Marcha das Mulheres sai de Vinhedo e ruma para Louveira

Postado: Químicos Unificados

Após caminhada no período da manhã, à tarde atividade de formação abordará o tema Trabalho das Mulheres e Autonomia Econômica

Marcha das Mulheres sai de Vinhedo e ruma para Louveira

A Marcha Mundial das Mulheres, que no Brasil marca o Dia Internacional da Mulher com uma caminhada de Campinas a São Paulo, deixou Vinhedo às 6h de hoje (11/03/2010) e agora se dirige para Louveira, com previsão de chegada por volta das 11 horas.

 	Marcha Internacional das Mulheres - trecho Valinhos/Vinhedo, em 10 de março de 2010

Marcha Internacional das Mulheres
trecho Valinhos/Vinhedo, em 10/03/10
A marcha teve início em Campinas no dia 09 de março (Dia Internacional da Mulher), após ato público na noite anterior no Largo do Rosário e pernoite no Ginásio Rogê Ferreira, e caminhou rumo a Valinhos. Além de Campinas, Valinhos , Vinhedo e Louveira, ela passará  por Jundiaí, Várzea, Cajamar, Jordanésia, Perus e Osasco, com chegada em São Paulo no dia 18, quando um ato público na praça Charles Muller (em frente ao Pacaembu) encerra a mobilização.
Integram a marcha cerca de 3 mil mulheres que buscam dar visibilidade à luta das mulheres brasileiras e reivindicar mudanças em direitos e respeito à diferença de gêneros. O lema das mobilizações é “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, e suas reivindicações se baseiam em quatro campos de ação: autonomia econômica das mulheres; bens comuns e serviços públicos; paz e desmilitarização; e violência contra as mulheres.
O Sindicato Químicos Unificados participa da organização e diversos dirigentes acompanham a caminhada.
Atividades de formação
As caminhadas serão sempre no período da manhã. À tarde sempre haverá atividade de formação, após o almoço e antes do pernoite.
Em Vinhedo, ontem, as companheiras debateram sobre:
* Economia Solidária e Feminista;
* Saúde da mulher e práticas populares de cuidado;
* Sexualidade, autonomia e liberdade;
* Educação não sexista e não racista;
* Mulheres negras e a luta anti-racista;
* Mulheres indígenas;
* A mídia contra-hegemônica e a luta feminista;
* A mercantilização do corpo e da vida das mulheres;
* Prostituição;
* Mulheres, arte e cultura.
Em Louveira, hoje à tarde, a atividade abordará o tema Trabalho das Mulheres e Autonomia Econômica, com a presença de Helena Hirata, na Área de Lazer do Trabalhador”José Sinamore” (Parque da Uva), localizado na rodovia Romildo Prado, km 1, fone (19) 3878.1357. Helena Hirata é socióloga especializada em comparações internacionais do trabalho e das relações de gênero, pesquisadora do Genre et Rapports Sociaux (GERS) - do Centre National de la Recherche Scientifique, na França. É formada em filosofia pela Universidade de São Paulo (Usp).
Amanhã a marcha chegará a Jundiaí, onde haverá pernoite, e a atividade de formação será debate sobre Soberania Alimentar, Justiça Ambiental e Luta por Território. A atividade é o pernoite será no Centro Esportivo Arames Polli Smece, na rua Dr. Benedito Godói, 508, no Jardim Xangai.

Marcha Internacional das Mulheres - trecho Valinhos/Vinhedo, em 10 de março de 2010

Marcha Internacional das Mulheres trecho
Valinhos/Vinhedo, em 10//03/2010
Mais informações
Mais informações sobre a Ação de 2010 da MMM e notícias anteriores da marcha em www.sof.org.br/acao2010 e no endereço do Sindicato Químicos Unificados, que é http://www.quimicosunificados.com.br/noticia_interna.php?id=1295&id_secao=2 
Contato com a imprensa: Ana Maria Straube, por e-mail anamaria@sof.org.br  e fones (11) 8445.2524/ (11) 3819.3876. As fotos aqui publicadas são de Daniela Carrasco.
Fotos
Mais imagens da caminhada no trecho Valinhos/Vinhedo, em 10/03/2010:

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Paquistão: março, em Lahore, para comemorar o Dia Internacional da Mulher 2010

Por: http://www.mmf2010.info/

 

Mais de 1.500 mulheres marcharam sobre a Mall, a partir Nasir Bagh de Punjab Assembléia sob a bandeira da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) para comemorar o Dia Internacional da Mulher em Monday, March 08, 2010. Apesar do receio dos trabalhadores predominante entre os Lahorites madrugada após ataque suicida em prédio da FIA em Cidade Modelo, milhares de mulheres, incluindo os que trabalhem em casa, trabalhadores domésticos, forno de tijolos e embelezamento dos trabalhadores fizeram a sua maneira de Nasir Bagh para observar o Dia Internacional da Mulher.

