Arquivo de Movimento Sociais

Marcha das Mulheres está em Valinhos

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Manifestação de 8 de março no Largo do Rosário, em Campinas

Ação da Marcha Mundial de Mulheres começou ontem, em ato de lançamento no centro de Campinas. Amanhã elas caminharão até Vinhedo

As três mil mulheres que participam da 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres chegaram hoje (09 de março de 2009) em Valinhos, por volta das 12h, após caminharem ao longo da estrada municipal Engº Antonio Francisco de Paulo Souza (estrada interna Campinas/Vinhedo). Elas saíram às 6h do ginásio Rogê Ferreira, em Campinas, onde ficaram alojadas após o ato de lançamento da mobilização, na tarde/noite de ontem, no Largo do Rosário.

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Todas as lutas, das mulheres e dos movimentos dos
trabalhadores e sociais, buscam construir um Brasil
justo e igual para as futuras gerações. Imagem do ato
em Campinas, dia 08 de março

O ato em Campinas contou com a presença das delegações de 25 estados que vieram para a Marcha. Houve apresentações musicais, batucadas e falas sobre os 100 anos do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março último.
Em Valinhos, as marchadoras estão alojadas no Parque do Figo, onde pernoitarão. Na tarde de hoje, nas atividades de formação que ocorrerão em todas cidades após a caminhada matinal, elas desenvolveram debates sobre os temas: Trabalho Doméstico e Cuidados -  um debate sobre a sustentabilidade da vida humana e história da Marcha Mundial das Mulheres e suas lutas.

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A palavra de ordem da mobilização, em bandeira no
ato em Campinas dia 08 de março

Amanhã em Vinhedo

Amanhã, às 6h, elas retomarão a marcha, com parada, atividade de formação e pernoite em Vinhedo.
Elas deverão chegar por volta das 10h na cidade e serão recepcionadas pelo Sindicato Químicos Unificados, entre outras entidades. Às 16h ocorrerá debates com painéis temáticos, conforme programação detalhada mais abaixo.
Reivindicações e plataforma política
As reivindicações da Ação estão baseadas em quatro eixos que concentram temas chave para a vida das mulheres em todo o mundo. São eles: autonomia econômica das mulheres; bens comuns e serviços públicos; paz e desmilitarização; e violência contra as mulheres.
Esses eixos foram adaptados à realidade das mulheres brasileiras e deram os contornos da plataforma de reivindicações que será apresentada à sociedade a ao Estado durante a marcha. Entre elas está a criação de aparelhos públicos que liberem as mulheres do serviço doméstico, a não privatização de nossos recursos naturais, o aumento do salário mínimo, o fim de todas as formas de violência contra a mulher, a realização da reforma agrária e a legalização do aborto.

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Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás.",
de Che Guevara. Auto-estima elevada faz muito bem
para se aguentar a caminhada e dá forças para a luta

 

A marcha também pretende demonstrar sua solidariedade à população do Haiti após o terremoto que atingiu o país em janeiro. Haverá coleta de contribuições para a reconstrução da ação das mulheres da Marcha no Haiti e do movimento feminista do país.
3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres
Entre os dias 8 e 18 de março, a Marcha Mundial das Mulheres organiza sua 3ª Ação Internacional no Brasil. Neste período, 3 mil mulheres de todas as regiões do país farão uma caminhada entre dez cidades, de Campinas a São Paulo, para dar visibilidade à luta das mulheres brasileiras e reivindicar mudanças em direitos e respeito à diferença de gêneros.
A Ação começou no Dia Internacional das Mulheres (8 de março), em um grande ato público no Largo do Rosário, no centro de Campinas, e termina em São Paulo, no dia 18, em um ato na Praça Charles Miller.

 

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Marcha passa pelo túnel Joá Penteado, em Campinas

O lema das mobilizações é “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, e suas reivindicações se baseiam em quatro campos de ação: autonomia econômica das mulheres; bens comuns e serviços públicos; paz e desmilitarização; e violência contra as mulheres.
Esta Ação faz parte de mobilização internacional que vai até o dia 17 de outubro. Estão programadas atividades em 51 países, entre eles Canadá, Colômbia, França, Espanha, entre outros. O encerramento será em Kivu do Sul, na República Democrática do Congo.
Trajeto e programação
A marcha passará por dez cidades paulistas: Campinas, Valinhos, Vinhedo, Louveira, Jundiaí, Várzea, Cajamar, Jordanésia, Perus e Osasco.
Além da caminhada pela manhã, no período da tarde as mulheres participarão de atividades de formação sobre diversos temas, entre os quais: trabalho doméstico; saúde da mulher e práticas populares de cuidado; sexualidade, autonomia e liberdade; educação não sexista e não racista; economia solidária e feminista; soberania alimentar, reforma agrária e trabalho das mulheres no campo; agroecologia; biodiversidade, energia e mudanças climáticas; políticas de erradicação da violência doméstica e sexual; tráfico de mulheres e direito ao aborto (veja a programação completa abaixo). As atividades de formação serão conduzidas pelas próprias marchantes.
Durante o trajeto está previsto um ato público na cidade de Várzea (13/3), em que será lançado um livro sobre o histórico do dia 8 de março. As mulheres também promoverão panfletagens, batucada e demais intervenções junto à população das cidades por onde passarão.

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A Ação contará ainda com duas participações especiais. No dia 11, em Louveira, a feminista brasileira, radicada na França, Helena Hirata, debaterá sobre o trabalho das mulheres e a autonomia econômica. E em Perus, no dia 16, Aleida Guevara, médica cubana e filha de Ernesto Che Guevara, falará sobre paz e desmilitarização.
Números e equipes
Participam da marcha 3 mil mulheres vindas de 25 estados: AC, AL, AM, AP, BA, CE, DF, GO, MA, MG, MS, PA, PB, PE, PI, PR, RJ, RN, RO, RR, RS, SC, SE, SP e TO. São várias delegações em cada estado, contando também com mulheres de diversos movimentos sociais como MST, CUT, Contag, Consulta Popular, UNE, MAB, MMC e sindicalisas.
A Marcha é construída integralmente pelas mulheres, que serão divididas em equipes de cozinha, limpeza, infra-estrutura, segurança, comunicação, formação e cultura, saúde, água e creche. A cozinha será fixa e o transporte das três refeições será feito por caminhões. Além das equipes, as delegações se revezarão para os trabalhos de limpeza dos alojamentos e cozinha.
As mulheres ficarão alojadas em ginásios e tendas (veja a localização dos alojamentos abaixo) e chegarão marchando às cidades.
Serão utilizados 50 mil litros de água potável e consumidas uma tonelada de feijão, duas de arroz, uma de carne moída, além de outros alimentos como macarrão, legumes e frutas.
Mais informações
Mais informações sobre a Ação de 2010 da MMM em  www.sof.org.br/acao2010  e em http://www.quimicosunificados.com.br/noticia_interna.php?id=1290&id_secao=2
Contato com a imprensa: Ana Maria Straube, por e-mail anamaria@sof.org.br e fones (11) 8445.2524/ (11) 3819.3876.
Programação completa das atividades durante
a Marcha e os endereços dos alojamentos

 

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08/03 – Campinas
Lançamento da 3ª Ação Internacional da MMM, marcando os 100 anos da proposição do Dia Internacional de Luta das Mulheres – Largo do Rosário. Alojamento: Ginásio Rogê Ferreira - Av. João Batista Morato do Canto Bairro s/n São Bernardo

09/03 – Valinhos

Trabalho doméstico e de cuidados: um debate sobre a sustentabilidade da vida humana, seguida de debate sobre a história da Marcha Mundial das Mulheres e suas lutas. Alojamento: Parque do Figo (Parque Municipal Monsenhor Bruno Nardini), rua Dom João VI, s/nº - Jardim Planalto.
10/03 – Vinhedo
* Painéis temáticos sobre:
* Economia Solidária e Feminista;
* Saúde da mulher e práticas populares de cuidado;
* Sexualidade, autonomia e liberdade;
* Educação não sexista e não racista;
* Mulheres negras e a luta anti-racista;
* Mulheres indígenas;  
* A mídia contra-hegemônica e a luta feminista;
* A mercantilização do corpo e da vida das mulheres;
* Prostituição;
* Mulheres, arte e cultura.
Alojamento: Parque Jayme Ferragut - Estrada da Boiada, s/n;

marcha das mulheres

Dirigentes do Unificados, que recepcionará a marcha
amanhã, em Vinhedo, durante caminhada na manhã de hoje

11/03 - Louveira
Trabalho das mulheres e autonomia econômica, com a presença de Helena Hirata. Alojamento: Área de Lazer do Trabalhador José Sinamore (Parque da Uva), rodovia Romildo Prado, km 1, fone (19) 3878.1357.
12/03 – Jundiaí
Soberania Alimentar, justiça ambiental e luta por território.
Alojamento: Centro Esportivo Arames Polli Smece – R. Dr. Benedito Godoi, 508 Jd. Xangai.
13/03 - Várzea Paulista
Ato público com lançamento de livro sobre o histórico do 8 de março, debate sobre o histórico do movimento feminista e show cultural – Espaço Cidadania. Alojamento: avenida Projetada - Espaço Cidadania da Prefeitura.
14/03 – Cajamar
A luta contra a violência sexista. Alojamento: rodovia Anhanguera, Km 46,5.. Capital Ville. Jordanésia – Cajamar/SP –(11) 4898.0003.
15/03 – Jordanésia
Maternidade como decisão e não como destino: debate sobre nossas experiências.
Alojamento: rua Vereador Joaquim Barbosa, 827 – Cajamar/ SP – fone (11) 4447.4550.  
16/03 - Perus
Paz e desmilitarização; debate sobre a luta pela transformação da sociedade com Aleida Guevara, lutadora cubana, filha de Che Guevara. Alojamento: rod. Anhanguera, Km 25,5 s/n -  São Paulo – fones (11) 3916.6200/ (11) 3911.0191
17/03 -  Osasco

Integração dos povos como alternativa e o papel do Estado. Alojamento: Sindmetal – Rua Luiz Rink, 501 - Rochdale - Osasco - SP  - Tel./Fax: (11) 3686.7401.
18/03 - São Paulo
Encerramento com ato público na Praça Charles Miller. Alojamento: Estádio Pacaembu – Rua Capivari, 213.

