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Mutirão de Assinaturas do Brasil de Fato de 15 a 25 de novembro

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94% dos brasileiros não têm Internet com banda larga

Muito longe da banda larga para todos. Plano federal quer levar internet rápida a 80% dos municípios do País, algo hoje restrito a 5,8% dos brasileiros

 

banda larga Adianta falar em inclusão digital sem conexão veloz? Governos de todo o mundo já discutem como universalizar o acesso rápido, mas o Brasil ainda engatinha nesta questão.

Existe um Brasil que não consegue assistir a vídeos no YouTube. Que não tem perfil no Facebook, não acompanha a dinâmica do Twitter nem sonha em entrar no Google Wave. Entra no MSN, mas precisa de nove horas para fazer o download do programa – isso quando a conexão não cai. É o Brasil desconectado – ou 94,2% do nosso País.

O Banco Mundial já avisou: cada vez que as conexões rápidas aumentam em 10%, o PIB de um país cresce 1,3%. Estamos longe disso: hoje a internet banda larga no País chega a 5,8% da população.

O governo federal se prepara para lançar ainda neste mês o Plano Nacional de Banda Larga, que pretende levar internet rápida a quase 80% dos municípios brasileiros. O plano prevê a expansão do acesso com planos, segundo o ministro das Comunicações, Hélio Costa, de até R$ 9,90. A meta é expandir o acesso domiciliar – mas, segundo o coordenador dos projetos de inclusão digital do governo federal, Cezar Alvarez, “seria ingenuidade pensar em atingir o universo da população com conexões individuais”. Para ele, é preciso investir também em acessos coletivos.

O plano está sendo discutido por um grupo de trabalho interministerial. O governo ainda não revelou se a rede de banda larga será administrada por uma empresa estatal, por exemplo, mas parte dessas dúvidas devem ser sanadas hoje. A Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência realiza hoje, em Brasília, um seminário internacional sobre o assunto com a participação dos ministros Hélio Costa e Paulo Bernardo (Planejamento), Ronaldo Sardenberg, presidente da Anatel, e outros especialistas internacionais. O Plano Nacional está na pauta. Segundo o coordenador do evento, Gabriel Laender, a definição do texto “já foi praticamente concluída”. “Estamos num momento de revisão e articulação final”, disse.

Não se sabe ainda qual é o conteúdo, mas as metas são ambiciosas. Augusto Gadelha, secretário de Política da Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia, diz que em cinco anos a banda larga atingirá um “porcentual significativo de domicílios e todas as escolas urbanas e órgãos públicos do País”. “Poderemos estar entre os dez países com maior penetração de banda larga do mundo”.

Internet cada vez mais veloz

Uma pesquisa conjunta das universidades de Oxford, na Inglaterra, e Oviedo, na Espanha, mostrou que, neste ano, a velocidade média da banda larga aumentou 45% em comparação com o ano anterior. A Coreia do Sul, líder do ranking, tem 97% de suas residências conectadas – o que leva a uma mudança no perfil de consumo, com a mídia física sendo substituída por músicas, filmes e livros digitais. É o Japão, no entanto, o dono da web mais veloz, com conexão média de 60 Mbps.

A importância de 2009, no entanto, não está nos dados de web ultravelozes, mas na iniciativa de diversos países para que uma conexão 1 Mbps seja garantida, colocando a web no mesmo patamar de serviços básicos como água e eletricidade. Começou com o primeiro ministro inglês Gordon Brown, que anunciou um projeto para a expansão da banda larga para todos os ingleses. Depois, Finlândia e Itália foram mais longe e colocaram a banda larga como um “direito fundamental”. E tudo indica que é apenas o começo.

O mundo e a Internet rápida

Melhor custo-benefício, o Japão tem 64% de suas casas com banda larga, com velocidade média de 60 Mbps, custando US$ 0,27 por 1 Mbps.

97% do povo coreana tem acesso à banda larga (média de 46 Mbps). O país é o líder de um ranking de conexões das universidades de Oxford e Oviedo.

Melhor país da Europa em conexão, a Suécia tem penetração de 69%, custo médio de US$ 0,63 por cada 1 Mbps e velocidade média de 18 Mbps na conexão.

Devido ao tamanho do território e ao controle sobre a população, a Suíça conseguiu conectar 90% de seus cidadãos com banda larga e é o segundo melhor país da Europa no ranking.

A Finlândia, que aprovou uma lei que diz que uma conexão de 1 Mbps é “direito fundamental” de qualquer cidadão, tem 80% de penetração e média de 22 Mbps.

Apesar de também ter um projeto para a universalização da banda larga, a situação da Itália não é tão boa: 50% de casas conectadas, com média de 4 Mbps.

Nos EUA, a média de velocidade é de 4,8 Mbps e a média de preço por 1 Mbps é de US$ 3,33. Cerca de 80% das residências têm acesso à banda larga.

A velocidade média de conexão por banda larga na França é de 17,6 Mbps. Paga-se US$ 1,64 por cada 1 Mbps e cerca de 70% das casas são atendidas pelo serviço de internet rápida. (Tatiana de Mello Dias / Link - Agência Estado)

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Com um ano de vida, TV Vidigal tem 20 mil telespectadores

 

Por Eduardo Sá, 04.11.2009

Postado: Fazendo Media

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Os moradores do Morro do Vidigal podem ver da sua janela o que a imensa maioria dos brasileiros vê pela televisão: as praias do Leblon e Ipanema. E podem ver nas suas TVs também o que a maioria dos brasileiros não vê: o Morro do Vidigal. Através de uma rede paralela de distribuição de sinais de televisão, a comunidade pode se assistir na VDG TV.

A história da TV Vidigal é a história de uma comunidade burlando as leis do mercado. A geografia acidentada impede que os sinais de televisão aberta cheguem com qualidade à maioria das casas. E as tais leis não permitem que os moradores tenham acesso a serviços de TV por assinatura. O surgimento dos chamados antenistas, que criaram infra-estruturas próprias para distribuir tanto o sinal das emissoras abertas quanto as programações pagas, abriu a oportunidade para que se criasse o canal, com produções em sua maioria locais.

A programação da comunidade para a comunidade faz sucesso pelo conteúdo e a linguagem, acessível a todas as faixas etárias, dos idosos às crianças. Este mês, a VDG TV completa um ano. O aniversário será celebrado com uma festa no VidHall, casa de show no Vidigal, com diversas atrações.

Além da VDG TV, distribuída pelos cabos dos antenistas, funciona no Morro do Vidigal um canal de TV aberto local. O sinal atinge somente 150 moradores, dada a limitação dos aparelhos de transmissão e sua produção é inconstante. Há também uma rádio comunitária, a Estilo Livre, que realiza matinês para as crianças e atividades musicais no morro. No início deste ano, ocorreu uma operação policial que apreendeu, sob alegações de envolvimento com o tráfico de drogas, segundo alguns moradores, o material de uma TV comunitária.

20 mil telespectadores

Marta Alves realizava um programa em parceira com uma TV local. Passou a tocar o projeto sozinha e assim surgiu a VDG TV, com uma “carteira” de 150 telespectadores. Hoje, mais de 20 mil telespectadores, perto de um terço da população local, recebem a programação no canal 44 disponível nos cabos dos antenistas.

A VDG é mantida pelo mercado publicitário local. Os anunciantes são todos locais, que pagam em torno de R$ 25. São veiculados de 6 a 8 anúncios por dia, cada um tem de 2 a 3 minutos. Marta afirma que é pouco. Os comerciantes “são ruins de jogo” e o canal tem como critério só cobrar se o serviço oferecido pelos anunciantes “não for grátis”.

 

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Marta Alves e Djaltsyn (argentino responsável pela parte técnica),

na sede da VDG TV, editando a programação.

A TV funciona em uma sede pequena, alugada do produtor de um dos programas. Tem três câmeras, uma doada pelo presidente da Associação dos Moradores e outra por Dom Eugênio Sales, dois computadores (só um funcionando como ilha de edição), uma TV e um DVD.

O canal não recebe nenhum tipo de financiamento ou patrocínio. Os apoios são realizados através de recursos para algumas gravações. O grupo Nós do Morro é um dos parceiros. Auxiliam com o empréstimo do estúdio, por exemplo, e em troca veiculam programas produzidos pelo grupo na VDG.

Grade de programação

A grade de programação é plural, pautada nas circunstâncias da comunidade. Marcelo Melo, integrante do Nós do Morro, realiza o programa Quebra-Cabeça. Faz perguntas aos moradores cujas repostas só aparecem na televisão, uma interação que estimula o envolvimento das pessoas que depois se vêem na telinha.

A maioria do tempo de programação é dedicada a entrevistas com membros da comunidade ou pessoas que visitam o Vidigal, mas há também programas sobre funk, movimento negro, movimentos artísticos, desenhos, filmes. Há cobertura de atividades na favela e programas que reúnem depoimentos do “pessoal antigo” sobre a história da comunidade.

A VDG TV planeja transmitir parte da sua programação na TV Comunitária do Rio de Janeiro. Com a TV Câmara, falta assinar o documento que autoriza a transmissão. A expansão faz parte de uma estratégia para buscar patrocínios para o canal.

CABO COMUNITÁRIO
No Vidigal, antenistas driblam as regras do mercado para moradores assistirem TV

Para que a comunidade do Morro do Vidigal assista televisão é preciso bem mais do que um clique de controle remoto. É preciso driblar as condições impostas pela geografia, pelo preconceito do asfalto com a favela e, principalmente, as regras do mercado.

