Arquivo de Mídia

Circulação dos 20 maiores jornais brasileiros recuou 6,9% em 2009

 

imagesCAO757B3 A circulação somada dos 20 maiores jornais brasileiros caiu 6,9% em 2009, segundo dados compilados pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC). Desse grupo, 11 registraram queda na circulação, seis tiveram alta e três mantiveram-se estáveis na comparação com os dados de 2008.
Os jornais que apresentaram as maiores quedas foram os do Grupo O Dia, do Rio de Janeiro – O Dia e Meia Hora recuaram 31,7% e 19,8%, respectivamente. Na sequência aparecem Diário de S. Paulo (declínio de 18,6%), Jornal da Tarde (-17,6%), Extra (-13,7%), O Estado de S. Paulo (-13,5%), Diário Gaúcho (-12%), O Globo (-8,6%), Folha de S. Paulo (-5%), Super Notícia (-4,5) e Estado de Minas (-2%). As informações são do jornal Meio & Mensagem.
Os seis diários que apresentaram circulação maior que a de 2008 foram Daqui (alta de 31%), Expresso da Informação (15,7%), Lance (10%), Correio Braziliense (6,7%), Agora São Paulo (4,8%) e Zero Hora (2%). Correio do Povo, A Tribuna e Valor Econômico registraram em 2009 números praticamente idênticos aos do ano anterior.
A liderança na circulação manteve-se nas mãos da Folha de S. Paulo, que encerrou o ano com média diária de 295 mil exemplares. Em seguida aparecem Super Notícia (289 mil), O Globo (257 mil) e Extra (248 mil). Em quinto lugar, ainda segundo os dados do IVC, ficou O Estado de S. Paulo (213 mil), à frente do Meia Hora (186 mil) e dos gaúchos Zero Hora (183 mil), Correio do Povo (155 mil) e Diário Gaúcho (147 mil). O top 10 se completa com o Lance (125 mil). (iG São Paulo)

NOTA DO IZB: A matéria não cita o fato de que, entre os ‘jornalões’ (Estadão, O Globo e Folha de S. Paulo), mais de 85% da circulação se dá graças aos assinantes, enquanto que as vendas avulsas (em bancas, quiosques e livrarias) despencam vertiginosamente a cada ano. É a crise da mídia burguesa impressa, cuja ideologia anti-esquerda já não influencia quase ninguém. Uma oportunidade para o crescimento da imprensa alternativa e popular.

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Oligarquias contra Chávez

Mário Augusto Jakobskind, no Direto da Redação

imagemcapa A mídia conservadora brasileira e latino-americana está fazendo o possível e o impossível para que a previsão da revista Newsweek se confirme. A publicação estadunidense, deixando de lado a função jornalística, somou-se ao desejo de grande parte da oligarquia das Américas de que o governo Hugo Chávez seja derrubado e previu a eclosão de um golpe militar no país sul-americano.

A TV Globo não fez por menos e convocou um “consultor político”, um tal de Alexandre Barros, para criticar o “silêncio do governo brasileiro” em relação aos acontecimentos na Venezuela e ao final deixou claro que “o regime deveria ser derrubado”. E os editores ainda têm coragem de afirmar que fazem jornalismo imparcial.

A gritaria da mídia conservadora, acompanhada de uma nota do Departamento de Estado norte-americano de “preocupação com os acontecimentos na Venezuela”, deveu-se à suspensão temporária de seis emissoras de TV a cabo, uma delas a RCTV.

A manipulação da informação começou com a edição do noticiário que dizia que Chávez fechou os canais de televisão que se recusaram a transmitir os pronunciamentos do presidente venezuelano. Trata-se de uma meia verdade, as emissoras foram suspensas temporariamente até que demonstrassem que estavam seguindo a legislação midiática aprovada pelo Congresso. Nada ilegal, portanto, como o noticiário induz. Em poucos dias, cinco dos canais a cabo, a TV Chile, a American Network, a Ritmoson, a Sport Plus e a Momentum entregaram a documentação exigida pela Comissão Nacional de Telecomunicações comprovando que são canais internacionais, o que permite restabelecer as transmissões. Se a RCTV a cabo não fizer o mesmo continuará suspensa.

A oposição, que em setembro vai disputar os votos para a eleição parlamentar, colocou nas ruas para protestar estudantes de algumas escolas particulares. Fazem barulho, porque as suas manifestações contam com todo o apoio de um setor da mídia conservadora que considera Chávez o diabo.

Os jornais e as agências de notícias não informaram que no dia 21 de janeiro último o presidente da Federação de Câmaras e Associações de Comércio e Produção da Venezuela, a FEDECÁMARAS, Noel Álvarez declarou em uma entrevista na RCTV que a “solução militar” é a única para a saída de Chávez. E isso com o acompanhamento entusiasmado do jornalista Miguel Ángel Rodriguez que o entrevistava.

No atual momento, a revolução bolivariana aprofunda o projeto socialista, ou seja, caminha para a mudança do modo de produção, o que não é admitido em hipótese alguma pelo conservadorismo dos mais diversos rincões das Américas. Os jornais brasileiros escrevem diariamente editoriais sugerindo a derrubada de Chávez e um posicionamento do governo Lula no esquema golpista capitaneado pelo Departamento de Estado norte-americano.

Mas, ao mesmo tempo em que ocorriam esses fatos, no Haiti a Sociedade Interamericana de Imprensa, a SIP, ignorava a denúncia da Federação de Jornalistas Latino-Americanos (FELAP) sobre o “atropelo contra o trabalho jornalístico no Haiti por parte das forças de ocupação estadunidenses”. A nota de protesto, não divulgada no Brasil, é assinada pelo presidente da entidade, jornalista Juan Carlos Camaño. Ele coloca questões importantes em pauta. Uma delas, o estabelecimento de limitações no trabalho jornalístico que levam a ocultar o real procedimento dos efetivos enviados pelo Pentágono e Casa Branca, que chegam a uns 15 mil soldados. Como se os haitianos precisassem mais de militares norte-americanos do que de médicos.

No mais, as forças conservadoras latino-americanas ganharam um aliado de peso: o presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, a maior fortuna do país, que trará com ele figuras de proa do regime ditatorial que imperou no Chile de setembro de 1973 a 1989. Piñera se elegeu porque a Concertación se esgotou. No plano econômico tudo continuará como manteve a aliança de centro esquerda durante 20 anos, com o acréscimo da privatização, desejo já anunciado por Piñera, de parte da estatal de cobre, mas no plano externo, o dono da Lan Chile e controlador do Colo-Colo, o clube de futebol mais popular do país, vai se somar ao bloco de direita latino-americana pró-EUA encabeçado por Álvaro Uribe.

Piñera já deu uma pequena mostra do que vem por aí em matéria de política externa chilena ao criticar gratuitamente Hugo Chávez em sua primeira entrevista depois de eleito. Ele veio reforçar a campanha do conservadorismo latino-americano contra a opção socialista que leva adiante o governo da República Bolivariana de Venezuela. É por aí que toca a banda das oligarquias furiosas com as mudanças que estão a ocorrer no continente latino-americano.

Texto: / Postado em 02/02/2010

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A imagem do MST segundo a CNA

Jeansley Lima *

Adital -

Logo depois da aprovação do requerimento de abertura de uma nova CPMI no Congresso Nacional contra o MST, a Confederação Nacional de Agricultura (CNA) encomendou uma pesquisa ao Ibope, que ouviu 2002 pessoas de todas as regiões do país, entre os dias 12 a 16 de novembro de 2009. Para criar um novo fato político para tentar desmoralizar o MST, a pesquisa CNA/Ibope contou com a habitual complacência das principais emissoras de TV e dos grandes jornais impressos para sua divulgação. O destaque foi que 60% dos brasileiros desaprovam o MST.

A pesquisa aponta dados que sequer foram divulgados. Somente 20% dos entrevistados afirmaram conhecer bem o MST, enquanto 73% declararam conhecer pouco. Não se sabe ao certo a definição do que é "conhecer bem o MST", contudo, podemos fazer algumas suposições. A primeira é que os entrevistados de algum modo já tiveram em algum assentamento/acampamento do MST, conhecem o seu funcionamento e as experiências de produção agrícola, ou os processos educativos e culturais desenvolvidos. Com isso, teriam elementos para opinar a respeito. Outra hipótese - e a mais provável - é que os entrevistados acompanham a cobertura da mídia, especialmente da televisão, sobre o MST e, portanto, estão seguros do que afirmam sobre o assunto.

Dessa maneira, levando em conta o modo como a mídia cobre os conflitos agrários, a luta do MST e sua relação com o governo e a sociedade é plausível entender o motivo por que 53% dos entrevistados associam o MST à violência. Afinal, não seria por só verem o movimento representado dessa maneira na TV?

A velhinha de Taubaté já seria capaz de prever os resultados de uma pesquisa encomendada pela senadora Kátia Abreu (DEM/TO), postulante a líder dos ruralistas no Congresso Nacional, a respeito do MST. E esta não é apenas uma dedução simplista. O caráter panfletário e manipulador da pesquisa são expostos em algumas questões, que revelam as suas verdadeiras intenções.

Vejamos, por exemplo, a pergunta se o entrevistado concorda ou discorda que "quem já possui propriedade hoje tem o direito de escolher se quer ou não produzir nela", ou se o mesmo está de acordo com a seguinte frase: "o que lhe pertence ninguém pode tomar". Como a grande maioria dos entrevistados concordou com tais assertivas, 77% e 87% respectivamente, a CNA pretende reiterar que a ocupação de terra é um crime - por entender que a propriedade, para todos os efeitos, é inviolável - e que a população recrimina essa ação, por isso o MST deve ser investigado e para isso conta com o suposto suporte popular.

Além de tratar questões políticas e sociais com uma perspectiva dissimulada, a pesquisa pretende tentar legitimar a violência dos proprietários rurais para defenderem suas terras. Nesse ponto, a pretensão ruralista deu com os burros n’água. Cerca de 60% dos entrevistados não concordam que os proprietários rurais utilizem dos seus meios para evitar as ocupações (ou seja, repudiam jagunços e grupos armados). Somente 4% concordam que os ruralistas devem usar dos seus próprios recursos para garantir a reintegração da terra.

