Arquivo de Meio Ambiente

Geração de lixo eletrônico cresce a 40 mi de toneladas por ano, diz ONU

lixo-eletronico A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu medidas urgentes contra o crescimento exponencial do lixo de origem eletrônica em países emergentes como o Brasil. Ela considera o fato um problema grave para o ambiente e a saúde pública.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) apresentou hoje na Indonésia um relatório sobre o tema. Nele, prevê sérias consequências ainda nesta década pelas montanhas de resíduos "perigosos" e "tóxicos" que se acumulam sem nenhum controle nas economias em desenvolvimento. A geração de lixo eletrônico global cresce a uma taxa de cerca de 40 milhões de toneladas por ano, segundo o relatório.
"Este documento ressalta a urgência de estabelecer um processo ambicioso e regulado de coleta e gestão adequada do lixo eletrônico", afirmou o alemão Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma e subsecretário da ONU.
Steiner explicou que Brasil, China, Índia e México serão os principais prejudicados pelo lixo e enfrentam "crescentes danos ambientais e problemas de saúde pública".
O estudo destaca, por tamanho, taxa de crescimento econômico e perspectivas, os casos da Índia e, sobretudo, China, o segundo maior produtor de lixo eletrônico do mundo (2,3 milhões de toneladas ao ano) atrás apenas dos Estados Unidos.

Até 2020
Os especialistas do Pnuma estimam que, até 2020, o volume de resíduos procedentes de computadores abandonados crescerá 500% na Índia em relação a 2007, e 400% na China e África do Sul.
Nesse mesmo ano, a quantidade de telefones celulares abandonados na Índia e na China seria 18 e 7 vezes maior que a atual, respectivamente, enquanto as televisões e geladeiras sem uso em ambos os países se multiplicariam por pelo menos dois.
A China é um dos maiores lixões internacionais de resíduos de origem eletrônica, apesar de ter proibido a importação de tais produtos.
O relatório, intitulado "Reciclando - Do lixo eletrônico a recursos", aponta que a maioria dos eletrodomésticos e aparelhos comuns em casas e empresas contém dezenas de peças perigosas.
Admite também a dificuldade de enfrentar o desafio, devido à "complexidade" de desenvolver programas integrais de reciclagem em países em desenvolvimento e aos obstáculos que um sistema de transferência de tecnologia de nações industrializadas para emergentes encontraria. No entanto, o Pnuma apresenta soluções que requerem a participação de toda a comunidade internacional.
Exportação de lixo
"Temos que chegar às pessoas prejudicadas por esses produtos químicos e apresentar soluções aos líderes locais, nacionais e regionais que representem uma diferença", assinalou Donald Cooper, especialista em resíduos perigosos do Pnuma.
Nessa linha, a agência da ONU propõe a aplicação de novas tecnologias e mecanismos, além do estabelecimento de "centros de gestão de lixo eletrônico" nos países em desenvolvimento.
Brasil, Colômbia, México, Marrocos e África do Sul são citados como lugares com grande potencial de introduzir melhores tecnologias de reciclagem porque o "setor de lixo eletrônico informal seria relativamente pequeno".
O Pnuma adverte sobre a resistência apresentada pelo setor que até o momento lucrou com a gestão desses resíduos e dos problemas que surgiram em certas nações pela falta de infraestrutura.
O documento sugere enviar as peças especialmente perigosas, entre elas circuitos integrados e pilhas, a países industrializados com capacidade de processá-los adequadamente.
"O lixo de uma pessoa pode ser a matéria-prima de outra. O desafio dos resíduos eletrônicos representa um passo importante na transição a uma economia ecológica", afirmou Konrad Osterwalder, reitor da Universidade das Nações Unidas - UNU. (JUAN PALOP, da Efe, em Nusa Dua – Indonésia).

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Advocacia-Geral ameaça processar procuradores por causa de Belo Monte

Advogado-geral da União obteve aval de Lula para questionar ações do Ministério Público contra construção da usina rejeitada por ambientalistas

Com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Advocacia-Geral da União (AGU) ameaçou processar membros do Ministério Público que abusarem de suas prerrogativas para impedir a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. A AGU pode, em nome do Estado, processar os integrantes do MP por improbidade administrativa e questionar, no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), a atitude dos procuradores.

Depois que a licença prévia foi concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na segunda-feira, membros do Ministério Público Federal disseram que poderiam questionar a licença ambiental na Justiça e processar os técnicos do Ibama que assinaram a licença. O procurador da República no Pará, Daniel César Avelino, afirmou que todas as fases do licenciamento serão acompanhadas e cogitou entrar com processo questionando supostas falhas do Ibama.

LULA

A análise, um dia depois da licença prévia, foi entendida por advogados da União como tentativa de emperrar a construção da usina. Diante disso, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, foi a Lula e perguntou se poderia comprar a briga com o MP. O presidente deu aval, mas ordenou a Adams que avisasse antes o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. A AGU divulgou nota com o aviso de que questionaria na Justiça e pediria abertura de processo disciplinar contra os procuradores.

Gurgel reagiu às críticas à atuação do MP e disse que o ato da AGU tem "intuito intimidatório". De acordo com o procurador-geral, "o Ministério Público continuará atuando sempre que considerar que há ilegalidades a serem coagidas. O Ministério Público tem atuado cumprindo não a vontade pessoal do procurador-geral da República ou de um promotor, mas a vontade das leis".

O procurador-geral disse que a Constituição Federal e as leis garantem aos membros do Ministério Público atribuições para impugnar atos do poder público que supostamente são contrários à legislação. E, segundo ele, o Ministério Público não pode excluir desse trabalho os empreendimentos considerados relevantes para as políticas governamentais.

Gurgel disse que apoia o trabalho de seus colegas de Ministério Público. "Como procurador-geral da República, tenho sempre dito que jamais serei conivente com abusos de membros do Ministério Público. Se houver desvios, serão apurados. Agora, do mesmo jeito que não serei conivente, jamais deixarei de apoiar os que agem no exercício regular das atribuições do Ministério Público", afirmou.

OAB

Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil - São Paulo, Flávio D"Urso, não se lembra de ter visto caso parecido de interferência da AGU no trabalho do MPF. Mas concorda com a AGU: "O MP é legitimado a tomar providências no campo legal, mas não pode exorbitar".

Ubiratan Cazetta, procurador do MP do Pará, lamentou a decisão, que considerou ser "intempestiva". "Não acredito ser produtivo no Estado que espera ser de direito que haja esse tipo de ameaça." (Felipe Recondo, Mariangela Galucci - Agência Estado)

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Belo Monte é mais um presente para construtoras e mineradoras

*Hamilton Octavio de Souza

belo monte O governo federal insiste na construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. É obra grande, está no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), custará por baixo R$20 bilhões, vai fazer a festa da Camargo Corrêa, Odebrecht, Andrade Gutierrez e de todas as mineradoras privadas que serão beneficiadas com energia farta custeada pelo dinheiro público. A megalomania exalta a maior hidrelétrica brasileira, que ficará distante dos grandes centros consumidores e terá custo elevadíssimo para a transmissão da energia.

A construção será tocada mesmo sem a conclusão de todos os estudos de impacto ambiental, já que o Ibama foi pressionado a acelerar a liberação da licença tendo em vista que 2010 é ano eleitoral. A licença saiu sem a realização de mais de 20 audiências públicas prometidas aos moradores da região, que serão atingidos pelo lago da barragem – que afetará o curso do rio em mais de 100 km de extensão; e sem respeitar as reservas indígenas, os ecossistemas, as grutas, as cachoeiras e os vários sítios arqueológicos já localizados.

Contrário à construção da usina, Dom Erwin Krautler, bispo da Prelazia do Xingu e presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), agrega outros aspectos negativos à polêmica obra, como a inundação de bairros inteiros de Altamira, o despejo de 30 mil famílias, a destruição de terras indígenas e a criação de um forte polo de atração de migrantes (previsão de 100 mil pessoas, pelo menos) sem que a região tenha condições de oferecer serviços públicos adequados, de moradia, educação, saúde, saneamento e segurança.