O relato dos moradores da comunidade sobre o surgimento dos serviços de distribuição de sinal de televisão na comunidade, os chamados antenistas, mostra como as leis do mercado acabam deixando uma parcela importante da população sem acesso a serviços de comunicação. E como esta mesma população, ao se dar conta do processo de exclusão, contorna as regras mercadológicas para ter direito à assistir televisão.

A demanda por um serviço de distribuição de TV por cabo no Vidigal é óbvia. A geografia do morro, cercado de pedras, impede que os sinais de televisão aberta cheguem com qualidade à maioria das casas. Mas contam os moradores do Vidigal que apenas uma operadora já chegou a oferecer seus serviços na comunidade. A Net chegou com o seu serviço na favela há mais de 20 anos, fez as instalações em 10% da região e, alegando que os custos eram muito altos, retirou-se da comunidade.

Hoje, a Net só atende o Vidigal até onde há “os edifícios”, na rua principal. As vielas e becos ficaram todos sem o sinal. A lógica do mercado é simples: não vale à pena ter um gasto com tão baixo retorno financeiro em áreas populares. Poucos moradores têm condições de bancar a assinatura ao preço que é oferecido, quando lhes é oferecido.

A saída para o problema está na oferta feita por alguns moradores que se articularam e estenderam uma rede de cabos para uma área que hoje cobre aproximadamente 80% da comunidade. São os antenistas.

Ao todo, sete antenistas operam no Vidigal. Três deles com serviços de canais abertos e outros quatro com os de TV a cabo, cada um cobrindo determinado território da comunidade, separados uns dos outros. Devido à mesma geografia que impede a recepção dos sinais de TV aberta, as transmissões dos antenistas só funcionam a partir do sinal distribuído pela Net. Para os moradores, quem não adquire o receptor com os antenistas, não vê televisão.

Ronaldo L. da Silva é um dos antenistas. Ao montar a sua rede, abriu espaço para a distribuição do canal de maior sucesso na comunidade, a VDG TV [saiba mais]. Silva é pintor. Há seis anos, conseguiu um empréstimo e investiu na expansão dos cabos pela comunidade.

Conta o antenista que os canais distribuídos pela Net foram codificados há três anos, numa tentativa da operadora de impedir a distribuição paralela. Silva tornou-os acessíveis tomando como base a experiência de outras comunidades. Hoje, emprega dez pessoas. Todas trabalham de segunda a sábado, com um salário fixo mais uma comissão proporcional ao trabalho realizado na manutenção, atendimento e cobrança das assinaturas.

Negociações

Silva conta que em, um ano, participou de 10 reuniões com representantes da Net, uma delas realizada na sede da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) no Rio, para se chegar a um acordo de oferta casada de serviços na comunidade: a operadora ofereceria a programação, enquanto os antenistas cuidariam da distribuição por um preço módico. Hoje, cobram R$ 15 pela assinatura dos serviços.

“Nosso interesse é a TV e não a internet e o telefone. A Net tem capacidade de colocar isso tudo. Ela estaria ganhando uma comissão minha da TV e ganharia também com a internet e o telefone. Então, seria um retorno bem grande pra quem hoje não tem nada, só perde”, afirmou. Segundo Silva, a Net propôs dobrar a tarifa para R$ 30. Este é praticamente o preço do “combo” popular oferecido pela Net aos moradores dos edifícios no pé do morro. Os antenistas defendem uma tarifa entre R$ 15 e 17.

O acordo com a Net terminaria com a instabilidade a que estão submetidos os antenistas, que prestam um serviço necessário na comunidade, mas sem o aval oficial da Net. Em seis anos, Silva perdeu muito dinheiro e equipamentos para a polícia. Ele acredita que a muitos moradores deixariam de assinar o serviço dos antenistas com a regularização. “Muita gente já não está pagando em dia o valor atual, mas com a legalização as pessoas não vão ter outra opção e, com o tempo, não vão querer ficar sem TV”, comenta. Segundo ele, mesmo ganhando menos, seria melhor a tranqüilidade do serviço legalizado, mas não há consenso entre os antenistas do Vidigal. Dos sete prestadores do serviço, só três estão interessados na negociação com a Net, sendo que um deles distribui apenas os sinais de TV aberta.

VDG TV e associação

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Aparalhagem da VDG TV: basicamente são duas câmeras e dois

computadores, sendo que só num deles é feita a edição.

“Seu” Paiva, marido de Marta Alves, criadora da VDG TV, acha que a legalização também facilitaria o trabalho do canal, cuja programação e inteiramente produzida no Vidigal, tem como foco a vida da comunidade e é distribuído hoje pelos antenistas [saiba mais]. Com isso, eles poderiam instituir seu canal de televisão juridicamente, o que permitiria viabilizar anúncios – “como os das Casas Bahia”, comenta seu Paiva – e concorrer em editais para arrumar algum financiamento. “Nós não estamos roubando material de ninguém. É uma produção local mesmo”, observou, lembrando que alguns serviços de fora poderiam chegar aos mais de 60 mil moradores.

O presidente da Associação de Moradores do Morro do Vidigal, José Valdir, diz que a “Net tinha de regularizar o serviço para todos”. “Os antenistas fazem um trabalho que é de necessidade da população. É uma saída que eles encontram”, comentou. Na associação, não há TV a cabo. O motivo: evitar problemas com a polícia, que volta e meia entra na favela para fazer apreensões. “Todo o investimento se perde em vão”, criticou.

(*) Eduardo Sá é repórter do Fazendo Media, a matéria foi realizada em parceria com o Observatório do Direito à Comunicação.

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Como popularizar a banda larga

ENTREVISTA / JOÃO REZENDE

Por Tele.Síntese em 14/11/2009

Reproduzido do Tele.Síntese, 13/11/2009; título original "`As cidades pequenas merecem banda larga subsidiada´"

O conselheiro da Anatel João Rezende está convencido de que o governo deve organizar a demanda por banda larga dos municípios com menos de 30 mil habitantes, onde não há viabilidade econômica para a presença de qualquer provedor de serviço, seja um pequeno provedor ou uma grande operadora. Ele defende que o governo use parte dos recursos do Fust (Fundo de Universalização das Telecomunicações) e crie uma linha de crédito do BNDES, que seriam repassados para as pequenas prefeituras para contratarem a tecnologia que quisessem (cabo, fio, antena, satélite) para ligar os seus pontos de governo municipal. Ele entende que saindo da ponta para o centro, onde há maior competição, o país estaria cumprindo melhor o seu papel de integração nacional com a ajuda dessa nova infraestrutura de dados.

Ele entende ainda que as redes estatais devem ser usadas pelo governo para estimular a competição de oferta de capacidade no atacado e acha que a Anatel não pode mais adiar a redefinição dos custos das redes de telecomunicações, além de atuar mais incisivamente para a abertura dessa infraestrutura.

***

Quais são os gargalos para a massificação da banda larga no país e de que forma a Anatel pode contribuir para a discussão que está sendo travada pelo governo?

João Rezende

– A Anatel está participando dos debates, integrando a comissão formada pelo governo. A partir da elaboração do Plano Nacional de Banda Larga, haverá muitos pontos para a Anatel atuar. Resumidamente, teremos que incentivar a concorrência e principalmente facilitar as interconexões a seus custos com os pequenos provedores. Isso pensando na banda larga na ponta. Precisa-se hoje atingir maior capilaridade, utilizando-se os meios privados, que já existem.

Não há ainda certa resistência do governo em usar as teles privadas para participarem desse programa de anda larga?

J. R.

– Acho que não deveria. Até porque se somarmos todas as infraestruturas estatais, elas não dariam conta. As elétricas e as próprias empresas privadas têm uma capilaridade grande de investimento em infratestrutura de rede.

Como o sr. vê o uso das redes estatais, como Eletronet, e demais fibras da Petrobras etc.

J. R.

– Acho que essas fibras estatais podem aumentar a concorrência, face sua presença. Essa infraestrutura estatal pode ter um importante papel de competição e o papel da Anatel será o de regular toda essa nova relação. Uma das práticas mais saudáveis para o mercado deve ser a de dar transparência e agilidade para a questão da interconexão. Uma empresa tem rede, ela é obrigada a compartilhar com outros, a custos razoáveis. Mas só isso não resolve o problema da banda larga, pois temos na ponta o consumidor.

E o que falta para se alcançar o consumidor?

J. R.

– Alguns itens fundamentais: teria que se avançar no barateamento dos equipamentos tecnológicos, criar incentivos como isenção de impostos para o consumidor.

O sr. fala em incentivo para comprar computador?

J. R.

– Não, estou me referindo à banda larga mesmo, para o modem e serviço. Para que consigamos ter um custo de banda larga mais acessível. As empresas estão falando em R$ 29,90. Mas é um preço ainda alto do ponto de vista da renda do consumidor. E
precisamos também olhar as cidades com menos de 30 mil habitantes. A quantidade de autorização que a Anatel concede toda semana para o SCM (Serviço de Comunicação Multimídia) mostra como há carência por banda larga. Só que essas pequenas empresas atuam na faixa de 2,4 GHz, frequência que é liberada, não tem custo nenhum, mas a qualidade não é tão boa em relação a uma rede preservada.

O que deve ser feito?

