Tentemos ver Cuba sem fanatismos
Escrito por Duarte Pereira
05-Mar-2010 – Correio da Cidadania
Para mim, infelizmente, o lamentável e desnecessário falecimento do prisioneiro Orlando Zapata não está esclarecido. Sabemos, por nossas experiências durante a ditadura militar, que é fácil etiquetar oposicionistas e presos políticos como delinqüentes comuns, bandidos, terroristas, agentes de potências estrangeiras.
Será mesmo que Zapata recebeu o tratamento médico e POLÍTICO adequado? Será mesmo que não existe tortura em Cuba, nem prisões arbitrárias, nem condenações sem provas consistentes? Dizia-se o mesmo da União Soviética, da China e da Albânia, para citar alguns exemplos. Será preciso repetir que os fins não justificam quaisquer meios, e que, se os meios não são adequados aos fins, os resultados podem ser inversos aos pretendidos?
Por que, passadas tantas décadas da vitória da revolução popular e dos esforços para construir o socialismo, Cuba ainda precisa de métodos como os revelados no episódio para supostamente defender-se? Os revolucionários, especialmente os revolucionários socialistas e marxistas, devem ser exemplares no tratamento de prisioneiros.
É difícil saber o que realmente aconteceu com Zapata (e com outros) sem liberdade de informação e investigação, sem autonomia do Poder Judiciário, sem atuação desimpedida de advogados, para recordar algumas medidas democráticas. As razões para as dúvidas são várias. Em minha experiência política, nunca soube, de presos comuns, nem de agentes da CIA que tenham feito greves de fome até a morte. Também é uma novidade para mim que espiões freqüentem as embaixadas dos países a que servem abertamente.
Os verdadeiros espiões, que não podem faltar em Cuba, devem enrustir-se com muito mais cuidado e devem receber instruções e passar informações por meios muito mais sofisticados e eficazes. Não seria inusitado que, à semelhança do que aconteceu em outros países, alguns desses verdadeiros espiões estivessem infiltrados em órgãos do Partido Comunista, do governo popular e dos serviços repressivos.
Duas lições aprendi ao longo de anos de militância e estudo, e delas não abro mão. A primeira é que é impossível separar revolução democrática e revolução socialista, democracia e socialismo, pois não pode haver socialização efetiva da economia sem democratização da política e da cultura. E os trabalhadores precisam garantir sua emancipação não apenas do capitalismo, mas também do burocratismo que tem emergido das tentativas de construção de sociedades socialistas, com sua seqüela de novos privilégios, novas desigualdades e novas opressões.
A segunda lição é que a pior contribuição que podemos dar à causa democrática e socialista em nosso país e nos demais é continuar silenciando diante dos excessos, erros e crimes cometidos por regimes revolucionários – sejam proletários, populares ou simplesmente antiimperialistas.
Duarte Pereira é jornalista.
1. Escrito por Antonia Angulo
Tentemos ver Cuba sem fanatismos
Concordo com a questão principal colocada pelo jornalista Pereira. O cerne do debate é se era necessário que Cuba carregue com essa dúvida. Estive em nov. de 2009 em Havana num evento internacional, por primeira vez, gostei da cidade e das pessoas. Mas, percebi no evento que a sociedade civil não tem uma representação. O Estado fala por ela. Isto sem reconhecer os grandes avanços em saúde e educação, nos últimos anos com sérias dificuldades na saúde. É importante acompanhar as questões de direitos humanos não apenas em Cuba mas em toda América Latina.
2. Escrito por Alexandre Zourabichvili
O Senhor Pereira poderia, na sua busca da verdade, se interessar pelas fitas e gravações que mostram as conversas entre os médicos e a familia do preso comum O.Z.Tamayo. Nelas a mãe agradece os médicos pelos esforços en tentar salvar a vida do filho. Uma outra gravação interessante revela a conversa entre uma representante da máfia anticubana de Miami e um empregado dessa mafia baseado em Cuba. Este empregado presta contas e fala sem qualquer vergonha nenhuma de seus esforços pra convencer a mãe de O.Z.Tamayo em não ir ao hospital visitar o filho(pois a visita da mãe poderia dar vontade ao filho de viver e desistir da greve de fome). Ele diz que vai tentar de novo convencer a mãe a organizar uma reunião de imprensa contra o governo de Cuba em lugar de ir visitar o filho, as duas coisas "sendo incompatíveis" segundo este sujeito. Está clara por essas gravações a manipulação dessa máfia branca pronta a manipular e sacrificar a vida de um negro pra fins de convencer Obama em não abandonar o bloqueio economico e político dos Estados Unidos contra Cuba. Essas gravações, claro, não foram divulgadas pela "grande" midia "democrática" brasileira. Vejam-nas no www.aporea.org ou no www.granma.cu
Está confirmada a seguinte delegação de companheiros e companheiras cubanas que estarão presentes em nossa Convenção.
Entre seus objetivos, a Frente Parlamentar de Solidariedade à Cuba, lançada nesta quarta-feira (29) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, propõe apoio os brasileiros formados em medicina na ilha caribenha e que hoje são impedidos de exercer a profissão no Brasil.

Solidariedade aos Cinco patriotas cubanos cresce em 2009
Gerardo Hernández
Ramón Labañino Salazar
Fernando González Llort
René González
Antonio Guerrero Rodríguez


Che, de Steven Soderbergh, consegue um prodígio, em termos de grandes produções estadunidenses enfocando personagens revolucionários: é um filme honesto. 

A Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, pela 17ª vez consecutiva, uma resolução que condena os Estados Unidos pelo bloqueio imposto contra Cuba há 47 anos. A resolução foi votada hoje pelo órgão de 192 países, com 185 condenando o embargo e pedindo seu fim, três votos a favor (EUA, Israel e Palau) e duas abstenções (Micronésia e Ilhas Marshal). No ano passado, o bloqueio americano foi condenado por 184 votos a quatro, com uma abstenção.