Arquivo de Saúde

Sistema público está sendo desconstruído

O diagnóstico é do presidente do Conselho Nacional de Saúde, Francisco Batista Júnior

 

Raquel Junia

do Rio de Janeiro (RJ) por: Brasil de fato

Há cerca de 10 anos, começou a ser deflagrado no país um movimento para desconstruir o SUS, fisicamente, politicamente e ideologicamente. O diagnóstico é do presidente do Conselho Nacional de Saúde, Francisco Batista Júnior. Para ele, a diferença de classes é uma das ações que vêm sendo adotadas para desestruturar o sistema. "São vários os movimentos: estão aí as fundações de direito privado e as parceirizações, que é como estão sendo chamadas as privatizações da gestão do SUS, como a parceria público-privada, que está sendo realizada na Bahia com atores internacionais. Para mim, esses movimentos são as provas absolutamente cabais de que estão em curso já há alguns anos os processos de desconstrução do SUS", explicita.

Os professores-pesquisadores da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) Felipe Machado e Camila Borges acreditam que a diferença de classe fere a universalidade, princípio fundante do SUS e que o separa do sistema de saúde que vigorava anteriormente. "É um retrocesso assustador em direção à situação que a gente viveu até a Constituição de 1988, na qual se diferenciava o tipo de atendimento pelo tipo de inserção que o paciente tinha no mercado. O SUS tenta romper com isso. Trata-se de um retrocesso legitimado pelo Poder Judiciário e levado a cabo por uma instância de classe. É evidente que há médicos que não compraram a ideia do SUS", diz Felipe.

Camila aponta que a dependência do SUS em relação aos setores privados que atuam em convênio com o sistema público é um agravante para este tipo de problema. "O Poder Executivo tem dificuldades de dotar o orçamento para investir em rede própria. Quando conseguirmos investir em rede própria talvez diminuamos a dependência do setor filantrópico, que é uma instância privada, e consigamos fazer frente a este tipo de ação", observa.

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STF abre brecha para que pacientes paguem por atendimento no SUS

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Em decisão favorável ao Conselho de Medicina do Rio Grande do Sul, STF permite pagamento no município de Giruá

Raquel Júnia

do Rio de Janeiro (RJ)

Postado: Brasil de Fato

Em Giruá, no Rio Grande do Sul, há pouco mais de 17 mil habitantes. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a rede de saúde do município é composta por quatro postos de saúde da família (PSFs) e um posto central que atende especialidades. Além disso, há também outros cinco postos em distritos do interior, onde ocorre atendimento uma vez por semana. Existe um único hospital em Giruá, que não é público e sim filantrópico, mas atende pelo SUS e destina cerca de 32 dos 50 leitos ao serviço público de saúde, por meio de convênio.

De acordo com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) proferida em maio, passa a ser instituída em Giruá a chamada “diferença de classe” no serviço público de saúde. Isso significa que qualquer habitante da cidade que tenha dinheiro poderá pagar por determinado serviço nesse único hospital da cidade, que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O paciente pode comprar um leito individual ou a possibilidade de ser operado por determinado médico de sua preferência. O pagamento pode ser feito ao hospital e também ao profissional escolhido.

A ação para permitir essa diferenciação de classe partiu do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) e obteve decisão favorável da Vara Federal de Santo Ângelo (RS). Há outras 11 ações do Cremers contra 10 municípios e uma contra o governo do estado, que também é responsável pela gestão da saúde em cidades gaúchas.

A prefeitura de Giruá entrou com uma ação na Justiça Federal para não cumprir o que determina o STF. De acordo com o prefeito da cidade, Fabiam Thomas (PDT), não é possível que o município cumpra a diferenciação de classe e a prefeitura está disposta, inclusive, a pagar multa caso os instrumentos jurídicos que está movendo para embargar a decisão não surtam efeito.

Foi estipulada uma pena de R$ 500 por dia caso Giruá não estabeleça a possibilidade de pagamento pelo SUS. "Não há como cumprir essa decisão sem descumprir inúmeras outras normas, principalmente a Constituição Federal, porque esta decisão tem um alcance muito maior do que se imagina. Não é simplesmente dar ao cidadão o direito de pagar a diferença e escolher um quarto melhor ou o seu médico. Estamos falando do SUS, que possui duas marcas muito evidentes: uma é a igualdade e outra é a gratuidade. O gestor de saúde hoje não pede o contracheque de ninguém no posto de saúde", protesta o prefeito.

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A alimentação dos brasileiros está cada vez mais envenenada

Pesquisadores e movimentos sociais alertam sobre a duplicação em um ano dos índices de uso de agrotóxicos no Brasil

Pedro Carrano

de Curitiba (PR)

Postado: Brasil de Fato

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O brasileiro ingeriu, em média, 3,7 quilos de agrotóxicos em 2009. Trata-se de uma massa de cerca de 713 milhões de toneladas de produtos comercializadas no país por cerca de seis corporações transnacionais. Estas empresas controlam toda a cadeia produtiva, da semente ao agroquímico ligado a ela. Uma condição que pressiona o agricultor familiar, refém da compra do “pacote tecnológico” gerador da dependência na produção. O capital dessas companhias do ramo é maior que o produto interno bruto da maioria dos países da Organização das Nações Unidas. Só no Brasil lucraram 6,8 bilhões de dólares em 2009.

Para tanto, o país ergueu a taça de campeão mundial em uso de agrotóxicos e bateu outro recorde: duplicou o consumo em relação a 2008. Relatórios recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que vem sendo criticado pelo lobby do agronegócio, apontam que 15% dos alimentos pesquisados pelo órgão apresentaram taxa de resíduos de veneno em um nível prejudicial à saúde. Cana-de-açúcar, soja, arroz, milho, tabaco, tomate, batata, hortaliças (veja tabela) são produtos do dia-a-dia que passaram a ter alto índice de toxidade.

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Agrotóxicos afetam comunidade em MS

Agricultores de Fátima do Sul apresentam náuseas, depressão e cometem suicídio após usarem inseticidas. Problema se agrava porque os lavradores não têm ou não sabem usar equipamentos para se proteger do veneno

MARCELLE SOUZA
ESPECIAL PARA A FOLHA

A tristeza aparente aponta que é dia de velório. O cheiro, que atravessa os cômodos, faz parentes e curiosos saírem para o quintal. O odor expõe o motivo daquela morte: Mauro de Souza Lucas cometeu suicídio com veneno da lavoura de algodão. A cena, na zona rural do município de Fátima do Sul (MS), seria um caso isolado se o cheiro não fizesse parte de outros velórios ali.
Lucas havia brigado com um irmão em uma festa de fim de ano e, de volta para casa, foi direto para o quarto dos agrotóxicos. Escolheu um dos mais fortes e bebeu.
"Um vizinho levou-o para o hospital, ele acabou de morrer lá", diz Antônia de Souza Lucas, 64, "uns 14" filhos. "Era veneno brabo, não lembro o nome, mas era veneno de algodão, fedido."
O episódio ocorreu há quase dez anos, mas o cheiro do velório ainda não saiu do nariz de Antônia. Mauro tinha 26 anos quando morreu. Ela não sabe por que o filho se matou. "Era uma nervosia, muita raiva, ele pôs na cabeça e se matou logo."
FALTA DE PROTEÇÃO
Fátima do Sul, cidade de 18 mil habitantes a 242 km de Campo Grande, foi criada em 1943 no governo Getúlio Vargas como polo agrícola. Predominam os sítios de três a dez hectares de imigrantes nordestinos.
Ali, fala-se dos nomes de agrotóxicos com intimidade: Barrage, Folidol, Azodrin, Tamaron, 2,4D e 3,10.

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Viagra deve provocar guerra de preços com genéricos

Matérias postado: R7

viagra A decisão do laboratório Pfizer de cortar pela metade o valor cobrado pelo Viagra, há 12 dias de expirar sua patente, deve causar uma guerra de preços com fabricantes de remédios genéricos, que chegam ao mercado até o fim deste mês.

Para não perder o principal atrativo desses produtos, que é o baixo custo, os laboratórios que produzem os genéricos também serão obrigados a baixar seus preços.

Pela legislação brasileira, no momento em que um fabricante recebe autorização para comercializar um genérico, ele deve registrar o  produto na CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamento) com um preço no mínimo 35% mais barato que o remédio de referência (nesse caso, o Viagra).

Isso não impede, no entanto, que os fabricantes de genéricos mudem a estratégia e passem a oferecer o produto por um valor mais baixo ainda.

Mauro Maia, procurador-geral do Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e que foi decisivo para a não prorrogação da patente do Viagra, diz que, no fim das contas, o que determina o valor dos remédios é o mercado.

– É a livre concorrência. Eles vão concorrer entre si e vão ter de ajustar os preços de acordo com a posição de mercado. Já houve casos em que o remédio de referência acabou custando menos que os genéricos.

Atualmente, cada comprimido do Viagra custa no mínimo R$ 28,05 e no máximo R$ 52,96, dependendo do Estado e da dosagem. Nesta terça-feira (8), a Pfizer anunciou uma redução de 50% nesses valores, fazendo o comprimido custar em média R$ 15.

"Genérico será produzido a qualquer custo"

Odnir Finotti, presidente da associação Pró Genéricos, afirmou que os fabricantes desses produtos terão de baixar os preços ainda mais. Ele diz que “essa é a regra e não tem como fugir disso” e prevê que os valores vão cair mais que os 50% anunciados pela Pfizer, já que os genéricos terão de ser 35% menores.

– Já vejo uma redução de 35% em cima dos 50%. Significa que o consumidor pagaria 17,5% do valor atual [antes da redução].

Segundo as contas de Finotti, a redução pode chegar, no final, a 82,5%.

Mesmo a esse valor, Finotti afirma que a produção de genéricos não será impedida.

– É possível fazer o genérico a esse preço. O genérico será produzido a qualquer custo, mesmo reduzindo dramaticamente o preço.

Briga de gato e rato

Um exemplo de como a chegada dos genéricos vai movimentar o mercado de remédios para disfunção erétil é o desempenho do Helleva, remédio de referência do laboratório brasileiro Cristália e que registra crescimento considerável desde o ano passado. O medicamento custa entre R$ 13,05 e R$ 14,40, ou seja, menos do que o novo preço médio do Viagra.

O preço menor fez com que as vendas do remédio saltassem 168% em um ano, passando de 80,3 mil comprimidos comercializados em abril do ano passado para 215,8 mil no mesmo mês de 2010, de acordo com dados da consultoria IMS Health. Enquanto isso, o mercado como um todo cresceu 14%.

Ogari de Castro Pacheco, presidente do conselho de administração do Cristália, diz que a empresa consegue oferecer remédios para disfunção erétil a preços menores porque, entre outros motivos, gastou menos no desenvolvimento do produto.