J. R.

– Obviamente, será preciso um acordo federativo entre União estados e municípios. E não é fácil. Sabe quanto tempo foi gasto para se estabelecer o Simples Federal? Ele demorou muito para ser concretizado, porque havia as resistências federativas. A discussão federativa terá que levar em conta que os estados terão que abrir mão do ICMS; o governo federal, de parte de seus impostos; e os municípios terão que facilitar a implementação dessa rede. E nas localidades com muita dificuldade financeira, caberia as elas uma parte do dinheiro do Fust (Fundo de Universalização das Telecomunicações) para que se tornassem compradoras de banda larga. Os municípios comprariam a tecnologia e a rede que quisessem – poderia ser cabo, antena, satélite. A tecnologia mais barata que ele pudesse encontrar. O governo federal iria apoiar o poder público local como comprador dessa tecnologia.

O sr. está propondo que o dinheiro seria usado só para a construção da rede?

J. R.

– O backhaul vai chegar no município até o ano que vem. O problema é distribuir lá. Então, imagina-se, por exemplo, cinco pontos básicos – prefeitura, posto de saúde, escola etc. O governo federal daria dinheiro do Fust para o município por um período de, sei lá, cinco anos, para a administração municipal ligar os seus pontos.

Esse subsídio seria para todas as cidades?

J. R.

– Não. Só para cidades com menos de 30 mil habitantes, que não têm modelo de negócios sustentáveis.

O sr. não acha esquisito o Poder Público dar dinheiro para melhorar o próprio Poder Público e não pensar em subsidiar a população?

J. R.

– Não, porque nos municípios pequenos é preciso criar uma demanda inicial, se não ninguém vai atender o consumidor final. Um pequeno provedor ou uma grande tele tem condições de oferecer o serviço, mas não tem cliente cativo para eles
começarem o trabalho.

O sr. entende, então, que se o Fust não for usado para organizar a demanda por banda larga, ela não existirá?

J. R.

– Não vejo qualquer viabilidade para as cidades com menos de 30 mil habitantes.

Por que esse número mágico de 30 mil?

J. R.

– Por que entendemos que acima desse número a demanda existe e não é preciso estimulá-la. A nossa população está concentrada em cidades com mais de 50 mil pessoas. Mas temos que pensar em um plano de integração nacional. Acho que não
podemos apressar o processo. Temos que começar pelos locais mais difíceis e ir se aproximando do centro.

O sr. propõe que o subsídio seja dado para os pequenos municípios. Por que não para as periferias das grandes cidades?

J. R.

– Acho que deve ser de baixo para cima. Por que iremos criar a demanda onde não existe. A tendência do mercado é ir crescendo no extrato social, para atender novas demandas. São Paulo tem hoje condições de levar internet para a sua periferia,
pela quantidade de rede já cabeada. O mesmo não acontece, por exemplo, em cidades menores. A dificuldade são as regiões mais distantes. Mas há ainda outras demandas importantes. Alguns parques industriais, localizados em cidades de 30 a 40 mil
habitantes, também têm dificuldades de acesso à banda larga.

O sr. acha que só o dinheiro do Fust seria suficiente?

J. R.

– Não. O BNDES tinha um programa chamado Promat – Programa da Modernização da Administração Tributária, voltado para os municípios. Penso em um programa igual. Com dinheiro do Fust, dinheiro próprio do município e do BNDES. A
cidades menores, pelo menos os órgãos públicos terão rede com fibra óptica. E se tiver parque industrial, também poderia atender. Aí se organiza a demanda e vai subindo para as cidades maiores. Não acho que há problema em seu atender também a periferia de uma grande cidade. O governo é um grande organizador de demanda. Essa ideia fará
também com que se modernize a administração municipal.

O secretário de Logística do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, também acha que se deve chegar nos pequenos municípios, mas ele propõe que isso seja feito por intermédio da empresa estatal. Ele entende que a rede estatal teria melhores condições de ser a organizadora dessa demanda. Como o sr. vê essa proposta?

J. R.

– Acho que é inviável se pensar em uma rede estatal que vá atender o consumidor final. Na minha visão, é legítimo que o governo queira usar as fibras ópticas das estatais.

Usar a rede estatal para que?

J. R.

– Usar para aumentar a competição de fibras, de backbone, baratear preço das interconexões. Mas para o consumidor final, a estatal sozinha não resolve o problema. Essa rede não resolve a questão.

O sr., que já foi do Ministério do Planejamento, não acha porém que defender o uso do Fust é um sonho de uma noite de verão, já que ele nunca foi usado para as telecomunicações?

J. R.

– Acho que precisaria discutir o Fust daqui para frente. O estoque, não dá mais para mexer. Mas o fluxo, daqui para frente, acho que é possível conseguirmos. Mas é evidente que uma proposta dessa precisa de uma amarração muito grande. Ministério da Fazenda, municípios e estados. É uma discussão federativa, para reduzir carga tributária. Mas sei que não é uma tarefa simples. Não basta assinar. É preciso convencer o Tesouro, o Orçamento. Mas é uma demanda importante. No longo prazo vai gerar emprego, renda, vai ajudar inclusive no crescimento econômico. Assim, primeiro, convencimento da estrutura econômica do governo de que é possível usar o Fust. Segundo, mudança na lei. Terceiro, pacto federativo, para redução de impostos, para incentivar banda larga. Quarto, tem que se trabalhar a questão dos meios das estatais para ajudar a oferecer interconexão para competir com a área privada. Organizar essa questão.

E o papel da Anatel?

J. R.

– A Anatel terá que implementar medida complementar no campo regulatório, incentivando a competição nos grandes centros. Nas cidades menores, terá que haver estímulo tributário. A Anatel tem que regular os custos e a interconexão. A Anatel
tem que fazer com que as grandes empresas sejam mais ágeis na liberação das interconexões para outros competidores. É preciso melhorar. No espaço regulatório, a
preocupação maior é que haja comprometimento para fazer com que essa imensa rede privada, de 120 mil km2, possa convergir, mantendo-se a competitividade, mas visando facilitar a interconexão, com fluidez, com preços mais acessíveis ao consumidor final.

No mundo, há duas tendências atuais em relação ao estímulo à competição em telecomunicações. A Europa nitidamente prefere a abertura da rede, com separação seja qual for (estrutural, funcional etc.). E os Estados Unidos acreditam que a competição entre distintas plataformas e tecnologias oferecem maior conforto. A minha sensação é que a Anatel ainda não escolheu o caminho a seguir. Qual sua avaliação?

J. R.

– Se olhamos para um país com nossas dimensões geográficas não podemos pensar só nas concessionárias abrindo as suas redes.

Mas são as concessionárias que têm essa infraestrutura de interconexão.

J. R.

– A tarefa da Anatel é construir a regulação que favoreça a abertura de rede, dentro do ambiente competitivo. Separação de rede, não sei. No longo prazo as redes serão multisserviços. Mas é preciso pensar em algo mais ágil, que não se atrapalhe outros que queiram entrar. A demanda do debate da banda larga é discutir a questão do custo.

O sr. acha que 2012 é tarde?

J. R.

– Estamos atrasados, mas temos que enfrentar a questão. O modelo de custo balizaria a remuneração de rede. Acho que deve haver melhor equalização dos serviços, levando em consideração os investimentos feitos. Hoje já há uma preocupação muito grande da Anatel para o problema de se negar a linha dedicada (EILD). É uma prática anticompetitiva. A Anatel já multa bastante.

Em relação às frequências, como sr vê essa questão para o Plano Nacional de banda larga?

J. R.

– Há ideias do governo para se usar o 400 MHz. O grande problema hoje é que há apenas 600 municípios com 3G. O grande embate dos 190MHz (na faixa de 2,5 Gz) está nas grandes cidades, onde se tem o 3G, o MMDS, o cabo etc. Nas pequenas cidades quem quisesse poderia ter qualquer tamanho de espectro, porque é lá onde está o problema da competição, mas não é a mesma situação para as grandes cidades.

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Comunicação pública: os novos desafios para a TV Brasil

TV Brasil O editorial da Folha soa como declaração de guerra contra a comunicação pública. A TV Brasil deveria tomar-se em brios, aproveitando esta estapafúrdia recomendação da concorrente para não apenas seguir avançando naquilo que tem acertado com uma grade de programação humanista, educativa, respeitadora da diversidade cultural e histórica brasileira, sem concessões à imposição da ditadura publicitária cervejeira ou medicamentosa que domina a mídia privada. O artigo é de Beto Almeida.

Beto Almeida (*) Postado Carta Maior

Não surpreende o editorial do jornal Folha de São Paulo pedindo o fechamento da TV Brasil a pretexto desta ser irrelevante e gastar muito. Não será a primeira vez que a Folha incorre em posições antagônicas ao previsto na Constituição. Antes, a Folha participou do esquema de repressão a cidadãos brasileiros montados pela ditadura e esta é uma página inapagável na história deste jornal que não tem como reivindicar, sem a causar risos, liberdade de expressão e direitos humanos.

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O YouTube não será mais compatível pra quem usa Internet Explorer 6, atualize já o seu navegador

navegadores Os usuários do Internet Explorer 6 que acessam o YouTube estão dando de cara com o seguinte comunicado: “Vamos descontinuar o suporte para Internet explorer 6 em breve, por isso faça o upgrade agora”.

O YouTube exibe o aviso, e ainda indica que os internautas que ainda usam o Internet Explorer (IE)6 façam o download de outros navegadores, como Google Chrome, Mozilla Firefox 3.5, IE 8, Opera, Safari.