Em entrevista dia 29 de janeiro, no auditório da Livraria Paulinas, em São Paulo, Dom Erwin contou que a grande maioria da população resiste à usina de Belo Monte, especialmente a população ribeirinha, os pescadores, os agricultores e os povos indígenas. Para os índios, explicou, a inundação de suas terras e a destruição do curso natural do rio, são coisas inaceitáveis, na medida em que representam atentados aos antepassados e ao futuro de seus filhos. A violência não é só física, na destruição do seu habitat, é também cultural, atinge suas crenças e sua religiosidade.

Morador na região Amazônica há mais de 40 anos, constantemente ameaçado de morte por latifundiários, grileiros e madeireiras, Dom Erwin Krautler disse que o movimento popular em defesa do Rio Xingu fez de tudo para convencer as autoridades a desistirem da usina de Belo Monte. Ele esteve pessoalmente duas vezes com o presidente Lula, que lhe garantiu que ouviria os índios e os moradores de Altamira e que respeitaria os estudos de impacto ambiental.

No entanto, os ministérios do Meio Ambiente e das Minas e Energia decidiram construir a hidrelétrica de qualquer maneira, sem levar em conta a manifestação dos moradores da região. Em nenhum momento o governo acenou com alternativas ao projeto de Belo Monte, como a construção de usinas menores em rios mais próximos das grandes cidades (sem a necessidade de barragens) ou a utilização de energia solar e eólica, que são menos danosas ao meio ambiente.

O bispo assegura que a construção da usina nas proximidades de Altamira provocará uma reação muito forte do povo do Xingu, principalmente da parte dos grupos indígenas – que estão bem organizados, eles têm plena consciência dos efeitos da obra nas suas reservas e tratam o assunto como algo vital para os seus povos. O que vai acontecer em Belo Monte é “imprevisível”, afirma Dom Erwin.

(*Hamilton Octavio de Souza é jornalista, editor da revista Caros Amigos e professor da PUC-SP)

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Anvisa apreende 1 milhão de quilos mais 150 mil litros de agrotóxico irregular na Syngenta, em Paulínia

Postado: Químicos Unificados

Operação da Anvisa e da Polícia Federal encontra problemas de toda ordem em diversos produtos potencialmente carcinogênicos e capazes de provocar desregulação hormonal

syngenta

Em ação conjunta, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Polícia Federal apreenderam na Syngenta Brasil, em Paulínia/SP, cerca de 1 milhão de quilos e mais 150 mil litros de agrotóxicos perigosos à saúde humana e ao meio ambiente.

rede globo

Acusada de muitas irregularidades contra a saúde pública, Syngenta
recebe prêmio da Revista Época, pertencente às Organizações Globo

A apreensão ocorreu devido a diversas irregularidades encontradas, como datas de fabricação e validade adulteradas, destruição de etiquetas de identificação, controle de impurezas sem assinatura e datas da realização e, inclusive, data de realização do controle em período anterior à produção do lote analisado, entre outras tantas.
As ações da Anvisa e da Polícia Federal na Syngenta, em Paulínia, ocorreram em outubro de 2009. A multinacional é a maior empresa em vendas de agrotóxicos no Brasil e no mundo no ano de 2008
Leias as informações completas no sítio da Anvisa: http://www.anvisa.gov.br/divulga/noticias/2009/051009.htm e em http://www.anvisa.gov.br/divulga/noticias/2009/221009_1.htm
Pistoleiros da Syngenta assassinam trabalhador rural
A multinacional suíça Syngenta é a mesma que contratou os pistoleiros que assassinaram com dois tiros no peito e à queima roupa a Valmir Mota de Oliveira, trabalhador rural e integrante do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em 21 de outubro de 2007.
Mota, conhecido como Keno, tinha 34 anos, era casado, e deixou mulher e dois filhos pequenos, então com sete e oito anos.
A ação da Syngenta, no campo de experimentos da empresa em Santa Tereza do Oeste (PR), foi verdadeiro massacre que, além da morte de Keno, deixou gravemente feridos os trabalhadores Gentil Couto Viera, Jonas Gomes de Queiroz, Domingos Barretos, Izabel Nascimento de Souza e Hudson Cardin.
O Unificados participou junto com o MST e diversas outras entidades de movimentos sociais, populares e de trabalhadores de protesto na Syngenta, em Paulínia, pelo assassinato de Keno pela multinacional. Veja as fotos no sítio do Unificados: http://www.quimicosunificados.com.br/noticia_interna.php?id=655&id_secao=52&busca=syngenta
No MST, mais detalhes e informações sobre este crime da Syngenta: http://www.mst.org.br/node/4856
Mata, polui, contamina coloca vida em
riscos e é premiada pela Revista Época
E a Syngenta Brasil, que contrata pistoleiros para atacar trabalhadores rurais e coloca em risco a vida de seus trabalhadores, dos produtores rurais, dos consumidores de produtos hortifruti e todo o meio ambiente, recebeu da Revista Época, uma publicação da Organizações Globo, o Prêmio Época de Mudanças Climáticas 2009.
Em resumo, a mídia da burguesia, além de não divulgar crimes contra a humanidade que são cometidos pelas diversas empresas, como este da Syngenta, e distorcer os fatos sempre contra os interesses dos trabalhadores e dos movimentos sociais e populares, ainda dá “prêmio de reconhecimento”.

 

david cohen

MENTIRAS DESLAVADAS : David Cohen, da Revista
Época, entrega placa/premiação a Gustavo Ortega,
gerente de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da
Syngenta (Foto: Marcelo Min/Época)

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Plástico está presente em todo Atlântico Norte, dizem pesquisadores

meio ambiente

Cientistas marinhos encontraram fragmentos de plástico em todas as amostras de água do oceano obtidas na perna inicial da travessia do Projeto 5 Gyres (Giros), o primeiro estudo global sobre poluição marinha por plástico.
“Todas as amostras obtidas da superfície no meio do Atlântico continham fragmentos de plástico, não importava aonde deixávamos cair nosso equipamento de arrasto,” disse Anna Cummins. A residente de Santa Monica, Califórnia, velejou através do Atlântico Norte entre St. Thomas, na Ilhas Virgens, EUA e as Bermudas, para lançar o projeto com seu marido o Dr. Marcus Eriksen.
O casal deixou as Bermudas em 28 de janeiro último com destino aos Açores, nesta segunda perna de sua viagem, uma travessia transatlântica sem precedentes. Eles estão velejando através do Mar de Sargaço, uma região alongada no meio do Atlântico Norte circundada por correntes oceânicas as quais formam o Giro do Atlântico Norte.
A poluição marinha por plástico, a qual pode ameaçar a saúde humana, é largamente conhecida como prevalecente no Oceano Pacífico Norte como o “Grande Rastro de Lixo do Pacífico”.  O Projeto 5 Gyres busca documentar esses detritos artificiais nos cinco giros do globo.
“Este é um problema global, temos visto evidência de poluição por plástico em todos os lugares do mundo e isto está piorando”, diz o Capitão Charles Moore, o fundador da Algalita Marine Research Foundation (AMRF – Fundação de Pesquisa Marinha Algalita ). O Projeto 5 Gyres é uma colaboração entre  a AMRF, Livable Legacy e a Pangaea Explorations.
Cummins e Eriksen, dirigentes do projeto, vêm trabalhando extensivamente com o Capitão Moore. O montante de plástico que eles encontraram durante a perna inicial de 1.070 milhas, cercando o Giro do Atlântico Norte, a bordo do veleiro de regata Sea Dragon, é similar ao que eles viram no Pacífico.
A acumulação torna-se mais densa em leiras no mar, as quais são parecidas com correntes de superfícies de rios povoadas por densos sargaços que aprisionam os detritos. “Nos sargaços encontramos tampas de garrafas, cápsulas de balas de revólver, engradados e até mesmo botas de borracha!” diz Cummins.
Nas Bermudas, Cummins e Eriksen realizaram palestras públicas e para escolas, varreram praias com grupos de limpeza e se encontraram com o Cônsul Geral dos Estados Unidos Grace Shelton. Eles esperam retornar para a Califórnia no final de fevereiro deste ano, após apresentarem suas descobertas na Ocean Sciences Conference de 2010 (Conferência de Ciências Oceânicas) em Portland, no estado do Oregon, EUA, em 24 de fevereiro.
No mar com outros onze tripulantes, Cummins e Eriksen estão aprofundando o foco de suas pesquisas anteriores na AMRF, as quais têm sido quantificar os plásticos flutuantes, incluindo os fragmentos de microplástico consumidos por peixes. Agora eles buscam entender como esses detritos afetam os peixes, para entender melhor o efeito humano do que o Los Angeles Times chama de “um dos segmentos da esteira de lixo tóxico da civilização que mais cresce.”
“As partículas de plástico no mar agem como magnetos para substâncias químicas tais como DDT, PCBs, retardadores de chama e outros poluentes,” diz Cummins. “O Projeto 5 Gyres está trabalhando para avançar nossas pesquisas anteriores com os testes buscando determinar se esses químicos se acumulam nos peixes, navegam ao longo da cadeia alimentar e terminam em nossos pratos de jantar.”
Um dos patrocinadores do projeto é a Blue Turtle. A Pangaea Explorations está fornecendo o veleiro de 72 pés Sea Dragon, no qual o casal velejará para coletar amostras da superfície do oceano, do fundo do mar e do conteúdo do estômago e dos tecidos de peixes para análise.
No final deste ano, o Sea Dragon cruzará o Giro do Atlântico Sul, indo do Rio de Janeiro à Cidade do Cabo, na África do Sul. Esta será a primeira travessia desse tipo nos últimos 30 anos no hemisfério sul. Após está travessia Cummins e Eriksen planejam velejar no Giro do Pacífico Sul