Texto base: Ana Maria Straub
Fotos: João Zinclar

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Mulheres … na luta contra o agronegócio e pela soberania alimentar

*Mulheres do campo e da cidade unidas na luta contra o agronegócio e pela soberania alimentar*

Publicamos a seguir O Manifesto das Mulheres Gaúchas, assinado pelas mulheres da Via Campesina, do MTD, da Intersindical e do coletivo de mulheres da UFRGS, e divulgado no dia de ontem, durante as manifestações realizadas pelo estado do Rio Grande de Sul, comemorando o dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher.

*Eis o manifesto.*

*O manifesto das gaúchas*

*Mulheres do campo e da cidade unidas na luta contra o agronegócio e pela soberania alimentar*

Neste mês em que se comemoram os 100 anos do 8 de março como dia internacional de luta das mulheres, nós trabalhadoras do campo e da cidade do Rio Grande do Sul estamos novamente nas ruas. Este ano nossa mobilização tem como principal objetivo denunciar para a sociedade que a maior parte da
comida que chega a mesa da população brasileira não é alimento, é veneno.

O Brasil é campeão mundial do uso de agrotóxicos, que são venenos muito perigosos usados na agricultura que provocam muitas doenças para produtoras/es e consumidoras/es e grandes impactos ambientais. Além disso, a maior parte dos produtos industriais que comemos é fabricada com soja transgênica que também causa muito mal à nossa saúde.

E quem come esta comida envenenada? Somos nós, pobres. São as mulheres e homens trabalhadores que recebem baixos salários ou estão desempregados e
escolhem os alimentos pelo preço não pela qualidade. São as pessoas sem terra, sem teto, que se alimentam graças às cestas básicas. Os ricos têm opção de comer produtos orgânicos, cultivados sem venenos.

Os agrotóxicos e os transgênicos não servem para matar a fome do povo, e sim para matar a fome de lucro das empresas do agronegócio, a maioria delas
multinacionais. Esses produtos envenenam as terras, as águas e principalmente as pessoas.

*Leite materno só é fonte de vida quando as mães comem alimentos saudáveis*

Nesta mobilização estamos amamentando esqueletos para denunciar a população em geral, e principalmente às mulheres, que quando comemos comida envenenada
e damos o peito aos nossos filhos ao invés de alimentarmos a vida transmitimos a morte.

As doenças causadas por agrotóxicos são transmitidas de geração para geração, e um dos modos de transmissão é através do leite materno. No
entanto, o mesmo governo que faz campanhas para incentivar as mulheres a amamentar, financia o agronegócio que produz a comida envenenada para o povo
pobre, contaminando o leite da maioria das mães brasileiras.

*A gente não quer só comida*

Nós mulheres que passamos boa parte de nossas vidas envolvidas no cultivo e/ou no preparo da comida para garantir saúde à nossa família estamos nas
ruas para gritar em alto e bom som que gente não quer só comida, a gente quer alimento saudável, a gente quer soberania alimentar!
Para o agronegócio o lucro está acima da vida. O agronegócio faz mal a saúde do povo e do meio ambiente! E os governos estadual e federal que financiam o
agronegócio estão usando o dinheiro público para bancar o envenenamento da população pobre, a contaminação de nossas terras e águas.

*Estamos em luta contra

Contra o agronegócio, um modelo de produção agrícola que se sustenta na superexploração do trabalho das pessoas, na contaminação dos alimentos, na
destruição de nossas riquezas naturais. Lutamos contra o uso de recursos públicos para financiar a contaminação do povo e do meio ambiente; Estamos
em luta contra todas as formas de violência contra mulheres, incluindo a imposição de um padrão alimentar que não respeita os costumes alimentares e
causa muitos males à saúde.

Estamos em luta por *

*Soberania Alimentar* - com reforma agrária, com geração de emprego e vida digna para as populações camponesas, com agricultura ecológica que respeita
a diversidade de biomas e de hábitos alimentares. Os governos se dizem preocupados com a segurança alimentar, querem que as pessoas tenham várias
refeições por dia. Mas tão importante quanto a quantidade da comida é a qualidade do que comemos. Por isso não basta segurança alimentar, precisamos
construir a Soberania Alimentar.

*Mulheres da Via Campesina*, do *MTD*, da *Intersindical* e do *coletivo de
mulheres da UFRGS*.

Porto Alegre, março de 2010.

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No dia de luta das mulheres, rosa, só se for a Luxemburgo

Marcha de Campinas a São Paulo reunirá cerca de 2 mil mulheres por dez dias; ação faz parte de mobilização internacional.

Dafne Melo

da Redação – Brasil de Fato


Marcha_das_Mulheres_Leandro-Silva A partir do dia 8 de março, centenas de mulheres começam a marchar de Campinas (99 km de SP) a capital paulista, em uma mobilização que pretende durar dez dias. Para muitas, porém, a caminhada já começou. “Já estamos em marcha, organizando as caravanas dos Estados e toda a infra-estrutura”, explica Sônia Coelho, da Sempreviva Organização Feminista (SOF). A mobilização faz parte da 3º Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres, organização que aglutina movimentos feministas nos cinco continentes. No Brasil, diversos movimentos sociais e organizações se juntam à ação, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), a Articulação do Semi-Árido (ASA) e Consulta Popular, dentro outros. O evento tem caráter nacional e conta com a participação de mulheres de todos os Estados brasileiros.

Sônia explica que além de pautar as reivindicações das mulheres, a marcha pretende ser um momento de formação para as militantes. A caminhada acontecerá sempre pelas manhãs e pela tarde serão organizados debates e painéis com temas relativos às lutas mais urgentes do movimento feminista.

Pautas

Dar visibilidade social às pautas feministas e articular movimentos de mulheres de diferentes naturezas em torno de uma plataforma de luta comum são dois dos principais objetivos da marcha, além da criação de espaços de formação politica. A plataforma de luta está centrada em quatro grandes temas: autonomia econômica das mulheres, luta contra violência sexista, luta contra privatização da natureza e dos serviços públicos e paz e desmilitarização. De acordo com Tatau Godinho, militante da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), os debates e articulações em torno dos temas serão ricos justamente por colocar em um mesmo espaço a perspectiva que mulheres de diferentes setores – estudantil, rural, sindical, do movimento negro, etc – têm sobre esses temas.

De acordo com Sônia Coelho, as discussões feitas ao longo dos 10 dias devem ser sistematizadas em um texto que deverá ser entregues para os governos federal, estaduais e municipais. “Queremos detalhar essas reivindicações no processo da marcha”, aponta Sônia.

A organização espera que pelo menos 2 mil mulheres marchem durante os 10 dias. Toda a estrutura, desde a montagem e desmontagem de barracas, cozinha, organização dos debates será elaborada somente por mulheres.

Auto-organização

Tatau Godinho, militante da MMM, explica que o espaço de formação não se dá apenas nos debates, mas também no próprio processo de auto-organização das mulheres na construção da marcha. “A existência de um movimento de mulheres forte depende de nossa capacidade de auto-organização, por isso a importância de realizar uma marcha dessa magnitude. Temos dito às companheiras que ainda não sabem se poderão marchar o quanto essa experiência é insubstituível”. Sônia Coelho, da SOF, agrega que o momento também é propício para gerar solidariedade entre as companheiras de diferentes movimentos.

A presença masculina não é proibida durante a marcha, mas a infra-estrutura – alimentação, banheiros, barracas, transporte de bagagem, etc – será oferecida somente às mulheres. “A presença dos companheiros é muito bem vinda nos atos de lançamento e de chegada que vamos organizar”, diz Sônia. “Mas precisamos nos fortalecer entre nós mesmas para enfrentar as desigualdades de gênero que existem na sociedade e que se reproduzem dentro das organizações de diversas formas”, finaliza.

África

A 3º Ação Internacional da MMM acontecerá durante todo o ano, mas se concentrará em dois meses: março e outubro. Nesse primeiro mês serão feitas mobilizações nacionais simultâneas. Em outubro, uma ação internacional reunirá militantes de diversos países na República Democrática do Congo, na região da província de Sud-Kivu, que se centrará na questão da paz e desmilitarização, denunciando a situação a que estão submetidas as mulheres nessa região, onde a violência contra as elas têm sido usada como arma de guerra. “Calcula-se que 70% das mulheres e adolescentes dessa região já tenham sofrido violência sexual”, protesta Sônia Coelho.

Em agosto, na Colômbia, um encontro contra a guerra e pela paz pretende reunir lutadoras de todo continente para discutir a militarização. Na Europa, o encontro ocorrerá em junho, na Turquia, e na Ásia o local escolhido foi Filipinas, onde os debates ficarão em torno da luta contra o livre comércio, instalação de bases militares e tráfico de mulheres.