A mensagem na página inicial do site ainda diz: “Faça upgrade para um navegador moderno de modo a obter uma experiência on-line mais rica”. O aviso, no entanto, não especifica a data na qual o IE6 não será mais compatível ao portal de vídeo.

Entenda por que é importante atualizar o navegador

Navegadores antigos como o Internet Explorer 6 que foi lançado em 2001 não exibem sites dentro dos padrões web, são repletos de bugs, não oferecem as funcionalidades dos browsers atuais como navegação por abas, efeitos rollover ou gerenciador de downloads ou seja tudo que deixa os sites atuais mais bonitos e estão submetidos a sérios problemas de segurança como vírus e malware.

**Quando você entra no blog do Psol Carapicuíba e se você estiver usando o IE6 a barra de menu esquerda vai aparecer lá embaixo enquanto nos navegadores atuais está tudo normal.

Ainda comprometem a qualidade da exibição dos sites e limitam a criação dos Web Designers, que precisam perder tempo adaptando o site para rodar nesses navegadores obsoletos.

Abaixo estão os principais navegadores usados hoje em dia e todos são gratuítos inclusive o Internet Explorer 8.

Clique e faça o download dos navegadores, detalhe você pode instalar todos em seu computador sem problemas assim você verá diferenças entre eles

 

Internet Explorer 8  Firefox 3.5  Google Chrome  Opera  Safari

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O fechamento de jornais e o jornalismo público

imagemcapaNo mês passado foi a vez do fechamento do jornal Gazeta Mercantil, com 90 anos de história e deixando a marca de ter sido um periódico qualificado, avaliação partilhada até mesmo pelos discordantes de sua linha …

 

 

Beto Almeida

No mês passado foi a vez do fechamento do jornal Gazeta Mercantil, com 90 anos de história e deixando a marca de ter sido um periódico qualificado, avaliação partilhada até mesmo pelos discordantes de sua linha editorial, voltada para o público empresarial.

Antes havia ocorrido o fechamento do também legendário Tribuna da Imprensa, agravando o problema do desemprego crônico de jornalistas, já sem ter para onde correr, além de fazer aumentar a também trágica concentração da informação nesta sociedade.

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Em defesa da liberdade e privacidade na internet

 

Ato contra o AI-5 Digital.

 

ato ai5

Ás 19h, acontece na Assembléia Legislativa de São Paulo o Ato contra o AI-5 Digital.

Trata-se de um projeto que, sob o pretexto de combater crimes na internet, pretende aplicar uma série de normas que vão acabar com a nossa liberdade na rede. Atividades simples, como baixar músicas e filmes, mandar emails coletivos, destravar seu ipod ou seu videogame passarão a ser crimes! Ou seja, todos nós nos tornaremos bandidos…

Mas o pior de tudo é que o PL coloca sobre os provedores de acesso a responsa pela fiscalização. Ou seja, a Telefônica, o Uol, o Terra (entre muitos outros, pois a definição de provedor de acesso é super ampal. Pode ser uma lan house ou uma faculdade, por exemplo) passarão a observar o que você faz na rede e, se você for suspeito, esses provedores têm a obrigação de te denunciar, para que a polícia, então, tenha o direito de fuçar toda a sua vida digital.

Parece loucura e teoria da conspiração, mas não é. Trata-se de um projeto de lei para regulamentação da Internet que já foi aprovado pelo Senado brasileiro e que irá muito em breve para votação na Câmara dos vereadores.
E para que vocês entendam melhor, estou enviando abaixo um texto que fiz e que explica bem direitinho todos os pontos polêmicos do projeto. Para acompanhá-lo tem o link da última versão do Substitutivo. Assim ficamos afinados para o debate de amanhã.
http://www.senado.gov.br/comunica/agencia/pags/01.html
É muito importante participarmos, se queremos continuar tendo nossa liberdade garantida na internet. A pressão parlamentar nesse momento é fundamental, mas sem a pressão da sociedade ela tem pouco efeito.
Nos vemos lá!!! Divulguem!

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Movimentos sociais conectados: o MST e o Exército Zapatista

Os movimentos sociais do século 21 consolidaram suas identidades e afinaram os seus discursos na tentativa de conquistar a opinião pública. Nesse processo, o uso da Internet como instrumento estratégico para comunicação e para organização de suas luta tem sido fundamental. Neblina Orrico (28/04/2009) O protagonismo social e político dos movimentos sociais na América Latina ganhou uma nova forma de expressão com a utilização da Internet como aliada e ferramenta de luta. Dois movimentos sociais fazem uso da rede mundial de computadores como arma estratégica: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Brasil, e o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), no México [1]. Por meio do uso da Internet, esses dois protagonistas disponibilizam informações divulgando a “sua versão” dos fatos e dos objetivos da sua luta, na tentativa de construir novos canais para uma nova sociabilidade [2]. Na construção do discurso dos sites “oficiais” dos dois movimentos foram desenvolvidas e utilizadas uma nova visão e uma nova representação das maneiras dos integrantes desses movimentos sociais lutarem por seus objetivos. Muitas vezes, esses sites – e todo o seu conteúdo – funcionam como principal instrumento de comunicação e como arma estratégica na elaboração das agendas dos movimentos sociais da atualidade. Funcionam ainda como contraponto ao discurso construído pelos meios de comunicação acerca das suas identidades. A construção de novos discursos que geram impactos na sociedade e se transformam em notícia é uma preocupação permanente da maioria dos movimentos sociais da atualidade, pois essa é uma maneira de legitimar suas ações e construir suas identidades. Além disso, esses dois movimentos passaram a atuar em rede entre si e com outros atores sociais e construíram uma forma de luta, coordenando e conduzindo suas ações com o uso da Internet. Foram capazes de criar novas oportunidades de se apresentar ao mundo, de legitimar as ações, de divulgar as demandas pelas quais lutam, de pressionar os meios de comunicação tradicionais a noticiarem com menos parcialidade fatos ligados a eles e de eles próprios noticiarem fatos ligados às suas lutas. Uma das características mais fortes do EZLN é a importância que seus membros dão para a opinião pública. Sabendo que as informações transmitidas na rede mundial de computadores podem chegar sem nenhum “tratamento” ao computador do público, os zapatistas têm o cuidado de utilizar uma comunicação estrategicamente transparente, uma linguagem simples e capaz de comunicar quem são e o que querem. Ela traz detalhes do dia-a-dia das comunidades zapatistas para o cotidiano das pessoas, ganhando a confiança de quem busca informações sobre eles de uma forma nunca antes feita por outros movimentos sociais latino-americanos. Ao iniciar a utilização da internet como estratégia de luta, há mais ou menos seis anos, o MST também deu início a um “burilamento” de seu discurso, abandonando a sua velha tática discursiva para usar uma nova maneira de divulgar informações sobre o movimento para o resto da sociedade. Isso é consequência do processo de aquisição de identidade e consciência próprias pelo qual os trabalhadores e trabalhadores rurais sem-terra se afirmam como sujeitos sociais atuantes. Concomitantemente com o início da informatização do MST, foi iniciada a etapa de mostrar ao mundo que o movimento é integrado por pessoas altamente comprometidas com a luta pela democratização da terra no Brasil e não por arruaceiros, como tenta mostrar a mídia tradicional. Além disso, é preciso destacar a iniciativa do movimento de investir em um ambicioso projeto de inclusão digital dos trabalhadores rurais que já estão assentados. Para o MST, é importante que os camponeses e seus filhos tenham acesso às novas tecnologias como tentativa de incentivá-los a permanecer no campo, sem deixar de estarem informados sobre o que se passa no mundo. O cotejo entre o discurso do MST e do EZLN mostrou que os dois movimentos sociais utilizam maneiras diferentes para atingir a sociedade por meio da rede mundial de computadores. O discurso emancipatório dos movimentos sociais, agora veiculado também pela internet, representa uma nova maneira de lutar pela mudança social. Enquanto os zapatistas preferem uma linguagem muito mais poética e metafórica, que resgata elementos da linguagem indígena dos Chiapas, mas que, mesmo assim, é simples e transparente, o MST investe na objetividade e em textos jornalísticos para alcançar o internauta. Numa época em que a linguagem adquiriu evidência e centralidade na constituição, manutenção e desenvolvimento das nossas sociedades, os sites dos movimentos se tornaram verdadeiros cartões de visita, apresentando e divulgado a bandeira de luta do movimento, seja pela realização da reforma agrária, seja por justiça social e por democracia. Graças à Internet, eles obtêm visibilidade pública e angariam simpatizantes que se tornam adeptos das suas bandeiras de luta e apoiam suas causas. As análises sobre os movimentos sociais constituídos no fim do século passado ou mesmo no início deste século devem necessariamente levar em consideração que esses novos movimentos sociais do século 21 aprenderam a utilizar a internet como ferramenta para criar novas conexões que buscam diminuir as fronteiras entre eles e a sociedade, vinculando a sua luta particular a uma luta maior contra as velhas e as novas formas de dominação. Atualmente, os movimentos sociais tentam mudar a realidade social, contribuindo com a (re)construção de uma simetria das relações de poder por meio do discurso divulgado em suas páginas de internet. [1] As constatações deste artigo são resultado de uma pesquisa qualitativa, feita em 2005, que analisou textos virtuais e entrevistas com representantes dos dois movimentos em questão para a realização da dissertação de mestrado Movimentos sociais e a internet da mesma autora. Postado:Le Monde Diplomatique

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A Grande Mídia agoniza. Viva a Mídia Livre!