– Primeiro porque eu estou no Brasil, com pesquisadores brasileiros, com custos de desenvolvimento menores. Além disso, grandes laboratórios internacionais, como a Pfizer, têm custos de marketing enormes, não só no Brasil, mas nos Estados Unidos e na Europa, e colocam essas despesas como custo de desenvolvimento do remédio. Isso faz com que o produto custe mais.

Pacheco diz acreditar que o Helleva deve ser menos afetado pela chegada dos concorrentes, por já ter um preço menor. Mas ele reconhece que a tendência geral é de queda nos valores.

– Os genéricos vão ter de baixar também, em uma briga de gato e rato. Vai vencer quem tiver melhor estratégia de logística e distribuição. Quem sai lucrando é o consumidor.

Principal concorrente do Viagra vai manter os preços

cialis-m-20100609 Apesar de o Viagra estar muito próximo de uma guerra de preços com os genéricos, o Cialis, principal concorrente do remédio e líder do mercado de disfunção erétil no Brasil, avisa que não vai entrar nessa disputa. De acordo com o laboratório Eli Lilly, fabricante do Cialis, a ideia é manter a estratégia de divulgar o principal diferencial do produto: a duração prolongada.

Enquanto o Viagra age no corpo durante quatro a seis horas, o efeito do Cialis dura em torno de 36 horas (a ereção ocorre no momento de estímulo sexual, e não o tempo todo).

Dados da consultoria IMS Health indicam que, no mês de abril deste ano, foram vendidos 622,8 mil comprimidos do remédio da Eli Lilly, enquanto o Viagra, do laboratório Pfizer, segundo colocado, teve 531,6 mil pílulas comercializadas. Juntos, os dois possuem 75% do mercado.

Atualmente, os dois produtos têm preços semelhantes, apesar de os valores do Viagra apresentarem uma variação maior, custando no mínimo R$ 28,05 e no máximo R$ 52,96, dependendo do Estado e da dosagem em que é vendido.

Enquanto isso, o Cialis custa entre R$ 37 e R$ 40,5. Esse cenário, no entanto, vai mudar após a Pfizer anunciar nesta terça-feira (8) redução de 50% no preço do Viagra.

Luciano Finardi, diretor de marketing da Eli Lilly, diz que a empresa "não vai correr o risco de entrar em guerra de preço".

– É importante entender que essas variações de preço, com opções mais baratas, sempre existiram. Mesmo assim, nossos clientes permanecem fiéis ao Cialis, porque veem nele alguma coisa diferente. Não vemos vantagem em ficar entrando em guerra de preço.

Mesmo assim, o executivo afirma que a queda dos valores é positiva, já que mais homens terão acesso a esses produtos – a estratégia agora, segundo ele, é tentar "pescar" uma parte desses novos consumidores, mesmo que o Cialis custe mais caro.

 

Pfizer contra-ataca genéricos e corta preço do Viagra pela metade

Empresa diz que valor do comprimido vai para R$ 15 e cria embalagem com dose única

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Embalagem com apenas um comprimido, de 50 mg, será lançada pela Pfizer

Depois de perder a exclusividade sobre a produção do Viagra, a Pfizer, que fabrica o remédio, resolveu contra-atacar e anunciou que  vai cortar o preço do produto pela metade. De acordo com a empresa, isso vai fazer com que o medicamento para disfunção erétil fique menor do que o dos genéricos, que devem chegar ao mercado ainda neste mês. 

Em comunicado, a Pfizer disse que o preço médio por comprimido será de cerca de R$ 15. A Pró Genéricos (Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos) esperava que o valor caísse menos, em torno de 35%.

Como forma de concorrer com os genéricos, a empresa também anunciou que vai lançar uma embalagem com apenas um comprimido, de 50 mg. O laboratório diz que o objetivo dessas medidas é "além de competir no mercado", fazer com que "mais brasileiros" tenham acesso ao remédio.

No fim de abril, o STJ (Supremo Tribunal de Justiça) decidiu que a patente do Viagra, remédio para disfunção erétil, acaba mesmo no dia 20 de junho deste ano. A decisão abriu caminho para a produção de genéricos do produto por outros laboratórios, que devem lançar essas versões ainda neste mês.
A Pfizer lutava na Justiça por entender que o prazo da patente do Viagra deveria vigorar até 7 de junho de 2011. Mas o STJ deu ganho de causa ao Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que entendia que o prazo termina mesmo agora. 

Adilson Montaneira, diretor da Unidade de Negócios de Produtos Estabelecidos da Pfizer Brasil, diz em nota que a empresa quer manter a competitividade do produto, mesmo com a concorrência dos genéricos, que costumam custar mais barato.

– Após a decisão que antecipou o vencimento da patente do medicamento, analisamos todas as opções possíveis para tornar o produto competitivo no mercado. Fizemos um trabalho profundo com nossa matriz e com isso conseguimos obter um valor competitivo para o medicamento, para continuar a ser uma opção ao paciente brasileiro.

 

Laboratório de SP vai produzir genérico do Viagra

Empresa já recebeu licença da Anvisa

A EMS, maior indústria farmacêutica do Brasil, é o primeiro laboratório a obter licença da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para produzir a versão genérica do Viagra, medicamento que terá sua patente expirada no dia 20 de junho. A Anvisa confirmou a informação e disse ao R7 que a licença está liberada deste 3 de maio.
A empresa aguarda o vencimento dessa patente para disponibilizar o produto no mercado. Segundo Waldir Eschberger Júnior, vice-presidente de mercado da EMS, em declaração por nota, a expectativa da empresa é iniciar essa comercialização já no dia 21 de junho. "Queremos ser o primeiro a chegar às farmácias, pois quem sai na frente sempre acaba liderando as vendas".
O Viagra é um dos medicamentos mais vendidos no país e movimentou cerca de R$ 170 milhões no ano passado. Em âmbito global, essa quantia chegou a R$ 3,3 bilhões (US$ 1,9 bilhão).

A legislação nacional obriga que os genéricos sejam 35% mais baratos do que os medicamentos de referência, mas no caso do genérico do Viagra, a expectativa do laboratório é que essa porcentagem seja ainda maior.

 

Viagra já tem sete candidatos a genérico

Diego Junqueira e Felipe Maia, do R7

                                                                            Foto por Getty Images

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A expectativa é de que os genéricos do Viagra cheguem ao mercado já no próximo mês de junho

Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) já recebeu sete pedidos de registro para a fabricação de remédios genéricos com o princípio ativo Sildenafil, o mesmo do Viagra. Os pedidos foram feitos por cinco laboratórios, mas, "por uma questão de sigilo das informações das empresas", a agência prefere não revelar quais são.

Nesta quarta-feira (28), o STJ (Supremo Tribunal de Justiça) decidiu que a patente do Viagra acaba mesmo neste ano. A decisão, que abre caminho para a produção de genéricos do produto por outros laboratórios, foi tomada por cinco votos a um. É provável que já em junho existam genéricos do remédio.

Antes de autorizar os pedidos, para que os laboratórios produzam o genérico do Viagra, a Anvisa realiza testes de equivalência e de segurança, analisando se o produto tem a mesma qualidade e eficácia do original. Segundo o órgão, não há prazo determinado para que se tome uma decisão sobre o assunto.

A Pfizer, fabricante do Viagra, lutava na Justiça por entender que o prazo da patente deveria vigorar até 7 de junho de 2011. Mas o STJ deu ganho de causa ao Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que defendia que o prazo terminasse em 20 de junho deste ano.

De acordo com a Pró Genéricos (Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos), o Viagra vendeu mais de 2,9 milhões de unidades e faturou mais de R$ 160 milhões somente no Brasil, em 2008. O produto ocupa o posto de 11º remédio mais vendido do país, de acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O presidente da associação, Odnir Finotti, diz que a expectativa é que o preço do remédio caia 35% – hoje, o preço do produto varia entre R$ 25 e R$ 40 cada comprimido. Ele afirma que a decisão de acabar com a patente já neste ano favorece os consumidores. 

– Você terá produtos que funcionam como o patenteado, mas pagando um valor cerca de 35% menos. Com isso, mais pessoas vão ter acesso ao produto. Essa é a razão para essa política de genéricos.

Finotti diz inclusive que, com os pedidos de registro na Anvisa em estágio avançado, é possível que os genéricos cheguem ao mercado já no mês de junho.

– Estamos trabalhando com o horizonte de que no dia seguinte ao fim da patente haverá produtos genéricos no mercado.

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OMS diz que pandemia de gripe H1N1 prossegue

Por Jonathan Lynn

UOL Notícias

gripesuina GENEBRA (Reuters) - A pandemia da gripe H1N1 ainda não terminou, mas sua fase mais intensa já passou em várias partes do mundo, disse a Organização Mundial da Saúde nesta quinta-feira, após uma revisão realizada por especialistas independentes.

O comitê de emergência da OMS, composto por 15 consultores externos, disse que é crucial que os países mantenham sua vigilância com relação à pandemia, o que pode incluir eventuais medidas de saúde pública, conforme nota divulgada pela diretora geral da entidade, Margaret Chan.

"Ainda estamos na pandemia," disse o porta-voz da OMS Gregory Hartl à Reuters.

Chan disse que a atividade da chamada gripe suína deve prosseguir, e o comitê voltará a se reunir em meados de julho para avaliar novos dados relativos ao inverno do Hemisfério Sul, época em que a transmissão da gripe se agrava.

A reunião dos especialistas aconteceu na terça-feira, por teleconferência, mas Chan só divulgou os resultados na quinta porque esperava a versão final do comunicado deles.

Com base nas recomendações do grupo, a OMS manteve o indicador de pandemia em 6, o topo da escala, como ocorre desde junho de 2009.

A próxima reunião dos especialistas irá recomendar se esse nível será mantido, ou decidir que a pandemia passou ou entrou na fase "pós-pico."

A deliberação da OMS sobre o grau da pandemia afeta a forma como os 193 países filiados reagem à doença, inclusive na formação de seus estoques de vacinas e antivirais.

Especialistas da OMS dizem que o vírus continua sendo uma ameaça a algumas pessoas vulneráveis, especialmente grávidas, crianças e portadores de doenças respiratórias. A vacinação continua sendo recomendável para esses grupos.

"A previsão é de que o H1N1 continue sendo o vírus primário ou dominante entre os vírus da ‘influenza’ por um bom tempo," disse Hartl na terça-feira. "Com ou sem pandemia, o H1N1 ainda irá existir."