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Os participantes chegaram a Nasir Bagh em pequenos grupos de diferentes áreas de Lahore. Os participantes gritavam slogans contra a garganta cheia leis repressivas anti-mulheres e as leis anti-trabalhadores. Eles estavam segurando faixas e cartazes com inscrições demandas em favor de mulheres trabalhadoras. Entre os participantes, houve grande número de jovens, que cantavam canções revolucionárias.

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Participantes dupattas vestindo roxo (scarfs) em torno de seus pescoços estavam marchando de forma disciplinada por trás do banner principal, a leitura "END Aproveitamento Econômico, Social STOP injustiças contra as mulheres". A manifestação tinha uma cor verdadeira radical e humor como participantes continuaram gritando slogans anti-capitalista, todo o caminho. Os slogans principais incluem "fim à injustiça econômica", Não à violência contra as mulheres "as mulheres querem a igualdade de direitos" Viva o socialismo "Acabar com leis discriminatórias contra as mulheres" Abaixo o imperialismo E.U. "Não ao capitalismo" Não ao extremismo ".

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Os membros WMW incluindo War Against Rape (WAR), ASR, Gah Shirkat, ActionAid, Labor Education Foundation, Organização da Mulher Trabalhadora, Awami Jamhoori Foram (AJF), Progressive Youth Front, Partido Trabalhista do Paquistão, Progressive Young Girls (PYG) e baseado Home Aurat Workers Union (HBAWU) fervorosamente participaram da marcha

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Bélgica: 5.000 pessoas participaram na manifestação realizada em 6 de março

No final, o seu conjunto de reivindicações foi entregue a autoridades políticas.

Belgium: 5,000 people participated in the demonstration held on the 6th March

O país realizou esta acção no âmbito da 3 WMW Ação Internacional durante a tarde de sábado, 6 de março. Segundo informações da Leen Vandamme, da Bélgica WMW Coordenação Nacional, 5.000 pessoas de diferentes coletivos de mulheres, associações, sindicatos, partidos políticos e outros movimentos participaram nesta acção. A manifestação incluiu quatro momentos-chave, cada uma representando as demandas ligadas ao 4 WMW Área de Ações. No final, o seu conjunto de reivindicações foi entregue a autoridades políticas.

Leia aqui o seu conjunto de demandas

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Japão: ação 8 de março em Tóquio

Eles mantiveram "Festejar o 100 º aniversário do Dia Internacional da Mulher! Tóquio Mimosa Parade "no dia 7 de março, como parte da 3a Ação Internacional da MMM.

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Infelizmente dia estava muito frio e chuvoso, mas mulheres marcharam por uma hora pelo centro da cidade de Tóquio. "Mimosa Parade", foi aberto a todos os que defendiam o fim do desfile. Participantes do a marcha tiveram suas vozes contra todas as formas de discriminação contra as mulheres ouvida durante o desfile. Muitos grupos, como o anti-grupo de bases militares,
grupos anti-globalização, os grupos FSM, grupos anti-VAW, a defesa do aborto grupos, grupos de lésbicas, o grupo que tem lutado com "mulheres de conforto" questão, o grupo que tem lutado com a pobreza das mulheres e feminista parlamentares, participaram da "Mimosa Parade". Após o desfile, tivemos uma oportunidade para a troca de atividades por 2 horas.

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Filipinas: newscover da sua acção 8 de março

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Mulheres saharauis ter comemorado a 8 de março

As mulheres dos campos de refugiados saharauis celebrou o 8 de março, organizando marchas em muitos campos.

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França: Protesto Noite da Mulher reprimida em Toulouse

Polícia do Estado de instigadores da violência: há diálogo, que bateram duro! A manifestação em Toulouse foi realizada em 6 de março

 

Mulher França De um manifestante Bagdam: Um manifestante cujo "crime" foi ter feito algumas marcas na rue du Taur foi severamente imobilizado no chão no meio da multidão, com a cabeça esmagada pelo pé de um policial da Brigada Anti Penal (BAC, Estado Polícia). Várias mulheres que estavam tentando falar com eles e lhes pediu para parar esta violência foram feridos por esses policiais, aparentemente, incapaz de diálogo e que dava a impressão de falta de controle mais básico de si mesmos. Eles pretendem reclamar. A manifestação foi seguida por 2 jornalistas da France 3 Sud.