Enquanto os jornalões e revistas semanais apostaram na oposição cega e vêm perdendo lucratividade e tiragem, a investigação, opinião e análise sérias estão nos blogs e veículos alternativos

Enquanto os jornalões e revistas semanais apostaram na oposição cega e vêm perdendo lucratividade e tiragem, a investigação, opinião e análise sérias estão nos blogs e veículos alternativos

06/05/2009


Vinicius Souza e Maria Eugênia Sá,

Ideias em Revista

A grande mídia agoniza em praça pública. Os chamados jornalões como o Jornal do Brasil, O Globo, Folha de S. Paulo e Estadão, além das revistas semanais como Veja, IstoÉ e Época jamais terão novamente o poder e a influência que tiveram ou pensavam ter num passado recente. E as grandes redes de TV como Globo e Bandeirantes devem seguir o mesmo caminho, apesar de sua derrocada ser mais lenta devido aos custos de produção, à capilaridade regional por meio das afiliadas e à penetração que têm nos rincões mais escondidos do Brasil. Para essas, contudo, também é só uma questão de tempo. No lugar dos meios de comunicação tradicionais, surge uma nova, ampla e heterogênea gama de veículos, alguns impressos mas a maioria digital. É a mídia alternativa, ou livre. E nesse embate tem sido fundamental a interatividade proporcionada pelos Blogs e sites de entidades, sindicatos, jornalistas, estudantes, profissionais liberais e até donas de casa. As pessoas comuns finalmente têm um megafone virtual para sua voz e estão juntas construindo o conhecimento e um entendimento melhor sobre o mundo real em que vivem.

O ponto de virada foram as últimas eleições presidenciais em 2006 e o processo se agudiza quanto mais nos aproximamos do pleito de 2010. A Grande Mídia foi aliada de primeira hora e apoiadora destacada do golpe civil-militar de 1964, sendo por isso um dos setores mais beneficiados pela ditadura. Um dos exemplos flagrantes é acordo inconstitucional com a estadunidense Time-Life que deu a Roberto Marinho US$ 6 milhões que lhe permitiram construir a Globo em 1965 e torná-la a mais influente rede de TV do país nos anos seguintes. Outros acordos, no entanto, foram menos claros, como os retratados pela pesquisadora Beatriz Kushnir no livro "Cães de Guarda - Jornalistas e Censores, do AI-5 à Constituição de 1988" em que são apresentados casos como o do funcionário da Abril enviado por Victor Civita para treinar os censores em Brasília, e dos bastidores da Folha da Tarde, Jornal do mesmo grupo da Folha de S. Paulo que cedia as vans de entrega para transportar presos políticos para sessões de tortura. Com as benesses da ditadura, a Folha se tornou o diário de maior circulação no país. Certamente um agrado para quem em editorial de 1971 chama o governo militar de “sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular”, e mais, que “está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social”.

Nos anos 1980, com o apoio ao movimento pelas Diretas Já e o discurso de jornalismo “profissional, imparcial e isento”, como se isso fosse possível, a Folha atingiu o seu ápice em tiragem e credibilidade. Na virada da década a Globo mostrou todo o seu poder “elegendo” Fernando Collor de Melo com o debate editado no Jornal Nacional, e ajudando a derrubá-lo inflando os “caras-pintadas”. Mas a decadência viria na sequência. O início do fim foi a conspiração da mídia na criação do “escândalo do mensalão", até hoje não provado, com o objetivo declarado pela oposição de “sangrar até a morte” o Governo Lula. Contudo, apesar das manchetes, dossiês e aloprados, não conseguiram eleger seu candidato. E na esteira dos poucos veículos e blogs que então remavam contra a maré, como a revista Carta Capital e os diários de Internet de jornalistas do porte de Luís Nassif (http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/) e Paulo Henrique Amorim (http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/) , descobrimos que era possível comprar matérias de capa em revistas do porte e da antiga credibilidade de IstoÉ.

A Veja, então, abriu uma cova sob seus pés, enveredando totalmente para a ficção, os assassinatos de reputação e a falta de qualquer escrúpulo ou critério jornalístico, sempre em benefício de acordos comerciais e da oposição cega ao governo. Para não nos alongarmos em exemplos, basta citar os 22 capítulos da série “O Caso de Veja” (http://luis.nassif.googlepages.com/ ), que no auge chegou a ter link em cerca de 800 blogs. O problema é que o resto da Grande Mídia embarcou com tudo na onda achando que poderiam vender mais jornal com oposição a qualquer custo e manchetes cada vez mais sensacionalistas e não com o investimento em jornalismo sério. O resultado tem sido exatamente o inverso. Segundo os números do Instituto Verificador de Circulação – IVC, em fevereiro desse ano as vendas dos dez maiores jornais diários do país caíram 6,45% em relação à fevereiro de 2008. E a queda só não foi maior por causa de jornais mais populares, como o mineiro Super Notícia (R$ 0,25 e segundo no ranking nacional) cuja circulação caiu “apenas” 3,3%. A tiragem da Folha, com quase 300 mil exemplares por dia, por exemplo, caiu 6,6% no período. O Globo foi além, com queda de 9,3%, mas ainda abaixo do Estadão (-15,3%). Os números globais do IVC, no entanto, mostram que a circulação de jornais no Brasil cresceu 5% em 2008, puxada exclusivamente por veículos fora do ranking dos dez maiores.

Todos os grandes jornais tiveram perdas pesadas de circulação durante toda a última década apesar do aumento da população e da alfabetização. A Folha caiu de uma média diária em 2000 de 429.476 exemplares (chegou a tirar 1,25 milhão de exemplares com vendas de fascículos de um atlas aos domingos em 1995) para 298.352 em março desse ano. O Estadão foi de 391.023 para 217.414; o Diário de S. Paulo de 151.831 para 61.088; e o Jornal da Tarde de 58.504 para 50.433. Nos outros estados acontece o mesmo: O Dia tirava 264.752 em 2001 e hoje não chega a 100 mil exemplares; O Globo caiu de 334.098 em 2000 para 260.869. O Extra caiu menos, de 264.715 para 258.324; assim como o Correio Braziliense (de 61.109 para 52.831). Já o Correio do Povo foi de 217.897 exemplares diários em 2000 para 155.774 em março último.

“Os jornais vêm perdendo tiragem desde o meio da década de 1990, mas até 2006 os colunistas garantiam uma certa pluralidade na mídia que eu chamo de ‘formadora de opinião’, que é fundamentalmente manipuladora, só que isso acabou”, disse Nassif na mesa redonda “A mídia em debate”, promovida pela Agência Carta Maior no último dia 24 de abril (http://www.cartamaior.com.br/templates/tvMostrar.cfm?evento_tv_id=52). “O exemplo mais claro é que os ‘formadores de opinião’ apostaram todas as suas fichas no Gilmar Mendes como grande figura da oposição e o transformaram em uma unanimidade: o sujeito mais odiado do Brasil”. De fato, apesar da Globo ter tentado manipular os telespectadores contra o Ministro Joaquim Barbosa, o vídeo da discussão entre os dois, amplamente divulgado pelo YouTube (http://www.youtube.com/watch?v=sIUdUsPM2WA), mostra para quem quiser ver, as grosserias de Gilmar Mendes com o colega. Apesar disso, no final de semana seguinte apenas a Carta Capital trouxe o assunto na capa. A Veja, que havia dado uma capa elogiosa a Barbosa quando esse denunciou os supostos participantes do mensalão como “quadrilha”, deu uma notinha interna com o preconceituoso título “O dia de índio de Joaquim Barbosa”, (tudo a ver com uma editora que tem 30% de suas ações nas mãos do o grupo de mídia sul-africano Naspers, que apoiou o Apartheid). Merval Pereira, do O Globo, seguiu a linha de que Barbosa teria “um histórico de desentendimentos com vários outros ministros”, e aproveitou para dar a informação de que Mendes tem uma foto de FHC em sua mesa de trabalho. Já Josias de Souza, em seu Blog na Folha Online, afirma que Mendes tenta “colocar panos quentes”, mas que Barbosa “é o recordista de processos pendentes de julgamento no STF” e que “Na ponta do lápis, já se indispôs com seis colegas”. Mas basta abrir os mais de 700 comentários ao texto original de Josias de Souza sobre o bate-boca para ver de que lado está a população. Isso se ainda estiverem lá, porque a UOL deletou o link para uma enquete sobre qual juiz tinha razão na discussão assim que viu os resultados esmagadores. Vão às ruas, jornalistas! Ou pelo menos leiam direito o recado da Internet.

Com a pluralidade e a articulação entre os blogs, portais e sites de análises que surgiram principalmente depois das eleições de 2006, o povo já não engole tão fácil qualquer manipulação. E exige, nas ruas e na Internet, a retratação e o reposicionamento dos veículos. Quando a Folha usou a desculpa de mais um editorial contra o presidente da Venezuela Hugo Chavez para introduzir no Brasil o vocábulo “ditabranda” e depois chamou dois conceituados professores universitários de cínicos e mentirosos por não aceitarem essa nomenclatura, o Movimento dos Sem Mídia (http://edu.guim.blog.uol.com.br/) convocou uma protesto em frente ao jornal. A notícia correu de blog em blog, sem qualquer divulgação mais organizada. Em uma manhã de sábado com cara de chuva, mais de 500 pessoas compareceram ao local, obrigando a direção da Folha a voltar atrás e afirmar em nota assinada pela redação que foi “um erro” utilizar a expressão. Mas infelizmente o jornal não se emendou.