A maioria acredita que a solução da questão está a cargo do governo e da justiça. Para quem historicamente se dispõe da arbitrariedade e da violência para tratar as questões sociais, os contratantes da pesquisa devem ter ficado desapontados com o resultado.

Na pesquisa, há mais uma tentativa desesperada dos ruralistas de relacionar o governo Lula ao MST, insinuando que as ocupações de terra são financiadas com recursos públicos. Porém, 35% dos entrevistados acreditam que o governo federal é desfavorável ao MST, dado superado apenas pela mídia, 40%, e o Congresso Nacional, 41%.

Assim, os dados indicam que a população não acredita na tese defendida pelos ruralistas, que deseja que o governo federal e a sociedade sejam contrários ao MST tanto quanto a eles. No que se refere à ocupação das terras, mesmo que sejam latifúndios improdutivos, terras griladas, ou propriedades que desenvolvem atividades ilegais, como o trabalho escravo, 68% dos entrevistados discordam desse tipo de ação do MST.

Embora 29% afirmam que a finalidade desta ação seja para assentar as famílias que estão acampadas, enquanto 66% acreditam que serve para pressionar o governo para fazer a reforma agrária. Os ruralistas tentam convencer a população que a ocupação é um crime. Por isso, devem ser combatidas com rigor, a ponto de utilizar deste argumento para a todo custo aprovar um projeto de lei que torna a ocupação de terra um crime hediondo, como o seqüestro, latrocínio e o tráfico de drogas.

E para deleite da Kátia Abreu, Ronaldo Caiado e quejandos, a pesquisa alcançou a auge esperado no seguinte item: 82% dos entrevistados afirmaram ser a favor da CPMI e 11% contra. Nesse sentido, os ruralistas entendem que a população reprova o MST e concorda que todas as tentativas de investigação, pois se trata de um movimento criminoso.

A pesquisa também pondera ao seu público sobre os objetivos do MST, que segundo o Ibope são três: a luta pela terra; a distribuição de renda e a busca por uma sociedade mais justa e igualitária. Em termos gerais, a CNA gostaria de saber se o seu discurso conservador e contra os pobres tinha ressonância na sociedade, ou se a causa do MST era vista popularmente como justa. E 88% dos entrevistados concordam com os objetivos descritos, apesar de 57% desconfiarem que o MST esteja lutando para tais fins. Enquanto 58% acham que o MST é legítimo porque são trabalhadores querendo terra para trabalhar e morar, mas que não têm condições de pagar por ela.

Assim, os ruralistas se defrontam com a legitimidade da reforma agrária na sociedade e que a maioria da população considera justa a sua causa. Daí se justifica a incessante tentativa de usarem o artifício de criminalizar os movimentos sociais e suas lideranças, julgando-os incapazes para atingir tal fim. Apesar de utilizar variados instrumentos para tentar impedir o avanço da reforma agrária, a bancada ruralista não conseguiu o argumento necessário para inviabilizar um projeto social que conceba uma sociedade mais justa e igual e não conta com o apoio da população brasileira.

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Uma excelente reportagem e uma sugestão de pauta

Por Marcelo Salles,

Postado: Blog Fazendo Media

Na noite desta segunda-feira, dia 4, a TV Brasil mostrou que está a fim de produzir e veicular um outro tipo de Jornalismo. Em seu principal telejornal, o Repórter Brasil, a emissora exibiu extensa e corajosa reportagem sobre a tragédia ocorrida em Angra dos Reis, mas com uma grande diferença em relação às empresas comerciais: a especulação imobiliária aparece entre os atores causadores das cinquenta mortes.

A TV Brasil foi a campo e entrevistou um vereador da oposição, em Angra, e o deputado estadual Alessandro Molon. Eles criticaram, respectivamente, o desvio de verba da prefeitura municipal, que deveria ser usada na proteção ao meio-ambiente, e o afrouxamento, pelo governador Sérgio Cabral, da legislação que garante a segurança das construções em áreas de encosta. De quebra, o telejornal ainda explicou, didaticamente, como funcionam as autorizações para as intervenções em regiões consideradas de risco.

Enquanto isso, as corporações de mídia culpam a chuva – que não tem assessoria de imprensa e nem verba publicitária. Quem assistiu a esta reportagem do Repórter Brasil não apenas tomou conhecimento de aspectos fundamentais para a compreensão da tragédia em Angra dos Reis. Também entendeu por que é tão importante a existência de veículos de comunicação que não sejam pautados pela lógica comercial, da audiência a qualquer preço.

Novos desastres anunciados

Na última quinzena de 2009, o deputado estadual Marcelo Freixo protagonizou uma discussão importantíssima para o cidadão fluminense, mas que infelizmente ainda não teve grande repercussão nos meios de comunicação (quem sabe a TV Brasil não se interessa?). Trata-se da tentativa de aprovação da lei que amplia a área de proteção do Parque Estadual da Serra da Tiririca – que abrange os municípios de Niterói e Maricá -, cuja votação estava marcada para agosto. A demora, segundo denúncia gravíssima de Marcelo Freixo, ocorre devido a um acordo do prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, com o presidente da Alerj, Jorge Picciani. A maior beneficiária desse acordo é a especulação imobiliária, que em Niterói está concentrada nas mãos de uma empresa privada chamada Patrimóvel.

Em razão de sua luta pela aprovação da  lei (assinada também pelos deputados Rodrigo Neves e Luiz Paulo), Freixo foi xingado de “leviano” por Jorge Roberto num jornal local. Sua resposta, na mesma moeda, foi dada no dia 15 de dezembro, no plenário da Alerj, e publicada no Diário Oficial.

Quem vive em Niterói, como eu vivo há 30 anos, conhece bem os males da especulação imobiliária. Crescimento desordenado; muita gente sem casa, muita casa vazia; preços exorbitantes dos imóveis; um trânsito cada vez pior (já levei 50 minutos para percorrer 8km); problemas graves de distribuição de água e energia; poluição crescente das praias (incluindo uma das mais belas do mundo, a de Itacoatiara, ameaçada pelos diversos espigões que crescem ao seu redor); saneamento básico comprometido.

Se a sociedade não se mobilizar agora, Niterói pode viver uma tragédia de enormes proporções nos próximos anos. Além, é claro, de as tragédias cotidianas citadas no parágrafo anterior continuarem deteriorando, aos poucos e sem divulgação, a vida de milhares de pessoas. Muitas delas devido a esse profundo caso de amor entre o prefeito e a Patrimóvel.

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Boris Casoy mostra quem é ao humilhar garis

 

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Por Diafonso*
O apresentador do Jornal da Band, Boris Casoy, finalmente conseguiu mostrar quem é de verdade: um sujeito preconceituoso, intolerante e mau-caráter. Esses não tão nobres atributos foram revelados por ele mesmo, quando, na noite do último dia 31, ele fez comentários ofensivos às sinceras e humildes felicitações de Ano Novo dadas por dois garis. As palavras do "âncora" da Band, vazadas por um microfone aberto, foram exatamente as que se seguem:
"Que merda!… Dois lixeiros desejando felicidades… Do alto de suas vassouras… Dois lixeiros… o mais baixo da escala do trabalho…" (Palavras de Boris Casoy)

 

 

Nota do IZB: Isso, sim, é uma vergonha… Senhor Boris Casoy!

A categoria dos Garis poderia boicotar e não colher o lixo da sua casa e deixar que você mesmo se vire com o seu lixo, ou seja, com você mesmo.

Veja alguns Comentários na Net

Comentário de Reinaldo (o outro)
 
Eu deixaria apenas o que enviei a Bandeirantes como comentário, mas minha indignação é tanta que pretendo fazer uma cruzada solitária contra este tipo de gente:
"Boris Casoy não esconde sua falta de caráter. Não que o povo brasileiro espere tal qualidade em um reles representante da "elite branca" deste país, mas casuou-nos absoluta repugnância mais uma de suas intervernções. Realmente é uma vergonha!
Que João Saad (Johnny) defenda seus interesses e seu candidato José Serra, tudo bem. Sabemos quem são os Saad e os Casoy da vida, mas antes de tudo somos o povo brasileiro, formado por garis, faxineiros, mecânicos, pedreiros, porteiros etc. Somos a maioria! Lamentavelmente temos vista a Rede Bandeirantes descambar para o "quatrocentismo" da "elite branca paulista", que imagina-se superior aos demais brasileiros. A verdadeira face de Boris Casoy não nos surpreende, tanto quanto não nos supreende que um programa como o CQC seja arma política deste mesmo grupo.
Quero apenas deixar manifesta o meu repúdio à opinião de Boris Casoy e esclarecer que, do alto de suas vassouras os garis brasileiros são mais dignos de respeito e consideração que este sujeitinho podre, lixo que deveria ser removido imediatamente por quem preze a ética, a dignidade e a justiça.
É meu dever de cidadão multiplicar por mil a minha indignação. Se um judeuzinho de merda considera que os garis brasileiros estejam no "mais baixo da escala do trabalho", talvez nunca tenha se olhado no espelho, talvez nunca tenha se questionado quanto ao papel sujo que o "jornalismo da grande mídia" presta ao povo brasileiro.
Precisamos de mais garis, de muitos brasileiros capazes de varrerem a sujeira do tipo Boris Casoy e do jornalismo da Band para fora deste país!
Lamentavelmente a Bandeirantes mostra a sua cara… e é suja! "

 

Comentário de Silvia Helena Calmon
 
Vamos distribuir para nossas listas e outros blogs. As pessoas têm que se responsabilizar pelo que dizem e fazem. Lembram-se do Ricúpero :" No fundo é isso mesmo. Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura, o que é ruim, esconde". ?"
Basta!