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Movimento feminista celebra 100 anos do Dia Internacional da Mulher

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Manifestação acontece no dia 8 de março, às 10h30, na Praça do Patriarca, rebatizada há dois anos pelas mulheres de Praça da Matriarca.
Depois do ato, haverá uma caminhada das feministas pelo centro da capital .

 

Há exatos 100 anos, a socialista alemã Clara Zetkin propôs, durante a 2a Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, na Dinamarca, a criação de um Dia Internacional da Mulher. Havia alguns anos, diferentes datas eram marcadas por jornadas de luta feminista, organizadas sobretudo em torno da defesa do voto feminino e da denúncia contra a exploração e opressão das mulheres. A partir daí, as comemorações começaram a ter um caráter internacional. Um século se passou e hoje, em todo o mundo, o dia 8 de março é uma data de celebração e afirmação da luta das mulheres por igualdade, autonomia e liberdade. Em São Paulo, o dia será marcado por uma manifestação no centro da capital, que reunirá feministas de diferentes regiões do estado pra dizer "ainda há por que lutar!".

Com o ato, convocado por dezenas de organizações e movimentos populares, as mulheres querem celebrar as conquistas alcançadas em cem anos de mobilização coletiva, mas também mostrar que a luta por autonomia, igualdade e direitos segue atual e necessária. Bandeiras históricas como a divisão do trabalho doméstico, salário igual para trabalho igual, o combate à violência doméstica, a reivindicação de creches para todas as crianças e a defesa da legalização do aborto continuam na ordem do dia do movimento feminista.

Neste ano, estão entre as reivindicações das mulheres: a defesa da integralidade do Programa Nacional de Direitos Humanos, incluindo a resolução sobre o aborto, que foi alterada pelo governo federal; da Lei Maria da Penha, que vem sofrendo inúmeros obstáculos para sua implementação e legitimação; do Pacto Nacional de Combate à Violência contra a Mulher, que embora assinado pelo governo de São Paulo até hoje não teve recursos liberados; e do Estatuto da Igualdade Racial. As feministas também denunciarão os efeitos da crise econômica na vida das mulheres, que foram as maiores vítimas do desemprego; a criminalização dos movimentos sociais e o acordo assinado entre o Brasil e o Vaticano, que viola a laicidade do Estado brasileiro. Haverá ainda manifestações de solidariedade e envio de doações às mulheres do Haiti.

Sobre o 8 de Março

Do final do século XIX até 1908, uma série de greves e repressões de trabalhadoras marcaram a construção do movimento feminista nos Estados Unidos. O primeiro "Woman’s day" foi comemorado em Chicago em 1908, e contou com a participação de 1500 mulheres. O dia foi dedicado à causa das operárias, denunciando a exploração e a opressão das mulheres e defendendo a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres, incluindo o direito ao voto. De novembro de 1909 a fevereiro de 1910, uma longa greve dos operários têxteis de Nova Iorque, liderada pelas mulheres, terminou pouco antes do "Woman’s Day", realizado no Carnegie Hall, quando três mil mulheres se reuniram em favor do sufrágio, conquistado em 1920 em todo os EUA.

Neste ano, a socialista alemã Clara Zetkin propôs, na 2a Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, a criação do Dia Internacional da Mulher, que seguiu sendo celebrado em datas diferentes, de acordo com o calendário de lutas de cada país. Em 1914, ele foi comemorado pela primeira vez em 8 de março, na Alemanha. Mas é a ação das operárias russas no dia 8 de março de 1917, precipitando o início das ações da Revolução Russa, a razão mais provável para a fixação desta data como o Dia Internacional da Mulher. Documentos de 1921 da Conferência Internacional das Mulheres Comunistas revelam a proposta de uma feminista búlgara do 8 de março como data oficial. A partir de 1922, a celebração internacional é oficializada neste dia.

Essa história se perdeu nos grandes registros históricos, mas faz parte do passado político das mulheres e do movimento feminista de origem socialista no começo do século. Numa era de grandes transformações sociais, o Dia Internacional da Mulher transformou-se no símbolo da participação ativa das mulheres para transformarem a sua condição e a sociedade como um todo.

Serviço:

Ato em celebração ao Dia Internacional da Mulher

"100 anos de 8 de março: mulheres em luta por autonomia, igualdade e direitos"

Ainda há por que lutar!

Local: Praça do Patriarca – Centro – São Paulo

Horário: 10h30

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08 DE MARÇO - Mulheres marcharão 100 km de Campinas a São Paulo

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Faixa alusiva à 3ª Marcha Mundial das Mulheres - 2010

Dia Internacional da Mulher - Ação da Marcha Mundial de Mulheres sairá de Campinas no dia 8 de março

Entre os dias 8 e 18 de março, a Marcha Mundial das Mulheres organizará sua 3ª Ação Internacional no Brasil. Neste período, 3 mil mulheres – a previsão toma como base as inscrições já realizadas -  de todas as regiões do país farão uma caminhada entre as cidades de Campinas e São Paulo. 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher.

 

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Cartaz da 3ª Marcha Mundial das Mulheres, em 2010,
que se iniciará em 08 de março próximo

 

O lema das mobilizações é “Seguiremos em Marcha Até Que Todas Sejamos Livres”, e a mobilização se baseia em quatro pontos principais: a) autonomia econômica das mulheres; b) bens comuns e serviços públicos (contra a privatização da natureza e dos serviços públicos); c) paz e desmilitarização; e d) violência contra as mulheres.
Formação
Durante o trajeto, com saída de Campinas, as caminhantes passarão por Valinhos, Vinhedo, Louveira, Jundiaí, Várzea Paulista, Cajamar, Jordanésia, Perus e Osasco, concluindo em São Paulo. Além da caminhada pela manhã, no período da tarde, as mulheres participarão de atividades de formação sobre diversos temas, entre os quais: trabalho doméstico; saúde da mulher e práticas populares de cuidado; sexualidade, autonomia e liberdade; educação não sexista e não racista; economia solidária e feminista; soberania alimentar, reforma agrária e trabalho das mulheres no c ampo; agroecologia; biodiversidade, energia e mudanças climáticas; políticas de erradicação da violência doméstica e sexual; tráfico de mulheres e direito ao aborto.
Início com ato público
No Dia Internacional das Mulheres – 08 de março - um grande ato público em Campinas marcará o lançamento desta 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres. No meio da caminhada, no dia 13, haverá uma ação pública em Várzea Paulista, onde será lançado o livro sobre o histórico da data.  Em Perus, no dia 16, o debate sobre paz e desmilitarização contará com a presença da filha mais velha do revolucionário Ernesto Che Guevara, a pediatra cubana Aleida Guevara.  E o encerramento da Ação será em São Paulo, quando as caminhantes farão um balanço da Marcha e planejarão seus próximos passos.
No calendário internacional de lutas do movimento feminista em 2010, o segundo período de ação ocorre rá de 7 a 17 de outubro, com novos atos e marchas simultâneas que se encontrarão em Sud Kivu, na República Democrática do Congo.
Sobre a Marcha Mundial das Mulheres
A Marcha Mundial das Mulheres nasceu em 2000 como uma grande mobilização contra a pobreza e a violência. Naquele ano, as ações começaram justamente em 8 de março e terminaram em 17 de outubro (Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza), organizadas a partir do chamado “2000 Razões para Marchar contra a Pobreza e a Violência Sexista”.

Marcha das Mulheres em 08 de março de 2005,
na avenida Paulista, em São Paulo

 

A inspiração para a criação da Marcha partiu de uma manifestação realizada cinco anos antes (em 1995), no Canadá. Na ocasião, 850 mulheres marcharam 200 quilômetros, pedindo, simbolicamente, “Pão e Rosas”. A ação marcou a retomada das mobilizações das mulheres nas ruas, fazendo uma crítica contundente ao sistema capitalista como um todo. Ao seu final, diversas conquistas foram alcançadas naquele país, como o aumento do salário mínimo, mais direitos para as mulheres imigrantes e apoio à economia solidária.
Histórico de ações internacionais
A Marcha Mundial das Mulheres já realizou duas ações internacionais, em 2000 e 2005. A primeira contou com a participação de grupos de 159 países e territórios. No ano de lançamento da Marcha, as militantes entregaram à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, um documento com 17 pontos de reivindicação, apoiado por cinco milhões de assinaturas.
A segunda ação mundial, em 2005, novamente levou milhares de mulheres às ruas. A Marcha construiu a Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade, em que expressa sua visão das alternativas econômicas, sociais e culturais para a construção de um mundo fundado nos princípios da igualdade, liberdade, justiça, paz e solidariedade entre os povos e seres humanos em geral, com respeito ao meio ambiente e à biodiversidade.
De 8 de março a 17 de outubro daquele ano, as feministas construíram uma grande Colcha Mosaico Mundial de Solidariedade, composta por um retalho de cada país. Tanto a carta quanto a colcha viajaram por 53 países e territórios dos cinco continentes.

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Grupo das Mulheres na passeata de abertura do
Fórum Social Mundial 2010, em Porto Alegre/RS

Mais informações
Mais informações sobre a Ação de 2010 da MMM em
www.sof.org.br/acao2010 . Contato com a imprensa Ana Maria Straube pelo e-mail anamaria@sof.org.br e fones (11) 3819.3876 e (11) 8445.2524.

Por Ana Maria Straube – Ação 2010 da MMM

DO UNIFICADOS:

Você oprime?