No último dia cinco de abril, a Falha novamente tenta manipular seus leitores com uma grosseira “revisão histórica”. Em matéria de capa com o objetivo claro de torpedear a futura candidatura presidencial da Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, o jornal deturpou uma entrevista dada pelo antigo dirigente militar da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares – VAR Palmares, para afirmar em manchete que “Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim”. Pior, o jornal publicou também na primeira página o que seria uma “ficha policial” da ministra que teria sido fornecida pelos arquivos do DOPS com os crimes a ela atribuídos. Imediatamente o entrevistado Antonio Roberto Espinosa desafiou a Falha a publicar (ainda que apenas na versão online) a íntegra da entrevista gravada para provar que ele jamais disse que Dilma saberia do tal plano de sequestro, que no final não ocorreu. A negação da própria ministra também ficou escondida no meio do texto interno e suas dúvidas sobre a autenticidade da ficha passaram ao largo. Foram necessários mais 20 dias e muita mobilização na Internet para o que jornal publicasse, novamente sem destaque em uma página interna, que houve “um erro técnico” ao dizer que a ficha pertenceria ao DOPS, já que “a imagem” na verdade teria sido enviada “por uma fonte” e que sua “autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada - bem como não pode ser descartada”.

A tal ficha é uma fraude tosca produzida provavelmente por antigos torturadores e que circula na Internet em sites de direita há mais de um ano. De acordo com Espinosa, o “provável autor, é o hoje coronel reformado (na época major) Lício Augusto Ribeiro Maciel, o Dr. Asdrúbal, torturador e assassino de dezenas de pessoas em Xambioá. A seguir foi reproduzida por dois dos mais conhecidos blogs da direita mais reacionária, também alimentado por quadros subalternos do regime militar, o ‘Ternuma’, do notório coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, e o ‘A verdade sufocada – As histórias que a esquerda não quer contar’, também mantido por sargentos e oficiais de baixo escalão dos porões”. Não por coincidência, a desculpa da Folha de que não poderia provar a fraude é a mesma usada pela Veja há alguns anos para publicar um dossiê forjado por Daniel Dantas para acusar vários membros do Governo Lula de possuírem contas ilegais em paraísos fiscais. Com isso, e assegurando o anonimato da fonte da “imagem”, o jornal tenta se eximir de futuros processos judiciais. O próprio ombudsman do jornal, Carlos Eduardo Lins da Silva, em seu artigo “Até ver se a ficha cai” de 03/05/2009 (um mês após a publicação da ficha forjada), lamenta que a Redação “encerrou a apuração desse episódio seriíssimo e não acha necessário rever procedimentos de checagem de informações”, que apesar do “Manual” do jornal prever a identificação de fontes que passem “informações erradas” isso não foi e nem será feito no caso, além de nenhum funcionário ser punido. Ele, no entanto, tem “poder” apenas para “sugerir” mudanças.

Mas se os jornais, revistas e TVs estão perdendo leitores e credibilidade com suas fraudes e manipulações, a quem interessa a publicação desse tipo de matéria? Obviamente à oposição! E a alguns interesses comerciais dentro das “empresas jornalísticas”. Nesse ponto, novamente a Internet e sua vasta rede de colaboradores comuns, gente do povo, tem muito a contribuir. “O blog é um show dos leitores na construção do conhecimento”, diz Nassif. “Quando publiquei o relatório interno do STF sobre o suposto grampo telefônico, em poucos minutos quatro técnicos e engenheiros enviaram mensagens informando que o rastreamento era equivocado, tendo sido feito de dentro para fora e não de fora para dentro do prédio e a única possibilidade seria de alguma equipe externa de TV. Algum tempo depois, outro leitor foi buscar as imagens do STF no Google Earth e demonstrou que para haver um grampo externo, a recepção teria que ter sido feita necessariamente do estacionamento do STF, do Congresso ou do Palácio do Planalto e que à 1:00 da manhã certamente haveria um registro de quem estaria nesses locais. Assim, a Policia Federal não pode fechar esse caso porque teria que afirmar categoricamente que o Presidente do Supremo mentiu deliberadamente com o objetivo de plantar uma notícia falsa na imprensa”.

Também na Internet, por meio dessa rede de blogs, é possível rastrear uma série de pagamentos sem licitação realizados diretamente pelo Governo de São Paulo aos representantes da Grande Mídia. Por meio da Secretaria de Educação, o candidato do PSDB, José Serra, transferiu à Editora Abril, da Veja, os endereços residenciais de todos os professores da rede pública para que recebessem a revista Nova Escola. São 220 mil assinaturas no valor de R$ 3,7 milhões. Se forem incluídos os exemplares do Guia do Estudante, também da Abril, o custo total aos cofres públicos estaria perto de R$ 10 milhões somente no segundo semestre de 2008. Esse ano, segundo o contrato 15/014/09/04 publicado no Diário Oficial em 15 de abril, são mais R$ 12.963.060,72 para 25.702 assinaturas da Revista Recreio, também da Abril, por 608 dias. Mas os jornalões não podiam ficar de fora, por isso estão sendo adquiridas esse mês mais 5.449 assinaturas da Folha de S. Paulo e 5.449 assinaturas do Estadão para distribuição em todas as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo, tudo, claro, sem licitação. Os processos administrativos não trazem o período de assinatura e nem o valor dos contratos. Mas se for pelo valor integral (como ocorreu nos outros casos citados) da assinatura anual de cada jornal todos os dias da semana, estamos falando em algo em torno de R$ 7 milhões. Por outro lado, o Movimento dos Sem Mídia estima que a Folha tenha perdido dois mil assinantes somente durante o episódio da “ditabranda”. Nada mais justo do que o governo de São Paulo recompensar um jornal aliado, certo?

Publicado originariamente na Ideias em Revista – SisejufeRJ – abril/maio 2009

Vinicius Souza e Maria Eugênia Sá são jornalistas, fotógrafos e documentaristas independentes.

http://mediaquatro.sites.uol.com.br

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“Brasil gasta algo em torno de US$ 1 bilhão por ano, com o pagamento de licenças”

Em entrevista, presidente do Serpro, Marcos Vinicius Ferreira Mazoni, apresenta economia e debate provocado pela opção de programas não proprietários

Em entrevista, presidente do Serpro, Marcos Vinicius Ferreira Mazoni, apresenta economia e debate provocado pela opção de programas não proprietários

23/04/2009

Juliano Domingues,

da Redação - Brasil de Fato

O Governo Federal economizou R$ 370 milhões com a utilização de Software Livre, ao invés de pago. O dado foi gerado a partir de informações da Pesquisa de Software Livre, aplicada em 2008 pelo Comitê de Implementação de Software Livre (CISL). O número é incompleto, pois apenas 62 instituições públicas, das 99 participantes do participantes do programa, responderam o questionário responsável pela medição.

Software livre é qualquer programa de computador que pode ser usado, copiado, estudado, modificado e redistribuído sem nenhuma restrição.

De acordo com o coordenador do CISL e presidente do ServiçoFederal de Processamento de Dados (Serpro), vinculado ao Ministério da Fazenda, Marcos Vinicius Ferreira Mazoni, a utilização deste tipo de produto, além um fator de economia para o governo, gera um debate sobre sermos, ou não, agentes da evolução, aplicação e preservação de uma tecnologia nacional.

O número de R$ 370 milhões já é expressivo, mas parece que ele poderia ter sido maior ainda, pois não foram todas as instituições públicas que contabilizaram suas economias. Isso é certo?

Marcos Vinicius Ferreira Mazoni: Na verdade esse dado é extraído de um questionário colocado na rede, portanto, nós sabemos que muitas outras organizações, que também aturam com software livre, não tiveram engajamento no questionário. Então são dados que ainda não temos. E ainda não temos também outras informações sobre projetos se só que foram desenvolvidos porque se utilizaram da lógica do software livre porque, do contrário, ou seja, caso se tivesse usado software privado, o pagamento de licenças inviabilizaria a implantação a implantação. Nós temos também a introdução do software livre em unidades do governo federal como, por exemplo, a Fundação Chico Mendes que toca todos os projetos dos parques (Unidades de Conservação) e que hoje usa o Expresso da Comunicação (programa do governo voltado para o desenvolvimento da área), e que é um projeto que saiu do zero. Nem se imaginava em fazer isso, caso houvesse a necessidade de pagar licenças para o ambiente de comunicação. Então sem dúvida nenhuma, nós poderíamos ter chegado a um número muito maior, mas como a nossa preocupação é mostrar aquilo que a gente possa provar, nós chegamos a esse número de R$ 370 milhões contabilizando o que seria a compra de licenças para alguns projetos e a sua substituição por software de código aberto. Repito que é verdade que se todos os nossos planejamentos tivessem sido atingidos, nós teríamos um número maior. Mas o importante é que o nosso plano visa avançar com segurança, portanto, é certo que este número vai crescer daqui para frente.

Há alguma estatística que mostre qual seria a economia caso todas as instituições públicas usassem software livre?

Marcos Vinicius Ferreira Mazoni: O Brasil gasta algo em torno de US$ 1 bilhão por ano, com o pagamento de licenças. Se levarmos em conta que o governo federal brasileiro corresponde a 55% desse mercado, então estamos falando de US$ 550 milhões gastos em licenças. É claro que nem tudo pode ser substituído por software livre, mas esse é o universo de licenças que são pagas pelo país e a gente faz essa simulação. Mas acho que se conseguíssemos substituir até 60% disso tudo por código aberto, já será algo fantástico. Eu não falo em 100% porque há sistemas que realmente devem continuar atuando com software proprietário.

