o Sr. Furtado perdesse completamente a loquacidade”. O mesmo se poderia dizer da questão do proletariado: Celso Furtado analisa a transição para o trabalho assalariado e a industrialização do Centro-Sul, mas nada diz sobre o proletariado urbano como força social. Como pontos positivos, a análise da inflação feita ao final do livro, a qual o aspecto político e social envolvido na política econômica, uma vez que a inflação é um conflito distributivo e as medidas de estabilização favorecem alguns grupos em detrimento de outros.
Em julho, o engenheiro Paulo Sá, criador da ABNT, faz uma apreciação do livro e da profissão de economista que dá bem o tom desse novo momento de planejamento econômico e saber técnico que chegava ao Brasil. Para ele, a onipresença da poesia na vida cultural brasileira dos séculos passados foi suplantada, nesse período de modernização, pela economia: “Como havia ‘poetas’, há hoje ‘economistas’. Tropeça-se neles em todos os grupos de rua, em todos os vãos de jornais ou revistas, tão graves quanto efêmeras”. Celso Furtado é uma exceção entre esse grupo, pois alia à profundidade das leituras a reflexão e o conhecimento do país.
Duas resenhas surgiram de autores ligados à Universidade de São Paulo e que se tornaram membros do grupo de estudos conhecido como Seminário Marx, Paul Singer e Fernando Novais. Para o primeiro, “a importância do livro decorre, porém, não apenas de seu tema, mas principalmente do método empregado”. É no método que concentra a avaliação e a crítica, afirmando que este é falho quando contraposto à realidade. Entretanto, “mesmo as partes mais prejudicadas pelo método empregado são preciosas, pois assinalam falhas — a nosso ver sérias — da própria ciência econômica como ela é praticada até hoje”.
Fernando Novais destaca a importância da análise dos fluxos de renda associados aos diversos produtos de exportação e o rompimento desse processo com o advento do trabalho assalariado na economia cafeeira que internaliza o processo de acumulação. A crítica recai também no método, tendo como base a economia marxista. Para o autor, a análise da transição para o trabalho assalariado perde a questão central, a saber, “as etapas da instauração das condições capitalistas de produção no Brasil”, o que, na verdade, constitui “as determinações mais internas do processo histórico”.
Já em 1963, quatro anos após a publicação, o livro passa a ser editado na biblioteca básica brasileira, projeto editorial da Universidade de Brasília, ao lado de autores como Capistrano de Abreu, Joaquim Nabuco, Fernando de Azevedo e dois clássicos da geração de 1930, Sergio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre. A introdução ao livro é assinada pelo historiador mineiro e professor de história econômica geral e do Brasil Francisco Iglésias.
Trata-se de um texto fundamental, pois avalia a formação econômica do Brasil dentro da historiografia econômica brasileira e equaciona os principais problemas e sucessos da obra em perspectiva histórica.
Já de saída coloca o livro entre os clássicos da historiografia econômica, ao lado de Simonsen e Caio Prado Jr, sem ser um prolongamento destes, mas “executado em perspectivas próprias”. As relações entre história e economia são equacionadas, respondendo a algumas críticas que vimos acima: “Formação econômica do Brasil é livro de história escrito sob a perspectiva do economista”. A falta de citações de trabalhos de história longe de mostrar deficiência do autor mostra os defeitos da historiografia brasileira, a baixa qualidade das pesquisas empíricas e a arbitrariedade das interpretações de conjunto. De forma que “a omissão referida não deixa, de certo modo, de reverter em benefício do autor”.
Destarte, o que pareceu a alguns economicismo e a outros falta de domínio das fontes históricas, nada mais é que uma das maiores riquezas da obra, o que lhe garante o lugar de destaque pela rara qualidade de nossa produção. Pois somente o uso consciencioso das ciências sociais pode orientar a reconstrução histórica em busca de suas linhas gerais. É a teoria econômica e social presente no livro que irá conduzir a leitura histórica de Celso Furtado. A erudição histórica do autor é patente, a despeito da omissão de referências, e o método do autor se constrói na distinção entre processos e eventos, nos quais os primeiros dão o tom geral do livro, subordinando os segundo, que pressupõe conhecidos do leitor. Daí a impressão meio abstrata do livro, fruto do despojamento do que não é essencial para a compreensão do processo. Entre as faltas do livro, a única apontada pelo autor é a não menção ao imperialismo norte-americano, a exemplo da crítica de Renato Guimarães.
Assim, as resenhas abordaram a obra sob o ponto de vista dos aspectos teóricos, na relação entre teoria econômica e história, ora sublinhando os excessos da primeira, ora acentuando as debilidades aparentes da segunda. Temas ausentes foram sempre marcados como faltas, ausência de referencias como despreparo. No entanto, a explicação de fundo, estrutural do livro, demorou um pouco mais para ser percebida. Isso decorre, nos parece, não só do ineditismo do livro, como da falta de um corpo de obras econômicas e históricas que pudessem servir de referência e termos de comparação à Formação econômica do Brasil. Na ausência de trabalhos que examinassem os conteúdos e as hipóteses, a crítica só poderia recair sobre questões de método.
De clássico brasileiro a
obra-prima da teoria econômica
A recepção no exterior se deu de forma diferente. "Formação Econômica do Brasil" foi logo reconhecido como um exemplo ímpar no campo da teoria do desenvolvimento econômico. A obra foi interrogada em sua relação com as ciências sociais, sobretudo as relações entre história e economia e no âmbito das diversas teorias do desenvolvimento econômico. A mudança de perspectiva é grande. Além disso, a perspectiva histórica e comparativa foi assinalada em todos os textos, destacando-se a comparação entre as diferenças de desenvolvimento do Brasil e dos Estados Unidos no século XIX. Se no Brasil, a obra teve um caráter de acerto de contas com a herança do passado, exigia ou justificava a intervenção estatal, e se inseria no esforço de consolidação das ciências sociais no país, já no exterior foi um aporte fundamental para se equacionar o alcance das teorias econômicas.
Segundo o economista americano Allen Lester (1960) o livro “analisa o crescimento e os processos econômicos do Brasil como país subdesenvolvido”; seu principal interesse para o economista de língua inglesa está “na avaliação da influência de fatores — políticos, sociais, geográficos, fiscais, monetários, entre outros — sobre o crescimento econômico e a formação de capital no Brasil”.