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País chega a 600 mil usuários de crack e governo lança plano de combate à droga

Promessa é dobrar nº de leitos em hospitais para atendimento de dependentes; em SP, programa no centro internou 240 em 10 meses
Em cinco anos, o número de usuários de crack quase dobrou no Brasil: de 380 mil para 600 mil. O problema agora mobiliza o governo federal, que planeja dobrar o número de vagas para internação de usuários neste ano - de 2,5 mil para 5 mil - e lançou ontem um programa de R$ 410 milhões. Mas se São Paulo, base das ações governamentais anteriores servir de exemplo, o desafio está longe de ser vencido.
O presidente Lula defendeu a ação conjunta de diferentes esferas governamentais e entidades. "Vamos querer que os prefeitos, governadores, sindicatos, igrejas, todos participem, queremos enfrentar isso de modo decisivo", disse. "Mas o desafio será grande porque existem dificuldades clínicas para identificar o problema. A dependência é muito maior do que a de outras drogas e o saber sobre o crack no Brasil ainda é incipiente", observou o sociólogo Luiz Flávio Sapori, coordenador do Centro de Estudos e Pesquisa em Segurança Pública da PUC-Minas, que finaliza estudo sobre o crack na Grande Belo Horizonte.
Há exatos dez meses, teve início a Ação Multidisciplinar Centro Legal, da Prefeitura de São Paulo, esforço concentrado de técnicos da Saúde, Assistência Social e de policiais para atuar de forma concentrada e ininterrupta na região da cracolândia. Foi feito um censo que deu nome a todos os dependentes que vivem na região. São 442. Se considerar aqueles que vagam dias pelo local para usar a droga, a população pode ser multiplicada por cinco. Diariamente, mais de 160 agentes comunitários realizam, em média, 300 abordagens para convencer esse grupo a procurar ajuda. Em dez meses, foram mais de 87 mil abordagens.
Houve 4.463 encaminhamentos a unidades de saúde e 240 internações. Apesar disso, não há números oficiais de pessoas que deixaram o vício. "É diferente da infecção, que pode ser curada. O dependente terá de administrar para sempre o vazio deixado pelo crack", diz o médico Antônio Sérgio Gonçalves, gerente do Caps AD centro. Um dos efeitos visíveis do programa foi que a concentração dos agentes públicos na região acabou dispersando os dependentes para outros bairros da região central. Se no começo eles circulavam entre Campos Elísios e República, agora estão também em Santa Cecília e Higienópolis.
Campanha
A nova iniciativa interministerial deve atuar em três frentes (prevenção, combate e tratamento), com medidas como a instalação de 11 postos de fronteira para combater o tráfico. As ações imediatas incluem uma campanha nacional de conscientização sobre a droga e a promoção de cursos de especialização para profissionais de Saúde. (Bruno Paes Manso e Rafael Moraes Moura - O Estado de S.Paulo - 21/05/2010)

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Vejam algumas fotos

da realidade da nossa juventude!

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Foram apreendidos 500 hambúrgueres estragados no McDonald´s

imagesCALJNPKO NOTA DO IZB: O McDonald´s mais conhecido como símbolo do Imperialismo e o Capitalismo que financiam guerras em todo mundo e também realizam o trabalho de super exploração de seus trabalhadores agora  vendem lanches estragados  e ainda coloca a culpa nos trabalhadores? De uma vida saudável para seus filhos dando lanche natural e não essa droga de lanche do Mcdonld´s.

McDonald´s estou fora!

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Hambúrgueres vencidos são apreendidos em restaurante (Foto: Carolina Iskandarian/G1)

Policiais da 1ª Delegacia de Saúde Pública apreenderam nesta segunda-feira (10) 520 hambúrgueres impróprios para consumo em uma loja do McDonald´s, na região do Jabaquara, Zona Sul da capital. Desse total, 270

Policiais da 1ª Delegacia de Saúde Pública apreenderam nesta segunda-feira (10) 520 hambúrgueres impróprios para consumo em uma loja do McDonald´s, na região do Jabaquara, Zona Sul da capital. Desse total, 270 estavam com prazo de validade vencido em 9 de abril e as outras 250 unidades não tinham a procedência informada. “Até para mim foi uma surpresa. São 40 kg de carne”, disse o delegado Marcelo Jacobucci.
O gerente do restaurante de fast-food, que foi preso em flagrante, responderá por crime contra as relações do consumidor e contra a saúde pública. Ele pagou fiança de R$ 1.500. A loja fica na Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira.
A assessoria de imprensa do McDonald´s informou em nota nesta tarde que "a empresa está colaborando com os órgãos competentes para a apuração dos fatos e reitera que segue procedimentos internacionais de segurança alimentar".
De acordo com o delegado, os hambúrgueres estavam acondicionados na mesma câmara fria onde ficavam outros alimentos próprios para o consumo. “O produto para descarte tem que estar identificado, mas ele estava misturado aos outros. Ele até pode estar na câmara fria (por ser perecível), mas em local reservado e com identificação visível”, completou Jacobucci.
O delegado contou que o gerente da loja tentou explicar a irregularidade, alegando “sabotagem” por parte de algum funcionário ou ex-funcionário. Ainda nesta segunda, Jacobucci afirmou que mandaria um ofício à Vigilância Sanitária, pedindo para que ela fiscalize a loja onde os 520 hambúrgueres foram encontrados.
A investigação na 1ª Delegacia de Saúde Pública começou há dois meses. Jacobucci contou que a incursão na loja da Zona Sul foi a primeira realizada desde então. De acordo com ele, as denúncias são que a rede tem filiais vendendo produtos fora da validade. “Uma mulher até esteve aqui para denunciar isso”, afirmou ele, sobre uma possível vítima. Segundo o delegado, as investigações continuam, mas ele não revelou os próximos passos da equipe.

por Globo.com

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MOSTRA DE FILMES: SAÚDE E TRABALHO 2010

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A mostra de filmes Saúde e Trabalho, idealizada pelo Centro de Referência Regional em Saúde do Trabalhador (CEREST) de Campinas e por seu Conselho Local de Saúde, tem por objetivo promover reflexões acerca de possíveis impactos do trabalho sobre a saúde das populações por meio da reprodução de filmes relacionados às diferentes formas e abordagens do tema ‘Trabalho’ e de debates mediados por profissionais e pesquisadores da área de Saúde e Trabalho. Essa mostra está prevista para acontecer ao longo do primeiro semestre de 2010.

Para o mês de abril, o tema será “Prevenção de Acidente de Trabalho”, a exibição ocorrerá no dia 30/04 (sexta-feira), às 18:30h,

no Museu de Imagem e Som (MIS) de Campinas, localizado à Rua Regente Feijó, 859 - Centro (próximo ao Corpo de Bombeiros).

O OPERARIO (EL MAQUINISTA/ THE MACHINIST)

101’ País : Espanha, 2004

Direção: Brad Anderson

Sinopse: Trevor Reznik (Christian Bale) é um operário que sofre de insônia. Na fábrica onde trabalha, as condições de trabalho oferecem risco. Para Trevor, os perigos são agravados pela fadiga crônica. Notando a aparência estranha, os colegas percebem que algo está errado, mas não dão a devida importância. Um operário perde um braço em um acidente e todos se voltam contra Trevor, considerando-o culpado. Ele encontra bilhetes anônimos em seu apartamento e fica sabendo que o suposto funcionário envolvido no acidente, na realidade, não existe. Trevor agora se empenha em saber se é tudo um plano para deixá-lo louco ou se o cansaço está provocando uma confusão mental.

Debatedores:

Norton Martarello- Engenheiro do Trabalho, Mestre pelo Depto. De Enfermagem da FCM-UNICAMP

Francisco Aparecido da Silva- Secretário Geral do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e Mobiliário

DEBATE SOBRE FAP- FATOR ACIDENTÁRIO PREVIDENCIÁRIO

DATA: 06/05/2010 (QUINTA-FEIRA)

HORÁRIO: 13:30H

LOCAL: AUDITÓRIO CHICO MENDES DO CEREST

ENDEREÇO: Av. Prefeito Faria Lima, 680- Parque Itália- Campinas/ SP

Debatedor:

Prof. Dr. Heleno Rodrigues Correa Filho- Departamento de Medicina Preventiva e Social/ FCM/ Unicamp

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Vacina contra H1N1 causa efeitos colaterais e não previne outras gripes

Como toda pessoa que se preocupa com a saúde, você viu o calendário de vacinação contra o H1N1 (gripe suína), se dirigiu ao posto mais próximo para tomar a vacina e ficou mais tranquilo por estar protegido contra a doença.
Porém, pouco tempo depois da picada, sentiu dores no corpo e uma sensação de mal estar parecida com a que costuma aparecer quando você está com a gripe comum. É aí que surge a dúvida: mas será que estes sintomas são comuns? Se a situação parece familiar ou ao menos você já ouviu falar de um caso assim, não se preocupe.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, as reações observadas em alguns pacientes que tomaram a vacina contra o H1N1 têm explicações simples e não devem causar preocupação: "apesar de sermos bastante parecidos biologicamente, cada indivíduo apresenta características particulares, daí a dor no braço depois da picada ser maior em uma pessoa do que em outra. Além disso, o processo de produção da vacina muda de região para região, o que também pode explicar reações mais intensas em algumas pessoas", explica o infectologista da Unifesp, Celso Granato.

H1N! Variações no processo de produção
Diante da gravidade e da intensidade da epidemia do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) distribuiu a proteína base da vacina contra o H1N1 para diversas empresas do mundo, na tentativa de conseguir imunizar o maior número de pessoas possíveis contra a doença, porém, apesar das vacinas possuírem esta proteína do vírus, que é obrigatória e padrão para qualquer vacina contra este tipo de gripe, a composição da vacina apresenta algumas diferenças de região para região e isso faz com que os efeitos colaterais provocados por ela variem um pouco.
"O padrão estabelecido pela OMS é de 15 microgramas da proteína retirada do vírus, no entanto, algumas empresas usam um produto químico a base de hidróxido de alumínio (chamado de adjuvante) para potencializar o efeito da vacina, o que explica em partes a variação na manifestação dos efeitos colaterais", explica o infectologista da Unifesp.

Quais são os principais efeitos colaterais?
Em geral o paciente pode apresentar dor local, enjoo, dor de cabeça e uma indisposição muito parecida com a que aparece com a gripe comum. "Tratam-se de sintomas leves, sem grandes complicações que somem sozinhos depois de algumas horas ou dias", explica Celso.
Por que dói mais nele do que em mim?
Em geral, a dor no braço que incomoda algumas pessoas não é resultante apenas da variação no processo de fabricação da vacina, mas também da sensibilidade natural de cada um a determinadas intervenções. "Se a pessoa é mais sensível a dor, sentirá mais a picada do que alguém que não sinta grandes incômodos com injeções. A dor é uma reação medida pela capacidade que cada um possui resisti-la", diz Celso. 

alergia_11163_14788 Como saber se são apenas efeitos colaterais e não algo mais sério?
Para diferenciar os efeitos colaterais da vacina de outros quadros clínicos, basta prestar atenção no dia em que os sintomas se manifestam e na duração deles: "os sintomas aparecem em no máximo dois dias depois da vacinação e somem em pouco tempo, sem auxilio de medicamento. Caso haja complicações ou o tempo de duração dos sintomas seja maior que isso, procure um médico, mas a probabilidade de desenvolver outra doença logo após tomar a vacina é bem pequena", continua. 