Fonte: Envolverde – http://www.envolverde.ig.com.br/

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Aquecimento Global, Ecologismo dos Pobres e Ecossocialismo

João Alfredo Telles Melo

Vereador Psol Fortaleza CE

joao_alfredo 

“Do ponto de vista de uma formação socioeconômica mais avançada, a propriedade privada dos indivíduos na Terra parecerá tão absurda como a propriedade de um homem sobre outros homens. Mesmo uma sociedade inteira, uma nação, ou mesmo todas as sociedades existentes num dado momento, em conjunto, não são donos da Terra. São simplesmente os seus possuidores, os seus beneficiários, e têm que a legar, num estado melhorado, para as gerações seguintes, como boni patri famílias (bons pais de família)” (Karl Marx, “O Capital”).

John Bellamy Foster, autor de um dos livros mais importantes para os ecossocialistas (“A Ecologia de Marx, materialismo e natureza”, Civilização Brasileira), em artigo recente, intitulado “A Ecologia da Destruição”, nos chama a atenção para o fato de que “é uma característica da nossa época que a devastação global pareça sobrepor-se a todos os outros problemas, ameaçando a sobrevivência da terra como a conhecemos”.

A grande repercussão do quarto relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, da ONU, em sua sigla em inglês) - em que milhares de cientistas de praticamente todo o planeta, não só constataram a relação direta entre fenômenos climáticos intensos decorrentes do aquecimento global com a emissão dos chamados gases de efeito estufa (GEE) pelas atividades industriais, energéticas e agrícolas, mas também apontaram projeções catastróficas para este século, caso não haja uma drástica mudança na matriz energética e no padrão de consumo – deu foros de cientificidade ao documentário “A Verdade Inconveniente”, do ex-vice-presidente estadunidense Al Gore, que recebeu o Oscar deste ano e também, juntamente com o próprio IPCC, o prêmio Nobel da Paz.

Portanto, com exceção da minoria dos chamados “céticos”, dentre os quais se encontram cientistas sérios, como o brasileiro Aziz Ab´Saber, e organizações bancadas pelo Governo Bush e pelas grandes indústrias de petróleo e carvão mineral no mundo, há uma ampla maioria – amplíssima, diria – de gente da comunidade científica (e aqui se perfilam brasileiros da maior respeitabilidade, como José Goldenberg, Carlos Nobre e Luis Pinguelli Rosa), dos movimentos ambientalistas, de governos e até de setores empresariais que, a partir dos dados do IPCC, procuram encontrar saídas para a crise planetária, manifestada hoje pelo aquecimento global que ameaça a vida na Terra.

Abra-se aqui parêntesis para aduzir que a aposta que os céticos – em sua versão séria e não comprometida com os interesses do capital petroleiro e mineral – é uma aposta perdida, em suas duas possibilidades. Se eles estiverem errados (quando afirmam que o fenômeno do superaquecimento é natural e que as previsões do IPCC estão equivocadas), podem, de forma involuntária, estarem contribuindo com o lobby das grandes corporações petrolíferas e mineiras, impedindo a mudança do padrão energético para as fontes renováveis e serem co-responsáveis pela catástrofe que se prenuncia. Por outro lado, se estiverem certos (o que não é muito provável, dado o amplo consenso científico alcançado depois de quase vinte anos de IPCC), estão atrasando a nossa evolução para a despoluição do planeta. Ou seja, ainda que, numa hipótese quase absurda, não esteja ocorrendo o aquecimento provocado pelas atividades humanas, o alerta do IPCC, no mínimo, questiona o modo de produção e o modo de vida humana no planeta e nos induz a mudanças profundas e necessárias.

Voltando ao tema, vou me permitir não mais ter que detalhar, mas apenas listar, em parte, o extenso e impactante elenco de fenômenos climáticos e de suas resultantes sobre a vida no planeta, já amplamente divulgada pela grande imprensa, como o acréscimo da temperatura média da terra, o derretimento das geleiras e calotas polares, a desaparição de espécies, a subida do nível do mar, a desertificação e seus profundos impactos sobre a humanidade, que poderá conviver – aliás, já está convivendo - com os chamados “refugiados ambientais” (vítimas de enchentes, tornados, secas, furacões, que, nos últimos tempos, têm atingido populações tão diversas como as asiáticas, as das pequenas ilhas do Pacífico, ou mesmo, nas terras do Império Americano, com o Katrina, em New Orleans, e o incêndio que está devastando a Califórnia, nos últimos dias).

Se voltarmos ao nosso país – que é o quarto maior emissor de GEE, em face das queimadas e desmatamentos de nossas florestas – o que se prenuncia é gravíssimo. Se, em todo o planeta, no próximo século, ultrapassarmos a linha perigosa de acréscimo de 2oC na temperatura média da terra, metade de nossa Floresta Amazônica (a mais importante cobertura vegetal tropical do planeta) se transformará em savana, causando profundos impactos não só na própria temperatura da terra, como no regime de chuvas em todo o hemisfério sul. Para o Nordeste brasileiro, as previsões não são menos sombrias. O nosso semi-árido, que, mais uma vez, convive com uma estiagem prolongada, se transformaria em região árida, num quase deserto, sem água e sem produção agrícola.

Estaríamos diante do apocalipse? Paulo Artaxo, um dos cientistas brasileiros do IPCC, tenta nos tranqüilizar: “O aquecimento global não é o fim do mundo, de jeito nenhum”, mas adverte: “um dos pontos cruciais do relatório do IPCC é a urgência da diminuição da emissão dos gases do efeito estufa. Se não fizermos isso, a temperatura vai subir de forma a trazer danos para os ecossistemas e zonas costeiras sem precedentes na história da humanidade”. Para ele – e o IPCC – esse corte deveria ser em torno de 50 a 70 por cento. (Caros Amigos, edição especial: “Aquecimento Global, a busca de soluções”).