Mais um Dia Internacional da Mulher. Nos próximos dias, milhares de companheiras marcharão pela rodovia Anhanguera no trajeto Campinas/São Paulo, com chegada prevista para o dia 18. É a terceira edição da Marcha Mundial das Mulheres, que ocorre também em diversos outros países.
O que faz com que estas companheiras assumam cumprir, em nossa região, tão dolorosa caminhada de100 kms, sob imenso calor ou chuva, com refeições de forma desconfortável, banheiros improvisados e dormindo precariamente, entre tantas outras dificuldades?
O que as move é o desejo de quebrar as algemas da opressão, da discriminação, de ser só objeto sexual, do preconceito e do machismo que sofrem diariamente, no trabalho e em casa. É a luta pela liberdade do corpo e do ser, da própria vida! Uma vida que é dela, única e finita, e que , na prática, não pode ser vivida plenamente.
Mas quem é que coloca as algemas da opressão nas mulheres?
Tudo bem… existe a indústria da moda, a da “beleza”, o explorador capitalismo, a alienação e a futilidade das mídias “para a mulher”. Tudo isso é significativo. No entanto, em casa, no local de trabalho, como é que cada um de nós trata a companheira?
Quem participa ativamente das tarefas domésticas? Quem respeita as limitações sexuais da companheira? Quem as trata de igual para igual, entende suas características naturais, não apela para rótulos tipo fracas, choronas, reclamonas, gastadoras, frias…?
Quem as trata assim não é “a sociedade”, enquanto algo abstrato, indefinido, sem nome e sem rosto. Quem as trata assim, uma a uma, entre quatro paredes, sou eu e é você, é o amigo de fábrica, de bar, de futebol… Ou seja, o opressor das mulheres somos nós mesmos. Eu e você! Assim, hoje as mulheres marcham também em razão da forma pela qual eu e voc ê as tratamos.
A sociedade tem que mudar… Mas isso somente ocorrerá quando, cada um de nós, individualmente, antes, mudar o próprio comportamento.
E este 8 de março é uma ótima oportunidade. Eu e você, vamos todos deixar de sermos opressores e passar a companheiros de verdade.
Assim, cada um de nós, de mudança em mudança, um dia mudaremos a sociedade.

8 de Março, Dia Internacional da Mulher e dia de luta

Seus salários são menores. Elas têm dupla ou tripla jornada de trabalho (acumulando empregos fora de casa e cuidando sozinhas dos serviços domésticos). São inferiorizadas por padrões de beleza impostos pela indústria de cosméticos, vestuário, etc. São as maiores vítimas da violência dentro de casa. Muitas vezes, são as que levam a culpa por serem estupradas e mortas. Quanto pior a situação econômica, mais vulner áveis elas estão.
Apesar de conquistas, como o direito ao voto, descoberta da pílula anticoncepcional e maior inserção no mercado de trabalho, as mulheres ainda hoje sofrem ofensas e abusos de todo tipo.
Por isso, neste 8 de março, vamos dar e receber flores, em homenagem ao Dia Internacional das Mulher. Mas, vamos também lembrar que a luta por respeito e igualdade deve ser feita em todos os dias do ano, junto com a luta pela libertação de toda a classe trabalhadora.
Mais do que flores e presentes, a data marca a necessidade de se romper preconceitos e discriminações
Data tem origem na luta de classes
A luta pela libertação da mulher nasceu junto com a busca da transformação de toda a sociedade pelos trabalhadores, no fim do século XIX e começo do século XX. Em diversos países que iniciavam a industrialização, mulheres e crianças eram a maioria nas fábricas, sob longas jorna das e péssimas condições de trabalho. Greves e manifestações fervilhavam nas cidades americanas e na Europa.
Não há consenso do porquê da escolha de 8 de março. A versão mais disseminada é a de que nessa data, em 1857, 129 tecelãs teriam sido queimadas vivas pelos patrões que as tinham trancado em uma fábrica durante um incêndio, em Nova Iorque. Mas, estudiosos como Naumi Vasconcelos, professora da UFRJ, afirmam que esse incêndio, nessa data, nunca aconteceu.
Em 1914, Clara Zetkin (1857-1933), dirigente do partido Comunista Alemão, propôs que 8 de março marcasse a luta contra a dominação das mulheres pelos homens numa perspectiva socialista.
A data não remetia a nenhum acontecimento especial. Depois de três anos, em 23 de fevereiro do calendário russo, que correspondia a 8 de março no ocidente, uma greve espontânea das costureiras de Petrogrado foi o estopim da onda que culminou na Revolução Russa. Em 1975, a Organização das Nações Unidas (ONU) institui u 8 de março como o Dia Internacional da Mulher.

Fonte: NPC – Núcleo Piratininga de Comunicação - www.piratininga.org.br/

O Dia da Mulher Nasceu das Mulheres Socialistas, de Vito Giannotti.

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O crime: lutar por justiça social

Eduardo Sales de Lima

enviado a Bauru, Avaí,

Borebi, Lençóis Paulista,

e Promissão (SP) – Postado: Brasil de Fato

policia-cutrale-2_Luciano-Garcia

 

Depois de 16 dias, os sete integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que estavam presos desde 26 de janeiro devido à destruição de parte do laranjal da transnacional Cutrale ocorrida no ano passado receberam a liberdade mediante concessão de habeas corpus pelo Desembargador Relator Luiz Pantaleão, da 3ª Câmara Criminal do TJ/SP.

A prisão temporária (depois preventiva) dos militantes – moradores dos assentamentos Zumbi dos Palmares, no município de Iaras, e Loiva Lourdes, em Borebi, região central do estado de São Paulo – havia sido pedida porque eles supostamente ameaçariam o transcorrer do inquérito.

Fato é que, sobretudo nos últimos meses, o MST se transformou em sinônimo de quebradeira e invasão de propriedade. A luta social equiparou-se ao crime. O chefe da Operação Laranja – investigação da Polícia Federal que desencadeou as detenções – e da seccional Bauru, delegado Benedito Valencise, enxerga diferente. “Muito se fala que se tenta criminalizar um movimento social; mas [no caso Cutrale] houve a vítima”, defende, referindo-se à derrubada de três mil árvores da Cutrale e a furtos supostamente efetuados pelos militantes sem-terra, em 6 de outubro de 2009. Segundo a empresa, os trabalhadores rurais furtaram peças de tratores e fertilizantes.

Premeditado”

Segundo o delegado, 20 pessoas foram indiciadas por esbulho (privar alguém da posse de algo), formação de quadrilha e furto. Mas todas essas acusações, segundo um dos advogados dos presos do MST, Jorge Antônio Soriano Moura, são extremamente frágeis, o que fortaleceria o caráter político das prisões. “Você tira o furto, que não houve; aqueles tratores já estavam lá depenados. Além disso, o Superior Tribunal de Justiça [STJ] tem jurisprudência que qualquer ação do MST não configura formação de quadrilha. Resta o quê? Esbulho em terra pública não se configura. O dano é um termo circunstanciado. Separa duas cestas básicas, resolveu”, explica.

Para ele, quando o delegado de Agudos e responsável pelo inquérito que criminaliza o MST, Jader Biazon, enquadrou o furto na acusação, seu objetivo foi tratar a questão política da reforma agrária como crime comum, utilizando de artifícios no mínimo suspeitos. “Por que a polícia não revistou nenhum caminhão dos militantes do movimento saindo da fazenda da Cutrale? A polícia tem total autonomia de fazer isso, por que não fez?”, questiona o advogado.

De acordo com ele, o fato de a polícia não ter recebido ordens para revistar os sem-terra no momento em que houve a reintegração de posse na fazenda grilada pela Cutrale foi premeditado “para depois acusarem que nesses caminhões foram transportadas objetos da empresa, para ter onde se pegar na classificação de crime comum”, avalia Jorge.

Por seu lado, o delegado Valencise assegura que foram furtadas peças de tratores, baterias de tratores, fertilizantes, agrotóxicos, e que os objetos, com as marcas e o número de lotes, foram encontradas no dia 26 de janeiro, com o mandado de busca e apreensão. “Isso é uma prova indiscutível de que o material foi subtraído; e se fosse só no reconhecimento da vítima, mesmo assim merecia credibilidade, porque a vítima é séria”, pontua o chefe da Operação Laranja.

Teatro

O advogado Jorge Soriano reforça que o caráter “estritamente político” das prisões pôde ser observado em vários outros pontos. “Forçaram a barra”, destaca. A prisão temporária dos sete trabalhadores, prorrogada e depois convertida em prisão preventiva, somou 16 dias. A juíza da Comarca de Lençois Paulista (SP), Ana Lúcia Graça Lima Aiello, afirmou que, soltos, os militantes “não deixariam correr normalmente a colheita de provas”.

Jorge desconstrói esse argumento. Ele lembra que os mandados de busca e apreensão foram expedidos no dia 10 de dezembro de 2009, mas cumpridos apenas no dia 26 de janeiro, quase 45 dias depois. “Nesse período, o inquérito não parou, uma prova cabal de que eles [os acusados] não atrapalharam as investigações durante esse período, e que, portanto, não deveriam estar presos”, afirma.

Depois, ele lembra que os depoimentos colhidos pela polícia foram “quase ‘control c, control v’ [referência aos comandos dos computadores para copiar e colar um texto]” do escrivão que os registrou. Desconfiado dessa situação, o advogado defende que é impossível que mais de duas pessoas consigam fazer a mesma frase final de forma idêntica.

Espetacularização

Mas, o pior, segundo ele, estava por vir. O delegado Jader Biazon, presidente do inquérito, o teria escondido e dificultado o acesso aos autos para que fosse criado um clamor público, um apoio da sociedade às prisões. Sem titubear, o advogado afirma que, além disso, uma escrivã de Agudos foi orientada pelo promotor Henrique Ribeiro Varonês e pela juíza Ana Júlia para esconder o inquérito dos advogados do MST, durante alguns dias, “ferindo o direito de defesa”, segundo ele. A reportagem do Brasil de Fato foi até a comarca de Lençois Paulista (SP), onde se localiza a Comarca da juíza, mas ela se recusou a nos receber.