O sexo ou a idade interferem na intensidade da reação?
Não. O fato de ser homem ou mulher ou a idade da pessoa não interferem na hora de avaliar as reações provocadas pela vacina.
Para ele, algumas crianças talvez sintam um pouco mais de dor por serem mais frágeis, mas em geral, isso não é uma regra.
Uma pessoa vacinada pode ficar gripada?
O infectologista explica que a capacidade de imunização da vacina é de até 80%, logo, é possível pegar a gripe mesmo tendo tomado a vacina, embora as chances disso acontecer sejam bem menores.
"As pessoas acham que a vacina faz milagres, mas isso não é verdade. Apesar de ser o único caminho para evitar uma epidemia, a vacina não garante 100% de imunização. Por isso, a prevenção é essencial", explica Celso.
A vacina também não protege contra outros tipos de gripe. Além disso, ficar exposto aos demais vírus que atingem o trato respiratório ou a alguma doença que enfraquece o sistema imunológico pode levar o paciente a desenvolver quadros clínicos considerados de risco, aumentando as chances de contrair a gripe H1N1, por isso, é preciso cuidado. 

vacinaVacinado sim, doente não!
Uma dúvida muito comum de quem ainda não tomou a vacina contra o H1N1 é a possibilidade de intensificar os sintomas de algum outro quadro clínico em função da vacina.
O infectologista da Unifesp explica que a vacina não tem o poder de intensificar os sintomas de outras doenças, senão os da gripe ou de doenças consideradas de risco como bronquite e outros problemas respiratórios.
"Nestes casos, o recomendado é vacinar o paciente somente depois que a crise passar. Uma pessoa com crise asmática, por exemplo, pode ter este quadro piorado, já que está com a imunidade mais baixa devido à doença", explica Celso. 

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“Derrame” ataca justiça

Escrito por Daniel Chutorianscy

01-Abr-2010 – Correio da Cidadania

O DERRAME continua dizimando estupidamente uma população inteira. Continua "derramando" imprevidência, irresponsabilidade, incompetência neste país. O "derrame", como é popularmente chamado, é o Acidente Vascular Cerebral que, no Brasil, possui uma conotação ambígua: "derrame" é mais um imposto extraordinário. E que imposto extraordinário e cruel a população brasileira paga? Paga com suas vidas ou seqüelas pelas totais e absolutas cegueiras e descaso de governantes atuais ou antigos que optam pela política do "não quero ver, portanto, não existe".

Chega a ser impossível não deixar de ver: o Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou "derrame" mata por ano, pelo menos, 250.000 brasileiros, de acordo com o bem informado canal oficial governamental (TV Globo, programa "Bom Dia Brasil" novembro de 2009) e deixa entre aqueles que sobrevivem uma legião de milhões de seqüelados, que se tornam "invisíveis" para a sociedade. Muita dor, desespero, angústia e frustração. E essas pessoas, ou melhor, cidadãos, continuam lúcidos.

Não existem no país campanhas nacionais de informação e prevenção, existem medicamentos protocolados, mas que não são utilizados nos hospitais públicos, particulares ou conveniados com o SUS que podem reduzir essas terríveis taxas em 50%. Nas Unidades de Saúde, não existem grupos para pacientes "avecerizados" e seus familiares, a exemplo do que ocorre com gestantes, cardiopatas, diabetéticos etc. Por que será?

Chega de "AVECERIZAÇÃO" social, não dá para suportar uma patologia que mata mais do que o câncer, a hipertensão, os acidentes de trânsito. O Brasil não é só campeão mundial de futebol, é campeão mundial de "derrames", como o AVC dos tipos isquêmico (85 %) ou hemorrágico (15%) que atingem qualquer faixa etária, como também de impunidade, injustiças sociais, morais e intelectuais.

Tudo representado por um sistema de saúde (???) que privilegia a doença, a morte, o consumo de álcool, fumo, alimentos contaminados (o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, os transgênicos estão em todos as mesas dos brasileiros), as drogas (lícitas ou não), baixíssimos salários, contaminação do meio ambiente, hipertensão, diabetes, o "estresse" diário pela sobrevivência. Saúde, pois não?

O ataque à justiça

Uma ação popular, de abrangência nacional (impetrada em 25 de março de 2010 na 30ª Vara da Justiça Federal no Rio de Janeiro), tem como réus o governo federal e o Ministério da Saúde, ajuizada pelo autor deste artigo, defendida corajosa e brilhantemente pelo advogado Dr. Carlos Alberto Escobar, resolve questionar a omissão, incompetência, despreparo dessas instituições em tão grave caso de Saúde Pública, ou melhor, Doença Pública, um verdadeiro caso de Segurança Nacional, que mata do que "tsunamis", tufões ou guerras anualmente.

Uma guerra nacional de morticínios e massacres a cada dia do ano. "Saúde é bom e todo mundo quer mais". O que a ação popular exige de imediato: campanhas nacionais de informação e prevenção; diagnóstico rápido e eficiente; que hospitais públicos conveniados com o SUS e particulares tenham o medicamento adequado (trombolíticos, que desfazem trombos, uma "espécie" de entupimento no circuito cerebral, eficiente em mais de 60% dos casos se usado convenientemente até quatro horas após o AVC); grupos de pacientes "avecerizados" e seus familiares nas Unidades de Saúde, formando um Programa de Prevenção e Tratamento de AVC.

A Ação Popular é o único meio de o cidadão penetrar no "jurássico" sistema burocrático, elitista, autoritário e perverso. É claro, encontraremos muitas formas de resistência: a covardia, o clientelismo, o lucro, a indústria da doença, o "deixar de ver".

A Ação Popular não é uma mágica, é só um instrumento legal para tentar construir o óbvio, reposicionar aquilo que devia ter sido feito, "desavecerizar" a sociedade à qual pertencemos e "derramar" saúde, justiça e principalmente cidadania.

Mas, além da Ação Popular, é preciso muita pressão popular, numa ação que desmascare essa incompetência "dinossáurica", que surpreende a todos. Que o Ministério da Saúde produza verdadeiramente saúde, e não a institucionalização da doença, que o governo federal não governe pelos ditos orçamentos, quase todos hiperdimensionados pelo clientelismo e falcatruas, e sim pelas necessidades da população brasileira.

Finalizando

Chego a pensar que país é este, cujos cidadãos têm que entrar na justiça pelo óbvio, reivindicando o que já devia ter sido feito há muito tempo? Entrar na justiça por um preceito constitucional, que nunca foi realizado, ficou "esquecido", ninguém viu, ninguém sabe…

Pensem comigo: se essa ação demorar dez anos para chegar a uma solução (quem sabe qual?), terão morrido dois milhões e quinhentos mil brasileiros, ou mais, e talvez um número quatro vezes maior de seqüelados continuarão invisíveis mostrando sua face entristecida , esperando justiça e cidadania. Dessa questão nenhum de nós escapa: ricos, pobres, idosos, jovens, todos somos grupos de risco, e sem nenhuma proteção, informação e medicamentos adequados.

A AÇÃO POPULAR DERRUBA O DERRAME!

Daniel Chutorianscy é médico em Niterói, sofreu um AVC recentemente, não teve nenhuma chance usar o trombolítico, voltou a trabalhar com seqüelas, criou o Grupo AVC-PULANDO A CERCA, em agosto de 2009, que significa "dar visibilidade" e não a sacanagem habitual dos "derramadores" de falsas promessas, tornando-se referência para pacientes "avecerizados" e seus familiares, sendo o único apresentador de TV pós- avecerizado, no programa "Pulando a Cerca", canal 17 da NET – UNITEVE, o canal da UFF.

Contato: trenzinhocaipira@vnet.com.br

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Blitz flagra irregularidade em agrotóxicos na Syngenta, Basf e Bayer, entre outras

Fiscalizações em empresas produtoras apontam uso de substâncias proibidas e mudança de fórmulas sem autorização. Syngenta vende produto proibido, banido no Brasil, Estados Unidos e em outros países

 

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22 de março de 2010

ANGELA PINHO

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA – Foilha de São Paulo – Caderno Dinheiro

Postado: Químicos Unificados

Fiscalizações feitas pelo governo federal nas principais produtoras de agrotóxicos do Brasil encontraram irregularidades que vão do uso de substâncias proibidas a mudanças de fórmulas sem autorização. O país, um dos líderes agrícolas do planeta, é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo.
São produtos que, se mal formulados e usados incorretamente, podem causar danos à saúde e às culturas em que são utilizados, diz Agenor Álvares, diretor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Segundo a agência, foram detectados problemas nas seis companhias fiscalizadas, incluindo as três maiores do mundo: Syngenta, Bayer e Basf. Juntas, cinco das seis respondem por 55% do mercado mundial, segundo estudo de Victor Pelaez, da Universidade Federal do Paraná.