Ora, a necessidade imperiosa da redução na emissão de GEE na escala de 50 a 70% torna o Protocolo de Kyoto (que, todos sabemos, não foi assinado nem pelos Estados Unidos, primeiro ou segundo maior emissor de CO2, nem pela Austrália, uma das maiores exploradoras de carvão mineral) absolutamente obsoleto e inócuo. Recorde-se: Kyoto propõe, apenas para os países em desenvolvimento (principais responsáveis pelo aquecimento), o corte de somente 5% (nos níveis de 1990) para até 2012. O Brasil, a Índia e a China, dentre outros, (que, dado o seu crescimento econômico vertiginoso já teria ultrapassado os EUA e que tem na base de sua matriz energética o combustível de maior poluição, que é o carvão mineral) não são obrigados a cumprir metas de redução.

Todo esse debate não se refere, por óbvio, apenas a números. Aqui se trata, em primeiro lugar, da tentativa de se compatibilizar a urgência urgentíssima na diminuição drástica de emissão de CO2 e outros GEE para a atmosfera, com o direito e a necessidade de países pobres se desenvolverem e atenderem os direitos e necessidades de sua população.

Como atender tais necessidades sem tocar no padrão de vida e consumo das classes médias e altas tanto no Hemisfério Norte (onde são majoritárias) como no Hemisfério Sul (onde são minoritárias)? (Já gastamos 25% a mais do capital natural da terra e seria preciso que tivéssemos pelo menos quatro planetas terra para que todos alcançassem o nível de vida do chamado “american way of life”.) Uma nova “utopia” (sustentabilidade ambiental, igualdade social e desenvolvimento econômico em escala planetária) seria possível na atual configuração geopolítica mundial onde o poder destrutivo da indústria armamentista, petrolífera e minerária se materializa em governos como de Bush, senhor das guerras no mundo? É possível superar a atual crise nos marcos do sistema capitalista? Nas palavras, mais uma vez, de Foster: “Como é que isto se relaciona com as causas sociais e que soluções sociais podem ser oferecidas em resposta tornaram-se as questões mais urgentes com que a humanidade se defronta”.

Esse debate se situa no campo da chamada “Ecologia Política”, que, na compreensão de Joan Martinez Alier, estuda “os conflitos ecológicos distributivos – isto é, os conflitos pelos recursos ou serviços ambientais, comercializados ou não”. Para ele, a ecologia política é “um novo campo nascido a partir dos estudos de caso locais pela geografia e antropologia rural, hoje estendidos aos níveis nacional e internacional” (“O Ecologismo dos Pobres”, Editora Contexto). É a ecologia política, juntamente com a economia ecológica, quem pode nos desvendar as causas da crise e apontar as soluções reclamadas por Foster acima.

Carlos Walter Porto-Gonçalves, um dos mais atilados ecologistas políticos da atualidade nos situa, de forma ainda mais precisa, na atual crise planetária, quando afirma que “o desafio ambiental se coloca no centro do debate geopolítico contemporâneo enquanto questão territorial, na medida em que põe em questão a própria relação da sociedade com a natureza, ou melhor, a relação da humanidade, na sua diversidade, com o planeta, nas suas diferentes qualidades” (“O Desafio Ambiental”, Editora Record).

Para ele, há contradições profundas entre a economia capitalista e a dinâmica ambiental. A separação – “a mais radical possível”, em suas palavras entre homens e mulheres, de um lado, e a natureza, de outro; a apropriação privada dos recursos ambientais, em que tudo é transformado em mercadoria; o “princípio da escassez”, pelo qual um “bem só tem valor econômico se é escasso” são absolutamente contraditórios com a visão ecológico-ambientalista de riqueza natural. Vejamos, em suas próprias palavras:

”Os economistas modernos vão fundar a economia no conceito de escassez, que, paradoxalmente, é o contrário da riqueza. Tanto é assim que os bens abundantes – idéia central da riqueza – não são considerados como bens econômicos e, sim, como naturais (…) Somente à medida que a água e o ar se tornam escassos – com a poluição, por exemplo – é que a economia passa a se interessar em incorporá-los como bens no sentido econômico moderno, isto é, mercantil”.

Essa distinção entre riqueza natural – objetivo maior de todos os movimentos ecológicos – e riqueza material – que advém da escassez e, para deleite do sistema mercantil, transforma os bens ambientais em mercadoria – também é tratada por Foster, em outro belo texto, chamado “Revolução Ecológica”, onde se vale do filósofo grego Epicuro, que declarava: ""Quando medido pelo propósito natural da vida, a pobreza é grande riqueza, riqueza ilimitada é grande pobreza".

Portanto, para Foster, “o livre desenvolvimento humano, surgindo num clima de limitação e sustentabilidade naturais, é a verdadeira base da riqueza, de uma riqueza para a existência multilateral; a busca sem limites de riqueza é a fonte primária do empobrecimento e sofrimento humanos. É desnecessário dizer que tal preocupação com o bem estar natural, em oposição a necessidades e estímulos artificiais, é a antítese da sociedade capitalista e a pre-condição de uma comunidade humana sustentável”.

Assim, é plenamente justificável que se afirme que, sob o capitalismo, não há possibilidade de superação da atual crise planetária, o que nos permitiria atualizar, como quer Michel Löwy, outro grande expoente atual do ecossocialismo, a consigna de Rosa Luxemburgo para “Ecossocialismo ou Barbárie”.

Ora, afirmar isto – a contradição fundamental entre o sistema capitalista e uma nova forma de organização sócio-político-econômica fundada na sustentabilidade e justiça ambiental, na igualdade social e, também, por óbvio, na democracia política em suas formas mais avançadas de participação popular – por si só, não é suficiente para os ecossocialistas. Nas palavras de Löwy: “É preciso começar a construir esse futuro desde já. É necessário participar de todas as lutas, inclusive das mais modestas; como, por exemplo, a de uma comunidade que se defende contra uma empresa poluidora; ou a defesa de uma parte da natureza que esteja ameaçada por um projeto comercial destrutivo. É importante ir construindo a relação entre as lutas sociais e as ambientais, pois elas tendem a concordar, unidas ao redor de objetivos comuns” (“Ecologia e Socialismo”).

É esse campo – os das lutas sócio-ambientais – que reclama a presença dos ecossocialistas. Aqui, poderíamos listar as lutas das comunidades costeiras contra o turismo predatório e a criação de camarões em cativeiros; a resistência dos atingidos por barragens contra os grande projetos hidrelétricos; o movimento que reúne sem terra, agroecologistas, defensores de consumidores e ambientalistas contra a adoção de sementes transgênicas; a luta de populações locais contra a ampliação das usinas nucleares; a resistência de índios e pequenos agricultores no embate contra a transposição das águas do Rio São Francisco; a articulação dos povos da floresta – índios, quilombolas, seringueiros e ribeirinhos – contra ao avanço do agronegócio do gado e da soja na Amazônia Brasileira; a luta das mulheres camponesas contra o exército verde da monocultura do eucalipto; o enfrentamento dos ecologistas e urbanistas contra a especulação imobiliária nas grandes metrópoles etc.

Aqui, estamos diante do que Martinez Alier denomina de “ecologismo dos pobres” ou “ecologismo popular”, que, nas palavras do autor, tem como eixo fundamental o interesse pelo meio ambiente como “fonte de condição para a subsistência” e como fundamento ético “a demanda por justiça social (e ambiental, acrescentaria) contemporânea entre os humanos”. Essa corrente do movimento ambientalista, por lutar “contra os impactos ambientais que ameaçam os pobres, que constituem a ampla maioria da população em muitos países” tem uma presença muito forte nos países do Hemisfério Sul (no antigamente denominado terceiro mundo).

