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Livro retrata vida e luta de Victor Meyer, um revolucionário

LANÇAMENTO

Livro retrata vida e luta de Victor Meyer, um revolucionário

A vida do militante revolucionário Victor Meyer é tema do terceiro volume da coleção Galeria F, "Lembranças do Mar Cinzento", da Caros Amigos Editora. Depois de falar sobre diversos personagens que lutaram na Bahia contra a ditadura, Emiliano José dedica todo o livro a Victor Meyer, que foi militante da Política Operária (Polop) e lutou contra a ditadura militar. Lançamento ocorreu nesta sexta-feira (12), em São Paulo, na Estação Pinacoteca.

Redação - Carta Maior

Emiliano José lançou nesta sexta-feira (12), às 18 horas, na Estação Pinacoteca (Antigo DOPS), Largo General Osório, 66, Luz São Paulo - SP, o terceiro volume da coleção Galeria F – “Lembranças do Mar Cinzento” (Caros Amigos Editora). Depois de falar nos primeiros livros sobre diversos personagens que lutaram na Bahia contra a ditadura, como Juca Ferreira e Othon Jambeiro, desta vez, o escritor e jornalista dedica todo o livro a Victor Meyer. O autor afirma que não se trata exatamente de uma biografia no sentido tradicional, mas de um roteiro biográfico. Meyer nasceu em Salvador em 1949 e passou a infância em Alagoinhas, onde cursou o ensino médio antes de voltar para a capital, onde se destacou como dirigente estudantil e depois se vinculou à Política Operária (Polop), uma organização revolucionária marxista.
A Polop era precursora de uma visão crítica do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Foi graças à sua acuidade intelectual que Victor se aproximou da Polop e tornou-se militante da organização. "Ele era um militante dedicado ao estudo. A Polop era muito voltada para a análise e um estudo mais denso, mais apurado. Tinha um viés marxista rigoroso e uma carga teórica muito forte", relata o autor. Na Polop, Meyer tinha companheiros como Emir Sader, Moniz Bandeira e Marco Aurélio Garcia, atual assessor especial para assuntos internacionais da Presidência. Para Emiliano, Meyer foi uma exceção, já que viveu clandestinamente por muitos anos e não “caiu” (ser preso ou morto, no jargão da esquerda revolucionária). O autor lembra que os militantes tinham uma "vida útil" de cerca de um ano e meio a dois. "Se examinar os números, vai ver que a média era essa aí", assinala.
Meyer pode não ser uma das figuras mais notórias ou conhecidas entre as que lutaram contra a ditadura militar no Brasil, mas, para o escritor, era um homem de grande densidade e de dedicação à luta do povo. "Acima de tudo, ele tinha muito estudo, era de pesquisar muito e não só de falar", pontua. Desde muito cedo, Meyer era muito dedicado à leitura. Asmático, talvez isso o tenha levado a certo recolhimento e à dedicação aos livros. Também se interessava muito por música clássica e por cinema. "Ele tinha essa propensão intelectual, no melhor sentido da palavra", registra Emiliano José. Uma de suas companhias nessas atividades intelectuais era Yara Falcón, integrante de uma família dedicada à militância política e que terminou recrutando Meyer para o movimento contra a ditadura militar.
Emiliano relata que ela ficou impressionada quando o ouviu falar em público pela primeira vez, em uma cerimônia de boas-vindas aos calouros, organizada pelo Diretório Acadêmico da Escola de Geologia da UFBA, onde Meyer estudava. Mas ele não entrou na luta armada. A Polop, ao contrário de outras organizações, seguia um caminho diferente. Mas, mesmo sem usar armas, Meyer precisava se proteger e, para isso, usava um "nome frio", como era comum na época. "Os que se dedicavam à luta revolucionária eram empurrados para a clandestinidade. Eu fui preso e era obrigado a ter uma segunda carteira de identidade. Usava o nome Pedro Luís Vian. A gente conseguia uma certidão em algum lugar e, dentro das organizações, havia alguém especializado em falsificar documentos", recorda o autor, que passou quatro anos preso na Penitenciária Lemos Brito, em Salvador.
Emiliano traça também um retrato pessoal e sensível de Victor Meyer, especialmente no capítulo “Para Viver um Grande Amor”, dedicado à relação entre ele e a mulher, Eliza Tieko. O casal começou a namorar em meados da década de 1970 e viveu junto até a morte de Victor, em 2001, vítima de câncer. Perdeu amigos na ditadura, passou anos preciosos como foragido, de aparelho em aparelho. Nem por isso tornou-se um “mensageiro do infortúnio”. Dedicou sua inteligência a uma visceral preocupação com o mundo e com a humanidade. O autor, Emiliano José, nasceu em São Paulo e vive na Bahia desde 1970. É autor de livros sobre Carlos Marighella, o inimigo número um da ditadura millitar e Lamarca, o capitão da guerrilha. Durante muitos anos, o ex-deputado Emiliano José deu aulas no curso de Jornalismo da UFBA.

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A humanidade não merece a vida, diz Saramago

Prêmio Nobel português se define como um “comunista hormonal” e afirma que os instintos servem melhor aos animais do que a razão aos homens

O ESCRITOR português José Saramago, 86, disse ontem que “a história da humanidade é um desastre” e que “nós não merecemos a vida”. O autor, vencedor do Nobel de Literatura em 1998, participou de sabatina da Folha em celebração dos 50 anos da Ilustrada. O debate, assistido por 300 pessoas em um Teatro Folha lotado, teve como mediador o secretário de Redação do jornal Vaguinaldo Marinheiro. Participaram também, como entrevistadores, o crítico Luiz Costa Lima, a repórter da Ilustrada Sylvia Colombo e Manuel da Costa Pinto, colunista do caderno.

DA REPORTAGEM LOCAL

HUMANIDADE
A história da humanidade é um desastre contínuo. Nunca houve nada que se parecesse com um momento de paz. Se ainda fosse só a guerra, em que as pessoas se enfrentam ou são obrigadas a se enfrentar… Mas não é só isso. Esta raiva que no fundo há em mim, uma espécie de raiva às vezes incontida, é porque nós não merecemos a vida. Não a merecemos. Não se percebeu ainda que o instinto serve melhor aos animais do que a razão serve ao homem. O animal, para se alimentar, tem que matar o outro animal. Mas nós não, nós matamos por prazer, por gosto. Se fizermos um cálculo de quantos delinqüentes vivem no mundo, deve ser um número fabuloso. Vivemos na violência. Não usamos a razão para defender a vida; usamos a razão para destruí-la de todas as maneiras -no plano privado e no plano público.

MARXISMO HORMONAL
Desde muito novo orientei-me para a consciência de que o mundo está errado. Não importa aqui qual foi o grau da minha militância todos esses anos. O que importa é que o mundo estava errado, e eu queria fazer coisas para modificá-lo. O espaço ideológico e político em que se esperava encontrar alguma coisa que confirmasse essa idéia era, é claro, a esquerda comunista. Para aí fui e aí estou. Sou aquilo que se pode chamar de comunista hormonal. O que isso quer dizer? Assim como tenho no corpo um hormônio que me faz crescer a barba, há outro que me obriga a ser comunista.

CRISE ATUAL
Marx nunca teve tanta razão quanto agora. O trabalho constrói, e a privação dele é uma espécie de trauma. Vamos ver o que acontece agora com os milhões de pessoas que vão ficar sem emprego. A chamada classe média acabou. Ou melhor: está em processo de desagregação. Falava-se em dois anos [para a recuperação da economia depois da crise financeira]; agora já se fala em três. Veremos se Marx tem ou não razão.

DEUS E BÍBLIA
Por que eu teria de mudar [a concepção de Deus após a doença]? Porque supostamente me salvou a vida? Quem me salvou foram os médicos e a minha mulher. E Deus se esqueceu de Santa Catarina? Não quero ofender ninguém, mas Deus não existe. Salvo na cabeça das pessoas, onde está o diabo, o mal e o bem. Inventamos Deus porque tínhamos medo de morrer, acreditávamos que talvez houvesse uma segunda vida. Inventamos o inferno, o paraíso e o purgatório. Quando a igreja inventou o pecado, inventou um instrumento de controle, não tanto das almas, porque à igreja não importam as almas, mas dos corpos. O sonho da igreja sempre foi nos transformar em eunucos. A Bíblia foi escrita ao longo de 2.000 anos e não é um livro que se possa deixar nas mãos de um inocente. Só tem maus conselhos, assassinatos, incestos…

RELAÇÃO COM PORTUGAL
Espalham por aí idéias sobre minha relação com meu país que não estão corretas. Saímos [Saramago e sua mulher, Pilar] de Lisboa [para a ilha de Lanzarote] em conseqüência de uma atitude do governo, não do país nem da população. Mas do governo, que não permitiu que meu livro [”O Evangelho Segundo Jesus Cristo”] fosse inscrito num prêmio da União Européia. Nunca tive problemas com o meu país, mas com o governo, que depois não foi capaz de pedir desculpas. Nisso, os governos são todos iguais, dificilmente pedem desculpas. Fomos para lá e continuamos pagando impostos em Portugal. Agora temos duas casas. Mudei de bairro, porque o vizinho me incomodava. E o vizinho era o governo português.

ACORDO ORTOGRÁFICO
Em princípio, não me parecia necessário. De toda forma, continuaríamos a nos entender. O que me fez mudar de opinião foi a idéia de que, se o português quer ganhar influência no mundo, tem de adotar uma grafia única. Se Portugal tivesse 140 milhões de habitantes, provavelmente teríamos imposto ao Brasil a nossa grafia. Acontecem que os 140 milhões estão no Brasil, e o Brasil tem mais presença internacional. Perderíamos muito com a idéia de que o português é nosso, nós o tornaríamos uma língua que ninguém fala. Quando acabou o “ph”, não consta que tenha havido uma revolução.