Ato do MST na Syngenta-Paulínia pelo assasinato de
trabalhador rural (Foto Arquivo nov-2007)

As pessoas mais vulneráveis aos produtos presentes em agrotóxicos são os trabalhadores rurais, que lidam diretamente com eles. Dados da Fiocruz mostram que, em 2007 (dado mais recente), 3.306 pessoas sofreram intoxicação pelos produtos por acidente ou por uso durante o trabalho. Dessas, 23 morreram.
Riscos à população
O problema pode chegar ao consumidor final caso ele coma alimentos altamente afetados e em grande quantidade.
Além de alterações nas fórmulas, outros achados das operações feitas com a Polícia Federal (PF) foram produtos com nível tóxico acima do limite, problemas no controle de qualidade e substâncias fora da data de validade.
Mais de 9 milhões de litros de agrotóxicos foram interditados -o equivalente a quatro piscinas olímpicas. A suspensão é válida até que a empresa comprove a segurança do produto ou faça as adequações exigidas.
As fiscalizações foram transformadas em procedimentos administrativos, nos quais as empresas estão se manifestando sobre as irregularidades apontadas. O primeiro teve seu desfecho neste mês e resultou em multa de R$ 2,4 milhões à Milenia Agrociências, a sétima maior do mundo.
Entre outros problemas, a empresa vendia um produto, o Podos, classificado como moderadamente tóxico, mas análise laboratorial realizada pela PF e pelo Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, constatou que ele era extremamente tóxico. Usado na cultura de folhas de tabaco, teve o registro cancelado.
Segundo Eloísa Caldas, professora de toxicologia da Universidade de Brasília, a classificação toxicológica é importante para que o trabalhador que manipula o produto saiba o grau de cuidado que deve ter.
Alterados sem autorização
Ao todo, de acordo com a Anvisa, quatro empresas alteraram as fórmulas de seus produtos sem análise e autorização. Nesse caso, diz Caldas, se a nova formulação influir no potencial de absorção do agrotóxico pela planta, é possível que o alimento acabe chegando ao consumidor com mais resíduos químicos que o recomendado.
Produto proibido
A fiscalização, segundo a Anvisa, deparou-se até com um agrotóxico proibido. Na Syngenta, a agência diz ter descoberto a venda da cihexatina.
Muito usada anteriormente na cultura de cítricos, ela foi banida do Brasil em junho de 2009 após estudos com animais apontarem risco de malformações fetais. O Estados Unidos e China, entre outros países, já haviam tomado a mesma decisão.
Foi estabelecido um prazo de transição segundo o qual até 2011 o produto poderia ser usado, mas só no Estado de São Paulo. Mais de três meses depois da proibição, no entanto, a Anvisa constatou que o produto estava sendo vendido para Minas Gerais.
Na mesma empresa, a fiscalização colocou em dúvida análises técnicas de alguns dos produtos. Isso porque os documentos tinham datas anteriores à fabricação dos lotes que deveriam analisar.
As blitze também constataram suspeitas relacionadas às datas de validade dos produtos.
Na Nufarm, a oitava maior do setor, a Anvisa diz ter encontrado agrotóxicos vencidos havia quatro anos sendo utilizados para novas formulações.
Segundo Caldas, o uso de um agrotóxico vencido pode afetar principalmente o produtor rural, reduzindo a eficácia.
Embora a Anvisa tenha surgido em 1999, as fiscalizações nas fábricas de agrotóxicos só começaram a ser feitas no ano passado. Segundo Agenor Álvares, diretor desde 2007, isso se deve à necessidade de contratar e capacitar servidores.

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Venezuela cria fábrica de vacinas em colaboração com Cuba

Por: Prensa Latina

vacina na venezuela Caracas (Prensa Latina) Uma fábrica venezuelana de vacinas, projeto desenvolvido com assessoria de Cuba, estará pronta dentro de três meses com o fim de sustentar os programas nacionais de imunização, confirmou a vice-ministra de Saúde, Eugenia Sader.

Entre as prioridades, acrescentou, sobressai a posta em funcionamento de uma linha de produção para obter a vacina pentavalente, que protege contra cinco doenças.

Sader comentou a Prensa Latina que a maioria das doses profilácticas aplicadas na nação são adquiridas na Bélgica, Dinamarca, Inglaterra, França e Cuba, provedora da vacina contra a hepatite B.

A nova indústria edifica-se em virtude das necessidades nacionais e da América do Sul, assegurou.

A oficial destacou que esse esforço demonstra o cumprimento do mandato constitucional relacionado com a produção de insumos depois de um país verdadeiramente soberano, e a vontade para desenvolver a medicina preventiva.

Venezuela impulsiona o plano nacional de imunização, o qual protegerá a uns 20 milhões de cidadãos contra 14 doenças mediante a aplicação gratuita de 10 vacinas.

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Agroquímicos: os venenos continuam à nossa mesa

Henrique Cortez

agrotoxicos

 

Já discuti este tema antes, mas, diante do continuado crime de nosso envenenamento alimentar, acho necessário retomar a discussão e atualizar as informações e referências.

A agricultura "tradicional" se orgulha de produzir alimentos mais do que suficientes para alimentar o planeta e a indústria química se orgulha de ter desenvolvido os insumos utilizados para isto.

Devemos nos perguntar qual é o real custo social, ambiental e de saúde desta grande produção ‘aditivada’ com agroquímicos. Quem arca com as conseqüências e quem realmente paga por isto?

Não pretendo discutir o manejo do solo, a sua utilização intensiva e extensiva, a ponto de o solo precisar de permanente aplicação de fertilizantes ou de que a produção animal seja um exemplo do horror da exploração desumana.

Prefiro falar do nosso longo e lento envenenamento diário. Prefiro discutir a comida que nos mata.

Há algum tempo assisti a um telejornal no qual um produtor de morangos, do interior de São Paulo, declarou (devidamente protegido pelo anonimato) que não consumia o morango que produzia por causa dos agrotóxicos. Deste dia em diante passei a estar mais atento ao veneno na minha mesa.

A maior parte dos vegetais e frutas não recebe inseticidas sistêmicos (que são absorvidos e fixam-se na seiva). Eles são mais usados em grãos e sementes, além de algumas culturas perenes. De fato, a nossa feira cotidiana pode e deve ser ‘desintoxicada’ com uma cuidadosa lavagem, mesmo os fungicidas do tomate, morango, figo, uva etc.

Assim, em tese, ficamos com a responsabilidade de ‘descontaminar’ os alimentos vegetais, lavando-os de forma cuidadosa e disciplinada, algo que poucos têm tempo de fazer.

Qual o risco que corremos com aquele ‘pouquinho’ que ficou, que ‘escapou’ da lavagem? Ninguém sabe, e a agricultura comercial, a indústria agroquímica, pouco se importa com isto.

Para colocar o tema em discussão, nem será preciso nada mais do que fazer um rápido e pequeno balanço do que já publicamos.

A intensa utilização de agrotóxicos na nossa agricultura foi claramente demonstrada no Censo Agropecuário 2006, confirmando que quase 80% de proprietários rurais usam agrotóxico

Uma pesquisa da Fiocruz, em Pernambuco, identificou a presença de parasitos em 96,6% das amostras de alface coletadas em supermercados e feiras livres da cidade. E isto nas alfaces cultivadas pelo método tradicional, o orgânico e hidropônico

No Japão, em setembro/2009, o arroz importado da China contaminado com pesticida e fungo levou ministro da Agricultura a renunciar. Neste lamentável caso de ganância irresponsável (mais uma dentre tantas), o arroz foi importando para uso industrial, na produção de colas, mas funcionários da Mikasa Foods desviaram o lote para produção de comida, que contaminada por pesticida e fungo foi servida em escolas, restaurantes, hospitais, lojas e lanchonetes

O imenso volume de herbicidas aplicados no Brasil contamina os solos, os mananciais e até mesmo o aqüífero Guarani. A contaminação dos mananciais e aqüíferos também chegará até nós pela água que bebemos e pelos produtos agrícolas irrigados com a água contaminada

Um estudo do U.S. Geological Survey demonstrou que seis agrotóxicos persistentes foram encontrados nos poços em todo os EUA. Se esta tragédia tóxica acontece mesmo sob rígido controle, imaginem do lado de baixo do Equador

Um outro estudo nos EUA demonstrou a contaminação da água de poços domésticos, o que não deve ser muito diferente por aqui, principalmente nas zonas rurais, intensamente expostas pela aplicação dos agrotóxicos

Até mesmo os produtos orgânicos podem ser contaminados indiretamente, como é o caso dos antibióticos usados em animais e que são absorvidos pelas hortaliças cultivadas em solo adubado com resíduos animais. A agricultura orgânica é intensa utilizadora da adubação orgânica

O abusivo uso de antibióticos levou a Coréia do Sul a rejeitar frango contaminado com antibióticos procedente do Brasil. Se isto acontece com o frango de exportação, o que acontecerá com o frango consumido por aqui mesmo?

O tema da contaminação por antibióticos foi muito bem discutido no artigo "Antibióticos, o mal que entra pela boca do homem", de Ana Echevenguá

Nem mesmo o mel está protegido de contaminação, como demonstrou a revista alemã Öko-TEST, de 02/01/2009, que, a partir de testes em laboratório, identificou uma generalizada contaminação do mel por transgênicos e agrotóxicos

A contaminação das abelhas é um desastre global que ameaça a produção de alimentos. A segurança alimentar está ameaçada e a crise alimentar pode adquirir contornos ainda mais trágicos se a maciça morte de colônias inteiras de abelhas continuar no ritmo atual. Sem este pequeno inseto polinizador os efeitos na produção agrícola podem ser devastadores

Poucas pessoas sabem que as abelhas prestam serviços ambientais muito mais relevantes do que a mera produção de mel. As mais de 20 mil espécies de abelhas polinizam a floração de, pelo menos, 90 culturas, tais como maçãs, nozes, abacates, soja, aspargos, brócolos, aipo, abóbora e pepino, laranjas, limões, pêssegos, kiwi, cerejas, morangos, melões, milho etc.

Como já havia ocorrido com o tomate, a batata, o figo e o morango, também a uva recebe grandes doses de agrotóxicos. Uma pesquisa da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul sobre o efeito de agrotóxicos em vinicultores do Rio Grande do Sul revelou altos índices de intoxicação

Falando em uva, uma pesquisa comprovou que a exposição de ratas grávidas ao fungicida vinclozolin provocou inflamação na próstata dos filhos quando adultos. Este é um fungicida muito utilizado em uvas

Poucas pessoas percebem que estamos expostos a um coquetel de diversos agrotóxicos, que não são testados, em termos de segurança, para exposição associada

O tema do envenenamento cotidiano foi debatido com clareza e precisão nos artigos "Agrotóxicos: O holocausto está aqui, mas não o vêem", de Graciela Cristina Gómez, e "Agrotóxicos: poluição invisível", de Márcia Pimenta

Uma pesquisa norte-americana demonstrou que pesticidas comuns na agricultura comercial, que podem ‘atacar’ o sistema nervoso central dos salmões, tornam-se ainda mais mortais quando combinados com outros pesticidas

Cientistas do NOAA Fisheries Service e da Washington State University esperavam entrar efeitos perigosos nos pesticidas acumulados na água, mas ficaram surpresos com a sinergia mortal de algumas combinações de pesticidas, mesmo quando combinados em níveis considerados baixos.

Resultado comparável foi obtido com a exposição de anfíbios e pesquisadores; mesmo baixas concentrações de pesticidas podem ser tóxicas quando vários produtos são misturados

Se isto acontece com peixes e anfíbios, por que não com outros animais? Incluídos os humanos que são envenenados e com os desumanos que nos envenenam.

Também nos EUA, duas novas pesquisas, publicadas na edição online da revista Journal of Chromatography B, indicam que o leite nos EUA e Europa pode estar contaminado com estrogênios e com fármacos de uso veterinário

A lista de acusações contra os agrotóxicos é imensa. Sabemos, graças a pesquisas científicas, que o pesticida Dieldrin é associado ao câncer de mama e que pesticidas podem afetar a fertilidade feminina. Os pesticidas, também, são relacionados a tumores cerebrais em mulheres.