As lutas com tais características – sócio-ambientais, do ecologismo popular – têm uma importância fundamental, não só para os ecossocialistas, mas para o próprio futuro do planeta. Ali, há uma resistência que, partindo da luta concreta por direitos humanos básicos de moradia, cultura, de modo de vida e de produção, e, também, ao ambiente saudável, questiona os fundamentos não só do atual modelo econômico, mas, em última análise, investe contra as bases do próprio modo de apropriação privada do sistema capitalista, responsável pelo atual estágio de degradação do ambiente planetário. Nessas comunidades, se contrapõem não só interesses materiais, mas formas de vida e produção antagônicas.

Portanto, neste momento (mesmo que ainda de forma não articulada) podem se estar forjando não só as alianças sociais fundamentais para esse processo de transformação urgente e necessário - a Revolução Ecológica - mas, também, as bases sócio-econômico-ecológico-cultural-ético-políticas de uma nova sociedade que possa superar a atual crise ambiental global para se tornar, a um só tempo, ecologicamente sustentável, socialmente justa e igualitária, cultural e etnicamente diversa, e política e radicalmente democrática: a sociedade ecossocialista. Estaremos à altura desse imenso desafio?

João Alfredo Telles Melo é advogado,

professor de Direito Ambiental e consultor do Greenpeace

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Acusado pela morte de Dorothy Stang volta à cadeia

 

imagesCAJPT1W1 Em 2009, Justiça do Pará reverteu absolvição de Vitalmiro Moura. Missionária foi assassinada em fevereiro de 2005, em Anapu, no Pará
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou nesta quinta-feira (4) habeas corpus ao fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, conhecido como Bida, acusado de ser o mandante da morte da missionária norte-americana Dorothy Stang. Com isso, ele deve voltar à prisão. Em abril do ano passado, uma liminar do STJ garantiu liberdade a Bida, após a Justiça do Pará anular o julgamento no qual ele havia sido inocentado da acusação.
Condenado a 30 anos de prisão em um primeiro julgamento, ele acabou inocentado no segundo julgamento. No entanto, em 2009, depois de analisar um recurso do Ministério Público, a Justiça paraense anulou a absolvição do fazendeiro, decretando nova prisão.
Na tentativa de evitar a volta de Bida à cadeia, sua defesa entrou com o pedido de habeas corpus no STJ. Em abril do ano passado, ele conseguiu uma liminar que o mantém em liberdade. Porém, nesta quinta a 5ª Turma do tribunal revogou a medida, determinando sua volta à prisão. Os advogados do acusado ainda podem recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Missionária
Bida é acusado pelo Ministério Público do Pará de ser um dos mandantes do assassinato da missionária Dorothy Stang. A freira foi assassinada em fevereiro de 2005, em Anapu. Ela trabalhava há mais de 30 anos em defesa das causas ambientais e dos trabalhadores sem terra e denunciou ameaças de morte que recebia por causa de seu trabalho contra a violência fundiária e a grilagem de terra. (Diego Abreu Do G1, em Brasília)

 

Dorothy Stang

PRESENTE!

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Perigos do ecocapitalismo

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Eletricidade nuclear: na contramão da sustentabilidade

Desenvolvimento sustentável é aquele que é capaz de suprir as necessidades da geração atual sem comprometer a capacidade de atender às necessidades das gerações futuras. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro. Partindo desse conceito podemos afirmar que é um absurdo e equivocado que o governo brasileiro priorize a opção nuclear para geração de energia elétrica, considerando que o país conta com tantas opções de produção a partir de energias renováveis e limpas. Além dos riscos devido a acidentes, ao lixo atômico, às emissões de CO2, somam-se o risco geopolítico que traria ao país e à região esta tecnologia.

          Heitor Scalambrini Costa

4188370026_88421c33f0_m A exploração abusiva e perdulária da energia originada de fontes não renováveis (combustíveis fósseis, como o petróleo, carvão e o gás natural, e a energia produzida nas usinas nucleares), ainda maioria no planeta, traz danos irreversíveis ao meio ambiente. Com base nesse fato, a questão das fontes de energia é assunto em pauta mundialmente. No Brasil, cria polêmica à discussão sobre as usinas nucleares como complemento à produção de energia a partir das hidrelétricas.

Atualmente, a energia nuclear corresponde a 2% da produção energética brasileira, gerada pelas usinas Angra 1 (657 megawatts) e Angra 2 (1.350 megawatts). A principal matriz do Brasil é a hidroeletricidade (80%). A intenção do governo com a reativação do Programa Nuclear é de aumentar a capacidade nuclear com a instalação de Angra 3 até 2012, e com a construção de quatro novas usinas até 2030, sendo duas na região Nordeste e outras duas no Sudeste, conforme propõe o Plano Nacional de Energia 2030 - Estratégia para a Expansão da Oferta, apresentado pela Empresa de Pesquisa Energética-EPE.

Apesar dos renovados esforços da indústria nuclear em apresentar-se como segura, acidentes em instalações nucleares em diversos países continuam a demonstrar que esta tecnologia é perigosa, oferecendo constantes riscos que podem trazer conseqüências catastróficas ao meio ambiente e à humanidade, por centenas e milhares de anos. O exemplo mais recente foi o acidente pós-terremoto na maior usina atômica do mundo, localizada em Kashiwazaki-Kariwa, no Japão. Sem falar em outro problema que continua sem solução no Brasil e no mundo, que é o armazenamento do lixo radioativo gerado pelas usinas.

Afirmar que as centrais nucleares não contribuem para os gases de efeito estufa é uma meia verdade, e como toda meia verdade, também é uma meia mentira. As usinas núcleo elétricas em operação rotineira, necessitam de grandes volumes de água usados na refrigeração de suas turbinas, produzindo grandes quantidades de vapor d’água para a atmosfera. Lembramos que o vapor d´água é também um tipo de "gás estufa". No conjunto de etapas do processo industrial que transforma o mineral urânio, desde quando ele é encontrado em estado natural até sua utilização como combustível dentro de uma usina nuclear, chamado ciclo do combustível nuclear, é produzido quantidades consideráveis de gases de efeito estufa.

Outro fator de extrema preocupação, descrito no Relatório da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados publicado em 2006, é que o Estado brasileiro está longe de ter a estrutura necessária para garantir a segurança das atividades e instalações nucleares. Nesse documento são apontadas graves falhas na fiscalização e monitoramento do setor nuclear, destacando, entre outros problemas, a duplicidade de funções da Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN atua, ao mesmo tempo, como Requerente, Operadora, Prestadora de Serviços, Licenciadora e Fiscalizadora de si própria. Vale lembrar que, em setembro desse ano, completaram-se 20 anos da contaminação com Césio 137 em Goiânia, que vitimou milhares de pessoas e ficou conhecido como o maior acidente radiológico do mundo.

No Brasil, historicamente, a relação entre o uso da energia nuclear para fins energéticos e para fins militares também é muito estreita. O Programa Nuclear Brasileiro surgiu durante a ditadura militar e até hoje atende demandas de alguns setores das forças armadas, fascinados pelo poder que a energia nuclear lhes traz. Outros grupos de interesse fazem “lobby”, como setores industriais “preocupados” com o risco de um apagão (a instalação de usinas nucleares não vai afastar o risco do apagão nos próximos três ou quatro anos), grupos de cientistas pelo prestígio e oportunidades de novas pesquisas e pelo comando do processo, os fornecedores de equipamentos e as empreiteiras, por motivos óbvios.

A discussão sobre energia nuclear precisa levar em consideração o modelo econômico adotado no país, o qual se baseia no aumento do consumo e da oferta de energia. Isto não é aceitável. O atual modelo energético brasileiro “ofertista” é insustentável. Precisamos nos perguntar, para quê e para quem essa energia é produzida.

Não existe uma fonte de energia que só tenha vantagens. Não há energia sem controvérsia, mas a nuclear, pelo poder destruidor que tem qualquer vazamento, merece e deve ser discutida mais amplamente pela sociedade, do que a feita apenas com dez pessoas do Conselho Nacional de Política Energética - CNPE.