Assim, depois de todas essas irregularidade, a função de “espetacularizar” a situação teria ficado a cargo do maior canal de tevê do país. “A Rede Globo soltava, a cada dia, uma parte da fita [em que Miguel Serpa, um dos detidos, organizava as pessoas na fazenda] para poder substanciar mais o pedido de prisão; porque, sob o ponto de vista jurídico, o pedido de prisão se baseia em questões muito frágeis Toda essa movimentação fez com que a juíza se sentisse muito tranquila na decisão que tomou”, afirma Jorge.

Gilmar Mauro, integrante da direção nacional do MST, resumiu, em audiência pública na Câmara dos Vereadores de Bauru (SP), ocorrida no dia 8: “Houve uma clara articulação entre a Rede Globo e a Polícia Militar daqui de estigmatizar o MST. No final, eles [setores conservadores locais, como a polícia civil, militar, justiça] é que estão sendo ‘laranjas’ dos grandes grupos econômicos”.

Falta de revista a carros de militantes que ocuparam a área da transnacional de laranja em outubro de 2009 teria sido premeditada para fortalecer acusação de furto qualificado

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A íntima greve de fome de Rose

A prisão injusta e a impossibilidade de produzir seu alimento foram as principais motivações da militante

Eduardo Sales de Lima

enviado a Avaí

Postado: Brasil de fato

 

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A greve começou na terça-feira, 2 de fevereiro, à noite, e perdurou até o final de semana, entre os dias 7 e 8. Poucos sabiam: somente uma ou duas pessoas que a visitavam com mais frequência. Na sexta-feita, 6, a militante foi levada da Cadeia Feminina de Avaí a um hospital, em Bauru (SP), quase desfalecida.

No hospital, foi alimentada por meio de soro. O médico que a atendeu revelou que, por causa da prisão, ela estava com problemas psicossomáticos. Mal sabia ele sobre a decisão política, íntima, da militante, que já havia começado uma greve de fome dias antes.

Formada em Pedagogia, Rosimeire Pan D’Arco de Almeida Serpa, apontada pela polícia como uma das principais líderes da ocupação da fazenda grilada pela Cutrale, ficou todos os 16 dias detida numa cela separada das outras presas. Um cotidiano de leituras não a fez fugir da realidade, pelo contrário. Foi justamente enquanto lia o Relatório de Direitos Humanos de 2009, elaborado pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, mais especificamente um artigo que homenageava um menino atropelado e morto por um trator na cidade de Maceió, num lixão, que Rosimeire teve o seu primeiro acesso de falta de apetite.

Decisão

Abre---Rosemeire_Joao-Zinclar À sua consciência, vinha a imagem da criança morta no lixão e, ao seu lado, quase todos os dias, duas crianças da cidade de Avaí pediam um marmitex aos carcereiros na porta da prisão. “Elas falavam assim: ‘Carcelheiro, tem marmita?’, relatou Rose, como é conhecida, à reportagem do Brasil de Fato, que pôde conversar com a militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e vereadora pelo Partido dos Trabalhadores (PT) enquanto ela permanecia detida. As crianças famintas de Avaí lhe faziam crescer a falta de apetite.

No entanto, ela começou compreender que a falta de apetite não era simplesmente fisiológica. Havia um forte componente político nesse contexto. O pedido de prisão preventiva para todos os presos (que estavam até então, na prisão temporária) a motivou, preponderantemente, para assumir, no seu íntimo, uma greve de fome. Pesou, preponderantemente, o fato de estar presa e não poder estar produzindo seu próprio alimento, junto de seus três filhos e do marido, Miguel Serpa, também detido.

Somada à experiência de não comer nada durante os dias em que esteve detida, Rose conta que alguns carcereiros fizeram questão de provocá-la, referindo-se pejorativamente a suas atitudes como militante social e socialista. Isso mexeu bastante com a militante.

Misturada

Durante todo o tempo de reclusão, Rose testemunhou o atendimento médico às outras presas da cadeia numa sala que dá de frente para sua cela. Desorganizada, à semelhança de um almoxarifado bagunçado, duas vezes por semana um médico atendia as detentas. “A maior parte pede remédios para dormir”, lembrou Rose.

A relação da vereadora de Iaras com as presas, nos primeiros dias, não era das melhores. Elas a questionavam o porquê dela estar sozinha numa cela. Rose chegou e escrever uma carta para o diretor da cadeia pedindo que a transferisse para junto das outras 93 mulheres. A cadeia tem lotação máxima de 40 presas.

Com o passar dos dias, ao conhecerem o motivo da prisão de Rose, as presas mostraram apoio e solidariedade. Uma mulher do Piauí até criticou o latifúndio, e “disse que admira os sem-terra de seu estado, porque são valentes”, recorda.

Pelo menos por uma hora por dia era possível dialogar com as outras detidas, tanto que perceberam o abatimento da companheira. Mas nenhuma delas imaginava que a vereadora tinha optado em fazer uma greve de fome.

Em meio a todo turbilhão político pelo qual está passando, Rose lembrou que, mesmo dentro da cadeia, é necessário haver justiça social. Ela contou que as presas montam tomadas e ganham R$ 5 por mês. Cada mês trabalhado significa um dia a menos no cumprimento da pena. Ela não disse, mas é provável que tal exploração também tenha aumentado sua falta de apetite.

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Em defesa da Cutrale, polícia aterroriza militantes do MST

Ação policial de busca e apreensão de militantes do MST que ocuparam terras griladas da transnacional traumatizou seus familiares

Eduardo Sales de Lima

enviado a Borebi (SP) – Brasil de Fato

Seu-Gentil-e-esposa_Joao-Zinclar “Não vai levantar não, vagabundo? O senhor usa droga?”. Eram 5 horas da manhã, quando a porta de lona e madeira de Gentil Alves, um senhor de 78 anos, era arrancada por quatros homens. Sozinho em seu “barraco”, ele viu toda a roupa de sua família ser jogada e revirada no chão.

“Um magrinho falou: ‘o véio não deve não, daqui um dia, nós volta’. Fiquei tremendo de medo”, recorda-se Seu Gentil, camponês que possui um lote de 6 alqueires no assentamento Loiva Lourdes, em Borebi, no interior do estado de São Paulo. Ele e sua mulher, dona Nair, de 66 anos, moram com a neta e a bisneta de 6 meses. Ele foi um, entre tantos, que foi surpreendido com a chamada Operação Laranja, da Polícia Civil de São Paulo, investigação que desencadeou as detenções de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) devido à destruição de pés de laranja da transnacional Cutrale, ocorrida em outubro do ano passado.

Na manhã do dia 26 de janeiro, a operação que envolveu cerca de 150 policiais no cumprimento de mandados de busca e apreensão invadiu vários outros barracos. A procura de militantes resultou em nove presos. Além do assentamento onde vive seu Gentil, também o Zumbi dos Palmares sofreu as investidas da operação, coordenada por Benedito Antônio Valencise, delegado seccional de Bauru. Com 20 mandados de prisão, sete pessoas terminaram detidas por mais de duas semanas; os outros 13 não foram encontrados.

Cadeias diferentes

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Para entidades de defesa de direitos humanos, a gigantesca ação policial foi considerada desnecessária e oportunista, visto que todos detidos tinham residência fixa e trabalhavam. Questionado pelo fato de não ter intimado as pessoas, Valencise argumenta que o sigilo era fundamental e está dentro da lei. “Às vezes, a pessoa não está e a intimação fica com o vizinho. A partir daí, surge uma grande divulgação e a pessoa, com medo, talvez não vá depor. Quando fomos prender o Miguel [Serpa], ele tentou fugir. Quer dizer, se eu o intimasse, será que ele iria comparecer ou iria fugir?”, questiona.

Mas isso não é o que pensa o deputado estadual Simão Pedro (PT). “A polícia não pode ser utilizada como instrumento político-partidário de uma força política”, dispara, referindo-se ao governador José Serra, do PSDB. “Por que prender pessoas que já estavam à disposição da polícia, têm endereço fixo, são réus primários e se dispuseram a colaborar?”, questiona o deputado.

Uma das ações mais criticadas da ação policial foi a separação dos militantes em quatro cadeias diferentes da região. O delegado seccional de Bauru explica que o objetivo era, tão somente, o bem-estar deles. “A nossa unidade prisional aqui é em Duartina. Lá, a cadeia supera a sua capacidade. Então dividimos. Mais para garantir total assistência à visita de advogados e de pessoas ligadas a direitos humanos”, explica Valencise.

a direitos humanos”, explica Valencise.

Bandeiras e cartilhas

O delegado Valencise assegura que não houve nenhum tipo de violência quando ocorreu o cumprimento dos mandados busca, apreensão e prisão nos assentamentos. “Graças a Deus, não houve qualquer tipo de violência, não houve um tiro sequer e não houve qualquer tipo de agressão. A Rosimeire sequer foi algemada. Foi colocada na viatura, no mesmo compartimento, junto conosco, para que não houvesse nenhum tipo de problema”, detalha o delegado.

Na casa de Rosimeire Serpa, vereadora em Iaras pelo Partido dos Trabalhadores (PT), antes de a terem levado, juntamente com seu marido, Miguel Serpa, os policiais apreenderam celulares, bandeiras do MST, do PT, livros e cartilhas das duas organizações. O que chamou a atenção de Rosimeire foi a irritação de alguns policiais com o fato de existir uma biblioteca na sala de sua casa.