Pesquisa da Fiocruz identificou que a exposição a agrotóxicos causa declínio no nascimento de homens em cidades do Paraná

A intensa utilização de agrotóxicos no Brasil é ainda mais irresponsável do que nos EUA e na Europa. Em primeiro lugar porque o agricultor brasileiro usa mais agrotóxicos do que o necessário. Em segundo, porque, no Brasil, importamos agrotóxicos proibidos nos próprios países onde são produzidos

E, em terceiro, porque um levantamento do Ministério da Agricultura detectou que agricultores estão utilizando agrotóxicos irregulares em pelo menos 61 hortaliças e frutas produzidas no Brasil. Os agrotóxicos registrados para o tomate, por exemplo, estão sendo utilizados para combater ervas daninhas e pragas da berinjela. A maior parte destes alimentos faz parte da dieta alimentar diária dos brasileiros

Como se não bastasse a importação e utilização legal de agrotóxicos proibidos nos próprios países onde são produzidos, ainda são utilizados agrotóxicos ilegais, contrabandeados e sem qualquer controle de toxidade, como noticiamos na matéria "O veneno à nossa mesa: Polícia Federal realiza operação de repressão ao contrabando de agrotóxicos ilegais"

Para aumentar o caos venenoso, ainda há quem adultere a formulação de agrotóxicos autorizados, como ocorreu quando a fiscalização da Anvisa apreendeu 1 milhão de litros de agrotóxicos adulterados na Bayer

Mas este foi apenas mais um caso, porque, em agosto/2009, a Anvisa já havia apreendido 950 mil litros de agrotóxicos adulterados e interditado a linha de produção de cinco agrotóxicos da empresa Iharabras S.A Indústria Química, integrante de um conglomerado japonês.

Antes disso, operação simultânea da Anvisa e Polícia Federal apreendeu 2,5 milhões de litros de agrotóxico adulterado e interditou a linha de produção de cinco agrotóxicos da empresa Milenia Agrociencias S/A, filial do grupo israelense Makhteshim Agan.

Observem, nestes três casos mais recentes, que não estamos falando de laboratórios clandestinos ou ‘empresas de garagem’, mas de grandes multinacionais. Por aí imaginem o que se produz e se adultera em estabelecimentos clandestinos.

A Anvisa, em abril/2008, divulgou o resultado do monitoramento de agrotóxicos em alimentos. O tomate, o morango e a alface foram os alimentos que apresentaram os maiores números de amostras irregulares referentes aos resíduos de agrotóxicos, durante o ano de 2007. Os dois problemas detectados na análise das amostras foram teores de resíduos acima do permitido e o uso de agrotóxicos não autorizados para estas culturas. Já a batata e a maçã tiveram redução no número de amostras com resíduos de agrotóxicos

Fazendo um balanço deste criminoso e continuado envenenamento cotidiano, uma excelente reportagem de Nilza Bellini, na Revista Problemas Brasileiros, nº. 394, denunciou que o Brasil é campeão mundial de envenenamento e que os pesticidas intoxicam trabalhadores rurais e contaminam alimentos

Bem, a lista de ‘desastres’ seria infinita e esta, creio, já é suficiente para uma rápida reflexão.

Aqui volto à minha questão inicial: qual é o real custo social, ambiental e de saúde desta grande produção ‘aditivada’ com agroquímicos? Quem arca com as conseqüências e quem realmente paga por isto?

Pagamos nós, com nossa saúde e nossas vidas, mais este ‘subsídio’ aos que dizem alimentar o mundo.

Sinceramente, não me sinto grato pelo ‘imenso favor’ de nos alimentarem. Alimentam, é fato, mas colocam o veneno à nossa mesa.

Henrique Cortez é ambientalista e coordenador do Portal EcoDebate

Correio da Cidadania

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ESTRATÉGIA DE VACINAÇÃO CONTRA O VÍRUS INFLUENZA PANDÊMICA (H1N1) 2009

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MINISTÉRIO DA SAÚDE

SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE

DEPARTAMENTO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

ESTRATÉGIA DE VACINAÇÃO CONTRA O VÍRUS INFLUENZA PANDÊMICA (H1N1) 2009

INFORMAÇÕES BÁSICA – PERGUNTAS E RESPOSTAS

 

1) O que é influenza A (H1N1)?
É uma doença respiratória aguda , causada pelo vírus pandêmico (H1N1) 2009. Este novo subtipo do vírus da influenza, do mesmo modo que os demais, e é transmitido de pessoa a pessoa, principalmente por meio da tosse ou espirro e do contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas.

2) O que significa H1N1?
As letras correspondem às duas proteínas da superficie do vírus: H:
Hemaglobulina e N: Neuraminidase . O numero 1 corresponde a ordem em que cada uma das proteínas foi registrada, significando que ambas as proteínas tem semelhanças com os componentes do vírus que já circulou anteriormente, quando da pandemia de 1918-1919.

3) Qual a diferença entre a gripe comum e a influenza pandêmica (H1N1) 2009?
Elas são causadas por diferentes subtipos do vírus influenza. Os sintomas são muito parecidos e se confundem: febre repentina, tosse, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações e coriza. Por isso, ao apresentar estes sintomas, seja pela gripe comum ou pela nova gripe, deve-se procurar seu médico ou um posto de saúde.

4) Esse vírus influenza pandêmico (H1N1) 2009 é mais violento e mata mais do que o vírus da gripe comum?

Até o momento, o comportamento da nova gripe se assemelha ao da gripe comum. Ou seja, o vírus pandêmico (H1N1) 2009 não se apresentou mais violento ou mortal, na população geral. A maioria absoluta das pessoas que adoece, seja pela gripe comum, seja pela gripe pandêmica, desenvolvem formas leves da doença e se recuperam, mesmo sem uso de medicamentos. Para ambas as gripes pessoas com doenças crônica, gestantes e crianças menores de dois anos são mais vulneráveis. Mas quando consideramos a população jovem previamente saudável, este vírus pandêmico tem um maior potencial de causar doença grave, quando comparado com o vírus da gripe comum. Por outro lado, o vírus pandêmico tem acometido menos as pessoas maiores de 60 anos. Mas ainda são necessários estudos mais aprofundados que estão sendo realizados, em todo o mundo, para esclarecer o comportamento do novo vírus.

5) Qual vacina será utilizada contra o vírus influenza pandêmica (H1N1) 2009?

O Ministério da Saúde adquiriu as doses de três laboratórios: Glaxo Smith Kline (GSK), SANOFI Pasteur (em parceria como Instituto Butantan) e Novartis. Esses laboratórios são fornecedores de vacinas para todos os países.

6) Se o processo de desenvolvimento de uma vacina costuma ser longo, como foi possível produzir a vacina pandêmica tão rapidamente?

Os laboratórios já tinham experiência com a produção da vacina contra os vírus de influenza sazonal (vacina administrada anualmente nos idosos no Brasil), e estes investiram em tecnologia num processo de preparação para a produção de uma vacina para a prevenção do vírus pandêmico (H1N1) 2009. O Brasil, por exemplo, fez investimentos na adequação do processo de produção pelo Instituto Butantan.

7) A vacina a ser utilizada no Brasil é segura?

A vacina a ser utilizada é segura e já está em uso em outros países. Não tem sido observada nesses paises uma relação entre o uso da vacina e a ocorrência de eventos adversos graves.

Ressalte-se, entretanto, que a garantia da vacinação segura está relacionada, também: (i) ao uso de seringas e agulhas apropriadas; (ii) à adoção de procedimentos seguros no manuseio, no preparo e na administração da vacina, conforme normas técnicas estabelecidas; (iii) à conservação da vacina na temperatura adequada, conforme preconizado; (iv) ao manejo e ao destino adequado dos resíduos da vacinação (seringas, agulhas etc.); e (v) à qualidade da capacitação do pessoal envolvido, bem como da supervisão ao trabalho de vacinação.

Além disso, considera-se como fundamental o monitoramento de eventos adversos associados temporalmente à vacinação, identificando-os, notificando-os, investigando-os e confirmando a sua real vinculação à vacina contra a influenza pandêmica.

8) A vacina a ser utilizada no Brasil é efetiva?

A vacina registra uma efetividade média maior que 95%. A resposta máxima de anticorpos se observa entre o 14º e o 21º dia após a vacinação.

9) Como a vacina é apresentada?

A vacina é acondicionada em frascos múltidoses, contendo 10 doses. Uma dose correspondendo a 0,5 ml.

a) A do Laboratório Sanofi Pasteur/Instituto Butantan é apresentada na forma de suspensão (líquido opalescente, transparente e incolor).

b) A do Laboratório GSK vem acondicionada em dois frascos (um com a suspensão (antígeno) e o outro com a emulsão (adjuvante) - líquido esbranquiçado homogêneo), sendo preparados momentos antes da administração.

c) A da Novartis é apresentada em frasco multidoses (10 ou 17 doses), na forma de suspensão.

10) O Brasil vai utilizar vacina inalável? Há diferenças entre a inalável e a injetável?

No momento não está previsto o uso de vacina inalável. A diferença entre uma e outra refere-se à forma de apresentação e de administração.

11) Então o Brasil vai utilizar somente vacina injetável?

Sim. A vacinação proposta utilizará a vacina injetável, administrada por via intramuscular, ou seja, com a introdução da solução dentro do tecido muscular.

12) Qual a quantidade de vacina adquirida pelo Ministério da Saúde?

O Ministério da Saúde adquiriu cerca de 113 milhões de doses, para administração da população em etapas distintas.

13) O que é adjuvante?

É uma substância (ou substâncias) imuno-estimulante que entra na composição de uma vacina.

14) Qual o custo da vacina?

O Ministério da Saúde está investindo recursos da ordem de R$ 1,3 bilhão para a compra das vacinas.

15) Qual o objetivo da vacinação a ser realizada no Brasil?

O objetivo dessa operação de vacinação é: i) proteger alguns grupos de maior risco de desenvolver doença grave ou evoluir para morte durante a segunda onda da pandemia influenza H1N1; ii) garantir o funcionamento dos serviços para atendimento ininterrupto dos casos suspeitos ou confirmados da Influenza H1N1, por meio da vacinação dos trabalhadores de saúde.

16) Quais são os grupos de maior risco?

Até o momento estão definidos como grupos de maior risco:

a) a população indígena aldeada;

b) as gestantes;

c) pessoas portadoras de doenças crônicas;

d) crianças maiores de seis meses até os dois anos de idade e

e) a população de 20 a 39 anos.