De um ativista da MMM 31: Neste caso, pelo menos três mulheres ficaram feridas. Dois de nós já passou parte da noite na emergência do Hospital de Rangueil. Temos a intenção de apresentar uma queixa por isso devemos buscar a forma de implementar esta acusação.
Nossa manifestação contra a violência contra as mulheres é mais relevante do que nunca. A demonstração noite somente mulheres em Toulouse, em 6 de março foi reprimida pela polícia enquanto pacificamente, pedimos o direito de sair à noite, de caminhar livremente, sem enfrentar qualquer risco. 8 de março de 2010 será lembrado como prova de que nossas lutas ainda estão a ser efectuados. O macho, sexistas, estão em toda parte e há muitas profissões em que supostamente estão lá para nos proteger.

Mais detalhes (em francês):
http://www.ladepeche.fr/article/2010/03/07/791363-Interpellation-musclee-a-la-marche-des-femmes.html
http://www.ladepeche.fr/article/2010/03/07/791365-Les-femmes-ont-pris-la-rue.html

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Veja as fotos da Marcha da Mulheres de Campinas a São Paulo

Fotos de João Zinclair

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Soberania alimentar é tema do debate hoje na Marcha das Mulheres

Por: Químicos Unificados

Movimento chega a Jundiaí e amanhã segue para Várzea Paulista. Refeições consumirão 2 toneladas de arrroz

Soberania alimentar é tema do debate hoje na Marcha das Mulheres

A Marcha Mundial das Mulheres que percorre a pé os 100 km que separam Campinas de São Paulo chega hoje (12/03/10) a Jundiaí onde, à tarde, os temas soberania alimentar e luta por território integrarão os debates nas atividades de formação que ocorrem todos os dias, após a caminhada pela manhã e o almoço.
O lema da mobilização é “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, e suas reivindicações se baseiam em quatro campos de ação: autonomia econômica das mulheres; bens comuns e serviços públicos; paz e desmilitarização; e violência contra as mulheres.
A Marcha teve início em Campinas na manhã do dia 09 de março, após ato público na noite anterior, no Largo do Rosário, em que foi comemorada a passagem de 08 de março, o Dia Internacional da Mulher. A chegada em São Paulo será dia 18, com ato de encerramento à tarde na Praça Charles Miller (em frente ao Pacaembu).
Leci Brandão e lançamento de livro
Amanhã a Marcha chegará a Várzea Paulista, onde pernoitará, e haverá show público com Leci Brandão para comemorar o centenário da instituição do Dia Internacional da Mulher, no Espaço Cidadania, localizado na avenida Projetada. Ainda em Várzea, a escritora Ana Isabel Alvarez Gonzáles fará o lançamento de seu livro As Origens e a Comemoração do Dia Internacional das Mulheres. Leci Brandão tem uma história de compromisso e participação nas lutas feministas e da classe trabalhadora.
Números e equipes
Participam da marcha cerca de 3 mil mulheres vindas de 25 estados: AC, AL, AM, AP, BA, CE, DF, GO, MA, MG, MS, PA, PB, PE, PI, PR, RJ, RN, RO, RR, RS, SC, SE, SP e TO. São várias delegações em cada estado, contando também com mulheres de diversos movimentos sociais como MST, CUT, Contag, Consulta Popular, UNE, MAB e MMC.

 	Equipe de cozinha da Marcha Mundial das Mulheres - março/2010

Equipe de cozinha da Marcha Mundial
das Mulheres - março/2010
A Marcha é construída integralmente pelas mulheres, divididas em equipes de cozinha, limpeza, infra-estrutura, segurança, comunicação, formação e cultura, saúde, água e creche. A cozinha é fixa e o transporte das três refeições diárias feito por caminhões. Além das equipes, as delegações se revezarão para os trabalhos de limpeza dos alojamentos e cozinha.
Serão utilizados 50 mil litros de água potável e consumidas uma tonelada de feijão, duas de arroz, uma de carne moída, além de outros gêneros como macarrão, legumes e frutas.
Mais informações
Mais informações sobre a Ação de 2010 da MMM e notícias anteriores da marcha em www.sof.org.br/acao2010 e no endereço do Sindicato Químicos Unificados, que é http://www.quimicosunificados.com.br/noticia_interna.php?id=1298&id_secao=2
Contato com a imprensa: Ana Maria Straube, por e-mail anamaria@sof.org.br  e fones (11) 8445.2524/ (11) 3819.3876. As fotos aqui publicadas são de Daniela Carrasco - SOF.
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O Futurismo Italiano (carta a Trotski) António Gramsci

Fonte: Gentilmente cedido pela Juventude do PSTU.