LITERATURA BRASILEIRA
Houve um tempo em que os autores brasileiros estavam presentes em Portugal, e em alguns casos podíamos dizer que conhecíamos tão bem a literatura brasileira quanto a portuguesa. Graciliano Ramos, Jorge Amado, os poetas, como João Cabral [de Melo Neto], Manuel Bandeira, essa gente era lida com paixão. Para nós, aquilo representava a voz do Brasil. Agora, que eu saiba, não há nenhum escritor brasileiro que seja lido com paixão em Portugal. Culpo a mim, talvez, por não ter a curiosidade. Mas também não temos a obrigação de descobrir aquilo que nem sabemos se existe.

LEITOR
O leitor me importa só depois que escrevi. Enquanto escrevo, não importa, porque não se escreve para um leitor específico. Há dois tempos, o tempo em que o autor não tinha leitores e o tempo em que tem. Mas a responsabilidade é igual, é com o trabalho que se faz. Agora, eu penso nos leitores quando recebo cartas extraordinárias. É um fenômeno recente. Ninguém escreveu a Camões, mas hoje há essa comunicação, essa ansiedade do leitor.

“Em nome de todos os brasileiros, obrigada por existir”, disse alto, ao final da sabatina, uma integrante da platéia, enquanto Saramago terminava de falar.

Folha de S. Paulo - 29 de novembro de 2008

Assista ao vídeo da sabatina

www.folha.com.br/0833310

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Gabriel García Márquez

por Ivan Marques
Jornalista e professor

O maior livro da língua espanhola depois de “Dom Quixote” – foi o que disseram o poeta chileno Pablo Neruda, o escritor mexicano Carlos Fuentes e outros fãs ardorosos de Gabriel García Márquez.

O romance é a síntese do chamado “realismo mágico”. Essa mistura entre os planos da realidade e da imaginação marcou escritores de vários países. Autores bem diferentes como o argentino Júlio Cortázar, o cubano Alejo Carpentier e o peruano Mário Vargas Llosa, responsáveis pelo “boom” da literatura latino-americana na segunda metade do século 20.

Em “Cem anos de solidão”, García Márquez narra a fundação da aldeia Macondo. Ao contar a saga dos Aurelianos e José Arcadios, apresenta um desfile de fantasias, arbitrariedades, guerras e tragédias. Amor, poder, morte e a interminável marcha do ser humano em direção à mais completa solidão.

García Márquez nasceu em 6 de março de 1928 em Aracataca, no litoral caribenho. Estudou direito, mas logo se apaixonou pelo jornalismo, que ele considera a melhor profissão do mundo, algo que marcou profundamente a sua carreira de escritor. Militante apaixonado, viveu anos fora de seu país, se tornou um dos maiores defensores de Fidel Castro, comprou briga com os americanos e chegou a fazer greve contra o ditador chileno Pinochet, ameaçando parar de escrever.

A greve foi interrompida com a publicação de um dos seus melhores livros, a novela “Crônica de uma morte anunciada”, de 1981. Essa narrativa dos momentos que antecedem um crime numa província caribenha não tem nada de mágico. É um relato bastante sóbrio, uma espécie de síntese entre jornalismo e literatura.

Do jornalismo de García Márquez, um dos melhores exemplos é “Notícias de um seqüestro”, livro sobre a guerra colombiana que ele escreveu quando voltou a morar no país.

Segundo o escritor, todos os seus livros tratam de um mesmo tema: a solidão. Solidão que às vezes resulta do poder, como se vê em “O outono do patriarca” e “Ninguém escreve ao coronel”, que foi filmado no México…

Poder sempre violento e arbitrário, como mostra “A incrível e triste história de Cândida Erêndira e sua avó desalmada”, que também ganhou uma versão cinematográfica, dirigida por Ruy Guerra.

E, em contraste com tanta desumanidade, também há espaço para a poesia do amor, que ele sempre considerou uma fonte de inspiração. Assim como a beleza da cidade de Cartagena, um dos principais cenários de suas histórias.

García Márquez recontou a história da América Latina como se estivesse escrevendo a Bíblia. Mas o que importa pra ele, mais do que a imaginação, é a memória. Realismo mágico? “Não invento nada”, garante. “O que tenho é apenas um grande poder de observação”.

Ivan Marques

Doutor em literatura brasileira pela USP, dirige o programa Entrelinhas, da TV Cultura. Na mesma emissora, também exerceu os cargos de editor e editor-chefe do programa Metrópolis. Realizou vários documentários culturais, especialmente sobre literatura, como “Versos diversos: a poesia de hoje”, “Orides: a um passo do pássaro” e “Assaré: o sertão da poesia”. Tem artigos publicados em livros, jornais e revistas.

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O som e a fúria - William Faulkner

por Andrea Del Fuego
Escritora

Faulkner fica com cem por cento da liberdade, pois se o leitor não se entrega a ponto de reagir com os personagens, a leitura perde a força e o sentido. É o caso de ‘O Som e a Fúria’.

Faulkner, o gigante, recebeu o Nobel e o Pullitzer. Nasceu no final do século XIX em Mississipi, o estado mais pobre dos Estados Unidos. Morreu lá mesmo em 1964. O autor só saiu de sua cidade em missão pelo Ministério do Exterior dos Estados Unidos, ocasião em que conheceu até mesmo o Brasil em 1954.

Publicado em 1929, ‘O som e a fúria’ conta a história da família Compson. A trama se passa no sul dos EUA no começo do século XX. O livro é dividido em quatro partes, o primeiro narrador é um deficiente mental de 33 anos. O segundo é o irmão dele que, com a grana da venda das terras do deficiente, vai estudar em Harvard. O terceiro narrador é outro irmão, o que segura as pontas da mãe, da casa e é dono de um gênio sombrio. A quarta parte é em terceira pessoa e fala dos empregados. Eles não têm voz própria, eles não narram, são narrados. A família Compson se deteriora a passos largos, sendo a empregada negra a última coluna de sustentação da casa, fazendo parte mas sem pertencer. O livro fecha com um apêndice, um resumo de quem é quem, créditos finais que sobem a tela conectando partes, ligando nome à pessoa, pessoas aos fatos.

Um dado sobre o livro dá a dimensão da narrativa. Em Macbeth, Shakespeare escreve que a vida é “ uma história cheia de som e fúria, contada por um idiota e que não significa nada”. Por isso o título, por isso o primeiro narrador, por isso o destino dessa família.

William Faulkner é um Guimarães Rosa americano. Ou você ama ou você não precisa dele. A comparação também vale pela originalidade, o uso livre da palavra, a crueldade rústica. Em o ‘O som e a fúria’, Faulkner diz roseanamente: “O homem é o somatório de seja lá o que for”. É um autor violento e ousado. Trata-se de um criador tão livre que é impossível alcançá-lo. Em seu discurso na entrega do Nobel, em 1949, ele explica sua fúria em uma frase:

“Eu me recuso a aceitar o fim do homem.”

Andrea Del Fuego

Andréa del Fuego nasceu em São Paulo, em 1975. É autora da trilogia de contos “Minto enquanto posso” (O Nome da Rosa, 2004), “Nego tudo” (Fina Flor, 2005) e “Engano seu” (O Nome da Rosa, 2007, projeto contemplado com a bolsa de incentivo à criação literária da Secretaria do Estado de São Paulo) e do romance juvenil Sociedade da Caveira de Cristal (Scipione, 2007). Integra diversas antologias e mantém o blog www.delfuego.zip.net

Entrelinhas - TV Cultura

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Biblioteca Marxista

Manifesto do
partido comunista

Karl Marx e Friedrich Engels

Com o prefácio à edição alemã de 1872


Salário, preço e lucro

Karl Marx

Informe pronunciado por Marx nos dias 20 e 27 de junho de 1865 nas sessões do Conselho Geral da Associação internacional dos Trabalhadores. Publicado pela primeira vez em folheto à parte, em Londres (1898), com o título de Valor, Preço e Lucro. Publica-se de acordo com a edição soviética de 1950, em inglês, cujo texto é o da edição inglesa de 1893, cotejado com as anotações manuscritas de Marx.


90 anos do Manifesto Marxista

Leon Trotsky

O presente texto, também conhecido como “A Atualidade do Manifesto do Partido Comunista”, foi escrito por Leon Trotsky como prefácio à primeira edição do clássico de Marx e Engels publicada na África do Sul.


O 18 Brumário de Luis Bonaparte

Karl Marx


Do socialismo utópico ao
socialismo cientifico

F. Engels


Prefácio à "Contribuição à Crítica da Economia Política”

Karl Marx


O Estado e a Revolução

V.I. Lênin

O que ensina o marxismo sobre o Estado e o papel do proletariado na Revolução


Teses sobre Feuerbach

Karl Marx

Escrito por Marx na primavera de 1845. Publicado pela primeira vez por Engels, em 1888, como apêndice à edição em livro da sua obra Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Alemã Clássica, Estugarda 1888, pp. 69-72. Publicado segundo a versão de Engels de 1888, em cotejo com a redação original de Marx. Traduzido do alemão.