 

Gari3

Um ano melhor para esse nosso PAÍS…
Que acabem os BORIS da nossa TV já tão pobre.
Um abraço
Solange

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Microsoft é condenada por quebra de patente e proibida de vender Word

 

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Um tribunal dos Estados Unidos condenou a Microsoft por quebrar a patente da companhia canadense i4i, que é dona dos direitos de um pedaço do código usado no programa Word. Por conta disso, o júri decidiu multar a empresa em US$ 290 milhões e barrar as vendas do pacote Office a partir de 11 de janeiro de 2010.
Em 12 de agosto, o júri já havia decidido em favor da i4i, afirmando que a Microsoft usou conteúdo protegido nas versões de 2003 e 2007 do Word. A companhia dirigida por Steve Ballmer apelou, mas hoje o tribunal reafirmou sua decisão.
"Estamos muito satisfeitos com a decisão da corte. Acho que foi um passo importante para a proteção dos direitos de propriedade de pequenos desenvolvedores", afirmou em comunicado oficial o fundador da i41, Michel Vulpe.
A Microsoft, por sua vez, disse que irá retirar o recurso do Word alvo do processo de violação de patente em uma tentativa de contornar a decisão da Justiça e de continuar vendendo um de seus softwares mais utilizados. A empresa diz que irá tomar medidas para retirar a ferramenta das cópias Word e do Office 2007 que serão vendidas a partir de 11 de janeiro.
A patente em disputa está relacionada ao uso de códigos XML (Extensible Markup Language), usado na edição de textos da versão 2007 do Word. A Microsoft diz que é um recurso "pouco usado".
Contudo, o processo não permite novos apelos da Microsoft. "Enquanto trabalhamos para resolver a proibição das vendas, estamos estudando quais são nossas alternativas legais", disse Kevin Kutz, porta-voz da empresa. Ele afirma que a empresa pode incluir um pedido de audiência com todos os juizes da corte ou pedir uma revisão na Corte Suprema. (Informações da Reuters)

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O embate entre governo Lula e rede Globo

Rede globo No início da década de 1980, centenas de milhares de brasileiros cantaram em coro “O povo não é bobo, abaixo a rede Globo!”, quando a corporação na qual se apoiou a ditadura militar censurou as mobilizações populares contra o regime militar, utilizando fotonovelas e futebol para tentar anestesiar a opinião pública. Hoje, um segmento crescente do público brasileiro expressa seu descontentamento frente o grupo midiático hegemônico


Por Dario Pignotti*
Medições de audiência e investigações acadêmicas detectaram um dado, em certa medida inédito, sobre as relações de produção e consumo de informação: a credibilidade da rede Globo, inquestionável durante décadas, começa a dar sinais de erosão. Contudo, é possível perceber uma diferença substantiva entre a indignação atual e o descontentamento daqueles que repudiavam a Globo durante as mobilizações de três décadas atrás em defesa das eleições diretas.
Em 1985, José Sarney, primeiro presidente civil desde o golpe de Estado de 1964, obstruiu qualquer pretensão de iniciativa reformista relativa à estrutura de propriedade midiática e ao direito à informação, em cumplicidade com a família Marinho – proprietária da Globo, da qual, aliás, era sócio. O atual chefe de Estado, Luiz Inácio Lula da Silva, parece disposto a iniciar a ainda pendente transição em direção à democracia na área da comunicação.
No início de 2009, no Fórum Social Mundial realizado na cidade de Belém, Lula convocou uma Conferência Nacional de Comunicação. A partir daí, mais de 10 mil pessoas discutiram em assembleias realizadas em todo o país os rumos da comunicação e definiram propostas para levar para a Conferência, realizada de 14 a 17 de dezembro, em Brasília.
“É a primeira vez que o governo, a sociedade civil e os empresários discutem a comunicação; isso, por si só, já é uma derrota para a Globo e sua política de manter esse tema na penumbra (…). O presidente Lula demonstrou estar determinado a instalar na sociedade um debate sobre a democratização das comunicações; creio que isso terá um efeito pedagógico e poderá converter-se em um dos temas da campanha (de 2010)”, assinala Joaquim Palhares, diretor da Carta Maior e delegado na Conferência.
O embate entre Lula e a Globo poderia ser resumido como uma disputa pela verossimilhança, um bem escasso no mercado noticioso brasileiro. Ao participar quase que diariamente de atos ou eventos públicos, o presidente dialoga de forma direta com a população, estabelecendo um contrato de confiança que contrasta com a obstinação dos meios dominantes em montar um discurso noticioso divorciado dos fatos que, às vezes, beira a ficção.
Lula configura um “fenômeno comunicacional singular; o povo acredita nele, não só porque fala a linguagem da gente simples, mas porque as pessoas mais carentes foram beneficiadas com seus programas sociais; isso é concreto, o Bolsa Família atende a 45 milhões de brasileiros que não prestam muita atenção ao que diz a Globo”, observa a professora Zélia Leal Adghirni, doutora em Comunicação e coordenadora do programa de investigação sobre Jornalismo e Sociedade da Universidade de Brasília.
“Por que Lula ganhou duas vezes as eleições (2002 e 2006), uma delas contra a manifesta vontade da Globo? Por que Lula tem uma popularidade de 80%?”, pergunta Adghirni, para quem “as teorias de comunicação clássica que estudamos na universidade não são aplicadas ao fenômeno Lula. Desde a teoria da ‘agulha hipodérmica’ até a da ‘agenda setting’, dizia-se que os meios formam a opinião ou pautam o temário do público, mas com Lula isso não ocorre: os meios de comunicação estão perdendo o monopólio da palavra”.
Por outro lado, como se sabe, a construção de consensos sociais não se galvaniza só com mensagens racionais ou versões críveis da realidade, também é necessário trabalhar no imaginário das massas, um território no qual a Globo segue sendo praticamente imbatível. A empresa do clã Marinho controla o patrimônio simbólico brasileiro: é a principal produtora de novelas e detém os direitos de transmissão das principais partidas de futebol e do carnaval carioca.
Frente à gigantesca indústria de entretenimento da Globo, o governo é praticamente impotente. Não obstante, a imagem do presidente-operário provavelmente ganhará contornos míticos em 2010, com o lançamento do longa-metragem Lula, o Filho do Brasil, que será exibido no circuito comercial e em um outro alternativo (sindicatos e igrejas). O produtor Luis Carlos Barreto prevê que cerca de 20 milhões de pessoas assistirão à história do ex-torneiro mecânico que se tornou presidente, o que seria a maior bilheteria da história no país.
O balanço provisório da política de comunicação de Lula indica que esta tem sido errática. Em seu primeiro mandato (2203-2007), impulsionou a criação de um Conselho de Ética informativa, iniciativa que arquivou diante da reação empresarial. Após essa tentativa fracassada, o governo não voltou a incomodar as “cinco famílias” proprietárias da grande imprensa local, até o final de sua primeira gestão.
Em seu segundo governo – iniciado em 1° de janeiro de 2007, Lula nomeou Hélio Costa como ministro das Comunicações, um ex-jornalista da Globo que atua como representante oficioso da empresa no ministério. Mas enquanto a designação de Costa enviava um sinal conciliador aos grupos privados, Lula seguia uma linha de ação paralela.
Em março de 2008, o Senado, com a oposição cerrada do PSDB, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, aprovou o projeto do Executivo para a criação da Empresa Brasileira de Comunicações, um conglomerado público de meios que inclui a interessante TV Brasil, para a qual, em 2010, o Estado destinará cerca de US$ 250 milhões. O generoso orçamento e a defesa da nova televisão pública feita pelos parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) indicavam que Lula havia decidido enfrentar a direita política e midiática. Ao mesmo tempo em que media forças com a Globo – ainda que não de forma aberta -, Lula aproximou posições com as empresas de telefonia (interessadas em participar do mercado de conteúdos e disputar terreno com a Globo) e algumas televisões privadas, como a TV Record – de propriedade de uma igreja evangélica.
A estratégia foi tomando contornos mais firmes no final do mês de outubro quando Lula defendeu, durante uma cerimônia de inauguração dos novos estúdios da Record no Rio de Janeiro, o fim do "pensamento único" capitaneado por alguns formadores de opinião (em óbvia alusão à Globo) e a construção de um modelo mais plural. Dias mais tarde, o mesmo Lula afirmava: “Quanto mais canais de TV e quanto mais debate político houver, mais democracia teremos (…) e menos monopólio na comunicação”.
Com um discurso monolítico e repleto de ressonâncias ideológicas próprias da Doutrina de Segurança Nacional (como associar qualquer objeção à liberdade de imprensa empresarial com ocultas maquinações “sovietizantes”), o grupo Globo lançou uma ofensiva, por meios de seus diversos veículos gráficos e eletrônicos, contra a incipiente tentativa do governo de estimular o debate sobre a atual ordem informativa, que alguns definem como um “latifúndio” eletrônico.
O primeiro passo neste sentido, assinala Joaquim Palhares, foi “esvaziar e boicotar a Conferência Nacional de Comunicação, retirando-se dela, dando um soco na mesa e saindo intempestivamente para tentar deslegitimá-la”, movimento seguido por outros grupos midiáticos. O segundo movimento consistiu em articular um discurso institucional para fazer um cerco sanitário contra o contágio de iniciativas adotadas por governos sulamericanos como os da Argentina, Equador e Venezuela, orientadas na direção de uma reformulação do cenário midiático.
A Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) “temem que o que ocorreu na Argentina se repita no Brasil; eles veem essa lei como uma ameaça e começaram a manifestar sua solidariedade com a imprensa da Argentina”, afirma Zélia Leal Adghirni. O receio expresso pelas entidades representativas dos grandes conglomerados midiáticos é o seguinte: se o descontentamento regional contra a concentração informática ganha força junto à opinião pública brasileira, poderia romper-se a cadeia de inércia e conformismo que já dura décadas e, quem sabe, iniciar-se um gradual – nunca abrupto – processo de democratização.
O inverso também se aplica: se o Brasil, liderado por Lula, finalmente assumir como suas as teses do direito à informação e à democracia comunicacional, é certo que essa corrente de opinião, atualmente dispersa na América Sul, poderá adquirir uma vertebração e uma legitimidade de proporções continentais.
*Dario Pignotti é jornalista e doutor em Comunicação pela Universidade de São Paulo.
(Le Monde Diplomatique, reproduzido pelo Portal Vermelho)

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Confecom: uma primeira vitória, uma nova etapa na longa luta

A primeira Conferência Nacional de Comunicação representa indiscutivelmente uma importante vitória das forças progressistas no Brasil. Especialmente a TV Globo e o jornal “O Globo” dedicaram espaços para destruir a imagem desta primeira Confecom na história do Brasil, como se não fosse possível fazer um evento democrático na área da comunicação sem a anuência destes setores. Este era um tema proibido, hoje é agenda do Estado e da sociedade. O artigo é de Beto Almeida.