HTML por José Braz para o Marxists Internet Archive

Site: http://www.marxists.org/portugues


Eis aqui as respostas às perguntas que você me fez sobre o futurismo italiano: O movimento futurista, na Itália, perdeu, completamente, seus traços característicos, depois da guerra. Marinetti dedica-se muito pouco com o movimento. Casou-se e prefere consagrar sua energia à esposa. Monarquistas, comunistas, republicanos e fascistas participam, atualmente, do movimento futurista. Em Milão, onde, recentemente, se fundou um semanário político, Il Principe, que formula, ou procura formular, as teorias desenvolvidas por Maquiavel para a Itália do século XV, a saber: Só um monarca absoluto, um novo César Bórgia, colocando-se à frente dos grupos rivais, pode encerrar a luta, que divide os partidos locais e leva a nação ao caos. Dois futuristas, Bruno Corra e Enrico Settimelli, dirigem o órgão. Marinetti colabora hoje nesse periódico, embora tivesse sido preso por causa de violento discurso contra o rei, que pronunciou em 1920, durante manifestação patriótica, em Roma. Os principais porta-vozes do futurismo de antes da guerra tornaram-se fascistas, à exceção de Giovanni Papini, que se converteu ao catolicismo e escreveu uma história do Cristo. Os futuristas, durante a guerra, foram os mais tenazes partidários da "luta até a vitória final" e do imperialismo. Só um fascista, Aldo Palazzeschi, declarou-se contra a guerra. Rompeu com o movimento e terminou emudecendo como escritor, embora fosse dos mais inteligentes. Marinetti publicou um manifesto para demonstrar que a guerra - sempre, aliás, exaltada por ele - constituía o único remédio higiênico para o universo. Tomou parte no conflito como capitão de um batalhão de carros blindados, aos quais teceu um hino entusiasta no seu último livro, A Alcova de Aço. Escreveu também uma brochura intitulada Fora do Comunismo, na qual desenvolve suas doutrinas políticas - se se pode qualificar de doutrina as fantasias desse homem - que são por vezes espirituosas e sempre estranhas. A seção de Turim do Proletkult, antes da minha partida da Itália, pediu a Marinetti que explicasse, na abertura de uma exposição de quadros futuristas, o sentido do movimento aos operários. Ele aceitou, voluntariamente, o convite. Visitou a exposição com os operários e declarou-se satisfeito com o fato de demonstrarem mais sensibilidade que os burgueses no que concerne à arte futurista. O futurismo, antes da guerra, era muito popular entre os operários. A revista L’Acerbo tinha uma tiragem que atingia a 20.000 exemplares, dos quais quatro quintos circulavam entre operários. Quando de numerosas manifestações de arte futurista, nos teatros das maiores cidades italianas, os operários defendiam os futuristas contra os jovens - semiaristocratas e burgueses - que os atacavam. O grupo futurista de Marinetti não existe mais. Um certo Mario Dessi, um homem sem o menor valor, tanto como intelectual quanto como organizador, agora dirige o seu antigo órgão, Poesia. No Sul, notadamente na Sicília, apareceram muitas folhas futuristas nas quais Marinetti escreve artigos; publicam-nas estudantes que encobrem com o futurismo a sua ignorância da gramática italiana. Os pintores compõem o grupo mais importante entre os futuristas. Há, em Roma, uma exposição permanente de pintura futurista, organizada por um certo Antonio Giulio Bragaglia, fotógrafo falido, produtor de cinema e empresário. O mais conhecido dos pintores futuristas é Giorgio Balla. D’Annunzio, publicamente, nunca tomou posição em relação ao futurismo. Deve-se dizer que o futurismo, na sua origem, manifestava-se, expressamente, contra d’Annunzio. Um dos primeiros livros de Marinetti intitulava-se Les Dieux s’en vont, d’Annunzio reste(1). Ainda que durante a guerra os programas políticos de Marinetti e de d’Annunzio coincidissem em todos os pontos, os futuristas permaneceram anti-d’Annunzio. Eles, praticamente, não mostraram nenhum interesse pelo movimento de Fiúme, embora mais tarde participassem das manifestações.

Pode-se dizer que, depois da conclusão da paz, o movimento futurista perdeu completamente o seu caráter e dissolveu-se em diversas correntes, formadas no transcurso da guerra e em conseqüência dela. Os jovens intelectuais são quase todos reacionários. Os operários, que viram no futurismo elementos de luta contra a velha cultura acadêmica italiana, ossificada e estranha ao povo, hoje devem combater de armas na mão por sua liberdade e demonstram pouco interesse pelas velhas querelas. Nas grandes cidades industriais, o programa do Proletkult, que visa a despertar o espírito criador do operário para a literatura e a arte, absorve a energia daqueles que ainda têm tempo e desejo de ocupar-se com tais questões.