A Ideologia Alemã

Karl Marx e Friedrich Engels

Introdução


O imperialismo, etapa superior do capitalismo

V.I. Lênin

"A brochura que apresentamos ao leitor foi escrita por mim em Zurique durante a Primavera de 1916. "


Karl Marx

V.I. Lênin

Biografia escrita por Lênin


Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas

Karl Marx e Friedrich Engels

Março 1850


Introdução à Dialética da Natureza

Friedrich Engels


Um passo em frente,
dois passos atrás

V.I. Lênin

(A CRISE NO NOSSO PARTIDO)


Que fazer?

V.I. LÊNIN

As Questões Palpitantes do Nosso Movimento


As premissas objetivas da Revolução Socialista

Leon Trotsky

"Operários e operárias de todos os países, organizem-se sob a bandeira da IV Internacional!
É a bandeira de sua próxima vitória"



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Lançamento de Noiva da revolução, de Francisco de Oliveira

São Paulo, SP - Lançamento de Noiva da revolução, de Francisco de Oliveira

13/11/2008

19:00h

Livraria Cultura - Conjunto Nacional

Av. Paulista, 2073

Noite de autógrafos


São Paulo,SP - Debate de lançamento de Noiva da revolução, de Francisco de Oliveira

18/11/2008

19:00h

Auditório da Faculdade de História da USP

Av. Prof. Lineu Prestes, nº 338 - Cidade Universitária

Lançamento conjunto com a revista Margem Esquerda n.12
Debate com Francisco de Oliveira, Ermínia Maricato e mediação de Luiz Renato Martins

Título: Noiva da revolução/ Elegia para uma re(li)gião

Autor(a): Francisco de Oliveira

Páginas: 278

Ano de publicação: 2008

ISBN: 978-85-7559-125-3

Preço: R$ 44,00

A cidade, com suas construções e acidentes geográficos, só existe quando percorrida pela memória; é a experiência humana que trafega por suas ruas e lhe confere sentido – particular e coletivo. Neste livro, quem nos convida a conhecer a cartografia do Recife são as reminiscências de um dos maiores intelectuais brasileiros: Francisco de Oliveira.

Não se trata de um emaranhado de datas e documentos históricos. Testemunha de fatos políticos e sociais que marcaram o Brasil e o Nordeste, o sociólogo pernambucano desenvolve, em Noiva da revolução, um ensaio histórico-político-sentimental munido de suas lembranças, “duas mãos e o sentimento do mundo”, como registra. Neste texto inédito, Chico conta que estava junto do então governador Miguel Arraes quando o coronel Dutra de Castilho deu-lhe voz de prisão, no Palácio do Campo das Princesas. Relata também a escuta, em uma extensão telefônica, do diálogo entre Arraes e João Goulart, este ironizando o “medo” do governador diante da movimentação das tropas do general Justino, que segundo o presidente (deposto posteriormente) estariam nas ruas para proteger Arraes.
Tais revelações são descritas na prosa rica em poesias e canções, encadeadas não apenas pela diversidade das reminiscências pessoais do autor, mas sobretudo pela análise contumaz daquilo que não foi, da cidade e de sua promessa de realização. Sobre o Recife, a “Noiva da revolução” segundo poema de Carlos Pena Filho, Chico de Oliveira diz: “Cerimônia marcada, na undécima hora sempre chegavam sinistros homens, deixando para trás amargas lembranças vestidas de luto”.
Além do ensaio inédito sobre o Recife, o volume, publicado pela Boitempo, trás nova edição de Elegia para uma re(li)gião, uma das principais obras de Chico de Oliveira. Escrito há mais de três décadas, em 1977, o texto é um estudo sobre as relações do Estado com a sociedade brasileira e nordestina, abarcando a experiência da Sudene – criada em 1959, extinta em 2001 por FHC e relançada pelo presidente Lula, em 2003.
Como assinala em Noiva da revolução, o Recife da Sudene foi “provavelmente o lugar central do conflito de classes no Brasil do final dos 1950 e toda a década de 1960; isto é, servindo-me de Lenin, um autor em desuso, o elo mais fraco da cadeia do colapso do populismo, cujo epicentro, na verdade, encontrava-se em São Paulo”. Ambos os ensaios são um diálogo candente da produção do sociólogo, da interpretação sobre o Nordeste, de suas memórias, de suas paixões.

Sobre o autor
Francisco de Oliveira, um dos mais importantes sociólogos brasileiros, é professor titular aposentado de sociologia da Universidade de São Paulo, diretor do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania da USP e autor de vasta obra, em que se destacam Crítica à razão dualista/ O ornitorrinco (Boitempo, 2003, Prêmio Jabuti 2004 de Ciências Humanas), Os direitos do antivalor e A navegação venturosa (Boitempo, 2003).

Site da Editora Boitempo

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Febeapá

por Marcelo Coelho
Sociólogo, escritor e articulista

Os três volumes de crônicas que compõem o Febeapá foram relançados agora, num livro só, pela Editora Agir.

O pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta talvez se refira ao irreverente Serafim Ponte Grande, de Oswald de Andrade. Mas se quisermos um termo de comparação, o autor de Febeapá corresponde a uma espécie de José Simão dos anos 60, carregando a ironia contra os militares que acabavam de assumir o poder com o golpe de 64.

Será que ainda é engraçado? Será que ainda é bom, do ponto de vista literário? Tenho dúvidas. As crônicas de Stanislaw Ponte Preta eram uma espécie de válvula de escape num período muito repressivo, na política e na moral.

No começo, o regime militar não era só anticomunista: era muito zeloso da moral e dos bons costumes, misturando carolice e suposto combate à corrupção. Um clima de conservadorismo sexual e de dedo-durismo tomava conta do país. Os abusos de poder, presentes em todo lugar, tornavam-se francamente absurdos nas mãos das pequenas autoridades municipais. Um delegado em Ouro Preto quis impedir a realização de serenatas; em Niterói, proibiu-se uma encíclica do papa; em São Paulo, o dramaturgo Sófocles [imagem] foi ameaçado de prisão. Em São Luís, um prefeito vetou o uso de máscaras no carnaval.

O nome do prefeito era Epitácio Cafeteira. Stanislaw Ponte Preta brinca, dizendo que ele devia ser da “família dos bules”. A piada, hoje em dia, soa bastante fraca. Mas numa época repressiva toda graça, mesmo forçada, parece liberadora e original.

O segredo de Stansilaw Ponte Preta talvez tenha sido o de tratar com leveza, com informalidade, o que era motivo de revolta e indignação. Mas isso teve um preço: a descontração dos textos parece estranhamente forçada. Seu tom “popular” não disfarça o relativo isolamento político dos setores de oposição naquela época. E o que por razões de conveniência era chamado de “besteira”, no fundo, era coisa muito pior. Era violência, obscurantismo, estupidez. Para defender um ponto de vista verdadeiro, Stansilaw Ponte Preta tinha de dourar a pílula: tratou a ditadura como uma fonte de casos pitorescos, destinados a não diurar muito tempo. Duraram; daí a importância histórica do livro.

Marcelo Coelho

Nascido em 1959, na cidade de São Paulo. Formado em Ciências Sociais pela FFCLH-USP, mestre em Sociologia com tese sobre a construção de Brasília e o governo Kubitschek. É articulista da Folha de S. Paulo desde 1984. Publicou, entre outros, “Gosto se discute” (Ed. Ática, 1994), “Jantando com Melvin” (Ed.Imago, 1998), e “Folha Explica Montaigne” (Publifolha, 2002). Seu mais recente livro é “Crítica Cultural: Teoria e Prática” (Publifolha, 2006).

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Dostoiévski

por Manuel da Costa Pinto
Escritor e colunista de literatura

“Comparadas com as personagens de Dostoiévski, as figuras da literatura anterior parecem idílicas e neutras”.

A frase do crítico Arnold Hauser é provocativa: mitos literários como Ulisses, Dom Quixote, Hamlet ou Fausto seriam então personagens menos complexas do que criações do escritor russo, como o Raskolnikov de Crime e Castigo ou o príncipe Michkin de O idiota?

Não há muito sentido em criar um Fla-Flu literário ou uma loteria de escritores e livros. Na literatura não há vencedores solitários, mas – para continuar na metáfora futebolística – craques generosamente distribuídos pelas diferentes posições do campo.

Dostoiévski não foi um poeta da língua, como Dante e Shakespeare, ou um estilista como Flaubert, Proust e Joyce. Nenhum escritor, porém, atingiu a intensidade psicológica de suas personagens.

Existe um consenso de que Shakespeare criou literariamente a idéia moderna de sujeito, de uma individualidade contraposta ao meio exterior, à vida social. As personagens de Shakespeare ouvem a própria voz, que se sobrepõe à voz das outras personagens em cena – como ocorre quando Hamlet conversa com o fantasma do pai, determinando o destino da peça.

Dostoiévski vai um pouco além e inverte o jogo. Em seus romances, não existe mundo externo, somente paisagens interiores. Ou melhor, cada personagem tem um mundo que lhe é próprio, um mundo autônomo, que escapa ao controle até mesmo do narrador, que se limita ao papel do maestro que determina a entrada dos diferentes naipes da orquestra.

Suas personagens discursam, gritam, agonizam, defendem idéias com a mesma intensidade com que vivem paixões carnais. Dostoiévski conserva os ingredientes do melodrama (crime e traição, culpa e expiação), mas transforma os enredos de mistério em aventuras espirituais,

Em Crime e castigo, o assassinato cometido por Raskolnikov não tem por objetivo vingança ou dinheiro, mas simplesmente comprovar a tese de sua superioridade moral, da capacidade de o indivíduo impor seus valores.

Vem daí o paradoxo desse escritor que é considerado o ápice do realismo: as tramas de seus romances são absolutamente inverossímeis.