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‘Tocaia’, quadrinhos de Maringoni

foto_bol_23967 "Tocaia", uma coletânia de histórias em quadrinhos produzidas por Gilberto Maringoni reúne 14 narrativas curtas publicadas em lugares diversos, como Carta Capital, Kyx-93, Lúcifer, Metal Pesado, Panacéia, Front (todas no Brasil), Fluide Glacial (França), Orme (Itália), Seleções BD (Portugal) e ConSequencias (Espanha). O lançamento do livro ocorrerá no próximo dia 13 de outubro (terça-feira), das 18:30 às 21:30 horas, na livraria Martins Fontes, Avenida Paulista, 509 (em frente ao metrô Brigadeiro), em São Paulo.

Redação - Carta Maior

Acaba de sair ‘Tocaia’, coletânea de histórias em quadrinhos produzidas por Gilberto Maringoni, entre 1989 e 2002. São 14 narrativas curtas, publicadas em lugares diversos, como CartaCapital, Kyx-93, Lúcifer, Metal Pesado, Panacéia, Front (todas no Brasil), Fluide Glacial (França), Orme (Itália), Seleções BD (Portugal) e ConSequencias (Espanha). Os trabalhos foram realizados enquanto o autor desenvolvia atividades de jornalista, chargista, editor gráfico, pesquisador e militante político.
Muito por essas características, Maringoni, colaborador de Carta Maior, exibe neste livro uma variedade de traços e de estilos nas várias histórias, que transitam para temas de aventura para humor, com uma narrativa ligeira e enxuta. Na apresentação do álbum, ele explica que tal miscelânea “expressa momentos diversos, pesquisas formais e estéticas distintas e expectativas variadas”.
O lançamento será no dia 13 de outubro (terça-feira), das 18:30 às 21:30 horas, na livraria Martins Fontes, Av. Paulista, 509 (em frente ao metrô Brigadeiro), em São Paulo.
Abaixo, segue a orelha do livro:
O AUTOR DA CILADA
Fernando Paiva, jornalista em São Paulo
“A grande contribuição de Minas Gerais para a cultura universal é a tocaia. A tocaia é uma homenagem à vítima. Morre sem aviso prévio, delicadamente, se possível desconhecendo o autor da cilada.” Assim falava Otto Lara Resende (1922-1992), um dos maiores frasistas brasileiros. À diferença de Otto, o autor deste livro não é mineiro – nasceu em São Paulo em 19XX. Mas não deixa de prestar com esta Tocaia uma homenagem a todos que amamos histórias em quadrinhos. Apenas não morremos sem aviso prévio. Nós, os tocaiados, sabemos direitinho quem é o autor da cilada. Um matador de enorme talento chamado Gilberto Maringoni.
Pois é, talento. Esta antiga moeda grega jamais faltou na algibeira do menino que, desde Bauru, no interior paulista, onde foi criado, zanzava pelo hangar do aeroclube local xeretando o cockpit de Paulistinhas e Aeroboeros. Claro, havia ainda as matinês no cine XXXXX, obrigatoriamente precedidas pela troca de gibis da época – Águia Negra, Nick Holmes, Combate, Capitão Marvel. Havia também a inesquecível coleção A Segunda Guerra Mundial, da editora Codex. Ela era ansiosamente espera da na banca para que o moleque conferisse na terceira e na quarta capas do fascículo quais as armas da semana.
Podia ser, por exemplo, um Messerschmitt BF-109 ou um Supermarine Spitfire, esses dois antípodas aéreos da Segunda Guerra que Maringoni copiou vezes sem fim, como todos os que se tornaram grandes ilustradores. Some-se a tudo isso uma voracidade pela leitura dos grandes clássicos de aventura – A Ilha do Tesouro, Vinte Mil Léguas Submarinas, Ben-Hur, Moby Dick, O Último dos Moicanos, Ivanhoé, Dom Quix ote, Três Escoteiros em Férias no rio Paraná, O Bugre-do-Chapéu-de-Anta – e pronto: eis aí a matéria de que os grandes quadrinistas são feitos.
Claro que nosso herói não poderia se contentar com tão pouco. Resolveu fazer arquitetura na FAU-USP e ainda tirou brevê de planador. Mesmo assim, se confessa – vejam como é insondável a alma humana – um arquiteto e um piloto frustrados. Está certo, convenhamos: Maringoni não é nenhum Niemeyer e muito menos um Chuck Yeager (dois de seus ídolos, aliás). Não projetou Brasília nem foi o primeiro a quebrar a barreira do som. Mas em matéria de tocaia gráfica e outras estórias, bota qualquer jagunço rosiano no chinelo. E quem duvidar que venha armado.
Tocaia e outros quadrinhos
Gilberto Maringoni
Devir Livraria
116 páginas, cor e p&b
45 reais