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Os Jornais e os Operários Antonio Gramsci 1916

Primeira Edição: …………….
Origem da presente Transcrição: ……………….
Tradução: ……………..
Transcrição de: Alexandre Linares para o Marxists Internet Archive.
HTML de: Fernando A. S. Araújo para o Marxists Internet Archive, Junho 2005.
Direitos de Reprodução: Marxists Internet Archive (marxists.org), 2005. A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License


É a época da publicidade para as assinaturas. Os diretores e os administradores dos jornais burgueses arrumam as suas vitrines, passam uma mão de tinta pela tabuleta e chamam a atenção do passante (isto é, do leitor) para a sua mercadoria. A mercadoria é aquela folha de quatro ou seis páginas que todas as manhãs ou todas as tardes vai injetar no espírito do leitor os modos de sentir e de julgar os fatos da atualidade política que mais convém aos produtores e vendedores de papel impresso. Estamos dispostos a discorrer, com os operários especialmente, sobre a importância e a gravidade daquele ato aparentemente tão inocente que consiste em escolher o jornal que se pretende assinar?

É uma escolha cheia de insídias e de perigos que deveria ser feita com consciência, com critério e depois de amadurecida reflexão. Antes de mais, o operário deve negar decididamente qualquer solidariedade com o jornal burguês. Deveria recorda-se sempre, sempre, sempre, que o jornal burguês (qualquer que seja sua cor) é um instrumento de luta movido por idéias e interesses que estão em contraste com os seus. Tudo o que se publica é constantemente influenciado por uma idéia: servir a classe dominante, o que se traduz sem dúvida num fato: combater a classe trabalhadora. E, de fato, da primeira à última linha, o jornal burguês sente e revela esta preocupação. Mas o pior reside nisto: em vez de pedir dinheiro à classe burguesa para o subvencionar a obra de defesa exposta em seu favor, o jornal burguês consegue fazer-se pagar pela própria classe trabalhadora que ele combate sempre. E a classe trabalhadora paga, pontualmente, generosamente. Centenas de milhares de operários contribuem regularmente todos os dias com seu dinheiro para o jornal burguês, aumentando a sua potência. Porquê? Se perguntarem ao primeiro operário que encontrarem no elétrico ou na rua, com a folha burguesa desdobrada à sua frente, ouvirão esta resposta: É porque tenho necessidade de saber o que há de novo. E não lhe passa sequer pela cabeça que as notícias e os ingredientes com as quais são cozinhadas podem ser expostos com uma arte que dirija o seu pensamento e influa no seu espírito em determinado sentido. E, no entanto, ele sabe que tal jornal é conservador, que outro é interesseiro, que o terceiro, o quarto e quinto estão ligados a grupos políticos que têm interesses diametralmente opostos aos seus. Todos os dias, pois, sucede a este mesmo operário a possibilidade de poder constatar pessoalmente que os jornais burgueses apresentam os fatos, mesmo os mais simples, de modo a favorecer a classe burguesa e a política burguesa com prejuízo da política e da classe operária. Rebenta uma greve? Para o jornal burguês os operários nunca têm razão. Há manifestação? Os manifestantes, apenas porque são operários, são sempre tumultuosos, facciosos, malfeitores.

O governo aprova uma lei? É sempre boa, útil e justa, mesmo se não é verdade. Desenvolve-se uma campanha eleitoral, política ou administrativa? Os candidatos e os programas melhores são sempre os dos partidos burgueses. E não falemos daqueles casos em que o jornal burguês ou cala, ou deturpa, ou falsifica para enganar, iludir e manter na ignorância o público trabalhador. Apesar disto, a aquiescência culposa do operário em relação ao jornal burguês é sem limites. É preciso reagir contra ela e despertar o operário para a exata avaliação da realidade. É preciso dizer e repetir que a moeda atirada distraidamente para a mão do ardina é um projétil oferecido ao jornal burguês que o lançará depois, no momento oportuno, contra a massa operária.

Se os operários se persuadirem desta elementaríssima verdade, aprenderiam a boicotar a imprensa burguesa, em bloco e com a mesma disciplina com que a burguesia boicota os jornais dos operários, isto é, a imprensa socialista.

Não contribuam com o dinheiro para a imprensa burguesa que vos é adversária: eis qual deve ser o nosso grito de guerra neste momento, caracterizado pela campanha de assinaturas, feitas por todos os jornais burgueses. Boicotem, boicotem, boicotem!

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Família Marx

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Marx e o Reino da Consciência António Gramsci 1918

Origem da presente transcrição:  (Desconhecida)
Transcrição de: Alexandre Linares para o Marxists Internet Archive
HTML de: Fernando A. S. Araújo
Direitos de Reprodução:…..