Em O Idiota, mal percebemos que os encontros miraculosos e as cenas escandalosas que ocupam as 200 páginas iniciais se passam num único dia – pois tempo e espaço, em Dostoiévski, pertencem a uma outra dimensão, mais real do que a realidade objetiva.

Manuel da Costa Pinto

Nascido em 1966 na cidade de São Paulo. Jornalista, autor dos livros “Antologia Comentada da Poesia Brasileira do Século 21”, “Literatura Brasileira Hoje”, ambos pela Publifolha, e “Albert Camus – Um Elogio do Ensaio” (Ateliê), foi editor-assistente da Edusp, redator do caderno “Mais!”, da Folha de S.Paulo e de 1997 a 2003, editor da CULT – Revista Brasileira de Literatura. Atualmente, é coordenador editorial do Instituto Moreira Salles, colunista de literatura da Folha de S.Paulo.

Entrelinhas - TV Cultura

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Nelson Rodrigues

por Reinaldo Moraes
Escritor e tradutor

Olha, não sei o que você acha, mas eu acho o seguinte: ter viajado é bem me-lhor que viajar. Se isso parece óbvio, direi que o óbvio também é filho de Deus. Chegar é sublime. Aquele que chega é sempre um ser comovido e transcen-dente. E de onde é que eu tô chegando? Ou por outra: aonde estou querendo chegar? É o que perguntaria a vizinha gorda e patusca do Machado de Assis, sentada no sofá com seu saco de pipocas, num pavoroso trabalho de mandíbu-las. De fato, não sei onde quero chegar. Mas sei de onde cheguei, e afirmo: não foi de Paris. Mas, por favor, não falemos de Paris, que é um lugar comum irrespirável. Falemos, se quiserem, do carnaval. Não do que passou, nem do que ainda vai chegar, e muito menos desse carnaval sociológico dos idiotas da objetividade. De fato, se me dão licença, nem é bem do carnaval que eu gosta-ria de falar, mas sim da linda passista morena que ilumina o asfalto durante o carnaval, a rebolar seus flancos plenos, saturados de vida fecunda. Mais espe-cificamente ainda, quero falar da beleza da morena. Ora, desde os tempos em que Sócrates caçava passarinho com bodoque, sabe-se que a beleza feminina desfruta de tamanho apreço simplesmente porque não há tantas mulheres tão belas quanto a passista morena. Nem aqui, nem em Paris. Nem na Escandiná-via, onde, aliás, o Otto Lara Resende jura não ter encontrado uma só mulher bonita. Essa é toda a verdade: não há mulheres bonitas na Escandinávia, loiras ou morenas. É que lá são todos belos. Homens, mulheres, cachorros, papagai-os, se papagaio houver na Escandinávia, todos esguicham uma saúde de vaca premiada, saúde que o Estado lhes oferece de graça. E a saúde, como se sa-be, é a mãe biológica da beleza. Se não a mãe, a tia, pelo menos. Ora, onde todos são bonitos, ninguém é bonito. A beleza tem de ser uma exceção, como a dessa morena carnavalesca que eu tô falando, em seu biquini de corista do Moulin Rouge. Os surrealistas, que preferiam o sonho à realidade, achavam que a verdadeira beleza tem de ser espasmódica. Eu diria que além de espas-módica, ela tem de ser rítmica, tropical, despudorada. Se o André Breton to-passe com a minha passista em Saint-Germain-des-Prés, cairia do alto da luci-dez varado de luz feito um anjo de vitral. Acabaria seus dias num hospício a-marrado num pé de mesa, passando a pão seco e água servida numa cuia de queijo Palmira, dando arrancos triunfais de cachorro atropelado e vertendo lá-grimas grossas como pitangas – só de pensar na passista morena. E aqui che-gamos ao assunto que se escondia feito uma normalista tímida no fundo do meu cérebro: o amor. Falo do verdadeiro amor, não dessa enfatua-ção glandular que os tempos modernos chamam de amor. O amor é a arte do lazer. O amor precisa de tempo – eis o que eu estou para dizer desde que a-cordei hoje de manhã.

Reinaldo Moraes

Nascido em 1950 na cidade de São Paulo. É autor dos romances “Tanto faz” publicado pela Ed. Brasiliense e reeditado pela Ed. Azougue em 2003, e “A órbita dos cararóis” pela Cia das letras, onde publicou o conto “Umidade”(2005). Foi co-autor de telenovelas em várias emissoras brasileiras, crônista de programas de variedades e roteirista dos filmes “Tainá, uma aventura na Amazônia” (1998) e “Eliana e o segredo dos golfinhos” (2004).

Entrelinhas - TV Cultura

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Cartas Solidárias - Tomando partido num mundo globalizado

Resenha:
OPINIÃO DO LEITOR: Caro Frei João e cara Lília, Aproveito esse silêncio de início de ano para colocar em dia o meu débito com vocês a respeito do “Cartas Solidárias, tomando partido num mundo globalizado”. Talvez as minhas palavras sejam óbvias. Desculpe. Quero mesmo é registrar a minha alegria em folhear primeiro e ler com deleite cada uma das páginas que formam o livro. Confesso que fiquei já de cara emocionado com a Apresentação primaveril e com esta bênção profética de Dom Pedro. Os dois textos formam o útero do livro, donde rebentam as palavras e as respirações de cada uma das outras páginas. Respirações, digo, porque é vida (e, portanto, também é morte) o que se lê sob os títulos dos países e lutas que aí comparecem. Pessoalmente a experiência se torna mais tocante porque esses nomes de gente e de lugares fazem parte do meu álbum de memórias e me coloca (nos coloca) em união fraterna e profética, principalmente a partir de Timor, Iraque, Porto Rico, México e todas esses testemunhos brasileiros. Em cada um deles senti renovado o apelo solidário que nos motiva a formar esta ?equipe ampliada? de tantas lutas comuns batizadas com a marca da tradição da nossa família dominicana. Bom é que este livro celebre também, os 800 anos dessa nossa missão, da qual o livro dá uma demonstração de atualidade e importância, comprovando a força que essa mística tem e o quanto ela pode contribuir para que os sistemas de exploração e violação da dignidade humana, em todos os lugares do mundo, sejam denunciados e erradicados. Nesse sentido, que o livro seja declarado um memorial profético dessas lutas no aniversário da família dominicana! A mim, como sempre, só resta agradecer a chance de terem me conduzido nesse caminho e possibilitado tantos olhares diferentes e tantos encontros enriquecedores que me tornaram uma pessoa melhor e mais consciente dos problemas de minha gente ? aqui e acolá. Olhando essas lutas aprendemos das coisas de Deus através das lutas humanas, de onde Ele se faz presente e de onde Ele foi expulso ou não encontra lugar. É do céu e do inferno que se fala. Não os infernos fictícios inventados por correntes religiosas que usam o diabo para manter o medo e a ignorância das gentes, mas o inferno real vivido por crianças, mulheres e homens ao redor do mundo. É quanto ao céu… fica claro também que ele se manifesta onde estão esses homens e mulheres que se vestem de esperança e dedicam suas vidas à construção do Reino. Por fim, uma coisa não gostei: a divisão do sumário reduziu as lutas de vocês a dois países em especial. E os outros ficaram como meros “outros”. Acho que poderia ter sido diferente, pra mostrar a luta realmente “internacional” que forjou esta obra. Faltou destaque, por exemplo, para o México, tantas vezes debatido, ou mesmo para o Iraque, a Palestina… Acho que a ordenação do sumário não deixa ver com clareza o sentido do trabalho de vocês. E por fim, a(s) carta(s) sobre a CPT e o MST… quanta alegria em vê-las aí e possibilitar com isso que sejam lidas e admiradas por outras pessoas. Porque, afinal é isso o que esse livro faz: nos (re)aproximar a todos e todas e fazer de nós o que nós sempre fomos/somos/deveríamos ser: um grupo de solidariedade. Um abraço carinhoso, JELSON OLIVEIRA

Cartas Solidárias - Tomando partido num mundo globalizado

cartas solidariascapa - cartas solidariascapa
Lilia Azevedo e frei João Xerri op.

ISBN: 978-85-7743-019-2
Número de páginas: 208
Preço: R$ 10,00

Cartas escritas pelos autores sobre as lutas dos povos dos mais diferentes lugares deste mundo: África do Sul, Haiti, Timor Leste, Palestina, Iraque e outros. O livro traz também reflexões sobre teologia, solidariedade, fé e política.

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TOBIN OR NOT TOBIN? - PORQUE TRIBUTAR O CAPITAL INTERNACIONAL EM APOIO AOS CIDADÃOS

AUTOR:
CHESNAIS, FRANÇOIS
TRADUTORES:
FRANCISCO CALHEIROS R. FERREIRA, GUSTAVO MAIA JR…

SINOPSE:
Neste livro, o renomado economista francês François Chesnais discute os prós e os
contras do tributo Tobin imposto ao mercado financeiro em 1971 pelo professor americano
James Tobin para a taxação dos movimentos de capitais de caráter especulativo. De forma
didática, o autor trata do imposto Tobin apenas como pretexto educativo para esclarecer
as engrenagens da globalização (”mundialização”, conforme opção do autor) financeira,
bem como argumentos neoliberais que devem ser atacados.