Se o tratamento dado à vereadora do PT em Iaras foi respeitoso, a experiência de outros assentados foi bem diferente. Paulo Rogério Beraldo, 22 anos, reside no assentamento Loiva Lourdes. Quando os policiais invadiram sua casa, às 6h da manhã do dia 26 de janeiro, assustaram toda a sua família.

Ele e sua mãe, Catarina de Castro, estavam prontos para acender o fogo da lenha quando repararam uma movimentação de pessoas atrás das árvores mais próximas da casa, uma pequena construção de madeira com paredes de lonas e teto de telhado.

Filho-da-puta”

“ Eles perguntaram se havia arma. Quiseram saber onde estavam as notas fiscais do gerador e da motoserra”, conta a mãe de Paulo. Naquele momento de estresse com a prisão de seu filho, dona Catarina, nervosa, não conseguia encontrar a nota do gerador de energia que havia comprado. Alguns assentados do Loiva Lourdes destacaram que os policiais de Valencise apreenderam objetos estranhos às necessidades de investigação de furto: de documentos médicos a papéis que identificam os lotes dos assentados perante o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

Questionado pela reportagem sobre o gerador que comprovadamente pertence à família de Catarina, Valencise pondera que, em relação àquilo que se apreende e não se comprova de imediato a procedência, é feita uma verificação. “Se não for comprovado o furto, pode ter certeza que será devolvido ao poder de quem se encontrava”, afirma. Entretanto, desde o dia 26 de janeiro, a casa da mãe de Paulo vive sem energia elétrica.

Algemado, o rapaz de 22 anos foi levado à delegacia de Promissão. Ficou detido na mesma cela que Anselmo Alves Villas Boas, conhecido como Gaúcho. A esposa de Gaúcho, Nair, conta como a polícia “chegou” em sua casa, no assentamento Zumbi dos Palmares. “Eles chegaram gritando, chamando ele de filho-da-puta. Chegaram a jogar gás pimenta no barraco. Então meu marido pediu para que não fizessem esse escândalo”, lembra.

De tanto medo”

As famílias que tiveram suas casas invadidas estão traumatizadas. “Eu quero uma resposta, estou me sentindo muito pressionada. Não consigo mais ficar dentro de casa”, desabafa Nair, já emendando que “não é por isso que a gente vai parar. Eu vou continuar lutando”.

Maria José Bezerra, esposa de outro camponês que ficou preso durante os 16 dias – seu Máximo Albino, de 60 anos –, lembra que seus netos foram acordados com armas apontadas para suas cabeças. Após a investida policial, nenhuma criança sai de casa, “de tanto medo”, lembra a mulher, que vive no assentamento Zumbi dos Palmares. De acordo com ela, enquanto permanecia preso, o marido estava deprimido e sem vontade de se alimentar.

O advogado Jorge Soriano sugere um retrocesso na histórica da democracia brasileira. “Infelizmente, a polícia ainda tem imbuído, em seu atos, resquícios da ditadura militar. Ela ainda se acha superior e no direito de constranger ou retirar direitos dos cidadãos. Não precisava. Bastaria bater na porta da casa”, conclui o advogado dos ex-detidos.

*Correção feita em 22/02/2010

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Escola Nacional Florestan Fernandes

Postado: blog do Cotidiano

Francisco Valdean

 

MST

 

Estive na Escola Nacional Florestan Fernandes, escola do MST em Guararema, município de São Paulo. Na ocasião fotografei as atividades do Programa Nacional de Formação da Juventude da Classe Trabalhadora. O programa é oferecido pelo MST a jovens da classe trabalhadora do Rio de Janeiro e tem como objetivo oferecer lhes uma formação política. O movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) luta pela Reforma Agrária e pela construção de uma sociedade mais justa, sem exploradores nem explorados, formalmente o movimento existe há 24 anos, mas diante da profunda desigualdade social existente no Brasil a necessidade é anterior e atualmente a importância do movimento é notável.

escola florestan fernandesMas nem todos vêem no movimento essa importância, prova disso são as abordagens feitas por alguns veículos de comunicação que geralmente atribuem ao movimento fatos que não condizem com sua natureza. Colocando assim, sobre os ombros do movimento e conseqüentemente sobre as costas dos trabalhadores os estigmas de baderneiros e invasores de terras. Uma clara tentativa de caracterizá-lo como um movimento criminoso e os reflexos dessas abordagens são facilmente percebidos no cotidiano. Ainda no Rio um amigo ao saber da minha ida a escola perguntou-me se nesta o movimento ensinava a invadir terras. Em parte, a visão de meu amigo é o reflexo da ideologia incutida na população.

Na programação do encontro estava previsto: mística, visita guiada a escola e uma oficina com o Teatro do Oprimido, principal atividade do encontro. A mística foi à atividade inicial, na ocasião apresentada por um grupo de trabalhadores bolivianos que visitavam a escola. A mística é um ritual tradicional do movimento e é também um momento de integração. A visita guiada iniciou na biblioteca que tem catalogado por volta de vinte mil livros, com os mais variados temas, esta, além de atender as demanda da escola também é aberta à comunidade, assim como outros espaços da instituição, por exemplo, um campo de futebol. Da biblioteca seguimos para conhecer outros espaços: alojamentos, lavanderia, um biodigestor e um espaço onde serão construídos dois anfiteatros e por ultimo a Ciranda Saci. Ciranda é o nome dado pelo MST a templos e espaços educativos dos “Sem Terrinha” da faixa etária dos zero aos seis anos. O termo “ Sem Terrinha” é a afirmação da identidade dos membros do movimento desde criança.

Na Ciranda assistimos um vídeo sobre a construção da escola, através deste vídeo conhecemos o projeto arquitetônico da instituição que além do cuidado ambiental ainda preocupou-se em ensinar a técnica usada aos trabalhadores da obra, uma vez este de posse do conhecimento o replica em suas respectivas comunidades. É como diz o poema “o operário faz a coisa e a coisa faz o operário”. Verdadeiros “operários em construção”.

mst 2 Antes de seguirmos para a atividade principal, oficina de teatro, o grupo de aproximadamente 100 pessoas foi dividido em quatro subgrupos. Cada subgrupo ficaria responsável por uma tarefa domestica da instituição, isso faz parte do método pedagógico da instituição, todos que pela escola passam, seja estudante ou visitantes participam deste processo. A escola vê essa atividade como fator de integração e de respeito pelo espaço, visão da qual compartilho completamente, além da participação, integração e respeito pelo espaço, gera também a sensação de participação plena, participação que ocorre em todas as atividades. Após a divisão das tarefas de cada grupo deu-se inicio a oficina de teatro ministrada pelo CTO-Rio. O CTO-Rio é um centro de pesquisa e difusão, que desenvolve metodologia específica do Teatro do Oprimido em Laboratórios e em Seminários. Nos laboratórios e seminários são elaborados e produzidos projetos sócio-culturais, espetáculos teatrais e produtos artísticos, tendo como alicerce a Estética do Oprimido .O Teatro do Oprimido usa para a criação dessas cenas técnicas chamadas de “jogos” e “exercícios”. O importante não é o teatro em si, mas as discussões que se gera durante o processo de criação.

mst 4 Vejo uma clara tendência quando o termo “invasão” de terras é usado em relação às ocupações de terras improdutivas realizada pelo movimento em nome da reforma agrária. A terra deve exercer uma função social, a meu ver ocupar um espaço de terra que deverias cumprir tal papel e não cumpre é mais que legitimo é, na verdade necessário, pois em um país como o Brasil, com dimensão continental e com vasta riqueza natural é inadmissível que apenas um pequeno grupo da sociedade tenha acesso a terra. Fiquei dois dias na escola e não ouvi qualquer menção a invasão de terras, o próprio espaço da escola foi comprado, graças a colaboradores como o fotógrafo Sebastião Salgado. Já no campo da educação não acredito que o MST queira cometer os erros que a educação formal comete e nos tem levado a situação que vivemos. Ainda no encontro em algumas conversas informais compartilhei com alguns a visão de meu amigo em relação ao movimento e quase todos com quem compartilhei já haviam vivenciado situações parecidas.

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Em 5 anos, ENFF forma mais de 16.000 estudantes da classe trabalhadora

 

Escola construída por trabalhadores sem-terra se consolida como espaço de formação política da militância social


Beatriz Pasqualino e
Nilton Viana
de Guararema (SP)

Postado: Brasil de fato – Assine clique aqui

escola florestan fernandes "Florestan está vivo nesta escola mais do que nunca. Aqui é a nossa casa!”, declarou, visivelmente emocionada, a professora de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), Heloisa Fernandes, filha de Florestan, patrono da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF). Sua emoção foi compartilhada com cerca de 500 militantes, amigos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de outros movimentos sociais e partidos políticos, durante a celebração dos 5 anos da escola, no dia 6, em Guararema (SP).
A atividade – que teve início com um seminário sobre “O papel da formação política e ideológica no atual momento histórico: desafios e possibilidades”, com Ademar Bogo, da coordenação nacional do MST, Isabel Monal, educadora e filósofa cubana; e Luiz Carlos de Freitas, professor da Faculdade de Educação da Unicamp – não podia ser comemorada de outra forma: com estudo e militância. Afinal, mais de 16000  (dos quais metade mulheres) passaram por ali, vindos de mais de cem entidades da classe trabalhadora do Brasil e da América Latina.
Bogo destacou que a ENFF é uma grande conquista dos trabalhadores. Para ele, a escola cumpre um papel de articulação das forças de esquerda, que estão em um momento de fragmentação. “Não havia uma convocação para essas organizações. Somos convocados para vir à ENFF por Florestan Fernandes e pelos problemas sociais”, disse. O dirigente do MST encerrou sua fala afirmando: “para nós é um grande prazer estar comemorando os 5 anos da nossa escola. Com todas as limitações e contradições, a ENFF é uma fonte, e com cuidado, manteremos sua água limpa”.
A cubana Isabel Monal ressaltou a importância de “aprendermos com as experiências históricas”. Para ela, um ponto de partida para o socialismo pode ser a comunidade indígena. E, diante dos graves problemas provocados pelo capitalismo, fez um alerta: “sem socialismo não há salvação para o planeta terra”.
Em sua fala, sobre o atual modelo educacional e o papel da escola, o professor Luiz Carlos de Freitas afirmou que não basta garantir o conhecimento para a classe trabalhadora. Segundo ele, é preciso destruir a estrutura da escola capitalista, baseada na exclusão e subordinação dos trabalhadores. Para Freitas, a escola capitalista é isolada da vida. “A escola capitalista isola a juventude da vida, das contradições sociais. Precisamos formar lutadores, construtores, baseados em conhecimento, realidade e auto-organização”, analisa.