Para um desenvolvimento sustentável, voltado para o bem de todos, da pessoa humana e da natureza, em um país como o Brasil com tantas opções de produção de energias renováveis, a energia nuclear não passará.´

Fonte: Fundação Lauro Campos - http://www.socialismo.com.br

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2010: um ano de incertezas

 

Escrito por Rogério Grassetto Teixeira da Cunha

06-Jan-2010 – Correio da Cidadania

meio_ambiente_2010 É um exercício difícil e arriscado tentar imaginar a pauta ambiental e tentar prever eventos importantes para o ano que se iniciará sem cair na tentação de antecipar o que inevitavelmente acontece, e cada vez mais: mais desmatamentos, secas e chuvas catastróficas, lixo e poluição.

Porém, 2010 apresenta uma dificuldade adicional: trata-se de um ano eleitoral, situação em que o tabuleiro do jogo político e as regras mudam constantemente. Gostaria que a temática ambiental entrasse nas agendas dos candidatos como "nunca antes na história deste país". Isso pode até ser possível dado o constante (mas ainda muito aquém do necessário) crescimento da conscientização ambiental da sociedade, e a entrada de Marina Silva no jogo. Com o impulso adicional da conferência do clima em Copenhague, esta tendência poderá reforçar-se, mesmo que a maioria das pessoas ainda desacople suas preocupações de suas atitudes no dia-a-dia.

Nos debates que antecederão a disputa eleitoral, imagino que a candidata governista irá sempre situar-se em uma delicada corda bamba. Mãe do PAC, adepta fervorosa do desenvolvimentismo a qualquer preço e considerando o meio ambiente como um entrave, Dilma Rousseff é vista com desconfiança pelos ambientalistas. Não sem razão, dadas as suas declarações ao longo dos tempos e suas posições políticas. Aliás, estes foram um dos principais elementos que resultaram no processo de saída da outra candidata, Marina Silva, do cargo de ministra do Meio Ambiente.

E, bem recentemente, seu ato falho em Copenhague, quando deixou escapar que considera o meio ambiente um entrave: "o meio ambiente é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável. Isso significa que é uma ameaça para o futuro do nosso planeta e dos nossos países", disse.

Aliás, a postura do governo nesta reunião, tentando vender um cenário panglossiano ao mundo, de otimismo desmesurado, mostra bem qual é (e qual será, caso Dilma vença) a abordagem oficial dos nossos gravíssimos problemas ambientais. Além disso, dado o já consolidado namoro de Lula com o agribusiness, a candidata terá que continuar mantendo posturas e declarações favoráveis ao setor. No Brasil, visto que os grandes proprietários de terra ainda encontram-se no século XIX em suas práticas e posturas ideológicas, isto significa sempre um crescimento de impactos ambientais negativos. Por outro lado, justamente devido a este presumido aumento de conscientização, além de ser um tema mundialmente em pauta, a candidata oficial terá que, ao menos na aparência, dedicar parte de seu discurso ao tema ambiental.

Então, imagino que ela adotará algumas estratégias. Uma será falar de temas amplos, com pouca oposição, apresentando medidas geralmente genéricas e largamente inócuas. Estamos referindo-nos especificamente ao tema do aquecimento global. A segunda estratégia será distribuir alguns "docinhos" aqui e ali, em temas de menor relevância. O terceiro será usar, a torto e a direito, a expressão "desenvolvimento sustentável", oca de sentido, mas que dá a impressão de poder agradar a todos. Ela vai também usar a política de exaltar os "feitos ambientais do governo Lula", como, por exemplo, a criação de muitos parques sob Marina Silva, a "queda" no desmatamento, as hidrelétricas do bem com o tal do fio d’água etc., prometendo "fazer muito mais, assumindo o protagonismo mundial na questão". Obviamente vai citar muito aquela meta mandrake de reduzir entre 35% e 38% o desmatamento e a meta de redução de emissão de gases de efeito-estufa

Já o principal candidato oposicionista deverá adotar uma tática apenas ligeiramente distinta. Serra também empregará as mesmas três primeiras estratégias, mas, escondendo a face do lobo, procurará usar uma pele de cordeiro e adotar um discurso pretensamente mais "verde". Usará para isto alguns de seus feitos reais, como a adoção de medidas contra o aquecimento antes de Lula, por exemplo, além da confortável posição de franco-atirador. Se lembrarmos que a senadora Kátia Abreu, do ex-PFL, é um dos nomes cogitados para a vice-candidatura, vemos o quão de fachada é e será seu discurso. A senadora está na linha de frente da bancada ruralista no Congresso Nacional e tem repetido algumas das piores posições que este setor vem defendendo no Brasil nos últimos meses.

Resta-nos então quem parecia ser a terceira via, Marina Silva. A senadora, assim que assumir que é candidata, irá usar uma estratégia diferente. Primeiro, procurará enfatizar ao máximo o que conseguiu fazer à frente do ministério (verdade seja dita, lutando contra forças titânicas).

Ressaltará os números de redução do desmatamento, sempre atribuindo os crescimentos a impulsos econômicos e as reduções às suas ações… Ela usará, muito mais ainda do que os outros candidatos, a expressão "desenvolvimento sustentável", algo que tem sido a tônica de suas declarações, justamente por ser oca de sentido e poder ser interpretada de múltiplas formas.

Triste será vê-la usar todo o seu real conhecimento da causa ambiental, mas esquivar-se de posições claras e inequívocas a respeito de temas seríssimos, como as hidrelétricas nos rios amazônicos, em especial Belo Monte. Crendo que terá chances reais, terá que adaptar seu discurso e fazê-lo mais light.

Um ponto poderá ser positivo: quem sabe sua simples presença na disputa, uma personagem ligada umbilicalmente à questão ambiental, irá forçar os outros candidatos a levar mais a sério a questão. Além das críticas que ela fará às posturas dos outros dois candidatos principais, sua candidatura por si só vai forçá-los a posturas talvez um pouco mais ousadas do que gostariam.

Mas, com menores chances reais, ela prestaria um serviço muito maior ao país se realmente rompesse com estas tentativas de discurso dúbio, expusesse a cru nossas mazelas ambientais e tomasse posturas realmente firmes. Perderia as chances, mas talvez colocasse mais ainda os candidatos contra as cordas.

Enquanto isto se desenrola no plano político, no mundo real imagino que poderá haver um aumento de desmatamentos. Como ninguém quer desagradar ninguém em ano eleitoral, a fiscalização poderá ser relaxada, incentivada pelas medidas de anistia de Lula aos desmatadores de ontem, e já renovadas para além do pleito.

Agora voltando ao mais óbvio que acontece todos os anos, imagino ainda que, a confirmar-se esta tendência de um verão extremamente chuvoso, veremos novas catástrofes ambientais, a la Santa Catarina no ano passado. Basta termos uma seqüência de chuvas e uma frente fria estacionada em algum local da Serra do Mar e pronto, nossas ocupações irregulares de encostas irão encarregar-se do resto.

Previsões pessimistas? Nem tanto. Disse acima que a consciência ambiental vem crescendo, e é aí que deposito minhas esperanças. Quando cada vez mais pessoas estiverem realmente conscientes dos problemas e começarem, elas próprias, a mudarem seus comportamentos e atitudes, sem esperar apenas o resultado de ações governamentais e reuniões internacionais espetaculosas, aí sim as coisas tenderão a melhorar. É por isto e para isto que nós nesta coluna escrevemos nossos artigos.

Rogério Grassetto Teixeira da Cunha, biólogo, é docente da Universidade Federal de Alfenas-MG.

E-mail: ambiente.cidadania@gmail.com Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

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Copenhague, o desafio de conciliar os interesses econômicos

Luana Lourenço

Brasília - Sob olhares atentos do mundo e com poucas chances reais de terminar com um acordo efetivo, começa nesta segunda (7) em Copenhague (Dinamarca) a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15). Até o dia 18, negociadores de mais de 190 países terão a difícil missão de chegar a um consenso sobre o novo acordo climático para complementar o Protocolo de Quioto depois de 2012.