ORELHAS:
Quarta capa

Este livro se dirige àqueles que deram o primeiro passo, somando-se à nova forma de
aliança política que a ATTAC representa, como também a todos aqueles que ainda têm a
vontade e a esperança de influir no futuro do mundo através de sua luta. Um mundo no
qual ninguém afirme que seu horizonte econômico e social capitalista
seja “intransponível”. François Chesnais

SUMÁRIO:
APRESENTAÇÃO: Maria da Conceição Tavares

I - OS DESAFIOS DE UMA PROPOSTA HÁ MUITO TEMPO ESQUECIDA
Garantir a confiança dos investidores e “acalmar os mercados”?
O tributo Tobin, um tributo sobre o capital
O contexto e a importância da campanha pelo tributo Tobin

II - ESPECULAÇÃO FINANCEIRA E APROPRIAÇÃO DE RIQUEZA
As etapas da liberalização e da mundialização financeiras
Bancos internacionais e fundos de investimento
A dívida pública, fonte do poder dos fundos de investimento
Os especuladores especializados e os fundos de pensão nas crises cambiais de 1992-1993
A dimensão dos ativos dos fundos e a diversificação internacional dos investimentos

III - O TRIBUTO TOBIN E SEUS OPONENTES
As amplas oportunidades de especulação criadas pelo capital financeiro
Uma gama de situações diversas por detrás do termo “especulação”
Uma fonte permanente de instabilidade com pouca ou nenhuma utilidade social
A cobrança, no mercado de câmbio, de ingressos tão caros quanto os de cassinos
Objetivos econômicos e objetivos de solidariedade internacional
O primeiro grupo de objeções: defender a inviolabilidade das taxas de câmbio flutuantes
O segundo grupo de objeções: as dificuldades práticas de sua implementação

IV - “CONTROLAR” OU COMBATER A MUNDIALIZAÇÃO FINANCEIRA?
O sentido das propostas de “reforma” do sistema financeiro mundial
As novas investidas dos “fundos de pensão à francesa”
O balanço atual da mundialização e a engrenagem da recessão mundial

Editora da Unesp

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Wilson Cano - Introdução à Economia

INTRODUÇÃO À ECONOMIA
UMA ABORDAGEM CRÍTICA - 2º edição revista e ampliada

AUTOR(ES):
CANO, WILSON

SINOPSE:
Nesta segunda edição revista e ampliada, Wilson Cano aborda, “as tentativas de impor às
nações subdesenvolvidas idéias neoliberais que só ‘fazem bem’ às nações desenvolvidas,
ao dito Primeiro Mundo. Para tentar manter uma artificiosa e ‘inteligente’ política de
estabilização, as nações desenvolvidas estão minando as finanças públicas e
desestruturando o aparelho produtivo nacional. Os maiores exemplos disso são as grandes
reduções de capacidade produtiva já ocorridas em muitos setores, notadamente nos da
agricultura, indústria têxtil, confecções, brinquedos, componentes eletrônicos e
autopeças. Nesses anos de práticas de políticas neoliberais  já abandonadas em alguns
países  os efeitos sociais nefastos já se fazem sentir também aqui: drásticos cortes
nos gastos públicos sociais, aumento do desemprego aberto e o de longa duração,
desmedido crescimento da violência urbana e grave deterioração dos padrões éticos,
políticos e sociais. Por outro lado, torna-se ainda mais difícil a redação de um texto
de introdução à Economia, haja vista a crise pela qual passa a Teoria econômica
(as “novas” e as “neos”) e a “financeirização” criada pela crise financeira
internacional, que cresce, justamente, a partir da década de 1970 e parece não ter
solução pacífica”.

ORELHAS:
Em uma linguagem acessível mesmo para aqueles que não são estudantes da área, este
livro introduz o leitor, gradativamente, nos meandros da Economia, para desmistificar o
excessivo caráter “técnico” que muitos lhe pretendem dar, e para desnudá-la, o quanto
possível, como um conjunto de regras e possibilidades, mutáveis no tempo e no espaço,
que podem (e o são) administradas pela política.

Assim, ele é uma alternativa crítica à visão tecnocrática dos economistas que rezam
pela cartilha do mainstream, isto é, aqueles que tentam impor a economia como uma
verdade universal, desconsiderando as profundas especificações culturais, históricas e
econômicas existentes entre os diferentes povos e nações. Para que isso fosse possível,
o autor procurou integrar os ensinamentos fundamentais da economia e suas principais
categorias analíticas em uma visão histórica, lastreada pela Teoria do Desenvolvimento
e do Subdesenvolvimento Econômico, em que as diferenças entre os países desenvolvidos
são, a todo tempo, advertidas ao leitor.

Não se trata de um livro “original”, dado que há textos e livros predecessores, como se
poderá constatar na leitura de sua Apresentação. Trata-se antes de tudo, de um esforço
para recuperar ao leitor o posicionamento crítico que se tinha em maior conta em
passado recente, confrontando nossas atitudes diante do exercício da análise e da
política econômica perante opções do desenvolvimento.

Contudo, ele não é a volta ao passado. Antes, pelo contrário, ao apresentar os graves
problemas com que hoje nos defrontamos, diante desse arrogante e autoritário conluio
conservador que é o neoliberalismo, adverte o leitor de que não deparamos com uma
inevitabilidade (a globalização), bem como que existem outros caminhos que a humanidade
pode trilhar, com mais justiça, liberdade e bem-estar.

O livro é constituído de oito capítulos: os dois primeiros são uma breve e geral
introdução à noção de sistema econômico e de como e por que se faz a produção de bens e
serviços; o terceiro apresenta o problema da complexidade da circulação da produção; o
quarto analisa os efeitos decorrentes da interação internacional; e o quinto, as
diferentes formas pelas quais o Estado atua na economia. O sexto tentar mostrar como
uma empresa funciona “da porta para dentro” e que tipos de efeitos ela geral no
sistema. O sétimo introduz o leitor no complexo sistema monetário e financeiro; e o
último constitui um esforço para repor a importante temática de distribuição da renda e
da propriedade e sua enorme e crescente desigualdade.

A ampla aceitação da primeira edição (1998) e das quatro reimpressões (a última em
2006) estimulou o autor a rever este livro, atualizando-o e ampliando vários de seus
tópicos.

Quarta capa

Este livro busca ampliar o espírito crítico dos estudantes, lembrando, não só a eles
coom também a alguns de seus mais jovens docentes, que este ainda é um país
subdesenvolvido - e não apenas injusto.

Sobre o autor

Wilson Cano é doutor em Ciências Econômicas pela Unicamp, onde é professor titular.
Membro vitalício do conselho curador da Fundação Economia de Campinas e consultor da
Fapesp.

SUMÁRIO:
Apresentação

Capítulo 1 - A economia de mercado (visão simplificada de seus principais elementos)
1. A complexidade do sistema
2. A produção
2.1. O elemento humano
2.2. Os recursos naturais
2.3. O capital
3. O aparelho produtivo
3.1. Os fluxos do aparelho produtivo: o produto e a renda

Capítulo 2 - A economia de mercado (origem e destino da produção)
1. O processo de produção
2. O destino da produção

Capítulo 3 - A circulação numa economia de mercado
1. O processo circulatório
2. O condicionamento quadridimensional nos mercados

Capítulo 4 - As relações econômicas internacionais
1. A economia nacional e sua inter-relação com o “resto do mundo”
1.1. Os principais tipos de transações econômicas internacionais e seu registro
1.2. O mecanismo de controle
1.3. Os efeitos do inter-relacionamento na economia nacional
2. Alguns determinantes das relações econômicas internacionais
3. As relações econômicas internacionais e o “Terceiro Mundo”
3.1. O período atual: globalização e políticas neo liberais

Capítulo 5 - O setor público
1. Atuação do setor público na economia de mercado
2. A atividade produtora do setor público
3. Apropriação e utilização de rendas pelo setor público
3.1. As rendas do setor público
3.2. O gasto público
4. Estado e desenvolvimento
4.1. O Estado desenvolvimentista: da “crise de 29″ a “crise da dívida” (1979-1982)
4.2. O surgimento e a atuação do “Estado desenvolvimentista”
4.3. O mito da estatização
4.4. O fim do Estado desenvolvimentista?

Capítulo 6 - Moedas, bancos e sistema financeiro
1. Introdução
2. Os meios de pagamento: sua formação e expansão
3. Os mercados financeiros e as entidades intervenientes
4. Algumas particularidades do sistema monetário-financeiro no undo subdesenvolvido

Capítulo 7 - A unidade produtora e sua inserção no sistema
1. Planejamento e instalação da unidade produtora
1.1. O condicionamento institucional
1.2. O condicionamento dos mercados
1.3. Condicionantes do processo produtivo
1.4. Investimentos e recursos financeiros
1.5. Produção, custos, receitas e lucros financeiros
2. A inserção da unidade produtora no sistema econômico
2.1. Interdependência estrutural: oferta e demanda intermediária a empresa
2.2. A tecnologia e a geração de empregos
2.3. Efeitos sobre o balanço de pagamentos
2.4. Efeitos sobre o sistema monetário-financeiro

Capítulo 8 - Repartição e apropriação do produto social
1. Repartição e relações econômicas internacionais
2. Repartição e disparidades regionais
3. Repartição funcional: trabalhadores e proprietários
4. Repartição pessoal da renda e apropriação pessoal do produto
4.1. Repartição pessoal da renda
4.2. Apropriação pessoal do fluxo real de bens e serviços

Editora da Unesp

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Ciro Marcondes Filho - Cenários do Novo Mundo

Por Raquel Raw

Os sistemas eletrônicos forjaram um novo espaço. Um espaço que difere do real-físico palpável, de uma geografia. Diferente também do espaço imaginário que construímos mentalmente quando lemos um livro ou fantasiamos um lugar, uma cena. O espaço cibernético das redes, da realidade virtual, das comunicações eletrônicas é tão imaginário quanto o outro, o nosso, subjetivo; mas é coletivo e vivenciado por múltiplas pessoas ao mesmo tempo. Apesar de não existir materialmente, não ser palpável pisável, sensível, ele existe.

