Arquivo de 50 Anos da Revolução Cubana

A democracia socialista no centro do debate em Cuba

A mobilização atual da sociedade cubana é um esforço declarado, pelo menos de parte da intelectualidade e de dirigentes políticos, pelo aprofundamento da democracia e do socialismo no país, em favor de uma maior participação popular nas decisões. Esse clima se reflete também na imprensa, acusada nos debates populares de omitir assuntos considerados inconvenientes e de não retratar adequadamente a realidade do país. Mas, se é verdade que a mídia cubana deixa a desejar na cobertura das grandes questões nacionais, é igualmente verdade que ela tem sido sensível às críticas da sociedade. A análise é de Hideyo Saito.

Hideyo Saito (1)

Postado: Carta Maior

O que escondem as autoridades e dirigentes de empresas cubanas, empenhados em dificultar o trabalho de jornalistas e fotógrafos que tratam de oferecer informação pública à população? Como fazer do direito à informação uma realidade cotidiana em Cuba? Essas perguntas foram feitas em matéria de destaque publicada no jornal Granma, porta-voz do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, na edição de 23 de novembro de 2009. No texto, assinado pela jornalista Katia Siberia García e intitulado “Jornalismo com fobias”, são citados exemplos de autoridades que dificultam o acesso à informação por parte da imprensa. De acordo com Katia García, geralmente esses dirigentes exigem que o repórter mostre autorização escrita dos escalões superiores para aceitarem responder a seus questionamentos (2).
Outro artigo, este de 29 de agosto de 2009, assinado pelo colunista do Juventud Rebelde, José Alejandro Rodríguez, denunciou a “obsessão doentia” de autoridades de diversos escalões em não fornecer informações negativas, para pretensamente cuidar da imagem do país, do ministério, da empresa ou da província. Todas se escudam em desculpas de que as críticas depreciam as conquistas da revolução. O jornalista, porém, atribui essa concepção a “oportunistas e indolentes”, argumentando que “as sociedades também necessitam de espelhos para se olhar e perceber suas rugas, que são reversíveis, ao contrário das que marcam os rostos humanos.”
Nesse sentido, escreve ele, o pior desserviço à revolução “é o silêncio, a simulação, a dupla moral, o conformismo, a complacência diante dos problemas que se armam sob os nossos olhos”. Rodríguez lembra que houve muita resistência em aceitar a idéia que a corrupção estivesse incubada na sociedade cubana, mas graças aos que insistiram em denunciar o assunto o país acabou criando, em meados de 2009, uma Controladoria Geral para cuidar especificamente do assunto. O jornalista, por fim, adverte: o socialismo europeu desapareceu porque permitiu que prevalecesse essa atitude de avestruz diante dos problemas que se avolumavam (3).
Um terceiro jornalista cubano, Manuel David Orrio, concentrou sua crítica no funcionamento da própria imprensa, ao comentar uma nota publicada na BBC Mundo sobre um filme cubano que aborda o assunto de forma contundente (4). Trata-se do curta-metragem “Brainstorm”, de Eduardo del Llano, exibido em abril de 2009 no Festival de Cinema Pobre, realizado anualmente na cidade de Gibara (a quase 800 km de Havana). A película mostra o conselho de direção de um jornal discutindo qual será a manchete do dia, até que a conversa é encerrada por uma chamada telefônica ao diretor, em que alguém de fora determina a escolha. O correspondente da BBC, Fernando Ravsberg, escreve que a sátira de Llano não é nada exagerada: na vida real, ninguém se atreve a publicar uma notícia politicamente importante sem que haja um claro sinal de cima (5). O diretor da película é um jovem realizador, autor de vários filmes polêmicos, alguns exibidos em festivais cubanos com bastante sucesso, mas nenhum ainda apresentado em circuito regular de cinema. Sobre o tema de Brainstorm, ele declara: “O jornalismo cubano muitas vezes está de costas para a realidade ou a enfeita demais. Não é um jornalismo combativo como o que queremos. Não queremos algo meramente informativo e didático” (6).
Resolução partidária defende jornalismo crítico
Voltando às matérias, elas são também expressão do clima de efervescência vivido atualmente pelo país. A primeira delas, inclusive, menciona uma resolução, de fevereiro de 2007, do Burô Político do PCC (instância mais alta do partido), que exorta a imprensa local a praticar um jornalismo crítico e determina que, com exceção do segredo militar e de segurança do estado, ninguém tem o direito de negar informações à população.

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Morre um aliado inseparável de Fidel na Revolução Cubana

15/09/2009

Rui Ferreira

Operamundi

O vice-presidente cubano, Juan Almeida Bosque, foi o primeiro negro cubano que se colocou ao lado de Fidel Castro quando este decidiu fazer a revolução. Acompanhou-o no assalto ao Quartel Moncada em 1953, considerado o início do levante. Fracassada a tentativa, ambos foram presos e julgados em Santiago de Cuba. Seguiram-se dois anos de prisão, o exílio no México e depois, em 1956, o regresso à ilha rumo à Serra Maestra, a bordo do iate Granma.

 

Fidel sempre o considerou um amigo, entre outras razões porque Almeida foi o único homem que, no meio de um combate, teve a coragem de enfrentar Ernesto “Che” Guevara, então ainda um simples médico da força guerrilheira. Cercados por uma poderosa força militar do ditador Fulgêncio Batista, que os surpreendeu logo ao desembarcarem, Che teve um momento de debilidade e sugeriu uma retirada.

JFKalmeida3“Che, aqui ninguém se rende. ‘Cojones’!”, gritou Almeida no meio da escuridão da noite. Durante muitos anos, a frase foi atribuída ao Comandante Camilo Cienfuegos, mas nos anos 1980, o agora presidente Raúl Castro confirmou, num discurso, que era de Almeida. E acrescentou que foi a reação “correta de um revolucionário”.

Sua morte foi um choque para a maioria dos cubanos, que o viram pela última vez há dois meses, durante sessões do parlamento cubano, e ele parecia bem de saúde. Segundo um comunicado oficial, foi vítima de ataque cardíaco na última sexta-feira (11). Foi enterrado ontem.

Almeida conheceu Fidel no início da década de 1950, através de um amigo militante do Partido Ortodoxo. “O Fidel não teve que me convencer muito para me colocar a seu lado. Sou negro, toda a minha família sofreu com o racismo antes de revolução e eu percebi logo que era o homem indicado para salvar nosso país”, contou o carpinteiro Almeida, numa entrevista concedida à revista Cuba Internacional há uns 30 anos.

Desde então, não se separaram. Almeida permaneceu ao lado de Fidel em todas as primeiras batalhas. Na Serra Maestra, em cujo cemitério foi enterrado, recebeu a patente de comandante e foi nomeado chefe de uma das frentes de combate.

Governante ideal

Dizem historiadores cubanos que Fidel sempre pensou que Almeida era o homem ideal para governar o oriente do país, a zona mais rebelde de Cuba e habitada majoritariamente por negros. Por isso, logo em 1959, quando o poder revolucionário se consolidou, o ex-presidente o enviou para Santiago de Cuba, onde permaneceu por 15 anos à frente do governo civil da região.

Foi durante sua passagem pelo cargo que as tropas norte-americanas estacionada na Base Naval de Guantánamo atacaram a tiros vários soldados fronteiriços cubanos, matando pelo menos quatro. Apesar de Fidel ter dirigido a manobra de defesa, foi Almeida o encarregado de mobilizar as tropas.

De volta a Havana em 1975, Almeida é encarregado de organizar o primeiro congresso governamental do Partido Comunista, de onde sai membro do birô político e com a patente honorífica de “comandante da Revolução”, atribuída apenas ao atual ministro de Comunicações e Informática, Ramiro Valdés, e ao vice-presidente Guillermo García, o primeiro camponês da Serra Maestra, que aderiu à revolução de Fidel.

Compositor premiado

almeida_bosque Mas Almeida também se distinguiu noutro terreno. É considerado um importante compositor de boleros e canções populares cubanas. Escreveu mais de 300 e obteve vários prêmios em festivais de música.

A sua canção mais importante é, possivelmente, La Lupe, dedicada à santa mexicana, que escreveu durante a travessia do Granma entre o México e a Serra Maestra. “Nenhum de nós sabia se ia sobreviver ao desembarque. Sempre pensei que devia restar uma última homenagem ao México por nos ajudar e deixar alguma coisa escrita”, explicou Almeida na entrevista à Cuba Internacional.

“Sempre escutei com prazer as suas canções, em especial aquela em que, com grande emoção, se despedia de seus sonos com um apelo a vencer ou morrer pela pátria”, escreveu hoje, numa de suas reflexões, Fidel Castro, em referência a La Lupe.

Almeida 15 meses depois de Vilma Espín, que foi presidente da Federação de Mulheres Cubanas, esposa do presidente Raúl Castro e a mulher de mais alta hierarquia da revolução.

Dentro do círculo de poder da primeira geração revolucionária, além de Fidel (83 anos) e Raúl (78), permanecem vivos o primeiro vice-presidente, José Ramon Machado Ventura (78), os comandante Ramiro Valdés (77) e Guillermo Garcia (81), assim como o ministro da Defesa, general Julio Casas Regueiro (73), e o ministro do Interior, Abelardo Colomé Ibarra (70).

Há dois meses, ao anunciar a realização do sexto congresso do Partido Comunista no próximo ano, o presidente cubano admitiu que será o último da geração que fundou a revolução - o último foi realizado em 1997. Por isso, deverá delinear o rumo político do processo revolucionário e da renovação da sociedade, ainda baseados no modelo soviético.