17) Quais as evidências que levaram o Ministério da Saúde a selecionar esses grupos como os prioritários para a vacinação? São efetivamente os mais acometidos ou de maior risco?

a) Os trabalhadores da saúde envolvidos na resposta à pandemia necessitam ser protegidos para garantir o funcionamento dos serviços de saúde, ou seja, não se pode correr o risco de um possível colapso de atividade essencial, como pronto atendimento, vigilância em saúde, laboratório etc., porque o profissional foi atingido pela pandemia.

b) Entre as mulheres em idade fértil que apresentaram síndrome respiratória aguda grave (SRAG) por influenza pandêmica, 22% eram gestantes.

c) Entre os casos de SRAG por influenza pandêmica (H1N1)2009, aproximadamente 35% apresentou alguma comorbidade. Dentre os que apresentaram uma ou mais comorbidades, o grupo de doenças respiratórias crônicas foi o mais frequente, com 24,4% dos registros, seguido de doenças cardiovasculares,e outras doenças crônicas.

d) Os indígenas são considerados grupo prioritário seja pela maior vulnerabilidade a infecções, seja pela maior dificuldade de acesso às unidades hospitalares, caso necessitem.

e) As crianças menores de dois anos apresentaram a maior taxa de incidência de SRAG por influenza pandêmica (H1N1) 2009.

f) os jovens entre 20 e 29 anos foram o grupo etário mais acometido, representando 24% do total de casos de SRAG por influenza pandêmica (H1N1) 2009.

g) os adultos entre 30 e 39 anos foram o grupo etário mais acometido em relação a mortalidade, representando 22% do total dos óbitos de SRAG por influenza pandêmica (H1N1) 2009.

18) Por que não haverá vacinação de toda população?

a) A vacinação em massa para a contenção da pandemia não é o foco da estratégia estabelecida para o enfrentamento da segunda onda pandêmica em todo o mundo. Por um motivo simples, esta contenção não é mais possível em todo o mundo.

b) São objetivos primordiais para esta vacinação proteger os trabalhadores de saúde, de modo a manter o funcionamento dos serviços de saúde envolvidos na resposta à pandemia, e para alguns grupos selecionados reduzir o risco associado à pandemia de influenza de desenvolver doença grave e morrer.

c) Na vigência da pandemia no Brasil e em outros países, esses grupos foram evidenciados como os de maior risco de apresentarem complicações graves e mortes por infecção pelo vírus Influenza A H1N1 (2009), como já evidenciado acima.

e) Além disso, não há disponibilidade do produto em escala mundial em quantidade suficiente para atender a toda a população do mundo. E há, também, a limitação da capacidade de produção por parte dos laboratórios produtores, para entrega em tempo oportuno, ou seja, antes do inicio da segunda onda nos países do hemisfério sul.

19) Por que então estão sendo incluídos no público alvo da estratégia grupos de população saudável?

É que o Brasil decidiu ir mais além do que o recomendado pela OMS que era vacinar apenas os quatro grupos que apresentaram maior risco (trabalhadores de saúde, gestantes, população indígena e pessoas com doenças crônicas preexistentes).

Fundamentado em critérios epidemiológicos, descritos acima ( pergunta 17)  ampliou o público alvo, incluindo grupos de pessoas saudáveis.

Nas Américas, além do Brasil, apenas Estados Unidos e Canadá adotaram essa iniciativa, demonstrando assim, o esforço brasileiro em vacinar a maior quantidade de indivíduos com risco de desenvolver formas graves ou morrer por esta doença.

20) A vacinação acontecerá em que período? Onde?

A vacinação acontecerá no período de 8 de março a 21 de maio de 2010, perfazendo nove semanas de trabalho, e acontecerá ao mesmo tempo em todo território nacional.

21) Como será feita a vacinação?

Os grupos de maior risco, apontados na pergunta 6, serão vacinados em etapas. Serão quatro etapas envolvendo, em cada uma, um ou mais de um desses grupos, de acordo com o seguinte cronograma:

Etapas e grupos selecionados

Período de realização

1ª Etapa

8 a 19 de março

Trabalhador de saúde (1)

População indígena aldeada

2ª Etapa

22 de março a 2 de abril

Gestante em qualquer idade gestacional

Doentes crônicos

Crianças com idade entre seis meses a menor de dois anos

3ª Etapa

5 a 23 de abril

População de 20 a 29 anos

4ª Etapa

24 de abril a 7 de maio

População com mais de 60 anos com doenças crônicas

5ª Etapa

10 a 21 de maio

População de 30 a 39 anos

Fonte: CGPNI/DEVEP/SVS/MS

22) Por que vacinar os trabalhadores de saúde?

A vacinação dos trabalhadores de saúde tem como principal finalidade proteger esse grupo de modo a garantir o funcionamento dos serviços de saúde na eventualidade de uma segunda onda da pandemia, ou seja, com os profissionais protegidos não haverá risco de colapso no atendimento da população pela rede de serviços.

23) Quem são esses trabalhadores de saúde?

São aqueles que estão na rede de serviços prestando atendimento diretamente à população, ou seja, são aqueles que, em razão das suas funções, estão sob potencial risco de contrair a infecção pelo H1N1 no contato com possíveis suspeitos da doença.

Nesse sentido estão aí incluídos os trabalhadores da atenção básica (estratégia saúde da família e modelo tradicional), dos serviços de média e alta complexidade (pequeno, médio e grandeporte) e aqueles que atuam na vigilância epidemiológica, especialmente na investigação de casos e no laboratório, cuja ausência por ter contraído influenza poderia vir a comprometer o funcionamento do serviço e o atendimento à população.

24) Quando os trabalhadores de saúde serão vacinados?

A vacinação dos trabalhadores de saúde acontecerá nas duas primeiras semanas da operação, ou seja, no período de 8 a 19 de março.

25) Se a vacinação não vai cobrir 100% dos trabalhadores de saúde como será feita a seleção?

As equipes estaduais e municipais já realizaram o levantamento e a localização do grupo alvo da campanha e definiram a estratégia local para vacinar esse grupo.

É importante que todos os trabalhadores busquem informação nos seus serviços e na Secretaria Municipal ou na Secretaria Estadual de Saúde para tomar conhecimento sobre esses detalhes da vacinação.

26) Por que vacinar a população indígena aldeada?

A população indígena aldeada é sempre considerada como grupo prioritário na prevenção de qualquer doença respiratória. Os indígenas são considerados grupo prioritário seja pela maior vulnerabilidade a infecções, seja pela maior dificuldade de acesso às unidades hospitalares, caso necessitem

A vacinação iniciará no dia 8 de março e irá até 19 de março, dentro de uma programação que já é rotina no âmbito do Programa Nacional de Imunizações (PNI), em articulação com a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) e com o apoio de outras instituições, a exemplo da chamada ‘Operação Gota’ efetivada por intermédio de cooperação com o Comando da Aeronáutica – Comando-Geral de Operações Aéreas (COMGAR) – como estratégia para alcançar grupos que residem em locais de difícil acesso geográfico.

A vacinação será indiscriminada para a toda população aldeada, a partir dos seis meses de idade. As doses administradas a partir de 15 de fevereiro de 2010 na população indígena serão consideradas como ‘doses de campanha’ para fins de registro no sistema de informação.

27) Por que vacinar a gestante se não há indicação da vacinação deste grupo com a vacina da gripe comum (sazonal)?

a) Não há nenhuma contraindicação à vacinação de gestantes com a vacina utilizada contra a influenza sazonal (gripe comum), mas ela não é feita nas campanhas anuais pelo fato de se priorizar um grupo de maior risco que é a população de 60 anos e mais – e grupos específicos que se vacinam nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).

b) As gestantes são consideradas como grupo de risco para a influenza pandêmica H1N1 (2009) Durante a pandemia dentre as mulheres em idade fértil que apresentaram a síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em decorrência da influenza A H1N1, 22% eram gestantes.

28) Não há, portanto, risco para a gestante e para o feto? Não há risco de aborto?

a) Não há risco em vacinar grávidas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e de acordo com os padrões de segurança declarados pelos laboratórios produtores, a vacina contra o vírus influenza A H1N1 é segura para a gestante.

b) Não há, de outro modo, evidências de que a vacina possa causar dano ao feto ou afetar a capacidade reprodutiva, ou, também, sobre a ocorrência de aborto provocado pela vacina nos países em que esta foi administrada para o enfrentamento da pandemia.

29) A vacinação da grávida é feita em qualquer idade da gestação?

Sim, como será utilizada a vacina que não contém o adjuvante, essa vacina é indicada para qualquer idade gestacional. A vacina que contém o adjuvante só poderia ser administrada a partir do 2º trimestre da gravidez.

O Ministério da Saúde optou, então, por vacinar a gestante somente com a vacina sem adjuvante por dois motivos: (1) para não atrapalhar a operacionalização da vacinação e (2) para evitar que qualquer intercorrência na gestação de mulher inadvertidamente vacinada antes do 2º trimestre da gravidez com a vacina que contém o adjuvante viesse a ser atribuída à vacina.

30) Por que as grávidas não podem tomar a vacina com adjuvante?

Por zelo, o Ministério da Saúde está orientando que a vacinação da gestante, a utilização de vacinas sem adjuvantes. Porém, a OMS/OPAS orienta a utilização de qualquer uma das vacinas: sem adjuvantes ou com adjuvantes; isso em função da experiência de outros países já estão vacinando desde novembro de 2009.

31) Quando será feita a vacinação da gestante?

A vacinação da gestante será realizada a partir do dia 22 de março e enquanto durar a vacinação (até 21 de maio), ou seja, serão sete semanas para mobilização da mulher grávida a buscar a sala de vacinação dos serviços de saúde. Depois desse período, as mulheres que engravidarem poderão se vacinar.

32) Por que vacinar portadores de doenças crônicas?

Na pandemia de 2009, dentre os casos de SRAG pelo vírus influenza H1N1 observou-se um alto percentual de pessoas com doenças crônicas. Os portadores de doenças respiratórias crônicas, por exemplo, foi o de maior freqüência com 24,4% dos registros, seguido das doenças cadiovasculares e outras doenças crônicas. Essas situações caracterizam pessoas que precisam de proteção por já se encontrarem em situação de vulnerabilidade, podendo apresentar quadros de maior gravidade e morte.

33) O que é comorbidade?

Comorbidade consiste na coexistência de doenças em uma mesma pessoa, ou seja, na existência concomitante de diferentes condições patológicas em um mesmo paciente. Em muitas situações a presença de determinadas patologias, especialmente crônicas, aumenta a probabilidade de desenvolvimento de doença grave ou morte, quando a pessoa é acometida por outra doença.

34) Que situações serão consideradas para caracterizar os portadores de doença crônica?