O novo espaço, especialmente as formas de realidade virtual, tem limites específicos, áreas de acesso, um ambiente pré-formado. Ele é mais estreito e opõem-se ao espaço imaginário do cinema e, mais ainda, da literatura. Caminha por regiões de expansão finita e fechada. É impossível o desbravamento de novas áreas. Trata-se, assim, de um espaço de confinamento.

Mas é também um espaço de velocidade. A rede é instantânea. Um diálogo com outra pessoa ou uma participação numa teleconferência cobram-nos respostas imediatas e tendem a estimular participações impulsivas, impensadas, emocionais e diretas. O emaranhar-se em mundos virtuais, a fixação nas conversas on-line, o caminhar tecnocrático por ambientes depurados da realidade virtual não sabe onde pôr e nem tem o que fazer com nossas frustrações, nossa impotência diante do poder. Não apresenta saída para a solidão existencial, não informa como excluir o desespero, a indignação, o mal-estar nesta cultura e nas futuras que virão. Com isso temos que nos conformar inapelavelmente, mesmo diante da tela cintilante e do cursor a nos piscar sempre nos chamando a cada vez: “Entre! Não faça cerimônia …”

A era tecnológica forja uma estrutura unificadora própria, sua metafísica a partir da própria técnica. Uma vez, a filosofia desempenhou o mesmo papel social que o cristianismo teve antes do modernismo. Hoje, esse papel cabe à tecnologia. É nesse sentido que a técnica é hoje a mais plena de todas as metafísicas e está atingindo o ponto mais extremo de suas possibilidades. Porque as ações técnicas do homem conjugam um modo desse homem operar seu mundo, trabalhá-lo, num processo que marginaliza a reflexão. E essa “filosofia” se realiza por meio da linguagem; no sentido genérico pela comunicação. Mas não uma comunicação marcada, determinada, ideologicamente cifrada, com intenções estas ou aquelas. É uma comunicação pura e simples, o estar em contato, o communicatio: estabelecer uma relação com outro.

Assim, num quadro social fragmentado como o nosso atual, onde o tecido social torna-se colcha de múltiplos retalhos autônomos, só uma coisa volta a unir, se bem que no plano abstrato, as diferentes coletividades e interesses: o laço imaginário da comunicação. Por esse motivo a comunicação abdica de sua posição como disciplina do saber, para ocupar o espaço exigido pela nova metafísica, a técnica. Nesta cena, o homem é pequeno, microscópico, pura célula. Funciona no sistema como ponto de passagem de energias e fluxos diversos. A participação dos homens nesses sistemas reveste-se dos mesmos atributos dos demais componentes, vivos ou não: é inesperada, incalculável, estranha, inapreensível, operando múltiplos jogos comunicacionais com outros agentes, desencadeando processos de efeitos imprevisíveis.

A desconexão com o mundo externo promovida pela tecnologia do ciberespaço, bem como a participação em um mundo próprio ou fechado desemboca nas formas de auto-referência. Círculo vicioso contínuo e sempre igual, incapacidade de romper os limites de regras pré-estabelecidas, permanência alucinada em um confinamento, todas essas formas levam ou à própria loucura ou a uma passividade imbecilizante.

A sexualidade cibernética é paradigma de todas as relações humanas mediadas pela máquina. Com o aparecimento da AIDS, o sexo se tornou forma de morte ou de virtualidade da morte. A sexualidade cada vez mais necessita libertar-se dos corpos colados, agarrados, excitados, que se penetram, para tornar-se pura idéia, fantasia imaginária, construção mental. Para esse novo estado de coisas, a sexualidade cibernética veio bem a calhar. Elas permitem a extensão do insignificante e pouco compensador erotismo das revistas, dos peep-shows, dos stripteases para algo um pouco mais participativo. Ao mesmo tempo, essa distância “higiênica” dos outros assinala uma mudança substantiva nas formas de sociabilidade da espécie. Configura a ultrapassagem de um limiar, a despedida da necessidade do outro presente e a sobrevivência do outro com simulações, robôs e metonímias. O relacionamento à distância tenta substituir o outro simulando a presença deste. Mas o que ocorre é que eu produzo meu próprio orgasmo vicariamente, já que o outro é assumido por mim mesmo. Nessa “solução” endógena, o corpo do outro nunca será conhecido, será apenas criação de minha própria fantasia.

Na rede, o tipo humano com formas morais oscilantes e oportunas, o cínico de Sloterdijk, é o que mais se encontra, pois este pode praticar todas as morais possíveis, inclusive as mais perversas, encobertado pela liberdade das redes. Nas nossas experimentações, fazendo o papel de seres, outros sexos, outras raças, outras idades, ampliamos nossa criatividade e damos largas à nossa capacidade ficcional. Mas todas esses nossos subtipos partilham de pressupostos comuns. Se cometem assassinatos, se são canibais, incestuosos ou perigosos contraventores na realidade virtual, sem dúvida autorizam essas práticas nas fantasias do mundo real. Não se trata de outra moral ou múltiplas morais, e sim de certa desinibição de tendências anti-sociais, que hoje em dia encontram mais tolerância no espaço público.

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Capitalismo para principiantes

Essa obra tem histórias! Para começar até hoje nem o autor nem a editora sabem como classificá-lo entre os gêneros literários. Trata-se de um livro que fala das relações de produção desde a primeira organização social do Homem. Só que o livro é uma combina ção de textos e desenhos. Juntos, nas 208 páginas estão uma pesquisa exaustiva de Novaes e 435 ilustrações de Vilmar Rodrigues. O editor da Nórdica não quis editá-lo por considerá- lo “muito à esquerda”. A Ática porém, aceitou produzi-lo e com ele - pela primeira vez na sua história, teve um livro incluído na relação dos best-sellers (revista Veja). Lançado ainda no período da ditadura militar, o Capitalismo foi “enfiado na gaveta” pela imprensa que não lhe deu nenhuma divulgação. Apesar da queda do Muro de Berlim, o livro permanece uma pequena obra-prima de humor, história e informação e segue sua trajetória de vendas.

Carlos Eduardo Novaes

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Descobrimento do Brasil - O maior acontecimento da nossa história.

Velhos marinheiros assombrados pelo desafio da aventura. O Mar Tenebroso engolindo barcos. Homens duros enfrentando o desconhecido. O medo das serpentes gigantes, do abismo da borda do mundo. De repente, precedido por aves e sargaços, surge verdejante na linha do horizonte o indício concreto de um Nove Mundo.

Terra à vista!!! Palavras mágicas que imobilizam aqueles homens já alquebrados pela longa travessia. Palavras mágicas que ecoam pela grande frota como um bálsamo para as terríveis privações. Não mais o medo dos monstros, das ondas enormes, do escorbuto, da fome e da sede. Ao longe está a graça alcançada, o paraíso revelado. Na praia, os Tupiniquins, ancestrais moradores desta terra cálida, verde e venturosa, observam espantados o espetáculo inédito. Grandes velas brancas aproximam-se da praia como “montanhas que flutuavam”. Eduardo Bueno traz para seus milhares de leitores a emoção da aventura vivida por homens de carne e osso. A história do descobrimento do Brasil com imagens e um texto que dá vida ao maior acontecimento da nossa história.

AUTOR: Eduardo Bueno
TEMAS: expedições - história
PÁGINAS: 130
Tamanho: Pocket (10,5 x 18 cm)
EDITORA: L&PM
ISBN: 85-254-1258-9

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Biografia de John Locke

Filósofo, acadêmico e pesquisador médico inglês

29/08/1632, Wrington, Inglaterra
28/10/1704, Oates, Inglaterra

Da Página 3 Pedagogia e Comunicação
Reprodução

John Locke exerceu enorme influência sobre todos os pensadores de seu tempo

Artesão do pensamento político liberal, Locke nasceu numa aldeia inglesa, filho de um pequeno proprietário de terras. Estudou na escola de Westminster e em Oxford, que seria seu lar por mais de 30 anos. Os estudos tradicionais da universidade não o satisfaziam, mas aplicou-se. Foi admitido na Sociedade Real de Londres, a academia científica, em 1668, para estudar medicina: graduou-se seis anos depois, mas sem o título de doutor.

A maior parte de sua obra se caracteriza pela oposição ao autoritarismo, em todos os níveis: individual, político e religioso. Acreditava em usar a razão para obter a verdade e determinar a legitimidade das instituições sociais.

Quando Locke escreveu os “Dois Tratados sobre o Governo”, a sua principal obra de filosofia política, tinha como objetivo contestar a doutrina do direito divino dos reis e do absolutismo real.

Também pretendia criar uma teoria que conciliasse a liberdade dos cidadãos com a manutenção da ordem política. Para o pensador inglês, o que dá direito à propriedade é o trabalho que se dedica a ela. E desde que isso não prejudique alguém, fica assegurado o direito ao fruto do trabalho. Foram essas as bases da idéia de uma sociedade sem a interferência governamental, um dos princípios básicos do capitalismo liberal.

Para o filósofo, todo conhecimento humano pode ser obtido por meio da percepção sensorial ao longo da vida. A mente do ser humano ao nascer seria como uma folha em branco, e tudo que se sabe é aprendido depois. Baseava sua crença no poder da educação como transformadora do mundo. Afirmava que o mal não era parte de um plano de Deus, e sim produzido por um sistema social criado pelos indivíduos. Por isso, poderia ser modificado também por eles.