Vítima de ataque cardíaco na última sexta-feira (11), Juan Almeida Bosque foi o primeiro negro cubano que se colocou ao lado de Fidel Castro quando este decidiu fazer a revolução

Vítima de ataque cardíaco na última sexta-feira (11), Juan Almeida Bosque foi o primeiro negro cubano que se colocou ao lado de Fidel Castro quando este decidiu fazer a revolução

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XVII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba

 

 

SOLIDARIEDADE BRASIL

 

NOTÍCIAS DA CONVENÇÃO

 

DELEGAÇÃO CUBANA
Está confirmada a seguinte delegação de companheiros e companheiras cubanas que estarão presentes em nossa Convenção.
CAMILO ROJO ÁLVAREZ, Advogado, filho de Jesús Rojo Quintana, uma das vítimas do atentado contra o vôo da Cubana de Aviación, em 1976, na costa de Barbados. Ele representa o Comitê dos familiares das vítimas do terrorismo em Cuba. Tem participado de numerosas encontros internacionais para denunciar os atos terroristas que têm sido praticados contra Cuba.
ANTONIO VILLEGAS TAMAYO HARRY, Membro da Associação Nacional de Combatentes - General de Brigada e Herói Nacional de Cuba, membro do Comitê Central do PCC (Partido Comunista de Cuba) e deputado da ANPP de Cuba.
Foi o único que acompanhou o Che em todas as campanhas militares: em Sierra Maestra, na Campanha de Las Villas, na África e na Bolívia, Ele publicou seu diário, Pombo: um homem da Guerrilha de Che.
NATIVIDAD GUERRERO BORREGO, Diretora do Centro de Estudos sobre a Juventude, professora da Universidade de Havana, membro da sociedade cientifica de psicologia cubana e de estudos da sexualidade.
Participou de inumeros eventos científicos nacionais e internacional (Brasil, México e Guatemala), sendo convidada para debater sobre juventude e sexualidade.
TUBAL PAEZ, Presidente da União de Jornalistas de Cuba. Foi combatente clandestino durante ditadura Batista (1957-1958); Militante do Movimento Revolucionário 26 de Julho; e preso político em 1958. Secretário Geral Partido Unido da Revolução Socialista nos municipios havaneros de Campo Florido e Jaruco (1962-64), é deputado da ANPP (Assembléia Nacional do Poder Popular da República de Cuba), sendo vice presidente da Comissão das Relações Internacionales Asamblea Nacional e representante de Cuba no Foro Interparlamentar das Américas (FIPA).
E, ainda:
- ENRIQUE JOAQUIN ROMÁN HERNANDEZ, primeiro vice-presidente do ICAP
(Instituto de Amizade com os Povos);
- FÁBIO SIMEÓN GONZALEZ,especialista do ICAP.
- PEDRO NUÑEZ MOSQUERA, Embaixador de Cuba no Brasil.

 

CONTATOS E INSCRIÇÕES
Inscrição gratuita;
Contato com:
HELOISA - (48) 88111735 ou (48) 33355872
EDISON - (48) 3025-2991 ou (48) 9946-9441
Por e-mail: xviiconvencaocuba@gmail.com

ALOJAMENTO
a) Hotéis
Solicitamos que as reservas dos hotéis sejam feitas com antecedência, a fim de garantir-se vagas e os preços promocionais.
As reservas estão em nome da XVII CNSC/Edison
01. Hotel Cecomtur
- diárias variando de R$ 49,00 por pessoa
- telefone de contato: nome e telefone 48 2107 8800
- www.cecomturhotel.com.br
- hospedagem@cecomturhotel.com.br
- reservas@cecomturhotel.com.br
- C/ Marcio ou Tania
02. Oscar Hotel
- diárias de R$ 35,00, por pessoa
- telefone de contato: nome e telefone 48 3222 0099
- www.oscarhotel.com.br
- comercial@oscarhotel.com.br
- C/ Débora Decker.
b) Alojamento gratuito ao lado do local do evento na Escola Básica
Governador Celso Ramos.
Necessário colchonetes e roupa de cama.

 

PROGRAMAÇÃO
10 de Junho (Quarta-feira)
19 horas - Abertura
- Abertura oficial com apresentação cultural e execução dos hinos
nacionais de Cuba e Brasil).
- Presença do embaixador de Cuba no Brasil, Pedro Nuñez Mosquera. o
presidente do ICAP (Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos), e,
representantes de organizações políticas da sociedade civil.
22 horas - Confraternização.
obs: o credenciamento dos participantes iniciará a partir das 14h.
11 de Junho (Quinta-feira)
09 horas – Início dos Trabalhos
- Informes das associações de solidariedade dos estados de SC,
RS, RJ e MG, sobre as atividades realizadas desde a última convenção -
(05 minutos para cada entidade).
09:30 às 12 Horas - Palestra e debate:
- 50 Anos da Revolução Cubana: A Desinformação e a Solidariedade. Mesa formada pelo Presidente do ICAP e um palestrante brasileiro.
- Debate
- Homenagens.
12 horas - Almoço
14 às 18 horas - Grupos de debate/trabalho (em dois locais distintos):
a) Luta contra o bloqueio, informação e desinformação - com a
presença de Tubal Paez (Presidente da União dos Jornalistas de Cuba);
b) Solidariedade – Presença do Presidente do ICAP.
19 horas - Reunião com diretores de entidades de solidariedade do Brasil.
12 de Junho (Sexta-feira)
09 horas – Início dos Trabalhos
- informes das associações de solidariedade dos estados de SP,
PE, RN e PR, sobre as atividades realizadas desde a última convenção
(05 minutos para cada entidade).
09:30 às 12 Horas - Palestra e debate:
- 50 Anos da Revolução Cubana: A Questão dos Cinco Heróis e a Questão da Juventude
12 horas – Almoço
14 às 18 horas - Grupos de debate/trabalho (em dois locais distintos):
c) Libertação dos 5 heróis Cubanos – com Roberto Gonzalez (advogado
e irmão de Rene Gonzalez); A confirmar
d) Juventude, convênios educacionais, associações de pais de
estudantes – dirigente da FEU Cubana.
20 horas - Festa comemorativa pelos 50 anos da Revolução Cubana
13 de junho (Sábado)
09 às 12 horas - Plenária Final
- apresentação dos relatórios dos 04 grupos de trabalho;
- discussão e aprovação dos relatórios;
- aprovação da Declaração de Florianópolis;
- definição do local da convenção do próximo ano;
- considerações finais da entidade organizadora da próxima convenção e do
Presidente do ICAP.
OBS: Cada grupo de trabalho terá um coordenador e um relator de uma
das associações, que iniciará com um informe do que foi definido na
convenção anterior. Haverá uma intervenção de cada um dos convidados,
e, em seguida um debate. O Relatório das propostas deverá ser escrito
no final, e, passado para a Comissão Central que se encarregará da
digitação.

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III CONVENÇÃO PAULISTA DE SOLIDARIEDADE A CUBA

 

 

 MOVIMENTO PAULISTA DE

  SOLIDARIEDADE A CUBA

 

 

30 de

Maio

Sábado

inicio 8h30

Local: Quadra do Sindicato ds Bancários

Rua Tabatinguera, 192 – Próximo ao metrô Sé

50 Anos

DA REVOLUÇÃO CUBANA

Palestras – Grupos de Trabalho – Filmes

Debates – Apresentação Culturais

Postado: www.solidariedadeacuba.org.br

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Frente pede validação dos diplomas de médicos formados em Cuba

Proposta quer chamar atenção da sociedade brasileira à questão dos médicos formados em Cuba e que não podem exercer a profissão no Brasil

Proposta quer chamar atenção da sociedade brasileira à questão dos médicos formados em Cuba e que não podem exercer a profissão no Brasil

30/04/2009

Michelle Amaral,

da Redação – Brasil de Fato

Entre seus objetivos, a Frente Parlamentar de Solidariedade à Cuba, lançada nesta quarta-feira (29) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, propõe apoio os brasileiros formados em medicina na ilha caribenha e que hoje são impedidos de exercer a profissão no Brasil.

Marcelo Chaves, da Associação de Familiares e Amigos de Estudantes em Cuba (AFAC), explica que hoje existem no país 300 médicos formados em universidades cubanas que não podem trabalhar por causa do não-reconhecimento da validade de seus diplomas pelas faculdades de medicina brasileiras e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que alegam incompatibilidade da grade curricular.

Segundo ele, “a Frente tem o papel de chamar atenção da sociedade brasileira - daquelas pessoas que estão nas filas dos hospitais e que não tem atendimento - para o problema”. Chaves explica que, em contraponto ao bombardeio feito pela grande mídia sobre o caos no sistema de saúde brasileiro, é necessário que se mostre que enquanto há falta de médicos nos hospitais públicos, existem muitos médicos formados em Cuba que são impedidos de exercerem a profissão diante da recusa de alguns setores em validar seus diplomas.

“Sou cético de que a Frente sensibilize o Congresso, porque muitos parlamentares que são médicos e tem ligação com o Conselho Federal de Medicina”, afirma Chaves, que acredita que, frente à uma mobilização popular, ela seja capaz de pressionar o Executivo, que também é apto a resolver a questão.

Os levantamentos da AFAC apontam que estudam hoje cerca de 900 brasileiros em Cuba, selecionados pela Embaixada Cubana através de indicação de partidos políticos e movimentos sociais e de critérios estabelecidos pelo governo cubano, como Ensino Médio completo, idade inferior a 25 anos e baixa renda.

A cada ano são 29 mil estudantes de vários países formados em Cuba. Destes, 25 mil se formam na área da saúde e 24 mil só em Medicina.

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Assembleia Legislativa e movimentos sociais de São Paulo em apoio a Cuba

               Fim do bloqueio
Assembleia Legislativa e movimentos sociais

    de São Paulo em apoio a Cuba

Deputados de diferentes partidos progressistas lançaram nesta quarta feira (29) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo a Frente Parlamentar de Solidariedade a Cuba

Deputados de diferentes partidos progressistas lançaram nesta quarta feira (29) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo a Frente Parlamentar de Solidariedade a Cuba

Cristiano Navarro,

São Paulo – Postado: Brasil de Fato

 

Frente pede validação dos diplomas de médicos formados em Cuba

Assinada por 19 parlamentares, a Frente proposta pelo deputado Raul Marcelo tem como principal objetivo promover ações em prol da luta do povo cubano pelo fim do bloqueio econômico e comercial imposto ao país pelo Estados Unidos, desde fevereiro 1962. As sanções dos estadunidenses comprometem o comércio de Cuba com países de todo o mundo.

Principal tema debatido entre os chefes de Estado no último encontro de Cúpula das Américas, realizado em Trinidad e Tobago, há 18 anos o fim do embargo tem recebido apoio da Organização das Nações Unidas. No final do ano passado um documento  pelo fim do embargo foi aprovado quase por unanimidade. Dos 192 países que integram a ONU, 185 países votaram a favor, apenas três contra (Estados Unidos, Israel e Palau), duas abstenções e duas nações que não votaram.

Para Vivian Mendes do Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba (MPSC) a atual conjuntura política é favorável ao fim do bloqueio, “há um forte desgaste da política internacional dos Estados Unidos em todo mundo, o que beneficia a luta do povo cubano”.