Até o momento estão incluídos nesse segmento:

· Pessoas com grande obesidade (Grau III), incluídas atualmente nos seguintes parâmetros:

- crianças com idade igual ou maior que 10 anos com índice de massa corporal (IMC) igual ou maior que 25;

- criança e adolescente com idade maior de 10 anos e menor de 18 anos com IMC igual ou maior que 35;

- adolescentes e adultos com idade igual ou maior que 18 anos, com IMC maior de 40;

· Indivíduos com doença respiratória crônica desde a infância (ex: fibrose cística, displasia broncopulmonar);

· Indivíduos asmáticos (portadores das formas graves, conforme definições do protocolo da Sociedade Brasileira de Pneumologia;

· Indivíduos com doença neuromuscular com comprometimento da função respiratória (ex: distrofia neuromuscular)

· Pessoas com imunodepressão por uso de medicação ou relacionada às doenças crônicas;

· Pessoas com diabetes;

· Pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e outras doenças respiratórias crônicas com insuficiência respiratória crônica (ex: fibrose pulmonar, sequelas de tuberculose, pneumoconioses);

· Pessoas com doença hepática: atresia biliar, cirrose, hepatite crônica com alteração da função hepática e/ou terapêutica antiviral;

· Pessoas com doença renal: insuficiência renal crônica, principalmente em doentes em diálise;

· Pessoas com doença hematológica: hemoglobinopatias;

· Pessoas com terapêutica contínua com salicilatos, especialmente indivíduos com idade igual ou menor que 18 anos (ex: doença reumática auto-imune, doença de Kawasaki);

· Pessoas portadoras da síndrome clínica de insuficiência cardíaca;

· Pessoas portadoras de cardiopatia estrutural com repercussão clínica e/ou hemodinâmica:

- Hipertensão arterial pulmonar;

- Valvulopatias;

· Pessoas com cardiopatia isquêmica com disfunção ventricular (fração de ejeção do ventrículo esquerdo [FEVE] menor do que 0.40);

· Pessoa com cardiopatia hipertensiva com disfunção ventricular [FEVE] menor do que 0.40;

· Pessoa com cardiopatias congênitas cianóticas;

· Pessoas com cardiopatias congênitas acianóticas, não corrigidas cirurgicamente ou por intervenção percutânea;

· Pessoas com miocardiopatias (Dilatada, Hipertrófica ou Restritiva);

· Pessoas com pericardiopatias.

·

35) Qual a base para definir essas situações como prioritárias para a vacinação?

A definição dos grupos prioritários, como já referido, tomou como base a situação epidemiológica e recomendações da OMS e da OPAS.

De modo mais específico, em relação à seleção dos estados crônicos, o Ministério da Saúde ouviu representações de sociedades científicas e profissionais, como o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB), a Associação Brasileira de Enfermagem (ABEN), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, as sociedades brasileiras de Cardiologia, de Endocrinologia e Metabologia, de Imunizações, de Pediatria, de Pneumologia e Tisiologia, núcleos de educação e saúde coletiva, bem como as instituições que têm assento no Comitê Técnico Assessor do Programa Nacional de Imunizações (CTAI).

36) Os idosos (população com mais de 60 anos) portadores de agravos crônicos estão incluídos nesse grupo?

Os idosos (pessoas com mais de 60 anos) portadores de algum desses agravos não serão vacinados neste momento e sim no período de 24 de abril a 7 de maio, durante a campanha anual de vacinação do idoso contra a influenza sazonal .

37) A vacinação de pessoas com doenças crônicas não apresenta risco de reações?

A vacina é segura e a possibilidade de ocorrer um evento adverso após a administração da vacina em pessoas com doença crônica é a mesma de qualquer outra pessoa.

38) Como as pessoas vão comprovar a sua condição de portador de doença crônica, de modo a justificar a vacinação? Como essas pessoas serão vacinadas?

De modo geral, os portadores dessas patologias já frequentam unidades de saúde ou serviços de referência, sendo acompanhados por profissionais de saúde.

Na organização da operação de vacinação as equipes de coordenação municipal e estadual deverão identificar esses serviços e articular estratégias de convocação ou de visita aos serviços ou instituições de referência, onde será possível localizar e vacinar a população comprovadamente portadora de comorbidade.

A comprovação da vacina administrada deve ser feita no documento de registro utilizado para o registro de outras vacinações (caderneta ou cartão).

39) Se mais de 90% dos casos de gripe vêm sendo causados pelo vírus pandêmico, por que manter a vacinação da gripe comum para idosos?

A influenza é causada por diversos tipos de vírus e os que provocam a gripe sazonal não deixaram de circular e provocar a doença, ainda que em 2009 essa circulação tenha sido bastante reduzida. A circulação do vírus da Influenza Pandêmica em 2009 e 2010 continua sendo predominante.

Como não é possível prever como ocorrerá a gripe sazonal em meados de 2010 é necessário continuar protegendo este grupo que é o mais vulnerável para esse tipo de gripe.

A gripe sazonal continua sendo importante causa de internação e de doença grave em idosos.

40) Por que as crianças com menos de seis meses não estão incluídas? Há contraindicação para vacinação desse grupo?

A vacina atualmente disponível não é recomendada para o grupo de menores de seis meses em razão de não haver estudos que demonstrem a qualidade da resposta imunológica, ou seja, a proteção não é garantida.

41)Como será feita a identificação dos vacinados durante a estratégia, de maneira a garantir a vacinação do grupo alvo?

a)Para alguns grupos alvo que têm como especificidade a faixa etária será solicitada a apresentação de documento de identificação que comprove a idade.

b) Para os portadores de doenças crônicas pré-existentes a adesão será de iniciativa do próprio portador da doença, não sendo indicada a exigência de atestado médico para não burocratizar o acesso à vacinação, confiando-se na busca consciente por parte dos que realmente necessitam. Sabe-se, ainda, que grande parte dos portadores de doenças crônicas recebe acompanhamento sistemático dos serviços de saúde.

c) No caso das gestantes também é esperada a adesão espontânea, confiando-se também na informação verbal da mulher, ou, de outra maneira, o encaminhamento a partir do pré-natal.

42) Quem teve a gripe pandêmica e teve confirmação laboratorial deve tomar a vacina?

a) Sim. Quando uma pessoa é infectada pelo vírus influenza A adquire imunidade para aquele subtipo específico de vírus que a infectou. Assim, quem já teve a gripe pandêmica comprovadamente (com diagnóstico laboratorial positivo) em princípio, está imune, embora haja registro de alguns casos que desenvolveram uma segunda infecção.

A duração da imunidade pode variar de pessoa para pessoa, mas, no caso desse vírus sofrer mutação um novo contágio poderá ocorrer.

b) Se a pessoa pertencer a um dos grupos prioritários deve ser vacinada, pois a maioria das pessoas que teve gripe nesse período não teve comprovação laboratorial.

43) Por que as unidades federadas mais atingidas durante a primeira onda não terão prioridade na vacinação?

Por uma questão operacional a estratégia de vacinação ocorrerá em etapas, considerando os grupos prioritários, mas acontecerá de forma simultânea em todo país.

44) Se a pessoa quiser pode optar por tomar a vacina em serviço privado, pagando por ela?

Pode sim. Não haverá impedimento, por parte do Ministério da Saúde, para o setor privado adquirir vacinas. O que pode ocorrer, nessa circunstância, é a limitação da disponibilidade do produto, que irá depender da capacidade de fornecimento pelos laboratórios produtores.

45) Qual a incidência de efeitos colaterais (eventos adversos) até agora?

A OMS estima que foram distribuídas cerca de 80 milhões de doses da vacina contra a influenza pandêmica e até o final de novembro foram vacinadas aproximadamente 65 milhões de pessoas. A grande maioria do que vem se apresentando se assemelha a vacina sazonal administrada em idosos, que são reações leves: dor local, febre baixa, dores musculares, que se resolvem em torno de 48 horas.

46)O governo se prepara para a possibilidade de fraude?

Esperamos que a linguagem da mídia de esclarecimento a população seja clara para que a mesma busque a vacina em lugares seguros e faça denúncias em caso dúvidas de sua procedência, distribuição e uso.

Em relação à possível fraude na produção de vacinas ou disponibilidade, o Governo Brasileiro dispõe de mecanismos para controle de qualidade de todas as vacinas por meio do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde da Fiocruz (INCQS). Há também, o controle por meio da ANVISA que assegura o registro dos produtos em oferta em nosso país.

47)A vacinação para Influenza A (H1N1) - 2009 será mantida para os próximos anos?

Como uma pandemia de influenza qualquer predição é ainda especulativa. o Brasil seguirá sempre as recomendações da OMS.

48) Como a vacina é acondicionada? Precisa de equipamento especial?

Todas as vacinas são acondicionadas em equipamentos de refrigeração (refrigeradores domésticas ou comerciais e câmaras frigoríficas) e em caixas térmicas.

A vacina contra influenza pandêmica deverá ser armazenada e acondicionada entre +2° e +8° C desde a Central Nacional de Armazenamento até o nível local, ou seja, utilizando os mesmos equipamentos para as demais vacinas.

49)A capacidade da rede de frio de imunobiológicos do Brasil é suficiente para estocar a vacina?

Esta vacina não terá necessidade de estocagem, pois terá utilização rápida. Portanto, as 36 mil salas de vacinas dos 5.565 municípios brasileiros possuem estrutura necessária para o armazenamento das vacinas de rotina e campanhas. Caso seja necessário o reforço de equipamentos, cada Estado suprirá as necessidades conforme plano elaborado e recursos distribuídos.

50) Quais são eventos adversos da vacina? Comparativamente a outras vacinas.

Os eventos adversos relatados pelo laboratório GSK:

a) Muito comum (cerca de 10% dos vacinados): dor no local da aplicação, cefaléia, dor articular, muscular e fadiga;

b) Comum: Náusea, diarréia, sudorese, hiperemia no local da aplicação, inchaço no local da aplicação e tremores;

c) Raros: Linfadenopatia, insônia, tontura, parestesia, vertigem, dispnéia, dor abdominal, vômitos, dispepsia, desconforto gástrico, prurido, erupção cutânea, dor nas costas, rigidez músculo esquelética, dor no pescoço, espasmos musculares, dor nas extremidades, reações no local de injeção (hematoma, induração, prurido e aumento de temperatura), astenia, dor no peito e mal estar.

51)Na hipótese de o vírus persistir durante muitos anos, eu vou precisar me reimunizar?

Se não houver mutação do vírus, não será necessária a revacinação.

52) Se eu me vacinar com vacina contra a gripe sazonal, não corro perigo de pegar a gripe suína em seu estado atual, já que a vacina da gripe normal não garante que eu nunca mais adoeça?

Se o indivíduo se vacinar com a vacina sazonal e estiver dentro do grupo prioritário deverá também se vacinar contra a vacina pandêmica.

Fonte: Ministério da Saúde

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