Sua obra, “Ensaios”, escrita ao longo de 20 anos, é sua grande contribuição à filosofia. Seu interesse se centrava nos tópicos tradicionais da filosofia: a natureza do ser, o mundo, Deus e os níveis de conhecimento. Locke foi também o precursor do pensamento iluminista nas questões políticas.

De pesquisador a secretário de um nobre no governo inglês, tornou-se um escritor de economia, ativista político e um revolucionário cujas idéias ocasionaram a vitória da Revolução Gloriosa, em 1688, contra o absolutismo. Foi também deputado no Parlamento e defendeu que somente quem dispusesse de apoio da maioria dos parlamentares deveria ter o direito de ser ministro (como até hoje funciona o sistema britânico).

Em sua obra, afirmou que a organização das leis e do Estado deve ser feita com o objetivo de garantir o respeito aos direitos naturais. A garantia dos direitos naturais do povo - a proteção da vida, da liberdade e da propriedade de todos - é definida por ele como a única razão de ser de um governo. Se o governante não respeita esses direitos, os governados podem derrubá-lo e substituí-lo por outro mais competente.

Locke exerceu enorme influência sobre todos os pensadores de seu tempo e foi uma das principais referências teóricas para os líderes das revoluções que, a partir do final do século 18, transformaram a sociedade ocidental.

Fonte: UOL Educação

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O desafio de uma nova geração

Jovens entre 15 e 24 anos já representam 48% do desemprego nacional

Márcio Pochmann

Neste último quartel do século XX, o Brasil vem se destacando na geração de um grande excedente de mão-de-obra, especialmente entre os jovens. Para as pessoas na faixa etária de 15 e 24 anos observa-se uma expansão do seu tempo livre disponível, cada vez mais esperando por alguma ocupação.

Causa espanto perceber que nos anos 90 o nível de ocupação dos jovens permaneceu praticamente inalterado. Apesar de 2,7 milhões de jovens terem ingressado no mercado de trabalho, o país abriu somente 120 mil novas vagas. Por conta disso, o volume de jovens ocupados em 1999 (16,1 milhões de postos de trabalho) foi quase o mesmo de 1989, implicando maior desemprego, que passou de 1 milhão, em 1989, para 3,6 milhões, em 1999, representando 48% do total do desemprego nacional.

Ao final da década constata-se que a cada 100 jovens, quase 20 estavam na situação de desemprego, enquanto ao término dos anos 80 eram apenas 6 jovens desempregados a cada 100. Enquanto no Brasil a taxa nacional de desemprego juvenil atinge 17,1%, nos países ricos, a taxa média de desemprego juvenil é de 13,4%, conforme informa a OCDE.

Além da tragédia do desemprego, convém ressaltar também as mudanças significativas no padrão de inserção ocupacional do jovem no Brasil. Nos anos 90, houve uma regressão no assalariamento, o que fez com que dos 6,9 milhões de jovens com empregos formais de 1989 sobrassem apenas 4,9 milhões em 1998. Com a queda do assalariamento regulamentado há menos jovens contribuindo para os fundos públicos, ampliando em perspectiva o problema estrutural de financiamento das políticas públicas no país.

Primeiro emprego

Em função disso, não é mais possível negar a gravidade da situação atual do jovem, necessitando de uma intervenção pública emergencial. As barreiras ao primeiro emprego precisam ser rompidas. Deve-se ressaltar que o primeiro emprego representa uma situação decisiva na trajetória futura do jovem frente ao mercado de trabalho. Quanto melhores as condições de acesso ao primeiro emprego, proporcionalmente mais favorável deve ser a evolução profissional da juventude.

No passado, o primeiro emprego representava a possibilidade de o jovem constituir a sua trajetória profissional ao longo de sua vida útil. Nos dias de hoje, isso não é mais assim. Em primeiro lugar, porque – além de escassas – as ofertas de trabalho são, muitas vezes, temporárias e nas mais diferentes situações (bicos, estágios, treinamento, entre outras), que dificultam a construção de uma carreira ocupacional. Sem a existência de uma ocupação estável, o jovem não consegue sair da condição de desemprego recorrente. Isto é, desemprego interrompido temporariamente por bicos, estágios e quebra-galhos para auferir alguma renda.

Em segundo lugar, porque, as ocupações que muitas vezes eram a primeira porta de ingresso no mercado de trabalho, passaram a ser objeto de concorrência entre trabalhadores adultos. Diante de um elevado excedente de mão-de-obra, os trabalhadores adultos buscam qualquer vaga, inclusive as anteriormente ocupadas por jovens. Nessa condição, o empregador pode contratar adultos, mais preparados, pagando salários de jovem.

Medidas fundamentais

Para sua reversão, duas devem ser as ordens de medidas de fundamental importância a serem implementadas para geração de postos de trabalho em maior quantidade e qualidade, além da retomada sustentada do crescimento econômico. Na primeira ordem, encontram-se as medidas direcionadas à postergação do ingresso do jovem no mercado de trabalho. Isso não ocorrerá apenas com os esforços familiares. Torna-se necessário a difusão de mecanismos de transferência de renda (bolsa escola, renda mínima, entre outros) para as famílias carentes, com o objetivo de assegurar melhores condições de acesso e manutenção no sistema escolar. A melhora quantitativa e qualitativa da escola é inquestionável nesse novo cenário.

Por fim, na segunda ordem de medidas, destacam-se aquelas direcionadas à promoção de ocupações especificamente para o jovem. A constituição de um sistema nacional de ações de melhor relacionamento entre o sistema de ensino e o mundo do trabalho, além de postos de trabalho subsidiados no setor privado e de programas de utilidade coletiva no setor público podem ajudar a desconstituir a atual geração de supranumerários no Brasil.

Marcio Pochmann é professor do Instituto de Economia (IE), pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp e autor do livro A batalha pelo primeiro emprego no Brasil (Publisher Brasil)

Portal da Unicamp

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Segurança Pública, Direitos Humanos e Violência

Em 27/6/2007, forças policiais estaduais e federais executaram uma ação no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, deixando 19 mortos e dezenas de feridos. A “megaoperação”, como chamou a mídia corporativa carioca, que lhe deu espaço e apoio, não foi um fato isolado, e sim mais um episódio da política de segurança pública em vigor no estado do Rio de Janeiro.

É a partir deste episódio específico e da situação geral das políticas públicas na área de segurança que se situa “Segurança pública, direitos humanos e violência”. Compõem a obra entrevistas com Cecília Coimbra, Chico Alencar, Ignacio Cano, João Tancredo, Julita Lemgruber, Marcelo Freixo, Marcelo Salles, Paulo Ramos e Vera Malaguti Batista. Há ainda artigos de Maria Helena Moreira Alves (em texto publicado antes da chacina do Alemão, já apontando uma série de problemas na “ocupação” policial da área), José Arbex Jr., Leonardo Sakamoto, Mário Maestri e Rafael Fortes. São pesquisadores, professores, especialistas, políticos, jornalistas e militantes. Em comum, a atitude de ir a público criticar a violência produzida pelo Estado, no momento em que as operações policiais contavam com apoio notável da mídia corporativa, de autoridades e de diversos setores da sociedade.

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Neste sentido, o livro é um registro histórico. Mas é também uma obra de intervenção e debate, na medida em que apresenta um panorama amplo do problema da violência. Os autores discutem o tema não só como questão de polícia, mas sobretudo de política. Abordam variados elementos no mosaico da violência urbana, incluindo críticas duras e embasadas às políticas em vigor no Rio de Janeiro, bem como a uma série de mitos e meias-verdades que povoam o senso comum sobre o tema, alimentado pela cobertura sensacionalista realizada por parte dos meios de comunicação hegemônicos.

Estigmas e preconceitos ajudam a criar um caldo de cultura em que a eliminação de seres humanos se torna uma saída para apaziguar o pavor experimentado pela sociedade, que vê a si mesma como refém da falta de segurança. Desta forma, muitos sucumbem à tentação de não só fazer vista grossa, mas de também autorizar e enxergar de forma positiva ações criminosas cometidas pelo Estado.

Frente a este estado de coisas, temos um livro na contramão. Contra o obscurantismo, a desesperança, a insensibilidade, o preconceito, o racismo e o ódio de classe, apostando na razão, no contraditório, na pedagogia, no convencimento pela argumentação. Uma leitura para quem quer encontrar argumentos e pontos de vistas diferentes, a fim de se situar melhor na complicada discussão sobre segurança pública, direitos humanos e violência.

Ficha:

‘Segurança pública, direitos humanos e violência’

Autores: diversos

Organizador: Rafael Fortes

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Autores e editores numa boa notícia

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Por Deonísio da Silva

A mídia brasileira parece a serviço de meia dúzia de editoras, das quais noticia ainda assim poucos lançamentos, de alguns poucos autores. E tampouco se ocupa das verdadeiras questões que afligem aqueles que concebem o livro como figura solar desde o Renascimento, os habitantes da Galáxia Gutenberg, entre nós extremamente despovoada.

Ainda assim, o Brasil vive o esplendor de uma produção editorial impressionante. Por isso a estranheza é ainda maior quando a mídia não cobre palavras e ações que vêm alterando o mundo do livro no Brasil. Duas ou três notinhas aqui e ali sobre os mesmos editores e alguns de seus autores e o notório banimento da Bienal do Livro exemplificam o descaso geral.