Concordando com Mendes, o deputado propositor da Frente, Raul Marcelo, enxerga em alguns dos atuais chefes de Estado latino americanos aliados à causa cubana. “Até agora não se pode falar em avanços do governo Obama, por que ele apenas retomou as medidas que estavam em curso durante o governo Bill Clinton. No entanto, hoje temos presidentes latino americanos, como Fernando Lugo do Paraguai, Evo Morales da Bolívia e Hugo Chávez da Venezuela, que são sensíveis ao tema e pressionam pelo fim do Embargo”, afirma o deputado.

Como duas das primeiras iniciativas com intuito de estreitar as relações com país caribenho a Frente Parlamentar encaminhou a câmara dos deputados o projeto de Lei pelo reconhecimento dos diplomas dos estudantes de medicina e o convite à visita do corpo de Balé cubanos ao Brasil.

Outras frentes

Na avaliação da Frente o fim das imposições estadunidenses ao povo cubanos depende não só da relação de Estados, mas também das pressões dos movimentos sociais. Neste sentido, o MPSC que reúne diferentes setores da sociedade civil em prol de Cuba tem promovido debates e campanhas.

A articulação em favor do povo cubano tem no próximo dia 30 de maio um momento importante: a 3° Convenção Paulista de Solidariedade à Cuba. A convenção terá como tema central os 50 anos da Revolução Cubana e, além do fim do bloqueio, deve tratar de outros assuntos, como a campanha internacional pela soltura dos cinco cubanos anti-terroristas que estão presos injustamente nos Estado Unidos.

“O papel dos movimentos sociais é o mesmo que em qualquer outra situação pressionar: Difundido informações, mobilizando a opinião pública, furando o principal bloqueio contra Cuba que é o feito pelos grandes meios de comunicação”, declara Vivian Mendes do MPSC .

 

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Em Portugal exigem a cessação do bloqueio a Cuba e a libertação dos Cinco

 

 

 

Postado; Rádio Havana de Cuba

 

Havana, 30 abril (RHC).- A presidente da Associação de Amizade Cuba-Portugal Armanda Fonseca exigiu o fim do bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba, e a libertação dos Cinco cubanos presos injustamente em cárceres norte-americanos por lutar contra o terrorismo.

Em programa radiofônico dedicado a analisar os primeiros 100 dias de governo do presidente norte-americano Barack Obama, a chefe da associação de amizade assinalou que não existia nenhuma justificação para a manutenção do bloqueio, e exigiu sua cessação, e o estabelecimento de relações normais com Cuba.

 

Solidariedade aos Cinco patriotas cubanos cresce em 2009

 

Em 2009, se completaram 11 anos da injusta e ilegal prisão, nos Estados Unidos, dos Cinco Heróis antiterroristas cubanos - Gerardo Hernandez, Ramón Labañino, Fernando Gonzalez, Antonio Guerrero e René Gonzalez - . Os Cinco enfrentam com dignidade e firmeza as retaliações do império, enquanto isso, os verdadeiros terroristas, como Luis Posada Carriles, passeiam livremente pelas ruas da cidade de Miami.

 

HOMENAJE A LOS CINCO HEROES DE CUBA

 

 

 

 

Gerardo Hernández
# 58739-004
USP Victorville
PO BOX 5300
Adelanto, CA 92301

Ramón Labañino Salazar
(Luís Medina)
#58734-004
U.S.P. McCreary
P.O. Box 3000
Pine Knot, KY 42635

Fernando González Llort
(Rubén Campa)
#58733-004
FCI TERRE HAUTE
P.O. BOX 33
TERRE HAUTE, IN 47808

René González
#58738-004
FCI Marianna
P.O. Box 7007
Marianna, FL 32447-7007

Antonio Guerrero Rodríguez
#58741-004
U.S.P. Florence
P.O. Box 7500
Florence CO 81226

Antonio Guerrero, filho:

]"Tu és"Tu és minha mão,
Se aos amigos longínquos
não posso cumprimentar.

Mensagem de Antonio Guerrero para os trabalhadores e ouvintes de Rádio Havana Cuba pelo 50º aniversário da vitória da Revolução Cubana

 

Às vésperas do glorioso 1º de Janeiro que marca o 50º aniversário de nossa Revolução, quero em nome de René, Fernando, Gerardo, Ramón e no meu próprio, enviar uma saudação e um forte abraço revolucionário aos trabalhadores de Rádio Havana Cuba e a todos os seus ouvintes desejando-lhes um 2009 repleto de êxitos, saúde, paz e felicidade.

À nossa amada pátria serviremos sempre com lealdade e com carinho, e sejam quais forem as condições, jamais deixaremos de confiar na vitória.

A Revolução irá para frente contra vento e tempestade, sob a certeira e eterna guia de Fidel e do glorioso Partido Comunista.

Como dissera o Herói de nossa independência José Marti, e renovamos hoje: … a Revolução há de viver, porque é a alma de nosso povo".

 

 

Assistam os Vídeo

EN EL CENTRAL AL LADO DE LA ESTATUA DE SIMON BOLIVAR. DESPUES DE UNA MARCHA POR LA LIBERTAD DE LOS 5 CUBANOS DETENIDOS EN LOS ESTADOS. UNIDOS.

 

LIBERTAD A LOS 5 CUBANOS PRESOS EN EEUU

¿Quiénes son los cinco patriotas cubanos presos en EE.UU.? Con el triunfo de la revolución en enero 1959 el pueblo cubano conquista por primera vez la plena soberanía política, económica y social….

 

 

Cartas para los 5 Héroes Cubanos

Estudiantes vietnamitas le escriben sobre su país a los 5 Héroes cubanos presos injustamente en los Estados Unidos…

 

LIBERTAD PARA LOS CINCO

Desde 1998 cinco cubanos estan presos en EE.UU.¿su delito? luchar contra el imperialismo.

 

Documental cinco cubanos

Un resumen en imagenes del caso de los cinco cubanos luchadores contra el terrorismo, presos en los Estados Unidos

 

Solidaridad por la Liberacion de los Cinco Heroes

 

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Che Pueblo

Escrito por Celso Lungaretti

31-Mar-2009

"El nombre del hombre muerto ya no se puede decirlo, quién sabe?
Antes que o dia arrebente, antes que o dia arrebente
El nombre del hombre muerto, antes que a definitiva noite se espalhe em Latinoamérica
El nombre del hombre es Pueblo, el nombre del hombre es Pueblo"

("Soy Loco Por Ti America", Capinan, Gil e Torquato)

Che, de Steven Soderbergh, consegue um prodígio, em termos de grandes produções estadunidenses enfocando personagens revolucionários: é um filme honesto.

Claro que, precavendo-se contra as inevitáveis críticas dos direitistas, Soderbergh e o roteirista Peter Buchman evitaram manifestar simpatia ostensiva pela causa revolucionária, limitando-se a colocar na tela os episódios narrados nos diários de Che Guevara.

Então, os aspectos políticos, como o relacionamento entre a guerrilha e a oposição desarmada, são tratados de forma muito superficial, enquanto as cenas de batalhas tomam tempo demais do filme.

Um cineasta do ramo, como Costa-Gravas, certamente aprofundaria mais os personagens e situações, ao invés de ficar no meramente descritivo. Só que Hollywood jamais bancaria um filme sobre Guevara que tivesse Costa-Gravas como diretor…

Justiça seja feita: o atual Che é extremamente mais digno do que o Che! de 1969, dirigido por Richard Fleischer, com Omar Shariff no papel principal. Caricaturas e preconceitos desta vez ficaram de fora. A guerra fria acabou, felizmente.

Chamou-me a atenção o tratamento respeitoso que Fidel Castro (interpretado pelo bom ator mexicano Demián Bichir) recebe. Ele é mostrado como líder inconteste da revolução: ao mesmo tempo o visionário que apostou numa possibilidade remotíssima de vitória, o carismático que soube contagiar os outros com seu sonho e o pragmático que tomou quase sempre as decisões corretas ao longo da campanha.

Benicio Del Toro, obviamente, é quem sustenta o filme.

A opção foi abarcar, nesta primeira parte do épico - há uma segunda, Che - A Guerrilha, que ainda não tem estréia marcada no Brasil -, o período que vai do primeiro encontro entre Che e Fidel (1955) até a derrubada do ditador Fulgencio Batista (1959); afora isto, só existe um pequeno salto para o futuro, o pronunciamento de Guevara na ONU (1964).

Nesses quatro anos de que se ocupa o filme, o idealismo e a capacidade de enternecer-se de Guevara não se ressalta tanto nas situações propriamente ditas, como nos Diários de Motocicleta, de Walter Salles.

Aqui e ali, o roteiro cumpre esse papel, como ao mostrar Guevara fragilizado ao sofrer ataques de asma, compassivo no trato com os camponeses e solidário com um novato a ponto alfabetizá-lo nos intervalos das batalhas e caminhadas.

E há também a bela frase dos diários do Che, sobre o amor que move os revolucionários.

Mesmo assim, dependia em muito do ator passar ou não para os espectadores a humanidade de um herói que não foi um homem de ferro e, muito menos, o sanguinário em que parte da mídia o quer hoje transformar.

Benício conseguiu, oferecendo-nos um verdadeiro tour de force interpretativo. Seu Che é mesmo um idealista obrigado a endurecer-se para cumprir seu papel histórico, mas que não perde a ternura jamais.

Enfim, o cinema ainda continua nos devendo um filme definitivo sobre a revolução cubana. Mas, tenho a impressão de que este Che é o máximo que podemos esperar de Hollywood.

E vale para estimular o interesse das novas gerações por um dos personagens mais emblemáticos do século passado.

Culto Perene

É claro que muitos jovens, antes desse filme, já viam Guevara como o próprio símbolo da revolução.

Enquanto Marx, Lênin, Stalin, Trotsky, Mao e o próprio Fidel só significam algo para os politizados, o Che tem uma força simbólica indiscutivelmente maior - e muito mais adeptos na faixa da adolescência e mocidade.

Quais os motivos de culto tão perene?

Há quem o atribua, depreciativamente, à semelhança visual entre o Che abatido e o Cristo crucificado, omitindo que as trajetórias também são semelhantes.

Ambos desdenharam os bens materiais e foram solidarizar-se com os pobres, oferecendo-lhes apoio e esperanças. Despertaram a fúria dos poderosos de seu tempo e foram por eles destruídos, terminando sua jornada com muito sofrimento.

Evidentemente, os relatos que chegaram até nós sobre Jesus Cristo não têm áreas nebulosas como aqueles episódios em que Guevara parece haver incorrido em violência excessiva.

Mas, se o Salvador disse que não vinha "trazer a paz, mas a espada", foi Guevara quem a empunhou. E a guerra nunca inspirou os melhores sentimentos ao ser humano. Pelo contrário, desperta seus piores instintos.