Era um, era dois, era cem
Era um dia, era claro
Quase meio
Encerrar meu cantar
Já convém
Prometendo um novo ponteio
Certo dia que sei
Por inteiro
Eu espero não vá demorar
Esse dia estou certo que vem
Digo logo o que vim
Prá buscar
Correndo no meio do mundo
Não deixo a viola de lado
Vou ver o tempo mudado
E um novo lugar prá cantar…
Quem me dera agora
Eu tivesse a viola
Prá cantar
Ponteio!…
Ponteio - Edu Lobo e Capinam

 

Por Beto Almeida*
Basta tomar as manchetes rancorosas da grande mídia capitalista contra a primeira Conferência Nacional de Comunicação para comprovar que o evento representa indiscutivelmente uma importante vitória das forças progressistas no Brasil. Especialmente a TV Globo e o jornal “O Globo” dedicaram espaços para destruir a imagem desta primeira Confecom na história do Brasil, como se não fosse possível fazer um evento democrático na área da comunicação sem a anuência destes setores. Este era um tema proibido, hoje é agenda do Estado e da sociedade.
Nestas manchetes, revela-se que os grandes magnatas da mídia sentiram o golpe, pois para eles é inadmissível que este tema Democracia na Comunicação seja tratado pública e democraticamente. Muito menos aceitável, para eles, é que o governo patrocine tal evento. Para a oligarquia midiática qualquer ação feita com o sentido de criação de políticas públicas para a comunicação é inevitavelmente censura estatal, porque tratam a comunicação como se fosse um latifúndio, um indústria de alimentos contaminados, uma fábrica qualquer de medicamentos falsificados, embora bem embalados.
A grande diferença é que o governo atual não está interessado em censura mas em promover a democratização da comunicação. E para isto cuidou de construir uma aliança com os movimentos sociais e com setores não monopolistas do empresariado para viabilizar a Confecom, neutralizando, de certa maneira, a sabotagem organizada pela Abert, Anj e Aner. Primeiro é preciso reconhecer em geral o acerto desta tática de construir alianças entre governo e sociedade organizada, mas também com setores do empresariado dispostos a aceitar que a comunicação seja discutida por toda a sociedade e não apenas pelos pequenos círculos oligopolistas de sempre. Pode-se prever que o tom de críticas a Lula será ainda mais azedo e odioso, do mesmo modo como também condenam e insultam Chávez, Rafael Correa, Evo Morales e Cristina Kirchner por promoverem medidas de democratização na comunicação e por terem tido a coragem de questionar e enfrentar os indecentes privilégios que aqueles magnatas da comunicação sempre tiveram. Eles não perdoarão jamais a Lula por ter convocado uma Conferência oficial para tornar a comunicação tema de todos os brasileiros.
Organizar o campo popular da comunicação
A Confecom aprovou temas importantes, medidas de aplicação imediata, consideradas exeqüíveis porque dependem exclusivamente de ato de governo legitimado por um presidente que teve 63 milhões de votos e agora tem o respaldo de uma conferência nacional. Exemplo disto é que quando em 2004 o presidente Lula assinou decreto-lei criando a Rede de TVs Institucionais, que levaria o sinal destas emissoras a todos os municípios ( que também poderiam ter espaço de produção local de uma pequena parte da programação ), encontrou ampla oposição da Abert taxando o decreto de estatizante. Mas, também a Fenaj se opôs à criação da RTVI especialmente por discordar da via do decreto. Sem respaldo, e com outras dificuldades, Lula recuou. Agora tem consigo as resoluções aprovadas da Confecom, legitimadas pela ampla participação da sociedade, inclusive de um setor do empresariado. O que não elimina a necessidade do fortalecimento do campo democrático e popular de comunicação para a implementação das resoluções, consistindo na manutenção da aliança entre governo, partidos políticos, movimentos sindicais, movimentos da sociedade e segmentos empresariais não monopolistas.
Agora a Confecom lhe dá o respaldo para que, por meio de atos de governo, seja portaria, seja decreto ou regulamentação, muitas resoluções aprovadas sejam transformadas em realidade. Aqui incluídas uma boa parte das 59 propostas que a Secom aprovou na conferência, tendo como linha o fortalecimento da comunicação pública, como a criação do Operador Nacional Único de Rede nas mãos da EBC, a mudança de critérios para a publicidade institucional que também alcançará a comunicação comunitária, a inclusão dos canais comunitários na TV digital em sinal aberto, a distribuição equitativa de concessões na era digital para os segmentos público, estatal e privado, uma nova relação com as rádios comunitárias a partir de estruturas específicas para desburocratizar seus pleitos, o fim da criminalização ao setor, inclusive porque passarão a fazer parte também, oficialmente, da pauta de publicidade institucional, o que é uma relação concreta entre estado e movimentos sociais que sustentam a radiodifusão comunitária.
Deste modo, o pessimismo ou o ceticismo de muitos delegados, que só durante o transcorrer da Confecom foram se convencendo que estão de fato fazendo avançar e concretizando um leque de reivindicações que, durante décadas, eram apenas alardeadas como algo muito remoto, devem ser transformados não em otimismo inconsequente, mas num realismo ativo, construtivo, indicando que foi feita uma Confecom possível, com resultados práticos e com conteúdo político e programático justo para a continuidade de uma luta que exige medidas de fundo, muito mais radicais, que só num outro governo e com outras relações de força poderão ser adotadas.
Bandeiras históricas e propostas exequíveis
Todas as demandas históricas do movimento pela democratização da comunicação também foram debatidas - a profundidade dos debates foi enormemente prejudicada pela péssima organização dos trabalhos a cargo da FGV, com erros tão primários que o governo está na obrigação de investigar - e em boa medida aprovadas. Há consciência de que estas bandeiras históricas, relacionadas à regulamentação do capítulo da Comunicação Social na Constituição, dependem de um acúmulo de forças muito maior na sociedade brasileira. Se aceitarmos uma estimativa de que a Confecom envolveu a participação de 30 mil pessoas que estiveram nas conferências municipais, conferências estaduais, conferências livres, seminários sindicais, encontros de segmentos, talvez estejamos diante da necessidade de aceitar que ainda falta muito para transformar radicalmente uma tirania midiática instalada há décadas, com poderes de fato para interferir nos rumos do processo político, econômico e social. Só agora, a partir da Confecom o debate da comunicação poderá deixar de ser coisa de especialistas, de comunicólogos, ou de jornalistas, para ganhar de fato a atenção de amplos setores da sociedade.
Desse modo, é importante vitória que as concessões de TV e rádio sejam debatidas e questionadas não apenas por círculos pequenos acadêmicos ou sindicais, que haja propostas para a democratização de suas outorgas e que a renovação destas concessões sejam obrigatoriamente submetidas ao crivo da participação da sociedade, por meio de audiências públicas. É também enorme vitória a aprovação pela Confecom de resoluções visando regulamentar a Constituição que já prevê a proibição do oligopólio e monopólio, que exige o uso educativo e informativo destes serviços, que estabelece a complementaridade entre os segmentos público, estatal e privado, apontando na direção do fortalecimento dos segmentos público e estatal, largamente preteridos na atualidade pelos indecorosos privilégios que o setor privado recebeu ao longo de décadas.
Conselho de Comunicação Social
A Confecom foi além ao aprovar resoluções contra a discriminação racial ou de gênero, contra a publicidade anti-saúde promotora de consumo irresponsável e destrutivo, contra as agressões publicitárias à criança. Especialmente por ter aprovado a criação do Conselho de Comunicação Social, proposta também de iniciativa do governo Lula. Sem desprezar a recuperação do Conselho de Comunicação do Congresso, hoje paralisado. Certamente, tais lutas demandarão enorme esforço de continuidade da ampliação das forças hoje em ação para que possam efetivamente virar realidade. Mas, para isto, já conta com o fortalecimento do campo público da comunicação, incluindo a expansão das emissoras ligadas à EBC, as TVs e rádios educativas, legislativas, comunitárias e universitárias, o que não depende de aprovação do Congresso Nacional, o que seria improvável a curto prazo. É fundamental que o Campo Popular da Democratização também aponte a sua luta para formar uma Bancada da Comunicação Democrática nas eleições de 2010, além de fazer com que os presidenciáveis se posicionem e se comprometam claramente com as resoluções da Confecom como, aliás, Lula mencionou na abertura do evento.
Propostas estratégicas
Há ainda um leque de medidas de cunho estratégico, aprovadas na Confecom, especialmente aquelas reiteradas reivindicações para que o governo promova, como política de estado, um Plano Nacional de Banda Larga, democrático, inclusivo, chegando aos grotões deste país. Para isto é necessário um instrumento estatal, já que a participação dos empresários de telefonia na Confecom estava dirigida a arrancar privilégios tributários e orçamentários para que sejam eles os protagonistas desta ação, o que seria temerário. Sem a presença de um instrumento estatal o cinema brasileiro retrocedeu largamente, por isto, é importante a resolução aprovada no sentido de criação de uma empresa pública para estimular a produção, distribuição e exibição do cinema brasileiro. Da mesma forma, sem descartar a participação de segmentos empresariais no Programa de Banda Larga, sobretudo do pequeno e médio empresariado nacional, é indispensável a existência de uma empresa estatal capaz de operar e ditar as regras do jogo para que as amplas  camadas de brasileiros pobres também tenham acesso á internet pública em banda larga.
Um grande equívoco
Houve notas negativas nesta Confecom, e não apenas pela precária administração e sistematização dos trabalhos a cargo da FGV. A aprovação da flexibilização do programa Voz do Brasil, atendendo a uma campanha antiga da Abert e da ANJ que nem presentes estavam, pode causar enorme prejuízo ao povo brasileiro. Trata-se de programa radiofônico que se constitui na única possibilidade de milhões de brasileiros que vivem nos lugares mais remotos, sejam ribeirinhos, caiçaras, indígenas e quilombolas, de terem algum tipo de informação de natureza pública. A mídia privada não lhes dá tal oportunidade.
A Voz do Brasil é a única informação que chega a todos os grotões deste país, numa população que majoritariamente não tem qualquer acesso à leitura de jornal. Flexibilizada, será exibida pela madrugada, tal como se faz com o Telecurso Segundo Grau, que embora produzido com verbas públicas, é escondido de seu público alvo. Tornar a Voz do Brasil inaudível é o primeiro passo neoliberal para eliminá-la. Desconsiderou-se nesta medida a última pesquisa de opinião pública realizada, quando mais 73 por cento dos brasileiros declararam-se favoráveis e ouvintes da Voz do Brasil e contrários à sua extinção. A estranha aliança entre setor público, um setor dos movimentos sociais e o empresariado contrário a qualquer forma de regulamentação de programação pode “proporcionar” mais uma hora de baixaria, de propaganda, de música de pouca qualificação.
Os gringos avançam com IV Frota e Voz da América…
O correto seria defender - como na proposta original - a manutenção da Voz do Brasil, sua qualificação e aperfeiçoamento. A começar pela destinação de um pequeno percentual de seu tempo como uma espécie de Direito de Antena para segmentos sociais atualmente sem voz. Com a flexibilização, prepara-se o terreno para que ela seja inaudível, facilitando sua extinção. É importante que tal equívoco seja corrigido. Que seja realizada uma consulta popular para que o povo brasileiro possa dar a última palavra. Especialmente num momento em que o programa Voz da América, do governo dos EUA, organiza e amplia uma rede de 400 emissoras de rádio na América Latina para, segundo declaração dos responsáveis pelo programa, impedir o processo de transformação comunicativa em curso na América Latina.
O Brasil também é parte de processo de mudanças, com seu ritmo próprio e diferenciado, seja pelas peculiaridades do desenvolvimento capitalista no Brasil e também porque ainda não se registra uma maioria parlamentar que viabilize, como em outros países, mudanças democráticas na comunicação social. Mesmo assim, foi realizada a Confecom possível, com medidas concretas de curto prazo e consolidação das bandeiras históricas da luta pela democratização da comunicação que vão nortear esta caminhada longa daqui em diante. Mas, já com o governo fazendo suas essas bandeiras. Não houve uma “virada de mesa”, era previsível que não houvesse. Mas, já há um leque de forças, um Campo Popular da Comunicação que precisa manter-se atuante, organizado, com plenárias regulares, reuniões periódicas, vencendo o desafio de ampliar a participação da sociedade nesta luta, que ainda é insuficiente para as metas gigantescas pretendidas diante de inimigos tão poderosos. Mas, já estamos numa etapa mais avançada desta caminhada.
*Beto Almeida é presidente da TV Cidade Livre de Brasília.
(Agência Carta Maior)