Solidariedade

O aniversário da escola contou com a participação de diversos colaboradores e amigos de movimentos sociais, como o filósofo Paulo Arantes, o jornalista José Arbex, a socióloga Virgínia Fontes, a psicanalista Maria Rita Kehl, o deputado federal Ivan Valente (Psol-SP), entre outros.
"O MST se mostrou um movimento legitimamente progressista quando nos convidou para trabalhar com psicanálise na ENFF”, afirmou a psicanalista Maria Rita Kehl, que há dois anos desenvolve terapia com um grupo de militantes que moram na escola. Segundo ela, não é verdade a tese de que o movimento é autoritário e funciona na base do medo. “O que existe é um pacto fraterno e solidário entre todos”.
"A ENFF está ajudando a reconstruir a universidade pública”, sustentou o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, ex-presidente do ANDES-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior). Segundo ele, o poder privado está pautando as pesquisas e trabalhos da universidade pública no país. Nesse quadro, a escola demonstra que apenas uma educação baseada no espírito público pode garantir o avanço do país.
O deputado federal Ivan Valente manifestou solidariedade a todos os militantes do MST que estão presos no interior de São Paulo e condenou a criminalização da luta pela reforma agrária. “Essas prisões são políticas”, denunciou o deputado.

Formação

O objetivo da ENFF é ser um espaço de formação superior, pluralista nas mais diversas áreas do conhecimento não só para os militantes do MST, como também de outros movimentos sociais rurais e urbanos, do Brasil e de outros países da América Latina e África. Nesses últimos cinco anos, mais de 16.000 trabalhadores participaram de cursos, seminários e atividades na escola. Há dezenas de parcerias com universidades públicas para graduação em várias áreas, como pedagogia, história, filosofia, além de mestrado e especializações. Ao todo, cerca de 500 professores voluntários passaram pela ENFF, além de cerca de 2.000visitantes do Brasil e do exterior, segundo Geraldo Gasparin, da coordenação da escola.
Além do projeto político-pedagógico, o método aplicado nesses cursos também é um diferencial na escola. Um deles é o da alternância, em que os estudantes permanecem na ENFF alguns dias e depois retornam para seus assentamentos e acampamentos. Nesse período longe da sala de aula, o educando é estimulado a desenvolver tarefas que consolidem a prática a partir do conhecimento teórico adquirido.

Histórico

Apesar de ter sido inaugurada em 23 de janeiro de 2005, a história da ENFF começou nos idos de 1996, quando surgiu a necessidade de se ter um espaço de formação da militância, de troca de experiências e de debate sobre a necessidade de transformação social, o processo de estudo, articulação e intercâmbio entre as organizações de trabalhadores do campo e cidade que lutam por um mundo mais justo.
Segundo Maria Gorete, da coordenação político-pedagógica da ENFF, o objetivo da escola é a apropriação do conhecimento para a transformação desta realidade, deste mundo. “A proposta de construção se inicia a partir de todo um processo do que é de fato o MST, uma construção coletiva a partir da solidariedade e do trabalho voluntário”, completa.
A construção da escola só foi possível graças à aposta do MST na educação e à solidariedade de militantes e organizações sociais de todo o mundo. Os recursos financeiros vieram de doações de quem acreditava no projeto, como o fotógrafo Sebastião Salgado, que cedeu os direitos de suas imagens publicadas no livro “Terra”; o cantor Chico Buarque (que produziu um CD para esse livro) e o escritor português José Saramago (autor do prefácio da obra). A mão-de-obra foi voluntária. Mais de mil militantes de todo o país participaram da construção, organizados em 25 brigadas de construção, vindos de 112 assentamentos e 230 acampamentos. A técnica utilizada na obra foi inovadora. Chama-se solo-cimento e consiste em blocos feitos pelos próprios trabalhadores a partir da prensagem da terra.
Atualmente, a ENFF conta com uma estrutura que inclui salas de aula, alojamentos, refeitório para 200 pessoas sentadas, auditório, sala de cinema, ciranda infantil, áreas de vivência e biblioteca com capacidade para até 40 mil livros.

ENFF em vídeo

Para conhecer um pouco mais da construção e trajetória da Escola Nacional Florestan Fernandes, há um documentário disponível na internet, produzido pelo Ponto de Cultura da ENFF, em parceria com o Pontão de Cultura Rede Cultural da Terra. O vídeo, de 15 minutos, chama-se “ENFF: um sonho em construção” e pode ser assistido no link www.mst.org.br/node/9047.

(Com informações da assessoria de imprensa do MST e  Jornal Sem Terra)

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Em ato contra criminalização, MST anuncia soltura de Sem Terras de Iaras

 

Justica_Popular_Latuff[1]Quando o coordenador nacional do MST, Gilmar Mauro, anunciou a soltura dos 20 sem terra que estavam sob prisão preventiva desde o último dia 26 de janeiro, universitários, sindicalistas, parlamentares e militantes de movimentos sociais vibraram

SOMOS TODOS SEM TERRA! Apoio do Instituto Zequinha Barreto “ Zequinha Barreto”

Cristiano Navarro
Da redação:BRASIL DE FATO


MST O que seria um ato de protesto contra criminalização foi um pouco mais além. Com dezenas de pessoas sentadas no chão e outras dezenas de pé do lado de fora da sala, o auditório dos Estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, no centro de São Paulo, com capacidade para 300 pessoas, esteve lotado para o “Ato Pela Libertação dos Presos Políticos do MST e Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais”.
Quando o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Gilmar Mauro, anunciou a soltura dos 20 sem terra que estavam sob prisão preventiva desde o último dia 26 de janeiro, na região de Iaras, universitários, sindicalistas, parlamentares e militantes de movimentos sociais vibraram respondendo em coro, “Liberdade para os presos políticos do MST! Liberdade para os presos políticos do MST!”.
A ordem de soltura foi emitida pelo Desembargador Luiz Pantaleão, da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo. Pantaleão acolheu o pedido de habeas corpus feito pela defesa dos Sem Terra.
Apesar de soltos, os Sem Terra continuam como réus no processo que investiga uma ocupação realizada na área grilada pela empresa Cutrale no ano passado. Dos 20 militantes com ordem prisão preventiva, nove se encontravam presos. O processo está na fase de inquérito e outras 55 pessoas ainda podem ser indiciadas.

Apoio à luta

O advogado do MST Roberto Santana, membro da Rede Nacional de Advogados Populares (Renap), agradeceu ao apoio dos movimentos e militantes manifestados em atos semelhantes. “Nos tivemos uma vitória que foi resultado da atuação de cada um dos que aqui estão presentes”, afirmou o advogado.
Os parlamentares e entidades que em seguida se manifestaram celebraram a ordem de soltura, manifestando apoio premanente às luta pela reforma agrária.
O ato realizado na noite desta quarta-feira (10) foi Organizado pelo Comitê Contra Criminalização dos Movimentos Sociais, criado para monitorar casos de violências contra as organizações sociais.

O contexto em que lutar é crime

Em sua fala, Gilmar Mauro contextualizou o caso de Iaras em uma conjuntura política maior. “Essa situação de criminalização não se refere apenas ao MST. Trata-se da criminalização dos pobres, feita através de práticas neofascistas”.
Para o presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra), Plínio de Arruda Sampaio, a violência no campo está ligada ao seu modelo de produção, que expulsa os agricultores de suas terras e concentra grandes extensões sob propriedade de empresas transnacionais. "A terra está sendo entregue às multinacionais, o que exige escala de produção e concentração de terra maiores, na mão de cinco ou seis”.
Plínio usa o caso das terras griladas pela Cutrale como exemplo de favorecimento das grandes empresas dentro deste modelo. “Aquela terra (Fazenda Santo Henrique) foi roubada do Estado, ela é nossa, é do povo brasileiro. Em 1941, Ademar de Barros (interventor do estado) fez usucapião da área com a cumplicidade da justiça. De lá pra cá, continua tudo invertido”.

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Delegados acusam PM de descumprir lei em prisão de sem-terras

As associações dos delegados da Polícia Federal e Civil de SC divulgaram uma nota questionando a legalidade da investigação contra o MST

03/02/2010


da Redação Brasil de Fato

As associações dos delegados da Polícia Federal e da Polícia Civil divulgaram uma nota, nesta terça-feira (02), onde questionam a legalidade da investigação conduzida pela Polícia Militar contra integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que terminou com a prisão de três sem-terras na semana passada.