Por isso, não é surpresa que a mídia tenha ignorado um pronunciamento que, pela importância e pertinência do tema, fez por merecer repercussão, entretanto abafada. Refiro-me ao discurso de Renata Farhat Borges, presidente da Liga Brasileira de Editores (LIBRE), no 7º Congresso Ibero Americano de Editores, cujo tema central foi “O Livro, a Leitura e a Construção da Cidadania”, em 13 de agosto de 2008. Aos interessados: a íntegra do pronunciamento está disponível aqui.

“Ação transformadora”

Diz ela logo na abertura:

“Dentre as inúmeras assertivas dos editores independentes em todo o mundo, que se manifestaram formalmente em novembro de 2005 por meio da Declaração ou Manifesto de Guadalajara, estão aquelas bastante conhecidas de todos que atuam pela preservação da chamada bibliodiversidade: a de que a edição independente, ou edição local, aquela que é considerada instrumento das expressões culturais locais, sofre os efeitos da globalização econômica e da concentração de capital do setor nas mãos de grandes grupos de edição”.

No Brasil, não apenas os chamados pequenos editores estão sofrendo este tipo de restrição, mas a maioria das cerca de três mil editoras. Não é necessário pesquisar muito para se constatar que das cem maiores editoras brasileiras, apenas cerca de dez delas conseguem, não se sabe bem por quais razões, a atenção dos grandes jornais e revistas.

Continua a presidente da LIBRE:

“A ação do editor independente na transmissão de valores do imaginário e das culturas locais não é compatível com a lógica mercantilista dos grandes grupos editoriais”.

Mas esta restrição, que vale para o atacado no mundo editorial das grandes corporações, manifesta-se no Brasil numa reprodução interna que amplia tal distorção no limite da perversidade.

Assim, nas palavras trazidas por Renata Borges para uma pertinente discussão, “o empobrecimento cultural que se alastra pela tendência homogeneizante do mercado editorial globalizado não se afina com os pressupostos da Convenção Sobre a Protecção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais da Unesco, que expressa os ideais da maioria dos povos sobre a integração e o respeito às culturas locais”.

Retomando o manifesto em que se baseia, põe em destaque especial um trecho em que é apontada uma possível forma de enfrentar o cerco, não da mídia, mas do mercado:

“O Manifesto fez um apelo a todos os editores independentes para que se reunissem em coletivos nacionais, regionais e internacionais a fim de defender os direitos dos editores empreendedores, de influenciar as políticas públicas do livro ao redor do mundo, dando especial atenção às especificidades dessa fatia do mercado editorial”.

Assinado por 70 editores de três continentes, o documento enseja que autores, bibliotecários e livrarias trilhem caminhos diferentes dos que vêm sendo percorridos até aqui, ao unir forças para o que chama de “uma ação transformadora”.

Sementes que frutificam

A LIBRE congrega 93 editoras brasileiras, definidas como independentes, procura organizar alguns atores do mundo do livro (autores, ilustradores, tradutores, editores iniciantes etc.) reunindo-os em encontros periódicos na busca de soluções para problemas comuns.

O Ministério da Cultura vem sendo instigado a incentivar a criação de quatro pólos regionais de apoio e estímulo à cadeia independente do livro, que já tem um nome: Ponto do Livro.

Segundo a presidente da LIBRE, “nesse momento, o Minc estuda a possibilidade de incluir essa proposta no programa Cultura Viva, que destina orçamento da União para pontos de cultura espalhados pelos Brasil”.

Mas os quase cem editores não se limitam a esperar as habituais benesses do governo. Ainda neste 2008, vão realizar em São Paulo e no Rio dois importantes eventos. Na capital paulista, a quinta edição da Primavera dos Livros. No Rio, esse evento já vai para a oitava edição.

Também o Sebrae-SP, entidade que apóia o desenvolvimento do empreendedorismo comercial no Brasil, foi provocado e designou um consultor especialista em redes colaborativas, com o fim de identificar possíveis acordos operacionais que vão intervir no gargalo do livro no Brasil: a sua distribuição.

Está sendo retomado ainda um projeto que o escritor Mário de Andrade inventou em 1930: o ônibus-biblioteca. É ainda um projeto modesto, mas envolve já quatro ônibus da Prefeitura Municipal de São Paulo em 112 roteiros mensais pela periferia da cidade, levando autores e livros.

Na gestão do escritor Fernando Morais como Secretário de Estado da Cultura nos anos 1980, em São Paulo, o projeto de fazer com que autores ministrassem oficinas literárias a quem queria ser escritor resultou num doce e inesperado fruto: muitos daqueles autores, que buscavam aprender com quem já demonstrara dominar certos fundamentos da arte literária, tornaram-se leitores apaixonados, não apenas pelos livros que descobriam nesses encontros, mas pelas questões cruciais que amarguravam autores, editores e leitores.

Renata Faraht Borges foi aluna dessas oficinas e talvez ali tenham sido lançadas em seu espírito as sementes que hoje começam a frutificar.

Informação sonegada

O projeto da LIBRE defende “políticas públicas éticas e democráticas” para o livro num país em que há uma vitória prévia, ainda não alcançada em muitos países lusófonos: aqui, 180 milhões de pessoas falam, com leves variações dialetais que não impedem a comunicação, a mesma língua.

Poucos reconhecem que somos beneficiários neste particular da visão de um estadista que pensava no futuro: o Marquês de Pombal (1699-1782). Déspota, sim, mas que não tenhamos que escolher entre um déspota que tanto valor soube dar ao ensino da língua portuguesa e algum democrata que a tenha desprezado tanto, como tantos têm feito.

O governo Lula, que tem em seus quadros ministros e auxiliares de reconhecidos méritos intelectuais, está diante de uma oportunidade rara: levar o livro para além das 13 cidades onde hoje ele se concentra, especialmente nos estados de São Paulo, Rio, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Bahia.

Somos 180 milhões de brasileiros, mas, embora estejamos lendo cada vez mais, ainda lemos muito pouco, ocorrendo com o livro o que já limita outros bens como o cinema, o teatro, a música de qualidade e outras formas de manifestação cultural: poucos têm acesso ao “biscoito fino” que Oswald de Andrade dizia fabricar, a maioria come “cachorro quente”.

O atual governo retomou, alargou e aprofundou o projeto dos dois governos de Fernando Henrique Cardoso, que fez do governo federal o maior comprador individual de livros do mundo. Mas ainda persistem distorções de toda ordem, a começar pelos critérios de seleção do que é comprado, um verdadeiro quarto segredo de Nossa Senhora de Fátima. O que sabemos é que há exemplos concretos de que algumas escolhas têm sido feitas em bases inaceitáveis, mas que não invalidam, como insinuaram certos setores da mídia, o projeto em si, que tem sido um ponto alto deste governo e daquele que o antecedeu.

Em seu discurso, Renata Borges invocou Aldo Manuzio, mestre quinhentista da edição:

“Um bom editor é aquele que atua concentricamente nos três âmbitos, ou que tenha pelo menos destacada sensibilidade intelectual, artística e cultural.”

Na Primavera dos Livros, que pretendem realizar entre 25 a 28 de setembro de 2008, no Centro Cultural São Paulo, as 93 editoras reunidas na LIBRE vão apresentar 10 mil títulos.

A mídia não deveria ignorar esse evento, mas não esperemos muito. Se acontecer o de sempre, dar-se-á o seguinte: será sonegada dos leitores da Galáxia Gutenberg um tema relevante e ninguém ficará sabendo de nada, como sempre.

Por: Observatório da Imprensa

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Livro explica mudanças que marketing eleitoral trouxe às eleições; leia capítulo

da Folha Online

É verdadeira a noção de que os marqueteiros são capazes de “fazer e desfazer” uma eleição? No Brasil, os esforços de marketing são realmente capazes de influenciar a opinião pública e determinar o resultado de uma votação?

Divulgação

Livro explica as origens e analisa o impacto do marketing eleitoral
Essas questões são analisadas no livro “O Marketing Eleitoral” pelo jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, mestre em comunicação pela Michigan State University (EUA), livre-docente pela ECA-USP, ex-correspondente da Folha em Washington e atual ombudsman do jornal.

Segundo o autor, que pesquisa o assunto desde 1975, o marketing eleitoral no Brasil é, no que se refere às técnicas que emprega, um dos mais avançados do mundo. Mas Silva defende a tese de que o marketing eleitoral não é fundamental nem prioritário na decisão do eleitor pelo seu candidato. O capítulo de introdução do livro pode ser lido abaixo.

“O Marketing Eleitoral” integra a coleção “Folha Explica”, que ambiciona explicar assuntos relevantes em um contexto brasileiro e oferecer ao leitor condições para que fique bem informado e possa refletir sobre os temas a partir de uma perspectiva atual e consciente das circunstâncias do país.

Leia abaixo o primeiro capítulo de “O Marketing Eleitoral”

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INTRODUÇÃO

Nos 17 anos que se seguiram à primeira eleição de governadores de estado pelo sufrágio universal após o golpe militar de 1964, a importância atribuída pela opinião pública ao que se convencionou chamar de ‘marketing político’ só cresceu no Brasil.

Entre 1965 (quando a vitória da oposição ao novo regime na Guanabara e em Minas Gerais, dois num total de 11 estados, justificou o fim das eleições diretas para governos estaduais por quase duas décadas) e 1982, os principais cargos eletivos do Poder Executivo (presidente da República, governadores de estado e prefeitos de capitais e cidades de áreas de ’segurança nacional’) foram preenchidos por nomeação militar referendada por colégios eleitorais sem representatividade nem legitimidade; nos pleitos para vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores, as restrições impostas ao livre acesso do candidato a seus eleitores via meios de comunicação eram tamanhas