Então, a luta justificada e necessária contra o tirano Fulgêncio Batista pode ter feito aflorar o Robespierre latente naquele homem afável, tão bem retratado nos Diários de Motocicleta.

Mas contradições são inerentes a todo ser humano. Não existe o herói perfeito e impoluto, salvo em nossa imaginação.

O certo é que Guevara continuou sacrificando tudo por seu ideal de justiça social. Como Garibaldi, foi levar a chama da revolução a outro mundo, a África. E tentou outra vez na Bolívia, onde finalmente o Império o fez executar (mais um paralelo com Cristo!).

Sua vida só foi uma sucessão de fracassos (como já se alegou) para quem reduz a existência à busca do sucesso fácil, descartando valores como a solidariedade, a coerência e a dignidade.

Os que o recriminam, certamente jamais agiriam como Guevara, abrindo mão do poder e honrarias para efetuar desesperadas tentativas de romper o isolamento da revolução cubana.

Pode-se supor que, como Trotsky, ele tenha concluído que a revolução invariavelmente se deforma quando fica restrita a um só país – ainda mais uma nação pobre, atrasada e asfixiada pelo embargo comercial, como Cuba. E fez o que poucos fariam: assumiu a missão de encontrar uma saída para o impasse, nas condições mais desfavoráveis.

No mundo todo, os jovens que também lutavam contra o Império se identificaram com seus sonhos e seu martírio. Não foram uma foto e um pôster que o transformaram em mito, mas sim esse exemplo de dedicação a uma causa justa até o sacrifício extremo.

E, como os corações mais sensíveis e as mentes mais lúcidas não conseguiram vencer o sistema regido pela desigualdade e ganância, Che inspira até hoje os que não aceitam o capitalismo globalizado como o fim da História.

Daí a inutilidade dos freqüentes ataques à memória do homem Ernesto Guevara - como os lançados pela mídia reacionária, a Veja à frente, quando do 40º aniversário da morte do herói.

Jamais atingirão, contudo, o mito Che Pueblo, personificação dos ideais igualitários que os melhores seres humanos vêm acalentando através dos tempos.

 

Assista

Celso Lungartti, jornalista, escritor e ex-preso político, mantém os blogs http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/ e http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/

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O socialismo, em Cuba, é irrevogável

Na quarta parte da série de matérias sobre os 50 anos da Revolução Cubana, moradores da ilha fazem críticas e ponderações sobre os problemas internos do país, mas afastam possibilidade de retorno ao capitalismo Da Baía dos Porcos, a distância até Jagüey Grande, à beira da Rodovia Central, não é grande. Uma estreita estrada esburacada, de uns 50 ou 60 quilômetros, separa os dois locais. Mas não são os defeitos no asfalto que mais chamam a atenção. Assim como em quase todos os cruzamentos e acostamentos, dezenas e pessoas pedem carona. (Em Cuba, essa prática é institucionalizada). Uma delas é uma jovem na faixa dos 25 anos, que sobe ao carro na companhia de uma amiga. Cubana de nascimento, já não mora na ilha caribenha há sete anos, desde que mudou para Paris com seu marido francês. De férias, veio a seu país de origem para visitar a família. Perguntada sobre o que acha da Revolução e do governo, não demora a fazer críticas. Lamenta as restrições às viagens para o exterior, as proibições de hospedagem a estrangeiros, a falta de possibilidades para a abertura para pequenos negócios. (Leia mais na edição 315 do Brasil de Fato) A solução, então, é o capitalismo? “Não, de jeito nenhum!”, exclama. Em Cuba, o fim do socialismo está fora de cogitação. Pelo menos essa é a impressão que fica ao se viajar pelo país, andar pelas ruas, falar com o povo. “Muita gente sai do país achando que será melhor, mas, quando saímos, vemos que não é assim. Aqui não tem crianças na rua, todo mundo tem saúde. Só acho que tem que melhorar algumas coisas”, se explica a jovem, que trabalha como garçonete na capital da França. Orgulho Apesar das muitas ponderações sobre os problemas internos, a mudança do sistema político e social não entra na conversa. Nas bocas da população, a Revolução é sinônimo de independência, dignidade e, sobretudo, justiça social. E as cubanas e cubanos se orgulham disso. A ocasião da comemoração dos 50 anos da Revolução é ideal para comprovar tal sentimento. Durante o período entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, podia-se ver, nas fachadas de muitas casas e estabelecimentos, bandeiras de Cuba, do Movimento 26 de Julho (criado por Fidel Castro antes do triunfo), faixas e cartazes lembrando a data. Muitos dos prédios ornamentados, é verdade, eram hotéis, restaurantes e ministérios estatais. Mas pessoas “comuns” também faziam questão de mostrar que estão com a Revolução. Em suas residências, cartazes simples, de papelão, pintados com singelas inscrições, recordavam o cinquentenário da definitiva vitória rebelde sobre as forças do ex-ditador Fulgencio Batista. O orgulho, porém, se mostra mesmo nas palavras. “Aqui não se paga pela educação, nem pela saúde. Quem precisa de uma cirurgia, de um atendimento médico, é só ir no hospital. Os remédios custam quase nada, têm um preço irrisório”, conta uma moradora de Bayamo, no oriente de Cuba, após se gabar de que seu país, ao contrário do Brasil, não sentiria os efeitos da crise econômica mundial: “aqui não!”. “Irrevogável” Talvez a demonstração mais contundente, até hoje, do apoio popular ao socialismo em Cuba foi dada em 2002, após o ex-presidente estadunidense, George W. Bush, “exigir” mudanças no sistema político cubano. Entre os dias 15 e 18 de junho, mais de oito milhões de pessoas (de uma população de cerca de 11 milhões), atendendo ao chamado de organizações sociais, firmaram um abaixo-assinado pedindo uma reforma constitucional que estabelecesse, na Carta Magna, o caráter “permanente” e “irrevogável” do socialismo e do modelo político e social do país. Assim, após a aprovação da alteração na Assembléia Nacional, o novo artigo 3 da Constituição reforçava: “O socialismo e o sistema político e social revolucionário estabelecido nesta Constituição, testado por anos de heróica resistência diante das agressões de todo tipo e da guerra econômica dos governos da potência imperialista mais poderosa que já existiu e, havendo demonstrado sua capacidade de transformar o país e criar uma sociedade inteiramente nova e justa, é irrevogável, e Cuba nunca mais voltará ao capitalismo”. Poder popular O socialismo cubano, na prática, havia sido paulatinamente implementado desde o triunfo da Revolução, em 1959. No entanto, foi só a partir de fevereiro de 1976 que o sistema político ganhou caráter oficial, com a promulgação da nova Constituição do país, que foi aprovada pelo voto livre, direto e secreto de 97,7% dos eleitores. A partir daí, consolidava-se um Estado Socialista de Direito. Entre os pontos, estavam a instituição de um sistema de poder popular, como a nominação direta, pelo povo, de candidatos às eleições, a revogação de cargos e a rendição de contas aos eleitores; grandes prerrogativas legais para o Conselho de Ministros e de Estado; protagonismo do Estado no sistema político do país, com estrutura centralizada de direção; reconhecimento do Partido Comunista Cubano (PCC) como a força dirigente do Estado e da sociedade; propriedade estatal de tudo que não fosse pessoal, de pequeno produtor, de cooperativas ou de organizações sociais; e a unidade de poder e o centralismo democrático. Em 1992, após a queda da União Soviética (URSS), o fim do suporte econômico e a entrada no chamado Período Especial, Cuba, vendo-se diante de uma situação bastante difícil, realizou uma ampla reforma em sua Constituição. Entre as modificações, figuraram a permissão do investimento estrangeiro; a limitação da propriedade estatal aos meios fundamentais de produção, permitindo, na prática, a propriedade privada sobre estes; e o estabelecimento de eleições diretas para as assembléias provinciais e nacional. A idéia, com a reforma, era conceder mais poder aos cidadãos: ampliação das eleições diretas de juízes e a criação dos Conselhos Populares, entre outras medidas. Transformação “Meu nome é Guadalupe, mas todos me chamam de Lupita”. Sorriso e maquiagem no rosto, brincos, colar e pulseiras, Lupita recebe os hóspedes com amabilidade. Mostra os quartos numa área anexa de sua casa, explica o funcionamento do chuveiro, pede os passaportes e, em seguida, volta oferecendo cerveja em lata. Negra, aparentando uns 60 anos, mora com o marido, o filho e uma irmã. Seu canto, em Santiago de Cuba, é simples, mas bem decorado. Artesanatos, fotos, panos, flores… O olhar do visitante, viciado com a dura realidade brasileira, já conclui: família simples, de pouca instrução. No dia seguinte, a impressão se desfaz nas primeiras palavras de Lupita: “Dáli, minha irmã, é médica-ginecologista. Luis, meu filho, estuda Direito”. Em seguida, “provocados”, todos começam a falar sobre os mais variados temas, nacionais e internacionais: democracia, embargo estadunidense, União Soviética, economia, Equador, Obama, Lula… “Se não fosse a Revolução, não estaríamos conversando agora. Não teríamos como pagar os estudos de minha irmã e meu filho. Seria muito custoso. Poderíamos até ter profissão, mas não haveria emprego”, sentencia Lupita. Sua vida e a de seus familiares, assim como a de milhões de cubanos, mudou após o triunfo da Revolução, em 1959. Se os rebeldes não tivessem chegado ao poder, provavelmente ela e seus parentes não teriam o nível de vida que possuem hoje. Com o novo sistema político, Cuba conquistou níveis de universalização e qualidade no que se refere ao acesso à educação e à saúde, pilares da política social do regime, juntamente com a seguridade social. “Hoje, não tem ninguém desamparado. O pouquinho que há, se reparte entre todos. Se você fica doente, vai ao médico e não custa nada. Se não existisse o bloqueio econômico, estaríamos muito melhor. Hoje, mesmo com todos os ciclones, não falta nada a ninguém”, afirma Pedro Luis Sánchez, ex-carvoeiro de Playa Las Coloradas, no oriente cubano.

Texto: Igor Ojeda e Tatiana Merlino/enviados a Cuba/Brasi / Postado em 12/03/2009

Por: Pátria Latina

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Cuba e EUA devem normalizar relação e conversar

"A maior parte dos membros da nossa delegação acredita que nós precisamos na verdade normalizar as relações e então os detalhes do que isto significa virão a seguir", afirmou a deputada Barbara Lee, em uma coletiva de imprensa.