Postado: http://www.marxists.org/portugues


Nosso Marx

Somos marxistas? Existem marxistas? Somente tu, estupidez, és eterna. Essa questão provavelmente ressuscitará estes dias, por ocasião do centenário, e consumirá rios de tinta de estultice. A vã quinquilharia e o bizantinismo são heranças imarcescíveis dos homens. Marx não escreveu um catecismo, não é um messias que tenha deixado uma fieira de parábolas carregadas de imperativos categóricos, de normas indiscutíveis, absolutas, fora das categorias do tempo e do espaço. Seu único imperativo categórico, sua única norma é: "Proletários do mundo inteiro, uni-vos." Portanto, a discriminação entre marxistas e não marxistas teria de consistir no dever da organização e da propaganda, no dever de organizar-se e associar-se. Isto é muito e, ao mesmo tempo, muito pouco: quem não seria marxista? E, sem dúvida, assim são as coisas: todos são um pouco marxistas sem o saber. Marx foi grande e sua ação foi fecunda não porque tenha inventado a partir do nada, não por haver engendrado com sua fantasia uma original visão da história, mas porque com ele o fragmentário, o irrealizado, o imaturo, se fez maturidade, sistema, consciência. Sua consciência pessoal pode converter-se na de todos, e já é de muitos; por isso Marx não é apenas um cientista, mas também um homem de ação; é grande e fecundo na ação da mesma forma que no pensamento, e seus livros transformaram o mundo, assim como transformaram o pensamento.

Marx significa a entrada da inteligência na história da humanidade, significa o reino da consciência.

Sua obra surge precisamente no mesmo período em que se desenvolve a grande batalha entre Thomas Carlyle e Herbert Spencer relativa à função do homem na história.

Carlyle: o herói, a grande individualidade, mística síntese de uma comunhão espiritual, que conduz os destinos da humanidade para margens desconhecidas, evanescentes no quimérico país da perfeição e da santidade.

Spencer: a natureza, a evolução, abstração mecânica inanimada. O homem: átomo de um organismo natural que obedece a uma lei abstrata como tal, mas que se faz concreta historicamente nos indivíduos: a utilidade imediata.

Marx situa-se na história com a sólida postura de um gigante: não é um místico nem um metafísico positivista é um historiador, um intérprete dos documentos do passado, e de todos os documentos, não apenas de uma parte deles.

Este era o defeito intrínseco das investigações relativas aos acontecimentos humanos: o não examinar e não levar em consideração mais do que uma parte dos documentos. E essa parte era escolhida não pela vontade histórica, mas pelo preconceito partidário, que continua a ser isso ainda que inconscientemente e de boa fé. As investigações não tinham como objetivo a verdade, a exatidão a reconstrução integral da vida do passado, mas a acentuação de uma determinada atividade, a valoração de uma tese apriorística. A história era domínio exclusivo das idéias. O homem considerava-se como espírito, como consciência pura. Dessa concepção derivavam duas conseqüências errôneas: as idéias acentuadas eram freqüentemente arbitrárias, fictícias. E os fatos aos quais era dada importância eram anedotas, não história. Se apesar de tudo, foi escrita história, no real sentido da palavra, isso deveu-se à intuição genial de alguns indivíduos, não a uma atividade científica sistemática e consciente.

Com Marx a história continua sendo domínio das idéias, do espírito, da atividade consciente dos indivíduos isolados ou associados. Mas as idéias, o espírito, se realizam, perdem sua arbitrariedade, não são mais fictícias abstrações religiosas ou sociológicas. A substância que adquirem está na economia, na atividade prática, nos sistemas e nas relações de produção e de troca. A história como acontecimento é pura atividade prática (econômica e moral). uma idéia se realiza não quando é logicamente coerente com a verdade pura, com a humanidade pura (a qual não existe a não ser como programa, como finalidade ética geral para os homens), mas quando encontra na realidade econômica justificação, instrumento para afirmar-se. Para conhecer com exatidão quais são os objetivos históricos de um país, de uma sociedade, de um grupo, o que importa antes de tudo é conhecer quais são os sistemas e as relações de produção e de troca daquele país, daquela sociedade. Sem este conhecimento é perfeitamente possível redigir monografias parciais, dissertações úteis para a história da cultura, e serão captados reflexos secundários, conseqüências distantes; mas não será feita história, a atividade prática não ficará explícita com toda sua sólida compacticidade.

Caem os ídolos de seus altares e as divindades vêem como se dissipam as nuvens de incenso doloroso. O homem adquire consciência da realidade objetiva, se apodera do segredo que impulsiona a sucessão real dos acontecimentos. O homem conhece-se a si mesmo, sabe quanto pode valer sua vontade individual e como pode chegar a ser potente se, obedecendo, disciplinando-se de acordo com a necessidade, acaba dominando a realidade mesma, identificando-a com seus fins. Quem conhece a si mesmo? Não é o homem em geral, mas aquele que sofre o jugo da necessidade. A busca da substância histórica, o ato de fixá-la no sistema e nas relações de produção e de troca, permite descobrir que a sociedade dos homens está dividida em duas classes. A classe que possui o instrumento de produção necessariamente já conhece a si mesma, tem consciência, ainda que seja confusa e fragmentária, de sua potência e de sua missão. Tem fins individuais e os realiza através de sua organização, friamente, objetivamente, sem se preocupar se o seu caminho está calçado com corpos extenuados pela fome ou com os cadáveres dos campos de batalha.