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Asterix ajuda a entender o capitalismo

obelix

 

 

Comparar "Obelix e Companhia", de Goscinny e Uderzo, às obras de Marx, Engels, Lênin, Rosa, Trotski, Gramsci, não tem nenhum sentido. Mas, essa pequena obra-prima em quadrinhos merece a atenção de quem luta contra o capitalismo

 

 Comparar Obelix e Companhia, de Goscinny e Uderzo, às obras de Marx, Engels, Lênin, Rosa, Trotski, Gramsci, não tem nenhum sentido. Mas, essa pequena obra-prima em quadrinhos merece a atenção de quem luta contra o capitalismo.

    "Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos… Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor. E a vida não é nada fácil para as guarnições de legionários romanos nos campos fortificados de Babaorum, Aquarium, Laudanum, e Petibonum…".

A apresentação acima acompanha todos os álbuns de Asterix, personagem do italiano Albert Uderzo e do francês René Goscinny. A série de 31 álbuns é um dos exemplos do que há de melhor na literatura em quadrinhos.

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Machado e as mudanças sem mudança da política nacional

imagens Em sua maravilhosa obra, Machado de Assis dificilmente se ocupava da política brasileira. Mas quando o fazia, desmascarava seu caráter conservador. É o caso de seu livro "Esaú e Jacó", em que o autor inventa um episódio para ironizar a mudanças superficiais da política brasileira - Sérgio Domingues.

 

Em sua maravilhosa obra, Machado de Assis dificilmente se ocupava da política brasileira. Mas quando o fazia, desmascarava seu caráter conservador. É o caso de seu livro Esaú e Jacó, em que o autor inventa um episódio para ironizar a mudanças superficiais da política brasileira.
O capítulo que apresenta o episódio chama-se Tabuleta Nova. Fala do dilema de Custódio, proprietário de uma tal Confeitaria do Império. Diante do péssimo estado de conservação da tabuleta que trazia o nome do estabelecimento, Custódio manda fazer uma nova. Mas no dia em que o serviço ficou pronto, aconteceu-lhe o inconveniente de haverem proclamado a República. Era 15 de novembro.

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Cortázar, eterno Cronópio

imagens Neste ano multiplicam-se por todo o mundo eventos em memória dos vinte anos de morte de um dos mais geniais escritores latino-americanos de todos os tempos: Julio Cortázar. Legítimo herdeiro dos beatniks e dos surrealistas, Cortázar concretizou em sua obra aquela máxima que Breton e Trotsky haviam firmado no manifesto “Por uma arte revolucionária independente”, em 1938, no México. Sempre se manifestou a favor das lutas anti-imperialistas e revolucionárias, em todo o mundo - Cláudia Luna

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