66919 O desafio inclui a conciliação de interesses de países ricos e nações em desenvolvimento para chegar a níveis de redução de emissões de gases de efeito estufa que evitem o colapso climático do planeta. Também está em jogo a definição de um mecanismo para compensar a redução de emissões pelo desmatamento de florestas e dos valores do financiamento dos países ricos para os que os mais pobres se adaptem às consequências da mudança do clima, conta que até agora não está fechada.
Os diplomatas chegam a Copenhague sob pressão para evitar o fracasso do encontro, alardeado nas últimas semanas por organizações ambientalistas que temem que a COP-15 termine apenas com um acordo político, sem medidas efetivas para salvar o clima. A expectativa ficou menos sombria após o anúncio de metas e compromissos de países como os Estados Unidos, a China, Índia e o Brasil.
Grande poluidor e único país rico a não assinar o Protocolo de Quioto, os EUA prometeram corte de 17% das emissões até 2020. A China, numa conta mais complicada, anunciou compromisso de corte entre 40% e 45% por unidade de Produto Interno Bruto (PIB) até 2020, o que na prática ainda significa dobrar as emissões do país. A conta brasileira é de redução entre 36,1% e 39,8% até 2020, o que segundo o governo, vai evitar o lançamento de mais de 1 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera.
Mesmo com parte dos números na mesa, é improvável que a reunião de Copenhague defina o novo regime global para complementar o Protocolo de Quioto. Nos últimos meses, reuniões preparatórias e encontros multilaterais não foram suficientes para fechar pontos importantes do acordo, que, pela regras da Organização das Nações Unidas (ONU), só pode ser aprovado por consenso.
Um dos principais nós é o impasse sobre o financiamento de ações de adaptação e mitigação nos países em desenvolvimento. O dinheiro tem que vir dos países desenvolvidos, mas até agora não há sinal de acordo sobre os valores. Os mais pobres argumentam que são necessários pelo menos US$ 400 bilhões por ano. A melhor proposta na mesa por parte dos países industrializados prevê aporte de cerca de US$ 140 bilhões, mas parte do dinheiro teria que vir dos países em desenvolvimento, caso do Brasil, da China e Índia.
Geralmente representados por diplomatas e ministros, chefes de Estado importantes no jogo da negociação climática já confirmaram presença em Copenhague em algum momento das próximas duas semanas. O norte-americano Barack Obama, o francês Nicolas Sarkozy, a alemã Angela Merkel, o britânico Gordon Brown e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão com passagens marcadas para a capital dinamarquesa.
Além de governos, participam da COP-15 representantes de organizações não governamentais, observadores internacionais e ativistas de todo o mundo. Em duas semanas de reunião, o número de participantes deve passar de 30 mil.

Entenda a negociação do clima

A COP-15 em Copenhague
Abrange 192 países. Seu objetivo é traçar um acordo global para definir o que será feito para reduzir as emissões de gases de efeito estufa após 2012, quando termina o primeiro período de compromisso do Protocolo de Quioto.
O Protocolo de Quioto
Assinado em 1997 e ratificado em 2005, o Protocolo de Quioto estabelece metas de redução de emissões de gases de efeito estufa para os países desenvolvidos, que historicamente contribuíram mais para a concentração desses gases na atmosfera. O acordo determina a redução em 5% das emissões, em relação aos níveis de 1990. O primeiro período de compromisso do protocolo termina em 2012. A reunião de Copenhague terá que definir os próximos passos do acordo climático global.
O que está em jogo
O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), formado por 2,5 mil cientistas, afirma que a Terra já aqueceu cerca de 0,7 graus Celsius (ºC) desde a Revolução Industrial. O IPCC projetou cenários futuros que preveem o aquecimento do planeta em pelo menos 1,8°C até o fim deste século, dependendo das medidas tomadas pelos países para reduzir as emissões.
Metas x Compromissos voluntários
O Protocolo de Quioto prevê metas obrigatórias de redução de emissões de gases de efeito estufa para a União Europeia e mais 37 países industrializados. Os países em desenvolvimento, caso do Brasil, da China e Índia, não têm reduções obrigatórias. Metas obrigatórias para esses países não deverão entrar no texto que sairá da COP-15, mas essas nações serão cobradas a ter compromissos mensuráveis, reportáveis e verificáveis de redução de emissões em nível nacional.
Principais pontos da negociação
Além das novas metas e compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa para o período pós-Quioto, na COP-15 os países terão que negociar como será feita a transferência de tecnologia de países industrializados para que os países em desenvolvimento possam realizar ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. O financiamento dessas ações também não está definido. O Banco Mundial estima que sejam necessários pelo menos US$ 400 bilhões por ano para que os países em desenvolvimento enfrentem as mudanças do clima.
A preservação de florestas para evitar emissões de gases de efeito estufa deve ser incluída no acordo, no mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação, o Redd. É preciso definir como os países que mantêm a floresta em pé serão recompensados: por meio de um fundo com contribuições internacionais voluntárias, com a geração de créditos de carbono negociáveis no mercado ou com um mecanismo híbrido entre fundos e mercado.

Fonte: Envolverde - http://www.envolverde.ig.com.br/

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Atropelo do código florestal consagra oito anos de governo dedicado ao agronegócio

Escrito por Gabriel Brito

17-Dez-2009 – Correio da Cidaddania

171209_copenhage Na última semana, o governo brasileiro escancarou seu caráter irremediavelmente contraditório no que se refere às políticas ambientais. Enquanto envia todas as estrelas da companhia para Copenhague, a fim de fazer boa figura do país na Conferência Ambiental da ONU (COP-15), vira a mesa mais uma vez em favor da bancada ruralista, concedendo mais dois anos de prazo para a averbação de terras e respeito à reserva legal de 80% da propriedade, além de suspender multas já aplicadas.

Além de abrir mais dois anos de brecha para o desmatamento indiscriminado, uma vez que basta o proprietário infrator aderir ao programa Mais Ambiente trazido à luz pelo decreto 7.029 para se livrar das multas, o governo também renuncia a estimados 13 bilhões de reais que proviriam das sanções.

Por sinal, apenas mais um bilionário perdão a um dos mais poderosos segmentos da economia e da política nacionais. Ano passado mesmo, o planalto publicou a MP 432/08, que rolou a dívida agrícola em claro favorecimento ao agronegócio, responsável por 74 bilhões de reais dos 87 bilhões que foram perdoados.

Enquanto o mundo fracassa na Escandinávia na busca, na prática desinteressada, por soluções ao clima, o Brasil tampouco mostra estar pronto para assumir uma autêntica liderança na mudança de paradigmas sociais e econômicos que a natureza tem rogado.

"A publicação desse decreto é um atropelo institucional desmedido do Palácio do Planalto sobre o Congresso Nacional e a sociedade brasileira. Quebra todas as regras de precaução e prevenção ambiental, previstas pela Constituição de 1988", dispara o deputado federal do PSOL Ivan Valente, membro da comissão que analisa mudanças no código florestal.

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COP-15 recusa acordo de Copenhague, aceito por Brasil

O "Acordo de Copenhague", documento firmado por Estados Unidos, China, Brasil, Índia e África do Sul, na noite de sexta-feira, e que cristalizou o fracasso de duas semanas de negociações diplomáticas, foi recusado hoje pelo plenário da 15ª Conferência das Nações Unidas (COP-15). Mesmo com 24 horas de debates além do previsto, o documento, permeado de críticas de delegados, foi denunciado por países em desenvolvimento e acabou rebaixado a um adendo da edição de 2009 da Convenção do Clima (UNFCCC).

 

Até o início da tarde, um dos poucos méritos reconhecidos das discussões de Copenhague foi evitar a explosão dos "dois trilhos" das negociações climáticas, como são chamados o Protocolo de Kyoto e o grupo de trabalho LCA, que visa à criação de um novo tratado capaz de comprometer, no futuro, os EUA. Assim, os dois temas ainda serão objetos de discussão na COP-16, que ocorrerá no México, em 2010.