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Venda avulsa de jornalões brasileiros cai a índices surpreendentes

Carlos Castilho

midia1 Fala-se muito na crise das publicações impressas, como jornais e revistas, mas quando se analisa os dados reais percebe-se que a situação é muito mais grave do que imaginamos e que a busca por novos modelos de negócios é ainda mais urgente do que se previa.

Quando você descobre que a Folha de S.Paulo, considerada um dos três mais influentes jornais do país, vendeu em média 21.849 exemplares diários em bancas em todo o território nacional entre janeiro e setembro de 2009, é possível constatar a abissal queda de circulação na chamada grande imprensa brasileira. Em outubro de 1996, a venda avulsa de uma edição dominical da Folha chegava a 489 mil exemplares.

Segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC) a Folha é o 24º jornal em venda avulsa na lista dos 97 jornais auditados pelo instituto, atrás doEstado de S.Paulo, em 19° lugar e O Globo, em 15° lugar. Somados os três mais influentes jornais brasileiros têm uma venda avulsa de quase 96 mil exemplares diários, o que corresponde a magros 4,45% dos 2.153.891 jornais vendidos diariamente em banca nos primeiros nove meses de 2009.

São números muito pequenos comparados ao prestígio dos três jornalões, responsáveis por boa parte da agenda pública nacional. Globo, Folha e Estado compensam sua baixa venda avulsa com um considerável número de assinantes, o que configura a seguinte situação: Os três jornais dependem mais do que nunca das classes A e B, que são maioria absoluta entre os assinantes, já que a população de menor renda é a principal cliente nas compras avulsas em bancas.

Esta constatação não é nova, mas ela aponta um dilema crucial: As classes A e B são aquelas onde a penetração informativa da internet é mais intensa. Nesta conjuntura, o futuro de O Globo, Estado e Folhadepende umbilicalmente das classes média e alta, o que levou a uma disputa acirrada para saber qual deles interpreta melhor a ideologia destes segmentos sociais.

O atual perfil da imprensa brasileira mostra que os três grandes jornais nacionais agarram-se à classe média para manter assinantes e influenciar na agenda política do país, mesmo com tiragens reduzidíssimas, correspondentes a menos de 5% da média da venda avulsa nacional.

Nos últimos nove meses houve uma pequena recuperação nos índices de venda avulsa do Globo, Estado e Folha em 2009. O IVC registrou um crescimento de 5,5 % em relação aos quatro últimos meses do ano passado. É um aumento bem acima da média dos 97 jornais auditados pelo IVC, cuja venda avulsa diária total subiu insignificantes 0,27% no mesmo período. Mas a recuperação tem que ser vista num contexto de patamares muito baixos e que não garantem a rentabilidade futura dos jornais.

Em compensação os jornais locais e populares ocupam um espaço cada vez maior na mídia nacional. Dos dez jornais com maior venda avulsa, segundo dados do IVC, nove são claramente populares, voltados para as classes C e D. Destes, dois são de Minas Gerais, um do Rio Grande do Sul, cinco do Rio e dois de São Paulo. Somados eles chegam a uma venda avulsa diária média de 1.401.054 exemplares, ou seja 64,5% de todos os jornais auditados entre janeiro e setembro do ano passado.

O jornal Super Notícia, de Belo Horizonte, vende em bancas, em média, 290.047 exemplares (13,47% de todos os jornais auditados pelo IVC) - o que corresponde a cerca de 13,2 vezes a circulação avulsa da Folha de S.Paulo, em todo o país. Números que indicam uma clara tendência do mercado da venda avulsa de jornais no sentido das publicações populares, regionais, com apelo sensacionalista.

Isto também significa que os grandes jornais, tradicionais vitrines da agenda nacional, dependem, hoje, mais do prestígio herdado do passado do que do fluxo de caixa. A sua principal matéria prima, a notícia, perdeu valor de mercado em favor da opinião. Um prestígio que ainda alimenta uma receita publicitária compensadora, principalmente no setor imobiliário, de supermercados e revendas de automóveis, mas cujos dias também estão contados porque a migração destes segmentos para a internet é cada vez maior.

O conglomerado Globo aposta cada vez mais nos jornais populares regionais e segmentados - como o Extra, no Rio. Talvez busque inspiração no caso do Lance!, um jornal esportivo que vende, na média diária, 124 mil exemplares em bancas e jornaleiros. No sul, o grupo RBS aposta no Diário Gaúcho, o terceiro em vendas avulsas no ranking nacional do IVC e 8,4 vezes maior do que a do carro chefe do conglomerado, o jornal Zero Hora.

Fonte: Agência Carta Maior - http://www.agenciacartamaior.com.br

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O problema ambiental e as responsabilidades de mídia

 

Por Lilia Diniz em 10/12/2009

Por Observatório da Imprensa

Em Copenhague, capital da Dinamarca, os principais líderes do mundo decidem as metas para a redução da emissão de gases poluentes na atmosfera para os próximos dez anos. Os chefes de Estado concordam que é preciso rever o modo de produção industrial e mudar práticas sociais para evitar as catastróficas mudanças climáticas previstas por especialistas, mas relutam estabelecer metas ousadas que possam prejudicar suas economias.

Mas a questão ambiental que atualmente ocupa manchetes de jornais por conta da realização da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15) logo passará para segundo plano. O Observatório da Imprensa exibido ao vivo na terça-feira (8/12) pela TV Brasil discutiu o papel da imprensa na mobilização da sociedade para a preservação do meio ambiente. Os meios de comunicação conseguem alertar à população para o fato de que as mudanças climáticas já podem ser sentidas no Brasil – e que cada cidadão pode fazer a sua parte na preservação do planeta?

Para debater este tema, o Observatório recebeu no estúdio do Rio de Janeiro Eduardo Viola, professor titular de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), que trabalha com política ambiental internacional desde o fim da década de 1980. Em São Paulo, participaram dois convidados: Luciano Martins Costa, colunista do jornal Brasil Econômico e apresentador do Observatório no rádio, e Adalberto Marcondes Wodianer, fundador e editor da Envolverde, site especializado em meio ambiente e sustentabilidade. Aldem Bourscheit, repórter do site O Eco, participou pelo estúdio de Brasília. Bourscheit acompanha questões ambientais desde a Rio-92, é pós-graduado em Meio Ambiente, Economia e Sociedade pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso, da Argentina).

Antes do debate ao vivo, na coluna "Mídia na Semana", Alberto Dines comentou a cobertura da imprensa sobre as denúncias de pagamento de propinas envolvendo o governador do distrito federal, José Roberto Arruda. O jornalista destacou que o escândalo deveria ficar conhecido como "Propinoduto de Brasília" e não como "mensalão do DEM". Na avaliação de Dines, a mídia comportou-se exemplarmente. "Não se serviu de vazamentos exclusivos e ilícitos, todos publicaram tudo no mesmo dia e agora cabe à mídia inteira evitar que o caso caia no esquecimento e os panetones de Arruda se transformem em pizza."