A delegação de sete democratas, formada principalmente por legisladores afro-americanos, se encontrou com o presidente do Parlamento Ricardo Alarcon e com o ministro do Exterior Bruno Rodriguez, no que a legisladora norte-americana definiu como um esforço para melhorar as relações entre Washington e a ilha de regime comunista.

Eles também visitaram instalações cubanas, incluindo um complexo farmacêutico e de engenharia genética.

Os Estados Unidos são o único país no hemisfério, além de El Salvador, que não mantêm relações diplomáticas e econômicas normais com Cuba.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ordenou uma revisão da política em relação à Cuba, mas afirmou que o embargo, que já dura décadas, deve continuar para pressionar Havana rumo a uma mudança democrática.

Obama poderia relaxar as relações diplomáticas com Cuba, mas, para suspender o embargo, ele precisaria contar com a aprovação do Congresso.

A delegação de legisladores do Congresso é a primeira a visitar Cuba desde que Obama tomou posse, em janeiro.

Texto: Marc Frank - Reuters / Postado em 05/04/2009 ás 23:15

Por: Pátria Latina

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Rendem homenagem a heroína da revolução cubana

Rendem homenagem a heroína da revolução cubana

Havana (Prensa Latina) A heroína cubana Melba Hernández agradeceu a homenagem realizada pela direção nacional dos Comitês de Defesa da Revolução durante seu aniversário 87.
Ao chegar a essa idade na véspera, a Heroína da República de Cuba recebeu um reconhecimento popular por sua participação nas ações revolucionárias e a felicitação do presidente cubano, Raúl Castro.
Melba acolheu aos representantes da maior organização de massas cubana, com quase oito milhões de filiados, e expressou-lhes sua gratidão pelo gesto, segundo mostrou o noticiário televisivo.
Esta é a obra de Fidel e Raúl, e de todos aqueles que participaram desta data tão gloriosa, afirmou a emblemática mulher depois de receber a mensagem.
Ela -junto a Haydée Santamaría- participou no assalto ao Quartel Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953 sob as ordens de Fidel, ação que iniciou a luta insurrecional pela independência nacional.
Os assaltos aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes, em Bayamo, há 55 anos, não conseguiram o triunfo militar mas significaram a primeira vitória política frente à ditadura de Fulgêncio Batista.
Para os cubanos, a data equivale a um momento crucial na história do país ao ser reconhecida como a continuidade das lutas pela independência, iniciadas em 10 de outubro de 1868.

Texto: Prensa Latina / Postado em 30/07/2008 ás 01:26

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Pela 17ª vez, ONU condena bloqueio dos EUA a Cuba Felipe festeja

A Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, pela 17ª vez consecutiva, uma resolução que condena os Estados Unidos pelo bloqueio imposto contra Cuba há 47 anos. A resolução foi votada hoje pelo órgão de 192 países, com 185 condenando o embargo e pedindo seu fim, três votos a favor (EUA, Israel e Palau) e duas abstenções (Micronésia e Ilhas Marshal). No ano passado, o bloqueio americano foi condenado por 184 votos a quatro, com uma abstenção.
O ministro do exterior de Cuba, Felipe Pérez Roque, afirmou antes da votação que será uma tarefa para o próximo presidente dos Estados Unidos decidir se o bloqueio é uma política fracassada.
O projeto de resolução, intitulado ‘’Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba'’ foi apresentado pelo ministro cubano de Relações Exteriores, Felipe Pérez Roque.
Na introdução desse documento, aparece destacada a preocupação pela promulgação e aplicação por parte dos Estados Unidos de legislações e disposições regulamentares de alcance extraterritorial como a Lei Helms-Burton.
Na 16ª votação deste projeto em 2007, a demanda de extinguir a política coercitiva americana contra Cuba recebeu apoio quase unânime da Assembléia Geral quando 184 de seus 192 membros votaram a favor.
Os Estados Unidos foram acompanhados apenas por Israel, Ilhas Marshall e Palau em sua oposição a esse projeto de resolução, enquanto a Micronésia absteve-se e Albânia, El Salvador e Iraque estiveram ausentes.
Um porta-voz oficial cubano disse que ‘’pela décima sétima vez, a comunidade internacional terá a oportunidade de expressar novamente sua condenação à política genocida de bloqueio que o governo estadunidense mantém contra nosso país'’.
A aplicação dessa política por quase 50 anos contra Cuba ‘’constitui o principal obstáculo para o desenvolvimento econômico e social do país e uma flagrante violação dos direitos humanos de todo o povo cubano'’, observou.
Mas apesar da reiterada rejeição da Assembléia Geral ao bloqueio econômico contra Cuba, Washington continua a aplicação dessa medida coercitiva de maneira impune, porque as decisões deste alto organismo da ONU não são de cumprimento obrigatório.
O projeto de resolução expressa preocupação pelo fato de que após a rejeição ao bloqueio a Cuba durante 16 anos consecutivos, as autoridades americanas continuam promulgando e aplicando novas medidas para reforçá-lo.
Em declarações à Prensa Latina sobre este tema, o presidente da Assembléia Geral, o diplomata nicaragüense Miguel d’Escoto, referiu-se a este fato como um dos casos que explicam a necessidade de reforma requerida pela ONU.
‘’A idéia de que a clara e inequívoca voz da Assembléia Geral deve ser tomada como uma simples recomendação sem nenhuma obrigatoriedade deve ser enterrada para sempre'’, expressou d’Escoto.
De todas as formas, os diplomatas cubanos insistem em que seu país ‘’continuará exigindo o levantamento do bloqueio e não cederá em seu empenho até conseguir sua eliminação'’.

Texto: Prensa Latina / Postado em 30/10/2008 ás 02:55

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Cuba em imagens: a ilha ensina a América Latina

Reportagem especial: Cuba em Imagens


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Cuba em imagens: a ilha ensina a América Latina
Texto e fotos de Alexandre Barbosa *
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Museu em CubaEstive em Cuba em janeiro de 1998, uma semana antes da chegada do Papa João Paulo II. Foi um dos períodos mais difíceis na história da ilha, sete anos após o colapso da URSS e cercada por vizinhos ainda dominados pela hegemonia neoliberal.
O Brasil tinha reatado relações com Cuba, mas ainda seguia a cartilha dos EUA não fazia investimentos na economia cubana que era, não pela vontade do povo ou dos dirigentes cubanos, muito dependente de investimentos estrangeiros.
Na época, os EUA tentavam aumentar a condição de quintal das nações latino-americanas com as negociações para a implantação da ALCA. Apenas a vitória, nos anos seguintes, de governos mais populares (ou nacionalistas) na Venezuela e mais tarde no Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Equador, Bolívia e Nicarágua permitiriam à Cuba melhores condições de sobreviver ao bloqueio estadunidense.

O que a indústria jornalística não leva em consideração (clique aqui para ler a crítica à cobertura midiática sobre a renúncia de Fidel Castro ao governo de Cuba) é que a economia e a vida política cubanas não podem ser analisadas apenas pela renda per capita ou por outros fatores típicos de uma nação ocidental capitalista.

Cuba é um outro mundo, forjado desde o século XIX numa luta feroz para se tornar uma nação livre. A revolução de janeiro de 59 foi o maior passo neste processo iniciado por José Martí e o que os cubanos alcançaram: independência, ensino, saúde e educação gratuitos para todos são vitórias que centenas de nações não podem se orgulhar.

Nos primeiros anos da revolução, o governo cubano tentou acelerar a industrialização. As viagens internacionais do então ministro Che Guevara não eram apenas para vender o açúcar mas para trazer tecnologia. Infelizmente, o criminoso bloqueio dos EUA, que condenava a sanções os que negociassem com Cuba, levou a ilha a se refugir ainda mais na proteção, muitas vezes até imperial, da URSS.

Mesmo assim, Cuba sobreviveu. Sobreviveu ao fim da URSS, às tentativas de invasão norte-americanas e até às exigências soviéticas, pois tentou espalhar a revolução popular para outras partes do mundo, com o envio de soldados ou treinamento de guerrilheiros. Como as fotos abaixo mostram, Cuba é um país que cultua sua memória, que tem maravilhas naturais e, apesar do bloqueio econômico, é um povo sorridente e senhor de sua condição de país independente.

A história das lutas de Cuba
A lembrança de Che Guevara
Atrações turísticas
O cotidiano em Cuba

Cuba faz questão de manter vivo seu passado de lutas

José Martí
Memorial José Martí: ao fundo a casa onde nasceu Martí e um trecho de sua poesia mais famosa - Guantanamera, yo soy un hombre sincero

Por toda a parte de Cuba há museus. Na Praça da Revolução, há o Memorial José Martí, em homenagem ao idealizador da independência cubana e que morreu logo no desembarque da primeira investida contra as tropas espanholas.

Outra atração é o Museu da Santería, religião de origem africana, em que é possível ver as divindades que os africanos cultuavam e que ainda são muito fortes no Caribe.

O mais impressionante é o Museu da Revolução. Lá estão guardadas as memórias da luta na Sierra Maestra, o iate Granma usado pelos guerrilheiros para desembarcar em Cuba, armas que combateram os invasores de Playa Girón e centenas de outros objetos.

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Iate Granma
O Granma está imortalizado no Museu da Revolução, com ele, 82 guerrilheiros desembarcaram no litoral cubano para iniciar a revolução.

Jipe utilizado na campanha de Sierra Maestra
Veículo utilizado durante a campanha na Sierra Maestra

Museu da Revolução
Tanque utilizado para combater os mercenários financiados pela CIA durante a invasão de Playa Girón.

Museu da Revolução
O Museu da Revolução apresenta centenas de objetos, desde as carteirinhas de comunistas, passando por fotos até armas e utensílios utilizados durante a guerrilha.

Museu da Revolução

Durante a invasão de Playa Girón, em 1961, Fidel Castro convocou o povo cubano para a resistência. É essa data que marca a virada da Revolução Cubana para uma revolução anti-imperialista e comunista, o que não foi proclamado em 1959. Os mercenários foram detidos e no museu há turbinas de aviões, barcos e outros objetos capturados.

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Museu da Revolução

A presença de Che em Cuba

Plaza de La Revolución
A Plaza de la Revolución é o local utilizado para os grandes discursos de Fidel Castro e sede do governo cubano.

La Cabaña
Como Comandante, o primeiro cargo de Che Guevara no novo governo cubano foi em La Cabanã, fortaleza que guarda a baía de Havana desde a época colonial. Até hoje, está intacta a sala que Che utilizou.