Até o encerramento desta edição, a UNFCCC ainda não havia divulgado quantos países haviam manifestado apoio formal ao documento, inicialmente elaborado por 25 nações - Brasil incluso.

Depois da maratona de negociações de chefes de Estado e de governo, entre os quais dos presidentes dos EUA, Barack Obama, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, delegados de países como Sudão, Tuvalu, Cuba, Nicarágua, Bolívia e Venezuela, entre outros, recusaram-se a aceitar o acordo, que precisaria de consenso para ser adotado pela COP-15.

"Em termos bíblicos, parece que estão nos oferecendo 30 peças de prata para trair o nosso povo", disse o representante de Tuvalu, uma pequena ilha da Polinésia ameaçada de extinção, referindo-se à proposta de financiamento para ações de adaptação e mitigação.

Pelo texto, os países industrializados se comprometem a empregar US$ 30 bilhões nos próximos três anos - dos quais US$ 3,6 bilhões dos EUA -, além de até US$ 100 bilhões por ano entre 2013 e 2020. O problema: nenhuma instituição operacional, nem meio de governança desse valor foram criados.

Além disso, sem a definição de nenhuma meta de redução das emissões - a menção a 50% de redução até 2050, já insuficiente, acabou eliminada do texto -, o compromisso fica fluido, sem diretrizes. Outra crítica dura de delegados do G77 foi contra o atropelo criado pelas negociações entre EUA - com autorização da União Europeia -, China, Brasil e África do Sul. Cuba protestou em público contra o que chamou de "projeto apócrifo" e reclamou que houve graves violações de procedimentos, tornando as negociações arbitrárias.

Antes de partir, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, admitiu que o resultado ficou muito aquém do que era esperado pelo País. Mas justificou a posição de, mesmo assim, aderir. "O Brasil lutou muito para que essa conferência tivesse um resultado positivo. Negociamos até o fim. Mas reconhecemos que este acordo é melhor do que o zero absoluto", disse.

Postado: yahoo Notícias

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Para além de Copenhague: justiça climática - João Alfredo

 

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Deu nos jornais: “Bangladesh lidera o Índice de Risco Global do Clima e nenhum país desenvolvido está na lista dos países mais afetadas por eventos climáticos extremos“. Continua a nota do último dia 8/12: “600 mil pessoas morreram em consequência direta de mais de 11 mil eventos climáticos extremos entre 1990-2008, mostra o Índice de Risco Global do Clima - 2010“.

 

image_mini O relatório do clima desenvolvido pela organização Germanwatch foi liberado na terça-feira (8), durante a conferência da ONU sobre mudanças climáticas em Copenhague, na Dinamarca.

Essa notícia demonstra claramente que os efeitos do aquecimento global não são tão “democráticos“ assim. São os países, regiões e populações mais pobres que vêm sendo mais atingidos pelas mudanças climáticas; apesar de serem os que menos emitem CO2 (afinal, mesmo na imagem de que estamos todos no mesmo barco, temos, nele, os passageiros de primeira, segunda e terceira classe e, assim como o Titanic, poderá não haver botes de salva-vidas para todo o mundo).

Se voltarmos os olhos para o Brasil, em que pese o grande impacto ambiental que poderá vir a ser a perda de 40% da floresta amazônica, é o Nordeste que poderá se tornar a região mais afetada já que, com o aquecimento, a evaporação aumenta e a disponibilidade hídrica diminui. O que pode transformar o semiárido numa região árida: um quase deserto, com perda de até 80% de nossa área agricultável.

Tudo isso explica o surgimento, no seio dos movimentos indígenas, sociais e ecológicos de um Fórum Alternativo pela Justiça Climática, que denuncia, em Copenhague, o capitalismo - com sua lógica de acumulação cada vez mais destrutiva - como o responsável maior pela atual crise planetária e rejeita a adoção dos chamados mecanismos de mercado como solução. Basta se verificar que, apesar de Kyoto ter adotado o mercado de carbono (onde empresas e países compram o direito de poluir ao financiarem atividades “sustentáveis“ nos países em desenvolvimento), as emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa), ao invés de diminuírem, só fizeram aumentar desde então.

Portanto, para além do debate de metas de emissões (que são absolutamente necessárias e urgentes) e do financiamento (para mitigação e adaptação), o que está em cheque, nesse momento de crise civilizatória, são: tanto o modo de produção capitalista - que, ao transformar tudo em mercadoria, submete a natureza à sua lógica produtivista/consumista - como o modo de vida que lhe é subjacente. Sua expressão máxima, o american way of life, se estendido para toda a população mundial, exigiria a existência - como se possível fosse - de pelo menos quatro planetas Terra.

Trata-se, portanto, de contrapor a esse modelo, aquilo que os indígenas andinos denominam de “Bem Viver", que, nas palavras de Evo Morales, significa estar “em harmonia com os outros seres humanos e com nossa Mãe Terra“. Construir uma nova sociabilidade que possa vir a ser ecologicamente sustentável, socialmente igualitária, étnica e culturalmente diversa e politicamente democrática é o desafio que se coloca para a humanidade neste momento. Estaremos à altura dele?

JOÃO ALFREDO TELLES MELO
advogado, professor e vereador pelo Psol em Fortaleza

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Maior mobilização da história pela justiça climática

Cem mil pessoas exigiram nas ruas de Copenhagem‎ um acordo justo, ambicioso sobre as mudanças climáticas. "Mudem o sistema, não o clima" foi um dos slogans mais ouvidos.

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Pelo segundo dia consecutivo, dezenas de milhares de pessoas ocuparam a capital dinamarquesa para deixar bem clara a sua mensagem aos líderes políticos do planeta. Mais de 500 organizações de 67 países convocaram esta marcha que é a maior mobilização de sempre pela justiça climática, e teve o parlamento dinamarquês como ponto de partida para um cortejo de seis quilómetros.

Esta marcha uniu os sectores ecologistas aos altermundialistas, contribuindo para dar uma outra dimensão ao problema das alterações climáticas. Actualmente, a abordagem dos movimentos ecologistas vai para além da questão ambiental e destaca os aspectos económicos e sociais que não podem ser separados das causas e das soluções para dar resposta ao maior desafio das sociedades de hoje.

"O primeiro desafio é conseguir um bom acordo que reconheça a responsabilidade histórica dos países do Norte, que não introduza mecanismos de mercado nas alterações climáticas, que encontre os recursos para o Sul. Mas há uma segundo desafio: que os movimentos sociais se envolvam nesta batalha para exigir justiça climática ", declarou à imprensa Christophe Aguitton, da ATTAC. “Cada ano, 300 mil pessoas morrem devido às mudanças climáticas. Não é uma questão de adaptação mas de sobrevivência", afirmou por sua vez Kumi Naidu, da Greenpeace.

O cortejo de cem mil pessoas contou com a presença de uma delegação do Bloco de Esquerda integrando a eurodeputada Marisa Matias, também presente na delegação do Parlamento Europeu à Cimeira de Copenhaga. O tom da manifestação foi de grande festa, com manifestantes de todas as idades e o colorido dos que vinham vestidos a rigor para as mais diversas performances. Como tem sido habitual nestas manifestações, algumas centenas de jovens encapuçados, entoando cânticos anticapitalistas e armados de pedras e bastões, provocaram alguns estragos em montras e incidentes com a polícia dinamarquesa, que anunciou a detenção de 400 pessoas.

A mobilização de Copenhaga teve correspondência no outro lado do mundo, com os australianos a juntarem-se em força a este dia de acção contra as alterações climáticas. A imprensa refere que 50 mil pessoas saíram às ruas das principais cidades para apelar a um acordo nesta Cimeira do clima.

Contribuição do Bloco de Esquerda - Site Esquerda.net

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