A informação descontextualizada

Ainda antes do debate no estúdio, em editorial [íntegra abaixo], Dines comentou que o Brasil já está sendo afetado pelas mudanças climáticas, como pode ser verificado por efeitos como a seca na região amazônica. "E quem será capaz de costurar estas dezenas de acidentes climáticos? Qual o segmento da sociedade humana treinado para contextualizar e dar sentido aos fragmentos da pauta diária? Chegou a vez da mídia arregaçar as mangas para convocar o mundo a defender-se da catástrofe anunciada", afirmou. Dines chamou a atenção para o fato de não apenas as políticas públicas podem alterar o panorama do meio ambiente. Todos os cidadãos devem empenhar-se na luta contra o desequilíbrio ambiental.

A equipe da TV Brasil que está em Copenhagem entrevistou Washington Novaes, jornalista especializado na questão ambiental, ao final do primeiro dia do evento. Novaes destacou que ao longo de conferências como esta – que envolvem um grande número de países e onde estão em jogo questões polêmicas – posições diferentes são expostas. Líderes já afirmaram que somente no próximo ano será feito um acordo, enquanto outros garantem que metas serão estabelecidas ao final da COP-15.

O jornalista observou que representantes de ONGs têm dificuldade em assumir posições mais pessimistas e influenciar a opinião pública e governos. "É um jogo difícil, pesado e muito complicado", avaliou. Outro ponto destacado por Novaes é que a mídia não dedica uma cobertura sistemática ao meio ambiente. Dá destaque a grandes catástrofes ambientais, mas não mostra no dia-a-dia a relação entre desabamentos e a ocupação ilegal de encostas de morros, por exemplo.

A mudança climática já assombra o Brasil?

Marilene Ramos, secretária de Gestão do Ambiente do governo do Rio de Janeiro, avaliou que a mídia brasileira tende a mostrar os fatos como se o problema do desequilíbrio ambiental ainda não tivesse atingido o Brasil. Há sinais mais evidentes das conseqüências do aquecimento global, como o derretimento das geleiras, mas o Brasil também já é afetado, na avaliação da secretária. A mídia leva a população a acreditar que "isto é um problema dos países desenvolvidos e não nosso; e, na verdade, nós estamos dentro deste problema". A secretária defende que o Brasil colabore para a diminuição da emissão de gases que contribuam para o efeito estufa, mas que ao mesmo tempo mude práticas ambientais "medievais", como as queimadas e os lixões.

Para Aluízio Maranhão, editor de Opinião do jornal O Globo, a cobertura da questão ambiental é um desafio para a mídia por ser extremamente técnica. Muitos climatologistas acreditam que ainda é cedo, do ponto de vista científico, para estabelecer uma relação direta entre certos eventos que já ocorrem no Brasil – como ciclones, enxurradas e secas – com o aquecimento global. "Nós jornalistas funcionamos em outro timing e temos, sim, que procurar aproximar causas e efeitos", disse.

De Londres, o jornalista Sílio Boccanera afirmou que a mídia na Europa rotineiramente estabelece a ligação entre as catástrofes locais da natureza – como enchentes e secas – e o problema global da mudança do clima. Franceses, suíços e italianos mostram-se preocupados com o degelo nos Alpes e a redução da neve nas suas estações de esqui. "É mais do que uma preocupação meramente ecológica. Perde-se dinheiro com isso", sublinhou. Na Inglaterra, a repetição de enchentes devastadoras nos últimos anos também tem sido ligada à mudança geral do clima.

Na Europa, um panorama bem diferente

Jornais e emissoras de TV na Europa oferecem amplo espaço ao assunto. Boccanera enfatizou que a mídia destaca que não se trata apenas do aquecimento da Terra, o que faz com que a população pense "apenas em mais calor", o que poderia ser visto como positivo em um país frio a Inglaterra. "A ênfase é na mudança do clima e no desequilíbrio dá resultante, que vem dar em problemas não só lá em cima, na estratosfera, mas na esquina de cada um de nós", explicou.

No debate ao vivo, Dines questionou se há "uma percepção formal de que já estamos à beira do abismo". O professor Eduardo Viola explicou que a percepção das mudanças climáticas está diretamente ligada ao nível de instrução da população. Quanto maior grau de educação do cidadão, mais este observa a gravidade do problema e compreende a necessidade de transformar um sistema de alta intensidade de carbono em um de baixa intensidade. O professor destacou que a questão da distribuição dos custos desta mudança torna a negociação mais intensa. E, embora todos os países estejam adotando políticas de transição, a velocidade das ações concretas é lenta se comparada ao que os especialistas apontam como a necessária.

Para Luciano Martins, a cobertura do meio ambiente é um desafio para os meios de comunicação porque estes não têm o costume de tratar questões de forma sistêmica. Na opinião do jornalista, a mídia tem feito uma cobertura fragmentada e pontual. "Tem fugido da relação óbvia que existe entre a questão ambiental e outras questões como, por exemplo, o modo como a economia está organizada", avaliou. Os jornais passaram a cobrir de forma mais intensa a mudança climática em fevereiro de 2007, quando foi divulgado o relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, na sigla em inglês), mas o enfoque foi catastrófico, emotivo e assustador. Logo depois, o assunto foi abandonado e só retornou aos meios de comunicação já próximo à realização da COP-15.

A internet como aliada

Um aliado para a criação de uma consciência ambiental no cidadão é a internet. Aldem Bourscheit disse que a rede de computadores supre uma lacuna da grande mídia, que cobre o meio ambiente apenas em momentos pontuais, como durante a realização de um grande evento internacional. "Os veículos brasileiros, de forma geral, têm pouca gente cobrindo a área ambiental frente ao tamanho do desafio", avaliou. O repórter comentou que um estudo apontou que na região mais castigada pelas enchentes em Santa Catarina, 85% dos setores afetados estavam em topos de morros, margens de rios e encostas.

"Seria interessante que a grande mídia ligasse estes pontos mostrando que o aquecimento global pode potencializar esses efeitos climáticos, e que a ocupação do território é um fator importante a ser debatido no Brasil", enfatizou. Aldem Bourscheit destacou que percebe na população brasileira uma "angústia" em saber como agir para preservar os recursos naturais e colaborar com as políticas públicas de preservação do meio ambiente. O cidadão também tem interesse em cobrar dos governos o cumprimento de planos apresentados.

Nos grandes jornais, o meio ambiente deixou de ser um tema restrito a uma única editoria. Adalberto Marcondes Wodianer disse que a pauta ambiental ganhou espaços nobres na mídia, como a primeira página. "Saiu da editoria de Geral e de Ciência para ganhar um espaço na Economia porque interessa às empresas." Mas a cobertura ainda não é transversal, na opinião de Wodianer. O ideal seria a pauta ambiental estar presente em todos os aspectos das coberturas.

Outro tema discutido no Observatório foi o conflito de interesses que pode haver nos jornais em relação à publicidade. Dines questionou se a mídia será capaz de levar ao extremo a conscientização da população sem entrar em confronto com os anunciantes de produtos que poluem o ambiente, como carros a diesel, por exemplo. Luciano Martins concordou que este é um ponto de contradição. O jornalista explicou que a grande quantidade de anúncios de carros off road – que não são modelo flex – se deve ao fato de que os jornais estão voltados para o público de classe A e B, onde estão os consumidores deste produto. O setor de construção civil é outro ponto de contradição. Aos domingos, as páginas dos grandes jornais estão repletas de anúncios de lançamentos do setor imobiliário. "Os jornais em nenhum momento questionam o fato de que muitos dos insumos das construções são buscados em fontes das quais não se cobra a questão ambiental", criticou.

Estado ausente

Adalberto Marcondes Wodianer destacou que no Brasil há uma grande necessidade da presença do Estado. Na Amazônia, por exemplo, os serviços básicos do Estado não estão presentes para a maioria da população. "É muito difícil falar em conter o desmatamento na Amazônia em uma região em que você não tem a capacidade de comando e controle do Estado, não tem a capacidade de entrar com políticas públicas eficientes para cumprir metas", afirmou.

Wodianer explicou que um fator que prejudica a cobertura é o alto custo do jornalismo de qualidade. Mesmo jornais de circulação nacional não têm recursos para mandar equipes com frequência para a Amazônia. E na internet o problema é ainda mais grave. Mesmo sem ter o custo industrial do papel, há menos capital porque não há o aporte publicitário disponível para a mídia impressa.

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Panetones na Redação

foto_mat_24211  Logo no primeiro dia, o nome do governador do Distrito Federal estava nas manchetes. Menos no Correio Braziliense. E estava nas capas por uma razão muito simples: temos diante de nossos olhos e ouvidos o escândalo de corrupção mais detalhado e filmado da história política brasileira. Existem situações em que manchetes de jornais, ao serem cotejadas em determinado período de tempo, oferecem uma visão clara sobre os compromissos deste ou daquele veículo de comunicação. As leituras das manchetes denunciam também o grau de independência e profissionalismo dos veículos. O artigo é de Washington Araújo.