Maca que recolheu o corpo de Che

No mausoléu construído para Che Guevara, há objetos de uso cotidiano com lâminas de barbear, boinas e até a famosa jaqueta de couro utilizada por ele durante a foto de Alberto Korda que o eternizou. Ao lado, a maca em que o corpo de Guevara foi transportado na Bolívia.

Com a morte de Guevara na Bolívia, seu exemplo de guerrilheiro que não se apega a cargos e que dá a vida pela revolução está presente no imaginário cubano. Se Fidel Castro sofreu o desgaste dos anos no poder, Che permanece um ídolo até para os cubanos que estão descontentes com os caminhos da revolução. Ouvi isso de um taxista que trabalha no aeroporto.

Mausoléu Che Guevara
Em Santa Clara, onde Che Guevara venceu uma batalha decisiva para a guerrilha cubana, foi construído um mausoléu. No alto, a estátua lembra a figura do guerrilheiro. Ao dar a volta por esse monumento, o visitante pode entrar no local em que estão os restos mortais de Ernesto Guevara e os outros guerrilheiros mortos na Bolívia.
Há uma praça em frente à estátua, em que músicas em homenagem a Che tocam o tempo todo.

Che e Camilo

Além de Che, outra figura importante na Revolução Cubana foi Camilo Cienfuegos, à direita nesta reprodução em cera. Camilo morreu logo nos primeiros anos da Revolução Cubana e estava presente sempre nos discursos e textos de Che.

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Cuba é um país rico em atrações turísticas

Cubana Aviaciones

Hoje, viajar para Cuba está mais tranqüilo. Há vôos diretos de São Paulo, pela Cubana Aviaciones.

Os aviões são russos e o refrigerante servido é a Tropicola, produzida na Ilha, o que dá um charme diferente para o passeio.

Na cabine do pioto, os comandos estão escritos no alfabeto cirílico, utilizado pela Rússia.

Cubana Aviaciones

Cerimônia do Cañonazo
A cerimônia do cañonazo atrai turistas à fortaleza de La Cabaña. Guardas se vestem com roupas coloniais e disparam um tiro de canhão na baía de Havana. Durante séculos a região teve intenso combate de piratas.

Hotel Nacional
O Hotel Nacional é o mais tradicional de Cuba. Antes da Revolução, servia de ponto para a máfia norte-americana se reunir, pois oficialmente, os encontros eram proíbidos nos EUA. No entanto, até Frank Sinatra fez shows para os mafiososo. Logo após a Revolução foi centro de formação profissional, principalmente para as prostitutas que teriam de aprender um novo ofício. Hoje, é um hotel caro para turistas, mas que oferece os melhores serviços.

Playas del Este
As playas del este ficam a poucos quilômetros de Havana. Quem alugar um carro, pode chegar facilmente em poucos minutos. São praticamente desertas durante a semana além de belíssimas, com um impressionante mar azul. Recomenda-se para quem não quer o agito de Varadero.

La Bodeguita del Medio
La Bodeguita del Medio, ao lado de La Floridita, são os bares mais famosos de Cuba. A tradição manda deixar o nome nas paredes forradas de autógrafos, inclusive de personalidades, como o presidente chileno Salvador Allende.

Bodeguita del Medio

Trinidad

Depois de passar por Santa Clara, outra cidade que merece visita é Trinidad, que mantém construções do século XVII.

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As lições que Cuba ensina

"Os americanos? Nós os chutamos daqui como se fosse uma bola de futebol", disse um cubano de camisa florida e sorriso estampado no rosto. Disse-me essa frase em meio a outras de menor conteúdo político, como que era possível fritar um ovo na calçada nos dias de calor.

Não me identiquei como jornalista para grande parte dos cubanos com que falei. Apenas fiz uma entrevista com um economista, que me recebeu na casa dele depois de uma conversa na rua. Para ele, Cuba vivia numa democracia. "Não chamo de democracia o fato de alguém sair com um cartaz na rua gritando contra o governo, mas poder contar com todas as garantias de educação e saúde gratuitas".

Entre os demais cubanos há os que defendem o regime com força. Geralmente são os mais velhos, que viram o que era o país antes da Revolução e não querem as mesmas interferências e escândalos de corrupção. Não querem abrir mão de suas conquistas. Entre os mais jovens, há dois grupos: os que trabalham com turismo e os que vivem no cotidiano da ilha.

O perigo do turismo
Em Havana, o turismo, apesar de ter sido a salvação inicial para a economia embargada, acabou gerando uma classe de privilegiados, com acesso a dólares o que lhes permite comprar produtos no mercado negro.

Os cubanos podem conseguir produtos para o dia-a-dia nos mercados estatais como azeite e combustível. No entanto, com o embargo econômico, a venda de açúcar não gera dividendos suficientes para fornecer esses produtos em grande quantidade, o que levou ao racionamento. Os cubanos encontraram no mercado negro, movido a dólares, o caminho para complementar os produtos necessários. Nas ruas próximas aos hotéis, há prostitutas e vendedores de rum e cigarro, além de guias que prometem levar os turistas para todos os lugares. Tudo na busca por dólares.

Aos olhos do mundo ocidental, isto poderia soar a fracasso. No entanto, os índices educacionais, de saúde e esportivos mostram que Cuba, nesses quase 50 anos, fez uma opção diferente. Não há carrões pelas ruas, nem casas com piscina ou salas com TV de plasma, verdade. Mas, em Santa Clara, onde dormi uma noite na casa de cubanos comuns, presenciei uma cena que não seria comum em várias casas brasileiras. A cubana Yaldrey acordou cedo para ir ao colégio técnico gratuito, levando de baixo do braço os livros que recebeu gratuitamente e vestindo o uniforme também gratuito. Yaldrey cuida bem de seus livros, porque no próximo ano, outro cubano irá precisar deles. Se Cuba fosse um fracasso, isso não seria uma cena comum.

Cubanos
Família de cubanos em Santa Clara. De roupa escura, à frente, a jovem Yaldrey, estudante da escola "Ernesto Che Guevara".

Havana vieja
Rua de Habana Vieja. Não se pode olhar Cuba com o ponto de vista do capitalismo ocidental.

Havana
Vista aéra da cidade de Havana, capital de Cuba.


Na praça dos Correios acontece semanalmente uma feira de livros, paraíso para os leitores de clássicos do marxismo.

Cemitério
Pela ruas de Havana, a cena dos carros velhos é comum.

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* Alexandre Barbosa, idealizador do site latinoamericano.jor.br é jornalista formado pela UMESP (turma de 97), mestre em Ciências da Comunicação pela USP (2005) e especialista em jornalismo internacional pela PUC-SP (2000). Atualmente é professor universitário de cursos de comunicação social e consultor em comunicação institucional.

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Fidel Castro, a revolução cubana e a América Latina

FIDEL VENCEU!