Existe alguma resistência por parte dos órgãos públicos na utilização de software aberto?  E, se sim, a que se deve essa resistência?

Marcos Vinicius Ferreira Mazoni: Há resistência, sim e isso é algo natural. Não é algo forçado por empresários de software proprietário, por exemplo. É algo que simplesmente se deve ao conhecimento que as pessoas têm. Aquele usuário final da tecnologia da informação não é um ativista deste mundo “livre”. Ele é apenas um usuário, um simples trabalhador que precisa de seu conhecimento em tecnologia para trabalhar. Hoje, por exemplo, quando cai uma rede de computadores ou internet, nós ficamos sem condições de trabalho dentro de um escritório. Então não é algo simples, e quando o usuário sente que ele não domina a proposta que é feita de mudança de tecnologia, é natural que ele haja em direção ao que ele acha que é mais seguro. Ou seja, manter essa rede com software pago mesmo. Afinal ele vai ser cobrado pelo resultado final do trabalho dele, não importando se aquilo foi feito com programa livre ou pago. É por isso que, muito mais importante que convencer os nossos usuários finais a mudar, nós temos que estabelecer condições de segurança para que ele realize este processo, para que isso ocorra sem nenhum prejuízo, e sim com ganhos para esta pessoa.

Fale sobre a implantação do software livre como uma alternativa a privatização do conhecimento e como algo estratégico para o desenvolvimento de uma tecnologia nacional.

Marcos Vinicius Ferreira Mazoni: A tomada de decisão sobre o uso de software sempre aparece para a sociedade na economia que se faz com seu uso, ou seja, como esses R$ 371 milhões. Mas na verdade essa estratégia tem um outro cunho. Nós podemos manter os investimentos no mundo do software, mas não mais em royalties, e sim pagando pessoas e conhecimento. Na verdade o que estamos procurando são elementos que vão além, ou seja, que Estado brasileiro e mesmo empresas privadas tenham controle sobre a evolução da tecnologia. Assim eu não fico mais dependente daquele fornecedor de software que faz uma nova versão do seu produto – muitas vezes inclusive sucateando o meu hardware, e que decide assim que produto eu uso, por quanto tempo eu uso, quantas vezes eu pago e quanto eu pago. É isso na verdade que está em jogo, nós sermos agentes da evolução, aplicação e preservação da nossa tecnologia ao longo dos anos. Os sistemas de grandes corporações, e aí entra o governo, não são sistemas de um ou dois anos, na verdade se usa o mesmo sistema por décadas. Então eu tenho que ter o controle sobre qual software eu vou usar ali dentro. A sociedade em geral tem que se apropriar disso. Trata-se de uma questão também econômica, pois aí esse dinheiro dos royalties passa a circular dentro do país e assim passaremos a gerar produtos com maior valor agregado. Eu duvido que quem tenha um produto de mercado de dez anos atrás, ainda tenha suporte para a sua operação hoje, e eu estou falando desde planilhas, editores, até sistemas operacionais de dez anos atrás, como é o caso do Windows, por exemplo.  Eu gosto muito de usar como exemplo, o caso de Santos Dumont, pois quando ele libera os códigos do Demoiselle, em 1907, ele cria a condição para evolução da indústria aeronáutica, sem pagamento de royalties, fazendo, em vez disso, com que a indústria ganhe dinheiro com a  construção de aviões e não com o pagamento de royalties. Por isso essa a grande diferente da tecnologia dele, em relação à dos irmãos Wright que ficou parada. O mundo evolui pelos caminhos onde o conhecimento estava liberado e não por onde ele estava privatizado.

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TV Globo e jagunços disparam contra o MST

O Fantástico, da TV Globo, disparou covardemente contra o MST na noite de domingo (19). Ao noticiar os violentos confrontos na Agropecuária Santa Bárbara, na região de Xinguara, no sul do Pará, ele acusou os sem-terra de terem invadido a fazenda, atirado em “seguranças” da empresa e de terem feito jornalistas de “reféns”, usando-os como “escudo humano” no meio de um tiroteio. Num espetáculo deprimente, a emissora exibiu cenas de sangue, agressões e humilhações. Só faltou acusar os líderes do MST de “terroristas” e “bandidos”. As imagens induziram a isto!

Por Altamiro Borges*

A TV Globo só não realçou que a fazenda ocupada desde fevereiro por 120 famílias de sem-terra pertence ao Banco Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, investigado por crimes financeiros e que se jacta da sua influência sobre a mídia. Também não explicou porque os quatro jornalistas chegaram ao local num avião fretado pela Santa Bárbara, o que poderia indicar a encenação de uma emboscada. E não esclareceu que os tiros diante das câmeras de TV foram disparados por jagunços contratados pela empresa — e não meros seguranças. Os jornalistas ficaram sempre atrás dos jagunços. Nem sequer entrevistaram os líderes do MST para entender as razões do conflito.

Uma emboscada televisionada

Diante desta abjeta manipulação, a coordenação do MST-Pará emitiu nota oficial, que também não foi divulgada pela emissora privada. Ela comprova que a violência neste final de semana foi provocada pelos jagunços de Daniel Dantas. “Os sem-terra não pretendiam fazer a ocupação da sede da fazenda e nem fizeram reféns. Nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados”. Ela informa que na manhã do sábado, quando 20 sem-terra recolhiam palha para reforçar seus barracos, jagunços chegaram fortemente armados e passaram a provocar. “O trabalhador Djalme Ferreira foi obrigado a deitar no chão, enquanto os outros conseguiram fugir. Ele foi preso, humilhado e espancado pelos seguranças da fazenda de Daniel Dantas”.

No retorno ao acampamento, as sem-terra decidiram em assembléia realizar uma marcha. “Os jornalistas, que estavam na sede da Agropecuária Santa Bárbara, acompanharam o final da caminhada. Não havia a intenção de fazer os jornalistas de ‘escudo humano’, até porque os trabalhadores não sabiam como seriam recebidos pelos seguranças. Aliás, os jornalistas que estavam no local foram levados de avião pela Santa Bárbara, o que mostra que ela tinha tramado uma emboscada”. A própria Polícia Militar negou as notícias sobre “reféns” e “escudo humano”.

Segundo a direção estadual, “os trabalhadores do MST não estavam armados e levavam apenas instrumentos de trabalho e bandeiras do movimento. Apenas um posseiro, que vive em outro acampamento da região, estava com uma espingarda. Quando a marcha chegou à guarita dos seguranças, os sem-terra foram recebidos à bala e saíram correndo — como mostram as imagens veiculadas pela TV Globo. Não houve um tiroteio, mas uma tentativa de massacre. Nove trabalhadores rurais ficaram feridos pelos seguranças da Agropecuária Santa Bárbara. O sem-terra Valdecir Nunes Castro, conhecido como Índio, está em estado grave. Levou quatro tiros. Depois de atirar contra os sem-terra, os seguranças ainda fizeram três reféns”.

Queda de audiência e de credibilidade

Mais esta manipulação grosseira da TV Globo, desta vez a serviço do banqueiro Daniel Dantas, até poderia motivar a abertura de processo jurídico. Os sem-terra foram exibidos como bandidos, enquanto os verdadeiros bandidos permanecem em liberdade — inclusive com a ajuda de habeas-corpus do STF.

A edição do Fantástico, “a revista eletrônica da Globo”, foi totalmente distorcida, um exemplo do pior jornalismo. Isto talvez ajude a explicar a queda constante de audiência deste programa, que perde credibilidade a cada semana. Neste mesmo domingo, ele teve o pior Ibope desde que foi levado ao ar pela primeira vez em 1973. Alcançou apenas 19 pontos em São Paulo.

* Altamiro Borges é jornalista, editor da revista Debate Sindical e autor do livro As encruzilhadas do sindicalismo (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição).

Por: O Vermelho

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Um povo monitorado pela agenda do capital

Escrito por Waldemar Rossi

08-Abr-2009 - Correio da Cidadania

A Rede Globo consegue enquadrar parcela significativa da população brasileira nos limites de sua telinha televisiva. São novelas e mais novelas nos horários "nobres" a invadir os lares brasileiros, de segunda a sábado, seguidas de programas "culturais" tipo BBB, futebol e mais futebol. Transforma drama particular em verdadeiro circo emocional a mexer com a sensibilidade de um povo simples e trabalhador; passa e repassa filmes quase que exclusivamente das produtoras estadunidenses, com a marca privilegiada da violência, recheados ostensivamente de bandeiras da terra do Tio Sam.

Leva ao ar noticiários que, bem feitos tecnicamente, sempre passam apenas aquilo que é de interesse do capital, omitindo fatos importantes para a vida do nosso povo. Com isso, mantém o povo atrelado aos interesses ideológicos dos seus exploradores. Muito embora com um poder de penetração bem menor e com qualidade técnica inferior à da Globo, agem da mesma forma as demais redes televisivas. Levam avante verdadeira lavagem cerebral do povo brasileiro, que busca encontrar no "deus" consumo realização que supere suas frustrações - impostas pelo mesmo capital.