Os policiais criticam a realização de interceptação telefônica sem a participação de um delegado de polícia e sem a instauração de uma investigação formal, conforme determina a Constituição. "Aparentemente não houve a observância de preceitos legais básicos na condução dessa investigação", afirma a nota.

Acusados de planejar ocupações de terrra, Altair Lavratti, Rui Fernando da Silva e Marlene Borges foram detidos na quinta-feira (28) e sexta-feira (29), e foram libertados no sábado (30) por decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Leia, a seguir, a íntegra da nota.

Recentemente chegou ao conhecimento dos signatários através da imprensa a ocorrência de uma operação policial desencadeada pela Polícia Militar sediada em Imbituba/SC, visando o combate a suposto esbulho possessório ocorrido em detrimento de áreas pertencentes a União (ZPE, criada pelo Decreto Federal 1.122/94) e ao BNDES (empresa pública federal).

Sem adentrar no mérito da operação policial e da necessidade de manutenção da Lei e da ordem, que supostamente estaria em vias de ser violada, pois segundo a matéria jornalística se tratava de atos preparatórios, verifica-se que aparentemente não houve a observância de preceitos legais básicos na condução dessa investigação.

A Lei 9296/96 determina que o afastamento de sigilo telefônico deverá ser embasado em elementos concretos e diante da ausência de outros meios de investigação, bem assim devera ser operacionalizado por autoridade policial, o Delegado de Polícia.

É clara a disposição do artigo 6º do mencionado diploma:

“Deferido o pedido, a autoridade policial conduzirá os procedimentos de interceptação, dando ciência ao Ministério Público, que poderá acompanhar a sua realização.

§ 1º (…).

§ 2º Cumprida a diligência, a autoridade policial encaminhará o resultado da interceptação ao juiz, acompanhado de auto circunstanciado, que deverá conter o resumo das operações realizadas.

(…)”

Causa surpresa, portanto, que esse procedimento tenha sido realizado sem a instauração de uma investigação formal, a qual estaria sujeita aos controles previstos na Constituição e na lei, e conduzida por policiais militares, em flagrante violação à Carta Magna, à lei federal e às garantias do Estado Democrático de Direito.

Também ainda resta sem explicação o fato de que todos esses atos tenham sido albergados pela Justiça Estadual, com o endosso do Ministério Publico Estadual – fiscal da lei e guardião da Constituição – quando tanto o bem jurídico protegido, ou seja, as terras prestes a serem invadidas, pertenceriam a União (demandando a apuração do fato pela Polícia Federal, junto a Justiça Federal) quanto à formalização de uma interceptação telefônica demandaria a observância de procedimentos legais, os quais restaram, ao que tudo indica, ignorados.

RENATO JOSE HENDGES

Presidente da ADEPOL/SC

EDUARDO MAUAT DA SILVA

Diretor Regional da ADPF

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MANIFESTO Contra o aumento das tarifas!

QUINTA-FEIRA, 11 DE FEVEREIRO
16h00 - São Paulo (Teatro Municipal)

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Todo ano os empresários do transporte pressionam a prefeitura para aumentar as passagens, para garantir mais e mais lucros. Cada um desses aumentos dificulta ainda mais a vida de milhares de trabalhadores. O aumento de ônibus atual, de 17,4%, está acima da inflação do período, e o acréscimo de R$ 0,40 em cada tarifa vai fazer com que gastemos R$ 118,00 com ônibus todo mês (23% do salário mínimo!) – isso apenas para ir e voltar do trabalho. É a 2ª tarifa de ônibus mais cara do Brasil!
Como se não bastasse, o Governo do Estado já anunciou que a partir de 9 de fevereiro o Metrô também ficará mais caro, e em breve os trens da CPTM e os ônibus da EMTU.
O prefeito e os empresários tentam nos convencer de que "o aumento é inevitável" porque sabem que nós podemos barrá-lo, como aconteceu em Florianópolis e em Vitória em 2005, quando a população dessas cidades foi para as ruas se manifestar. Em 2006, em São Paulo, milhares de pessoas protestaram contra o aumento. É isto que as autoridades querem evitar, mas o conjunto da população pode e deve se organizar para barrar este aumento!
O transporte é um direito da população, e não pode ser pensado como negócio para os capitalistas. Sequer deveríamos ter tarifas para utilizá-lo. Imagine se os hospitais e as escolas públicas tivessem catracas na porta? Se a coleta de lixo fosse feita de porta em porta, pesando e cobrando pelo serviço?…
No mês de fevereiro, a Rede de Luta Contra o Aumento fará manifestações nos dias 11 e 25/2, quintas-feiras, sempre a partir das 16h em frente ao Teatro Municipal (centro de São Paulo).
Divulgue, se organize, venha, lute, resista!
Acesse e saiba mais: www.barraroaumento.org

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Ato Pela Libertação dos Presos Políticos do MST e Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais

imagesCAOY45KZ Trabalhadores Rurais, vinculados ao MST, dos municípios de Iaras e Borebi foram presos na manhã de terça feira pela Polícia Civil. Eles estão sendo acusados de liderarem a ocupação da Fazenda Santo Henrique, de propriedade do Governo Federal, e usada ilegalmente pela Multinacional CUTRALE.
A forma como a prisão foi efetuada demonstrou claramente que a polícia agiu de forma a acirrar ainda mais o conflito social. A criminalização dos trabalhadores e a apreensão de equipamentos, objetos de uso pessoal, ferramentas de trabalho, e produtos agrícolas como defensivos, fertilizantes, calcário, óleo diesel e outros, dão mostras de arbitrariedade e pré-julgamento. Tais objetos são de uso regular e cotidiano de quaisquer agricultores, além do mais, não há comprovação por parte da Polícia de que esses bens sejam de propriedade da empresa denunciante.
Transformar problema agrário brasileiro em crime comum tem sido a tática dos setores mais conservadores e truculentos da sociedade brasileira. É um atraso que pode impedir o avanço e o desenvolvimento do país com verdadeira justiça social.
No sentido de defender a apoiar a Luta pela Reforma agrária, nos colocar contra a criminalização dos movimentos sociais e pedir a libertação dos 7 lutadores sociais presos, estamos convocando a todos os lutadores do povo, militantes dos movimentos sociais, entidades de direitos humanos, sindicatos, parlamentares, e todas as entidades comprometidas com a justiça social a participarem do

Ato Pela Libertação dos Presos Políticos do MST e Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais a se realizar na próxima quarta-feira, 10/02/2010, na Sala dos Estudantes, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (próximo ao metrô Sé) às 19hs.

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Em Taboão, Movimento dos Sem Teto acusa governo de exclusão em programa habitacional

 

desenho_jc_pq2 Cerca de 250 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) realizaram, na manhã de segunda-feira, dia 25, uma manifestação na porta da Prefeitura de Taboão da Serra, onde cobraram do governo maior participação no programa de moradia popular do município e a inclusão de famílias para serem contempladas com a construção de unidades habitacionais que serão entregues pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) nos próximos anos.
Em entrevista à Gazeta SP, o líder do MTST, Guilherme Boulos, acusou a prefeitura de se negar a destinar duas áreas, uma no Jardim Salete e outra no Parque Laguna, em processo de desapropriação pelo governo do Estado, para atender a demanda do movimento. Segundo Boulos, o governo se comprometeu, há cerca de dois anos, a direcionar as áreas para construção de apartamentos e contemplar as mais de 5500 famílias do movimento. “Houve um compromisso e agora querem direcionar as áreas para atender a demanda interna da prefeitura”, esbravejou.
Entoando gritos de protesto debaixo de forte calor, o movimento organizou núcleos de atuação e formou uma comissão para negociar com o governo. Por volta das 12h, o grupo foi recebido pelo secretário de Governo, Ronaldo Dias. Durante a reunião, os manifestantes cobraram o compromisso para inclusão da demanda do MTST no programa habitacional e a inclusão de novas famílias no Programa Auxílio Aluguel, que, segundo o movimento, a prefeitura não está cumprindo com o pagamento do benefício para cerca de 100 já cadastradas.
O movimento garante que o governo está tentando deslegitimar o cadastro das famílias, alegando que a maioria não mora na cidade. “O cadastro foi feito pela Secretaria de Habitação da prefeitura. A responsabilidade pelas informações é deles”, explicou Sergio Silva, um dos coordenadores do movimento. Na região sudoeste, o MTST tem atuação nos municípios de Embu e Itapecerica, além de grupos espalhados pelo ABC, Sumaré, Campinas, Guarulhos e Santo Amaro.
Outro lado
Em nota, a assessoria de comunicação da prefeitura disse que o governo retomará as discussões com o movimento nesta quarta-feira, dia 27. Sobre a acusação de que famílias do MTST seriam excluídas do programa, a prefeitura garante que sua política habitacional “estimula as entidades representativas da comunidade para viabilizar novas moradias e a construção de conjuntos habitacionais para moradores de baixa renda e que residem em áreas de risco do município”.
Já no auxílio aluguel, o governo atende 92 famílias do MTST e para inclusão de novos beneficiados, como quer o movimento, é necessário “ser morador da cidade a mais de um ano e ter renda familiar de até três salários mínimos”. Sobre os terrenos e a construção de apartamentos, a prefeitura informa que realizou um “estudo de viabilidade técnica para construção das unidades” e “os trâmites necessários” para assentamento das “famílias juntos à CDHU serão para atendimento de núcleos de baixa renda, conforme a legislação e a política habitacional do município”. (Bruno Anderson, da Gazeta SP)

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