A compreensão da real causalidade histórica tem valor de revelação para a outra classe, converte-se em princípio de ordem para o ilimitado rebanho sem pastor. A grei obtém consciência de si mesma, da tarefa que tem de realizar atualmente para que a outra classe se afirme, toma consciência de que seus fins individuais ficarão em mera arbitrariedade, em pura palavra, em veleidade vazia e enfática enquanto não disponha dos instrumentos, enquanto a veleidade não se converta em vontade.

Voluntarismo? Essa palavra não significa nada, se se utiliza no sentido de arbitrariedade. Do ponto de vista marxista, vontade significa consciência da finalidade, o que quer dizer, por sua vez, noção exata da potência que se tem e dos meios para expressá-la na ação. Significa, portanto, em primeiro lugar, distinção, identificação da classe, vida política independente da de outra classe, organização compacta e disciplinada para os fins específicos próprios, sem desvios nem vacilações. Significa impulso retilíneo até chegar ao objetivo máximo, sem excursões pelos verdes prados da cordial fraternidade, enternecidos pelas verdes ervazinhas e pelas suaves declarações de estima e amor.

Mas a expressão "do ponto de vista marxista" é supérflua, e até pode produzir equívocos inundações meramente verbais. Marxistas, de um ponto de vista marxista… todas expressões desgastadas como moedas que tenham passado por excessivas mãos.

Karl Marx é para nós mestre de vida espiritual e moral, não pastor com báculo. É estimulador das preguiças mentais, é o que desperta as boas energias dormidas e que se deve despertar para a boa batalha. É um exemplo de trabalho intenso e tenaz para conseguir a clara honradez das idéias, a sólida cultura necessária para não falar vagamente de abstrações. É bloco monolítico de humanidade que sabe e pensa, que não tem papas na língua para falar, nem põe a mão no coração para sentir, mas que constrói silogismos de ferro que aferram a realidade em sua essência e a dominam, que penetram nos cérebros, dissolvem as sedimentações do preconceito e a idéia fixa e robustecem o caráter moral

Karl Marx não é para nós nem a criança que geme no berço, nem o barbudo terror dos sacristãos. Não é nenhum dos episódios anedóticos de sua biografa, nenhum gesto brilhante ou grosseiro de sua exterior animalidade humana. É um vasto e sereno cérebro que pensa um momento singular da laboriosa, secular, busca que realiza a humanidade por conseguir consciência de seu ser sua mudança, para captar o ritmo misterioso da história e dissipar seu mistério para ser mais forte no fazer e no pensar. É uma parcela necessária e integrante do nosso espírito, que não seria o que é se Marx não tivesse vivido, pensado, arrancado chispas de luz com o choque de suas paixões e de suas idéias, de suas misérias e de seus ideais.

Glorificando a Karl Marx no centenário de seu nascimento, o proletariado glorifica a si mesmo, glorifica sua força consciente, o dinamismo de sua agressividade conquistadora que vai desquiciando o domínio do privilégio e se prepara para a luta final que coroará todos os esforços e todos os sacrifícios.

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Imprensa Proletária

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O «Avante!» foi o jornal comunista clandestino que em todo o mundo,  durante mais tempo, foi sempre produzido no interior de um país dominado por uma ditadura fascista.
Durante décadas – de 15 de Fevereiro de 1931 ao 25 de Abril de 1974 – o órgão central do PCP orientou e mobilizou as lutas da classe operária e de todos os trabalhadores em pequenas e grandes batalhas contra o capital e contra o regime fundado por Salazar e prosseguido por Caetano, orientou e mobilizou sectores democráticos que perfilharam, com os comunistas, uma política de unidade antifascista visando o derrubamento da ditadura terrorista dos monopólios e dos latifúndios aliados ao imperialismo e a conquista da liberdade e da democracia.
Depois dos primeiros dez anos de existência atribulada, impeditiva de uma edição regular, que reflectia também a situação do Partido, a nível político, ideológico, de organização e de defesa perante a ofensiva repressiva do fascismo, o «Avante!», que sucedia a outras publicações comunistas anteriores à reorganização de 1929, conduzida por Bento Gonçalves, passou a ser publicado com regularidade mensal, sem uma falha, a partir da reorganização de 40/41, em que Álvaro Cunhal teve papel destacado. E, por várias vezes, fez tiragens quinzenais e semanais, tendo atingido, durante o período de grandes lutas dos anos 40, o número impressionante de 10 mil exemplares.