O MAIOR LIDER LATINO DO SÉCULO XX
     O MAIOR LIDER LATINO DO SÉCULO XX

Fidel Castro, a revolução cubana e a América Latina
por Luiz Alberto Moniz Bandeira*
De Marti a Fidel: a Revolução Cubana e a América LatinaQuando o ditador Fulgêncio Batista, sem mais condições de manter-se no poder, renunciou durante o reveillon de 1959 e, secretamente, fugiu de Cuba para a República Dominicana, não foi só o seu governo que caiu. Todo o Estado cubano se havia desintegrado e 1959 tornou-se um ano realmente novo. Dias depois, centenas de guerrilheiros barbudos, grande parte de guajiros (trabalhadores do campo), sujos, uniformes rasgados, entraram em Havana, sob o comando de Fidel Castro, Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos. Era o clímax de uma epopéia, iniciada por apenas 16 sobreviventes, dos 82 que desembarcaram do iate Granma, no litoral Cuba, em 2 de dezembro de 1956. Fidel Castro tinha então 25 anos e, durante dois anos, comandou a guerra de guerrilhas, juntamente com seu irmão Raúl Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos, organizando o Exército Rebelde, que destruiu a ditadura dos sargentos Fulgêncio Batista, respaldada pelos Estados Unidos.
A revolução cubana foi o fato político mais poderoso e o que maior impacto causou na América Latina, ao longo do século XX, não por causa do seu caráter heróico e romântico ou porque o regime implantado por Fidel Castro evoluiu posteriormente para o comunismo, mas porque ela exprimiu dramaticamente as contradições não resolvidas entre os Estados Unidos e os demais países da região. Não foram os comunistas que promoveram a revolução cubana, no contexto da na Guerra Fria. Conquanto alguns de seus líderes, como Ernesto Che Guevara e o próprio Fidel Castro, em pequena medida, acolhessem idéias marxistas, eles não pertenciam a nenhum partido comunista e não era inevitável que a revolução cubana se desenvolvesse a tal ponto de identificar-se com a doutrina comunista e instituísse a sua forma de governo. Com razão, o historiador Thomas Skidmore, da Brown University, apontou Cuba como ?um estudo clássico do fenômeno nacionalista?, acrescentando que o povo podia ver o caráter autoritário do regime, mas ?o real apelo do regime de Castro era o nacionalismo?. Com efeito, a revolução cubana foi autóctone, teve um caráter nacional e democrático, e a implantação de um regime segundo o modelo dos países do Leste Europeu resultou de uma contingência histórica, não de uma política empreendida pela União Soviética, ma, sim, empreendida pelos Estados Unidos que, sem respeitar os princípios da soberania nacional e autodeterminação dos povos, não aceitaram os atos da revolução, como a reforma agrária, e transformaram contradições de interesses nacionais em um problema do conflito Leste-Oeste.
De Martí a Fidel: a Revolução Cubana e a América Latina (editora Civilização Brasileira)Em abril de 1959, quatro meses após a tomada do poder em Havana, Fidel Castro esteve em Buenos Aires, a fim de participar conferência do Comitê dos 21, organismo encarregado de estruturar a Operação Pan-Americana, e seu discurso, segundo o então presidente Juscelino Kubitschek, refletiu ?melhor do que os demais a tragédia da América Latina?, dada a crueza que ressaltava de suas palavras. Causou ?verdadeiro impacto? ao reclamar dos Estados Unidos uma ajuda financeira à América Latina, no valor de US$ 30 milhões. Kubitschek, após conversar com Fidel Castro em Brasília e ter ?a oportunidade de conhecer, em profundidade, seu pensamento?, concluiu que ele era ?um idealista amargurado, que sofrera na carne as conseqüências do apoio dado pelos Estados Unidos às ditaduras na América Latina?, uma vez que Cuba fora marcada por ?longa tradição de tirania? e seu povo, havendo suportado ?o garrote do regime de Batista, não conseguia separar a trágica realidade da situação interna do apoio irrestrito de Washington ao opressor do país?.
Ao regressar de Buenos Aires, Fidel Castro passou pelo Rio de Janeiro e fez um discurso na Praça Barão Rio Branco, organizado pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e no qual repetiu basicamente o que dissera em Buenos Aires: ?Ni pan sin liberdad ni libertad sin pan?. Lembro-me bem destas suas palavras, pois estava ao seu lado no palanque. E, em Havana, Fidel Castro voltou a reiterar que ?la ideología de nuestra revolución es bien clara; no solo ofrecemos a los hombres libertades sino que le ofrecemos pan. No solo le ofrecemos a los hombres pan, sino que le ofrecemos también libertades?. Ao longo do discurso, durante o qual tratou de definir a ideologia da revolução, Castro, após salientar que no mundo se discutiam duas concepções, a que oferecia aos povos democracia e matava-os de fome e a que oferecia pão, mas lhes suprimia as liberdades, afirmou:
?Nosotros nos vamos poner a la derecha, no nos vamos poner a la izquierda, ni nos vamos poner en el centro, que nuestra Revolución no es centrista. Nosotros no vamos poner un poco más adelante que la derecha y que la izquierda. Ni a la derecha ni a la izquierda, un paso más allá de la derecha y de la izquierda?.
Em abril de 1960, quando estive em Havana, acompanhando Jânio Quadros, então candidato à presidência do Brasil, vi Fidel Castro mostrar-lhe um crucifixo que trazia pendurado no pescoço, indicando que não era comunista e que respeitava a Igreja. Mas, um ano depois, em 16 de abril de 1961, após o bombardeio dos aeroportos de San Antonio de los Baños, Santiago e Havana pelos aviões da CIA, Fidel Castro, após compará-lo, com justo motivo, ao ataque pérfido e traiçoeiro do Japão a Pearl Harbor, em 1941, declarou que os Estados Unidos não perdoavam Cuba porque ?esta es la revolución socialista y democrática de los humildes, con los humildes y para los humildes?.
Ao fazer essa declaração, Fidel Castro buscou comprometer a União Soviética na defesa de Cuba. Ele jogou com o conflito político e ideológico que então eclodira entre Moscou e Pequim e dividira o Bloco Socialista, pois temia que Nikita Kruchev, na linha coexistência pacífica e em entendimento com John Kennedy, trocasse Cuba por Berlim Ocidental, em prol de melhores relações com os Estados Unidos. A proclamação do caráter socialista da revolução cubana, porém, representou igualmente duro golpe nos dogmas cristalizados por Joseph Stalin e outros líderes comunistas, sob o rótulo de marxismo-leninismo, uma vez que ela fora realizada não por um partido supostamente operário, constituído sob as normas do chamado centralismo-democrático e rotulado de comunista, mas pelo Movimento 26 de Julho, uma organização composta, sobretudo, por elementos das classes médias, que, no curso da guerra de guerrilhas, passaram a incorporar camponeses e trabalhadores rurais, os guajiros, ao Exército Rebelde, em benefício dos quais realizaram a reforma agrária.
De conformidade com a ortodoxia stalinista, Cuba não tinha condições materiais senão para realizar uma revolução agrária e democrática, mediante a instalação de um ?governo patriótico?, de união com a burguesia progressista, que se propusesse a impulsionar o processo de industrialização e, libertando o país do domínio imperialista, promover o desenvolvimento econômico e a emancipação nacional. Os dirigentes comunistas, que visitavam Havana, consideravam a revolução em Cuba estranha ao modelo, por eles reconhecido, dado lá não existir um operariado industrial, e julgavam Fidel Castro e seus companheiros um ?grupo inexperiente, com formações ideológicas diversas e pouco definidas?, orientados pelo que qualificaram como ?marxismo amador, ou melhor ainda, como cubanismo?. Ouvi quando Luiz Carlos Prestes, então secretário-geral do PCB, qualificou Fidel Castro como ?aventureiro?, em entrevista à imprensa do Rio de Janeiro, em 1959.
A revolução cubana assim produziu profundas conseqüências na América Latina, onde a tendência das Forças Armadas para intervir, como instituição, no processo político, a partir de 1960, não decorreu apenas de fatores endógenos e constituiu muito mais um fenômeno de política internacional continental do que de política nacional, argentina, equatoriana, brasileira etc., uma vez que fora determinada, em larga medida, pela mutação que os Estados Unidos estavam a promover na estratégia de segurança do hemisfério, redefinindo as ameaças, com prioridade para o inimigo interno, e difundindo, através, particularmente, da Junta Interamericana de Defesa, as doutrinas de contra-insurreição e da ação cívica. Tanto isto é certo que a intervenção das Forças Armadas, a princípio, visou, sobretudo, a ditar decisões diplomáticas, a modificar diretrizes de política exterior, e ocorreu, geralmente, nos países cujos governos se recusavam a romper relações com Cuba. E daí o surto militarista, com a propagação dos golpes de Estado, que tinham como principal fonte de inspiração a Junta Interamericana de Defesa, visando a impedir que outro Fidel Castro surgisse na América Latina.
Fidel Castro foi o mais importante líder da América Latina, no século XX, e o fato de que permaneceu quase meio século no poder, apesar do bloqueio e de todas as pressões, inclusive dezenas tentativas de assassinato pela CIA, representou a maior derrota política que os Estados Unidos sofreram, apesar de seu enorme poderio econômico e militar. http://www.espacoacademico.com.br/082/82bandeira.htm

Por: CMI Brasil

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50º aniversário da Revolução Cubana

ENTREVISTA - CARLOS TABLADA

“Repensar o nosso socialismo é a melhor forma de celebrar a Revolução Cubana”

Em entrevista à Carta Maior, Carlos Tablada, professor da Universidade de Havana e autor de livros sobre o pensamento político e econômico de Che Guevara, fala sobre os 50 anos da Revolução Cubana, sobre o marxismo de Che e o socialismo do século XXI.