Washington Araújo - Observatório da Imprensa

Uma semana é tempo suficiente para fazer muita coisa. Este período de tempo ficou mais famoso com a descrição da criação do mundo em seis dias de trabalho – e quanta coisa se pode fazer! – ficando o sétimo dia para o descanso, que ninguém é de ferro. A descrição da semana mais famosa de que se tem notícia está registrada bem no início da Bíblia no livro de Gênesis, capítulos 1 ao 3, e o autor é ninguém menos que Moisés. Seu relato é sucinto, objetivo e substantivo, nada de grandiloqüência.
"1º Dia – Deus fez a luz; 2º Dia – Deus fez o céu; 3º Dia – Deus fez a terra, os mares, as árvores e as plantas; 4º Dia – Deus fez o sol, a lua e as estrelas; 5º Dia – Deus fez os pássaros e peixes; 6º Dia – Deus fez os animais e Adão e fez também Eva, a primeira mulher; e no 7º Dia – Deus descansou!"
Pois bem, voltemos ao que interessa. Se em uma semana tudo foi criado e até descanso foi contemplado, uma semana não foi tempo suficiente para que o principal jornal de Brasília (o mais influente e renomado por sua detalhada cobertura política) conseguisse tratar do caso que, desde seu início, em 28 de novembro de 2009, recebeu ampla cobertura dos grandes jornais brasileiros, no eixo Rio-São Paulo e até mesmo no exterior.
É gritante, salta aos olhos e é, por todos os motivos, desconcertante o jornalismo praticado pelo Correio Braziliense entre os 28/11 e 3/12/2009. Moradores de Brasília ficariam bem informados do que se passava em sua cidade, e também capital de todos os brasileiros, se estivessem lendo O Globo, o Estado de S.Paulo e a Folha de S.Paulo ou se estivessem com os olhos sempre grudados nos telejornais que foram ao ar nesse período. O chamado panetonegate emergiu com a força da imagem em movimento, com dezenas de vídeos, sempre muito bem produzidos, com bom áudio, imagens focadas, ângulos e planos de quem parece entender bem do código audiovisual.
Cara de paisagem
Vamos por partes porque o assunto demanda detalhamento.
No primeiro dia em que o escândalo no Governo do Distrito Federal (GDF) foi noticiado – 28 de novembro –, o Correio Braziliense optou por manchete genérica, dando ares de normalidade ao que tinha tudo para estar fora da curva da normalidade. O título que foi para sua capa: "GDF e Distritais são alvo de investigação". E adiantava no subtítulo o tom da cobertura: "PF e justiça apuram suposto esquema de propinas a parlamentar". Enquanto isso os jornais mais influentes do país trouxeram em suas capas:
O Globo: "Governador do DEM é suspeito de pagar propina a deputados". E diz que "PF grava José Roberto Arruda negociando repasse de dinheiro com assessor".
Folha de S.Paulo: "Governo do DF é acusado de corrupção"
O Estado de S.Paulo: "Polícia flagra `mensalão do DEM´ no governo do DF". E diz que o esquema "teria até mesmo participação do governador Arruda".

Logo no primeiro dia, o nome do governador do Distrito Federal estava nas manchetes. Menos no Correio Braziliense. E estava nas capas por uma razão muito simples: temos diante de nossos olhos e ouvidos o escândalo de corrupção mais detalhado e filmado da história política brasileira.
No dia 29/11, o Globo teve como manchete principal "PF: Arruda distribuía R$ 600 mil todo mês"; a Folha de S.Paulo optou por "Documento liga vice-governador do DF a esquema de corrupção" e o Estado de S.Paulo não deixou por menos: "Em vídeo, Arruda recebe R$ 50 mil". Novamente, o Correio fez cara de paisagem: "OAB-DF pede explicações sobre denúncias".

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Comentarista da RBS/Globo faz apologia da ditadura militar

Jornalista da RBS, retransmissora da Globo em Santa Catarina, nega que tenha ocorrido censura e repressão no período da ditadura militar. Comentário feito durante o "Jornal do Almoço" critica o regime democrático. Para Luiz Carlos Prates, desde o fim da ditadura "o Brasil andou para trás". Ele dedicou seu comentário ao ditador João Figueiredo que "nos ensinou o caminho da verdadeira luta e da verdadeira e legítima democracia". A Globo e a RBS, lembre-se, cresceram apoiando a ditadura militar.

Rede Brasil Atual

Matéria publicada originalmente na Rede Brasil Atual 

 

O comentarista Luiz Carlos Prates, da retransmissora da Rede Globo de Santa Catarina, RBS, defendeu a Ditadura Militar em comentário durante o Jornal do Almoço de segunda-feira (30). Ele analisava os 30 anos da Novembrada, manifestação popular realizada em Florianópolis em 30 de novembro de 1979, diante de uma visita do então presidente João Batista Figueiredo.
Prates negou que tenha ocorrido censura e repressão no período dos militares. Criticou o regime democrático porque desde o fim da ditadura "o Brasil andou para trás" e dedicou seu comentário a Figueiredo que "nos ensinou o caminho da verdadeira luta e da verdadeira e legítima democracia".
"O Brasil nunca cresceu tanto quanto sob a chamada Ditadura Militar", começou, Prates. "Estradas rasgaram o Brasil, universidades foram multiplicadas. Ciência e tecnologia começaram para valer no país sob a tutela dos militares. João Figueiredo, o general, o duro, grosso, morreu pobre. Muito pobre. Tendo de ser ajudado por amigos", declarou.
Ele criticou os estudantes que participaram das manifestações contra a ditadura e em defesa da liberdade e da democracia. "Liberdade eu tinha como jovem, de andar pelas madrugadas de Porto Alegre, Rio, São Paulo, Belo Horizonte, como jornalista, com um radinho de pilha no ouvido. Não era molestado por quem quer que seja. Eu tinha segurança de cidadão brasileiro. Hoje, saia a noite. Não tem mais segurança", prosseguiu.
"E desde quando, ao tempo dos militares, fomos impedidos de estudar, de entrar nas livrarias e comprar um livro, de escolher onde trabalhar, de ter o direito de ir e vir. Eu não fui", orgulhou-se.
"A imoralidade tomou conta de todos nós. E se Rui Barbosa estivesse vivo, haveria de dizer que, verdadeiramente, estamos cansados, constrangidos de ter vergonha. Que Brasil é esse que melhorou?", concluiu.

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Rede Globo e o ‘GPS favela’

Como uma reportagem aparentemente despretensiosa da TV Globo releva toda a força da comunicação de classe

*Cristian Góes

Bom dia! Assim começa mais um programa na TV Globo para todo país, na manhã do dia 18 de novembro de 2009, quarta-feira. Dos sorrisos dos apresentadores do Bom Dia Brasil as suas expressões de horror na leitura da primeira chamada são gastos dois segundos. “GPS pirata coloca em risco segurança de motoristas”. É a manchete lida com ênfase. Bom, vem aí mais uma reportagem banal e sem grandes utilidades. Mas o que aparentemente seria uma notícia despretensiosa sobre a comercialização de um GPS fora do circuito legalizado, foi um exemplo cristalino da ação da mídia na criminalização da pobreza.

GPS é a sigla de Global Positioning System, isto é, sistema de posicionamento global. É um aparelhozinho portátil que tem a função básica de identificar a localização de áreas, praças, ruas, lugares numa cidade.

Voltando à reportagem. Para começar, o repórter diz: “O preço mais baixo em relação aos outros aparelhos da loja fez a professora Rafaela Lopes escolher um GPS. Mas o barato saiu caro. O aparelho a levou a seguir um caminho errado. Rafaela foi parar dentro de uma favela”. Ou seja, a professora poderia ter ido parar em qualquer lugar do mundo, talvez não fosse nada errado, mas o errado foi parar numa favela.

E o pior não é apenas isso. Na sequência da reportagem, a professora, quase em pânico fala: “Graças a Deus não aconteceu de ser assaltada, mas foi muito próximo. Nada paga estresse, o perigo que eu passei”. Veja só a associação do errado com a favela, com o assalto, com o estresse, com o perigo. E não ficou só nisso. A professora revela com todas as letras outra indignação, além de ter ido parar favela que não tem gente, só criminosos: “Ele (o GPS) diz que vai avisar radar e avisa no lugar errado. Levei multa. Acabou saindo muito caro". Veja só esse absurdo!

Além do caminho “errado” ser o da favela, onde “a vítima” seria assaltada, onde mora o perigo, o equipamento não serviu para seu objetivo mais explicito: possibilitar andar em altas velocidades no trânsito, fraudar à legislação, alertando para a existência de radares para que motorista se enquadre na velocidade permitida e não seja apenado com multa. Onde está o crime, o perigo?

Mas quem pensa que a reportagem veiculada no Bom Dia Brasil se deu por satisfeita, engana-se. Logo depois do depoimento de horror da professora, o repórter faz questão de lembrar: “Em novembro do ano passado, três noruegueses passaram pela mesma situação. Eles saíram de carro de Búzios, na Região dos Lagos e queriam chegar à Copacabana. O GPS acabou levando os turistas para o conjunto de favelas da Maré. Eles foram atacados a tiros por traficantes. Um deles ficou ferido”.

Viu só? Sem qualquer outra informação que sustente as afirmações, sem qualquer outra apuração, a reportagem retoma um caso de um ano atrás para reforçar a tese associativa de favela com criminalidade. Para a mídia, até o GPS “pirata” serve para formar o consenso, para criar a “opinião pública”, para justificar ações violentas do Estado na favela. Para a grande mídia, lá não mora gente, apenas criminosos que precisam ser exterminados.

Caminhando para o fim da reportagem, o repórter ainda informa: “o taxista Reinaldo Moçale usou um GPS com programa de mapas pirata e também foi parar à noite numa área perigosa da Região Metropolitana do Rio de Janeiro”. Alguém duvida que essa “área perigosa” a que se refere é uma favela? E o taxista citado complementa o quadro: “É quase uma traição. Não é só o risco da minha vida. É a vida do passageiro também”. Alguém já ouviu alguma referência entre Copacabana, Ipanema e áreas perigosas onde se corre risco de morte?

Essa é mais uma ação da mídia do capital, da grande mídia que produz cotidianamente um jornalismo de classe contra a classe dos operários, dos trabalhadores, da juventude da periferia, contra a dignidade das mulheres, dos negros, das minorias. É essa a mídia que a toda hora despeja conteúdos como esses, aparentemente triviais, inocentes, despretensiosos, mas, na essência, carregados de preconceitos de classe.

A reportagem termina no estúdio do Bom Dia Brasil com os apresentadores lembrando que “comprar ou comercializar produtos piratas é crime”.

*Cristian Góes é jornalista no INSS/DF, com especialização em Gestão Pública (FGV/Esaf). Ex-secretário de Comunicação da Prefeitura de Aracaju e ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Sergipe. É colaborador do NPC e de várias publicações.