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Postado: Arquivo Marxista na Internet

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O batllismo do século 21?

foto_mat_24549 No século 19 as disputas entre Blancos e Colorados degeneravam normalmente em guerras civis, dividindo e enfraquecendo o Uruguai e tornando-o presa fácil de interesses estrangeiros. Os confrontos de caudilhos locais refletiam a luta de poder entre o governo central e os departamentos. Após assumir a presidência e sufocar uma revolta dos líderes Blancos do Departamento de Rivera, Batlle deu início a um programa de reformas que viria conferir ao Uruguai o título de Suíça da América. O artigo é de Renato Martins.

Renato Martins (*)

José "Pepe" Mujica inicia hoje o segundo governo socialista da história do Uruguai. Recebe de Tabaré Vasquez um país em transformação, resultado das políticas de combate à pobreza implementadas pelo governo da Frente Ampla. O símbolo principal dessas mudanças é o Plano Ceibal, iniciativa do governo que nos últimos dois anos entregou a cada criança e a cada professor das escolas públicas um laptop com acesso à internet banda larga. Elogiado até pelos partidos de oposição, o plano explica o apoio de mais de 60% que o presidente Tabaré desfruta ao deixar o governo. Nada mal, a despeito do que diziam seus adversários no início do governo.
Mujica se elegeu com o compromisso de prosseguir as mudanças e ampliar as políticas sociais iniciadas no governo Tabaré Vasquez. Em dezembro passado, quando derrotou o candidato do Partido Nacional, a mídia brasileira destacou a sua trajetória de ex-guerrilheiro pertencente ao Movimento de Libertação Nacional, os Tupamaros. Pouco se disse, porém, sobre a evolução do pensamento político do Uruguai, o que nos ajudaria a compreender o significado das mudanças em curso desde que a esquerda assumiu o poder em 2004.
O batllismo, vertente política nascida nas fileiras do Partido Colorado, é um exemplo desse desconhecimento. Foi a partir dessa doutrina que o Uruguai superou a difusa institucionalidade herdada do século 19 e consolidou-se como Estado moderno. Devem-se a José Batlle y Ordóñez, presidente do Uruguai por duas vezes (1903-1907 e 1911-1915), as principais ideias dessa doutrina que influenciou fortemente o país. Muitos anos antes do aparecimento do welfare state nos países industrializados, Batlle lançou as bases do Estado de bem-estar social no Uruguai. Até hoje ele é chamado de Don Pepe pelos uruguaios.
No século 19 as disputas entre Blancos e Colorados degeneravam normalmente em guerras civis, dividindo e enfraquecendo o país, e tornando-o presa fácil de interesses estrangeiros. Os confrontos de caudilhos locais refletiam a luta de poder entre o governo central e os departamentos. Após assumir a presidência e sufocar uma revolta dos líderes Blancos do Departamento de Rivera, Batlle deu início a um programa de reformas que viria conferir ao Uruguai o título de Suíça da América.
Ao nível econômico, promoveu-se a nacionalização de setores estratégicos e atribuiu-se ao Estado o papel de indutor do crescimento. No plano social, aprovou-se um conjunto de leis sobre a proibição do trabalho de menores de 13 anos, a garantia de 40 dias de licença maternidade, o repouso semanal obrigatório e a jornada de oito horas. Promoveu-se a separação entre a Igreja e o Estado, o divórcio por iniciativa da mulher, o voto feminino (aprovado em 1932) e o ensino público.
Com o passar do tempo, o Uruguai tornou-se o país mais laico da América Latina, com os menores índices de analfabetismo, as mais baixas taxas de natalidade e mortalidade e um dos mais altos níveis de esperança de vida. Após a morte de Batlle, em 1929, e a depressão dos anos 30, que atingiu drasticamente o país, os seus seguidores foram incapazes de recompor o arco de alianças políticas de sustentação do batllismo.
Ainda assim, o legado de suas ideias representa até hoje a vitória do elemento intelectual e urbano, com forte identidade nas classes médias, sobre o Uruguai rural e conservador do final do século 19. Não poucos militantes da esquerda uruguaia reivindicam a sua herança. Mujica, porém, tem os olhos voltados para o futuro.
Em livro de entrevista a Samuel Blixen, intitulado El sueño del Pepe, ele diz: "O conhecimento será a propriedade mais importante no mundo que se aproxima. A verdadeira libertação é a acumulação da inteligência nas entranhas da sociedade. Não há outro caminho que a capacitação. Não existe nada mais valioso que o cérebro de nossos filhos. Mas o acesso ao conhecimento deve ser democratizado, para todos, para que os pobres tenham também acesso ao conhecimento".
É um sonho que se parece com um programa de governo, alicerçado em valores morais de um velho militante de esquerda que, ao final do livro, declara: "Eu não renuncio ao socialismo. Mas no sonho do socialismo, é preciso reinventar o capitalismo". Será que esse novo Pepe, a quem compete governar o Uruguai em um contexto histórico distinto, aportará o elemento popular de um renovado batllismo do século 21 ?
(*) Renato Martins é doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP), assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência da República

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