A pauta eleitoral

Além desse infernal ataque ideológico diário, a mídia procura nos enquadrar em outra pauta importante para os detentores do poder econômico: a pauta eleitoral. Pois a cada dois anos o povo brasileiro é condicionado a escolher entre os inúmeros candidatos às vagas dos poderes legislativo e, principalmente, executivo. Mal acabamos de sair de um processo eleitoral (votamos para prefeitos e vereadores no ano de 2008) e já estamos sendo condicionados a "pensar" nas eleições para as esferas federal e estadual, a serem realizadas em outubro de 2010 e, com isto, nos esquecermos dos graves problemas que estão dia a dia interferindo em nossas vidas pessoais, familiares e social.

Perita nesse tipo de jogada, merece destaque as iniciativas da Folha de S. Paulo. Ainda na semana de 30/03 a 04/04, esse jornal divulgava uma "pesquisa" sobre as "preferências" dos eleitores à futura vaga para a presidência da República. Aparentemente nada de nocivo nessa iniciativa. Entretanto, a maioria dos eleitores não percebe a jogada que está por trás. Basta dar uma passada de vistas pela matéria e perceber que são "pesquisados" aqueles e aquelas candidatos ou candidatas que a própria mídia vem colocando para o povo o tempo todo. Todos envolvidos e comprometidos com o gerenciamento dos interesses do capital. Os possíveis candidatos do que resta da capenga esquerda brasileira são ignorados e, quando aparecem publicamente, são tratados como cidadãos de segunda categoria e, não raramente, difamados política e moralmente.

Uma jogada que não é perceptível para a maioria é a de tentar "enquadrar" antecipadamente todos os candidatos, em especial aqueles que desejam concorrer a cargos executivos. Jornalistas são colocados a realizar o jogo sujo de vasculhar a vida política e particular de cada um dos candidatos, visando encontrar "pelo em ovo". Isto é, tentam encontrar qualquer coisa que possa ser usado publicamente para deixá-lo constrangido perante a opinião pública. Com isto, forçam o candidato a se posicionar na defensiva e a se submeter às regras impostas pelo capital. Foi assim com Collor de Mello, com FHC, com Lula, com Serra e Alckmin em eleições anteriores, e assim vem ocorrendo tanto no âmbito federal, quanto nos estados e nos principais municípios brasileiros.

Neste domingo (05/04), a mesma Folha nos ofereceu mais um espetáculo grotesco: procura enquadrar Dilma Rousseff, candidata de Lula, vasculhando sua vida política do tempo de sua juventude, época em que a ditadura militar prendia, torturava barbaramente e assassinava brasileiros por discordarem da entrega do país aos interesses das multinacionais. (Lembre-se o leitor que a mesma Folha de São Paulo, há apenas algumas semanas, qualificou a carnificina praticada pelos militares de "ditabranda", tentando fazer defesa e acobertamento dos crimes praticados pelos militares e seus prepostos carrascos, assim como buscando apagar a vergonhosa adesão da direção do jornal à ditadura militar, divulgando denúncias sobre cidadãos brasileiros comprometidos com a democracia).

Depois de Dilma virão outros e outros, até que os eleitores se habituem com os candidatos permitidos pelo poder econômico, até que os eleitores estejam condicionados a votar no "menos ruim" (para o povo), porém no mais vantajoso para os exploradores.

E assim caminha o povo brasileiro, ano após ano, tutelado pela agenda do capital.

Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

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Um ano de Blog do IZB

O Blog do IZB completou um ano de existência neste dia 02 de abril. 365 dias depois, 318.500 visitas, 570 comentários publicados, 510 posts enviados por e-mails e o blog sobrevive e cumpre seu papel como um espaço dedicado à divulgação das idéias socialistas e de tudo aquilo que de alguma forma ajude no combate ao capitalismo e expresse a luta do nosso povo.

O Blog também tem sido uma ferramenta importante para divulgar as próprias ações do IZB, seus cursos, debates e atividades. Assim como de outras entidades e organizações afins com nosso trabalho.

Como também de divulgação daquilo que talvez seja a maior realização do Instituto Zequinha Barreto, a Biblioteca Popular Arcênio Rodrigues da Silva e seu acervo de mais de 6 mil livros.

Continuamos abertos à colaboração dos nossos associados e de todos aqueles que possam ajudar na divulgação e fortalecimento desta ferramenta. Nunca é demais reafirmar que este espaço é aberto. Toda colaboração pode ser enviada para o e-mail: imprensa@zequinhabarreto.org.br e teremos o maior prazer em publicar.

Queremos fazer com que o blog e a página do IZB sejam espaços vivos de pulsação do ideário socialista, da história da luta operária e popular, do nosso país e do mundo. Para isso a colaboração dos leitores é a pedra de toque fundamental, só assim é possível fazer algo que de fato reflita o combate em torno de uma sociedade justa, democrática e igualitária.

Por último, queremos agradecer a todos os que acompanham o blog do IZB, todos os que visitam nossa página e assim ajudam diretamente no fortalecimento desta ferramenta.

Um abraço a todos,

Márcio Bento – da coordenação de comunicação do IZB

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Em defesa das rádios COMUNITÁRIAS

Por: CMI Brasil

Há 15 anos servindo a comunidade do Conjunto Palmeiras e entorno - funcionando primeiro com alto-falantes e só nos últimos 3 anos através de frequência modulada - a Rádio Santo Dias, de Fortaleza (CE), foi fechada pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) há dois meses.

Desde que passou para o "dial", a rádio recebeu várias visitas da Anatel, com ameaças constantes de apreensão de equipamento. Em 2001 foi lacrada e ficou 3 meses fora do ar, até que seus locutores resolveram continuar o trabalho e a reabriram por conta própria. Há um ano e meio, a Santo Dias pediu a concessão da frequência 87,9 FM - mas ao invés de regularizar a situação da comunitária, a agência lacrou o transmissor novamente e multou a Rádio em R$ 1.858,00 pelo rompimento do lacre em 2001.

A política da Anatel para as comunitárias é confusa. A Rádio Santo Dias, por exemplo, não conseguiu a concessão apesar dos 15 anos de funcionamento na comunidade; já a Rádio Comunitária Maranata FM, com seus poucos meses de vida, adquiriu rapidamente a frequência 87,9 FM - justamente a mesma em que funcionava a Santo Dias. A Maranata FM é de propriedade de evangélicos sob orientação do Pastor Calebe.

 

NOSSA LUTA PELAS RADIOS COMUNITARIAS SEMPRE ACABA EM UMA DELEGACIA DA POLICIA FEDERAL.

 

ABUZO DE PODER.

Minha Historia, Sua Historia…
historia do nosso DIA A DIA.
Historia daqueles que luta pelas RADIOS COMUNITARIAS.
Rádio Comunitária 106.3 FM (Santa Cruz do Sul-RS)
Eram aproximadamente 8 horas, do dia 22/10/2003 quando policiais armados com cacetetes, revolveres e metralhadoras, munidos de um mandado judicial, foram apreender pela terceira vez em 5 anos de funcionamento, os equipamentos da Rádio Comunitária de Santa Cruz do Sul 106.3 FM.
Segundo a ANATEL (Agencia Nacional de Telecomunicações) é que a mesma não possui outorga definitiva para funcionamento, que é concedida pelo Ministério das Comunicações, mas segundo o presidente da ACICOM (Associação Cultural de Integração Comunitaria) associação esta que, é presidida pelo Sr Cleber Tromer e que dirige a emissora, todos os documentos exigidos pelo MC para atingir a outorga definitiva, já foram enviados a Brasilia e com cópias inclusive.
A operação que contou com a presença de policiais fortemente armados da Brigada Militar, Policia Federal e técnicos da Anatel, foi feita como uma verdadeira "operação de guerra", isolando a rua, proibindo o tráfego de veiculos por tempo determinado, contando inclusive com o apoio do corpo de bombeiros de Santa Cruz do Sul (Caminhão Escada) e o guincho trevisam, para a remoção da torre com a antena, usada pela rádio para transmissão, objetivo qual não foi alcançado.
Já na area interna da rádio, houve a invasão pelos policiais, revirando armários, gavetas, lacrando e ensacando os equipamentos do estudio, que foram encaminhados para o escritório da Policia Federal de Porto Alegre.Também foi algemado e preso o Presidente da ACICOM, Sr Cleber Tromer, responsavel judicialmente pelo funcionamento da emissora, que por volta das 19:00hs foi liberado após pagamento de fiança no valor de R$ 350,00.
Segundo populares que presenciaram a operação, a Rádio Comunitária não incomodava ninguém. "Gostava de mandar musica para meus parentes do interior" conta a ouvinte Loni Reutter. "A rádio comunitária não incomodava ninguém, só ajudava a gente que quisesse anunciar algum classificado, pode ser que seja perseguição politica" opina Sr. Nicolau Dittberner.
Infelizmente o Governo Federal ainda não adotou uma posição quanto à discusão sobre a legalização definitiva para funcionamento das Rádios Comunitárias no país, uma idéia de iniciativa popular que nasceu em 1998 e que com certeza mereçe uma atenção maior de toda a sociedade, o debate sobre meios de comunicação de massa e a democratização da comunicação.
DELFINO ALVES FILHO
ABRACO-MINAS GERAIS

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ANATEL E BM ATACAM RADIO COMUNITÁRIA EM VIAMÃO

                Rádio Comunitária Resistência FM

       Delegado Federal fala radio comunitária não é crime

       Prefeitura de SP derruba torre de rádio pirata

                                Fechamento radio Muda

                        Fechamento radio Helianópolis

                            Fechamento da Interferência

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