(Artigo de Opinião publicado em Brasil de Fato - www.brasildefato.com.br)

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Grandes empresas de comunicação querem atropelar conferência

 

Como já se temia, as grandes empresas de comunicação estão tentando patrolar os representantes das pequenas empresas do setor no processo de eleição de delegados para a Conferência Nacional de Comunicação, que será realizada de 14 a 17 de dezembro, em Brasília. No processo preparatório para a Conferência Estadual de Comunicação de São Paulo, que ocorrerá neste fim de semana, os representantes das grandes empresas querem impedir que as pequenas empresas de comunicação do Estado de São Paulo, possam eleger um delegado sequer. A tese esdrúxula apresentada por eles é que as portarias que regulamentam a Conferência Nacional determinariam que um único voto contrário de um dos representantes da chamada “sociedade civil empresarial” bastaria para impedir o andamento de qualquer uma de suas propostas.

Encerradas as inscrições nesta terça-feira, dia 17 de novembro, apurou-se que o Poder Público teve 118 inscrições, a sociedade civil, 509 inscritos e a sociedade civil empresarial, 422 inscrições. Destas 422 inscrições da sociedade civil empresarial, cerca de 60% é de representantes das grandes empresas. A esmagadora maioria destes é composta de empregados destas empresas que possivelmente serão “obrigados” a comparecer e votar naquilo que seus patrões determinarem. A Carta Maior está encaminhando providências junto ao Ministério Público do Trabalho, para a averiguação desses fatos.

Com a maioria assegurada no setor da sociedade civil empresarial, as grandes empresas querem agora aplicar a tese da votação pelo sistema binário (utilizada nos EUA, onde quem tem mais voto leva todos os delegados). Já os representantes das pequenas empresas defendem corretamente a obediência democrática da proporcionalidade. Ou seja, se as grandes empresas conseguiram 60% de inscritos e os pequenos empresários 40%, dos 84 delegados que o setor empresarial deverá eleger, a relação será de 50 para 34.

Trata-se de um movimento que pretende passar um rolo compressor sobre os pequenos empresários da comunicação. Para isso, os representantes das grandes empresas, desrespeitando a decisão unânime da Comissão Organizadora da 1ª Conferência Estadual de Comunicação, que aprovou por unanimidade o Regulamento da Conferência Estadual, apresentaram um recurso descabido à Comissão de Organização Nacional.

Esse regulamento prevê que os critérios para a eleição dos delegados à Conferência Nacional, sejam definidos por cada segmento. A tradição democrática deste tipo de encontro obedece ao princípio da proporcionalidade, com o que os representantes das grandes empresas não concordam, em evidente afronta aos mais comezinhos princípios democráticos, bem como ofendendo a tradição brasileira, estabelecida na Constituição Federal, no Congresso Nacional, no Poder Judiciário, e inclusive nos encontros estudantis, desde os anos 60 e 70, de penosa lembrança.

Na verdade, as grandes empresas, representadas pelas companhias filiadas à Telebrasil como, por exemplo, Telefônica, TIM e Oi, em conjunto com o grupo Bandeirantes e a Rede TV, estão querendo dar um golpe no processo de escolha de delegados, alijando os demais setores da sociedade civil empresarial. É importante lembrar que o objetivo da Conferência Nacional de Comunicação é atender aos interesses da população brasileira e não de um grupo de empresas, cujo objetivo principal é o lucro. Logo após o governo federal convocar a Conferência Nacional de Comunicação, seis das oito entidades empresariais (incluindo aí a Rede Globo e os grandes jornais do país) abandonaram a comissão organizadora do evento, demonstrando o pouco apreço que tem pela democracia. A saída dessas entidades, que desprezam a idéia da comunicação e da informação como direitos da população, não garante, porém, por si só, as profundas mudanças que o setor necessita. Somente com a ampla participação de todos é que podemos mudar a atual situação da mídia no país.

Diante desse quadro, a Carta Maior repudia a tentativa das grandes empresas de comunicação de melar o processo da conferência com práticas autoritárias e excludentes. A primeira Conferência Nacional de Comunicação é uma conquista do povo brasileiro e não mais um produto a ser apropriado por estruturas monopolistas que se recusam a entender o significado da palavra democracia. (Da Redação - Agência Carta Maior)

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Venda avulsa de jornalões brasileiros desaba

Folha de S. Paulo, Estadão e O Globo não passam de 40 mil exemplares diários em bancas, índice dez ou vinte vezes menor que na década de 1980

Fala-se muito na crise das publicações impressas, como jornais e revistas, mas quando se analisa os dados reais percebe-se que a situação é muito mais grave do que imaginamos e que a busca por novos modelos de negócios é ainda mais urgente do que se previa.

Quando você descobre que a Folha de S.Paulo, considerada um dos três mais influentes jornais do país, vendeu em média 21.849 exemplares diários em bancas em todo o território nacional entre janeiro e setembro de 2009, é possível constatar a abissal queda de circulação na chamada grande imprensa brasileira. Em outubro de 1996, a venda avulsa de uma edição dominical da Folha chegava a 489 mil exemplares.

Segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC) a Folha é o vigésimo quarto jornal em venda avulsa na lista dos 97 jornais auditados pelo instituto, atrás do Estado de S.Paulo, em 19o lugar e O Globo, em 15o lugar. Somados os três mais influentes jornais brasileiros têm uma venda avulsa de quase 96 mil exemplares diários, o que corresponde a magros 4,45% dos 2.153.891 jornais vendidos diariamente em banca nos primeiros nove meses de 2009.

São números muito pequenos comparados ao prestígio dos três jornalões, responsáveis por boa parte da agenda pública nacional. Globo, Folha e Estado compensam sua baixa venda avulsa com um considerável número de assinantes, o que configura a seguinte situação: os três jornais dependem mais do que nunca das classes A e B, que são maioria absoluta entre os assinantes, já que a população de menor renda é a principal cliente nas compras avulsas em bancas.

Esta constatação não é nova, mas ela aponta um dilema crucial: as classes A e B são aquelas onde a penetração informativa da internet é mais intensa. Nesta conjuntura, o futuro de O Globo, Estado e Folha depende umbilicalmente das classes média e alta, o que levou a uma disputa acirrada para saber qual deles interpreta melhor a ideologia destes segmentos sociais.

O atual perfil da imprensa brasileira mostra que os três grandes jornais nacionais agarram-se à classe média para manter assinantes e influenciar na agenda política do país, mesmo com tiragens reduzidíssimas, correspondentes a menos de 5% da média da venda avulsa nacional.

Nos últimos nove meses houve uma pequena recuperação nos índices de venda avulsa do Globo, Estado e Folha em 2009. O IVC registrou um crescimento de 5,5 % em relação aos quatro últimos meses do ano passado. É um aumento bem acima da média dos 97 jornais auditados pelo IVC, cuja venda avulsa diária total subiu insignificantes 0,27% no mesmo período. Mas a recuperação tem que ser vista num contexto de patamares muito baixos e que não garantem a rentabilidade futura dos jornais.

Em compensação os jornais locais e populares ocupam um espaço cada vez maior na mídia nacional. Dos dez jornais com maior venda avulsa, segundo dados do IVC, nove são claramente populares, voltados para as classes C e D. Destes, dois são de Minas Gerais, um do Rio Grande do Sul, cinco do Rio e dois de São Paulo. Somados eles chegam a uma venda avulsa diária média de 1.401.054 exemplares, ou seja, 64,5% de todos os jornais auditados entre janeiro e setembro do ano passado.

O jornal Super Notícia, de Belo Horizonte, vende em bancas, em média, 290.047 exemplares (13,47% de todos os jornais auditados pelo IVC) - o que corresponde a cerca de 13,2 vezes a circulação avulsa da Folha de S.Paulo, em todo o país. Números que indicam uma clara tendência do mercado da venda avulsa de jornais no sentido das publicações populares, regionais, com apelo sensacionalista.

Isto também significa que os grandes jornais, tradicionais vitrines da agenda nacional, dependem, hoje, mais do prestígio herdado do passado do que do fluxo de caixa. A sua principal matéria prima, a notícia, perdeu valor de mercado em favor da opinião. Um prestígio que ainda alimenta uma receita publicitária compensadora, principalmente no setor imobiliário, de supermercados e revendas de automóveis, mas cujos dias também estão contados porque a migração destes segmentos para a internet é cada vez maior.

O conglomerado Globo aposta cada vez mais nos jornais populares regionais e segmentados - como o Extra, no Rio. Talvez busque inspiração no caso do Lance!, um jornal esportivo que vende, na média diária, 124 mil exemplares em bancas e jornaleiros. No sul, o grupo RBS aposta no Diário Gaúcho, o terceiro em vendas avulsas no ranking nacional do IVC e 8,4 vezes maior do que a do carro chefe do conglomerado, o jornal Zero Hora.

VEJA A POSIÇÃO DOS ‘JORNALÕES’ NO RANKING DIÁRIO DE VENDA AVULSA:

COLOCAÇÃO NO PAÍS……………………VEÍCULO………………………TIRAGEM DIÁRIA

15º…………………………………………………. O Globo……………………………….. 41.812

16º…………………………………………… Diário de S. Paulo……………………….. 38.742

19º………………………………………… O Estado de S. Paulo…………………….. 32.262

24º…………………………………………… Folha de S. Paulo……………………….. 21.849

(Carlos Castilho - Observatório da Imprensa)

NOTA DO IZB: Nota-se aqui o porquê da guinada (maior ainda) à extrema direita da chamada ‘grande mídia’ que está se tornando cada vez mais ‘nanica’. Ela não vende nada em banca de jornal, e vive às custas de seus assinantes (também em número cada vez menor), a maioria homens de meia idade, brancos e das classes média e alta dos grandes centros urbanos. Ou seja, os jornalões para sobreviver, dão um abraço de afogado na burguesia, mas fingem que suas linhas editoriais raivosas anti-esquerda buscam a ‘verdade’ e a ‘democracia’, quando, de fato representam apenas o pensamento de uma minoria privilegiada. Dá pra entender porque ainda não conseguiram cassar o Lula por causa do Apagão, e tentam desesperadamente esconder debaixo do tapete o desabamento do Rodoanel do Serra… E pensar que a Folha de S. Paulo, quando aderiu tardiamente a campanha das Diretas, em 1984, pavoneava ter vendido em um único dia 1 milhão de exemplares em bancas de jornais; hoje demora quase dois meses pra vender a mesma coisa, tadinhos! BRASIL DE FATO neles, gente!!

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