Clarissa Pont

Revoluçaõ Cubana Com o 50º aniversário da Revolução Cubana se aproximando, Carta Maior conversou com Carlos Tablada, professor da Universidade de Havana e redator da revista Alternatives Sud, do Centro Tri-continental (CETRI), além de Fundador do Fórum Mundial de Alternativas e membro do júri do Prêmio Casa das Américas. Em recente entrevista, quando incitado pela milésima vez a fazer críticas a Cuba, o escritor uruguaio Eduardo Galeano resumiu assim sua análise sobre o país: “Continuo acreditando que a onipotência do Estado não é a melhor resposta à onipotência do mercado e ainda pratico aquele conselho de Fonseca Amador, o fundador do sandinismo na Nicarágua: Amigo, amigo verdadeiro, é quem elogia pelas costas e critica pela frente”. Tablada é da mesma turma, autor de vários livros e dezenas de artigos, licenciado em sociologia, filosofia e doutor em ciências econômicas, ele esteve no Brasil para lançar a primeira edição em português de "O marxismo de Che e o socialismo no século XXI".
Na ocasião da entrevista, passava por Cuba o terceiro furacão deste mês, deixando perdas avaliadas em US$ 8,6 bilhões e quatro mortos. “Nós sabemos que não há como reconstruir uma sociedade sem a possibilidade de repartir tuas coisas com outras pessoas e outros povos. Ou seja, o cubano tem um espírito de solidariedade muito forte, de repartir o pão, não somente com outro cubano, mas também com um estrangeiro. Por exemplo, no período em que o Produto Interno Bruto cubano caiu quase 40%, nós tínhamos mais de 25 mil estudantes estrangeiros com bolsa estudando na universidade e nós não mandamos ninguém de volta. A nenhum cubano passou pela cabeça dizer bueno, agora não temos o que comer, vamos mandar esse pessoal embora, como vamos alimentar e educar mais de 25 mil estudantes estrangeiros¿. Mas é normal. E agora, com os furacões, creio que vai ser a mesma coisa, nos recuperamos”.
Nesta conversa, Tablada defende que é a partir da mesma força solidária de reconstruir Cuba que surgem as comemorações de meio século de revolução.
Carta MaiorO mundo está passando por uma crise do modelo capitalista. Como isso é visto desde Cuba?
Carlos Tablada – Na verdade, nós fomos um dos primeiro países a denunciar isso. E nossos dirigentes e acadêmicos cubanos foram os primeiros que denunciaram a natureza do neoliberalismo e o Consenso de Washington. Nós estávamos totalmente convencidos que isso só traria mais pobreza. O Consenso é como um aspirador de pó para sugar riquezas, uma nova colonização dos países do sul, uma imposição ao resto dos países do mundo a grande especulação financeira. Até economistas europeus e capitalistas como Keynes, já nos anos 30, denunciavam a economia cassino. Hoje em dia os próprios capitalistas estão recorrendo a Karl Marx porque é nele que esta a explicação do desenvolvimento do capital.
E Karl Marx já nos advertia como o desenvolvimento do capital industrial ia levar ao desenvolvimento do capital fictício. E este capital fictício acaba crescendo a um nível maior que o capital real, industrial, de serviços. Assim, simplesmente se traga a economia real. O desenvolvimento da economia fictícia se dá em detrimento ao crescimento da economia real. Keynes faz essa avaliação a partir do que aconteceu na grande crise de 1929, gerada a partir dos Estados Unidos como esta, e alerta que os estados deveriam ter mais controle para que não se convertessem em economias cassino. Ao invés disso, deixou-se de lado o acordo de Bretton Woods, que de certo modo estabelecia uma ordem.
E aí, nos anos 70, quando os Estado Unidos não podiam mais manter economicamente a loucura de Guerra do Vietnã, rompem com Bretton Woods e transladam o custo da guerra que estava chegando ao final ao resto das economias do mundo. Então era evidente o que aconteceria. O neoliberalismo fundamentalmente se converteu em cultura, em domínio nos anos 80 e 90, e foi isso que lhe permitiu o pensamento único, um pensamento pior do que aquele que surgiu do socialismo real do bloco soviético, um dogmatismo incrível. O capital hoje em dia extrai da natureza uma maior quantidade de recursos naturais do que a natureza é capaz de produzir. E, também, a indústria e a forma de vida capitalista devolvem à natureza um nível de contaminação que o planeta não tem capacidade de regenerar. O capitalismo neoliberal gera conseqüências que o planeta não tem mais como encarar, aí estão as mudanças climáticas que são irreversíveis.
Essa é uma crise civilizatória, é um bloco de coisas. E isso independe de você ser comunista, ser de esquerda ou de direita. Os exemplos que estou dando, de economia cassino e mudança climática, fazem referência a dois representantes do sistema que não podem nunca ser acusados de terem sido comunistas. Um é Keynes e o outro é Al Gore, vice-presidente de Bill Clinton e candidato à presidência dos Estados Unidos que ganhou as eleições, mas simplesmente perdeu para Bush por uma fraude. Faço referência a duas pessoas sobre as quais não há duvida de seu tom ideológico e que são partidárias do capitalismo, e até eles concordam que, do jeito que está, ficamos sem capital, sem planeta e sem nada.
CME o que a experiência de Cuba tem a contribuir nesse cenário?
CT – Em primeiro lugar, é necessário aceitar Cuba como uma experiência de construção de sociedade alternativa à capitalista. Quando Cuba triunfou, as revoluções socialistas, e a que tinha mais anos era a da União Soviética, tinha 30 anos, já tinham cometido erros gravíssimos que determinaram seu desaparecimento. Portanto, quando triunfa a Revolução Cubana a humanidade não tinha receita, não havia sido capaz de criar uma cultura alternativa à capitalista ou uma economia real alternativa à capitalista, nem um sistema político participativo alternativo ao capitalismo. Esses três temas estavam pendentes e nós cubanos fomos descobrindo que permaneciam pendentes. Que o que nos vendiam como uma coisa feita, o modelo soviético que deveria ser copiado, não era assim.
Nós cometemos erros próprios e erros semelhantes quando copiamos o modelo soviético. Reproduzimos erros em Cuba cometidos pelos países socialistas e, por outra parte, cometemos erros na busca de um caminho próprio, erros menores, porque sempre que se comete um erro pensando com cabeça própria é melhor. Precisamente é por isso que desaparece o bloco soviético e nós não desaparecemos. Porque a Revolução Cubana se caracterizou sempre por uma grande vitalidade, por uma busca constante de novos caminhos.
A outra coisa que não nos fez perder foi o internacionalismo. Quando Cuba surge como uma nação, surge junto uma posição internacionalista, tanto cultural como política. E é precisamente esse internacionalismo que nos ajudou a não nos perdermos e seguirmos a busca de um caminho próprio. E, por outra parte, é necessário avaliar as condições tão difíceis sob as quais nos desenvolvemos, nós estamos submetidos a um bloqueio criminal, econômico político e financeiro. Os Estados Unidos perseguem aos empresários e os ameaça se negociam com Cuba. Um barco mercante que entra em Cuba tem que esperar seis meses para poder entrar em um porto norte-americano. Tu imaginas, nós compramos na Europa várias coisas. Fora as agressões militares, biológicas e o terrorismo que aplicaram. Tudo isso deixou feridas já reconhecidas e se não fossem elas, nosso desenvolvimento teria sido maior.
Por dezessete anos consecutivos, a Assembléia Geral das Nações Unidas condenou o bloqueio norte americano a Cuba. E das 192 nações inscritas nas Nações Unidas, 185 votaram contra o bloqueio. Somos uma experiência fora do capitalismo que tem justeza ao redor do mundo.
CMO senhor está no Brasil para lançar O marxismo de Che e o socialismo no século XXI, livro que nasce de um processo de 15 anos de estudo…
CT – Em toda Revolução Cubana, a pessoa que mais se preocupou com a organização da nova economia foi Ernesto Che Guevara. O Che foi também um dos primeiros dirigentes cubanos que visitou a União Soviética. Ele era comunista e um observador do que acontecia lá, ainda no México antes de vir para Cuba, fazia parte da Associação de Amizade México - União Soviética. E havia estudado desde os 17 anos o marxismo. Com os revolucionários cubanos, como José Martí e Fidel Castro, tinha aprendido que toda revolução que não leva implícita uma mudança na natureza humana não tem sentido, não vale a pena lutar apenas por coisas materiais, uma revolução é verdadeira e justifica o sangue derramado por ela, se implica uma mudança de espiritualidade, de valores, se desenvolve a individualidade e não o individualismo. Desenvolve a coletividade, mas não o coletivismo burocrático, no qual a pessoa se converte em um número. Isso está presente na cultura revolucionária cubana desde o século 19.
E Che aprendeu isso. Mas quando ele visita as fábricas e empresas do bloco soviético, descobre que não havia tal mudança. Que após 30 anos de revolução, o espírito capitalista estava presente nessas empresas. As empresas eram estatais, e se dizia que eram de todo o povo, mas o administrador seguia realizando suas funções como se fosse um capitalista, o operário não tinha realmente nenhum participação real na tomada de decisões sobre o que ia produzir ou como ia produzir. E foi isso que o levou a pensar e a repensar o sistema econômico socialista. E Che se dá a tarefa de montar na prática um sistema econômico alternativo ao soviético, e o fez com bastante êxito por quatro anos.
Igualmente, começou a teorizar a respeito, dando origem a uma polêmica econômica grande, inclusive com dois intelectuais de renome mundial, Ernest Mandel e Charles Bettelheim. Esse é o ponto principal do Che. Quando ele parte para o Congo e depois para Bolívia a combater com as armas, o Che não havia tido tempo de expor de uma forma positiva e coerente todas essas idéias. E eu me dei a tarefa, em 1969, de descobrir esse pensamento, investigar e recopilar esse material. Isso levou 15 anos. Simultaneamente, comecei a trabalhar no sistema empresarial cubano e apliquei em uma empresa estatal nacional cubana de 2.823 trabalhadores que produzia 20 milhões de dólares ao ano o sistema de Che e vi seus resultados e depois tive que obrigatoriamente estabelecer o modelo soviético e vi seus resultados também.
Pude comparar como cada um atuava sobre a consciência das pessoas e como atuava o outro. Quais os resultados econômicos e os resultados humanos. Daí surgiu "O pensamento econômico de Ernesto Che Guevara", em julho de 1984. Eu comecei a escrever em 1º de junho de 1969, no hospital onde nascia minha filha, o que demorou quase 24 horas. Na sala de espera comecei e 15 anos depois terminei. Esperei três anos até que ele fosse publicado, e quando recebi Prêmio Casa das Américas, o livro se independizou. Já são 33 edições e meio milhão de exemplares.
CMFoi desta obra que surgiu o livro traduzido para o português…
CT – Este livro que eu tive o privilégio de vocês traduzirem para o português, "O marxismo de Che e o socialismo no século XXI", é formado por algumas idéias que não pude expressar no primeiro livro e das minhas reflexões entre 1987 e 2007. O livro tinha algo como 300 e tantas páginas, mas eu disse a mim mesmo que tinha que ser capaz de transformar isso em um livro pequeno. Consegui reduzi-lo a menos de 100 páginas. Eu o coloquei gratuitamente no site Rebelión e para a minha alegria e surpresa vocês aqui no Brasil me escreveram, pediram se poderiam realizar a tradução e eu lhes disse sim, com muito gosto. O livro foi impresso em Cuba e na Bélgica, e atualmente é traduzido em inglês e francês.
Aí está a essência da essência e aí se explica porque é tão importante o pensamento de Che. O Che foi um dos poucos homens do século XX que conseguiu que forças aparentemente contraditórias o atacassem. Foi perseguido por toda máquina cultural do império norte americano e atacado por toda a burocracia do bloco soviético. Todos os pensamentos novos e audazes em essência são perseguidos. Enfim, o pensamento filosófico de Che é muito profundo e inovador, o pensamento econômico é transgressor, o pensamento sociológico é novo. Quando desapareceu o bloco soviético, lembro que diziam que Cuba não resistiria, que éramos um satélite da União Soviética. Não acreditavam que Cuba possuía uma economia própria que poderia levá-la adiante.
E mais, era bom para nós que desaparecesse a União Soviética, porque assim nos estávamos num momento de deixar a certeza na qual estávamos vivendo e alcançar nossa soberania econômica, nossa independência econômica total. O Che é a máxima expressão disso e por isso a importância que ele tem para a América Latina e para os povos africanos até hoje. O socialismo futuro não pode ser um só socialismo. Tem que haver tantos socialismos como experiências de participação real das populações, dos trabalhadores, dos sindicatos.
CMEm janeiro de 2009, comemora-se meio século da Revolução Cubana. Como o país pretende celebrar esta data?
CT – Essa comemoração já está acontecendo, agora, enquanto conversamos. E está acontecendo precisamente do melhor modo. Pensando e repensando o nosso socialismo. A maioria da população cubana não quer voltar ao capitalismo, mas não quer ficar com o socialismo que temos hoje. Há uma insatisfação incrível, gigantesca, em todos os setores da sociedade cubana. A insatisfação é tão grande que inclusive foi manifestada pela máxima direção do nosso país, o companheiro Raúl Castro. Raúl Castro disse:
“Eu não entendo porque o leite deve ser somente para as crianças até os sete anos. Por que um velho não pode ter acesso ao leite? Por que nos conformarmos com a garantia do leite para todas as crianças até os sete anos?”
E olha que no Terceiro Mundo isso é algo muito grande. Porque tu sabes que agora mesmo, desde que começamos essa entrevista, a cada segundo morrem dez crianças. E dessas crianças que morrem, nenhuma tomou leite na vida. Então, o que o povo cubano conseguiu, apesar deste bloqueio criminoso dos Estados Unidos, de que todas as crianças tenham leite gratuitamente é incrível. Mas Raúl Castro quer dizer que não pode ser apenas isso. “Temos que resolver já, de imediato, que todos tenhamos acesso ao leite”, ele disse.
Estou expressando com um exemplo concreto uma grande inconformidade com o que temos, com o nosso sistema econômico e com o nosso sistema político. Então, a melhor forma de celebrar o 50º aniversário do triunfo da Revolução Cubana de 1959 é precisamente tomar esse caráter autocrítico, esse caráter criativo que nos levou ao poder em 1959, no país em que menos se podia pensar isso. Ninguém podia pensar que se poderia tomar o poder a 150 km da costa americana, com uma base militar norte-americana em nosso território. Isso é muito importante. E é assim que o nosso povo recebe o 50º aniversário, mais que com atos grandes, mas com discussões.
Neste momento, há milhões de cubanos que estão discutindo em seus sindicatos uma nova lei salarial. Porque nós caímos em um falso igualitarismo. A gente recebia o mesmo, se trabalhasse ou não. E neste momento estamos fazendo uma reforma salarial profunda e não a estamos fazendo por decreto. Estamos discutindo com todos os trabalhadores, com os estudantes, em assembléia. Essa é a melhor forma de festejar o 50º aniversário da Revolução Cubana.

Os 50 anos da Revolução Cubana

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